09 outubro 2007

Mestre Alderico

Alderico de Paula Damasceno, 88 anos de vida e, destes, mais de 60 dedicados ao magistério.
Natural de Aracati, muito cedo radicou-se em Crato, ao lado dos seus irmãos Agnelo (também professor) e Alderi (funcionário dos Correios, já falecido).
Alderico é pessoa querida pelos seus inumeráveis amigos e admiradores, e respeitada por todos os cratenses, pela grande contribuição dada à educação local.
Ensinou História e ministrou Educação Física em vários educandários da Terra de Frei Carlos, com destaque para o Colégio Estadual Wilson Gonçalves, onde lecionou ao lado de grande nomes do magistério cratense, a exemplo de José do Vale Feitosa.
Foi também professor da Faculdade de Filosofia, sendo um dos fundadores do Curso de História, e, posteriormente, da Universidade Regional do Cariri (URCA), onde continuou como professor do encampado curso de História e do curso de Ciências Econômicas.
Mestre Alderico, como é chamado por vários dos seus declarados discípulos (a exemplo do Prof. Dr. Micaelson Lacerda, aluno universitário de Alderico e hoje Chefe do Departamento de Economia da URCA),- depois de aposentado, ( compulsoriamente. Senão, ainda hoje estaria na ativa), continua altivo, participando de quase todos os atos cívicos de nossa cidade.
No momento desta foto, no último dia 29 de setembro, estava participando da convenção municipal do Partido Verde, vestindo uma providencial camisa esmeralda. Alguns dias depois, em 4 de outubro, foi um dos primeiros a chegar na sede do Instituto Cultural do Cariri, onde deu-se a solenidade de posse dos novos sócios daquele sodalício. Convidado para integrar a mesa-diretora dos trabalhos, foi um dos mais aplaudidos. Prova inconteste de reconhecimento e carinho da comunidade cratense a este verdadeiro “paternon” da nossa vida sócio-cultural.
Para culminar este singelo tributo, reproduzo uma história que já foi publicada na "Coluna É", de autoria de Neno Cavalcante, no jornal Diário do Nordeste:
Quando era técnico de uma dos principais agremiações do futebol cratense, na década de 50, em jogos cujo palco era o Estádio Wilson Gonçalves, localizado por trás de onde hoje é o Campus do Pimenta da URCA,- Alderico só comandava seu time vestido, impecavelmente, de paletó e usando gravata, além de portar um inconfundível guarda-chuva.
E para que o guarda-chuva...
Mestre Alderico confirmou a mim o que Neno Cavalcante já tinha revelado: o providencial objeto não era para se precaver de uma imprevista chuva, mas para indicar aos seus comandados o lugar onde deveriam estar postados ou para onde deveriam (contra)atacar o adversário.

Salve, Salve, Mestre Alderico!

8 comentários:

  1. Quando cheguei ao primeiro ano de ginásio, exatamente naquele ano o Latim como matéria curricular tinha caído. Isso só para localizar-me no tempo, aquele em que o ensino era dividido em primário, ginásio e científico. No primário éramos cuidados por um só professor,normalmente mulher para nos lembrar a maternidade. Já no ginásio cada matéria um professor. O Professor Alderico Damasceno foi meu professor do primeiro ao quarto ano no Diocesano. Era um mestre perfomático, de gestos teatrais e com perguntas quase na linha Brechtiniana. Ninguém até então, como professor de história ousara analisar, discutir os fatos da história não como fatos naturais, mas como fatos geopolíticos, da economia, do domínio de povos por outros povos. Naqueles idos não chegava a ser a análise materialista histórica, mas quem foi seu aluno não teve dificuldade de compreender o método. Não era um Fernand Braudel mas o espaço, os processos humanos e a natureza estavam no seu escopo de análise. Como aluno irrequieto, muito trabalho dei ao professor Alderico e isso sendo filho de outro professor. A minha turma não era fácil (Peixoto, Izavan, Vicente Feitosa, Boi Danilo, Zé Ribeiro, Hugo Linard entre outros do mesmo naipe) e muitas vezes fomos expulsos de aula no limite da paciência de Alderico. Mas isso ele nos perdoô, pois a excentricidade do mestre era aberta aos diferentes. Professor Alderico é um dos maiores patrimônios vivos do Crato em que pese o seu Aracati.

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  2. José do Vale,
    Seu depoimento, de ex-aluno do mestre Alderico, complementa e enobrece mais ainda a singela homenagem a esta grande figura cratense (no que pese, como bem disse, o pequeno acidente do seu percurso inicial). Acredito que comentário como esse, tanto pelo valor memorialístico como o pelo primor da escrita, deve integrar os anais citadinos, para um dia servir de referência aos pesquisadores que se debruçarem no trabalho de resgatar as personagens beneméritas de nossa cidade.
    Um grande abraço!

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  3. Aproveito o momento oportuno pa-
    ra afirmá-lhes que o blogdocrato.co
    foi uma ótima idéia.
    Quero, também enviar o meu abra-
    ço para o mestre Alderico.

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  4. Como ex-aluno achei execelente a homenagem prestada ao mestre Alberico. Estudei, nos anos 1969 e 1970, no colégio Estadual Wilson Gonçalves, onde o Professor Alberico Dasmaceno lecionava História Geral e o seu irmão Agnelo lecionava Matemática. Tive, também, a grata satisfação de tê-lo como técnico de futebol, quando joguei na equipe juvenil do SHEEL da cidade do Crato. Para avivar a lembraça do mestre Alberico, meu irmão(José Demir Rodrigues) e eu, éramos conhecidos como os paraibanos.

    De seu ex-aluno,

    Raimundo Nonato Rodrigues.

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  5. Como ex-aluno achei execelente a homenagem prestada ao mestre Alderico. Estudei, nos anos 1969 e 1970, no colégio Estadual Wilson Gonçalves, onde o Professor Alderico Dasmaceno lecionava História Geral e o seu irmão Agnelo lecionava Matemática. Tive, também, a grata satisfação de tê-lo como técnico de futebol, quando joguei na equipe juvenil do SHEEL da cidade do Crato. Para avivar a lembraça do mestre Alderico, meu irmão(José Demir Rodrigues) e eu, éramos conhecidos como os paraibanos.

    De seu ex-aluno,

    Raimundo Nonato Rodrigues.

    4:17

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  6. Raimundo Nonato, muito grato pelo generoso comentário. O mestre Alderico, com sua prodigiosa memória, com certeza irá lembrar de você e do seu irmão (os paraibanos). Assim que o encontrar, vou transmitir sua mensagem.

    Um abraço

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  7. Fui aluno do Prof. Alderico no Diocesano. Para mim ele tinha um sendo crítico muito aguçado. Era a época do Governo João Goulart com todos os embates/debates entre os "nacionalistas", "socialistas"(essas baboseiras que hoje o quase-ditador Hugo Chávez repete, horas a fio, "ad nauseam"). Alderico, apesar de filiado ao PTB, era fiel nas auas análises. Nunca foi sectário.Parecia conhecer a inutilidade dessas discussões. Este um aspecto da independência dele que sempre admirei...

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  8. Esta história quem me contou foi minha Terezinha, por ocasião de uma aula de Alderico no curso de Ciências Ecomômicas da URCA. Alderico iniciou a aula lendo um livro que criticava o neoliberalismo, parecendo, até, que concordava com o enunciado:
    "O Neoliberalismo é uma política de dominação do capitalismo internacional, visando mais ainda subjugar os interesses legítmos dos trabalhadores" e etc etc e etc...
    Sem ninguém esperar, Alderico arremessou o livro na parede, que se despedaçou integralmente, fazendo com que sua folhas voassem por todas a sala, enquanto bradava: BESTEIRA... COMPLETA E INÚTIL BESTEIRA.
    Depois, continuou a aula falando sobre o liberalismo de Locke e Adam Smith, como se nada tivesse acontecido antes...

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