26 janeiro 2007

BlogPoem


Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:
quando cheias de areia de formiga e mugos -- elas
podem um dia milagrar de flores.
(os objetos sem função têm muito apego pelo abandono.)
Também as latrinas desprezadas que servem para ter
grilos dentro -- elas podem um dia milagrar violetas.
(Eu sou beato em violetas.)
Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam
a Deus.
Senhor, eu tenho orgulho do imprestável!
( O abandono me protege.)

Manoel de Barros

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