31 outubro 2007

CRATO, CARIRI, CEARÁ, BRASIL.

Hora de falar, ouvir. Hora de ouvir, falar.

O Prefeito Samuel Araripe falou.

E agora José?
E agora Dihelson, Salatiel e Carlos Rafael? E agora Vicelmo? Zé Flávio e você? E agora Zé Nilton, Océlio e Chico Cunha? E agora Francinilda, Lupeu e Geraldo Urano? E agora Manel D´Jardim entre cores e odores? Decas, Clélio Reis e agora Teto? Leo, Sergestes, Balú, Dedê, João Eymar e agora? Nicodemos, ainda lutas teremos? Lifanco, Carlos Saraiva, Antonio Carlos, Dellamone e você Cleivan Paiva? Stênio, Marcos Damasceno acene ao Bem Bem, Chacheado e Tibungo. E agora? Nivaldo, Xixico, Ducliê, Régis, Tota, Roger e Rubinho como será agora? Marcos Jackson, Arnaldo, Germano Teles, Reni, Fernanco Piancó, vedes são somos apenas um só. E agora? Boris, Sandro Leonel, Ana Cláudia, Eliane, Mônica e Guilherme Callou? Faser, do Rosto, Eluísio, Édio Calllou e você João do Crato que já o é em si mesmo? Denise e nosso revolucionário Fidel? E agora Cabelinho? E agora Evandro e Valéria? Glória Militão veja Silvana e Valdete, Ana Isabel e Aldinha Holanda. E agora Almerinda, Meirinha, Ivan Alencar que terrível se não fôssemos tantos? Luís Cláúdio, Ana Rosa, Jô e Sérgio. Gritemos com força, você Pulmão, e agora?

E agora, o que temos para dizer? O quê dizer? Como dizer? Quanto dizer? Onde dizer?

Dihelson bradou em primeiro lugar. Samuel Araripe falou. Agora quem diz são vocês.

Diocesano realiza Noite Lusitana

Nesta terça-feira, dia 30 de outubro, o Colégio Diocesano do Crato promoveu uma série de atividades enfeixadas com a denominação de Noite Lusitana, somatório de manifestações artístico-culturais desenvolvidas e levadas a público por alunos e professores.
Em uma seqüência de apresentações relativas à presença de outras culturas na colonização brasileira, considerando aspectos da influência de Portugal, África, Espanha e Itália, no idioma, na religiosidade, culinária, dança e outros costumes, foram mostrados trajes típicos, músicas, elementos de culto, danças e pratos tradicionais dessas nações. A promoção somou esforço didático-pedagógico da sala de aula em um espetáculo que reuniu pais e mães no pátio do colégio, a vivenciar o desempenho dos filhos em práticas modernas do exercício das disciplinas estudadas.
Compuseram a mesa diretora dos trabalhos do evento os padres Rocildo Alves Lima Filho e Vaudênio Nergino, atuais administradores do tradicional educandário cratense, além dos professores Ricardo Correia, Lázaro Alves do Nascimento, Graça Oliveira, Sebastiana Gomes Job (Bastinha) e do assessor de Comunicação da Universidade Regional do Cariri, Emerson Monteiro.
No decorrer das várias situações caracterizadas na moda e nos hábitos dos povos referenciados, houve declamação de poemas, exibição de cartazes com palavras originárias de outras línguas e que constituem o português falado no Brasil; desfile de faixas, flâmulas, placas; enquanto alunos, vestidos com indumentárias típicas das várias culturas, demonstraram a riqueza dos costumes trazidos pelas populações que integraram as bases civilizatórias do país e alimentam a força da nacionalidade verde-amarela.
Iniciada com a caracterização de procissão alusiva a Nossa Senhora de Fátima, padroeira de Portugal, desenvolvida pelos estudantes, verificou-se também a demonstração dos tipos elementais dos santos provenientes da cultura africana, os orixás mais conhecidos, Iansã, Iemanjá, Oxalá, Oxossi, Ogum, Omulu e Oxum, testemunho da liberdade de crença desta Nação.
Em prosseguimento, alunos vestidos com roupas próprias dos mestres de cozinha dos países enfocados na mostra exibiram pratos típicos produzidos no fiel padrão de receitas culinárias originais, preparados pelos participantes e familiares, o que, em seguida, foi exposto aos componentes da mesa dos trabalhos, inclusive para sua degustação.
O brilhantismo da noitada teve ponto alto com a exibição de danças folclóricas africanas e européias, pelos alunos do colégio, e de luta de capoeira, sob a responsabilidade de membros do Projeto Nova Vida, de Crato, numa indicação clara do talento de quem, por dias sucessivos, ensaiara coreografias e evoluções dos grupos envolvidos nas performances.Digna de nota, portanto, a beleza dessa promoção de alunos e professores do Colégio Diocesano do Crato, instituição que guarda extensa folha de serviços prestados à educação brasileira, no momento de outras homenagens relativas aos seus 80 anos.

Xangai realiza show nesta quarta 31

O Cariri terá mais uma vez a presença do mestre das cantorias do sertão. Xangai apresenta os seus maiores sucessos e 'causos' em forma de canção, neste dia 31, às 21 horas, no Auditório da Rádio Educadora do Crato, próximo à Universidade Regional do Cariri (URCA). Sempre prestigiado pelo público caririense, o músico tem dado uma amostra de sua simpatia pela região. Em cada show uma história, em cada história uma canção. Xangai, um cantor, um artista, um menestrel.
Eugênio Avelino, o baiano de Vitória da Conquista, recebeu como nome artístico Xangai. Tornou-se conhecido em todo o Brasil, como o raro talento de levar as coisas simples do sertão, da natureza, para os encantos das cordas musicais. É um dos principais representantes da música agreste.
No show, o cantor transita pelos repentes, forrós, dos rodeios ao teatro, sempre tocando com as mais diversas formações. Iniciou sua carreira em meados dos anos 70. Tem em seu currículo parcerias importantes como o primo Elomar, cantor e violeiro de renome, o paraibano Vital Farias, e o pernambucano Geraldo Azevedo. Cantoria é um dos grandes registros de shows de sua carreira. Disco de cabeceira de todo calouro de universidade. Mas é sozinho, com seu toque único de violão e brincando com a voz, que ele se solta melhor. Os ingressos para o show em Crato podem ser adquiridos no restaurante Lá na Praça – Comidaria e Sanduicheria, de frente à Praça da Sé, e Trilha Sonora. Em Juazeiro, nas lojas Vip Shop, Centro e Cariri Shopping. Maiores informações, ligar para o fone (88) 3523 3333.

30 outubro 2007

Vida !


A vida tem duas faces:
positiva e negativa.
O passado foi duro,
mas deixou o seu legado:
sobreviver é a grande sabedoria.
Que eu possa dignificar minha
condição de mulher, aceitar suas limitações
e me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes,
aceitei contradições, lutas e perdas
como lições de vida e delas me sirvo.
Aprendi a viver.
Cora Coralina

SOS Rio Batateiras e Sítio Fundão


Canção para o Rio Batateiras (Réquiem ou Balada?)

Por Carlos Rafael

Hoje te visitei e tu estavas agonizando no leito, pois no teu leito não corria uma fiozinho d’água sequer. Lembrei, nostálgico, quando, depois de longas e sábias conversas com Seu Jefferson, proprietário e benfeitor do Sítio Fundão - a tribo urbana, da qual eu fazia parte, mas que era fascinada pelo mato, descia pelas veredas, até enxergar, maravilhada, aquela que era uma das nossas maravilhas: teu pequeno cannion, esculpido pelas tuas correntezas, aparentemente apressadas, mas que , na verdade, eram pacientes pela grandeza da tarefa, realizada através de milhões de anos. Passávamos tardes inteiras banhando-nos nas tuas águas e fartando-nos com as bananas, mangas, ingás e cocos que Seu Jefferson nos autorizava comer. Na volta, sentíamos as almas leves e fagueiras, descendo a acrópole pela escadaria, já com as luzes dos postes acesas, iluminando o centro do Crato.


Passaram-se décadas desde que te visitei pela última vez, quando Seu Jefferson ainda ocupava o posto de Guardião do Sítio e da parte do teu corpo, meu Rio, que repousa naquele santuário ecológico.

Antes, ao lado de Seu Jefferson, dediquei um bom tempo de minhas visitas ao Sítio, manuseando empoeirados documentos cartoriais que tinham celebrados acordos de partilhas de telhas d'água entre os proprietários rurais, verdadeiros régulos, já em meados do século XIX. Seu Jefferson reclamava da água que diminuía. O acordo estava sendo desrespeitado.

Hoje, voltei ao Sítio. A sua entrada, tão bucólica nas minhas reminiscências, a ponto de compará-la a um pórtico de acesso a um mundo mágico e misterioso,- já não é mais a mesma: uma grande fábrica fica-lhe ao lado, tendo-lhe tomado uma grande parte de sua área, agora arroteada e cercada de alambrado. Parte da mata, na entrada do sítio, está estorricada, calcinada que foi por um incêndio criminoso ocorrido poucos dias atrás. Dos males o menor, pois a mata recuperar-se-á com as chuvas de dezembro que se aproximam (a cigarra já começou a cantar). O problema são os piromaníacos irrecuperáveis.

Pior, no entanto, foi ver o teu estado, meu Rio, agonizando no leito, pois teu leito hoje é só de pedras. Pior, ainda, foi saber que a tua agonia não é natural, vítima de um cataclismo à inversa, como se o apocalipse estivesse próximo e o superaquecimento global resolvesse antecipar o fim do mundo. Nem poderia ser também o agourento canto da acauã, que ouvimos lá da mata, enquanto caminhávamos no teu leito seco e Ed Alencar (*), - esse Dom Quixote que insiste em vencer os moinhos "d’água" (quanta coincidência histórica e ao mesmo tempo quantas ironia do destino, meu Rio!) - nos dava o teu diagnóstico. Mas, não! Triste foi saber que tua morte anunciada é por conta da ganância daqueles que, se considerando os donos da terra e aliados do poder, se arvoram a ser donos das águas também.
Vimos como isso vem acontecendo. Tuas nascentes estão sendo desviadas por canos que estupram as entranhas da serra, sugando grande volume do precioso líquido que, de forma tão generosa, a Mãe-Terra oferece indistintamente a todos. Não satisfeitos, antes mesmo das águas molharem teu leito, mais canos e levadas desviam o resto da água que teima escapar do vampirismo.








Lastimável, meu Rio, é saber que tu estais em estertor, e estertorante também está todo um ecossistema que depende diretamente de ti, formada por vegetação ciliar (desde pteridófitas, como samambaias e plantas afins, até árvores de grande porte) e animais silvestres (veados campeiros, tatus, guaxinins, tamanduás, pássaros, cobras etc). Os animais que não podem migrar perecem, tanto por sede e fome como por se tornarem presa fácil de inescrupulosos caçadores. Homens e mulheres, que formam a população ribeirinha, sofrem e nem entendem porque o rio já não é mais aquele de outrora.



Mas, meu Rio, ah, meu Rio! Sua recuperação deste estado crônico é possível, e isso sem nenhuma panacéia ou plano miraculoso. Basta que os pretensos donos de tuas águas, liberem o líquido durante a noite, quando todos estão repousando, comendo, bebendo, contando dinheiro, assistindo televisão, dormindo ou ocupados em atividades nem sempre produtivas ou essenciais. Basta, pois, que liberem as águas, desviadas de ti durante o dia e que as liberem das seis da noite às seis da manhã e, pronto!, tu voltarás a viver e farás com que toda uma cadeia vital também sobreviva.




É fácil, é simples. É questão de inteligência, bom senso e consciência, pois a vida e suas maravilhas são muito maiores do que interesses menores, individuais, oligárquicos.
Vamos te salvar, meu Rio. Agüente firme!

Rio, não vamos chorar! Vamos lutar!



(*) Edmundo Alencar, conhecido por Ed Alencar, é neto de Seu Jefferson e está à frente da campanha para salvar o Sítio Fundão e o Rio Batateiras. Entre nesta campanha. O contato de Ed é (88)9233.7241. Para movimentar a campanha, Ed vem realizando uma série de eventos com vistas à mobilização da sociedade organizada em prol da causa. O próximo será a celebração de uma missa, que acontecerá nesta terça-feira, dia 6 de novembro, às 8 horas da manhã, no leito atualmente seco do Rio Batateiras, localizado no Sítio Fundão, em Crato.

EXPOMORTE 2007

Com a proximidade do dia finados, algo inusitado acontece na Praça do Cristo Redentor, a praça dos pombos como é conhecida. Trata-se de uma exposição, cujo título é: EXPOMORTE 2007. O curador é o Taxista: Roberto de Souza Brito, conhecido por “Calango”.
Nessa curiosa exposição, porque não deixa de ser, o visitante poderá "rever" um ente querido ou simplesmente deparar surpreso com um amigo ou pessoa do convívio da cidade que por ventura não sabia está no andar de cima!
Há um rodízio de visitas impressionante!
Lá pude ver pessoas que eu estimava, parentes e amigos dentre outros que me deixaram saudades! Vi: O meu professor Zé do Vale, meu tio Zé Sampaio. Grandes, grandes, grandes amigos como: Elim Feitosa, Alan Paiva! O bilheteiro Zé, do Cine Moderno! O desportista Tomé! Muitos e muitos que como falei, deixam saudades aos que por aqui ficam! Os de antigamente e os de recentemente.
Até tomei um susto, pensava haver morrido o cantor Abidoral!!! Até disse, Abidoralzinho meu irmão, tu subiu sem avisar pra nós homi!!! Claro que não! Olhando bem de perto, tratava-se de um caso raro de homônimos para esse nome.
Era alguém que em vida atendia pelo nome de Abidoral! Mas era o falecido: ABIDORAL PINHEIRO LEITE, que Deus o tenha!
A exposição ficara até o dia 02, dia de finados, é ir lá e conferir!


Café Brasil - Dihelson Mendonça entrevista Abidoral Jamacaru que fala sobre sua vida, obra e a cultura do Cariri.


Dihelson Mendonça entrevista Abidoral Jamacaru.

No "Café Brasil" desta semana, o grande poeta e compositor Cratense Abidoral jamacaru fala sobre a sua carreira, seus grandes sucessos, e as tendências da cultura e das artes no cariri. Também discute o eterno problema das secretarias de culturas dos municípios, vontade política, e a realidade cultural da cidade de Crato e do Cariri em geral. Entre um tema e outro, Abidoral executa apenas com sua voz e o violão, músicas já consagradas por seu público.



Clique no player abaixo:


Foto: Dihelson Mendonça

29 outubro 2007

DRAMA, A FLORESTA EM CHAMAS

Hoje, 29 de julho de 2007, a Floresta Nacional do Araripe, "ARDE"! Essas são as fotos que nenhum fotógrafo gostaria de fazer! Não sei o incêndio é advindo de causas naturais, ou, da natureza da "falta de natureza" de algum ignorante qualquer! Taí uma triste verdade, a FLONA arde! Não é fogo pequeno não!...

QUE PERGUNTA VOCÊ FARIA AO PREFEITO DO CRATO hoje ???



Atençao, amigos,

Já que hoje em dia o BLOG DO CRATO tem mais de 15.000 ( quinze mil ) acessos por mês, eu creio que existem muitos cratenses vendo nossas postagens, inclusive gente do poder púbico.

A questão que proponho aos cratenses ( seja daqui ou de além-mar ), é qual ou quais perguntas você desejaria ver respondidas em entrevista pelo atual prefeito do crato SAMUEL ARARIPE ?

Aceito respostas tanto dos membros do Blog quanto de simpatizantes, e dos comentaristas de plantão. As suas perguntas serão encaminhadas ao prefeito Samuel Araripe, e representará o clamor da população.

Vamos dar preferência a coisas que tenham sentido e que possam ser respondidas.

Aguardo comentários.

Dihelson Mendonça

Blog do Crato atinge Recorde de mais de 15.000 acessos por mês e 23.000 hits !







Olá, Pessoal,

É com muita alegria que comunico à todos que o Blog do Crato tem atingido recordes de audiência na internet a nível de cariri, para um site de divulgação que não é provedor.

Mais de 5.000 acessos no servidor básico.
E isso contando apenas com o setor distribuído pelo nosso servidor de dados, o que não revela a conta total acessado do Blog em si.

Sendo que algumas fotos são localizadas no servidor principal, e este aponta para mais de 23.000 hits por mês em outubro, posso estimar o acesso real em mais de 15.000 por mês, considerando o todo e não apenas a parte medida pelo servidor.

Parabéns aos mais de 30 membros do Blog do Crato que escrevem e postam textos, crônicas, que são os verdadeiros homenageados por esses números tão expressivos.
Venbdo o quadro dos meses, vemos a curva crescente de acesso, para uma coisa que começou apenas por brincadeira.

Nossos ideais são firmes, e nossa credibilidade se faz sentir.
As pessoas que escrevem para o Blog do crato hoje são algumas das mentes mais brilhantes da nossa época.

Abraços,

Dihelson Mendonça

Lugar-comum


Eu vivo correndo o mundo. Os tempos pra mim não passam. Não consigo parar, pensar demais. Faço tudo ao mesmo tempo agora. Suspeito de mim, não consigo desacreditar-me. Mesmo levando porradas continua a busca, as vezes, não sei nem de quê. Mas continuo. Escutar os outros, para mim, atrapalha. Tenho metas, tenho planos mil. Tenho como chegar ao que quero. Procuro não me abater por pouco, ou por muito. Acredito em mim, mesmo acreditando em você também. Apenas a minha opinião é mais relevante.
Calculo? Sim.
Faço previsões? Sim.
Dão certo? Sim e não. Tudo é relativo.
Tudo é perfeitamente imprevisível.
Vai dar certo? Vai, por que não?
Se depender de alguns, nunca vai dar certo. Mas não depende só de alguns, depende de uns. E esses uns são eles mesmos. São eles que quero. São eles que fazem a diferença, pelo menos para mim.
Não me interessa você que não faz a diferença. Não me interessa a sua indiferença, ou, a sua teimosia em ser igual. Não me interessa teu carimbo, teu clichê. Não me chame pra esse teu lugar comum.
Quer vir pra cá? Seja sempre bem-vindo. Agora, limpe os pés, lave as mãos e, principalmente passe uma borracha no teu HD.

MANTENDO A CAMPANHA PELA CULTURA DO CARIRI

Existem lugares especiais na cultura dos povos. Exemplos máximos: as margens do Rio Gânges, a Mesopotâmia, Jerusalém, Meca, Roma entre outras cidades e regiões. E são especiais pois além de terem sido palco de grandes eventos da cultura foram, também, o cenário permanente em que esta mesma cultura cresceu, se modificou e se atualizou. Lá, mesmo dado o sentido conservador das culturas, o mundo se explica, as pessoas se encontram, pois como dizem a "nossa alma habita na nossa memória". Então o que isso significa?

O Cariri, no sul do Ceará, é um pólo de cultura sertaneja, mas não é só isso. A sua cultura vai do semi-árido ao verde da cana. É tudo que os intelectuais no cinema e na literatura tanto almejaram: tem antropofagia, é o encontro do mar que virou sertão e do sertão de virou mar no mesmo lugar, é um híbrido como os jumentos, mas é muito mais, pois ao contrário é um híbrido fértil. O Cariri é a sede de uma religiosidade primitiva como as pompas cardinalícias jamais alcançaram. É um fuga da realidade brutal sem, no entanto, questionar a brutalidade da realidade, mas é, também, brutal. É tudo isso, pois um pólo de explosão como esse não é coisa com coisa, pedaço encaixado noutro pedaço, é justamente ao contrário: é alma retalhada dos seres humanos das américas. Mas da América Latina, da américa pobre, da américa ao mesmo tempo pré-colombiana e da era da internet.


Então meus caros contemporâneos blogueiros dos Cariris eis a realidade arco-irisada de nossas almas, das ruas que burburinham nas nossas portas e dos campos que silvam em algum galho de Juazeiro. Não olhem apenas para teu porte fidalgo, da origem classe média e de uma suposta origem mensageira, vejam a derme que sua, agora mesmo ao sol da realidade irremovível de nosso ser. Não tens fuga, és o que és e por isso mesmo és coletivamente muita coisa.

Agora que Valter Peixoto, não importa se por um escriba ou não, se manifestou, falta o manifesto de SAMUEL ARARIPE, PREFEITO DO CRATO. Caro prefeito da nossa cidade amada, diga o que pretendes da nossa cultura, como conduzirás este patrimônio em busca das transformações imensas que acontecem no litoral e no mundo globalizado. Diga-nos e aproveite para conversar com DIHELSON, CARLOS RAFAEL, SALATIEL, ZÉ FLÁVIO E VICELMO. È papo só. Não custa nada. Ouça o que têm para dizer. Esta semana algo novo pode acontecer.

28 outubro 2007

Mostra SESC das Artes





www.sesc-ce.com.br/mostracariri

Inaugurado no Crato o Café Estação ao som de Los The Os...


Pois é, galera,

Embora eu tenha chegado um pouquinho atrasado na festa ( só 5 horas de atraso... rs rs ), ainda deu pra pegar alguma coisa. Estas são fotos do local, CAFÉ ESTAÇÃO, que com certeza, vai se tornar um grande ponto de encontro da sociedade Cratense, para se apreciar uma boa música e saborear pratos deliciosos !!

Parabéns aos proprietários por essa idéia maravilhosa, e que sempre, paralelamente, toquem estilos musicais diferentes daquilo que se escuta nas péssimas estações de rádio da região. Que se façam shows culturais ( universais e regionais ), de MPB, de Jazz, de Rock, de pop bom, sempre buscando mostrar aos frequentadores e ao povo em geral, a diversidade de estilos musicais, a pluralidade do mundo das idéias, algo mais que essa cultura pasteurizada e medíocre que alguns locutores burros do rádio caririense tentam nos empurrar goela abaixo ( o falso forró, decadência de uma cultura falida e de um povo que nunca pôde provar de sabores culturais diversos da música do mundo ! ). Quando surge um local desses na região, é como uma bênção divina, pois deverá formar platéia, mostrando às novas gerações produtos de rara beleza e sobretudo, de grande qualidade.

Bem, feita essa breve introdução, vamos aos fatos e fotos:
( Clique nas fotos para ampliar ! )






























...e por enquanto é só, pessoal. Peço desculpas aos que porventura não apareceram nessas fotos. Na verdade, há mais de 60 fotos, e não é possível colocar todas aqui.

Abraços,

Dihelson Mendonça

Coluna Cariri - Jornal O POVO.


Por: Tarso Araújo - Jornalista

NOVA OLINDA

Na oficina de Espedito Seleiro, em Nova Olinda, é produzido um dos mais belos artesanatos de couro do Ceará. Calçados, bolsas, gibãos, perneiras e chapéus foram inseridos no roteiro turístico do Cariri. Quem vai agora a Nova Olinda, além da Fundação Casa Grande, deve visitar a oficina de Espedito Seleiro.

NOVA VISITA
O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, marcou para o dia 30 de novembro sua segunda visita a Juazeiro do Norte. Vem presidir a solenidade de inauguração do Restaurante Popular. Da primeira vez que veio a Terra do Padre Cícero, Patrus Ananias foi conhecer o Horto, dobrou os joelhos e rezou contrito na igreja do Bom Jesus.

ANOTE: MONSENHOR ÁGIO
Próximo a completar 90 anos, monsenhor Ágio Augusto Moreira é uma das personalidades marcantes do Cariri. Ele vive no Belmonte, em Crato, numa casinha singela, de onde se pode contemplar as encostas da Chapada do Araripe. Colada a sua residência fica a capelinha de Nossa Senhora das Graças. Em frente, localiza-se a Sociedade Lírica do Belmonte - fundada por ele há mais de 40 anos - mantenedora da Orquestra Sinfônica Padre Davi Moreira, onde filhos de agricultores aprendem música. Entre uma missa e outra, monsenhor Ágio escreve livros. Já teve dois publicados e acaba de concluir mais três: Tratado sobre as almas do Purgatório; O Precioso sangue de Cristo e História da bicicleta. Pobre, humilde e afável, monsenhor Ágio está à espera de apoio para publicar seus últimos escritos.

O SERTÃO VIRA MAR
Nada como o tempo! As águas do rio São Francisco chegaram esta semana à cidade de Exu (PE), cuja população é agora abastecida pelo líquido do Velho Chico, por iniciativa do Governo de Pernambuco. Pois é, as águas do São Francisco estão a apenas 60 quilômetros do Crato e do Ceará. Enquanto isso o projeto de transposição feito pelo Governo Federal avança. Em passos de tartaruga...

SANTANA DO CARIRI
Os irmãos Pereira Oliveira (entre eles o ex-deputado Iranildo) acabam de construir, na zona rural de Santana do Cariri, as primeiras seis casas integrantes do projeto Euroville. Trata-se de residências, cada uma com a arquitetura típica de um país europeu. A idéia partiu de Francisco Pereira de Oliveira (Francimar) já falecido, que viveu mais de 30 anos na França como funcionário da Unesco. Logo, logo, a Euroville será outra atração turística na "Capital Cearense da Paleontologia."

MEMÓRIA PRESERVADA
Na próxima quinta-feira, 31, serão reabertas a capela e a sala de memória da casa-mãe da Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus, em Crato. A histórica capela - que estava ameaçada de desabamento - foi restaurada mantendo toda a originalidade. Uma homenagem especial será prestada ao primeiro bispo de Crato, dom Quintino, construtor dessas edificações. Santa Teresa de Jesus (também conhecida por Santa Teresa d´Ávila), é venerada em Crato desde o início do século passado. Espanhola de nascimento, ela é autora da célebre oração: "Nada te perturbe /Nada te espante /Tudo passa/ Só Deus não muda. /A paciência tudo alcança /Quem tem a Deus, /Nada lhe falta. /Só Deus basta."

OPINIÃO DIFERENTE
Caro Tarso Araújo, sou leitor assíduo do jornal O POVO e fiquei impressionado com a ignorância e a posição do Monsenhor Ágio Augusto Moreira sobre a figura de Farias Brito, considerado pela historiografia das idéias filosóficas no Brasil como o maior filósofo ou o primeiro filósofo brasileiro. Esse cearense nasceu em São Benedito em 24/7/1862 e morreu em 17/1/1917 no Rio de Janeiro. Levou uma vida retirante, como grande parte dos cearenses, desde os três anos de idade. Em 1902 deixou o Ceará e foi morar em Belém, devido à atmosfera asfixiante da política aciolina sobre os intelectuais independentes ou de oposição. Em 1909, tornou-se professor do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, após ter vencido um concurso, superando o famoso escritor Euclides da Cunha que, por influência política, foi nomeado no lugar de Farias Brito, que só assumiu o lugar que tinha conquistado após a morte do autor de Os Sertões. A filosofia de Farias Brito consiste na busca de uma nova síntese entre a ciência, a consciência filosófica e a arte para se chegar a uma nova ordem moral e social superadora da crise da sociedade ocidental fundada na idolatria do materialismo e do interesse individual. Escreveu importantes livros de filosofia, como Finalidade do Mundo (3 vols.), A Verdade como Regra das Ações, Base Física do Espírito e O Mundo Interior. Sua obra é praticamente desconhecida atualmente pelos próprios professores de filosofia, o que me levou a desenvolver uma tese de doutorado pela UFC sobre sua vida e sua obra a ser defendida brevemente. Jesus Cristo já disse que o profeta não é bem recebido em sua própria terra, portanto, não é nenhuma novidade que Farias Brito não receba a devida atenção por parte de muitos de seus conterrâneos. Atenciosamente, Júlio Filizola Neto.

BATE-PAPO

CONHECENDO O CARIRI
Segundo o estudo Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil, elaborado pelo Ipea, IBGE e Unicamp, em 2002, a aglomeração urbana Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha tem influência sobre uma extensa área de 58 mil km
, abrangendo 64 municípios, sendo sete do Piauí, quatro de Pernambuco e o restante (53) do próprio Ceará. Em termos geográficos, a região que sofre influência do Cariri é maior que a soma das áreas territoriais de Sergipe e Alagoas (49,6 mil km ) e maior que a área territorial de outros estados nordestinos, como Paraíba (56,4 mil km ) e Rio Grande do Norte (52,8 mil km).

ICC
O Instituto Cultural do Cariri criou a cadeira José do Vale Arraes Feitosa, que deverá ser ocupada pelo filho do homenageado, o médico-cronista José do Vale Pinheiro Feitosa, residente no Rio de Janeiro.

DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
Quem visita nesta época do ano a Cachoeira de Missão Velha - um dos lugares mais bonitos do Cariri - sai desapontado. Moradores da redondeza fizeram daquele local um depósito de lixo. Pior: as águas do rio Batateiras chegam à cachoeira transportando os dejetos dos esgotos de várias cidades do Cariri. Nos dias atuais, a Cachoeira de Missão Velha virou local para encontros dos adeptos do candomblé, religião importada de outras regiões do Brasil e que vem crescendo, ultimamente, até nas pequenas cidades do interior. Esta outra realidade do presente, da qual o Cariri não pode fugir.

27 outubro 2007

Wilson Bernardo, Bendito maldito!

Dois grandes momentos deste que é o mais irreverente poeta da atualidade cratense. êle que em poucas... diz muito!

Famílias do Cariri: Humberto e Antonieta


Humberto Mendonça e Antonieta formam um casal exemplar. Uniram-se, de forma indelével, em 8 de março de 1965. Portanto, há 42 anos. Com apoio mútuo e muito amor, formam uma respeitável família, enriquecida, sobremodo, pelos herdeiros e eternos "filhotes": Cibele, Daniele, Cristina e Tom.
Humberto, nascido em Brejo Santo, foi vice-prefeito do Crato, entre 1993 e 1997. Antonieta, é descendente de uma das mais tradicionais estirpes cratenses, formada pelas famílias Morais e Tavares.

Afastado da política, segundo o próprio, por sábia opção, Humberto, que reside em Fortaleza, não esquece jamais o Crato, sua terra de coração; e junto com sua Antonieta está passando temporada na terrinha, para matar a saudade dos inúmeros amigos e familiares.
Na foto, registrada hoje, os dois estavam prestigiando o programa Rapadura Cultural, que acontece todo fim de mês, na Praça Siqueira Campos.


Os grãos de Areia


Se eu disser que a cultura está atualmente em perigo, que está ameaçada pela influência do dinheiro, e do comércio, e do espírito mercantil, de múltiplas faces, ibope, pesquisas de marketing, expectativa de anunciantes, números de venda, lista de best-sellers, dirão que estou exagerando.

Se eu disser que os políticos, que assinam acordos internacionais reduzindo as obras culturais à espécie comum de produtos sem qualidades, dependentes de leis que se aplicam ao milho, às bananas ou às laranjas, contribuem,sem nem sempre sabê-lo, para o apequenamento da cultura e dos espíritos, dirão que estou exagerando.

Se eu disser que os editores, os produtores de filmes, os críticos, os distribuidores, os responsáveis pelas cadeias de rádio e de televisão, que se dobram precipitadamente à lei da circulação comercial, a da caça aos best-sellers ou às vedetes midiáticas e a da produção e glorificação dos sucessos a curto prazo e a qualquer preço, mas também a das trocas circulares de concessões e de complacências mundanas, se disser que todos estes colaboram com as forças imbecis do mercado e participam de seu triunfo, dirão que estou exagerando.

E no entanto...

Se eu lembrar agora as chances de parar essa máquina infernal repousam em todos aqueles e aquelas que, detendo algum poder sobre as coisas da cultura, da arte e da literatura, podem, cada um seu lugar e à sua maneira e , de sua parte, por mínima que seja , jogar seu grão de areia na engrenagem bem lubrificada das cumplicidades resignadas, e se acrescentar enfim que aqueles e aquelas que têm oportunidade de trabalhar em Revistas de Arte ( não necessariamente nas posições mais eminentes ou mais visíveis) estariam, por convicção, e por tradição, entre os melhores colocados para fazê-lo, dirão talvez, de uma vez por todas que sou desesperadamente otimista.
E no entanto...


Pierre Bourdieu
Paris, setembro de 2000

Obelisco do Centenário do Crato: flagrante do descaso com os monumentos históricos da cidade

Armando Lopes Rafael e Carlos Rafael Dias

Quem passa pela Praça Juarez Távora, também conhecida pela população como Praça de São Vicente, no centro da cidade do Crato,- comprova o estado de abandono daquele logradouro.

Inaugurada em 17 de outubro de 1953 , como parte da programação dos festejos do primeiro centenário de Crato,- ali foi erguido um obelisco para comemorar essa data. O obelisco, escondido entre as folhagens de uma mal localizada mangueira (cujas raízes já afetaram os alicerces do monumento), encontra-se bastante deteriorado. Uma triste imagem da falta de cuidado do poder público da Princesa do Cariri para com seus monumentos públicos.
Outras cidades cearenses, a exemplo de Sobral e Iguatu, implementaram uma política de revitalização dos seus espaços públicos. O resultado é que, hoje, essas urbes são exemplos de eficiência de planejamento e gestão do espaço urbano pela valorização do espaço público (parques, praças, ruas, repartições, prédios históricos etc). Na sua essência, o espaço público deve ser democrático e bem tratado, requisitos essenciais de todas as cidades que se prezam.
O poder público cratense bem que poderia seguir esse modelo, recuperando as praças da cidade e, incontinenti, priorizar a Praça 3 de maio (este é outro nome pelo qual aquele espaço é conhecido ). Desta forma, resgataria este significativo marco de uma cidade tão pobre em monumentos.


O cuidado vigilante com os locais públicos e monumentos históricos é o primeiro sinal de eficiência administrativa do poder público.

"SERESTEIROS DO BRASIL"

Emerson Monteiro


O rádio cratense possui larga história de sucesso, berço que é de locutores que marcaram época, tanto aqui, quanto em outros centros, profissionais de liderança e talento inquestionável. Desde 1934, com a chegada, em Fortaleza, da Ceará Rádio Clube, Crato forneceu nomes de peso e fixou raízes sólidas na radiofonia brasileira. A Rádio Araripe, pioneira do interior do Estado, seria inaugurada em 1951. Na década posterior, surgiria a Rádio Educadora, segunda emissora do Município, fundada em 1959.
Essas duas estações embalam com intensidade, a partir daquelas datas, algumas gerações; ditam a moda musical, formam e informam jovens e adultos, conduzidas por gerentes, apresentadores, discotecários, controlistas e técnicos de variadas origens artísticas e culturais.
Dada tais considerações, deter-nos-emos aqui no intuito de considerar, em rápido comentário, página consagrada na programação da Rádio Educadora, os Seresteiros do Brasil, programa levado ao ar de segunda a sábado, das 20 às 21h, pelos 10 quilowatts dessa querida emissora de ondas médias.
Acompanhamos esse programa da fase em que elaborava seu roteiro Almério Carvalho, com a locução de Dezim (Jota David), sempre de boa qualidade, divulgando o cancioneiro com a denominada música de saudade, ou de seresta, nascida durante o período áureo da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, décadas de 30, 40 e 50, anos marcados pela deflagração da Segunda Grande Guerra.
Esmerados compositores, maviosas orquestras e bem sucedidos intérpretes consagraram a radiodifusão e o disco de cera, e deram consistência ao romantismo, através das canções de repercussão universal junto ao público.
Com o andar do tempo, após o prematuro desaparecimento de Jota David, chega a outro momento, nos dias atuais, desta vez sob o comando de José Jesus de Almeida, profissional de sensibilidade e conhecimento da boa música popular, feito em cinco décadas dedicadas ao rádio, iniciado no ofício ainda nos primórdios da Rádio Araripe.
Dotado de voz limpa, calmo na entonação que utiliza, manifesta intimidade no naquilo a que se propõe, junto de uma audiência que cativa com o extremo zelo.
Aos ouvintes, Jesus de Almeida transmite serenidade. Além das canções de indiscutível bom gosto, que seleciona, preferência assegurada nos tantos roteiros elaborados em sua carreira, ele divulga, também, nos intervalos, mensagens de ânimo, otimismo, esperança e fé, característica que estende ao horário seguinte, no programa Suave é a noite, outra pérola de primor e seleção musical, que cuida com batuta impecável.
Assim, comentar alguma particularidade do rádio, em Crato, obedece a dever de justiça para com os que nele trabalham, reconhecimento do êxito da comunicação de massa em nosso interior.

Na próxima 4ª feira: Dia de Festas no Colégio de Santa Teresa

Na próxima 4ª feira: Dia de Festas no Colégio de Santa Teresa


Na próxima 4ª feira – 31 de outubro – a Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus viverá um dia de festa, quando serão comemorados os 144 anos de nascimento e 92 anos de sagração episcopal de Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, 1º bispo de Crato.

Consta da programação, a ser cumprida naquela data, a instalação do Ceped–Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais Dom Quintino, destinado a resgatar e preservar a memória das Filhas de Santa Teresa de Jesus e seu patrimônio histórico-educacional.

Ocorrerá ainda, – no dia 31 de outubro – a reabertura da capela da casa-mãe da congregação. Esta capela – que tem como orago Santa Teresa de Jesus – estava ameaçada de desabamento devido à infiltração de água no terreno onde foi edificada. O templo foi restaurado mantendo toda a originalidade. Também será reaberta a Sala de Memória da Congregação, um pequeno museu que conserva objetos pessoais e documentos históricos dos fundadores daquela ordem religiosa: Dom Quintino e Madre Ana Couto.

Outros Eventos

A programação inclui ainda a celebração de uma missa e a sessão solene do Instituto Cultural do Cariri, às 17h00, no auditório do Colégio Santa Teresa, quando será empossado na Cadeira Dom Quintino, o advogado e diácono-permanente Policarpo Rodrigues Filho, por coincidência sobrinho-neto do 1º bispo de Crato.
Na ocasião serão prestadas quatro homenagens póstumas, a saber: ao Mestre José Lucas (artesão cratense, autor das ricas obras talhadas em madeira de lei existentes na capela de Santa Teresa); à professora Cléa Cabral e ao Mestre Genésio (responsáveis pelos desenhos e confecção dos antigos quadros de formatura – produzidos em madeira, de forma artesanal – para perpetuar as novas professoras, seus patronos e paraninfos) e ao fotógrafo Júlio Saraiva, autor das fotos e dos primeiros quadros de formandas do Colégio Santa Teresa de Jesus.

26 outubro 2007

Ipês


Qual a manchete mais palpitante desta semana, meus caros ouvintes ? As peripécias corrupto-sexuais do Renan ? O Toma-Lá-Dá-Cá do Congresso pela aprovação da CPMF ? As repercussões do roubo do Rolex do Huck ? A mais importante notícia destes dias, talvez tenha passado despercebida da maior parte dos cairirienses. Embotados pela hipnose da TV e da WEB sequer percebemos o milagre que se refaz, a cada dia, à nossa volta. Imersos num mundo cada vez mais virtual, vamos ,pouco a pouco, nos afastando da realidade e carregando esta vidinha.com pelos poucos dias que nos restam. A tecnologia que tem aproximado eletronicamente, no cyberspace, as pessoas , as tem ensinado um relacionamento impessoal e distante. Faltam o olho-no-olho, o toque, o abraço, o beijo. Namoros podem ser desfeitos com um simples aperto de uma tecla do PC. Adoram-se figuras irreais e fotoshopadas. Os sentimentos são deletados na velocidade da luz. Num mundo já pleno de indiferenças e barreiras um pode ser formatado pelo amigo, pelo patrão, pelo consumo, pelo namorado. Todos nos tornamos igualmente desnecessários e supérfluos. O amor, o carinho, a compreensão vão sendo sacrificados a cada dia nas salas de chats.
Assim é bem possível que este pobre cronista semanal seja logo taxado de louco, quando anunciar a mais importante notícia desta semana. Pois é, caros ouvintes, o que mais deslumbrante aconteceu nestes dias no nosso mundinho foi justamente a Floração dos Ipês. De repente, como se previamente combinado, os ipês revestiram-se de um roxo fosforescente e tingiram toda a Chapada, como que anunciando uma páscoa tardia e atemporal. Aos poucos, num lúbrico strip-tease, peça após peça, os ipês se foram desnudando. Em poucos dias começaram a revestir o chão com suas vestes : pétalas, que carregadas pelas asas do vento, em feito de manto, agasalharam as terras caririenses com um violeta algo esmaecido, mas iridescente. Mal terminara o show, já os Ipês Amarelos tomam de assalto o palco da natureza e florescem um dourado quase que incandescente. Os pés-de-serra , súbito, têm a monotonia do verde quebrada pelo áureo dos ipês lhes imprimindo tons patrióticos, junto com o branco das nuvens, o azul do céu e o agora verde-amarelo das matas. A chapada, ao longe, assemelha-se a uma bandeira desfraldada, tremeluzindo ao sabor da brisa. Nestes dias, as terras caririenses já se recobrem de um tapete auricolor . Os ipês , novamente, desvestiram suas ricas roupas e como que estendem aos hipnotizados passantes uma esteira dourada onde possam sentar e apreciar a vida com todas suas nuances e cambiantes tonalidades.
O toque monocórdico do computador sequer entende a infinitude de lições que brotam junto com a floração dos ipês. A vida que emerge em ciclos e que brilha em matizes diferentes a cada diferente estação. A florescência que anuncia multiplicidade e eternidade , polinizando o mundo e fertilizando a terra. A grandeza de perceber que as mesmas pétalas que encantam os olhos e douram a natureza na primavera , serão o humilde tapete e a delicada alcatifa que no outono confortarão os pés cansados do viandante. E mais que tudo a beleza da vida dura um único, inefável e etéreo momento, que se esvai num átimo, como a fulgurante floração dos ipês. Num piscar de olhos, o êxtase foge de nossa vista e só servirá de lembrança e de manto nos dias de inverno que se já prenunciam. A Vida é já !


J. Flávio Vieira

BIENAL DA DANÇA CHEGA AO CARIRI

De 31 de outubro a 03 de novembro a região do Cariri recebe a VI Bienal Internacional de Dança do Ceará, um dos principais eventos de dança contemporânea do país. Na quarta-feira (31) a programação terá inicio na cidade do Crato. À noite, na RFFSA, a Quasar Cia. de Dança (GO), faz uma homenagem a dois grandes artistas brasileiros, Tom Jobim e Elis Regina, com o espetáculo Só tinha de ser com você. Durante quatro dias, a Bienal também irá realizar oficinas e workshops. No dia 02, a Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, recebe coreógrafos no projeto da Bienal “Os Bons Encontros”, terá mostra de vídeo-dança e à noite será palco de Diferente Olhar ∞, do grupo cearense N∞.O encerramento da programação na região acontece em Juazeiro do Norte com a apresentação do espetáculo Clandestino, de Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira (SP). A performance é uma proposta bem humorada de camuflagem para a dança popular. A apresentação acontece no Centro Cultural Banco do Nordeste, às 20h. Com toda a programação gratuita, a VI Bienal Internacional de Dança do Ceará tem patrocínio da Petrobras e da Oi, com apoio cultural do Oi Futuro. Promoção do Governo do Estado do Ceará, através de sua Secretaria da Cultura (Secult). Parceiros: Ministério da Cultura (MinC), Funarte, Banco do Nordeste (BNB), Sesc-Ceará, Goethe Institut - Ceará, Cultures France, Pró-Helvetia, Swiss Arts Council, Governo da Bélgica, Prefeituras de Sobral, Crato, Juazeiro do Norte e Nova Olinda. Apoios: Prefeitura de Fortaleza, através da Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet) e Acesso.

PROGRAMAÇÃO NO CARIRI
31 de Outubro – QUARTACRATOTeatro Municipal Salviano Arrais9h às 12h – Oficina: Dança Contemporânea – Ministrantes: Carlos Antônio dos Santos e Ricardo Freire – Grupo N∞ (Fortaleza – CE) – Período: 31/10 e 01/11 Centro Cultural Araripe – Auditório 15h – Na Paralela: Mostra Vídeo-Dança/CE e exibição do documentário Deixa Ir de Roberta Marques19h - Solenidade de abertura da Mostra Sesc Cariri - Apresentação da Orquestra de Rabecas RFFSA20h - Reisado dos Franciscanos - Mestre Matias21h – Espetáculo: Só tinha de ser com você – Quasar (GO)
01 de Novembro – QUINTA JUAZEIRO DO NORTECCBNB – Juazeiro do Norte15h – Na Paralela: Mostra Vídeo-Dança/CE e exibição do documentário Deixa Ir de Roberta Marques 18h – Na Paralela – Quis – Alisson Amâncio Cia. de Dança (Juazeiro - CE)19h – Espetáculo: Brisa – Rommel Nieves (Venezuela) 20h – Espetáculo: Off Key – Cláudio Bernardo (Bélgica)
2 de Novembro – SEXTA NOVA OLINDA Fundação Casa Grande 12h – Os Bons Encontros – Conversas com Coreógrafos – Companhias e artistas convidados Mediação Andréa Bardawil15h – Na Paralela: Mostra Vídeo-Dança/CE18h – Espetáculo: Diferente Olhar∞ – Grupo N∞ (Fortaleza – CE)
03 de Novembro – SÁBADO JUAZEIRO DO NORTE CCBNB – Juazeiro do Norte 9h às 12h – Workshop – Ministrantes: Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira (SP) 14h – Os Bons Encontros – Conversas com Coreógrafos – Companhias convidadas: Grupo N∞/Carlos Antônio dos Santos e Ricardo Freire (CE), Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira (SP). Mediação: David Linhares15h – Na Paralela: Mostra Vídeo-Dança/CE e exibição do documentário Deixa Ir de Roberta Marques18h – Espetáculo: Mentiras Sinceras - CEM-Centro de Experimentações em Movimentos (CE)19h – Espetáculos: Diferente Olhar∞ – Grupo N∞ (Fortaleza – CE)20h – Espetáculo: Clandestino – Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira (SP)
A necessária ação de qualificação ambiental do Rio Salgado

(Matéria divulgada no site: http://geoparkararipe.blogspot.com/)

Imagem da nascente do Rio da Batateira, que dá origem ao Rio Salgado, no sopé da Chapada do Araripe, no bairro do Lameiro, na sede urbana do Crato - Foto: José Sales

O Rio Salgado, principal afluente do Rio Jaguaribe, nasce em Crato, no Distrito do Lameiro, no pé da serra do Araripe, com o nome de Rio da Batateira. As águas cristalinas do Batateira, em sua nascente, vão sendo poluídas gradativamente em todo o seu traçado, já a partir da sede urbana do Crato, passando por Juazeiro do Norte e seguindo em direção à Missão Velha.
Faz-se necessária uma ação de qualificação ambiental do Rio Salgado. Primeiro: os esgotos sanitários e industriais do Crato, Juazeiro, Barbalha e Missão Velha estão destruindo aquele que pode ser considerado o mais importante recurso hídrico da Bacia Sedimentar do Araripe, afluente principal do Rio Jaguaribe, em sua origem. Segundo: toda a vegetação ciliar que o protege já foi quase integralmente extinta.
Dentre as vantagens desta recuperação ambiental, do Rio Salgado, destacam-se: a bandeira de preservação ambiental é hoje suprapartidária e muito mais quando vinculada à questão do saneamento ambiental. Segundo: esta mesma bandeira não é concorrencial entre os municípios citados, pois traria benefícios à todos. terceiro: por estar vinculada ao contexto do GEOPARK ARARIPE, credenciado pela UNESCO, ela traria os olhos da comunidade internacional à regiao e à cada um dos municípios em particular. Quarto: por todos estes aspectos, ela poderia viabilizar de imediato, um consórcio intermunicipal de interesses comuns em convenio de cooperação com o CONPAM, SEMACE e Secretaria das Cidades na escala estadual e outros na escala federal, com o Ministério das Cidades e Ministério do Meio Ambiente.




Fhátima Santos encanta a platéia em show percorrendo toda a história da Música Popular Brasileira !!



Em shows extremamente úteis às novas gerações, que não tiveram acesso à música dos grandes mestres da MPB, tais como Pixinguinha, Nelson cavaquinho, Tom Jobim e tantos outros que fizeram a história dessa arte, a cantora alagoana Fhátima Santos vem ao cariri, em shows performáticos, onde resgata brilhantemente todo o glamour da Música Popular Brasileira de todos os tempos.

Ontem, dia 25 de outubro aconteceu no SESC Crato um dos grandes shows do ano de 2007. Trata-se do show da cantora Fhátima Santos, verdadeiro baluarte da música Brasileira. Foi um show simplesmente arrebatador, onde a platéia vibrou do início ao final apoteótico com o extraordinário talento da cantora e do seu grande violonista. No show, Fhátima Santos faz uma espécie de retrospectiva do que de melhor existiu e existe dentro da Música Popular Brasileira.

Sob o título de "Eu, Vocês e a Música", Fhátima Santos, acompanhada pelo exímio violonista Eduardo Menezes, de pouco mais de 20 anos de idade, Fhátima encantou a platéia, com seu enorme carisma e vozeirão, percorrendo praticamente toda a história da música popular Brasileira, desde o Lundu, passando por ritmos como o Samba, o Frevo, a Bossanova, o Samba-Canção, e até a música brega com nova roupagem. Tudo isso com caráter extremamente didático, explicando previamente cada peça musical que se seguiria.

De cada ritmo abordado, as canções mais representativas daquele período eram tocadas e cantadas, e o público invariavelmente cantou junto. Sucessos de cartola, de Ary Barroso, de Tom Jobim e muitos outros foram tocados com nova roupagem, muito bem arranjadas, e a cada música, eram lidos textos informativos e conversas com o público, num estilo muito descontraído. Diversos artistas da região estiveram presentes no show. Registramos as presenças de Abidoral jamacaru, Pachelly Jamacaru, João do Crato, baterista Demontier DelaMone, que se confessa fã de carteirinha da cantora, além de Dihelson Mendonça, que fez 2 participações no show.


Hoje, sexta-feira dia 26, às 19:30, Fhátima Santos se apresenta novamente no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Juazeiro do Norte. Para quem perdeu esse show espetacular, esta será uma grande oportunidade para viajar no som da autêntica Música Popular Brasileira, interpretada por uma das vozes mais ecléticas da MPB. Estejam por lá, pois definitivamente, vale a pena conferir. É imperdível !!




Reportagem e Fotos:
Dihelson Mendonça

25 outubro 2007

Arquitetura histórica de Crato

Anos atrás, esteve em Crato uma equipe de arquitetos de Portugal fazendo um levantamento das edificações históricas da Princesa do Cariri que formam o seu patrimônio histórico. Eis o resultado:
Estação da RFFSA, Desativada e hoje Centro Cultural em Crato
Estação da RFFSA, Desativada e hoje Centro Cultural em Crato
  • Igreja da Sé (Matriz de Nossa Senhora da Penha - uma das mais antigas edificações da cidade)
  • Palácio Episcopal (sede da Diocese do Crato)
  • Casa de Câmara e Cadeia (Museu Histórico e Museu Vicente Leite)
  • Gruta de Lourdes (datada de 1938, Col. Santa Teresa - Projeto de Agostinho Baumes Odísio)
  • Colégio Santa Teresa
  • Capela do Colégio Santa Teresa
  • Palácio Episcopal (Palácio do Bispo)
  • Banco Caixeiral
  • Crato Tênis Clube (Projeto do Arquiteto "Mainha" - José de Barros Maia)
  • Reitoria da URCA (antiga sede da Fundação Padre Ibiapina)
  • Abrigo de Idosos
  • Escola Técnica de Comércio
  • Igreja de São Francisco
  • Igreja de São Vicente Ferrer
  • Casa onde Nasceu Vicente Leite no sítio Recreio
  • Seminárioo Sagrada Família (atual Hospital Manuel de Abreu)
  • Hospital São Francisco de Assis
  • Praça Francisco Sá (mais conhecida como Praça de Cristo Rei)
  • Casa de Caridade (fundada no século XIX pelo Pe. Ibiapina)
  • Colégio Diocesano do Crato
  • Crato Hotel
  • Grande Hotel (Edifício Figueira Telles - prestes a ser demolido - um dos primeiros hotéis modernos do Crato)
  • Correios e Telégrafos
  • Casa do Padre Lauro Pita
  • Edifício Lucetti - o Primeiro edifício de apartamentos do Crato hoje bastante deteriorado
  • Edifício da Câmara Municipal - Onde funcionou a primeira biblioteca pública do Crato
  • Cemitério N. Sra. da Piedade com a capela (do século XIX)
  • Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante
  • Complexo de edifícios da Faculdade Católica do Cariri (atrás fica a Rádio Educadora)
  • Coluna da hora encimada por Cristo Redentor - projeto do Escultor Italiano Agostinho Balmes Odísio
  • Antiga Estação Ferroviária (datada de 1926)
  • Seminário São José ( construído em 1875)
  • Museu de Fósseis (Casa do Júri - Local onde foi julgado Pinto Madeira-Praça da Sé)
  • Sobrado do coronel Antônio Luís (uma das casas mais antigas do Crato ainda preservada)
  • Cassino Sul Americano
  • Bar Ideal (o primeiro clube social do Crato inaugurado em 1916 - a fachada foi recentemente destituída de seu elementos decorativos)
  • Praça da Sé


Existem também resquícios de fachadas, casas térreas e sobrados - todos localizados no centro histórico da cidade - que ainda resistem a ações de "modernização". Porém, infelizmente, estão desprotegidos por Lei de tombamento. Infelizmente, de algumas décadas para cá, boa parte do centro histórico cratense tem sido demolido para dar lugar a estabelecimentos comerciais e outros prédios, incluindo até mesmo a casa de Bárbara de Alencar no Crato, próxima à Igreja da Sé, que foi destruída para dar lugar à atual Coletoria. O centro hístórico do Crato é limitado, ao sul, pela Praça da Sé; a norte, pela Praça Juarez Távora(popularmente conhecida como Praça de São Vicente); a leste, pela rua Tristão Gonçalves e, a oeste, pela rua Dom Pedro II.

HOJE: Show Fhátima Santos - No SESC Crato - Imperdível - Será gravado em DVD.



HOJE: SESC CRATO - 19:30
- Imperdível -

VI Bienal Internacional de Dança do Ceará


- 57 Espetaculos
- 34 companhias (10 internacionais, 13 nacionais, 11 locais)
- 05 cidades (Fortaleza, Sobral, Juazeiro do Norte, Crato, Nova Olinda)
- Programação Gratuita


CURSOS - RESIDÊNCIAS - OFICINAS - PALESTAS - PAINÉIS - LAÇAMNETOS DE LIVROS - MOSTRA DE VIDEOS

CARIRI 31 DE OUTUBRO A 03 DE NOVEMBRO

MAIS INFORMAÇÕES NO SITE
www.bienaldedança.com
1º centenário de Criação da Diocese de Crato

Dom Fernando Panico (*)


Nos dicionários nós podemos encontrar definições de centenário como: “espaço de cem anos; comemoração secular; relativo a cem”.
Quando o homem atinge essa idade, nos regozijamos porque teve uma vida longeva e pode viver e repassar muitas experiências a outras gerações. Se uma cidade ou uma instituição atinge os cem anos de sua criação, quanta festa se faz para não deixar passar em branco tal acontecimento. Cem anos é, pois, um marco que não nos escapa.
A Diocese de Crato foi criada aos 20 de outubro de 1914, pelo Papa Bento XV, com a Bula Pontifícia “Catholicae Ecclesiae” (Igreja Católica). Logo, distamos apenas sete anos da comemoração secular desse fato. Foi a segunda diocese a ser criada no Ceará, pois Fortaleza o fora aos 06/06/1854 e Sobral somente em 10/11/1915.
Uma primeira reflexão se impõe. No contexto histórico, que importância trouxe esse ato do Papa Bento XV para nós? O Sul do Ceará estava ainda desprovido de meios de comunicação eficientes com a capital e com os demais Estados brasileiros. As carências eram muitas então. No Cariri ocorriam fatos relevantes na religiosidade popular, que inspiravam atenções e temores às autoridades eclesiásticas e civis da época. As repetidas secas assolavam e dizimavam populações. A chamada “peste” – o célera – grassava vez por outra. Onde então buscar razões para essa decisão pontifícia?
Passados 93 anos, sendo eu o 5º Pastor Diocesano desta Igreja de Crato, fico a imaginar que as mesmas dificuldades acenadas induziram à criação da nova Diocese. Todavia, para além delas, vislumbro que o zelo pastoral impelia a um renovado ardor missionário. Claro que os métodos e meios usados foram aqueles próprios da cultura e da prática religiosa vigentes no final do século XIX e início do século XX. A Igreja é divina, mas também é humana e experimenta a vigência do comportamento humano, seu jeito de se portar, pensar, administrar etc. Era preciso trazer ações de evangelização melhor planejadas para esta região. Impunha-se uma mais efetiva presença da Igreja (clero) nesta região.
O primeiro Bispo, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, era filho de Quixeramobim, mas sua família havia migrado para Lages de Afonso Pena, hoje Acopiara. Ordenado sacerdote, foi logo enviado para Goianinha (Jamacaru), no município de Missão Velha, onde se inicia no pastoreio. Vindo para o Crato, foi vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha por longos anos, tendo recusado nomeação para bispo no Estado do Piauí. Veio juntar-se a outros insignes padres que muito deram de si para a fé de nossa gente.
Prometo não esquecer dos meus predecessores, Dom Francisco, Dom Vicente e Dom Newton, mas quero me deter naquele primeiro pastoreio, o de Dom Quintino. Imagino suas muitas dificuldades e inquietações, quer na formação da estrutura física da nova Diocese, quer na condução dos primeiros passos desta Igreja, enquanto sinal sacramental no Cariri.
O território era praticamente a metade do Estado, pois passando pelos Inhamuns, parte do Sertão Central e parte do Vale do Jaguaribe, cobria todo o Cariri. A ferrovia estava em expansão no trecho Iguatu/Crato. Estradas eram precaríssimas. O telégrafo, meio avançado de comunicação à época, era limitado.
Dom Quintino recebe em sua nova diocese duas pendências a serem trabalhadas pastoralmente: o caso do Pe. Cícero Romão Batista e também a do Caldeirão do Beato José Lourenço. Não se ignorem as muitas questiúnculas políticas e o coronelismo vigente nestes sertões. Ele não se deixa intimidar por nenhuma dessas dificuldades. Fez-se presença em todo o território diocesano. Pensa no religioso, mas não ignora e nem se omite quanto ao social. A formação do clero é uma preocupação tão forte quanto o foi a educação da juventude.
Como não pensar, desde logo, numa significativa comemoração deste lapso centenário? Como não se alegrar com as conquistas? Quantos nomes, quantos esforços, quantos sacrifícios, quantas feridas e quantos louros a merecerem nosso mais profundo respeito e nossa imensa gratidão. Aliás, gratidão secular. O Evangelho, antes semeado por levas de missionários, entre os quais faço questão de mencionar Frei Carlos Maria de Ferrara e o Pe. Mestre Ibiapina, agora tinha sangue próprio na semeadura, pois um clero ilustre foi-se formando aqui mesmo, no já centenário Seminário São José, casa sólida que encima a colina do Bairro que herdou seu nome.
Esses fatos e essa história nós queremos elevar e realçar nestes próximos sete anos, pois nossa gente precisa tê-los em mira, assim como as personagens que os construíram, ano após ano.
Como atual Bispo Diocesano, encareço a todos os diocesanos que embarquem no “trem missionário”, que já está passando e vai nos conduzir a um porto seguro. É preciso acordar, impõe-se saborear e, juntos, empreendermos, com as bênçãos de Jesus Cristo e a proteção constante da Mãe da Penha, a viagem centenária, com um coração repleto de gratidão a Deus e aos construtores dessa trajetória. As Santas Missões Populares são um passo certo rumo ao centenário da Diocese de Crato.

(*) Dom Fernando Panico, 61, bispo diocesano de Crato

Raimundo de Oliveira Borges



Emerson Monteiro

Isso que dizem de ser a vida humana mera fagulha ao vento exige comprovação, sobretudo diante da existência deste amigo, Raimundo de Oliveira Borges, que ora demonstra de perto a experiência firme de viver durante cem anos uma idade plena de realizações. Ele, sim, pode falar do existir e contar da tradição e da peleja de três gerações sucessivas que testemunha com fidelidade e coragem.
Escritor emérito, publicou mais de uma dúzia de livros. Advogado e professor, marcou de jeito indelével a consciência das centenas de alunos, dentre os quais sou, com satisfação, um deles. Tribuno de rara qualidade, porfiou no júri, praticando fala rica, profícua, no êxito de momentosos processos. Líder comunitário, efetivou importantes funções, em Crato, havendo exercido a direção das Faculdades de Filosofia, de Direito e de Ciências Econômicas. Presidente do Instituto Cultural do Cariri, sobreviveu a nossa simpática academia de letras numa fase das mais dificultosas, quando ao seu lado estive. Se bem que cabe, ainda, considerar o seu desempenho virtuoso de pai extremado, fino de trato e humor, tranqüilo, de espírito desarmado, palestrante versado na melhor literatura, poeta dotado de sensibilidade, pessoa exemplar, afeita sob os princípios dignos e imprescindíveis da civilização que usinou durante todo tempo, conhecendo a história do povo, bem relacionado, cordial e valoroso paladino das causas essenciais, na prática política e nos penhores da liberdade consciente.
Doutor Borges, por tudo isto e outros predicados, marca a sociedade cearense interiorana com personalidade ímpar de quem merece privar o convívio honrado e fértil dos justos. Elencar qualidades que lhe são de dever torna-se tarefa leve, aos moldes do estilo e da pena que maneja no exercício da escrita, por meio dos livros que subscreve, dotados de emoção, memórias produzidas no fogo da responsabilidade social que a isto se obrigou exercitar.
Eu, ainda menino, tomei conhecimento de seu talento através dos júris que, na década de 60, de comum, eram retransmitidos através dos microfones da Rádio Araripe de Crato. Admirado, ouvia seus discursos deveras impressionantes, tanto pela cultura vasta, quanto pela facilidade na argumentação, demonstrações de sapiência jurídica e ilustre universalidade. Fora eleito orador da sua turma de 1937, na Faculdade de Direito do Ceará, contemporâneo de figuras destacadas na vida pública posterior do nosso Estado.
Instalou-se em Crato desde 1942 e aqui até hoje permanece conquistando espaço próprio, ao lado da gente boa, ordeira e laboriosa deste lugar abençoado.
No dia 02 de julho do corrente ano de 2007, época exata do transcurso de um século de sua vida, o doutor Raimundo de Oliveira Borges se nos afigura querido em face de todos os que lhe privam da convivência, ele que representa, em breves traços, um desses personagens inesquecíveis e marcantes dos romances imortais, ricos dos atributos puros e sublimes das almas vitoriosas.

Artigo: Emerson Monteiro
Fotos: Dihelson Mendonça