30 setembro 2007

Vídeo: O Shoooooooooooowwww de besteiras - 29-09-2007

Pra toda a galera que curte o "show de besteira" apresentado pelo Vicelmo nos dias de sábado, temos o prazer de apresentar o último, de sábado, 29/09/2007.

Clique no Player ( Banda Larga ).





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Só no Crato Mesmo: Poltica do Picolé e Caixa de Fósforos invade a cidade !



As picuinhas do Crato não tem limites!

Enquanto as grandes questões nacionais se definem, enquanto o Crato vive atolado em problemas muito graves e de difícil solução, enquanto o país debate pela briga pelos supostos milhões, ou centenas de milhões que envolveram coisas absurdas como o Mensalão que podem ter ocorrido no governo Lula, venda de estatais a preço de banana que ocorreram no governo Fernando Henrique, e outras falcatruas, no Crato, o ex-prefeito Walter Peixoto, ainda inconformado com a sua primeira derrota eleitoral ( dizem que a primeira vez a gente nunca esquece... ), ainda a essa altura, vive tentando retirar o atual prefeito Samuel Araripe do cargo a que ele foi eleito nas últimas eleições municipais, quando já nos aproximamos de uma outra.

Ou seja, querem fazer o Impeachment de Samuel Araripe da prefeitura.
O Blog do Crato é em si, apartidário. Não torcemos por esse ou aquele partido, mas é muito importante frisar que não somos neutros em relação á política. Já diziam os gregos que o maior ignorante, é o ignorante político, aquele que não quer saber da Política.

Na verdade, a Política com P maiúsculo, é o único meio legal para se tentar mudar os rumos dequalquer nação, de qualquer cidade. Portanto, nós como observadores do comportamento social, jamais poderíamos nos furtar a certas análises das coisas que acontecem, e olhar sobre algumas delas com senso crítico.

Não quero defender corrupção de ninguém.
À corrupção, e aos corruptores, tanto faz vc roubar um banco, uma estatal, quanto uma caixa de sorvetes. Entretanto, eu gostaria de saber sinceramente aonde reina mais a HIPOCRISIA neste Brasil Varonil salve salve...

Pois bem, desde a posse do atual prefeito Samuel Araripe, este está sendo "incomodado" pela possibilidade de impeachment, porque o JAIRO SAMPAIO teria comprado alguns 5 eleitores com 5 picolés, e teria ainda distribuído algumas caixas de fósforos com cédulas dentro.

Até agora estão tentando descobrir aonde anda o paradeiro dos picolés e das cédulas das caixinhas de fósforos.

Meu conselho:
--Minha gente, vão arrumar o que fazer, vão trabalhar pelo Crato!
--Vão construir coisas úteis a essa cidade. Se quiserem levar em consideração, porque não julgar os crimes de destruição do Patrimônio histórico que alguns outros cometeram em suas administrações anteriores a essa ?? Isso sim, deveria ser encarado como CRIME, destruir prédios históricos da cidade impunemente! Chego a ter crises de pânico ao pensar que certos indivíduos ainda desejam se tornar prefeito desta cidade. Talvez, para destruir o que ainda resta dela...

-- Porque se enganchar com mais essas picuinhas ?
Ser motivo de riso nacional, pensar que nossa cidade politicamente se resume a uma briguinha de picolés de Caixas de Fósforo ?
Como diria o Bóris Casoy:

ISSO É UMA VERGONHA!

Eis a entrevista do jornalista A. Vicelmo com o prefeito Samuel Araripe sobre a possibilidade real de Impeachment por causa de 5 picolés e caixas de fósforos:


29 setembro 2007

Passarim em Céu Estrelado


Sempre imaginei como o maior gesto de desprendimento neste mundo : ser enterrado no caixão das almas , com o esquife carregado por quatro chapeados. O balanço da vida simplesmente fechado : ativo e passivo exatamente iguais. Sem que fiquem sobras para a avidez virulenta dos inventários, sem que reste uma lágrima forçada de saudade e com a exposição definitiva das amizades ocasionais e interesseiras. Só: sem o sacrifício da floricultura, sem uma palavra preparada às pressas, sem a cera precipitando das velas, sem uma prece balbuciada por obrigação. Leve : levando na saída exatamente os mesmos utensílios trazidos na viagem de vinda: nada.
Esta constatação me veio esta semana quando o Crato ficou mais triste. Um dos seus pássaros alçou vôo, sem que ao menos se lhe percebesse o ruflar das asas : anonimamente. Nascera Pereira da Silva , mas a nossa Maria ( este nomes que tantas histórias principia) chegou na cidade em 1959, e aqui foi batizada com o sobrenome que a tornou famosa: Passarim. Vinha de Araripina, onde nascera em 29/07/1935, e decidira pela mudança após se separar do primeiro marido. Boa na cozinha começou a trabalhar em restaurantes da cidade, até que , empurrada pela necessidade, abraçou aquela dificílima vida fácil. Com o passar dos anos, fenecendo-lhe as primeiras e fugazes flores da juventude, fez-se empresária do ramo de divertimentos e abriu a famosíssima casa : “Chão de Estrelas”, ali no finalzinho da hoje rua José Marrocos, por trás dos depósitos da REFESA. A casa abrigava uma infinidade de seres noctívagos em busca de novos horizontes hedonistas , novas janelas que lhes abrissem mais as frestas da percepção. Ali se uniam, magicamente, homens que se pensavam achados e mulheres que se tinham por perdidas. Se se reparasse bem, no entanto, perceber-se-ia que as jovens lutavam pela vida e pela sobrevivência com um élan inigualável e que talvez os mocinhos e velhos tentassem untar-se daquela força e determinação, no intuito de preencher a vacuidade comezinha de suas almas. Nos tempos de bonança Maria vivia bem, remediada, tinha três TV´s coloridas num tempo em que este aparelho fazia-se o objeto do desejo de quase todas madames do Crato.
A liberalidade avassaladora dos novos tempos fez com que as boates fossem se tornando kitchs e obsoletas. Os motéis as substituíram, assim como o Cd tomou o lugar do Vinil e o chilito engoliu o passa-raiva. A empresa de Maria murchou e a fez viver com o pouquíssimo que lhe restou, sozinha, numa ruazinha transversal ali nas proximidades do SESC. Os três filhos que teve os tinha distribuído logo após o nascimento deles, talvez porque não considerasse justo criá-los todos junto à aparente indignidade da sua profissão. Nos últimos anos ainda buscou algumas viagens místicas na região e em Brasília, investindo o pouco que ainda sobrara na espiritualidade, talvez buscando justificativas para seu infortúnio. Pobre e alquebrada retornou ao Crato, onde passou seus últimos e duros dias. Esta semana, quando o coração parou de bater, Maria viu-se naquela solidão dos quatro chapeados. Apenas um filho , Zé, esteve ao seu lado no réquiem derradeiro e precisou buscar ajuda de transeuntes para poder levá-la ao cemitério. Não se conseguiu padre para sua encomendação e nem sequer foi possível identificar um terreninho que Maria tinha comprado para a pousada derradeira: inumaram-na, como indigente, em terras da prefeitura. Apenas uma das antigas companheiras de luta a acompanhou na viagem final e três de suas irmãs ainda estiveram presentes ao velório, mas não puderam esperar para o enterro. É que não havia transporte para Araripina à noite e elas não tinham onde pernoitar.
Não sei de onde veio o Passarim que Maria carregava, muito a contragosto, no sobrenome. Mas só consigo imaginá-la como um pássaro. Viveu numa imensa gaiola que lhe foi imposta pelo destino, mas soube, como poucos, arrancar um canto pungente do seu sofrimento e das suas privações. Espalhou liberdade por entre as tariscas da gaiola em que estava confinada. Desapareceu ,também, silentemente como um passarinho: sem um pio sequer. Não sentirá muita diferença no lugar para onde foi: apenas trocou seu chão atapetado de estrelas , por um céu coberto de fulgurantes constelações. Lá , agora sem os grilhões e amarras da vida terrena, voltará a entoar o seu gorjeio na amplidão, como um doce e inocente passarim.


J. Flávio Vieira

Agenda !

DUELO AO PÔR DO SOL - Mais uma Aventura de João de Barros - última parte


( movido para a seção "contos" na aba lateral direita equivalente, devido ao tamanho da postagem. ) - Estamos movendo várias postagens para as seções laterais também, a fim de que todos possam visitar também esses setores importantes do nosso blog.

Autor do tópico: José do Vale Pinheiro Feitosa.

Dihelson Mendonça
-moderador-

27 setembro 2007

Agenda !





O SESC Crato e o Centro Cultural Banco do Nordeste apresentam nessa quinta-feira, dia 27 de setembro, através do Programa Arte Retirante o show musical Além da Fronteira , com o cantor e compositor Isaac Cândido (Fortaleza – CE).

O espetáculo faz um passeio por sua trajetória musical (20 anos de carreira), numa mistura de salsa, baião, maracatu e choro, uma miscelânea pop com sotaque do nordeste brasileiro. O show tem a proposta de envolver o público numa atmosfera de delicadeza, liberdade e ousadia, marca registrada deste artista.
O show Além da Fronteira terá início às 20h e será realizado no Teatro do SESC Crato. A entrada é franca para todos os públicos.

SERVIÇO:
Show musical Além da Fronteira, com Isaac Cândido (Fortaleza – CE).
Hoje, 27 de setembro, às 20h, no teatro do SESC Crato.
Entrada franca.

Mais informações:
SESC Crato
Programa Cultura
Rua André Cartaxo, 443. Bairro Cruz, Crato – CE
Fone: 3523.4444.

Pachelly Jamacaru recebe Menção Honrosa no concurso "Leica-Consigo-Fotgrafe Melhor"

Um cratense honrado!

Saiu o resultado do 5º concurso de fotografia: LEICA-CONSIGO-FOTGRAFE MELHOR, que é o concurso que recebe o maior número de inscrição da América Latina. O concurso que traz como tema: Cenas Brasileiras. E, contemplou com a “Menção Honrosa”, um fotógrafo cratense para nosso orgulho, entre os melhores em todo o território brasileiro! Seu nome? Pachelly Jamacaru...


Parabéns, Pachelly Jamacaru, mestre!
Sempre acreditei que para seu talento, essas e muitas outras coisas são e serão possíveis!


Dihelson Mendonça

Potocas - FIGURAÇAS DA SEGUNDA GRANDE GUERRA ! - Hitler



A Segunda Guerra a gente nunca esquece!

O mundo ainda estava em recuperação, depois de levar bomba na Primeira Guerra Mundial, quando os líderes mundiais, entediados com a pasmaceira reinante, resolveram abrir concorrência para mais uma guerra. Neste terrível conflito militar, os povos se superaram em barbaridades e atrocidades genocidas:

Os alemães mataram judeus, os russos mataram os alemães, os americanos mataram os japoneses, e os brasileiros mataram o trabalho para conhecer a Europa. A Alemanha destroçada só foi se recuperar em 1990 com a Copa da Itália. O Japão também capitulou, mas depois vingou-se da derrota humilhante espalhando pelo mundo o Karaokê.


FIGURAÇAS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Adolf Hitler:

Pintor amador e genocida profissional. Hitler nasceu perto de viena , na Áustria, onde fez análise com Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Infelizmente, a terapia foi interrompida bruscamente quando o futuro fuhrer alemão tentou colocar Freud dentro de um forno de cozinha. Conheci o Hitler pessoalmente no Reichstag, em Berlim. Naquela época remota, eu cobria, enquanto jornalista investigatvo, a embaixatriz do Brasil na Alemanha.
Hitler até que não era mau sujeito: ele era um péssimo sujeito!

Tarado, maníaco-obsessivo e racista. Hitler só detestava três coisas na vida, os Judeus, os Judeus e os Judeus. Não necessariamente nessa ordem. Injuriado com a derrota do III reich para o negro Jesse Owens nas olimpíadas de 1936, ele invadiu a polônia, um país católico, pelas costas, contrariando assim a igreja que só admite a sodomia com fins de reprodução. Guloso e insaciável, o Fuhrer invadiu todos os países da Europa e só parou na fronteira de Portugal, o único país europeu situado na américa do sul. Inspirado na Disneylândia, Hitler e seus asseclas criaram os campos de concentração de Auschwitz, Sobibor, Treblinka, e a Terra encantada, que faliu depois de ser tomada pelo exército vervelho. Seus sonhos de conquista acabaram por causa da sua ambição desmedida: Depois de quatro anos de guerra, o ditador já havia estourado o cheque especial, devia grana no cartão de crédito, e vivia sendo perseguido por seu gerente de banco e os generais aliados. Trancado no seu Bunker, Hitler preferiu se matar ao ver seu nome no SPC, e, num gesto desesperado, colocou uma bala na cabeça de Eva Braun, uma bala na cabeça de seu cachorro, e uma bala de hortelã na sua boca. Hitler terminou seus dias no interior de Santa Catarina, onde ganhava a vida como porteiro de uma sinagoga.


Fonte: Casseta e planeta.

26 setembro 2007

Pétalas de Plástico na Ânfora da Vida


O que aconteceu a Ifigênia era de alguma maneira previsível. Bonita, charmosa, pôs-se durante toda a juventude a escolher os pretendentes com critérios ultra-rigorosos. Queria-os uma mistura bem dosada de lindo-santo-ricaço-garanhão. Demorou tanto a descobrir que este deus grego não desce do Olimpo para terra que , quando cuidou, já era tarde demais : haviam-lhe murchado as flores sedutoras da juventude.Aí tentou, em vão, simplificar as qualidades esperadas do futuro esposo, mas os homens já fugiam dela como o cão do credo: primeiro porque a beleza antiga já esmaecera, depois todos já tinham por besta, por cu-doce . Chegou, por fim, aquela fase do último tiro da macaca e percebeu que a garrucha, enferrujada , bateria catolé. Seguiu então aquele ritual típico de perua: roupas extravagantes, decotes profundos, maquiagem carregada , adereços douradíssimos.Mal percebia que nada neste mundo mostrava-se capaz de substituir aquele frescor da adolescência, aquela beleza simples e fugaz do desabrochar inefável da rosa primaveril. Murchas as flores naturais, punha-se no jarro da vida aquelas pétalas de plástico: sem cheiro e de brilho fosco e pouco enganador.
Disparado o último cartucho da macaca, fora de algum alvo possível, Ifigênia deu-se conta do seu destino previsível : o caritó , a solidão de titia. Pensou ainda em adotar algum Gianechinni já que como professora não ganhava lá estas coisas, mas tinha, ao menos, recursos certos na conta a cada final de mês. Fez algumas tentativas inglórias de adoção, mas desistiu. A mão de obra pareceu-lhe muito grande : as delícias que por ventura ganhava na cama, não compensavam o trabalho de campear o marido adotivo em festinhas, em farras, em pegas, em outras camas de ficantes.
Mesmo assim , não desistiu. Soube dos milagres de Santo Antonio na arte casamenteira. Há dez anos , botou-se para Barbalha e, sabendo que pouco milagre não resolvia seu problema, usou de tudo. Abraçou-se por mais de meia hora com o santo & profano símbolo fálico. Tirou lascas do pau e, em chegando à casa, por mais de um mês tomou diariamente um chá feito das cascas. Não bastasse isto, ainda fez cataplasmas e banhos de assento com o infusório.Esperou por uns dois meses o milagre matrimonial e exasperou-se, pois nada de importante aconteceu.Por indicações de amigas do mesmo bloco, partiu, por fim, para a simpatia final e definitiva. Tomou uma imagem pequena de Santo Antonio e atou-a com cordões, de cabeça para baixo, no fundo de um copo d´água, às doze horas da noite. Fechou os olhos e disse, solenemente, em voz alta:

“ Amarrei meu Santo Antõin
Com seis cento mil demõin
E se num quiser se afogar
Tu só sai do pelourim
Se arranjar um maridim
Pra Ifigênia se casar ”

Desta vez, mediante seqüestro, Santo Antônio, aparentemente cedeu . Dois meses depois , como por encanto, apareceu um pretendente que preencheu as cláusulas já não tão exigentes de Ifigênia. Fidelis apresentou-se como um rapaz madurão, já aposentado como bancário e, sem mais delongas, levou nossa coroa ao altar. O santo casamenteiro foi liberado da sua tortura e pode respirar aliviado.

Fidelis viveu seis meses com Ifigênia uma lua de mel hollywoodiana. Não se apartavam, viajavam constantemente. Um belo dia, no entanto, o marido saiu para comprar uma carteira de cigarro e nunca mais deu notícia. Ifigênia exasperou-se, procurou por tudo quanto é canto: necrotério, hospital, polícia, TV, Internet. Que marca de cigarro mais difícil de encontrar, meu senhor ! Nunca mais teve notícia de Fidelis.Este ano, ainda desapontada, voltou à festa de Santo Antonio, entrou piedosamente na igreja e , no pé do altar encontrou, um bilhete que parecia até uma resposta do santo milagreiro à sua antiga simpatia:

“Levei o marido de vorta
Sua cara de moura torta
Pois já paguei o resgate
Se tu me prender de novo
Te dou um cabra sem ovo,
Um bêbo , um engraxate.

Um jogador de barai,
Que vive de quebra-gai
Ou um clodovi bem foló
De pircing e de brinquim
Que passa o dia interim
Vendo banda de forró ”


J. Flávio Vieira

Joâo Pernambuco e o Crato


Quem toca violão, é brasileiro de uma certa geração, certamente já tocou Sons de Carrilhões de João Pernambuco. Um dos maiores músicos do século XX, nomeado por Villa Lobos como o Bach brasileiro. Há algum tempo pesquisando em site do Instituto Moreira Salles encontrei uma música dele com o título CRATO. Ouvi-a e de fato era "Crato, meu torrão adorado. Rosa, que saudade de ti. E o sol descambando no recorte da serra. Quando de minha terra triste me despedi. Crato, meu torrão adorado..." Comuniquei-me com Zé Flávio e dele recebi a notícia que João Gilberto havia falado desta música para Violeta Arraes e que os antigos da cidade a conheciam.

Uma noite dessas perguntei para Violeta que me contou como foi. Estava ela na casa de Caetano Velloso em Salvador, Gilberto Gil, Betânia e Dedé (ex-mulher do Caetano). Esperavam por João Gilberto com quem gravariam na madrugada e este não chegava. Lá pelas tantas Dedé resolveu telefonar para o João. Assim que atendeu a Dedé foi logo falando que estavam hospedando a Violeta, uma pessoa do Crato e dito isso já foi passando o telefone. Violeta um tanto quanto pega de surpresa foi dizendo olá João é um prazer falar com você. E ele do outro lado, com fala arrastada dizia: Crato! Crato! Antonia...Ah! Antonia. Violeta naturalmente perguntou se ele conhecia a cidade e ele explicou que Antonia era uma moça do Crato que morara na casa dele em Juazeiro da Bahia. Era crente e pouco saía de casa, mas costumava cantar a música Crato e ele cantou o trecho acima. Completou o diálogo dizendo: Nós íamos para o carnval brincar e Antonia ficava sozinha em casa. Quando eu estava no meio da dança, lembrava....Antonia sozinha em casa"

E João Pernambuco?
JOÃO PERNAMBUCO- O POETA DO VIOLÃO Filho de índia Caeté e de um Português. João Teixeira Guimarães nasceu em Jatobá, sertão pernambucano, em 02/11/1883 e faleceu no Rio de Janeiro em16/10/1947.Com uma muda de roupas, seu violão e muitos sonhos, desembarcou João, aos vinte anos de idade, na então capital da República. Trabalhava como ferreiro em jornadas de até dezesseis horas diárias. O pouco tempo que lhe restava era dedicado ao violão. Para os seus amigos e admiradores, em número sempre crescente, contava e cantava coisas de sua terra, daí o apelido de João Pernambuco.

Mais junte um mel de poesia e música. Busque no chão os poetas da terra. E neste paraíso do mundo se aprisione a uma Eva no parreiral. Descomplique as tramelas da porta e retorne ao breve e longo tempo do amor por ela, por nós, por tudo. Principalemente pelo bucólico. Ao ouvir esta música de João Pernambuco (gravação da Elba Ramalho, Alaíde Costa, Cida Moreira entre outras) do Wilson Rodrigues e do genial Hermínio Bello de Carvalho não tem uma vida melhor que a vida de amor preso na arapuca da muié. Com vocês

Estrada Do Sertão -

Coisa que não arrenego
Nem tão pouco desapega
Ter gostado de você
Foi gostar desenchavido
Encruado e recolhido
De ninguém se aperceber
Matutando vou na estrada
Nos meus óios a passarada
Faz um ninho pra você
Juriti espreita triste
A jandaia não resiste
Chora junto por você
Nos teus óios faz clarão
É um verde, um azulão
Tiê sangue furta cor
Que me dá desassossego
Que me suga que nem morcego,
Mangando que é beija-flor

Não me encrespe a vida assim
Já me basta o que de mim essa vida caçoou
Não me faz essa graçola
De me abrir essa gaiola
Pra depois não me prender.

Canta firme juriti
Vê se entoa uma canção
Sabiá me roça aqui
Bem junto do meu coração
Pousa aqui meu colibri
Vê se tu tem pena d´eu
Quero ser teu bacuri
Quero ser de vóis meçê

Quanto mais me desfeiteia,
Me despreza, mais me arrasto pra você.

Di Maio e o Cine Paraíso

Em breve, estaremos divulgando, em pesquisa mais aprofundada, sob os auspícios do Instituto Cultural do Cariri - ICC, a merecida memória do pioneiro na exibição de filmes no interior do Ceará. Trata-se de uma das figuras mais interessantes da história do cinema no Brasil, Vittorio Di Maio. Basta dizer que seu empreendedorismo e amor à Sétima Arte, desde os primórdios do audiovisual em solo brasileiro o fez abrir inúmeras salas de exibição desde Petrópolis, no Rio de Janeiro, passando por São Paulo, até outros estados como o Rio Grande do Sul, Bahia e Ceará, terra que aportou para fixar residência e onde findou seus dias.
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O fato mais curioso a ser registrado sobre o incansável Di Maio é o de ter criado, precisamente no dia 3 de junho de 1911, na cidade de Crato, no Cariri, o primeiro cinema do interior do Ceará, intitulado Cine Paraíso (...)
Leia mais: http://glaucovieira.blogspot.com/

FOTO-MÚSICA

A música traduzida em linguagem visual, ou melhor, as imagens traduzidas em música, como as percebo. Na composição abaixo, "Luz e Sombras" ( light and Shadow ).



"Fazer Música é Traduzir o universo!

A Música como forma de expressão, é uma dádiva. Algumas pessoas nascem com o dom de perceber essa essência, outras nem tanto. Mas podem desenvolver habilidades e trabalhar essa percepção. A Música verdadeira, é espiritual. Para ser um bom músico, é preciso olhar para dentro de si, encontrar-se, e descobrir a realidade cósmica. Fazer música, é conversar na linguagem de Deus!

A verdadeira MÚSICA em maiúsculo é a mais alta expressão da arte sublime, a única coisa que não segue o padrão de representação, e sim, a própria "vontade", que seria a essência de tudo, segundo Schoppenhauer. Infelizmente, poucos privilegiados conseguem entender e captar a verdadeira essência da música. Ela não está nem na técnica, nem nos livros. A música de verdade está em toda parte. Ela é a própria vibração do universo, e que une tudo e todos. Os livros e a escola representam apenas a codificação do universo musical perceptível, palpável, técnico, que pode ser posto em papel ou outra mídia. É o topo do Iceberg, quando a grande imensidão da música não se encontra em papel algum. O músico trabalha com formas abstratas. Tudo pode ser música, nas mãos hábeis daqueles que aprenderam a conversar com o universo.

Aqui na terra, os músicos são sacerdotes, mediadores que apenas canalizam essa informação. Os músicos, visionários que são, conseguem enxergar as formas abstratas mais puras de um determinado padrão universal e apresentá-la de modo que outros possam ver o que o artista vê. Sentir o que o artista sente. É preciso que haja um despertar espiritual pleno, gradativo e inexorável para se compreender a música em sua plenitude e ver que ela é bem mais que o creme, a cobertura, que é aquilo que alguns têm feito até então.

Enquanto o artista não desperta para essa realidade interior, se descobre, e traduz o universo e a sua essência, ele será um impostor, um míope que enxerga formas incompletas e imperfeitas. Sua música não representa ainda a forma perfeita da idéia. Por isso, somente uma profunda introspecção e observação precisa e direcionada faz com que seja possível a descoberta das formas ideais e puras.

Tocar em grupo, é comungar espiritualmente, é partilhar energia. É conversar na própria linguagem do espírito.
E quando esses espíritos se tornam vasos comunicantes, a energia flui e a música verdadeira acontece. "

A Música é o objeto, a vontade, o noumeno e o fenômeno, "o nous, o pneuma, o ego sum qui sum"!


Dihelson Mendonça
21/03/2007

Composição musical e montagem: Dihelson Mendonça
Fotografia: website - webshots desktop.

Cicim do Pau-do-Guarda


Para quem não é cratense, esse nome, além de exótico, parece engraçado. Mas para os cratenses, e para muita gente do Cariri, Cicim do Pau-do-Guarda é uma referência cultural.
Cícero Ribeiro Lobo, mas conhecido como Cicim do Pau-do-Guarda, é uma das pessoas mais conhecidas da região. Não só pelo famoso e saudoso restaurante Pau-do-Guarda, que ele fundou em 1954, mas, sobretudo, pelo seu carisma e pela sua sabedoria nata.
No alto de suas quase oito décadas de vida, Cicim continua ativo e produtivo. Todos os dias, bem cedo, ele vai para a Lagoinha, propriedade que mantém no caminho do distrito de Ponta da Serra, onde cria gado e planta roça e pasto. Na volta, sempre que Humberto Mendonça está de “férias” no Crato, ele vai até o escritório deste, na rua Senador Pompeu, para alguns momentos de prosa e para pegar os jornais do dia anterior, que Humberto sempre guarda para ele. Cicim ainda lê sem ajuda de óculos.
O restaurante Pau-do-Guarda, que funcionou por quase meio século, sem nunca ter fechado as portas (até mesmo porque elas não existiam no estabelecimento), - tinha este nome em decorrência de um pau-cancela que existia nas proximidades, na saída do Crato para o Juazeiro. O pau era manuseado por um guarda fiscal, visando controlar o fluxo de carros que transportavam cargas e mercadorias - o que hoje se chama posto fiscal e que naquele tempo a população chamava de pau-do-guarda.
No cardápio do Pau-do-Guarda (o restaurante), os clientes tinham a opção de saborear pratos típicos da cozinha regional, como o famoso pirão-de-galinha, galinha à cabidela, peixes fritos e ao molho, caldo, baião-de-dois, etc., além de ser um aprazível e obrigatório ponto de encontro da boemia da cidade.
Cicim do Pau-do-Guarda é um resquício de um Crato antigo e que teima em permanecer. O Crato cordial, tranqüilo, de homens de bem e vontadosos. Um Crato que não pode ser esquecido...

FOTO-POESIA

O PEQUÍ

Certa vez, ninguém disse assim...
Certa vez de ninguém se ouviu o dizer...
“O Pequi, não mata a fome”,
A fome, “é que se mata diante dele”.
Palavras da salvação!

Bendito és o fruto que és,
Aonde a pé se vai aos pés,
Quando ainda a flor bela nas alturas,
Em romarias as abelhas vão...
Quando se quer dar,
Quedas ao chão,
E aí, vão os homens em procissão!

De dezembro a fevereiro,
Quando reboam os trovões
E o céu desce a terra espargindo o aguaceiro,
Dá gosto ver na floresta,
Teresa e outros nomes brejeiros
Que ora me fogem a lembrança,
Na maior lambuzança de colheita em festa!

Não é do rico, nem do pobre,
O que é para o rico, é para o pobre!
Oh! Fruto da concórdia que vergas os teus galhos
Indiferente ao credo de quem te aprecia!
Na Baixa-rasa eneblinada, oração e aboio...
Ides, pois, oh! verdinho, aromatizai a mesa dos justos,
Abundantes sejam, pequis que rôo!

Foto e poesia: Pachelly Jamacaru

Jornal do Cariri - Ao vivo ( somente às 07:00 e 12:30 )


Clique no Player abaixo:




Reprises, clique Aqui



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24 setembro 2007

DUELO AO PÔR DO SOL - Mais uma aventura de João de Barros - Parte 5

O.b.s - movido para a seção contos, na aba lateral direita, devido ao tamanho.

José do Vale Feitosa


Os Brasileiros e o Aquecimento Global




As gentes do mundo estão com as mentes aquecidas. Pelo tronco e membros seus sentimentos subiram de temperatura. Trata-se do Aquecimento Global em dois tempos. Primeiro o Protocolo de Kioto e depois o filme, vencedor do Oscar de Hollywood em 2007, Uma Verdade Inconveniente do ex-vice-presidente americano Al Gore. Em ambos os tempos há um enredo dos EUA. O primeiro por ausência protecionista e o segundo pelo grito acusatório. Protejam-se os ativos econômicos do Grande Império. Só o Império dirá quando, como e onde agirá. Por outro lado, condene-se a humanidade pelo enorme crime ecológico que promove com sua mania de querer os valores da moderna civilização. No primeiro passo proteja-se o particular e no segundo condene-se o coletivo dos povos.

Nesta semana mesma o Presidente do Brasil estará numa reunião da ONU tratando do Aquecimento Global. Este é o melhor fórum para se tratar do assunto. Formam-se convicções entre os povos e buscam-se convergências na Assembléia das Nações. Poderia haver algo melhor que esta dinâmica, mas esta é a mais racional entre as possibilidades. Em primeiro lugar diz a publicação RETRATO DO BRASIL, da Revista Carta Capital, "O filme do ambientalista americano que vende a prova do aquecimento global não tem ciência: é uma tese interesseira e simplória". Portanto o Aquecimento Global não pode ser vendido como um evento Hollywoodiano, como uma produção mitológica própria dos "guerras nas estrelas" e outros filmes a estilo infanto-juvenil que move "corações e mentes".

Na verdade sempre existiram pequenos ciclos (em termos das eras glaciais) de aquecimento e resfriamento do planeta. Em pleno século XV houve um arrefecimento do hemisfério norte com progressão de geleiras, dos bancos de gelo e agravamento dos invernos, levando por conseqüência a interrupção da rota do Vikings no rumo da Groenlândia. Durante o reinado de Luís XIV na França, houve a "pequena era glacial" com repercussões sobre a produção de cereais da Europa e nos arrozais da Ásia.

Mais dramáticas são as visões que os grandes meios de comunicação passam a antecipar desde que passaram a formar opiniões em massa na humanidade. Segundo Carta Capital de 1 de setembro de 2007 a imprensa americana, ao longo do século XX fez um jogo de esquenta e esfria em suas visões do futuro. Segundo a imprensa americana: 1912: A terra está esfriando; 1952: a Terra está esquentando; 1975: A terra está esfriando; 2006: a Terra está esquentando.

Portanto as pessoas que se sentem culpadas e apontam para os substantivos abstratos, ou seja, o outro coletivo, não expiem suas culpas, somente pensem e debatam. A humanidade não é nem má e nem boa, isso é categoria de vida prática para quem amanhece com a luz do sol e entardece com as sombras da noite. O grande dom da humanidade é ser racional. Use-a e avance na sua própria compreensão e na do mundo em que se encontra (ou melhor, faz parte de modo inseparável).

Há uma curva de aquecimento? Tudo leva a crer que há. Existem provas que a atividade humana seja a grande causa? Não. Apesar do consenso do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climáticas, criado por duas entidades da ONU, ter alertado neste sentido. Primeiro é preciso entender que o efeito estufa é fator de equilíbrio e manutenção da vida na terra e não este "ser maligno que a mitologia moderna criou". Segundo a fotossíntese (que gera a fixação do oxigênio e de energia) não é uma produção essencial das grandes florestas, mas do mar: enquanto as florestas fixam 11 bilhões de toneladas ao ano e a vida na terra inteira 16,6 bilhões, os mares fixam 122,6 bilhões. Terceiro a produção de CO² é o reverso da fotossíntese e faz parte do fluxo do carbono na natureza.

Se há um consenso que a atividade humana esteja por trás da disparada da temperatura global, por que a dúvida? O consenso se baseou na famosa curva hockey stick de autoria de Michel Mann que a publicou na Nature e depois virou a vedete da campanha presidencial de Al Gore em 2000. A curva apresenta uma série de medidas de temperatura no hemisfério norte que se mantém estável por mais de mil anos e nos últimos cem anos se eleva abruptamente. Depois se buscando amostra de atmosfera presa na profundeza das geleiras, tenta-se estimar a proporção de CO2 dos tempos remotos ao mesmo tempo em que usando os dados de uma estação no Havaí se estimam as temperaturas passadas. Acontece que o mundo é diversificado e os dados de única estação não representam o total de acontecimentos de temperaturas distintas, então o máximo que se pode afirmar é que são os dados de temperatura na região mensurada. Por outro lado dizer-se que o CO2 aprisionado nas bolhas de ar das geleiras antigas correspondam ao que acontecia na ocasião é passível de erros, pois o próprio CO2 poderia reagir com elementos em sua volta, bem como escapar do espaço aprisionado e a estimativa de sua concentração seria puxada "para baixo".

Portanto a posição da humanidade não é ser tangida como boiada. É compreender mais e melhor seu ambiente natural, econômico e social, pois ambos fazem parte da mesma equação que é a vida em sociedade. A civilização urbana se consolida até os anos 50 do terceiro milênio e temos tudo a ganhar e nunca a se desesperar.


Os dados científicos deste texto foram retirados do caderno RETRATO DO BRASIL, da Revista Carta Capital de 1 de setembro de 2007. O título do texto é: Desconstruindo Gore. Quem tiver a oportunidade de ler toda a série publicada o faça.

23 setembro 2007

A Mãe do Belo Amor


Texto: Armando Rafael

A imagem da Mãe do Belo Amor, pequena escultura de madeira, medindo cerca de 40 centímetros, é parte importante da história de Crato e integra o imaginário popular desde os primórdios da Missão do Miranda – origem da Cidade-Princesa – que data do segundo quartel do século XVIII. Esta estátua sempre foi aureolada por muitos fatos pitorescos e lendários.Não existem documentos sobre a origem da imagem da Mãe do Belo Amor. Também não se sabe, ao certo, se essa pequena escultura já se encontrava no Sul do Ceará, antes de 1740, ano da chegada de Frei Carlos Maria de Ferrara, para catequizar os índios Cariris, quando fundou a Missão do Miranda, embrião da cidade do Crato. Presume-se, pois, que até 1745 esta pequena imagem foi venerada na humilde capela de taipa, coberta de palha, construída por Frei Carlos, isto é, até a chegada da segunda imagem que seria venerada como Padroeira do Crato.Na segunda metade do século XX, um conhecido e respeitado ancião cratense, o Sr. José da Silva Pereira, secretário do Apostolado da Oração de Crato, escreveu ao então vigário da Catedral, Monsenhor Francisco de Assis Feitosa, um documento, do qual extraímos o texto a seguir transcrito:“Há na nossa Catedral três imagens que representam nossa padroeira, Nossa Senhora da Penha. O que vou narrar nestas linhas se refere somente à primeira, que é a menor das 3, esculpida em madeira, como as duas últimas. Trata-se de uma bela imagem que honra a arte antiga e a habilidade de quem a preparou. Segundo dizem os antigos, ela tem para mais de duzentos anos, mas nada deixa a desejar às que se fazem atualmente. Pertencendo ao número das imagens aparecidas, ela tem também a sua lenda bastante retocada de suave poesia. Conta-se que fora encontrada em poder dos índios (sem dúvida os Cariris), passando às mãos de pessoa civilizada. Aqui toma vulto a lenda que gira em torno do seu nome, pois afirmava que, repetidas vezes, ela voltara ao cimo de pedra onde os indígenas a veneravam. Este fato miraculoso deu lugar à fundação da Capela, onde hoje é a nossa Catedral, naquele mesmo sítio, tão profundamente respeitado. Quanto à idade que lhe atribuem, provam-na os documentos referentes à fundação da povoação hoje transformada nesta importante Cidade do Crato. Para mais corroborar o misticismo que a tradição empresta à nossa querida santa, ocorre que a mesma desapareceu de nossa igreja há mais de cinqüenta anos, voltando agora aos seus penates, onde está sendo venerada por grande numero de fiéis. Os antigos deram-lhe o nome de “Belo Amor”, o que prova a piedade filial dos nossos antepassados. Respeitemos o passado, sua história, suas tradições e suas lendas, que nos falam sempre daqueles que abriram caminho a nossa vida”.

Efeméride


2008 assinalará 240 anos de instalação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Crato, fato ocorrido em 4 de janeiro de 1768. A humilde capelinha de taipa, coberta de palha - construída pelo fundador da cidade, frei Carlos Maria de Ferrara, em 1740 - foi sendo ampliada e, em 1914, ganhou status de catedral, com a criação da diocese. O Cura da Sé, padre Edmilson Neves, anuncia novos melhoramentos para o vetusto templo. Entre eles, o novo piso, cujo dinheiro para aquisição já foi conseguido com doação dos fiéis.
(Coluna O Cariri, de Tarso Araújo, no Jornal O Povo de 23-09-07)

FotoMemória: Leonel Brizola visita o Crato

Foto: Luiz José

Leonel Brizola, um dos maiores mitos da história política do Brasil, esteve no Crato, em 1989, em campanha para presidente da República. Nesta foto, ela estava na redação do Jornal Folha Liberal, na gráfica Universitária, de propriedade de Lázaro Fontenele. Acompanhavam-no, os então deputados federais, Lúcio Alcântara e Édison Silva, e os cratenses Emerson Monteiro e Humberto Mendonça, na época, todos ligados ao PDT, partido fundado por Brizola. Ainda no Crato, Brizola fez campanha, participando de reunião com lideranças cratenses, no Palácio do Comércio e fazendo pequeno comício na Praça Siqueira Campos.
Naquela primeira eleição direta para Presidente da República, após o regime militar implantado em 1964, Brizola ficou em terceiro lugar. Perdeu para Collor e para Lula. Mas, independente do resultado, Brizola foi um dos grandes vencedores na política brasileira, graças à sua história de homem público coerente ideologicamente e ilibado no trato da coisa pública.

Foto do dia: Pedra do Picoto - Chapada dp Araripe - Crato - CE


22 setembro 2007

Salatiel, um representante à altura da política cratense


Cumpro o aprazível dever de comunicar o lançamento (este ato é de minha total e exclusiva responsabilidade, agora) da canditadura de Luiz Carlos Salatiel ao Parlamento do Crato. Conclamo todos os cratenses conscientes desse momento histórico e pioneiro a ratificar este desejo de termos um representante legítimo e diferenciado na Política cotidiana (com P maiúsculo) , cuja plataforma nos remeterá ao futuro: de nossa cidade e da nova geração que se apresenta.
Quem concordar com esta candidatura que se manifeste.

21 setembro 2007

Madrugada ao som do Jazz e da MPB - RadioArte!


Como ouvir:

A - Conexão Banda-Larga:
Se vc possui conexão banda larga, vc pode ouvir com excelente qualidade de CD, se tiver o programa Winamp instalado em seu PC. Tendo o winamp, basta clicar no link abaixo. O winamp vai abrir e começar a tocar.

Para ouvir com o winamp, clique no link abaixo:

http://212.72.165.23:9140/listen.pls


B - Conexão Discada:

Se vc só possui conexão discada, ou se não possui o winamp instalado em seu PC, ouça a RadioArte, clicando no player abaixo. Em alguns segundos, o som será escutado. A qualidade do som não é tão boa quanto na versão com winamp. Por isso, meu conselho: Instale o winamp!

Para ouvir, clique no player abaixo:




P
repare a sua bebida predileta. Sente-se ou deite-se confortavelmente, e se delicie com a nossa seleção musical. O programa Noite Cultural vai de 00:00 às 06:00 da manhã, trazendo sempre o que há de melhor na música instrumental e vocal.
RadioArte, 24Hs com você. Há 4 anos, trazendo o melhor do Jazz e da Música Popular Brasileira!

Nota: Para ver os títulos e autores das faixas, instale o programa winamp. Vc pode baixá-lo diretamente clicando Baixar Winamp

Campanha "Cansei do jabá na mídia"

Foto: Sérgio Bade

Engrosso o cordão dos descontentes com a programação imposta pela máfia (mídia) radiofônica, lançado por Dihelson Mendonça a partir deste blog.
Como uma ação propositiva, sugiro ocuparmos os espaços dos meios de comunicação anti-venais, como este blog, para mostrarmos que é possível aliar o bom gosto, a ética e a inteligência ao entretenimento saudável.
E aí vai o primeiro exemplo: a programação cultural da Expocrato de 1997, quando Rosemberg Cariry era secretário de cultura do Crato (bons tempos aqueles, quando éramos felizes e não sabíamos), e uma das grandes atrações foi o genial Hermeto Pascoal (duvido que um músico seja ao mesmo tempo tão vanguardista e ao mesmo tempo popular como este).
O mestre Hermeto, com sua magnífica banda, fez uma antológica apresentação ao lado dos Irmãos Anicetos, que foram reverenciados por ele como os verdadeiros "mestres dos mestres". O público presente foi exemplar, em quantidade e qualidade (e cidadania e pacatez), e o o espetáculo foi gratuito, promovido pelo poder público local.

Quem se habilita a mostrar outro exemplo de que é possível aliar honradez e arte no show-bizz...

20 setembro 2007

Crônica: O ÓBVIO QUE NINGUÉM VÊ...


Antonio Vicelmo

Crônica:

O óbvio que ninguém vê!

Dihelson Mendonça



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Cratense Campeão Mundial de Jiu-Jitsu - Moacir Siqueira Cavalcanti


Moacir Siqueira Cavalcanti

Moacir Siqueira Cavalcanti nasceu na cidade de Crato-Ce em 07/10/1977, filho de Moacir S. de Siqueira, atleta e grande incentivador do esporte cratense e Maildes de Siqueira (in memorian). Sempre foi adepto à prática de esportes como Judô, Natação, capoeira, Mountainbike, rapel, trilhas e escaladas na Chapada do Araripe. Ingressou no Jiu-Jitsu há apenas dois anos através de um amigo que o levou para assistir seu treino, e a partir daí resolveu participar dos treinos. Através de bons desempenhos nesses treinos no ano de 2006 começou a participar de algumas competições até ser covocado pela FJJOCE (Federação de Jiu-Jitsu Olimpico do Ceará) para participar da COPA DO MUNDO 2007 DE JIU-JITSU promovida pela CBJJO(Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Olimpico) realizada em Teresópolis-Rj de 25 à 29 de Julho de 2007, esta competição é dividida por caregorias (Faixa/peso/idade), então, sagrou-se CAMPEÃO MUNDIAL na categoria LEVE(70 à 76Kg) e Master(nascidos nos anos de 72 à 77).

Nas palavras do próprio Moacir:



"Falando um pouco do esporte no Brasil e em nossa cidade, o Brasil é o maior celeiro deste esporte no Mundo com atletas e academias espalhados em todo planeta, praticamente todos os campeões mundiais em todas as categorias masc e femin até hoje, com algumas poucas exceções são brasileiros, e o Ceará é um dos ícones no Brasil do Jiu-Jitsu com vários campeões mundias nesses anos, e a nossa academia, que temos como Prof. O Yoshiniri Morimitsu, faixa preta e campeão Brasileiro de 2007 por 3 anos consecutivos, fomos campeões cearenses por equipe e temos também vários atletas que se destacam como Rafael Bezerra (3º lugar Copa do Mundo 2007 Jiu-Jitsu), Rafael dos Santos (Campeão Mundial em 2006), Bruno(campeão brasileiro 2007 categoria) entre outros q são campeões estaduais. Fazemos parte de uma equipe que está espalhada por todo o Brasil e no mundo. NOVA UNIÃO JIU-JITSU. O quadro de medalhas desta copa do mundo se encontra no site: http://novauniaoce.com.br "

Nota: Nós, do Blog do Crato, temos imenso prazer em prestar essa singela homenagem a esse verdadeiro campeão, que muito honra a cidade e o estado do Ceará. Parabéns, Moacir, por toda a sua dedicação, por sua luta, sua garra, de conquistar esses títulos, que afinal, é orgulho para todos nós que amamos esta cidade do Crato.



19 setembro 2007

Ligue-se

URCA promoverá seminário sobre Cultura Popular


A Universidade Regional do Cariri - URCA, através do Instituto Ecológico e Cultural - IEC e a Pró-Reitoria de Extensão, realizará, no período de 17 a 20 de outubro próximos, no campus Pimenta, o seminário com a temática Cultura Popular - Patrimônio do Povo. O evento tem como objetivo debater sobre as origens e as influências da cultura popular e a formas de sobrevivência dos grupos de brincantes do Cariri.
O evento será constituído de palestras, mesa-redonda, oficinas, exibição de documentários e vivência em terreiro de mestres da Cultura Popular. As inscrições podem ser efetuadas no Campus Pimenta, no Crato, no escritório do IEC.
O evento marca o início de uma série de atividades previstas para compreensão da arte popular, como criação de "site", formação de grupo de estudo e revitalização do grupo de reisado dos alunos da URCA.

Fonte: Assessoria de Imprensa da URCA
Texto: Alexandre Lucas

CD: Chico Paes - O velho sanfoneiro de Assaré !


O velho sanfoneiro de Assaré

De Assaré vem o som de uma sanfona que vale por uma pequena orquestra. Chico Paes, 80 anos, cujo CD “Os oito baixos de Chico Paes”, registra 15 de suas composições.

Nome estranho para se dar a um instrumento musical. Pé-de-bode costuma batizar a sanfona de oito baixos, também conhecida como harmônica. Em tempos de eletrificação - que também poderia ser chamado de pasteurização - dos ritmos nordestinos, ela se encontra quase abandonada. Poucos se atrevem a encarar o desafio de tocá-la, por exigir uma técnica mais complexa e ser menos “espetacular” que outras sanfonas.

Entre aqueles que, ao talento, acrescentam ousadia, encontra-se o velho Chico Paes. Natural de Assaré, terra do poeta Patativa (1909 - 2002), Chico conta com 80 anos de vida. Boa parte deles, passados ao lado do instrumento que aprendeu a tocar sozinho, escondido do pai, também sanfoneiro. Se os caminhos do aprendizado não foram os melhores, aqueles que Chico trilhou após dominar os oito baixos foram - se não mais fáceis - ao menos mais alegres. Sanfoneiro conhecido, ele percorreu diversas localidades no Cariri e nos Inhamuns, varando noites e animando festas ao som de sua música.

“Os oito baixos de Chico Paes” é o primeiro CD gravado pelo sanfoneiro e apresenta 15 de suas composições. Apesar da dificuldade imposta pelo instrumento, o sanfoneiro esbanjou virtuosidade na gravação do disco: alugou o estúdio por uma hora e saiu de lá com um disco de 50 minutos gravado. Quem escuta as canções de Chico tem dificuldade para a creditar que todos os sons registrados no CD saem de um único instrumento.

O disco de Chico Paes é o terceiro lançamento do selo Som do LEO, braço fonográfico do Laboratório de Estudos da Oralidade, grupo que reúne pesquisadores da UECE e da UFC. Antes dele, o selo já havia posto em circulação “Ao pife”, de Alfredo Miranda e “Missa Breve do Sertão”, de Vanda Ribeiro Costa.

Nota: pequena homenagem do Blog do Crato a esse exímio sanfoneiro descendente de uma elite de sanfoneiros que praticamente criaram uma forma peculiar de tocar o "pé-de-bode", com harmonias inusitadas, ritmos complexos, derivados da valsa e da mazurca européia somados aos nossos temas regionais mais brilhantes.

Viva Chico Paes!

Clique no player abaixo para escutar o som de Chico Paes:

TVCrato: Jornalista A. Vicelmo entrevista um dos últimos remanescentes do Massacre do "Caldeirão"



O Jornalista Antonio Vicelmo entrevista um dos últimos remanescentes do massacre do Caldeirão, que supostamente, teria ocorrido em 1937.

Caldeirão de Santa Cruz do Deserto

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Missa nas ruínas da igreja do Caldeirão.

Missa nas ruínas da igreja do Caldeirão.

O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto foi um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras no Crato, Ceará. A comunidade era liderada pelo paraibano de Pilões de Dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por beato José Lourenço.

No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma quota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na Religião.

História

Sítio Baixa Dantas

José Lourenço trabalhava com sua família em latifúndios no sertão da Paraíba. Decidiu migrar para Juazeiro do Norte, onde conheceu Padre Cícero e ganhou sua simpatia e confiança. Em Juazeiro conseguiu arrendar um lote de terra no sitio Baixa Dantas, no município do Crato. Com bastante esforço de José Lourenço e os demais romeiros, em pouco tempo a terra prosperou, e eles produziram bastante cereais e frutas. Diferente das fazendas vizinhas, na comunidade toda a produção era dividida igualmente.

José Lourenço tornou-se líder daquele povoado, e se dedicou à religião, à caridade e a servir ao próximo. Mesmo analfabeto, era ele quem dividia as tarefas e ensinava agricultura e medicina popular. Para o sítio Baixa Dantas eram enviados, por Padre Cícero, assassinos, ladrões e miseráveis, enfim, pessoas que precisavam de ajuda para trabalhar e obter sua fé. Após o surgimento da Sedição de Juazeiro, da qual José Lourenço não participou, suas terras foram invadidas por jagunços. Com o fim da revolta, José Lourenço e seus seguidores reconstruíram o povoado.

Em 1921, Delmiro Gouveia presenteou Padre Cícero com um boi, chamado Mansinho, e o entregou aos cuidados de José Lourenço. Os inimigos de Padre Cícero, se aproveitaram disso espalhando boatos de que as pessoas estariam adorando o boi como a um Deus. Por conta disso, o boi foi morto e José Lourenço foi preso a mando de Floro Bartolomeu, tendo sido solto por influência de Padre Cícero alguns dias depois.

Caldeirão de Santa Cruz do Deserto

Em 1926, o sítio Baixa Dantas foi vendido e o novo proprietário exigiu que os membros da comunidade saíssem das terras. Com isso, Padre Cícero resolveu alojar o beato e os romeiros em uma grande fazenda denominada Caldeirão dos Jesuítas, situada no Crato, onde recomeçaram o trabalho comunitário, criando uma sociedade igualitária que tinha como base a religião. Toda a produção do Caldeirão era dividida igualmente, o excedente era vendido e, com o lucro, investia-se em remédios e querosene.

No Caldeirão cada família tinha sua casa e órfãos eram afilhados do beato. Na fazenda também havia um cemitério e uma igreja, construídos pelos próprios membros. A comunidade chegou a ter mais de mil habitantes. Com a grande seca de 1932, esse número aumentou, pois lá chegaram muitos refugiados. Após a morte de Padre Cícero, muitos nordestinos passaram a considerar o beato José Lourenço como seu sucessor.

Devido a muitos grupos de pessoas começarem a ir para o Caldeirão e deixarem seus trabalhos árduos, pois viam aquela sociedade como um paraíso, os poderosos, a classe dominante, começaram a temer aquilo que consideravam ser uma má influência.

Sobreviventes do ataque ao Caldeirão.
Sobreviventes do ataque ao Caldeirão.

Em 1937, sem a proteção de Padre Cícero que falecera em 1934, a fazenda foi invadida, destruída e os sertanejos divididos, ressurgindo novamente pela mata em uma nova comunidade, a qual, tempos depois, foi invadida novamente, mais dessa vez por terra e pelo ar, quando aconteceu um grande massacre, com oficiais 400 mortos.

José Lourenço fugiu para Pernambuco, onde morreu aos 74 anos, de peste bubônica, tendo sido levado por uma multidão para Juazeiro, onde foi enterrado no cemitério do Socorro.

Caldeirão hoje

Atualmente, 42 famílias revivem o sonho coletivo de produção idealizado por José Lourenço, num sítio denominado Assentamento 10 de Abril, a 29 km do centro do Crato. Porém sem ostentar a grandeza atingida pelo Caldeirão do beato José Lourenço.


Quem você indicaria para ser membro do BLOG DO CRATO ?

Olá, pessoal,

Sabe-se que na região do cariri há muita gente que escreve bem, e que com certeza, merece fazer parte do nosso quadro de membros.
Quem vc indicaria para fazer parte do nosso quadro no Blog ?
Claro, de preferência, pessoas que já acessam a internet, a não ser que alguém queira postar por elas. Também não precisa morar necessariamente no cariri, desde que fale essencialmente de coisas da nossa região, e que tenha um nom domínio da escrita.

E aí, sugestões ???

Abraços,

Dihelson Mendonça

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18 setembro 2007

Solibel, escola de músicos e cidadãos


A Sociedade Lírica do Belmonte (Solibel), arrisco dizer, é um dos maiores patrimônios do Crato (quicá do mundo), pela grandeza de sua obra.
Fundada pelo mestre monsenhor Augusto Ágio, em meados da década de 1960, coadjuvado pelo prof. José Nilton de Figueiredo (na época, um pirralho morador do sítio Lameiro), a Solibel mantém, de forma ininterrupta, a Orquestra Padre David Moreira, o Coral Santa Cecília e outros conjuntos musicais, além da escola de formação de músicos eruditos e populares, que, na sua maioria, é formada por crianças filhas de agricultores da própria localidade, - o atual distrito do Belmonte, comunidade sopé-serrana, um exemplo de tranqüilidade e cidadania.
Esta é uma homenagem do Blog do Crato a este povo que faz e que dá certo.
A foto é do auditório Cristina Prata, sede da Escola, e que mereceria uma reportagem à parte. Registramos, ainda, a relevância de dois grande artífices deste monumento, seguidores de mons. Ágio e seus prováveis sucessores: maestros Felipe e Nivaldo.

Foto do dia: Banca do Calçadão e Previsão do tempo!


O ÓBVIO QUE NINGUÉM VÊ !


Ensaio de crônica:


"O ÓBVIO QUE NINGUÉM VÊ"



Dihelson Mendonça


Muito se tem falado sobre a decadência cultural dos nossos dias, mas poucos tem observado que o seu reflexo na nossa sociedade está íntimamente relacionado a uma causa comum.

Afinal de contas, ao ouvinte mais desatento, o que pode haver em comum entre o outdoor da mocinha alegre, entornando uma garrafa de cachaça, o sexo desenfreado e banalizado pelos jovens nas grandes festas de curral, as letras quase pornográficas das bandas de forró, e os carros com som elevado que diariamente nos atormentam, quase a destruir nossostímpanos, sem qualquer respeito pela pessoa humana e em pleno dia de domingo ? Ao final desse texto, creio que o caro ouvinte terá pelo menos uma vaga idéia do que une tão fortemente coisas aparentemente desconexas.

Sabe-se desde o início da humanidade, que as coisas mais simples são mais digestíveis do que as complexas. Uma notícia dita de forma banal, uma música construída de forma simples, banal, ou uma pintura simples, atinge uma parcela maior de entendimento.

A cultura de um povo é estratificada. Na grande base, a maioria das pessoas, com pouco acesso ao conhecimento cultural, sem acesso a oportunidades, sem acesso a quase nada. Pessoas essas, que geralmente formam a grande massa de manobra dos políticos que os prefere mantê-los na ignorância, sem pensamento próprio, pois ao poder, não interessa pessoas muito conhecedoras. Há pouco investimento para que essa classe culturalmente baixa possa evoluir em qualquer sentido.

Mídia, por outro lado, é indústria!
Mídia é indústria que se mantém às custas da venda de idéias de fácil assimilação, que encontre grande empatia entre a população.

É notório que a massa não tem acesso às artes e à cultura. Desta forma, sem o exercício da criatividade, o povo tem preguiça mental para assimilar qualquer coisa mais elaborada. Aproveitando-se disto, grupos econômicos ligados à produção musical, de norte a sul deste país, tem assumido o papel de domesticador, tutor e se preferirem, EDUCADOR desse povo. Homens poderosos, alguns que conseguem miraculosamente manter até 50 estações de rádio em seu poder, além de canais de satélite, ditam através das suas ondas, os padrões de comportamento, gôsto musical e o próprio comportamento em sociedade. Esses coronéis, muitas vezes associados às bandas de forró, se perpetuam na obscuridade, à sombra do poder, aparentemente sem ser molestados pela classe política, que talvez os vejam como potenciais aliados, ou como testas-de-ferro.

Tem-se criado então, um círculo vicioso em razão do dinheiro, onde o nivelamento por baixo tem deixado a qualidade da nossa música e da cultura em geral, cada vez pior, a cada ano que passa.

Por isso que o caro ouvinte ouve estampados os sucessos, em letras banais como "na boquinha da garrafa", "amor de rapariga", "Eguinha pocotó", "Eu quero é beber e raparigar" e assim por diante...

Aonde foram parar as nossas autoridades?
Aonde foi parar o nosso senso de moral e de decência?
Aonde foi parar a nossa vergonha-na-cara ???
...
Até quando teremos que, calados, assistir à derrocada social ?

Esta coisa, - que não é mais música -, é o que este cronista costuma chamar de "CAFUÇU MUSIC", onde o pior do pior é valorizado, para atender aos gostos mais primitivos e rudes de um povo sem qualquer formação cultural. Afinal, quanto mais cultura e conhecimento se dá a um povo, mais este passa a ser conhecedor da sua história e do seu tempo; Passa a pensar, e a caminhar por meios próprios; Passa a começar a ter idéias mais evoluídas, usando o intelecto.

Infelizmente, essa indústria da mediocridade, explora essa grande falha educacional e cultural do país para ganhar dinheiro e se perpetuar. O "cartel" usa a mídia como instrumento de trabalho diário, e as casas de shows como sua base de sustentação, usando mão-de-obra ( músicos ) pobre, desqualificada, e mal paga. Quase escrava!

Se a coisa se mantivesse apenas num âmbito controlado, como antigamente, nos anos 70, com a música brega, onde ecoava num pequeno percentual da população, de cultura mediana, já não seria grande problema, pois havia ainda uma diversidade cultural, não existia um monopólio do controle ( cultural ) da mídia de forma tão ostensiva. Mas, com o passar dos anos, o cartel quer ganhar TODOS os espaços, abolindo a liberdade de escolhas, a diversidade, a pluralidade de estilos, e estabelecendo um monopólio próprio, praticamente ditando o que as pessoas devem considerar como "O sucesso", "O modelo", e principalmente, BLOQUEANDO qualquer espaço e tentativa de que outros estilos musicais possam ter acesso.

E assim, sem conhecer outros universos, igual ao homem de "O mito da caverna" de Platão, as novas gerações vão surgindo a cada ano, sem nunca conhecer o seu passado, a sua história. Sem conhecer os Ícones da música, como Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Noel Rosa, ou porque não mencionar, um Villa-Lobos, assimilando apenas o "Pão e Circo" que lhes é dado diariamente, e vão contribuindo para aumentar o efeito bola-de-neve. Geração desinformada gera geração mais desinformada. Geração movida à bobagem, só pede mais bobagem. E a causa se transforma em efeito e o efeito em causa.
É como um cachorro mordendo o próprio rabo.
E gradativamente, os ícones do passado estão sendo esquecidos, quem sabe, daqui a duas gerações, eles possam eventualmente desaparecer completamente.

Haverá UM ESTILO apenas, o estilo ditado pelo monopólio, como já se configura hoje em dia nas estações de rádio, em que muitas vezes, uma mesma música toca simultaneamente em 3 estações diferentes.

É uma verdadeira prostituição musical ou cultural, a que estamos submetidos, e é por isso que muitos estão a fazer campanha para denunciar esse abuso, para mostrar simplesmente o "ÓBVIO QUE NINGUÉM VÊ".

Se não tomarmos alguma providência no sentido de MOSTRAR que existem outros tipos de música e de arte à população, de dar a conhecer a diversidade, a nossa história e os trabalhos feitos com esmêro e qualidade, a cultura como a conhecemos, desaparecerá em uma década, e só vai existir apenas o monopólio frio de uma indústria perversa, calculada, que exalta a banalidade, reforça as piores qualidades humanas, que combatemos por milênios. Uma indústria vil, que prega a degradação do homem, incentiva o alcoolismo, sorri para a desagregação familiar, banaliza a mulher, enaltece a rebeldia, confunde-se com a ignorância e promove sobretudo, a mediocridade !!


Dihelson Mendonça

17 setembro 2007

DUELO AO PÔR DO SOL - mais uma aventura de João de Barros Parte 4

Resumo do último capítulo: forma-se o evento popular no leito seco do Rio Batateira. A platéia preenche o cenário, deixando livre a arena do famoso duelo. Chega ovacionado por sua torcida o Lanterninha do Cine Cassino ao som do Cisne Branco tocado pelos Irmãos Anicete. Enquanto isso, perigosamente, o público de João de Barros cala-se. O nosso herói havia sumido, ninguém o vira nos últimos dias. Poderia ter fugido para o Iguatu após a bravata no Alto do Seminário?


O sol começa a morrer por trás da chapada do Araripe.

Tomada 1

I
O Lanteninha seguido por uma corte, se dirigiu para a areia branca do leito do rio, que mais uma vez foi aplainada pelo ciscador.
Uma grande pedra foi colocada a sua disposição e lá ele apoiou a perna esquerda a espera que João aparecesse. Com o cotovelo na coxa e a mão apoiando o queixo, ele mantinha o chapéu cobrindo os olhos.



Vestia uma camisa vermelha, toda quadriculada, calças do tipo Far-West, botas de vaqueiro e na cintura, numa cartucheira improvisada, um revólver calibre 38.
III
Todo mundo ficou em silêncio, admirando-se da figura solitária no meio da areia branca.
O sol andou mais para o poente e nada de João de Barros aparecer.
IV
Do meio do silêncio começou um burburinho de vozes contidas, especulando sobre a fuga covarde de João. O povo da Batateira e redondezas, a torcida do nosso aventureiro, estava humilhada com aquele papel de seu herói. Já era para ter sido visto por alguém, alguma notícia teria que haver e ninguém sabia.
V
O Lanterninha se cansou e sentou-se na pedra.
Seus amigos davam risadas para todos ouvirem. Voltaram a cantar o insulto a João e ficavam cada vez mais desafiadores, já que os moradores da região emudeceram.

Tomada 2

I
Um gaiato leu um testamento do João Fujão. Um vereador do alto do Seminário fez um discurso para os partidários de João, tentando angariar alguns votos:
Povo da Batateira cu de Guariba. Nós tem o nosso heroi e o de vocês num pode ser este rato que rói a corda. Sujeito safado que ripa o pé na estrada pru modi num cumprir um desafio em nome dos seus conterrâneos. Aqui vocês tem munta gente de valor e num é porque um filho fraco foge feito faguia de fogo cum medo da água, que vão se humiá perante o mundo. Não, eu tô aqui pru modi proteger todo mundo e declarar que o povo da Batateira cu de Guariba e redondezas, é um povo que orguia os políticos.
II
Recebeu mais palmas da gente do Seminário do que da Batateira.
Estes de algum modo desconfiavam que por trás das palavras daquele vereador, havia uma compaixão que doía no orgulho de cada um.
O que interessava era João de Barros aparecer ali, enfrentar aquele homem que sozinho domava a todos. O sol ficava alaranjado e todos olhavam para as estradas e caminhos procurando a salvadora presença de João de Barros.
III
Do lado da casa grande ele não vinha, do Acampamento também não e nem do lado do Crato.
Por detrás da casa de Dona Leonarda e nem do lado do sítio de seu César, João de Barros aparecia. Uns foram correndo até a casa dele e logo voltaram com a notícia de não tê-lo encontrado. Do lado das mangueiras e nem de dentro do pomar, perto da bagaceira do engenho, o desafiante da Batateira se dignou aparecer. Era a humilhação final: A humilhação ao pôr do sol.

16 setembro 2007

Chico da Cascata, meio século de tradição


No sítio Rosto, no distrito do Lameiro, existe, há 50 anos, um espaço de lazer, dotado de uma das mais tradicionais cozinhas do Cariri: Restaurante e Balneário Chico da Cascata. Lá você pode saborear o melhor peixe frito da região, acompanhado de fruta-pão, cheiro-verde e um indefectível baião-de-dois. Mas, o cardápio é mais ainda diversificado: galinha à cabidela, cozido de carneiro, buchada, panelada, cabeça de bode e outras “iguarias” típicas da região. O fundador do espaço é seu Chico, também conhecido por Chico da Cascata, devido à existência, nas proximidades, de uma bela cascata que, na época de chuva, torna-se uma das maravilhas naturais do Crato. Seu Chico é uma pessoa atenciosa, boa de prosa e muito querida por todos os seus amigos. Há cerca de dez anos seu Chico aposentou-se da vida de restauranter, passando o bastão para o seu filho mais novo, Mazinho, que, não obstante, vem mantendo os bons serviços e a hospitalidade que sempre foram as marcas principais do estabelecimento. No entanto, seu Chico continua ativo, produzindo côco para abastecer bares e restaurantes da região. E continua, melhor ainda, sempre presente, visto que a sua casa é vizinha ao restaurante. Assim, além de saborear uma deliciosa comidinha caseira, você poderá também apreciar momentos agradavéis ao lado de seu Chico.
Texto e fotografia: Carlos Rafael

13 setembro 2007

II Workshop de Yoga do SESC.

Trevas e Luz



Há exatos dez anos, no dia 05 de Setembro de 1997, o mundo perdia uma das figuras mais antológicas da humanidade no Século XX: Agnes Gonxha Bojaxhiu . Ela nascera na Macedônia, 87 anos atrás, e só quando aos vinte e sete anos recebeu as ordens perpétuas de Irmã de Loreto, passou a ser conhecida pelo nome que a tornou uma das mais populares e carismáticas personalidades do planeta: Madre Tereza . Em 1946, num trem em viagem para a Calcutá que não demoraria a lhe servir de sobrenome, ela recebeu a inspiração, a “chamada das chamadas”, que a levou a fundar a família dos “Missionários da Caridade, Irmãs, Irmãos, Padres e Colaboradores” , cujo intuito era “Saciar a infinita sede de Jesus sobre a cruz de amor e pelas almas, trabalhando para a salvação e para a santificação dos mais pobres entre os pobres”. No dia 7 de outubro de 1950, a nova congregação das Missionárias da Caridade foi instituída oficialmente como instituto religioso pela Arquidiocese de Calcutá. A partir daí , vida da religiosa passou a ser inteiramente dedicada aos pobres, enfermos , miseráveis e desfavorecidos da terra.

Madre Tereza, num trabalho incansável, expandiu suas obras assistenciais por todos continentes e quando da sua morte existiam cerca de 4000 irmãs, presentes em 123 países do mundo em quase 600 fundações das Missionárias da Caridade. Tamanho empenho pelos excluídos fez com que seu nome , ainda em vida, recendesse aromas de santidade. Em 1979, como reconhecimento, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Em 2003 , por fim, Madre Tereza foi beatificada por João Paulo II que decidiu apressar seu processo de santificação.

Recentemente, o reverendo Brian Kolodiejchuk , um dos membros das Missionárias da Caridade de Madre Tereza e responsável pelo seu processo de canonização, mostrando-se assim uma fonte acima de qualquer suspeita, editou o livro "Come Be My Light" , ajuntando revelações que estarreceram o mundo. Madre Tereza , em quarenta cartas , que atravessaram um período de 66 anos, demonstrou não sentir a presença de Deus. Confissões como : "Na minha própria alma, sinto a terrível dor da sua perda. Sinto que Deus não me quer, que Deus não é Deus e que ele não existe realmente."; "Jesus sente um amor muito especial por ti", escreveu madre Teresa a um dos seus conselheiros espirituais, Michael Van Der Peet. "Quanto a mim, o silêncio e o vazio são tão grandes que olho e não vejo, escuto e não oiço" ; "Onde está minha fé, aqui no mais profundo não há nada, Meus Deus, que dolorosa é esta pena desconhecida. Não tenho fé"; "Se há um Deus, perdoa-me, por favor. Quando tento elevar minhas preces ao Céu, há um vazio tão condenador...". O mais incrível é que Madre Tereza, na juventude, informara que havia tido visões e que, em uma delas, falara com Jesus crucificado. Durante a mor parte da sua vida, no entanto, assim demonstra o livro, sua alma permaneceu na mais profunda escuridão de fé. O próprio confessor da madre lembra que nunca soube de um santo que permanecesse durante tanto tempo em tão profunda penumbra espiritual.

Madre Tereza, nas cartas, abre seu coração. Para ela a fé não pode ser uma atitude cega , fria, irracional. Ela coloca, claramente, em jogo, a sua percepção, a sua sensibilidade. E, por quase toda sua vida terrena, ao que parece ela foi perdendo a capacidade de sentir a presença de Deus. Talvez convivendo com tanta desgraça, tanta enfermidade, tanta desigualdade social por todo mundo, ela se tenha perguntado, continuamente, como uma força onipresente e onisciente seria capaz de permitir tanta miséria e iniqüidade entre aqueles que foram construídos à Sua imagem e semelhança. Mas o mais importante de tudo: Madre Tereza continuou seu trabalho com força redobrada, ajudando os humildes e infortunados, independente da aparente claudicação na sua fé. Mesmo sem esperar ser retribuída no céu, ser aquinhoada com um lugar melhor nos jardins do éden.

Por isto mesmo ela é hoje minha santa favorita, a padroeira universal de todos aqueles que aguardam, desesperadamente, um toque de divindade , uma anunciação, os sinais mínimos de um Maestro divino regendo a orquestra universal. Todos aqueles que pressentem que existindo uma força superior, a confissão de Tereza de que : "Se um dia eu for Santa, serei com certeza a santa da escuridão". Estarei continuamente ausente do Paraíso", é totalmente descabida no seu desespero. Tereza de Calcutá é a Santa da Luz, aquela que conseguiu iluminar todos os destinos do Século XX mesmo com a aparente escuridão de sua fé.


J. Flávio Vieira

Madre Feitosa, 86 anos de vida e de caridade

Hoje é um dia de júbilo para a cidade do Crato. Madre Feitosa completa 86 anos de vida, com a graça e as bênçãos de Deus. Pela sua extrema generosidade e vida dedicada ao serviço religioso e à caridade, Madre Feitosa é uma unanimidade. A simplicidade é a sua grande característica, o que lhe imprime, indubitavelmente, a marca maior do verdadeiro cristão.
O Blog do Crato não poderia deixar de prestar homenagem a esta mulher exemplar, e o faz numa forma de agradecimento pela contribuição diuturna que ela presta à nossa cidade e ao mundo. Parabéns Madre Feitosa.
Abaixo, sua biografia, escrita pelo jornalista J. Lindemberg de Aquino e publicada na revista especial do Rotary Club do Crato, editada por ocasião da entrega da Comenda do Mérito Rotário Jefferson de Albuquerque e Souza a Madre Feitosa, no último dia 22 de julho.

Maria Carmelina Feitosa nasceu em Tauá, em 13 de setembro de 1921, filha de Crispim Morais e Maria Josina Feitosa de Morais. Quando criança foi aluna da professora Maria Dólares Petrola de Melo Jorge, cuja lembrança a acompanha até os dias de hoje, num misto de exemplo indelével e grande admiração. Madre Feitosa costuma recordar que aquela professora lhe proporcionou tudo, incluindo uma excelente formação cristã.
Com este rico incentivo, Maria Carmelina Feitosa cursou o ensino secundário e o curso normal no Colégio Santa Teresa, ingressando depois na Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus. Ali, iniciou a prática do magistério, sempre voltada para os princípios cristãos, com destaque para a fé e a caridade.
Foi diretora do Colégio Santa Teresa de Jesus, secretária geral da Congregação, sendo eleita vice-supervisora geral em três mandatos consecutivos, num total de dezoito anos.
Em 1961, assumiu a direção da Casa de Caridade de Crato, Ginásio Madre Ana Couto e do Patronato Padre Ibiapina, pertencentes a Diocese de Crato.
Graduou-se em Pedagogia pela antiga Faculdade de Filosofia de Crato, tendo também lecionado nessa instituição de ensino superior. Em 1969, fundou o Colégio Pequeno Príncipe, que nasceu da sua vocação de educadora e que cresceu sob sua orientação. Hoje, o Colégio Pequeno Príncipe é intitulado o “Colégio do Cariri”, tanto pela excelência do seu ensino como pelo projeto pedagógico ali implantado.
Madre Feitosa ainda hoje mantém a Casa de Caridade de Crato, entidade concebida e criada, no terceiro quartel do século 19, pelo Padre Ibiapina, um homem e um religioso à frente do seu tempo.
Como este, Madre Feitosa também é uma mulher à frente do seu tempo. Tanto como educadora, administradora e religiosa, que enxerga no seu semelhante, principalmente, a dignidade humana; e a quem vem prestando – há longas décadas – um serviço generoso e gratuito, notadamente aos mais carentes e necessitados.