29 julho 2007

A dificil arte de se reconhecer eterno

Raízes não dizem muita coisa


No que creio? Na eternidade das coisas; quando a arte (sem essa daquela coisinha boçal que tanto desprezo) fala mais alto, se sobressai, pula e grita de forma inequívoca, pouco importa em que lugar você está. China, Palestina, África. Sinceramente: foda-se.
A geografia nada é quando se tem uma voz dissonante e bela querendo tomar forma; ser algo além de uma voz tímida e débil.
Portanto, quando a gente fala em Crato, Cariri, Salvador ou Cabula - prefiro também incluir meu bairro; minha delirante trincheira -, de primeira pode até pintar um insuspeito sentimento de inferioridade. Uma bobeira escrota, provável herança de nossa educação. Ou um medo que o mundo nos devore sem dó nem piedade.
“Sem chances, man” – diria algum dos companheiros de front. No Crato, Juazeiro, assim como aqui – falo do meu bairro; Salvador é pano de fundo pras coisas que ainda carrego comigo -, as coisas têm o mesmo peso das grandes obras que repousam nas estantes dos outros. Os sons, esses também possuem aquele dom de nos mostrar outra possibilidades; algo além de nossas janelas nem sempre amplas.
Pode ser num sertão, ou em meio aos prédios supostamente enfadonhos de onde moro. A arte está onde a gente vive. Pode ser Crato, Salvador, Cariri. O fundamental é manter os pés firmes nas nossas trincheiras. Com o mesmo êxtase, a mesma carga de desvario que nos faz quase irmãos.




(breve texto de apresentação e agradecimento ao convite)

Um comentário:

  1. É isso aí, man!
    Concordo em grau, gênero e geografia!
    Saudações cosmopolitas!

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