31 julho 2007

DIA 25/07 (DIA NACIONAL DO ESCRITOR)

Mesmo sem os alardes da mídia cotidiana no dia 25/07/2007 se comemorou o Dia Nacional do Escritor (decreto governamental, em 1960, após o sucesso do I Festival do Escritor Brasileiro, organizado naquele ano pela União Brasileira de Escritores, por iniciativa de seu presidente, João Peregrino Júnior, e de seu vice-presidente, Jorge Amado). Então, sem traumas do atraso vai uma simples homenagem aos escritores do Cariri letrado:

Que o pôr-do-sol de hoje ilumine ainda mais todos que criam o mundo através das letras.
Parabéns guerrilheiros das trincheiras mais combatidas.
Que o mundo marginal de quem desafia o mundo, munidos de letras, palavras e papel, possa deturpar de vez o incrédulo mundo de valores invertidos.
Dilacerando cada pensamento transmitido por imagens, afogando a televisão e suas macaquices na mais podre fossa do lixão mais distante da Terra.

E viva as Letras! Viva os Livros!
Viva Patativa do Assaré e toda sua obra viva!

Tiago Viana.

Novidade: Sala de Bate-Papo !


Olá, Pessoal,

Trago mais uma novidade para integrar as pessoas que frequentam nossos websites.
Trata-se de uma Sala de Bate-Papo. Basta fazer aí o seu login, entrar...
Vamos tentar fazer umas reuniões no fim de tarde, é um bom horário para bater um papo legal. Veja a sala no final desta página, depois de todas as postagens...

Abraços.

Dihelson Mendonça

30 julho 2007

Pra Morrer de Rir !! - 2 Estórias... eheeheheheheheh

A Estória de Joseph Climber:



VIDA DE POLÍTICO:

Eis a "dura" rotina de um candidato a cargo político no Brasil...
Simplesmente pra morrer de rir! Clique no PLAYER abaixo!
Autor ( graças ao nosso querido Dr. Zé Flávio ): Jessier Quirino ! O maior poeta matuto da atualidade. Paraibano de Itabaiana e radicado em Campina Grande !

29 julho 2007

Blog Poem


Convite


Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.


Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.


As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.


Como a água do rio
que é água sempre nova.


Como cada dia
que é sempre um novo dia.


Vamos brincar de poesia?

José Paulo Paes

A dificil arte de se reconhecer eterno

Raízes não dizem muita coisa


No que creio? Na eternidade das coisas; quando a arte (sem essa daquela coisinha boçal que tanto desprezo) fala mais alto, se sobressai, pula e grita de forma inequívoca, pouco importa em que lugar você está. China, Palestina, África. Sinceramente: foda-se.
A geografia nada é quando se tem uma voz dissonante e bela querendo tomar forma; ser algo além de uma voz tímida e débil.
Portanto, quando a gente fala em Crato, Cariri, Salvador ou Cabula - prefiro também incluir meu bairro; minha delirante trincheira -, de primeira pode até pintar um insuspeito sentimento de inferioridade. Uma bobeira escrota, provável herança de nossa educação. Ou um medo que o mundo nos devore sem dó nem piedade.
“Sem chances, man” – diria algum dos companheiros de front. No Crato, Juazeiro, assim como aqui – falo do meu bairro; Salvador é pano de fundo pras coisas que ainda carrego comigo -, as coisas têm o mesmo peso das grandes obras que repousam nas estantes dos outros. Os sons, esses também possuem aquele dom de nos mostrar outra possibilidades; algo além de nossas janelas nem sempre amplas.
Pode ser num sertão, ou em meio aos prédios supostamente enfadonhos de onde moro. A arte está onde a gente vive. Pode ser Crato, Salvador, Cariri. O fundamental é manter os pés firmes nas nossas trincheiras. Com o mesmo êxtase, a mesma carga de desvario que nos faz quase irmãos.




(breve texto de apresentação e agradecimento ao convite)

Vídeo da Hora!!: Grupo Treminhão do Recife fez show marcante no CCBN Cariri ontem !

O grupo Treminhão de Recife, se apresentou ontem, dia 28 de Julho, no Centro Cultural Banco do Nordeste em Juazeiro do Norte, onde fez um belíssimo espetáculo. Composto pelos integrantes - Breno Lira, Ricardo Fraga e Marcos Mendes, o grupo possui um trabalho instrumental muito interessante, que reúne raízes profundamente nordestinas a ritmos modernos diversos. Ontem a noite, o auditório do CCBN estava praticamente lotado, e às 18:30 também havia se apresentado o artista Luciano Brayne, também de Pernambuco, mas radicado aqui no cariri, com show marcante.

Para quem não foi ontem ao CCBN, conhecer o trabalho do grupo Treminhão, eis um vídeo quentíssimo:




Abraços,
Dihelson Mendonça

28 julho 2007

Zabumbeiros Cariris - Lançamento de CD

Dois bons shows aconteceram ontem no CCBN !


Ontem, dia 27 de Julho, fui assistir a 2 shows muito bons no centro cultural banco do Nordeste de Juazeiro do Norte.
O primeiro, às 18:30, foi um dueto a 4 mãos para piano, executado por Isaura Rute e Thiago Barreto. Dueto muito bom, onde eles tocaram a suite Dolly de Gabriel Fauré, uma das mais belas peças do repertório pianístico para duetos. Os dois pianistas, muito talentosos, deliciaram a platéia com um som cristalino, muito bem estudado, com boa dinâmica, sincronismo e emoção. A Pianista Isaura Rute, experiente, transmite muito sentimento na sua interpretação, e o Thiago é bastante virtuosístico. Apresetação memorável, que nos deixou um halo luminoso nos caminhos belos da música clássica!

A segunda apresentação da noite, às 20:00, foi do grupo do guitarrista pernambucano Luciano Magno, que trouxe também o tecladista Fábio valois, e ainda bateria e contrabaixo. A música do Luciano Magno é bastante voltada para o nordeste brasileiro: Baiões, xotes, frevos.



Natural do Pernambuco, o grupo nos presenteou com um repertório autoral bastante diversificado, e pudemos ouvir com grande alegria os fantásticos frevos que esse grupo nos brindou. Dotado de uma técnica fascinante, o guitarrista Luciano Magno conquista a platéia com o seu visual, seu jeito exótico de se vestir e seu carisma.
Realmente, duas apresentações memoráveis, que só encontraram par na quinta-feira passada, quando se apresentou o grupo Marimbanda e o grupo do Nélio Costa, ambos de Fortaleza, em shows marcantes!

USO DA INTERNET PARA DIVULGAÇÃO

NA FALTA DE UMA DIVULGAÇÃO QUE CHEGUE A UM PÚBLICO DIVERSIFICADO.
USEM OS MEIOS ELETRÔNICOS. ."E-MAIL E ORKUT."

SOLICITO A TODOS OS MÚSICOS QUANDO FOREM FAZER SUAS APRESENTAÇÕES OU SHOWS, DEIXAR NA ENTRADO DO RECINTO OU AMBIENTE DE ESPETACULO,
UM CADERNO PARA O PÚBLICO DEIXAR O E-MAIL. OU CÉLULAR (PARA ENVIO DE TORPEDOS VIA INTERNET).
ESSA FORMA É MUITO EFICIENTE, MODERNAMENTE O E-MAIL TOMA UM ESPAÇO SIGNIFICATIVO, QUE ANTES ERA O RECADO DE BOCA A BOCA. PANFLETOS, CARTAZES, SE MOSTRAM INEFICIENTES.
AGORA PODE-SE DAR UM BOCA A BOCA ELETRÔNICAMENTE.
ESSE MEIO DE COMUNICAÇÃO É LARGAMENTE ULTILIZADOS POR LOJAS, VENDEDORES AUTONOMOS, PROSTITUTAS, ETC... QUE SÃO CHAMADOS DE SPAM
AINDA NÃO PUDE VER SEU USO PARA UMA BOA CAUSA CULTURAL
O MEMORIAL DA AMERICA LATINA EM SÃO PAULO, MANDAM SEMANALMENTE SUA PROGRAMAÇÃO CULTURAL POR E-MAIL. ELES DEIXAM UM LIVRO COM E-MAIL PARA FUTURAS COMUNICAÇÕES COM SEUS USUARIOS "PUBLICO EM GERAL".
O MESMO DEVERIA SER FEITO PELO O C.C.BNB E O SESC OU OUTROS...

COMO ELES NÃO FAZEM ESSE TIPO DE PUBLICIDADE, GASTAM EM UMA DIVULGAÇÃO INEFICIENTE, ATENDE A UM PÚBLICO MINIMO. VOCES ARTISTAS PODEM TRATAR PESSOALMENTE DISSO, NÃO ESPERAR POR NENHUMA INSTITUIÇÃO.

É IMPORTANTE CRIAR UM PUBLICO, UMA FORMA DE MOSTRAR QUE NA CIDADE EXISTEM ATRAÇOES CULTURAIS.
CHEGA DE RECLAMAR DO QUE A MÍDIA FAZ. FAÇAMOS DIFERENTE.

DIVULGUEM SEUS TRABALHOS NO EXTERIOR. FAÇAM TROCAS DE SEUS TRABALHOS.

AGRADEÇO
PELO O ESPAÇO E A CONFIANÇA

27 julho 2007

Só no Crato Mesmo...

DEODATO GLOBALIZADO
JFLAVIO

Quase todo mundo já se acostumara com as histórias estapafúrdias de Quinca de Filó, ali na praça Siqueira Campos. Chegava , invariavelmente, com aquela cara de ressaca, meio amassada e obscurecida por olheiras , parecendo uma lata de torrar castanha. Postava-se ali num canto, ouvindo mais que falando e só quando se recobrava um pouco daquele gosto de cabo de guarda-chuva é que começava a tecer suas considerações. No início, alguns grunhidos mal humorados, depois a articulação de palavras inaudíveis, só lá para o meio dia, começava-se a traduzir o que saltava da boca de Quinca. Valia a pena, porém, a paciência : o homem se tornara o maior depositário cratense de histórias fantásticas e impossíveis. Disso já se sabia, mas naquela terça-feira, depois da Expo/Crato, Filó simplesmente se superara.
-- Vocês sabiam que no último dia de Exposição, um bêbado morreu e mesmo assim, depois de esticar as canelas, ainda dançou a noite toda, bebeu cachaça na barraca de Luiz Jacu, rodou na roda gigante e , não bastasse isso, pegou carona num caminhão e foi bater em Campina Grande?
A Praça Siqueira Campos cobre-se daquela fauna própria das florestas interioranas. Os passantes, desavisados, que vão ao , ou saem do trabalho; os rueiros que escapolem para tomar um cafezinho ali no Café Crato; os taxistas esperando serem requisitados para alguma corrida; os transeuntes que se acercam das bancas de revista e finalmente aqueles que têm escritório montado na praça, aposentados oficiais ou independentes , que se deleitam tricotando as últimas novidades da Vila.Diante do release de história tão surrealista , saída da boca de Quinca, todos as almas numa circunferência de cinqüenta metros se aproximaram, curiosos, do nosso André Breton tupiniquim. Imaginaram, a princípio, que o homem vinha embalado ainda da Exposição e estava mais melado do que balcão de Correio ou talvez, simplesmente, endoidara. Aos poucos, no entanto, perceberam que ele acordara da ressaca e , dentro do possível, mostrava-se lúcido e coerente. Mas que diabos de conversa sem pé nem cabeça, de um defunto andarilho, era aquela ? Quinca, com platéia montada, de pronto estimulou-se a continuar a narração.
--- Não tem nada de mentira não. Vou contar direitinho como tudo aconteceu. No dia do show de uma tal banda chamada “Aviões do Forró”, o parque encheu de gente que não cabia mais nem uma linha zero. Ficou todo mundo espremido uns contra os outros, tal e qual sardinha na lata.Do lado de fora , tinha mais de quinhentas pessoas querendo entrar e sem poder. Nunca se viu tanta gente reunida aqui nesta cidade para ouvir música ruim. Pois bem, num é que lá no currupio da platéia estava “Cutia”, aquele pau-d´água da Vila Lobo. Não se sabe como o homem entrou e só depois se descobriu pra que. Beirando meia noite, o bêbado teve um colapso e morreu. Devia cair duro no chão, mas como, meu senhor? Espremido ali no meio da multidão ficou de pé. Morreu como batida e passou todo o show dançando ao sabor da multidão. Só lá pras oito horas, quando o povo saiu é que Cutia pode cair em paz. Mas aí, iam passando uns bêbados amigos ( e o que não falta neste mundo é solidariedade de bêbado), conheceram o amigo, imaginando-o capotado pela cana, botaram-no no braço e foram lavar o peritônio , cedinho, na barraca de Luiz Jacu. Deitaram Cutia em duas cadeiras e acabaram de encher o toba de cana. Aproveitaram e deram ainda umas goladas ao companheiro capotado ( e juram que o homem engoliu). Botaram novamente o fardo no ombro e subiram em procura daquela saída do parque que dá para o Pimenta.
Neste ponto , Quinca parou um pouco para respirar e, estrategicamente, procedeu como se a história tivesse terminado por aí. Após alguns minutos de silêncio, os ouvintes quase em uníssono, perguntaram:
---Sim, e o resto da história, como diabos é que o defunto andou no parque de diversões e viajou ?
Era a deixa que Quinca de Filó esperava. Respirou fundo, pôs-se pensativo como que tentando lembrar-se de um roteiro distante e impalpável e retornou ao fio da meada:
--- Bem, quando chegaram na altura do parque de diversões, já chumbados pela cachaça e pelo peso que carregavam, sentaram “Cutia” um pouco na cadeira da roda gigante . Era mais fácil de ele se manter no lugar, fechando aquele ferrinho de segurança da cadeira. Deitaram ao derredor e descansaram . Pois não é que o responsável pela roda gigante, chegando ao parque, ligou os motores para consertar a cadeira treze que estava lá no alto. Cutia então subiu na sua poltrona até à cumeeira e ficou contemplando a cidade amanhescente com seus olhos baços.Quando o maquinista notou que havia alguém passeando na roda, sem ter pago o ingresso, desceu , acordou os amigos e lhes entregou novamente a carga. Novamente os companheiros de Cutia colocaram o homem no tum-tum e já na saída do parque, cansados , resolveram deixá-lo descansando na carroceria de um caminhão baú ali estacionado. Encostaram-se, cambaleantes, pelas paredes do antigo Campo do Esporte e simplesmente desmaiaram. Despertaram do sono, sob o açoite do sol do meio dia. Um cutucou o outro bêbado e, quando saíam, lembraram-se: menino, cadê Cutia? Só que o caminhão não mais se encontrava no pátio. Souberam, depois, quando curaram da ressaca, que o bicho tinha ido pra Campina Grande .
Os circunstantes, embasbacados, quiseram, então, saber o desfecho da história. Quando descobriram que Cutia estava morto? Sepultaram-no em Campina Grande? Quinca de Filó, então, matou a curiosidade de todos.
--- O que soubemos, amigos, é que o caminhão ia transportando peças de couro do Mestre Expedito de Nova Olinda para serem exportadas para França. A última notícia da polícia paraibana é que Cutia embarcou com a carga para França e não mais se soube o paradeiro do homem. O Itamaraty , porém, informou que um cachaceiro francês, preso semana passada por arruaça, garante que viu um sujeito cambaleante, todo encourado, descendo numa das barcaças do Rio Sena, aboiando feito um doido.

MariaCafé - o mais novo "point" do Crato!



O Crato agora possui um ponto de encontro para o happy hour. Lá no Mandacaru Center, no final da galeria, há o MariaCafé "o sabor da simplicidade" para um bom papo ao som de jazz, mpb e tutti quanti excelências musicais. Lista dos "ilustres" frequentadores: Abidoral Jamacaru, Ulisses Germano, Lamar Oliveira, Zé Nilton, Jayro Starkey.. Tem muita gente boa por lá. Falta só você, Dihelson, levar umas imagens e sons do jazz. Vamos divulgar a boa música! Vale a pena conferir o MariaCafé, uma simpatia de lugar - bem transado e muito cult! A organização do novo espaço tá por conta dos publicitários Greg & Sabrina Souli, e do fotógrafo cratense Netto Castro.
MariaCafé
o sabor da simplicidade
Mandacaru Center, loja 9
Rua Dr. Miguel Lima Verde, 494 - Centro (Crato)

26 julho 2007

25 julho 2007

Sessão de Cinema: DZU´NHURAE - Filme de Pachelly Jamacaru em Cartaz!

Para assistir ao filme, siga o link abaixo, no Portal do Crato:

www.portaldocrato.com

Olá, pessoal,
É com grande satisfação que trago ao Portal do crato, o filme do cineasta cratense pachelly Jamacarú, chamado DZU´NHURAE, que significa "O filho das águas". Trata-se da estória de um homem que tomado de uma consciência de seus antepassados indígenas da região do cariri, recebe a incumbência de preservar os mananciais de água... e mais...

Vale a pena conferir...
DZU´NHURAE pra vcs!

Abraços,

Dihelson Mendonça

O homem e a folha

Entardece no mundo.
O céu plúmbeo está pintado em tons de roza-cinza-azul e anuncia a possibilidade de chuva naquela pequena reserva de floresta tropical. Pequenos animais buscam as suas tocas adivinhando um temporal. Um homem já velho, magro e nu, caminha tranquilamente atravessando a paisagem. Sua face foi esculpida pelo tempo e expressa a paz que carrega dentro de si. Começa a chover. Um forte vento balança as folhagens das árvores. Folhas secas começam a cair. Uma delas, em movimento anguloso e lânguido parece aproveitar o vento para bailar. O homem observa com naturalidade e abre um sorriso: a folha transformara sua queda de morte numa dança? Continua seu caminho com muito mais tranqüilidade. Absorve todos os tons que a luz lhe oferece. Ouve os pássaros, o som das águas e...vozes de crianças que parecem brincar. Fica atraído pela algazarra. Anda mais naquela direção até uma pequena cachoeira que derrama suas águas num pequeno lago. Numa miragem, crianças-curumins pulam no poço, bebem água da fonte se enlameiam e se banham. O homem abre um largo sorriso e deita-se na água como se o poço fosse sua cama. Nesse mesmo instante a folha que o perseguia imita o homem. Os dois flutuam. Parecem descansar. Silêncio profundo. A folha se assenta sobre o corpo do homem. Ele, como num ritual, pega a folha delicadamente e a observa por algum instante. Conversam em silêncio. Depois, o homem velho pega a folha e a coloca num pequeno córrego para que siga o seu bailado. A folha flutua e navega sem destino. Cadê o homem? No poço apenas uma criança-curumim brinca com a lama e se banha.
A noite chega com uma lua nova brilhante no céu.

Luiz Carlos Salatiel
Rio, junho 2005/julho 2007

Pachelly Jamacarú canta para o Portal do Crato!

Clique no botão do Player abaixo para assistir:


O Cantor e Compositor Cratense Pachelly Jamacaru canta "Brasileiro Blues" para o deleite dos visitantes do Blog do Crato e do Portal do Crato.

Música linda, de uma sensibilidade poética e musical marcantes, como a obra desse singular compositor popular refinado!

Dihelson Mendonça

Oração dos Estressados...



Oh Deus, porque só nesta semana apareceram-me tantos picaretas disfarçados, gente 171, e gente pedindo alguma coisa de mim? Porque não aparece gente para ME ajudar também ? Porque ao meu portão, Senhor, de cada 10 que batem, 7 é de gente que me faz perder meu tempo, inoportunos, ou pedir alguma coisa emprestado ( quem empresta, não presta ) ? Senhor, dai-me tempo de fugir de todos os que me perseguem pelo infernal telefone celular que não para de tocar. Dai-me sossego de um lugar aonde essas coisas não funcionem e onde esse povo não me ache. Dai-me a paz de me livrar de gente que sem querer me ajudar, ainda me atrapalha pedindo cópias de fotos, de filmes, de shows, de tudo !

Dos pedintes de cópias de fotos, Shows e DVDs - Livrai-nos Senhor!
Dos 171 que se disfarçam de ajudantes - Livrai-nos Senhor!
Dos que chegam sem avisar, sem planos só para tomar nosso tempo - Livrai-nos, Senhor !
Dos que nos alugam 1 hora de Celular pensando que não temos o que fazer - Livrai-nos Senhor !

Amém!
Feliz Sábado!

Reflexões sobre a Ineficácia do modelo cultural do SESC/ BNB frente à Mídia


Esta é uma mensagem de reflexão sobre a eficácia/ineficácia dos métodos usados para divulgação cultural por parte do BNB, SESC e algumas secretarias de cultura.

Desejo de antemão parabenizar todas essas entidades, que fazem um trabalho único em prol de uma sociedade pensante e de divulgação cultural.

Como é sabido por muitos, o Banco do Nordeste do Brasil, através dos seus Centros Culturais têm promovido ao longo de muitos anos, excelentes shows e eventos culturais simplesmente magníficos. Bem como o SESC, a Secult, e alguns mais.
Por exemplo, estou acompanhando ativamente o II Festival BNB da Música Instrumental, um evento gigantesco, que reúne simplesmente "a nata" da música instrumental do Nordeste. O Sesc também tem se empenhado ativamente em uma interminável série de eventos culturais.

Minha preocupação e meu alerta é que, como observador do "modus operandi" da mídia e seus comparsas, o método de divulgação cultural empregado pelo BNB, SESC e afins é quase que totalmente ineficaz, senão vejamos:

Em Crato, terminou hoje, a famosa EXPOCRATO, evento anual promovido pela prefeitura Municipal e apoiado pela iniciativa privada que toma conta do setor de shows. Aconteceu este ano que o II Festival BNB de música instrumental coincidiu com a Expocrato.

Aconteceu que a iniciativa privada criou uma grande campanha na mídia para divulgar seu evento, e os shows terríveis de bandas de forrró podres, se realizaram, como em todos os anos anteriores, em palcos enormes ao ar livre, onde a população pode ter acesso. Estima-se que a cada noite, cerca de 30.000 a 50.000 pessoas tiveram contato, e foram levados a conhecer, incentivados a gostar e passar a ser apreciador da degradação cultural que foi divulgada, promovida e incentivada pela ExpoCrato.

Metodologia diferente dos eventos do Sesc e BNB, onde os shows aconteceram em ambientes fechados, onde 40 ou 50 pessoas ( por show ) assistiram aos eventos.

Ou seja, eu acho que estamos perdendo a batalha, não por falta de boa vontade nem de investimento, mas de metodologia. Precisamos urgentemente rever esses conceitos e métodos.
De que adianta promover um mega-evento desses, caro, pagar bem aos músicos e quase ninguém comparecer?

"De que adianta acender uma lâmpada e escondê-la debaixo de uma cama?"

Porque se sabe que ao se criar uma sala de espetáculos e anunciar que ali vai haver um Concerto, só vai a esse evento quem já gosta desse tipo de música. Dizendo diferentemente, só vai assistir aos eventos do BNB e do SESC, as pessoas que já gostam desses estilos, ou os amigos dos executantes. Talvez, raramente , uma pessoa aqui e acolá passem por curiosidade para ver o que está havendo ali...

Será que não seria mais interessante que o BNB, o SESC e a SECULT promovessem certos tipos de eventos ao Ar livre onde a população , a MASSA pudesse ver e assimilar ?

Que tal se o BNB se associasse aos governos municipais a fim de realizar parcerias sempre visando grandes espetáculos ao ar livre? Já que Maomé não vai à montanha, que a montanha vá a Maomé !!!

Já imaginou se esse festival de música instrumental fosse realizado em uma Mega-estrutura ao Ar livre em cooperação com o poder municipal ? Quantas pessoas veriam o evento? 30, 40 , 60 como hoje ??
Não, eu lhes digo, levaríamos 10.000, 20.000 ou mais pessoas , se também investíssemos na mídia em publicidade!
Um dos fatores mais importantes no processo de aculturação é o tempo de exposição.
Por exemplo, porque somente aproximadamente 3 a 5% da população gosta de Jazz e de música Clássica?
Porque elas não tem acesso a esse tipo de música. Nem o rádio nem a TV tocam esse tipo de música.
Então, como as pessoas irão gostar de uma coisa que nunca ouviram ?
Eu não posso culpar as pessoas por gostarem de Bruno e Marrone nem de Aviões do Forró, porque é somente isso que eles estão recebendo! Eles não conhecem outra coisa. E as entidades que deveriam fazê-las conhecer outras realidades, estão elitizadas, certas pessoas tem até medo e vergonha de entrar num auditório para ver um show de arte.

Sempre me vem a preocupação de que a maioria das pessoas não está sabendo do que acontece dentro dos auditórios do BNB.
Tenho procurado através de meus vários websites, divulgar, convidar pessoas a comparecerem aos eventos do BNB, mas isso ainda não é suficiente.

Há muito tempo, alguém suficientemente inteligente, descobriu que o método de divulgação boca a boca não era muito eficaz e para isso inventou a IMPRENSA.
Há muito tempo, a indústria da mediocridade, que propaga a degradação da arte observou que haveria de fazer parceria com a MÍDIA.

Pois é tempo de acordarmos e assimilar esses métodos.
É interessante como se pode aprender com as táticas do inimigo.
É interessante observar como o "SomZoom" soube inteligentemente investir num satélite para propagar o seu madito forró para os 4 cantos do Brasil.

Quem tem a mídia tem o poder. E quem tem a mídia É o poder.
Vejam vocês quem são os proprietários das estações de rádio do Brasil? Os políticos.

Então, eu acho que é tempo de criarmos o que eu chamo de "A CORRENTE DO BEM", onde Artistas, produtores, autoridades esclarecidas, pessoas de bem em geral, possam se integrar a esse grande movimento, procurar soluções mais eficazes para contra-atacar a ignorância que vem ganhando terreno nessa luta desigual.

Não devemos nos confinar aos gabinetes, nem aos auditórios.
Imensas somas são gastas ineficazmente, ou elitisticamente, quando poderíamos ganhar as ruas e conquistar mais pessoas.

-> A não ser que eu esteja enganado, e o propósito seja a manutenção de uma cultura elitista!

Devemos arrumar formas de ganhar as ruas.
A Arte e a Cultura PRECISAM URGENTEMENTE sair de dentro das 4 paredes dos auditórios e passar a se apresentar em praças públicas, onde aí sim, levaremos cultura ao camponês, aos jovens, e à todas as pessoas que ainda não foram consumidas inteiramente pela indústria da mediocridade.

Os eventos do BNB e SESC são magníficos e mais e mais pessoas precisam conhecer e apreciar!
Levemos os artistas aonde o povo está. Na praça!
Ou aceitemos que essa guerra já está perdida!

Pensemos com carinho acerca desses dados preocupantes, e que me chega a tirar o sono!
Aguardo comentários.

Este e-mail está sendo enviado a mais de 1.000 endereços.

Dihelson Mendonça

www.portaldojazz.com
www.vivacebr.com
www.radiopiano.com
www.dihelson.com

24 julho 2007

POTOCAS. COM


KAMA SUTRA EM MINIATURA

Simon e os tempos atuais


Quando ingressei na vida pública, há cinco décadas, eu apertei o botão de subida do elevador da política, no seu sentido mais puro. E ele subiu. Parou em muitos andares. Abriu e fechou. Muitas vezes, parecia que as portas emperravam, presas a grades e a paus-de-arara. Mas, mesmo assim, abriam-se, com o esforço de todos os passageiros. Havia uma voz, que anunciava cada etapa dessa nossa subida, na busca do destino almejado por todos nós. "Liberdade", "democracia", "anistia", "diretas-já". Não era uma voz interna. Ela vinha das ruas, e ecoava de fora para dentro. Vi gente descer e subir, em cada um dos andares deste edifício político. Comigo, subiram Ulysses, Tancredo, Teotônio. Já nos primeiros andares, vieram Covas, Darcy, Fernando Henrique. Mais um ou outro andar, Lula, Dirceu, Suplicy. Outros mais, Marina, Heloísa.
De repente, o elevador parou entre dois andares. Alguém mexeu, indevidamente, no painel. Parece que alguns resolveram descer e fizeram mau uso do botão de emergência. O Covas, o Darcy, o Ulysses, o Tancredo, o Teotônio já haviam chegado a seus destinos. Sentimos, então, uma sensação de insegurança e de falta de referências. Apesar dos brados da Heloísa, parecia que nada poderia impedir a nossa queda livre. A cada andar, uma outra voz, agora de dentro para fora, anunciava, num ritmo rápido e seqüencial: "PC", "Orçamento", "Banestado", "Mensalão", "Sanguessugas" , "Navalha", "Xeque-Mate". Alguns nomes, eu nem consegui decifrar, tamanha a velocidade da descida. E o elevador não parava. Nenhuma porta se abria. Haveria o térreo, de onde poderíamos, de novo, ganhar as ruas. É que imaginávamos que seria o fundo do poço do elevador da política. Qual o quê, não sabíamos que o nosso edifício tinha, ainda, tantos, e tão profundos, subsolos. Daí, a sensação, cada vez mais contundente, de que o baque seria ainda maior. Quantos seriam os subsolos? Até que profundezas suportaríamos nessa queda livre? Mais uma vez de repente, o elevador parou, subitamente. Uma fresta, uma sala, uma discussão acalorada. Troca de insultos. Uma reunião da Comissão de Ética da Torre Principal do Edifício. O Síndico teria pago suas contas pessoais com o dinheiro do Condomínio, através do funcionário do lobby de um outro edifício. E, por isso, teria, também, deixado de pagar pelos serviços de manutenção do elevador. Mais do que isso, o zelador também não havia recebido o seu sagrado salário, para o pão, o leite, a saúde e a educação da família.
Idem o segurança. Mas, havia algo estranho naquela reunião: os representantes dos condôminos, talvez por medo de outros sustos semelhantes, em outros solavancos do elevador, defendiam, solenemente, o Síndico. Ninguém estava interessado em avaliar a veracidade das suas informações. Nem mesmo as contas do Condomínio. Queriam imputar culpa ao zelador e ao segurança. Ou, quem sabe, teria o tal Síndico informações comprometedoras, gravadas nos corredores soturnos do edifício, a provocar tamanha ânsia solidária? Não se sabe, mas, tudo indica, isso jamais será investigado, enquanto vigorar a atual Convenção de Condomínio. Há que se rever, portanto, essa Convenção. Há que se consertar esse elevador. Há que se escolher um novo ascensorista. Há que se eleger um novo síndico. Há que se alcançar o andar da ética. A voz das ruas tem que ecoar, mais alto, nos corredores deste edifício. A voz de dentro, parece, insiste em continuar violando os painéis de controle. Até que não haja, mais, subsolos. E, aí, o tal baque poderá ser irreversível. Não haverá salas de comissões de ética. Porque não haverá, mais, ética. Quem sabe, nem mesmo, edifício.

Senador Pedro Simon

22 julho 2007

20 julho 2007

Concerto: Dihelson Mendonça em Fortaleza - Dia 21 de Julho - Sábado!



Em Apresentação Única em Fortaleza - Dia 21 - Meio-Dia.

Encontro BACH - CHOPIN. - Com Improvisações...

"O Pianista Dihelson Mendonça promove o encontro entre dois dos maiores
expoentes da música de todos os tempos: Johann Sebastian Bach e
Frederic Chopin. Bach, considerado o deus supremo da música e Frederic
Chopin, tendo em Bach uma profunda fonte de inspiração e admiração.
Bach como o mestre supremo do "cravo bem-temperado" e Chopin, o mestre
imbatível do Piano Romântico. Dihelson ainda improvisa sobre temas de
Bach e Chopin e convida pessoas da platéia para improvisarem temas que serão convertidos em composição...

Algumas peças do repertório à escolha:

Bach:
- Prelúdio e Fuga # 1 - CBT - Vol I - BWV 846
- Prelúdio em Mi - CBT - Vol I - BWV 854
- Suite Francesa # 5
- Prelúdio em F#m - CBT - Vol I - BWV 859
- Prelúdio e Fuga em Ré maior - CBT - Vol I - BWV 850

Chopin:

- Polonaise Op 26 # 1
- Noturno Op 9 # 1 e 2
- Valsa Op 64 # 1
- Valsa Op 64 # 2
- Noturno Op 15 # 2 em F# maior
- Noturno Op 37 # 1 em Sol menor
- Mazurca Op 7 # 1 em si bemol
- Mazurca Op 7 # 2 em lá menor
- Mazurca Op 24 # 1 em Sol menor
- Mazurca Op 17 # 4
- Mazurca Op 30 # 4
- Estudo Revolucionário - Op 10 # 12
- Balada em Sol menor Op 23
- Polonaise Op 40 # 1 ( Militar )
- Polonaise Op 53 - ( heróica )
- Fantasia-Improviso Op 66

Simplesmente Imperdível !!!

Dia 21 de Julho - Sábado - Meio-Dia, No Centro Cultural BNB em FORTALEZA.

19 julho 2007

Show da Marimbanda no Centro Cultural Banco do Nordeste



Galera,

Percam qualquer show, mas não percam esse:
Grupo Marimbanda no Centro Cultural Banco do Nordeste.
O melhor grupo instrumental do Ceará se apresenta dia 19 de Julho ( quinta-feira ), às 20:00 no Centro Cultural.

Simplesmente IMPERDÍVEL !!!!
E às 18:30 tem também o show de um dos maiores contrabaixistas do Ceará: NÉLIO COSTA !


Não Percam, Hoje, dia 19 de Julho!


Estaremos lá...

16 julho 2007

Enquanto isto em Matozinho...

QUESTÃO FUNDIÁRIA EM MATOZINHO
J Flávio


Nezinho Pacífico andava meio irritadiço nos últimos tempos e, convenhamos, possuía profundas razões para isso. Sem que ao menos percebesse, os segundos passaram rápido com os minutos, os dias e os anos e com eles os costumes e os hábitos do povo de Matozinho. Montara uma das primeiras funilarias da cidade, há uns vinte anos, e com ela sustentava a família, antes que as limitações da idade o alcançassem. Fabricava latas d´água , armadores de rede, candeeiros, bicas para escorrer a chuva nas cumieiras das casas, bules, funis, bacias, cuscuzeiras, marmitas. Passara toda vida cortando e moldando folhas de zinco. Não bastasse isso, fazia ainda consertos , reformando peças antigas, praticando soldas e trocando fundos e aseias de panelas e outros utensílios domésticos. Os novos tempos, no entanto, não apareceram benfazejos para Nezinho. Credialistas pulularam por toda Matozinho vendendo um sem número de quinquilharias, a baixo custo, trazidas da China, com prazo quase que infinito. A Vila, de repente, montada no veloz corcel da globalização viu-se, pouco a pouco, embebida na cultura do descartável.A ninguém mais interessava consertar panelas, caçarolas, pinicos, se se tornava muito mais cômodo e interessante, comprar novos vasilhames a preço de banana.
Aos poucos o ganha pão de Nezinho começou a minguar. Ele passou a se sentir como uma espécie de vitrola velha: mero objeto de contemplação. Mesmo assim não se deu por vencido. Comprou uma pequena carrocinha , a equipou e passou a andar de porta em porta, oferecendo seus serviços de consertos e soldas. Instalou uma buzina de bicicleta e, aos poucos, foi acostumando os ouvidos dos matozenses. O fon-fon característico ligava toda a vizinhança aos trabalhos de Pacífico. A diferenciação fazia-se necessária para separar seus trabalhos dos outros inúmeros vendedores de porta a porta: o velho do cavaco chinês, o menino do pirulito, o rapaz da garapa de cana e do pão doce, o anão que oferecia o algodão doce, a mocinha que negociava os blocos de alfinim acomodados numa tábua envolta com um pano alvíssimo de murim. Em cima da carrocinha de pacífico uma tábua explanava toda sua atividade profissional : “Consertam-se panelas, frigideiras,guarda chuvas, sombrinhas e caçarolas .Serviços de solda em geral. Amolamos facas e tesouras.” De início o corpo a corpo até que ajudou, mas com o tempo, Nezinho percebeu a inexorabilidade da mudança . Sua arte tendia à extinção e deveria até ser defendida pelo IBAMA. Tinha ainda que agüentar o enchimento de saco do pessoal: “Nezinho, tem um candeeiro aqui em casa que ta dando choque, você conserta ?” “Quanto você cobra para consertar uma lata d´água, se eu te der o pau?” Talvez , por isto mesmo, andasse mais explosivo, menos condescendente com toda a clientela.
Semana passada, tardezinha, vinha voltando para casa depois de um dia de muito andar e pouco trabalho. De repente, em uma das casas próximo ao “Bar Alho”, um engraçadinho, com uma panela na mão, se dirige para Nezinho e estendendo o utensílio, pede um orçamento:
--- Nezinho, quanto você cobra para consertar esta panela que tá merejando ?
O funileiro a traz para a carrocinha , põe água, como teste, e observa-a escorrendo pelos inúmeros furos, como se fosse um chuveiro. Então , lança seu abalizado parecer:
---- Menino, é merejo pra tudo quanto é lado, vai gastar muita solda, vou ter que botar um fundo novo e só dá para fazer o serviço por dez reais.
O cliente, com ar de espanto, fecha questão:
--- Ta ficando doido , Nezinho ? Por dez reais eu compro umas duas bichas dessas no crediarista e novas, viu ? Me diga uma coisa e se eu te der o fundo, por quanto você faz o serviço?
Pacífico respirou profundamente e não perdoou:
--- Ah, meu filho, se você me der o fundo, aí a coisa é muito diferente: eu faço o conserto de graça e ainda te dou uns quinze reais...

Exposição de Arte - SESC /Crato


Zabumbeiros Cariris - Lançamento de CD


Caros Amigos,


Os Zabumbeiros Cariris finalmente lançam seu CD. Confiram o interessante trabalho deste grupo genuinamente caririense!
Aqui a apresentação do Cd feita por este enviesado blogueiro:
“Carrego meus primórdios num andor.
Minha voz tem um vício de fontes.
Eu queria avançar para o começo.
Chegar ao criançamento das palavras.
......................................................................
Pegar no estame do som !
Ser a voz de um lagarto escurecido
Abrir um descortínio para o arcano.”

Manoel de Barros



Eis o Cd dos Zambumbeiros Cariris ! Pleno de ângulos obtusos e faces pontiagudas.Traz no seu bojo toda coerência das nossas mais profundas incongruências. O Sacro/profano, o afro/indígena/ibérico, o cearense/pernambucano, o fúnebre/festivo e o romântico/erótico saltam , como um saci, no terreiro de cada acorde deste disco. Os Zabumbeiros beberam nas fontes pródigas das bandas cabaçais, do reisado, do coco de roda, do baião, dos benditos, do maracatu cearense e de além-Araripe. Souberam , no entanto, destilar, desta calda sonora, um mel puro e original. Fizeram deste amálgama de sons um trampolim e se projetaram para além do simplesmente telúrico/ regional. Sua música sabe a pequi e a morango, tem o doce aroma do canavial e o acre cheiro do asfalto. Não se avexe, pois, quando a forte batida do zabumba penetrar pelos poros e vier a invadir suas artérias e sentidos. Relaxe e embarque nesta viagem futurística em busca dos nossos primórdios, em procura das fontes de onde flui nossa essência. Avançando para o começo, criançando os instantes, enquanto os Zabumbeiros nos descortinam o arcano: o estame do Som !

J. Flávio Vieira

EXPOCRATO IDÉIAS


EXPOCRATO IDÉIAS!

Inaugurada ontem sob um sol por demais tropical, um dos maiores eventos da região do Cariri. Milhares de pessoas circularão pela cidade de Crato e visitarão a 56ª edição da EXPOCRATO. Já não podemos dizer trata-se apenas de um evento AGRO-PECUÁRIO, porque está perceptível uma gama de eventos paralelos, o que faz da EXPOCRATO, um MULTI-EVENTO, festivo e comercial ao mesmo tempo!
Daí uma preocupação que nos interroga enquanto anfitriões. O que estamos oferecendo aos nobres visitantes e conterrâneos que visitarão aquele recinto?
- Por exemplo, em termo de conforto? Penso que já era tempo de colocar em toda a sua extensão, banquinhos para que as pessoas, principalmente os simpáticos Senhores e Senhoras de idade, façam pausas e apreciem os transeuntes enquanto recobram as energias para prosseguir o passeio pelos diversos estandes instalados pelo Parque!
- Arborização: A verdade seja dita, mas, o parque precisa “urgente” de um sério programa de rearborização em todo o seu complexo! As árvores existentes são antigas! Depois, é preciso compreender que o recinto é utilizado ao longo do ano com outras finalidades, que vão desde atividades físicas, contemplativas e mesmo outros eventos que por lá acontecem!
- Por exemplo, ainda, as atrações culturais: Já foi por demais enfatizada a inversão de valores que acontece quando supervalorizamos atrações que vem de fora e levam as cifras que "deveriam não", devem ser investidas em programas culturais e com os artistas que de uma forma em geral, produzem artes que nos identificam e nos referenciam! É triste constatar o quanto os poderes públicos e privados local sentem vergonha de seus valores! O que mostramos aos visitantes, senão atrações pára-quedistas? O que ficam sabendo sobre o que produzimos aqui?
- Estética: aí é que a coisa pega e eu não vou nem enumerar a quantidade de coisas que precisam de uma outra ótica. A poluição visual e sonora desnecessária, o péssimo gosto das programações de áudio no recinto, é algo preocupante!
- Uma praçinha: Uma praçinha com um mine anfiteatro para apresentações à tarde dos artistas da cidade, englobando peças de teatros ao ar livre e transmissão de curtas metragens produzidas por gente nossa! Tudo isso onde hoje ficam os estandes dos carros que ocupam um espaço precioso ao lado da URCA, seria um caso, não a se pensar, mas a realizar urgente!

Por estas e outras questões, é que a EXPOCRATO precisa ser motivo de um debate sério e aberto, uma mesa redonda, onde sejam levantados os pontos críticos que façam com que este evento tenha a nossa cara!

Pachelly Jamacaru

03 julho 2007

Blog Poem



Arrufos





Não há no mundo quem amantes visse
Que se quisessem como nos queremos...
Um dia, uma questiúncula tivemos
Por um simples capricho, uma tolice.




— "Acabemos com isto!", ela me disse,
E eu respondi-lhe assim — "Pois acabemos!"
E fiz o que se faz em tais extremos:
Tomei do meu chapéu com fanfarrice.




E, tendo um gesto de desdém profundo,
Saí cantarolando... (Está bem visto
Que a forma, aí, contrafazia o fundo).




Escreveu-me... Voltei. Nem Deus, nem Cristo,
Nem minha mãe, volvendo agora ao mundo,
Eram capazes de acabar com isto!



Arthur de Azevedo (1855-1908)

Lançamento - vídeos de Franciolli