01 agosto 2007

Homenagem ao Maestro EDSON TÁVORA no DN !




Uma das perdas mais lastimáveis na história da música instrumental recente, foi o desaparecimento do incomparável acordeonista, compositor e arranjador Edson Távora. Recentemente, o jornal cearense Diário do Nordeste fez uma matéria sobre esse grande Cearense:

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=452157


Acordeonista e pianista falecido em 1999, Edison Távora participou do ´Pessoal do Ceará´, tocou em discos daquela turma e viveu a música nas noites de São Paulo e Fortaleza. Deixou registro de sua obra em um CD e muitas boas recordações aos amigos músicos, acostumados ao perfeccionismo harmônico dos arranjos do ´professor´

Músico extraordinário, figura de bastidores, arranjador perfeccionista, sempre disposto a compartilhar preciosas dicas com os colegas. É assim que alguns dos protagonistas da música cearense recordam Edison Távora, pianista e acordeonista que integrou a primeira geração do ´Pessoal do Ceará´, tocou nos álbuns ´Chão Sagrado´, de Téti e Rodger Rogério, e ´Berro´, de Ednardo. E construiu carreira, principalmente como instrumentista, na noite de São Paulo e Fortaleza. Um amante do cuidado com a harmonia e da descoberta de possibilidades sonoras para o acordeom, além dos gêneros típicos da música nordestina.

Nascido em Pacatuba, aos 20 dias de março de 1940, como o segundo filho do casal Agenor Silveira Távora e Alice Santos Távora, Raymundo Edison Santos Távora formou-se músico licenciado pela Universidade Estadual do Ceará, na década de 70, após ter passado pelo Conservatório Alberto Nepomuceno. Na Fortaleza de ´tempos idos´, referência a uma de suas composições, tocou em bandas de baile, como os grupos de Ivan e Ivanildo. Integrou, ainda nos anos 60, o grupo ´Os Bossa Norte´, criado pelo cantor Emanuel Barreto. A concepção harmônica diferenciada, com acordes dissonantes e frases melódicas jazzísticas sopradas pelos ventos da bossa nova, foram uma influência que mais tarde desembocaria no esmero que o pianista e acordeonista gostava de dedicar às harmonias.

Os Bossa Norte eram um conjunto maravilhoso, de bossa e jazz´, assinala a cantora Téti, então namorada do cantor e compositor Rodger Rogério, também integrante do grupo. ´A gente começou a tocar, ele tocando acordeom, eu no baixo acústico, o Dodô Vieira, que nunca vi guitarrista melhor. O cantor era o Barreto, crooner profissional, cantava muito. Esse tempo foi uma escola musical pra mim´, conta Rodger. ´Eu explorava muito o Edison. As outras pessoas, eu encontrava nos ensaios e na hora de tocar. Mas o Edison era quase todo dia, tocando, explorando ele´, acrescenta, ressaltando ter sido um grande incentivador para que o acordeonista Edison se iniciasse no piano. ´A gente tocava muito no Ideal Clube, fazia as tertúlias. Tinha um piano lá, de gabinete, e eu ficava dizendo pra ele: ´Pô, pega o piano na hora do samba-canção´. Ele ficava fazendo só a mão direita, e na mão esquerda só o baixo. Aí começava a se curvar no lado esquerdo, pra poder ficar o teclado do piano parecendo o acordeom´, recorda Rodger, entre risos.

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Mestre, descanse em paz!

Dihelson Mendonça

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