31 agosto 2007

Mateus !


Amigos,

O Mateus de 04 aninhos está precisando de um favorzinho. Ele precisa com urgência de um doador de medula. Ele é neto da D. Ana Amélia que prestou relevantes serviços à pediatria caririense e agora reside em Fortaleza. É ainda bisneto do Dr. Eldon Cariri um dos mais queridos e estimados médicos da nossa região. Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos, estando saudável, pode se tornar um doador e ajudar Mateus a voltar para seus brinquedos.


Coletas no Hemocentro/ Crato
Nos dias 1, 2 e 3 de Setembro ( Sábado, Domingo e Segunda próximos)

Contatos:

Davi -88024641
Haydyne - 88154939
Mônica - 88163073
Ravenna - 92061100

Nossa Senhora da Penha, Padroeira do Crato


Dia 1º de setembro é o dia de Nossa Senhora da Penha, padroeira da cidade do Crato. A devoção a santa, pelos cratenses, é bastante antiga, pois começou junto com a fundação da cidade.
Segundo o historiador Armando Rafael, em texto disponível no site da Prefeitura do Crato, “por volta de 1741, surgem os primeiros registros de um aldeamento dos índios Cariús, pertencentes ao grupo silvícola Cariri. Era a Missão do Miranda, fundada por Frei Carlos Maria de Ferrara, religioso franciscano, nascido na Itália. Este frade ergueu, no centro da Missão, uma humilde capelinha de taipa (paredes feitas de barro) coberta com folhas de palmeiras, árvores abundantes na região. O santuário foi dedicado, de maneira especial, a Nossa Senhora da Penha, a São Fidelis de Sigmaringa e à Santíssima Trindade. Em volta da capelinha, ficavam as palhoças dos índios. Estes, além de cuidarem das plantações rudimentares, recebiam os incipientes ensinamentos da fé católica, ministrados por Frei Carlos. Aos poucos, nas imediações da Missão, elementos brancos foram construindo suas casas”.
Existem, inclusive, varias lendas envolvendo Nossa Senhora da Penha e a história do Crato, a exemplo do mito da Penha na Pedra. Conta-se que a imagem da santa desaparecia da capela da Missão do Miranda e misteriosamente aparecia em uma pedra distante dali. Esta foi a motivação para que o núcleo do povoado se transferisse do brejo do Miranda para onde hoje estar erguida a Igreja da Sé.

NOVENA EM LOUVOR DE NOSSA SENHORA DA PENHA

Salve Senhora da Penha, Rainha dos céus e da terra! Mãe Imaculada do Redentor, fonte de misericórdia e refúgio dos pecadores, doçura e alívio de todos os nossos sofrimentos, que no monte sagrado da Penha vos dignastes revelar ao vosso servo Frei Pedro Palácios os prodígios de vosso coração de mãe, eis-me prostrado aos pés de vossa milagrosa imagem para expor-vos a minha aflição e reclamar o milagre da graça. A vós suspiro com fervoroso alento, gemendo e chorando a vossos pés e implorando a vossa compaixão. Enxugai benigna o pranto de quem vive desterrado neste vale de lágrimas. Sede minha advogada junto a vosso Filho Jesus e a Ele me levai, depois deste desterro da vida, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem da Penha, mãe, rainha e padroeira nossa. Amém.

Foto do dia: Panorâmica do Alto do Seminário e previsão do tempo!

Clique na foto para ampliar!



30 agosto 2007

Clube do Automóvel do Cariri


Fundado neste ano, em Crato, o Clube do Automóvel do Cariri já vem se destacando com suas mostras de carros antigos. A mais recente aconteceu no Cariri Shopping, merecendo a seguinte reportagem do Jornal do Cariri, edição do último dia 27 de agosto:
Carro antigo é uma verdadeira paixão para muita gente. Pensando nisso, os componentes do Clube do Automóvel do Cariri Siqueira Campos, que tem na presidência Diogenaldo Dourado, organizou uma mostra de veículos na Praça de Eventos do Cariri Shopping. Lá foram vistos de perto vários modelos que animaram no passado muitas tardes e noites de inúmeros casais de namorados e que hoje são verdadeiras relíquias de colecionadores.
Por ter sido o responsável pela vinda do primeiro carro para a cidade do Crato, em 1919, o nome de Siqueira Campos foi escolhido para identificar o clube.
Os veículos se encontram, em perfeito estado de conservação. Alguns sofreram restaurações, mas mantiveram suas características originais.
Os automóveis pertencem a membros do Clube do Automóvel do Cariri, que os disponibiliza para exposições.
O grupo surgiu em 2007, após vários encontros realizados por proprietários de carros com mais de 30 anos. Vinte e um veículos compõem atualmente o acervo do clube.
Na exposição foram mostrados vários veículos, entre eles: um Corcel 1972, um Jeep Willys 1951, uma Caravan 1976, um Opala, um Fusquinha, a famosa Rural Willys e outras marcas interessantes. Os colecionadores continuam realizando apresentações. No próximo dia 2 de setembro a mostra estará no Crato Tênis Club, de 12 as 18 horas.

A beleza da arquitetura rural do Crato

Este belo e imponente casarão fica na estrada que liga o bairro do Lameiro ao sítio Bebida Nova. É um registro da época do coronelismo, fenômeno sociológico bastante arraigado na região do Cariri cearense, de meados do século 19 a meados do século 20. Segundo o historiador caririense Joaryvar Macedo, no seu livro Império do Bacamarte, somente outras três regiões nordestinas tiveram destaque como locus profundo de coronéis, verdadeiros potentados políticos e econômicos: Vale da Gurguéia, no Piauí; Vale do Seridó, no Rio Grande do Norte e Vale do Pajeú, em Pernambuco.
Sobre o casarão da foto, parece-me que ele pertence hoje, por herança, ao artista plástico Sérvulo Esmeraldo. O jornalista Huberto Cabral, o "homem-memória" cratense, deve ter mais informações sobre ele. Mas, quem souber de algo, por favor poste-o neste blog.

Dica para o Sábado dia 08/09/2007

29 agosto 2007

Foto do dia: PMs garantem a segurança na festa da padroeira.


Uma justa homenagem do Blog do Crato a esses bravos e corajosos homens, que geralmente esquecidos pelas autoridades, cumprem com seu dever, garantindo a todo instante a nossa frágil segurança de cidadãos, numa cidade tão cheia de ocorrências e de loucos como o Crato.

Parabéns, nobres policiais!
Um grande abraço, Sgt. Alexandre...

28 agosto 2007

4 Dicas de filmes para o seu Fim-de-Semana !

Olá, pessoal,

Vou manter uma listagem de excelentes filmes de arte, clássicos, ou mesmo filmes que em qualquer gênero são filmes muito bons mesmo... :)

Shine - Brilhante

Um jovem talentoso na música precisa enfrentar o pai dominador e seus próprios problemas psicológicos em busca da perfeição. Dirigido por Scott Hicks (Neve sobre os cedros) e com Geoffrey Rush e Armin Mueller-Stahl no elenco. Vencedor do Oscar de Melhor Ator.








Gattaca - Experiência genética


O diretor Andrew Niccol leva às telas um mundo onde apenas os geneticamente perfeitos conseguem posições de destaque. Com Ethan Hawke, Uma Thurman e Jude Law. Recebeu uma indicação ao Oscar.









K-PAX - O Caminho da Luz

Após um homem misterioso, que diz ter vindo de outro planeta, ser internado em um hospício, um psiquiatra passa a examiná-lo disposto a provar que ele na verdade sofre de uma grave síndrome de personalidade. Com Kevin Spacey e Jeff Bridges.

A Lenda do Pianista do Mar

O diretor Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso) leva às telas a história de um jovem nascido em alto-mar que possui um grande talento ao tocar piano e uma fixação pelos sons do oceano. Com Tim Roth.

Fontes: website Adorocinema.

Potocas.com


Manual do Pau D´Água


1- Coisas que são DIFÍCEIS de dizer
quando você está bêbado:

- Indubitavelmente.
- Preliminarmente.
- Proliferação.
- Inconstitucional.

2- Coisas que são EXTREMAMENTE DIFÍCEIS
de dizer quando você esta bêbado:
-
Especificidade.
- Transubstanciado.
- Verossimilhança.
- Três tigres.

3- Coisas que são TOTALMENTE IMPOSSÍVEIS
de dizer quando você está bêbado:

- Puta merda que menina feia !!!
- Chega, já bebi demais.
- Sai fora, você não é o meu tipo...

4- Como agir em algumas situações :

4.1 -SINTOMA: Pés frios e úmidos.

CAUSA: Você está segurando o copo pelo lado errado.

SOLUÇÃO: Gire o copo até que a parte aberta esteja virada para cima.


4.2 -SINTOMA: Pés quentes e úmidos.

CAUSA: Você fez xixi.

SOLUÇÃO: Vá trocar a calça.


4.3 - SINTOMA: O chão está embaçado.

CAUSA: Você está olhando para o chão através do fundo do seu copo vazio.

SOLUÇÃO: Compre outra cerveja ou similar.


4.4 - SINTOMA: As pessoas falam e você ouve um misterioso eco.

CAUSA: Você está com o copo de cerveja na orelha.

SOLUÇÃO: Largue mão de ser palhaço.


4.5- SINTOMA: A parede a sua frente está cheia de luzes.

CAUSA: Você já caiu de costas no chão.

SOLUÇÃO: Posicione seu corpo a 90 graus do solo.


4.6 - SINTOMA: O chão começa a se mover.

CAUSA: Você está sendo carregado ou arrastado.

SOLUÇÃO: Pergunte se estão te levando para outro bar.


4.7 - SINTOMA: O local ficou completamente escuro.

CAUSA: O bar fechou.

SOLUÇÃO: Peça para o garçom te ensinar o caminho de casa.


4.8 -SINTOMA: A danceteria se move muito, muitas luzes piscam e a música é muito repetitiva.

CAUSA: Você está em uma ambulância.

SOLUÇÃO: Não tente dançar que é coma alcoólico


4.9 - SINTOMA: Seu quarto está rodando.

CAUSA: Isso prova que você já está em casa.

SOLUÇÃO: Espere sua cama passar, agarre-a, deite e vá durmir “Pau D’água”.

Amigos da Fundação Casa Grande de Nova Olinda,

"A TVE Brasil lançou no último domingo, dia 5 de agosto, às 19h30min, o programa Cultura Ponto a Ponto, uma série de 26 episódios que mostrará o universo dos Pontos de Cultura espalhados pelo Brasil. Uma parceria entre a emissora e a Secretaria de Programas e Projetos Culturais, do Ministério da Cultura, sobre o Programa Cultura Viva. A seleção dos Pontos de Cultura foi uma decisão da TVE Brasil, em função da logística e do orçamento. O trabalho de gravação já foi finalizado e, além do material da equipe, os programas contam com material audiovisual produzido pelos próprios Pontos de Cultura, como o Fábrica do Futuro, o Navegar Amazônia, o Memorial do Homem Kariri e o Vídeo nas Aldeias. Definido como uma coleção de documentários sobre os Pontos de Cultura, os 26 episódios serão exibidos aos domingos, às 19h30, na TVE Brasil - Canal 2, SKY 94, NET 18 e antenas parabólicas.

Sendo assim, os programas veiculados pela TVE Brasil terão lugar aos domingos, às 19h30min e pela TV Cultura, também aos domingos, às 21h30min.

No próximo dia 26 de agosto, portanto, num domingo, o MEMORIAL DO HOMEM KARIRI – FUNDAÇÃO CASA GRANDE, terá seu espaço garantido na TVE BRASIL, pela SKY, que tem programação igual para todo o Brasil, pelo canal 116, às dezenove horas e trinta minutos.
No dia 02 de setembro, para quem não conseguir assistir nesse domingo, o documentário será reapresentado, só que pela TV CULTURA, através da SKY, no canal 114, às vinte e uma horas.
Na NET do Rio de janeiro, a TVE está no canal 18 e a TV Cultura, no canal 17. Em Brasília, o programa está sendo veiculado pela Rádiobrás, aos domingos, às 19h30min.
Quem tem parabólica em casa, se mantém essa programação, é só não esquecer.

Tânia Peixoto

27 agosto 2007

A Cratense Alziane Diógenes - Bi-campeã de Ciclismo em Sta. Isabel, São Paulo!


A renomada ciclista cratense Alziane Diógenes ( filha do nosso emérito professor de Física, Cézar Bandeira de Melo ), venceu no último domingo, dia 26 de agosto, a disputadíssima prova 6 HORAS DE MOUNTAIN BIKE, no Município de Santa Isabel, há 50 Km da Capital Paulista.
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Com pista cheia de variações altimétricas, a prova provoca um grande desgaste físico nos competidores, que enfrentaram as rampas e as trilhas do Parque Adventure, das 9:00h as 15:00h.
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A largada aconteceu no estilo Lê Mans, onde todos os atletas correm a pé em busca das suas bicicletas.
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Mesmo com um pneu furado logo na primeira volta do Circuito Adventure Parque, em Santa Isabel-SP, há 50 km da Capital Paulista, a ciclista cratense Alziane Diógenes, se supera, confirma seu favoritismo e levanta poeira para cima das adversárias, pela segunda vez, além de levantar, novamente, a taça de campeã desta prova. Agora, nós somos BI-CAMPEÕES (2005 e 2007).

Alziane Diógenes venceu a prova, se tornando Bi-Campeã, e agora segue para seu maior desafio de 2007, que será a defesa do título do MTB 12 HORAS, em Ituverava, no final de novembro.


O 6 HORAS DE MOUNTAIN BIKE chega na sua terceira edição. Vale salientar que, na primeira edição desta competição, ocorrida em 2005, Alziane também venceu, com o título de Campeã.
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O evento é organizado pela SOCOBIKER'S - www.socbike.com.br

=> Parabéns, Alziane! - Nunca deixei de acreditar em você, minha amiga!

Edição: DemocratoBlog - George Macário - Re-edição: Dihelson Mendonça

Oficinas de teatro do SESC





Vicelmo - Jornal do Cariri - AO VIVO !


Nos horários ao Vivo ( 7:00 e 12:30 )
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Clique Aqui para escutar com o Winamp.

REPRISE do programa de hoje das 07:00
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E era só...

HOJE: Previsão do Tempo - Segunda, 27/08/2007


Previsão do tempo para hoje, Segunda-Feira, 27 de Agosto de 2007:
17 ºC 33 ºC
Prob. de Chuva: 00 %
Volume Estimado 00 mm



Fonte: Climatempo
Foto: Dihelson Mendonça
Para mais fotos da cidade, visite o Google Earth

26 agosto 2007

DUELO AO PÔR DO SOL - Mais uma aventura de João de Barros


Uma série em nove capítulos semanais. Duelo ao Pôr do Sol. Você já viu, vê e verá outros iguais. Não perca com início todo os domingos.

ARGUMENTO

PARTE 1

A Desfeita

Tomada 1

Kirk Douglas faz uma careta de dor.
Lento, caindo no chão poeirento.
Final da rua.
Currais.

No horizonte, também,
Vai se pondo
O sol.




Na tela a frase:

The End

Tomada 2

I

As luzes se acendem e a platéia começa a sair.
O lanterninha do Cine Cassino fecha a grade de saída logo após o último espectador e volta para apagar as luzes da sala de projeção.
II
Está lá.
Com o chapéu na cabeça, um cowboy fumando um cigarro.
III
O coração do lanterninha dispara com a visagem que saiu da tela para o mundo de fato.
De repente falta chão sob os pés da realidade do rapaz.
Volta correndo e se depara com a grade de saída que ele mesmo havia fechado. Se desespera de medo e não consegue reabrir o cadeado. Quase correndo retorna para a sala de projeção.
IV
Mais uma vez.
O cowboy.
Permanece sentado de costas, na anteprimeira fila do cinema, com a fumaça do cigarro subindo lentamente.
V
O lanterninha desesperado de medo.
Nunca imaginaria que a ficção poderia se meter na sua rotina de autoridade da sala de projeção.
Ele que tem o poder de expulsar o espectador bagunceiro, se treme de medo, contrastando com o sangue frio do cowboy.
Impassível, ao espaço e ao tempo, ocupa tranqüilamente a cena que deveria ser protagonizada pelo empregado do cinema.

Tomada 3

I
O rapaz sobe as escadas que dão acesso à sala de projeção em lances de dois e três degraus.
Entra de sopetão na cabine e esbarra em seu Antônio, o projetista. Agachado, de cabeça baixa, guarda os rolos de filme nas suas respectivas latas.
II
Seu Antônio dá um grito de susto com a entrada intempestiva do rapaz que invade a cabine com a sutileza de um furacão do Caribe.
- Qui é qui é isto rapaz? Tu endoidou?
- É o homi seu Ton-im!
III
Seu Antônio, já de pé, bate com o pé direito no chão e esmurrando o ar com os dois braços, grita:
- Qui homi macho?
- O homi da tela!
- Qui homi?
- O cóboi do filme.
- Qui homi? Qui históra é esta?
- O artista... O qui morreu no final do filme...
IV
Fazendo uma careta de dor das besteiras do Lanterninha, pergunta com ar de incompreensão:
- Quem?
- O homi seu Ton-im! Este do filme.
- Explica dereito esta históra, macho!
- O cóboi do filme tá aí...


V
O projetista dá um passo para trás, esbarra nas latas de filme com o cenho franzido e expressão de raiva, pergunta:
- O quê?
- O do filme! Tá sentado lá nas cadeiras...
- Onde?
- Nas cadeiras.. Venha vê!
VI
O lanterninha chama o projetista até o buraco da cabine e aponta para o salão.
Seu Antônio fica um minuto parado, olhando o cowboy solitário que continua de costas, virado para a tela de projeção, fumando um cigarro atrás do outro. O projetista coça a cabeça, pensa mais um pouco e resolve tomar uma iniciativa.
Afinal os dois tinham que fechar o cinema e irem para casa dormir. Aquela era a última sessão e já eram quase 23 horas.

Tomada 4

I
O especialista em fitas de cinema e máquinas de projetar ilusões, pega uma trave de madeira da porta real, chama o lanterninha e, ambos, se dirigem para a sala de projeção.
O condutor da excursão de reconhecimento vai avançando no terreno devagar. Passo pós passo, os dois escondendo o barulho, seu Antônio na frente e o lanterninha colado às suas costas, procurando ocultar-se do perigo à frente.
II
O cowboy parece ter um corpo forte, fuma lentamente, não se mexe ou faz qualquer barulho.
Seu Antônio aumenta os cuidados, os Cowboys têm olhos nas costas. Tem medo que de repente, ele se vire com a arma cuspindo chumbo grosso.
Os minutos parecem eternidade. De vez em quando, seu Antônio, dá uma cotovelada no lanterninha que nervosamente se coça de medo, fazendo barulho.
III
Já estão a cinco filas do cowboy.
Eles redobram o silêncio, procurando inventar um estado de coisas além da ausência total de sons. Mas é impossível, a respiração nervosa do lanterninha, lhe parece um fole de ferreiro. Mais uma cotovelada e mais dois passos a frente.
Agora na quarta fila.
Logo mais vão encarar o cowboy.
IV
Temem que surja, como num filme de terror, o rosto enganador da morte. Seus corações se agitam num mesmo ritmo e o sangue do rosto ferve de emoção. As pernas de seu Antônio tremem tanto, que chega a balançar o lanterninha, logo ali de junto dele. Dão mais um sofrido passo.
V
Foi o desastre.
O mundo explodiu.
Os dois caíram berrando, pedindo clemência, gritando, histericamente, por socorro. Se arrastam para trás das cadeiras, procurando se esconder da fúria assassina do pistoleiro. Seu Antônio, de quatro, tinha dificuldade de se locomover, o reumatismo havia lhe atacado. Não teve jeito, o lanterninha passou por cima dele, lhe dando chutes, lhe atropelando e saindo feito a besta fera na direção da porta do cinema.

Não perca. Domingo próximo. O que teria havido com os destemidos funcionários do cinema? Neste mesmo cinema à mesma hora.

25 agosto 2007

BOI ARUÁ

Eis aqui uma pequena (por conta de seu alcance; ainda muito restrito)obra de arte. Vale a conferida nas quatro partes disponíveis no youtube.

obs - vale dizer que num dos trechos tem o genial Elomar.

Só no Crato Mesmo !


A RÁDIA


Nossa cidade manteve-se adormecida , com seus momentos felizes e problemas mais domésticos até 1854. Naquele ano, João Brígido, o Gutemberg caririense, fundou “O Araripe” nosso primeiro jornal. Um hebdomadário que saiu regularmente até 1962. Depois dele, mais de cento e setenta periódicos sentaram praça aqui no Crato. Depois do nosso primeiro jornal, a cidade nunca mais foi a mesma , abriu-se para o mundo e as mentes e corações caririenses começaram a perceber que o universo ia bem além do seu pomar. O teatro por aqui floresceu no último quartel do século XIX e firmou-se de forma categórica a partir de 1902 com Soriano de Albuquerque. Junto com ele vieram histórias fantásticas advindas de outros países, trazendo consigo outras verdades, outros mistérios e outros costumes. A partir de 1911, a nossa cidade fervilhou com o encanto cinematográfico projetado na tela da nossa primeira casa de espetáculos : “O Cinema Paraíso”. A vida , então, começou a imitar a arte: os sentimentos e os arroubos passaram a ter características visivelmente cinematográficas. As madames vestiam-se como May West, os marmanjos imitavam os trejeitos de Rodolfo Valentino. As vidas , as ações e aspirações começaram a buscar roteiros mais bonitos e mais épicos. Os desejos , os sonhos já não cabiam nos simples scripts até então traçados na pacata Vila de Frei Carlos. A TV chegou avassaladora no final dos anos sessenta, montando um cinema em cada sala, e aí a nossa cidadezinha já pertencia ao mundo. As notícias locais passaram a perder seu impacto, as pessoas recolheram-se em seus lares e a queda de um avião na Bósnia passou a ser muito mais importante do que a morte do vizinho do lado. Hoje vivemos tempos de comunidade global , com a Internet, e todos os nossos sentimentos e relacionamentos passaram a ser também virtuais. Sobrevivemos todos num planeta chamado Solidão.com.
Precedeu a todas estas últimas hecatombes, a chegada do Rádio ainda nos anos cinqüenta. Ele se tornou o primeiro aparelhinho eletrodoméstico com capacidade de conectar as pequeninas e interioranas cidades ao mundo. O rádio foi o ovo da internet. Ele, no entanto, trouxe consigo a possibilidade de criar estações locais, veiculando e amplificando as notícias domésticas e criando, também, os nossos primeiros artistas de mídia. Muitos aqui ganharam espaço e visibilidade e terminaram por migrar para centros maiores : João Ramos, Edilmar Norões, Cândido Colares, Wilson Machado, Aderson Maia, Sampson de Melo e tantos outros. Em lá chegando criaram uma escola , deram um brilho enorme à radiofonia cearense, brilho que se estende até os dias atuais . O rádio fez-se tão popular que o matuto , para diferenciar melhor, mudou-lhe o gênero : “O rádio” para referir-se ao aparelho transmissor e “a rádia” quando se fala da estação transmissora. Dizem os mais versados no assunto que o caboclo entende das coisas : um bicho que fala tanto e sem parar só pode ser mesmo do sexo feminino !
O rádio criou uma linguagem própria, com bordões e frases típicas , num vai e vem contínuo com o público. Os locutores passaram a ser identificados pela voz característica , mas também pelo dialeto pessoal com que se dirigiam ao seu público. Em Crato, existe uma destas expressões que se perpetuam no tempo, advindas da doce hegemonia do rádio e que é motivo desta croniqueta de sábado. Quando se critica publicamente alguém por uma razão que aparentemente devia ficar em off , costuma-se citar uma expressão eminentemente cratense :
-- “Home, bote logo na rádia !”
O nascedouro dos ditos populares mostra-se sempre obscuro. Trabalho para os filólogos da língua e as versões muitas vezes se multiplicam obscurecendo a etiologia. Dias atrás, um amigo me pôs a par da origem deste dito tão nosso. A história parece verossímil, resolvi pôr no papel, para que o éter fugaz da oralidade não evapore junto com esta versão. Vendo-a pelo exato preço que a comprei. Aí vai!
No início dos anos sessenta, Irene, uma mocinha da Serra da Minguiriba , veio trabalhar ,como doméstica, em Crato. Acostumada à calmaria do mato, sua hiperatividade de adolescente logo a fez se enamorar da cidade grande. Festas, quermesses, sambas de pé-de-serra, banhos na cascata e a velha imbiriba começaram a preencher suas horas de folga. Embriagou-se das belezas do Crato e começou a trocar de namorado como quem troca de calcinha. A patroa começou a se preocupar com os caminhos traçados pela empregada . Temendo um bucho desavisado , antevendo uma futura estada no Gesso, resolveu avisar ao pai sobre a liberalidade da moça. Ao saber dos rumos tomados pela filha, o velho pai emburrou, disse que tinha cortado um dedo, mas mesmo assim mandou as duas filhas mais velhas virem conversar com a menina, trazendo uns conselhos. As irmãs , de posse da dura missão, desceram a serra e vieram bater no Crato, aproveitando a feira da segunda.
Chegaram na casa e entabularam conversa. Perceberam, no entanto, que a coisa não seria fácil. Irene estava cheia de si, não tinha mais nada a perder e engrossou o pescoço. Disse poucas e boas : trabalhava para seu sustento e não devia explicações a seu ninguém. As manas , por sua vez, começaram a aumentar o tom da voz e terminaram por sair rua abaixo na maior discussão, num arranca-rabo sem tamanho. Na altura da Siqueira Campos , juntou gente. Irene acabou com o papo, cruzou a praça e gritou já do outro lado da rua, para as irmãs, a toda altura :
--- Agora pronto ! Diga a pai que o priquito é meu e eu dou a quem quiser !
Nisso, um dos anônimos circunstantes, sentado num dos bancos, vendo o “particular” das irmãs da Minguiriba, cunhou a expressão para toda o posteridade:
--- Pois muié, bote logo na Rádia, bote !


J. Flávio Vieira

24 agosto 2007

Ouça VICELMO - Jornal do Cariri ao Vivo!

Olá, gente,

Uma pequena homenagem do Blog do crato a esse grande jornalista que já é patrimônio da cidade do Crato: Antonio Vicelmo.
Quem nunca ouviu a sua voz, e a sua famosa frase:



"A Notícia sem sofisma e sem fantasia. A informação como ela é, o retrato fiel da realidade. vai começar o show de notícias!"

Então, para todos aqueles que estão longe podem escutar o programa de Antonio Vicelmo ao vivo. E depois, a reprise:
Ouça-o clicando no link abaixo:

Clique no Player abaixo:






HOJE: Amanhecer visto da Vilalta e Previsão do Tempo!

Quase em tempo Real para o Blog do Crato:
-- Clique na foto para Ampliar !! -


Dia 23/08/2007
Amanhecer na Vilalta, visto da Rua paulo Elpídio, olhando para o norte.
Autor: Dihelson Mendonça

Previsão do tempo:



Fonte: Climatempo - www.climatempo.com.br

21 agosto 2007

Uma oração sumério-acadiana



Mesopotâmia é uma palavra grega que significa "localizada entre dois rios". Mas o seu verdadeiro significado é o geográfico. Uma grande planície que recebe diversos rios nascidos nos monte Zagros a nordeste e Pôntico a norte e nos planaltos da Anatólia e da Armênia. Lá nasceram civilizações tão remotas, verdadeiras incubadoras da própria noção de civilização. A mesopotâmia forma, junto com o vale do Nilo e o do Indo, as mais remotas civilizações que formaram impérios em bacias hidrográficas. A civilização chinesa um pouco depois, igualmente fundadora e antiga, entre os rios amarelo e azul.
Pronto, nestes vales se encontra a matriz de todo pensamento a Oriente e Ocidente que forma a base dos nossos modos atuais de entender e explicar o mundo. Apenas para exemplificar. Na Mesopotâmia existem os mais antigos sinais de fundação da agricultura, a sua geografia permitia duas experiências agrícolas extremas: ao norte, na região de montes e planícies, a agricultura era sazonal pelo regime das chuvas e na mesopotâmia do sul, de pântanos e planícies largas, lisas e estéries, a agricultura era de irrigação ao longo da calha dos rios. No período primitivo as vilas iam da Palestina até os Montes Zagros.
Algumas das contribuições da Mesopotâmia: a roda, vidro, o sal, cunhagem de moedas, matemática, o alfabeto, calendários, bronze, ferro, monoteísmo, poesia épica, cultivo e irrigação. Seus povos fundadores de cultura e civilizações: Sumerianos, Acadianos, Caldeus, os Hititas, Babilônios, Israelitas, Fenícios, Lídios, Hurritas, Mitani, Urartu, Assírios e os Persas.
Seus valores culturais: arte da Mesopotâmia é tão diversa quanto as civilizações que habitaram a área. A arte tornou-se decorativa, estilizada e convencional. Os deuses eram seres humanos combinados com os animais, criaturas fantásticas. A arte comemorou as realizações de grandes homens. Os grandes templos e os palácios imponentes pontilharam a paisagem. A edificação mais importante foram os Zigurates. O homem gravou suas histórias e a poesia pela primeira vez e ajustou-os à música. Liras, instrumentos de sopro, harpas e os cilindros de percussão acompanharam suas canções e danças.
No mundo politeísta, o esforço de tradução da escrita cuneiforme sumeriana descobriu tesouros da cultura mundial. Uma das orações mais fantásticas foi a desenvolvida para cada deus. É uma obra prima do abraço ao mundo. Quem a pratica espalha o tiro com milhares de chumbo. Quer resolver qualquer pecado, para qualquer deus ou deusa conhecidos e até os desconhecidos a quem tenha ofendido. Quer o perdão para todo e qualquer pecado que inclusive ele desconheça que pecado o seja. Quer que o deus e a deusa saibam das fraquezas humana e leve isso em consideração. Quer Afinal se despir de seus pecados como se despe de uma roupa.
É possível que nenhuma civilização lá no fundo dos tempos ou nos trás-os-montes do distante futuro, jamais venha a criar uma oração aos deuses e deusas tão perfeita para modernidade como fizeram os Sumérios. Vejam como é perfeita para o Governo Bush e o atoleiro em que submeteu Iraquianos e Americanos.

para cada deus

Que a fúria do coração do meu senhor aquiete-se para mim.

Que o deus desconhecido aquiete-se para mim;
Que a deusa desconhecida aquiete-se para mim.

Que o deus conhecido e o desconhecido aquiete-se para mim;
Que a deusa conhecida e a desconhecida aquiete-se para mim,
Que o coração de meu deus aquiete-se para mim;
Que o coração de minha deusa aquiete-se para mim.

Que meu deus e deusa aquietem-se para mim.

Que o deus que ficou zangado comigo aquiete-se para mim,
Que a deusa que ficou zangada comigo aquiete-se para mim.

Na minha ignorância, comi o que foi proibido pelo meu deus;
Na minha ignorância, pus os pés naquilo proibido por meu deus.

Ó senhor, minhas transgressões são muitas; grandes são meus pecados.

Ó meu deus, minhas transgressões são muitas; grandes são meus pecados.

Ó minha deusa, minhas transgressões são muitas; grandes são meus pecados.

Ó deus que eu conheço ou não conheço, minhas transgressões são muitas; grandes são meus pecados;
Ó deusa que eu conheço ou não conheço, minhas transgressões são muitas; grandes são meus pecados;
A transgressão que tenho cometido, de fato não sei;
O pecado que tenho realizado, de fato não sei.

A coisa proibida que eu tenha comido, de fato não sei;
O lugar proibido em que eu pus o pé, de fato não sei;
O senhor com cólera em seu coração, olhou-me;
O deus com fúria em seu coração confrontou-me;
Quando a deusa estava com raiva de mim, tornou-me doente.

O deus quem eu conheço ou não conheço, tem-me oprimido;
A deusas que eu conheço ou não conheço, colocou o sofrimento sobre mim.

Embora eu esteja constantemente procurando ajuda, não me pega a mão;
Quando eu choro eles não vêm ao meu lado.

Eu pronuncio lamentos, mas ninguém me ouve;
Eu tenho problemas; sou oprimido, eu não posso ver.

Ó meu deus, o misericordioso, eu dirijo-me ao ti ao orar, sempre se incline para mim;
Eu beijo os pés da minha deusa, rastejo ante ti.

Quanto tempo, ó minha deusa, que eu conheço ou não conheço, observo que teu coração hostil será aquietado?

O homem é idiota; ele não sabe nada;
Humanidade, tudo que existe porque ele conhece?
Se está cometendo pecando ou fazendo o bem, ele não sabe mesmo.

0 meu senhor, não lance teu empregado para baixo;
Ele afunda nas águas de um pântano, tire-o pela mão.

O pecado que pratiquei, gira em torno da deusa;
A transgressão que eu cometi, deixe o vento levar;
Minhas inúmeras más ações, dispo-as feito roupas.

Ó meu deus, minhas transgressões são sete vezes sete; remova minhas transgressões,
Ó minha deusa minhas transgressões são sete vezes sete; remova minhas transgressões;
Ó deus que eu conheço ou não conheço, minhas transgressões são sete vezes sete; remova-as;
Ó deusa que eu conheço ou não conheço, minhas transgressões são sete vezes sete; remova-as.

Remova minhas transgressões e eu cantarei em teu louvor.

Que teu coração, como o coração de uma mãe real, aquiete-se para mim;
Como uma mãe real e um pai real pode ele aquietar-se para mim.

Tradução por Ferris J. Stephens, nos textos orientais próximos antigos (Princeton, 1950), PP. 391-2; reimpresso em Isaac Mendelsohn (ed.), religiões do oriente próximo antigo , biblioteca da série do paperbook da religião (York novo, X 1955 PP. 175-,7).

Folclore, por Dênisson Padilha Filho


Falar de Folclore é sempre uma missão difícil.Por alguns instantes hesitei em não lavrar estas linhas, confesso, por achar que é um assunto que se adequa muito mais a ser tratado em texto corpulentos, resenhas, ensaios do que em simples matérias breves.

Ora, porque tanto mistério acerca de tão óbvio assunto? Folclore, diriam, nada mais é do que Saci, Mula-sem-cabeça, Caipora; não é isso? NÃO!! Não é isso. Aliás, que bom seria se só fosse isso.

Hoje, na verdade, enquanto todos os setores supostamente ligados a Cultura se ocupam tão somente de relembrar e legar às suas crianças e adolescentes as versões adulteradas ou capengas, repetindo lendas de forma superficial e, diga-se de passagem, em tom jocoso, esses nossos jovens seguem claudicando e com os olhos enevoados ante uma estrada que para eles é desconhecida e que para nossa maior aflição, nada mais é do que a nossa desconhecida identidade cultural nacional.

Costumo sempre falar, atentando, é claro, em fazê-lo, em foro apropriado, que o Dia do Folclore é um mal necessário. Sim, porque viver nossa identidade, nossa memória, nossa ancestralidade jamais pode ser um fato específico de um dia perdido no calendário. É de causar consternação, só pensar que os nossos saberes, falares e fazeres estão agrilhoados em apenas um dia do ano. Nossa identidade virou peça de museu em favor de uma cultura e um modus vivendi americanizado. Hiberna em berço esplêndido o orgulho nacional. Para o meu maior penar.

O que se propõe, entretanto, não é que se cultue a três por quatro os traços identitários nacionais através de se vivenciar nosso fabulário, nosso rosário de entes mitológicos;não, absolutamente não é isso. Até porque este que vos lavra é suficientemente iconoclasta para não pautar-se em discursos de adoração;mesmo porque não creio que seja esta uma condição sine qua non para a salvação.

O que talvez seja mais fácil dizer é que, se é risível se crer na existência desses entes de alma e cor nacional, não menos risível e ridículo é crer e considerar a importante coexistência conosco de fadas e duendes da Europa Nórdica, por exemplo.

A essência de toda essa prosa acerca de tão famigerada data - leia-se isso assim, como uma data/instituição criada há muito e engordada no seio dos Centros Cívicos; marca registrada dos anos cinzentos de ditadura militar - é que não aceitar tradições ou olhá-las de viés, em soslaio de menosprezo é típico de nações atrasadas. Nações de povos sem noção.

Darcy Ribeiro disse que o Brasil é uma pátria adolescente. E como todo adolescente, tem vergonha da avó que é índia e do pai que é preto. Nunca encontrei colocação boa à altura para definir esta primeira fase dessa pátria. Frouxidão moral, assistencialismo passivo e ativo, guerras fratricidas? Tanto quanto, típicos de nações atrasadas. E rir-se, gaitar feito Caipora, enxovalhar de sua ancestralidade? Típico de nações atrasadas. Nações que tem em sua memória mais recente tão somente rumores de uma sociedade pretérita que olhou pra essa terra somente como um lugar em que "em se plantando tudo dá". Não houve o exercício do amor pela terra naquelas quadras do tempo. Houve o exercício sim, da locupletação progressiva, acintosa e aviltante. Ficou nas plagas d'além mar a maior parte da honrosa Rude Cavalaria da D. Sebastião. Os poucos que aqui chegaram legaram aos seus herdeiros encourados uma condição mordaz, peculiar do heroísmo anônimo. E esses mais ainda se calaram, obstinados no seu exercício de furar caatingas.

Ainda espero, mesmo que seja na pele de minha vindoura descendência em 27º grau, ver brotar uma nação propriamente dita. E ali sim, naquele tempo, abstrair a desmemória na vida do brasileiro.

Tomaria fôlego pra mais 500 anos...

DÊNISSON PADILHA FILHO (1971) é escritor, poeta, contista e roteirista. Autor dos livros Gavihomem (Art Compet Editora, 1998), Aboios Celestes (Selo Bahia, Funceb, 1999) e Carmina e os Vaqueiros do Pequi (Santa Luzia Editora, 2002). Co-autor do roteiro do curta-metragem Na Terra do Sol (MINC, 2005), dirigido pelo cineasta Lula Oliveira. Também escreveu os ainda inéditos Epístolas ao Tempo (romance), Loquazes Gostamentos (poemas), Calumbi (curta-metragem/cinema) e O Jokerman sentado na pedra fria (curta-metragem/vídeo). Mais sobre o autor.

POTOCAS - Rolando Lero - Marechal RonRon... rs rs

Para relembrar esse quadro incrível da escolinha do Prof. Raimundo:
Vale a pena ver...

Foto-vídeo reportagem do 35o. Festival de Cinema de Gramado!


CLIQUE E VEJA!

20 agosto 2007

Aquele abraço ao Blog do Crato



Quando até a cultura se tornou mercadoria e os comerciantes ditaram sua estética de venda, um tributário do grande rio mercadológico se criou. A Internet aprontou uma malha capilar de possível expressão e por ela os artistas, os produtores e as pessoas que interagem com a obra de arte se religaram. Mas não foi a grande rede que inventou ou selecionou a arte e o artista, ou seja, ditou a nova cultura. Na verdade os seres humanos sempre viveram a liberdade de pensar o mundo, achar-lhe explicação e expressarem-na como força de conservação ou mudança da realidade. A cultura é muito isso tudo, não depende apenas dos seus meios de divulgação, pois até na cela de um monge e de uma prisão, desde que duas pessoas se encontrem, a expressão do mundo já acontece.
O Blog do Crato joga dialeticamente com a cultura. Com a cultura em que o universo caririense se insere no universal de toda a humanidade. Em que a cultura é a mistura do último minuto acontecendo com centenas de anos que formaram este verdadeiro baião de três continentes. A cultura que não é a estética dos limites continentais, mas o conteúdo contradito de três imensos acontecimentos da história da humanidade: Europa, África e América. Por isso é um minuto acontecendo nesta verdadeira antropofagia de Mr. Dihelson em torno da música erudita e do instrumental moderno com o arcaico repetido na periferia dos bumbas dos Irmãos Aniceto e das dançarinas do Coco da Batateira.
A cultura do povo atual do Cariri faz muito sentido quando vista em todas as classes, em todas as manifestações. Os escultores do Mestre Nosa, os artesãos das feiras, os cordéis puros da alma sofrida, os andarilhos das veredas, as cantorias de viola, a poesia dos bancos de escola e da casa de taipa, enfim a cultura deste encontro que é o desencontro da bacia sedimentar do Araripe. Bem no coração do semi-árido nordestino.
Espero que os editores do Blog tenham pernas, ouvidos e olhos para este universo sedimentar e que levanta poeira a todo o momento. Hoje mesmo, a 60 quilômetros do Vale dos Cariris, na vertente pernambucana da Chapada do Araripe, a rocha é desmontada e o gesso calcinado junto com enormes faixas de mata essencial ao equilíbrio florestal. É preciso juntar o universo com o universo, pois é isso que ocorre a cada segundo no oceano de alguns séculos de fusão.

Suco de macaúba

Em Crato, no Café Joaquim Patrício (Rua Bárbara de Alencar, 936, centro) você pode saborear um delicioso suco de macaúba ao leite, R$ 2,00 o copo. Dizem que o suco, além de afrodisíaco e energético, tem outras utilidades, como as de ser excelente para a calcificação e prevenir osteoporose. Independente disso tudo, o suco é bom pra caramba.
A propósito, na década de 70, a banda Papa Poluição, integrada pelos conterrâneos Tiago Araripe, Zé Luiz Penna e Xico Carlos, lançou um compacto com uma música que tinha um verso mais ou menos assim: "com a boca inchada de macaúba e uma vontade louca de não morrer sem ver Paris". Alguém lembra?

POESIA


O rio tem um romantismo que lhe é próprio,
E que o mar não, as montanhas não tem,
As pradarias não, o deserto não.

A estar no mar, estou a dizer,
As montanhas têm uma paz que lhe é própria,
E que o mar não tem, não têm as pradarias,
O deserto...

Nas pradarias estou a dizer,
As pradarias têm um quê que as montanhas não,
O mar e o deserto não têm.

A estar no deserto, falo de solidão.

A estar com Clarice,
Penso no que Alice não, Maria sim, Helena talvez...
Ana Bela de quando em vez...

Procuro em cada uma, um rio, um mar,
As montanhas, as pradarias e o deserto,
Que de certo cada um tem!

Pachelly Jamacaru

18 agosto 2007

Flagra! - Demutran estacionado em frente à placa de Proibido Estacionar!

Pô, Assim é demais!

O próprio Demutran do Crato, dá mau exemplo, olha aí...
Estacionado em local onde só é permitido TAXI:
( clique para ampliar )



O que é isso, abuso de autoridade ?
Então, as autoridades não precisam respeitar as leis ?
Era só o que faltava nessa confusão toda que paira sobre a cidade!


.

Saudades do que não (Con)Vivi


Mulher ao Espelho-Picasso


Algumas vezes sinto saudades do que não vivi. O relato de Luiz Carlos Salatiel sobre sua trajetória de vida artística me fez viajar como se estivesse assistindo a um filme. Muitas vezes queria ter vivido em outra geração e com certeza seria na que ele viveu. Não que eu seja tão mais nova, mas na década de 80, quando morava aí no Crato, eu estava entrando na adolescência. Em 88 eu tinha 14 anos. Para ser mais precisa, 15, completados em outubro. Nesse período eu já somava aos estudos um emprego de estagiária no Banco do Brasil e a minha relação com a arte era de quem apreciava uma boa MPB de Caetano Veloso e Djavan. Algo de evolução já se esboçava em mim. Afinal, pra quem aos 12 curtiu a febre dos Menudos, curtir Caetano e Djavan, no mínimo se configurava como um amadurecimento musical.Ainda quando criança fui aluna do Teatro Raquel de Queiroz, sem nunca ter conseguido estrear uma peça. Quando elenquei “A Bruxinha que era boa” tive que me ausentar para operar as
amídalas. Um pouco mais tarde, no 2º grau, fiz parte do Coral do Colégio Geo (Antigo Diocesano, que hoje voltou a ser, pelo que consta). Com a turma do coral, que era regido por Ricardo Correia, tive a oportunidade de ouvir e ecoar músicas de grandes compositores. Lembro bem de Ponteio de Edu Lobo. O arranjo era muito bonito. Ah! Na 4ª série, na Escolinha do Pequeno Príncipe, participei de um festival Bíblico e fiquei em primeiro lugar com uma paródia. Tratava-se da parábola Bíblica do Filho Pródigo e meu texto foi escrito sobre a música Roque Santeiro de Sá e Guarabira.São pontuais as lembranças de minhas experiências artísticas vividas no Crato.Lembro de eventos que ficaram marcados em mim como apreciadora da arte. Elencando alguns deles posso falar de um Festival de Música que assisti na Quadra Bicentenário. Lembro bem de alguém, acho que uma voz feminina, cantando a música Kukukaia. Hoje sei que Xangai é o autor de tal música, mas naquele tempo nem fazia idéia de quem era Xangai e nunca tinha ouvido aquela canção, que me marcou tanto aqu
ele dia.Lembro de um outro Fetival de Música acontecido lá em cima da serra. Era o CHAMA. Eu já estudava em Fortaleza, (na verdade já fazia faculdade) quando assisti a um desses festivais, que teve como grande finalista, arrebatando o 1º lugar, Ângela Linhares. Tive oportunidade de conhecê-la na volta para Fortaleza. Viajamos no mesmo ônibus e trocamos algumas idéias sobre pesquisa científica. Eu estava escrevendo um projeto de pesquisa para tentar uma bolsa do CNPQ e ela como professora da UFC me deu algumas orientações. Em outra edição do CHAMA lembro de ter assistido a um show de Chico Science na companhia de minha irmã. Esse foi memorável.Infelizmente não cheguei a conhecer pessoalmente ( e se conheci foi algo muito de passagem) grandes artistas de minha terra, como os que contribuem nesse espaço. Luís Carlos Salatiel e Abdoral Jamacaru conhecia de ouvir falar. Este último eu sabia que era tio de um garoto, que salvo engano, chama-se Roberto e estudou no Pequeno Príncipe na época em que estudei lá também. Sobre Luís Carlos Salatiel, lembro de uma áura de excentricidade, alguém a frente de seu tempo. Um vanguardista.Tive oportunidade de me aproximar de alguns deles recentemente, graças a revolução tecnológica, que felizmente ainda alcançou as nossas gerações. Tenho me comunicado com José Flávio, que me convidou para contribuir com o Blog do Crato e de quem ganhei um livro, que ainda estou esperando ansiosa pra ler, já que encarei a Pedra do Reino de Suassuna, que é quase uma Bíblia e ainda não consegui dar vencimento ao mesmo. Fui convidada por Luíz Carlos Salatiel para colaborar com o Blob CaririCult , no qual inauguro com esse texto minha participação. E lembro também de ter conhecido o Dielson em uma viagem de ônibus para o Crato, saindo aqui de Fortaleza a tarde. Faz tempo!Bom! Mesmo que virtualmente, hoje me sinto mais perto de minha terra através do contato com aqueles que lhe dão significado e beleza.Por aqui, já depois dos 25, descobri a música como matéria a ser trabalhada, construída, moldada. Passei de somente apreciadora à também cantora e compositora e tenho experimentado a tensão e o êxtase do palco. Em 2005 participei da Mostra Cariri das Artes, o que me proporcionou um belíssimo reencontro com minha terra e minha gente. Aguardo notícias sobre a Mostra desse ano. Espero sinceramente poder voltar a bárbara terra de Bárbara de Alencar e cantar com emoção “Passeio Público” de Ednardo”, uma das canções do repertório de Canto Siar@, show recentemente montado por meu grupo, ARACÊ.Este espaço me faz sentir o cheiro e o calor de minha terra. Conviver virtualmente com vocês me faz matar um pouco as saudades daquilo que não vivi.



17 agosto 2007

BLOW UP


Moto & Terremoto






Sei que o sábado é dia de potoca e de miolo de pote mas, meus amigos, permitam-me comentar um pouco a grande polêmica na cidade nos últimos dias.A questão local mais palpitante, que tomou de assalto as ondas do Rádio, foi justamente a exigência do nosso DEMUTRAN pelo uso do capacete nos garupeiros de motos em nosso município. Os noticiários ficaram cheios de protestos que nasceram dos mototaxistas e chegaram até os usuários do cavalo de aço. Para todos a cobrança pareceu absurda e de difícil execução. Como imagino que em ano pré-eleitoral a sensibilidade fica à flor da pele, resolvi falar deste assunto antes que o caso seja resolvido política e não legal ou tecnicamente.
Vamos por partes, comendo pelas beiradas como quem degusta prato de papa. O mototaxismo surgiu na nossa região por volta de 1994. Todos admitiam que a moto não parece se adequar ao transporte coletivo. Indiscutível a sensação de liberdade que o motociclismo proporciona. Ótimo para a atividade esportiva, para o rápido transporte de documentos, até então não se tinha pensado em utilizá-lo, em larga escala, como táxi. A nova profissão ganhou muitos adeptos. Numa região com profundo índice de desemprego, a nova atividade surgiu como uma saída rápida para as classes mais desfavorecidas que compraram veículos baratos, com pagamento a longo prazo e com baixo custo de manutenção. Por outro lado, o povo passou a ter grande acessibilidade a esta nova e barata forma de transporte coletivo. Houve dificuldades iniciais com a regulamentação da atividade, aparentemente e salvo melhor juízo, sem amparo legal. A pressão política da sociedade, na nossa região, terminou por vencer os obstáculos e o poder público , a contragosto, resolveu fechar os olhos para o mototaxismo , abrindo-os para a possibilidade de votos futuros. Hoje, na cidade, devemos ter mais de três mil profissionais, regulamentados ou não, transportando pessoas e exercendo também as funções de moto-boy : considerável fatia de quase de 3% da nossa população. Há de se considerar, pois, que ,desde o princípio, o mototaxismo nasceu à fórceps e banhado numa certa mácula de contravenção.
Em 1997 surgiu o nosso Código Nacional de Trânsito, através da Lei Federal No. 9503. No seu Art. 244, ele reza que o não uso do capacete pelo condutor da moto ou pelo garupeiro ou o transporte de crianças com menos de 7 anos em moto perfaz falta gravíssima punida com multa, suspensão do direito de dirigir e apreensão da carteira de habilitação. Do ponto de vista legal, pois, não há o que se discutir, lei é para ser cumprida e , por tratar-se de lei federal, qualquer modificação possível tem que necessariamente ser realizada naquela esfera de governo. O Ministério Público, pois, tem amplo e indiscutível direito de fazer cumprir a lei. De nada adiantam passeatas, protestos em rádio e pressões em cima do DEMUTRAN , da Câmara ou do Executivo Municipal. Pedir que a lei não seja cumprida , na verdade, torna-se a exigência descabida igual a solicitar que as entidades reguladoras solicitar cometam um crime.
Fujamos um pouco do terreno legal, até porque, definitivamente, esta não é nossa área. A violência no trânsito na nossa cidade já é um problema de Saúde Pública. Em Fortaleza , ano passado, foram mais de 4000 acidentes de moto, com mais de 35 mortes. No Crato, após a introdução do mototaxismo houve um acentuado acréscimo no número de acidentes e as mortes são muito freqüentes. O Hospital São Vicente de Barbalha em 2005 atendeu mais de 350 casos de traumas neurológicos e, destes, mais de 70% ocorreram em condutores de moto. O mais preocupante é que as vítimas : mortos, amputados, sequelados neurologicamente, são sempre jovens em plena fase produtiva de suas vidas. O uso do capacete, no condutor da moto e no passageiro, é, assim, uma obrigatoriedade não só legal, mas médica. Trafegar sem o capacete corresponde a saltar do trapézio sem rede embaixo.
Na minha visão, de pobre e vesgo cronista semanal, a questão está fechada. O uso do capacete é obrigatório, o transporte de crianças pequenas proibitivo. A regulamentação da atividade de mototaxista surgiu de um clamor da população e hoje é uma realidade inequívoca e irreversível. Dá sustento a muitas e muitas famílias e trouxe grande fluidez ao transporte da população no Crato. Junto vieram problemas esperáveis como uma importante sobrecarga nas seguradoras quanto ao uso do DEPVAT ; um acréscimo considerável dos gastos com a saúde; o uso do transporte por pessoas inabilitadas, bandidos e pistoleiros e uma importante elevação no número de acidentes e mortes no trânsito. Coloquemos tudo isto na balança. O que se precisa para encontrar um caminho que atenda a todos ? Sabemos que o grande empecilho ao uso do capacete pelo garupeiro diz respeito a questões higiênicas. Entendo, perfeitamente, que ele é uma utensílio absolutamente pessoal, assim como uma roupa íntima. Mas porque , ao invés de lutar pelo inevitável, não se busca soluções juntos ? O matotaxismo seguro é do interesse de toda população.
Difícil que cada passageiro possa adquirir e portar o seu próprio capacete. Estudemos, então, soluções paralelas. Pode-se buscar uma maneira de proceder à higienização dos capacetes diariamente. Quem melhor os higienizar auferirá maior número de clientes. Além disso, existe a possibilidade de ser fornecido ao passageiro uma touca plástica , descartável, destas que se usa em Centro Cirúrgico e que pode ser atada ao pescoço e cobrir toda cabeça antes da aposição do capacete. A touca poderia ser , inclusive, fornecida pela Secretaria de Saúde que mais que ninguém tem interesse no uso continuado deste instrumento de segurança com fins de diminuir seus custos com Hospitais e UTI´s . Como sempre o impacto da nova medida é apenas inicial, com o passar do tempo passará a ser mais uma rotina. Lembram da grita com a fiscalização eletrônica entre Crato e Juazeiro ?
Na pior das hipóteses é muito mais fácil tratar piolhos e caspas do que traumas neurológicos e ortopédicos graves e a segurança será sempre o item mais importante quando se pensa em subir no avião ou montar numa moto. Quem teve a criatividade de criar um transporte alternativo, barato e acessível como o moto-táxi certamente saberá encontrar soluções inteligentes para o uso contínuo e higiênico do capacete.

J. Flávio Vieira

Para um Presidente

Tudo o que estás fazendo e dizendo para a América são miragens oscilantes
Não aprendeste da Natureza - das políticas da Natureza não aprendeste a grande amplitude, retidão, imparcialidade,
Não viste que apenas elas podem servir a estes Estados,
E que o que é menos do que elas cedo ou tarde terá de deixá-los.

Walt Whitman
Folhas de Relva

P.S. O velho Whitman nos legou este belo poema parece que profetizando os dias atuais da América de Fidel, Evo Morales, Rafael Rodrigues e Chavez.

16 agosto 2007

Só no Crato mesmo! -- Vão demolir a Cinelândia e o Cine Cassino !!



Olá, minha gente!

Como se não bastasse já haverem demolido os outros prédios históricos do Crato, ouvi ontem na reunião, por pessoas até bem informadas que irão demolir mesmo o prédio aonde funciona a lanchonete Cinelândia no centro da cidade. O motivo é que o edifício está condenado e representa perigo de desabamento, mas onde há força de vontade, isso não deveria existir, porque todos os esforços seriam feitos no sentido de restaurar sem precisar demolir.

Ao que parece, no local, será construído um edifício de muitos andares.

O Cine cassino também está ameaçado. Parece que o prédio foi posto à venda e ninguem se interessou. A Prefeitura que deveria ser a mais interessada em comprar para preservar o patrimônio histórico não comprou, e agora parece que alguém comprou a fim de construir algo no local...

Só no Crato mesmo!!!

Acima: Foto da esquina da lanchonete cinelãndia - Crato-CE.
Autor: Dihelson Mendonça

RUMOS DA FOTOGRAFIA NO CARIRI!


Ontem dia 15, aconteceu a primeira reunião com um distinto grupo de Fotógrafo e Articuladores culturais, com o propósito de discutir sobre os rumos da fotografia no Cariri. Assuntos diversos foram abordados com o objetivo de criar um calendário de eventos, instituir uma associação e revitalizar de uma forma em geral, tudo que seja correlacionado com o universo da fotografia no Cariri. Para a próxima reunião que será dia 22 quarta-feira, em local ainda a definir, queremos contar a presença de todos, extensivo às cidades do Cariri! Levem sugestões, tópicos a serem abordados, etc.
Participantes: da esquerda para a direita: Oryval Baptista, Adelmar, Nívea Uchoa, Pachelly J., Bernardo e Dihelson Mendonça.

15 agosto 2007

Feira de Música em Fortaleza


Caros Amigos,
vcs sabem de algum artista caririense que tenha sido convidado para a Feira de Música deste ano ? Na programação vi gente do Pará, de Sergipe, de Pernambuco e parece que o Cariri, mais uma vez foi esquecido. Enviei um protesto
no site:
http://feiramusica.com.br/oktiva.net/1358

Acho que seria interessante todos os eternamente esquecidos fazerem o mesmo!

Prefeito Samuel visita obras em Andamento...


Prefeito visita obras em andamento

Olá, pessoal,
Como o Blog do Crato trata mais das notícias da cidade e seu "CAOS" ( ehehehehe ), vou ficar trazendo periodicamente as notícias sobre a administração. É prático fazer isso, porque a prefeitura mantem um site muito atualizado. Se outras organizações nos fornecessem notícias, teríamos o prazer em divulgá-las também...
Quem quiser divulgar algum evento e não pertença ao quadro de membros do Blog, é só enviar a mensagem diretamente para um dos membros, ou para mim. meu e-mail: dihelson@yahoo.com

Aí está a última do Prefeito:

13/08/2007

O prefeito do Crato Samuel Araripe esteve hoje pela manhã visitando as obras que estão em andamento na cidade. Logo cedo esteve na avenida Perimetral Dom Francisco onde estão sendo construídos os canteiros que irão abrigar os postes de iluminação que fazem parte do novo projeto de melhoria da nova iluminação pública do município. Após da avenida Perimetral a nova iluminação será feita na avenida Duque de Caxias.

O projeto de “Eficiência Energética”do Crato está sendo realizado com recursos próprios da Prefeitura Municipal, orçado em 1 milhão de reais. Em seguida o prefeito esteve no Conjunto Nossa Senhora da Penha onde a prefeitura realiza obras de melhoria do calçamento desta comunidade.

Fonte: website da Prefeitura Municial do Crato...

Dicas para um bom paladar

Foi recentemente aberto um novo restô no Crato. Trata-se do Sabor da Terra, em frente ao cruzeiro que fica no alto da Ladeira da Integração, aquela que começa no Pimenta, depois da ponte da Igreja de Nossa Senhora de Fátima. A comida é boa, o cadárpio é diversificado e a cerveja é estupidamente gelada. Pertence a Antonio e Cida, que por muitos anos foram atenciosos garçons do restaurante do Crato Tênis Club.
Outro espaço para se fazer uma boa refeição é o bucólico Recanto da Serra, no Sítio Preguiça, com acesso pela estrada que passa por trás do balneário da Nascente. Antes de ir, você pode ligar para o número 9965.8794 e informar-se do prato do dia. Comidas caseiras, vista paradisíaca e bom atendimento.
Vale a pena conferir.

14 agosto 2007

Alô, quem estava com dificuldade de comentar, tente agora...

Minha gente,

Fiz umas alterações aqui, e pode ser que aquele problema ao postar as mensagens tenha sido resolvido. Verifiquem aí...
Teve gente dizendo que não estava conseguindo fazer comentários...
Estranho...

Bem, espero que agora tenha se normalizado!

Abraços,


Dihelson Mendonça

POTOCAS. COM



No Cinema nordestino Para ter mais bilheteria, alguns cinemas do
> interior do Nordeste mudaram os títulos de alguns filmes de sucesso.
>
>
>NO CINEMA NORDESTINO
>
>
>Uma Linda Mulher - A Cabrita Aprumada
>
>O Poderoso Chefão - O Coroné Arretado
>
>O Exorcista - Arreda do Capeta!
>
>Os Sete Samurais - Os Jagunço di Zóio Rasgado
>
>Godzila - O Calangão
>
>Os Brutos Também Amam - Os Vaquero Baitola
>
>Sansão e Dalila - O Cabiludo e a Quenga
>
>Perfume de Mulher - Cherim di Cabocla
>
>Tora, Tora, Tora! - Oxente, Oxente, Oxente!
>
> Mamãe Faz Cem Anos - Mainha Num Morre Mais!
>
>Guerra nas Estrelas - Arranca-rabo nu Céu
>
>Um Peixe Chamado Wanda - O Lambarí Cum Nomi di Muié
>
>Noviça Rebelde - Beata Increnquera
>
>O Corcunda de Notre Dame - O Monstrim da Igreja Grandi
>
>O Fim dos Dias - Nóis Tamo é Lascado!
>
>Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita - Um Cabra Pai D' égua di Quem
> ninguém discunfia
>
>Os Filhos do Silêncio - Os Minino du Mudim
>
> A Pantera Cor-de-rosa - A Onça Baitola
>

Encontro com Jazz no MariaCafé


Memória para que te quero!




(... e por falar em Avallon, Abidoral Jamacaru, Geraldo Urano, Festival Regional da Canção do Cariri, etc. e tal)



Eu não duvido que muitas canções de ninar foram entoadas pela minha mãe, minhas irmãs e minha babá Adalva para me acalentar na hora de dormir. Mas sempre acordava com a voz de tenor dramático do meu pai abrindo, ainda de madrugada, as enormes portas e janelas do nosso casarão do Araripe. Meu pai cantava e encantava quem o ouvia. A cidade, ainda hoje, fala das suas serenatas e daquela sua interpretação de “sertaneja” ou “patativa” a la Vicente Celestino. Assim, o meu gosto pelo canto e a dramaticidade na voz tomei-os emprestados dele e hoje se revelam mais claramente quando interpreto músicas da Violeta Parra, Pablo Milanes, Atahualpa Yupanqui, Vitor Jara e outros compositores do cancioneiro latino-americano.

Ainda criança, já em Juazeiro do Norte/CE, com mais três garotos formamos uma pequena banda (dois violões, uma bateria feita de caixas de chapéus e eu era o crooner) que tinha no repertório apenas duas músicas: “Day Tripper” dos Beatles e “Satisfation” dos Rollings Stones. Nós éramos verdadeiramente aqueles garotos que amavam os Beatles e os Rollings Stones! A estréia da banda foi numa festa de aniversário na casa da Dona Maria Amélia Bezerra, mãe doo governador do Ceará, na época. O sucesso foi imediato e alimentou a nossa disposição para “futuros trabalhos”! Fomos convidados para muitos outros aniversários. A cada apresentação iam para o espaço três caixas de chapéus e dois textos de panela. -Menino, cadê o texto dessa panela que estava aqui? – era a reclamação habitual de cada uma de nossas mães. A fama e a banda duraram até esgotarmos todas as caixas de chapéus do comércio da cidade e sermos proibidos de entrar em qualquer cozinha!
Adolescente, com os meus amigos e o patrocínio dos pais de um deles, Dona Neuza e Seu Expedito, montamos uma banda de verdade: guitarras e contra-baixo Giannini, Bateria Saema, amplificadores “tremendões” e microfones “dinamic”. Chegamos ao ápice! Agora éramos os The Hunters (Os Caçadores)! Animamos muitas tertúlias pelo Cariri afora e disputamos espaço e garotas com a outra banda da cidade, “Os barulhentos”, cuja cronner – Diana- arrasava os corações de todos nós, inclusive o meu. Quando ela cantava Dio come ti amo era mais expressiva que a Gigliola Sinquetti! Que tempos aqueles... tempo de caçar, procurar, descobrir. Aí... parei de cantar na banda! Entrei naquela fase engraçada de falar fino e grosso ao mesmo tempo e, como vaticinou Dr.Nei, pediatra famoso no Juazeiro: “ou esse menino para de cantar temporariamente ou fará estragos irreversíveis nas suas cordas vocais! Desisti da banda. Depois, retomei minha carreira de cantante no Grupo Desafio – um grupo de jovens em torno de uma professora de português “comunista” – a inesquecível Maria dos Remédios - que nos ensinou a protestar e a lutar armados da música, da poesia e do teatro contra o regime ditatorial vigente no país. Foi aí que descobri a música de Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edu Lobo, Sérgio Ricardo, recitei Thiago de Mello, Ferreira Gullar e montei peças de Martins Penna, Bertold Brecht, Millor Fernandes, dentre outros.. O Grupo Desafio marcou positiva e definitivamente a minha vida de adolescente e adulto. Quando se desfez, diante da perseguição ferrenha à nossa regente - chegou ao absurdo de ser “convidada” a sair da cidade -, ficamos perdidos com a ausência de tão forte e sábia liderança! Resistimos ainda por algum tempo até... o fim!

Quando a minha família passou a residir em Crato/CE, começou outra história, a dos Festivais. O ano era 1971. Cheguei ao Crato um tanto abestalhado, tendo que enfrentar o bairrismo gerado pela rivalidade entre Crato (dos pequizeiros) e Juazeiro (dos romeiros). Foi ai que meu irmão (padre Salatiel) que era vigário de Ponta da Serra me sugeriu participar das reuniões do Movimento de Juventude ligado a Igreja Católica. Passei a freqüentar o grupo aos domingos, às três da tarde, no Palácio Episcopal. Os encontros eram muito chatos, comparados a minha experiência anterior de Grupo Desafio. Discussões intermináveis giravam em torno de trechos da Bíblia! Foi aí que começou uma estória boa. Neste ambiente encontrei Geraldo Palitó (depois Ghandi, Efe, Batista, Urano...) que já ensaiava ser poeta. Unimos nossas inquietações e provocamos diferentes mudanças no Movimento de Juventude, abrindo um leque de novas ações dentro e fora do grupo. Criamos um grupo que cantava música popular durante as missas na Sé Catedral. Ah! Foi aí que apareceu outra figurinha carimbada: o Abidoral Jamacaru que nos acompanhava com o seu violão, incentivado pelo irmão Roberto. Após inúmeros encontros e ensaios um quarteto se constituiu: Eu, Geraldo Urano, Abidoral e Hobert (apresentado pelo Abidoral). Montamos um pequeno repertório e escrevemos esquetes que passamos a apresentar em creches e festas paroquiais.
Em plena efervescência de idéias novas a de maior impacto foi conceber a realização do Festival Regional da Canção - o momento seminal da musicalidade contemporânea caririense.. Nestes festivais, realizados anualmente, o nosso quarteto, agora denominado O Cacto, virou sexteto agora com Chico Carlos, na bateria e Louro –outro irmão de Abidoral - no violão solo. Arrebatamos muitos prêmios nesses festivais. Pela minha experiência de palco me tornei o crooner oficial do Cacto e minhas interpretações, enriquecidas por elementos do teatro foram antológicas. Pasmem: criaram um júri externo que ouvia as músicas pelas transmissões radiofônicas evitando que o júri do festival sofresse a influência de minha performance no palco! De nada adiantou. Quando cantei num desses festivais a canção É preciso cantar e toda a platéia aplaudiu de pé, entendi o que Andy Wharol queria dizer sobre “os quinze minutos de fama” que temos direito na vida. Os festivais da canção do Cariri deixaram muitas saudades. Até hoje o seu retorno é cobrado por músicos, intérpretes e pelo grande público que enxergava nele uma espécie de vitrine autêntica da nossa potencialidade artística. Mas a roda vida nos levou para outros movimentos.

Nas minhas mudanças e andanças em busca não apenas de uma profissão, mas inclusive de um sentido maior para a minha vida de uma forma holística, saí do Crato para São Paulo, depois para Recife, quando musiquei Canção de Fogo, de Bráulio Tavares. Em Fortaleza, onde me dediquei mais ao teatro e montei com Javan Franco Dois Homens na Mina, de Henrique Buenaventura e participei do movimento literário Nação Cariri e, também com Rosemberg Cariry, fiz o primeiro registro cinematográfico (ainda em super 8) sobre a vida do grande poeta Patativa do Assaré. No Rio de Janeiro estudei canto e participei de oficinas de teatro Circo Voador.

No final dos anos 80, de volta ao Crato, retomei os meus processos artísticos a partir do envolvimento com o jornal literário Folha de Pequi, dirigido pelo Carlos Rafael Dias. Com Rafael fundei a OCA - Officinas de Cultura e Artes & produtos derivados, com a missão de promover oficinas de teatro, coral (Boca de Sapo), produzir shows, exposições de artes plásticas (Salão de Outubro, Viva Setembro), incentivar a anarquia das bandas de rock (Pombos Urbanos) e até, como se fosse possível, organizar os movimentos culturais do sul cearense (Movimento Cultural Confederação dos Cariris: que belo cartaz do Normando!). Dessa época temos a produção do primeiro registro fonográfico de peso da nossa geração: o impagável Avallon, de Abidoral Jamacaru. O meu papel de artista sofria as limitações impostas por 8 horas de trabalho diário no Banco do Brasil S.A., levando-me a equacionar os meus interesses financeiros e pessoais com a opção forçada pela concentração de minhas forças como produtor e articulador cultural. Mesmo assim, passei seis meses licenciado do banco para produzir em São Paulo (garimpar músicos, definir repertório, contratar estúdio, acompanhar gravação, masterização, contratar prensagem, etc. e tal). Tudo vale a pena quando não se tem a alma pequena!
Fiquei muito tempo fora dos palcos e isso passou a inquietar-me. Foi então que concebi o espetáculo Soy Loco por Ti América Latina que marcou definitivamente minha volta aos palcos como intérprete ! Já estávamos nos anos 90. Com cheiro de anos 80 fiz o CD- Contemporâneo (2004)- meu primeiro disco solo e show - que representam o meu vívido percurso e plasmam de forma contundente todos os elementos que alimentaram as forças que movimentaram esta deslumbrante e musical roda da minha vida.

Luiz Carlos Salatiel
Rio, agosto 2007




ilustração da postagem: Luiz Carlos Salatiel em foto de Iracema Salatiel

13 agosto 2007

Abidoral , Dihelson e os poderes da mídia


Bastou o Dihelson fazer o trabalhado Triller sobre o Abidoral e o DN publica hoje extensa matéria no Caderno 3 , sobre o Video e sobre o grande compositor cearense.
vejam a Reportagem e depois a entrevista:


Universo Abidoral
O pianista Dihelson Mendonça, diretor do documentário sobre Abidoral: contexto de um trabalho de divulgação da música, da arte e da história do Cariri (Foto: Divulgação)


13/08/07
Abordar a trajetória de um dos grandes músicos do Cariri e contextualizar a história recente da música popular na região. Essa é a proposta de um documentário que vem sendo rodado sobre o cantor e compositor Abidoral Jamacaru

Violão em punho, caminhando pelas ruas do Crato, cruzando esquinas, encontrando amigos, tirando alguns acordes, desferindo impressões, fiando juízos, contando histórias, a começar da sua própria. Assim Abidoral Jamacaru, cantor, compositor e um dos mais reconhecidos representantes da música popular produzida na região do Cariri, se mostra ao público em uma prévia do que deverá vir a ser um documentário sobre sua trajetória e o contexto musical da região Sul do Ceará nas últimas décadas.

Uma amostra do futuro documentário, somando perto de nove minutos, já está disponível no site de vídeos You Tube e traz o título de ´Abidoral Jamacaru - O Homem e o Tempo´. A iniciativa do registro é do pianista, compositor, webmaster de sites como o Portal do Jazz e, agora, recém-descoberto cineasta Dihelson Mendonça, que chama de ´trailler´ o vídeo postado com o resultado das primeiras tomadas em digital com Abidoral, realizadas há cerca de um mês.

´Geralmente, é difícil conseguir extrair muita coisa dele, fazer com que ele se sinta à vontade pra falar. Mas, pra esse filme, ele está bastante empolgado, tem cooperado, muito´, relata Dihelson, contando que a idéia de registrar em filme o pensamento, a música e as freqüentes ´tiradas filosóficas´ de Abidoral veio no contexto de um trabalho de divulgação da música, da arte e da história do Cariri através de diversos sites e blogs, como o Cariri Cult, o Zoom Cariri e o Blog do Crato. ´São instrumentos que procuram divulgar os eventos culturais e as notícias da região. Há muitos anos envolvido nesse intuito de preservar a cultura, a música de qualidade, seja o jazz, o erudito ou a música do Cariri, tivemos essa idéia de começar esse ano um trabalho diferente, procurando registrar a música dessa geração que me precedeu´, relaciona, citando como possíveis protagonistas de uma série de futuros documentários nomes como Pachelly Jamacaru, irmão de Abidoral, João do Crato e Luís Carlos Salatiel, um dos grande agitadores culturais do Cariri, hoje residindo no Rio de Janeiro, mas mantendo vínculo com a região através do site Cariri Cult. ´Se a gente não tiver cuidado, essa geração vai passar despercebida às gerações futuras. O objetivo maior é preservar a memória desses trabalhos´, afirma o músico.

Segundo Dihelson, a idéia é abordar o contexto cultural de manifestações musicais do Cariri, a partir da década de 70, através do olhar de alguns dos seus principais protagonistas. ´Nos anos 70 e 80 aconteceram diversos grandes festivais da canção e o Salão de Outubro, que chegou a ter cerca de 20 edições do Salão de Outubro, reunindo música, artes plásticas, literatura... Nesses eventos surgiram os grandes nomes da música do Cariri, pessoas fazendo trabalhos de vanguarda, influenciadas pela Bossa Nova, pela Tropicália e também pela atmosfera política e artística do tempo da ditadura´, aponta o produtor, ressaltando a necessidade de um contraponto à atual realidade da música popular. ´Hoje em dia, aquilo que se chama de forró, que era a música autêntica, representante da cultura do povo nordestino, está sendo massacrado, desvirtuado, pela indústria do forró. Salvo exceções pontuais, aqui no Interior não temos mais opção: você liga o rádio e às vezes tem o desprazer de escutar a mesma música em duas ou três estações ao mesmo tempo. É nesse contexto que o filme se encaixa, mostrando um outro lado´, relaciona.

Sem grandes pretensões

O filme sobre Abidoral Jamacaru será, de acordo com o direitor, centrado no objetivo de mostrar um pouco da vida e da obra do cantor e compositor, privilegiando o conteúdo à forma. ´O filme em si não tem grandes pretensões cinematográficas. Pode até vir a ter, dependendo de possíveis apoios, patrocínios que vamos tentar e parcerias com grupos de cinema. Hoje temos um grupo muito bom de jovens cineastas, fazendo um trabalho belíssimo no Cariri, com quem deveremos trabalhar pra dar um toque mais artístico ao filme´, adianta Dihelson. ´Por enquanto, vem como um documentário pra mostrar a obra de Abidoral e também a questão humana: como vive o músico, como se dá a sua criação, como é o seu dia-a-dia, qual a sua opinião sobre questões como a vida, Deus, a morte...´, diz, abrindo o leque das ´provocações´ com as quais tem instado Abidoral a falar diante da câmera.

´É a vida do Abidoral, o enigma que ele é, a pessoa exótica, muito introvertida, que tem uma vida interna muito forte, um processo de criação como os grandes artistas do passado tinham. Abidoral é uma pessoa muito mística, filosófica. Faz caminhadas pelas trilhas da Chapada do Araripe, onde se inspira pra compor. Fala muita coisa que a gente leva e fica tentando digerir depois´, ressalta o produtor, citando quatro horas de depoimentos em áudio já colhidos para o filme. ´Ele fala da música como ele conheceu, antes até do Luiz Gonzaga, do baião, do xote, do folclore, que ele acompanhou, viu isso acontecer, o reisado, a cultura popular mesmo, sem aquela visão acadêmica. Foi nesse clima que ele buscou elementos pra fazer a música que faz, sendo reconhecido hoje em dia por grandes nomes da música brasileira, como Nelson Motta, Zeca Baleiro... Queremos mostrar o papel dele nesses movimentos culturais do Cariri e o legado que ele deixa e, por outro lado, a obra que continua. O filme procura retratar esses diversos lados do artista´.

Citando tarefas como a gravação de externas e de depoimentos com contemporâneos de Abidoral, Dihelson, que em cinema guarda a experiência de ter composto a trilha sonora para o documentário ´A Padaria Espiritual´, de Felipe Barroso, estima para o primeiro semestre de 2008 a finalização do filme sobre Abidoral Jamacaru, que pretende disponibilizar em DVD.

Mais informações: Confira trechos da história de Abidoral Jamacaru, contada por ele mesmo, na prévia do documentário sobre o cantor e compositor, já disponível em www.youtube.com.

Retrato do artista por si mesmo

Abidoral Jamacaru é engraçado, porque envolve vários aspectos, aspecto histórico, aspecto antropológico, sociológico, filosófico, religioso... Eu acho que eu sou uma soma, como todo mundo, não sou especial não, um somatório de todas essas coisas. Mas uma pessoa que nasceu numa cidade do interior do Nordeste e a princípio pensava que o Crato era uma grande cidade, porque a nível de Ceará ela se destaca. Mas que é uma cidade pequena, relativamente pequena, e teve a felicidade de despertar em algumas pessoas um senso artístico, do qual eu me beneficiei.

Me envolvi na música, não sei nem dizer, foi circunstancial, fui me envolvendo, quando percebi já tava lá dentro. Sou uma pessoa que tem uma pendência para a questão mística também, não gosto muito de falar disso, mas já que se trata de um documento que tô considerando importante, vou colocar esse dado. Muitas vezes as pessoas não compreendem isso, até zombam de certo modo, mas eu tenho muito esse lado de atentar pro lado místico das coisas.

Sou muito voltado, apreciador da arte em todos os sentidos. Filosoficamente, parto do princípio de que o melhor lugar do mundo é aqui e agora. Você tem que fazer a vida a partir do instante que você está vivendo.

Claro que a vida depende do que passou, você realizar no presente uma coisa que vá vingar no futuro. Essa relação do tempo acaba existindo. Você não pode desprezar o passado nem o futuro. Mas é importante você viver com todas essas letras o presente, sem se apegar ao passado e ao futuro. Abidoral é uma pessoa meio fora do tempo e, ao mesmo tempo, dentro do tempo, em outro sentido. É meio complicado´.

DALWTON MOURA
Repórter




Memórias de um Cariri musical

(13/8/2007) - Universo Abidoral


Em entrevista ao Caderno 3, Abidoral Rodrigues Jamacaru Filho, 58 anos, fala sobre a novidade de se ver como objeto de um filme e sobre a experiência das primeiras gravações do documentário, já disponíveis ao público via internet. Atualmente preparando seu terceiro disco de inéditas, depois de ´Avallon´ (de 1986, disco que trouxe a primeira gravação da hoje clássica ´Flor do mamulengo´, de Luís Fidélis) e ´O Peixe´ (de 1998, que traz parceria com Patativa do Assaré na faixa-título, canções como ´Incomensurável´, também gravada por Aparecida Silvino, e participação de Eugênio Leandro, que gravou ´A cor mais bonita´, de Abidoral e Chico Chaves). Das andanças pelo Brasil ao porto seguro no Crato, das memórias de Luiz Gonzaga entre os clientes de seu pai no armarinho, dos folguedos da infância aos festivais de música, do tempo atualmente dividido entre dar aulas de violão e fazer shows eventuais, Abidoral adianta, em saboroso sotaque caririense, um pouco do que o documentário deve levar às telas

Como é que você recebeu essa idéia de um filme sobre você?

Rapaz, o Dihelson apareceu aqui, explicou o que queria e começou a fazer. De primeiro disse que ia botar uma coisa no jornalzinho dele na Internet, depois começou uma coisa mais séria, e tá em fase de continuação ainda. Falou dessa idéia de fazer um filme, um longa. Me pegou de surpresa, tudo o que eu falo ali foi de improviso, num clima bem legal. Vamos ver no que vai dar isso aí. Já faz muito tempo que a gente se conhece e, na verdade, ele era muito mais ligado a meu irmão, Pachelly, fez os arranjos de dois discos dele e está fazendo o terceiro disco agora. Pra mim, tudo é uma surpresa. Eu fiquei surpreso, não imaginava nada disso. A gente acha bom, que é um registro do que você pensa, você fala. Só não sei no que vai dar, até porque foi tudo muito de improviso. Mas acho bom. Eu estou com 59 anos, já tô na contagem regressiva (risos)... E tô muito ligado ao registro das músicas. Se você não registrar, você perde. Como a gente faz uma produção independente, esse registro sempre fica uma coisa bem devagar. Estou fazendo um disco agora, e o filme pode ajudar nisso também.

O vídeo que mostra uma prévia do filme traz você andando pelas ruas do Crato, encontrando gente, contando histórias. Como é a sua relação com a cidade?
O Crato ainda é uma paz, uma tranqüilidade. Essa é a razão de eu estar aqui. Eu rodei o Brasil quase todo, e terminei voltando para o Crato. Não consigo mais sair daqui. Só dificulta pra você divulgar o trabalho. A cidade é pequena, a região é pequena ainda, e tá muito preocupada com a música mais massificada, quando a gente tá mais preocupado com uma música de mais qualidade. Mas a cidade ideal pra mim ainda é o Crato. Eu nasci aqui, mei é de Jamacaru, distrito de Missão Velha, minha mãe é de Santana do Cariri. Veio de Santana pra cá num caçuá de um burro, a mãe dela fugindo de uma invasão de cangaceiros lá em Santana. Ela era pequenininha, veio no outro caçuá, pra dar o peso igual. E meu pai era comerciante, lá em Missão Velha, e vinha se abastecer no Crato, que era o centro de tudo. E terminei nascendo aqui, eu e meus irmãos, são sete ao todo. Aí tem toda essa razão de você gostar da coisa.

Essa é uma das coisas que você comenta no vídeo: que achava que o Crato era o mundo, era uma cidade muito grande, e depois descobriu que havia mais...É, porque eu não tinha saído ainda do Crato. Tinha idéia que era uma cidade média, tinha referência de Fortaleza e Recife, as duas que eu conhecia. Mas tem muita cidade média por aí que é quase do tamanho de Fortaleza. Eu adolescente é que fui sair do Crato pra conhecer o mundo.

E como foi que você descobriu a música?
Eu fiz só até a sexta série. Parei, e minha mãe ficou preocupada o que eu faria, com todos os irmãos estudando e eu não. Tentou me notar no comércio, com meu pai, não deu certo. Não me adaptava de jeito nenhum. Ela deu uma bodega pra mim mesmo, mas eu fechava pra ir jogar bola, tocar violão, tomar banho no açude. Terminou a bodega falindo, né? Aí não teve outra. Coisa que eu me empreguei mais foi mesmo a música. Comecei a tocar como hobby, coisa de adolescente. À medida que fui tocando, fui conhecendo outras coisas, me aproximando dessas pessoas que pensavam mais adiante, e nessa troca de informações fui me entrosando em um ambiente bem mais além do que eu costumava freqüentar, de artistas, de intelectuais, desse movimento. Aqui tinha criado um movimento que envolvia todas as artes, o Salão de Outubro, com teatro, música... Daí a razão de eu dizer que gosto de todo tipo de arte, porque convivi com todos esses tipos, e me envolvi mais com a música. Comecei a tocar violão ainda na adolescência, com as músicas da Jovem Guarda, de descontração mesmo, essas coisas de adolescente mesmo. Depois é que percebi que tinha outros tipos de música. Pra ter acesso, tinha que dar uma estudadazinha no violão. Veio a Bossa Nova, depois as músicas de protesto, Vandré, Chico Buarque, o Tropicalismo... Antes disso tudo, na infância, eu já ouvia os folguedos aqui do Crato, o maneiro-pau, e muito Luiz Gonzaga, porque Exu, a cidade de Luiz Gonzaga, é fronteira com o Crato. Luiz Gonzaga freqüentava muito o comércio do Crato. Era cliente do meu pai, que tinha um armarinho e vendia instrumento usado. As pessoas não tinham como comprar instrumento de primeira mão, meu pai comprava de quem tava aperreado ou não tinha conseguido tocar. Meu pai era seresteiro, então acho que não tinha como eu não desenvolver algum gosto pra música. Naquele tempo não existia TV, o rádio era muito mais musical, eu ouvia de tudo. Por isso, nos meus CDs, as músicas são tudo diferente uma da outra. Isso não é de propósito, sai naturalmente. A minha música é a mistura da tradição regional, junto com a música urbana. Porque eu ouvi de tudo, no rádio, aquela misturada toda, rock, bolero, samba, a musicalidade de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, e que não são muito faladas, mas são muito importantes na música nordestina, o Gordurinha, a Marines... É essa mistura de influências.

Como eram os festivais de música no Crato?
Teve uns oito ou nove festivais, que revelaram muita gente aqui. Tinha a influência dos festivais que havia no Rio e em São Paulo, de Woodstock, nos Estados Unidos, que tinha pouco tempo, e acabou essa influência chegando até o Crato, com os festivais, que muita gente apareceu. Aí eu comecei a aparecer. Mas não tinha ainda encarado a coisa profissionalmente. Foi quando o (cineasta e produtor cultural) Francis Vale resolveu produzir um show pra mim, que eu não sabia nem o que era um show ainda. Foi naquele teatro da Emcetur, em 75, 76, por ali. A partir daí comecei, foram aparecendo outros shows aqui e acolá. Quando me vi, tava envolvido. No primeiro festival aqui no Crato, acho que por volta de 71, meu irmão Pachelly botou uma música e ganhou esse festival. No outro ano Salatiel botou e ganhou. Lá para o terceiro ou quarto, eu ganhei um também, e voltei a ganhar em 75. Aí, lá quase pro encerramento desses festivais, Pachelly ganhou outro. Era assim, porque a gente vivenciava música o dia inteiro. E as pessoas só inventavam de fazer música quando sabiam da premiação. O único evento que havia na cidade era esse. Quem fazia música entrava. Além da gente, havia outros bons compositores.

E como foi a descoberta do compositor? De querer pegar o violão e criar dali uma música nova, sua?
Foi nessa onda de ver os festivais que aconteciam no Rio e São Paulo, vendo muitos trabalhos inéditos. A gente começou um grupo, eu, o Salatiel, o Obert Mesquita, Geraldo Urano e mais dois irmãos meus, José Hildeberto e Francisco Alberto, o Louro. Tivemos a idéia de tentar compor. Fazia uma músicas assim mais simples, mas era o começo, né? E aí partimos pra essa. Eu não dominava o violão ainda com firmeza, depois é que ia melhorando. Só vim a acreditar mesmo naquilo quando eu gravei o ´Avallon´, que vi o resultado ali. Até então não acreditava muito no meu trabalho não, achava que as pessoas eram benevolentes comigo, que eram meus amigos e falavam que gostavam das músicas. Ali é que fui acreditar mesmo. E, depois que você começa a fazer, não pára mais não. Quando as coisas tão mais difíceis, você faz plano de deixar, mas depois volta. As dificuldades são grandes! Gravei meu primeiro CD com 12 anos que tava na atividade. O segundo foi mais 12. E pra gravar o terceiro, que tô fazendo agora, já vão quase 10. Em quase 40 anos de carreira. Tudo isso porque eu não caí nas graças da imprensa.

Que avaliação você faz hoje da sua temporada fora do Crato, tentando viver de música?
Foi terrível! Em 79 resolvi ir pro Sudeste, morei três anos no Rio, e foi terrível. Saí daqui por conta de coisas que não tavam dando certo comigo, fui na marra, sem dinheiro, sem nada, pegando carona. Cheguei lá, passei mil dificuldades. Foi duro, sofro um bocado. Depois resolvi não sofrer mais: ´Vou é voltar pra minha cidade´. E outra coisa, eu era muito tímido, não lutava pelo espaço, aquela coisa, fazia era recuar. Não tinha como lutar por espaço. Lá ou tem alguém que tem que chegar junto com você, ou você tem que chegar e furar. Por ser mais tímido, eu era mais recolhido. E não adiantava eu estar lá sofrendo. Tanto que só fui gravar um disco depois que cheguei aqui mesmo. ´Avallon´ foi gravado em São Paulo, porque só tinha estúdio lá, hoje se você brincar só no Crato tem 10 estúdios. Mas foi na volta pra cá que consegui fazer. Foi uma luta pra fazer lá, independente, foi porque o Salatiel tinha recebido uma bonificação do banco e quis ir, foi muito ousado, senão jamais teria feito. Já o segundo disco, o Eugênio Leandro foi muito importante, mandou projeto pra Secult, Lei Jereissati, aquela coisa todinha.

E como é que está este terceiro disco, que você está fazendo agora?

Já tá todo gravado, falta só colocar vozes e mixar. Aí deu uma paradazinha, por falta de grana,a gente tá fazendo devagarinho. O pessoal da URCA (Universidade Regional do Cariri) ficou de patrocinar. Nessa época de gravação de CD tenho mil idéias, termino fazendo música nova, mexo no repertório, mudando. Uma inquietação danada. E estou gravando ´Ela me disse´, do Eugênio Leandro. Geralmente boto boa parte de músicas minhas, mas sempre abro espaço pra outros compositores.

Enquanto conversamos, recebi aqui o CD do Zabumbeiros Cariris, chegando daí. Você costuma acompanhar essas novas bandas daí da região, que vão beber na fonte do regional pra colocar outras influências, unir com o rock, os ritmos urbanos?Acompanho sim. Inclusive três deles, dos Zabumbeiros, participaram dessas gravações pro meu terceiro disco. Tem um bocado de gente nova aí, os Zabumbeiros, o Dr. Raiz, o Na Cacunda, o Elvis Hermano, compositor, e muitos outros... Muitos trabalham em uma coisa mais urbanizada, com influência do rural, mas mais urbanizado, tem bandas com linha de rock, reggae... É interessante que haja sempre gente nova, aparecendo.

DALWTON MOURA
Repórter



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