31 dezembro 2007

Feliz Ano Novo ! - Que sejamos mais e Façamos mais em 2008 !


Olá, meus caros amigos,

Nessa data em que atravessamos mais um ano de nossas vidas, quero aqui deixar registrados os meus mais sinceros votos de plenitude da vida humana aqui na terra para 2008. Quero lhes desejar que METADE dos seus sonhos se realizem. Dizem que um homem sábio jamais quer ver realizados todos os seus sonhos, pois a vida perderia o sentido.

Sendo assim, quero apenas me congratular com todos que lêem essa mensagem, e lhes dizer que se a vida parasse por aqui, mesmo assim, eu ainda agradeceria ao criador pelo fato de ter me dado tão excelentes amigos como todos vocês.

Muito obrigado por sua amizade. E que Deus nos tenha em conta e que em 2008 possamos ser mais, criar mais, realizar mais. Até que um dia, quando a senhora mãe de todas as horas nos surgir na frente, nós possamos dizer: Entra, podes entrar, pois eu tive um bom dia!

Feliz 2008, meu amigos.

Dihelson Mendonça
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Notas esclarecedoras sobre a URCA

Indispensável reproduzir neste blog esclarecedoras notas postadas no blog de Tarso Araújo:

"Vai aqui uma dica para a próxima edição do jornal da URCA. Que a Reitoria fale dos projetos que está elaborando para enviar aos governos estadual e federal para conseguir recursos para a URCA. Mais ainda, poderia aproveitar o próximo jornal da URCA para esclarecer a opinião pública do Cariri de que não existe nepotismo na atual administração da Universidade Regional do Cariri. O nepotismo, aliás, tão combatido pelos que hoje dirigem a URCA deve ser denunciado. Então, sugiro que a Reitoria divulgue a lista do nepotismo e ao mesmo tempo demita os parentes de dirigentes da Instituição que ocupam cargo de confiança. Outra dica: era bom a atual administração esclarecer que alguns dos projetos em andamento foram da gestão anterior. Era bom esclarecer também quais projetos está elaborando. Ficar só colocando fotos de pró-reitores que até agora nada fizeram não é uma política de divulgação da universidade, mas de seus dirigentes".
Postado por Tarso Araújo às 03:01

1 comentário:
josé sales disse...
"Segundo consta todos os projetos que estão incluidos no MAPP da Ciencia e Tecnologia foram concebidos a partir do PLANO URCA, feito na Gestão André Herzog. Ampliação do Crajubar(1)/ Ampliação da Bilbioteca Central do Campus do Pimenta(2)/ Reforma e modernização do Museu de Paleontologia da URCA/ Santana do Cariri(3)/ Melhorias no Campus do Pimenta(4), além de vários outros".

A Civilização da Rapadura


Seguindo o esquema proposto por Darcy Ribeiro(1), onde as formações sócio-culturais são resultados de revoluções tecnológicas, o Cariri Cearense, na sua evolução histórica, traz especificidades que o configuram como um dos modelos de sociedade levados a cabo ao longo do processo civilizatório desencadeado pela Revolução Mercantil.
Segundo o escritor cratense José de Figueiredo Filho, foi a transformação da mandioca em farinha, pelos índios cariris, a primeira atividade econômica existente na região. Ainda mantém-se essa tradicional indústria, principalmente nas comunidades localizadas na chapada do Araripe, através de equipamento tosco, legado indígena, chamado casa de farinha.
Houve, no início da colonização, em locais hoje pertencentes ao município de Missão Velha, a tentativa de explorar metais preciosos na região, através da Companhia do Ouro São José, que logo viu frustrados seus intentos. Segundo a historiadora Adelaide Girão,em História do Ceará, para tal empresa, organizou-se a entrada de mão-de-obra escrava negreira, que foi, em seguida, ocupada nas atividades agrícolas. No entanto, fugindo dos interesses agro-exportadores do mercantilismo europeu, o trabalho cativo não foi dominante no Cariri. Prevaleceu um regime semi-servil, onde o campesinato era obrigado a pagar quota de trabalho gratuito para viver nas terras dos proprietários. Essa relação de produção é comumente designada por clientelismo, mantida pela ordem coronelística.
O Cariri, pela sua geografia é um espaço do interior nordestino que teve uma ocupação peculiar. A principal atividade econômica, seguindo a experiência colonial pioneira, foi a cultura canavieira voltada à produção de melado e rapadura - usados como adoçante, similares do açúcar branco destinado a Europa - e, secundariamente, de aguardente.
Para saber sobre a real dimensão histórica e econômica dos engenhos de rapadura no processo de colonização da região, recomenda-se a leitura do livro Engenhos de Rapadura no Cariri, de Figueiredo Filho, infelizmente nunca reeditado. O certo é que foi a partir dos engenhos de rapadura que a visão-de-mundo dos caririenses ganhou os contornos definitivos.
Como já foi dito, uma das peculiaridades da formação caririense, deve-se à situação de marginalidade da sua economia perante os interesses mercantilistas europeus. Enquanto o litoral estava submetido ao monopólio colonial da produção do açúcar, o interior experimentava um sistema decorrente, onde a sua produção atendia a uma demanda local. O Cariri trocava seus excedentes de rapadura e aguardente com as regiões vizinhas, abastecendo os sertões do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. Adquiria, assim, mercadorias que não produzia, como sal, tecidos finos, utensílios de ferro etc.
Os primeiros engenhos caririenses eram feitos de madeira e movimentados por juntas de bestas e bois e por correnteza d’água. O historiador caririense, Antonio Gomes de Araújo, citado por Figueiredo Filho, conta que foi o capitão Antonio Ferreira de Melo, membro do Regimento de Cavalaria, que iniciou o ciclo do engenho de ferro, ainda no século XVII. O engenho veio de Pernambuco, via sertão do Pajeú, transportado por juntas de boi, para a sua propriedade, localizada no sítio São José, onde hoje é a divisa de Crato e Juazeiro do Norte.
O naturalista escocês George Gardner(2), na sua passagem pelo Crato, na década de 1830, oferece um relato sobre a produção da rapadura feita da região:
Vivi cinco meses no meio desta gente; mas em nenhuma outra parte do Brasil, mesmo durante curta residência, fiz menos amigos ou vivi em menos intimidade com os habitantes. Além do senhor Melo, o único indivíduo cuja casa visitei freqüentemente, era um outro filho do velho vigário, capitão João Gonçalves, dono de um engenho de açúcar (rapadura), a duas léguas da cidade.
“(...) Tive muitas ocasiões de ver nesse engenho, como se faz a rapadura. O engenho é de construção muito tosca, compondo-se de uma armação com três moendas verticais de pau, entre as quais a cana passa para se espremer o suco que se recolhe num receptor embaixo, donde escorre para um cocho escavado no tronco de grande árvore. Passa-se a cana três vezes para que extraia toda a garapa. Deste cocho, parte do líquido é levada de tempos em tempos, a pequenos tachos de metal, dos quais havia nove, enfileirados em pequenas aberturas sobre uma fornalha arqueada. Nas diferentes fases do processo, à medida que se faz a evaporação, o suco é despejado de um tacho em outro, até adquirir no último a desejada consistência. Transfere-se então para uma cuba escavada em sólida madeira e que se chama de gamela. Aí fica algum tempo a esfriar, sendo então lançada em formas de madeira do formato e tamanho do tijolo comum, embora algumas se façam com a metade deste tamanho. Tiradas das formas, ficam a endurecer ainda por uns dias e estão prontas para o mercado. As grandes vendem-se em Crato por dois vinténs, em Icó por cinco e em Aracati, por quatro”.


(1) O Processo Civilizatório - Etapas da Evolução Sócio-Cultural. Rio de Janeiro: Vozes, 1979
(2) Viagem ao Interior do Brasil. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. Universidade de São Paulo, 1975, pp. 94-95

Os vários jeitos de dizer

Emerson Monteiro

Há dias não escrevo, no propósito de vascular o sótão do juízo e organizar de volta o ambiente, com isso querendo esfriar as caldeiras, na temporada boa do final de ano. Quando isto ocorre, ato contínuo, vê-se disposto a produzir qualquer coisa que una consciências, intenção de quem escreve por puro prazer.
Ainda assim, nesta busca de encontrar meios de retornar à escrita, catar as imposições do pensamento, e gerar, cá fora, alguma coisa que mereça a caligrafia das palavras, ainda assim, por vezes, os gestos permanecem restritos, numa proporção inferior ao desejo, face aos caprichos ditatoriais da forma.
Na verdade, afloram temas, a exemplo dos protestos virtuais à realidade contundente, onde o superego indica alternativas no que diz respeito ao trânsito das cidades; às políticas mercadológicas, que favorecem mais as elites, no jogo eleitoral insuficiente; à destruição gradativa da Amazônia, culpa de governos sucessivos, ferida de morte neste régio presente da natureza; às limitações usuais da personalidade humana como um todo; etc.; etc.
Resultado: escrever implica, grosso modo, no risco de ficar falando sozinho, em mundo que determina chamados múltiplos e possibilidades eletrônicas. Jornais amarelam rápido. Livros dormem em tudo que é canto de sala, preguiçosos, manhosos e antigos, viciados com a situação em que se transformaram as sociedades letradas desses dias.
O rádio, sim, e não esqueceria este veículo quente, trem-bala da comunicação de massa. Nele as palavras passam, mas os conceitos permanecem. Escutar, mergulhar pelas cavernas da memória através dos canais do ouvido...
Observo, sem um planejamento prévio, que, após décadas de textos publicados, retorno aos inícios da caminhada pelas letras, no ano de 1965, época em que, ao lado de Antônio Vicelmo, redigia para a Rádio Araripe. Cabia, a mim, produzir a parte internacional de jornal das 21h, de sua responsabilidade, talvez na primeira função radiofônica do consagrado noticiarista caririense.
No passo seguinte, Armando Rafael me solicitou que escrevesse crônicas para aquela emissora cratense, motivando descobrisse o potencial da opinião como necessidade urgente da cidadania em qualquer instância.
A importância do ato de dizer esbarra, com freqüência, nos veículos de que dispõe cada comunidade. Existem núcleos que dão prioridade a outros recursos da comunicação. Muitos escolhem a oralidade pura e simples, na fala que circula os baixios da informalidade, sem reclamar papel, câmeras ou microfone. São as sociedades ditas primitivas quanto aos sistemas de propagar a história e sua conceituação, sem reclamar profundidade documental, ou gravações magnéticas.
Aceitemos, contudo, agora, apenas isto em termos de avaliação dos modos de comunicar, porquanto o rádio trabalha sob o império do tempo e requer, por isso, limite rígido de quem dele se utiliza.
Na oportunidade, quero desejar um ano de prosperidade e boas realizações a todos os que nos ouvem neste momento.

Feliz Ano Novo de Verdade: Como Fazer ?


Por: Bernardo Melgaço da Silva

Todos os anos desejamos no final do ano que todos que gostamos sejam felizes. É uma cultura e um ritual que avança de geração em geração. Mas, logo inicia o novo ano e nos sentimos despreparados e impotentes para cumprirmos o que desejamos aos outros e a nós mesmos. É natural! O mistério e a luz nos acompanham e assim nos vemos no mesmo ponto de partida: como fazer?

A verdade é que a felicidade é um nascimento do ser que não somos ainda. É um processo de identidade existencial: não somos de fato ainda o produto do que foi projetado cosmicamente para sermos. Por isso, a felicidade nunca é aquilo que desejamos ser. Ela é a árvore onde somente existe a semente. Ela é uma descoberta onde somente existe a intenção e a procura. Ela é aqui e agora onde projetamos nossas idéias e nos perdemos nos labirintos dos nossos pensamentos. Ela é uma força cósmica, um padrão vibratório criador. Eterna, sublime e transcendente. Ela é uma luz de um sol de calor doce e suave que nasce nas profundezas da essência da criação.

Ela existe na surpresa agradável da revelação amorosa que se destaca e se mostra quando menos esperamos. Ela é oculta, inesperada e transparente. Ela é amante e a amada. Ela é um encontro querido na sutileza da transformação de si mesma; é o começo, o meio e o fim de tudo que desejamos encontrar e sentir; é o verdadeiro sentido da vida humana. Por isso, todos são buscadores da felicidade porque ela é o sentido da verdade maior.

Assim, a felicidade é o coração aberto e universal que detém o poder de ser livre das amarras das verdades fabricadas ou modeladas pelos homens. Então, quando desejamos ao outro dizendo “FELIZ ANO NOVO!”, estamos intencionando que haja uma transformação tão profunda no ser que ele deixe de ser o que ele aprendeu a não ser – e nunca teve a oportunidade de aprender a desaprender! E para que alguém seja feliz de fato faz-se necessário ser livre dos conceitos psicológicos de liberdade, de amor, de justiça, de verdade, de riqueza, de família convencional e de tudo aquilo que foi plantado, em sua consciência vulnerável, pelas infinitas sugestões do mundo.

A felicidade está no limite superior da consciência humana. Um caminho de realização interior solidário e solitário onde a divindade se aproxima com sabedoria e nessa relação o humano descobre que existe um Outro Transcendente que carrega toda a verdade humana buscada e até então incompreendida. Nesse sentido, a felicidade é um casamento cósmico supra-humano. Onde se nasce com aquilo que é conhecido (em francês “conaissance”). E para nascer de novo é preciso que se “morra” (no sentido de transmutação ou “metanóia” na linguagem freudiana) primeiro. Nesse contexto, a felicidade é uma passagem e conexão com outro mundo e estado maior de ser.

Assim sendo, podemos compreender que a passagem de ano é um simbolismo para nos lembrar que existe um outro lado da vida na fronteira da consciência comum do homem escravo de si mesmo. E essa outra condição humana se faz na passagem do estado infeliz para o estado feliz de forma incondicional. É uma façanha que poucos conseguem realizar porque não percebem seus condicionamentos auto-hipnóticos. Em síntese, a felicidade é um salto quântico que se realiza na superação do próprio ego limitado, impotente e infeliz.

De forma que ao desejarmos “FELIZ ANO NOVO” no fundo desejamos a conquista de si mesmo manifestada no outro semelhante. Por isso, desejo a todos FELIZ ANO NOVO DE VERDADE. Assim, deseje de verdade que o outro seja feliz também, pois aquilo que desejar no outro será semente em si mesmo. Se desejares o bem ao outro com coração sincero plantarás em si mesmo a semente do bem. Essa semente poderá crescer se assim você continuar desejando. Por isso, devemos desejar aos nossos amigos e inimigos sucesso espiritual de verdade, porque somente assim criaremos um mundo melhor de verdade e feliz. O mundo é o que é hoje - violento, excludente e injusto - porque desejamos e criamos inconscientemente a outra face da realidade distante da felicidade: a infelicidade e a escuridão de si mesmo. Não existe acaso! FELIZ ANO NOVO – DE VERDADE ESPIRITUAL!

Por: Prof. da URCA Bernardo Melgaço da Silva
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30 dezembro 2007

Antonio Vicelmo Agradece o apoio ao Jornal do Cariri


O Jornalista Antonio Vicelmo, em seu último programa do ano, agradece à todos os ouvintes o carinho, a audiência enorme que o Jornal do Cariri tem recebido ao longo de sua existência, aos patrocinadores ( alguns há mais de 20 anos ), e à todos os seus inúmeros cronistas. Em sua mensagem, Vicelmo também anuncia que durante o mês de Janeiro estará de férias, voltando no final do mês para a Rádio Educadora do Cariri.

Confira no player abaixo:



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PERSONAGENS E FATOS DA HISTÓRIA DO CARIRI


José Martiniano de Alencar, senador e presidente da Província do Ceará.

Armando Lopes Rafael (*)
José Martiniano de Alencar nasceu no sítio Lambedor, à época pertencente a Crato, hoje município de Barbalha, em 16 de outubro de 1794. Faleceu no Rio de Janeiro em 15 de março de 1860, vítima, provavelmente, de infecção Tifóide. Filho de dona Bárbara de Alencar e pai do consagrado romancista José de Alencar, o padre José Martiniano de Alencar – aos 22 anos e sete meses de idade – foi o principal responsável pelo movimento que proclamou em Crato, em maio de 1817, um governo revolucionário republicano.

O jornal “O Povo”, de Fortaleza, edição de 29 de dezembro de 1994[1], publicou matéria sobre Alencar onde consta:

Tão marcante quanto controvertida, a figura pública de José Martiniano de Alencar deixa dúvidas para a posteridade. É acusado de ter sido covarde – teria negado no seu julgamento a participação no movimento do Crato, imputando a seu irão Tristão Gonçalves todo o erro. Já o seu sobrinho, o conselheiro Tristão Araripe, em artigo publicado no “Diário de Pernambuco”, afirma que Alencar contestou a utilidade do movimento “ponderando os perigos de desmembramento do Império e da aceitação do princípio democrático puro”, mas convencido pelo irmão tomou parte na revolução e jamais negou a autoria dos próprios atos. Segundo essa versão, o acusado foi absolvido por pessoas influentes na política da época que lhe reconheceram a moderação e os serviços prestados à causa pública como deputado constituinte.

(Esclarecemos que a participação de José Martiniano de Alencar no movimento revolucionário acima citado refere-se à Confederação do Equador de 1824. Anteriormente, ele havia liderado, em Crato, da Revolução Pernambucana de 1817).

Continuamos a transcrição da matéria do jornal “O Povo”:

Controvérsias à parte, José Martiniano de Alencar conseguiu de alguma forma voltar às boas com o poder político da época já que em agosto de 1834 é nomeado o sétimo presidente do Ceará e em 1841 assume a cadeira no Senado. Nessa época, apresentou um projeto que foi motivo de grande polêmica. Queria dividir o Ceará e criar uma nova província, o “Cariri Novo”, mas segundo o historiador José Aurélio Saraiva Câmara o verdadeiro objetivo era diminuir a zona de ação de seus adversários e implantar um império próprio no sul da província. Nomeado novamente presidente do Ceará, esquece o projeto – não tinha interesse de dividir a província e diminuir seu poder.

O historiador Airton de Farias[2] sintetizou bem: “Se a insurreição de 1817 diminuiu o ímpeto de Alencar, o insucesso de 1824 foi o ocaso do revolucionário. Ao contrário do irmão Tristão Gonçalves e de tantos outros companheiros, o filho de Dona Bárbara trocaria o ideal de criar uma república liberal pela sobrevivência física e política. Faltou-lhe a coragem de se manter fiel a princípios e arcar com as conseqüências. Veio à tona definitivamente uma das características de sua vida pública que se manifestaria outras vezes: o oportunismo. Aceitou a cooptação da monarquia”.
(*)Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes "Mater Salvatoris", de Salvador (BA)

[1] “1994 é o ano do bicentenário do pai de Alencar”, “O Povo”, 29/12/1994, folha 3-B.

[2] FARIAS, Airton de. Senador Alencar. Edições Demócrito Rocha, Fortaleza (CE), 2000, página 65
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Foto do Dia e Previsão do Tempo !


Acima: Foto da Rua Miguel Limaverde, tirada a partir da calçada da praça Siqueira Campos, ontem, dia 29/12/2007.

Acima: Previsão do tempo. É difícil acreditar que haja hoje, Domingo 30 de Dezembro pancadas de chuva à tarde. vamos ver...

Foto: Dihelson Mendonça
Tempo: Fonte: Climatempo.
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FELIZ ANO NOVO! - Por: Jorge Emicles



FELIZ ANO NOVO!

A idéia de que a história se constitui de uma seqüência linear de fatos é uma noção relativamente recente para a humanidade. Os antigos preferiam acreditar no universo e na vida como uma sucessão de ciclos, com começo, fim e recomeço. Na filosofia alemã do século passado, por exemplo, Nietzche afirmava a lógica do eterno retorno, segundo a qual os acontecimentos se sucederiam em ciclos, os quais periodicamente se renovavam. A própria idéia da passagem dos anos, estações, meses e semanas é clara reminiscência dessa visão de mundo ainda não totalmente esquecida.

Assim, falar de um novo ano é antes de tudo fruto da necessidade humana de explicar o universo enquanto uma seqüência de ciclos, os quais em seu conjunto formam o todo da experiência humana. E cada ciclo precisa ser apresentado como um recomeço, uma nova oportunidade concedida aos homens de corrigir-se e enveredar no caminho do que seja certo e leve à prosperidade. Ano novo, vida nova... Ano novo, nova oportunidade de endireitar aquilo que não foi tão bom, mas também de sedimentar as coisas positivas no antigo ciclo. É essa a grande esperança de todos... é esse o verdadeiro significado das comemorações pelo novo ciclo.

Tal compreensão do mundo, absolutamente se encontra avessa aos dogmas científicos da modernidade. A vida possui um ciclo, que se inicia com o nascimento, se finda pela morte e é alimentado pelo crescimento e reprodução de todas as espécies. O nosso corpo também é alimentado pelos ciclos, como a renovação periódica de todas as células; a natureza tem seus infindáveis ciclos, e mesmo à noção de ano acaba confinada ao ciclo do planeta em redor do astro solar. E desta maneira, compreender os ciclos que envolvem cotidianamente nosso existir, talvez permita compreender mesmo a sua própria essência.

Se o grande ciclo da vida tem por marcos o nascimento e a morte, decerto ele é preenchido por uma sucessão de outros, que merecem ser assinalados e compreendidos. O amor talvez seja o mais marcante de todos, porque de longe é o que permeia marcas mais profundas no existir. E, sob o signo do amor, vivemos seus diversos ciclos sob diferentes aspectos. Primeiro amamos incondicionalmente nossos pais, depois as diversas pessoas com as quais nos relacionamos, que vão dos familiares aos companheiros que se nos deparam durante a vida, passando por uma gama, enorme ou limitada, de amizades. Todas estas são diferentes formas de uma mesma energia. Mas, sobretudo, encontramos o amor incondicional na figura dos filhos que nos acercam durante a vida. É na verdade, os sucessivos ciclos do amor, por suas inumeráveis facetas, o que nos alimenta a resistir existindo, mesmo diante de todas as vicissitudes da vida.

O ciclo remonta à idéia de círculo, enquanto a forma geométrica mais perfeita de todas, porque não possui começo nem fim. Na simbologia, significa Deus, o Incriado e Perfeito. A vida dos homens, sendo cíclica, naturalmente o atrai aos valores sublimes da própria Divindade, lembrando a todos nossa proximidade com o Criador. Antes de uma simples confluência astrológica, o renovar do ano se nos apresenta primeiro, enquanto um chamamento ao recomeço na eterna busca da perfeição e em segundo lugar à intuição de nossas origens mitológicas, a um tempo, já esquecido, em que haveria uma comunhão absoluta não somente aos valores do Criador, mas sobretudo à perfeição da sabedoria. E se é cíclico o existir, então, da forma como partimos daquela condição primitiva, a ela retornaremos no fechamento do ciclo de expiações e aprendizados da espécie humana.

E assim deveria ser o espírito de todos os povos na cíclica passagem de um ano para outro. Não se trata simplesmente de mais uma comemoração. Também não é um ponto a mais em uma história aparentemente linear, mas na verdade um importante marco na busca de valores superiores, todos tendentes à elevação da condição superior do homem. O novo ano deve então significar uma renovada oportunidade de crescimento interior, individual e coletivo. Deve ser a lembrança de que por detrás do aparente caos que nos cerca, há uma ordem superior, e que a compreensão plena da ordem no meio deste caos é a meta de toda a espécie. É um momento, portanto, de profunda reflexão e especificação de propósitos no intuito do amadurecimento de todos e de cada um.

E com esse espírito desejamos: Feliz ano novo!

Jorge Emicles Pinheiro Paes Barreto Radialista. Advogado. Professor Universitário (URCA)
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Hoje no DN - Arquitetura do Crato em livro

MEMÓRIA HISTÓRICA


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Reprodução de foto da Rua Grande, na década de 20, no Crato. Atualmente, conhecida como Rua Dr. João Pessoa (Foto: Antônio Vicelmo)

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Casa onde morou a heroína Bárbara de Alencar, no século XIX, no Crato, ao lado da Igreja Matriz

Engenheiro Waldemar Arraes mostra, em livro, como a arquitetura das cidades recebem influências diversas


Crato. “Durante muito tempo a cidade do Crato teve a sua economia voltada para a agricultura, o que não permitiu o acúmulo de grandes capitais. Não tivemos e nem temos um patrimônio exuberante de reconhecido valor arquitetônico e estético dentro dos cânones tradicionais. Porém, este patrimônio tem grande importância para nossa comunidade, pois ele é o aspecto visual da história do município, a autobiografia do sistema econômico e das instituições sociais”.

O comentário é do engenheiro e arquiteto Waldemar Arraes de Farias Filho, que acaba de lançar o livro “Crato, Evolução Urbana e arquitetura de 1740 a 1960”. O livro, de 271 páginas, editado pela Gráfica Expressão, em Fortaleza, amplia a história do Crato, contextualizando para o resgate da memória do País, com seus principais fatos, sob a ótica da arquitetura.

A obra é um documentário histórico, ilustrado com fotos antigas, que conta a história do Brasil, desde o descobrimento, até os dias atuais, passando pelos estilos colonial, neo-colonial, neoclássico, art nuveau, art déco e modernismo.

Waldemar Arraes justifica que “a cada época, a arquitetura é produzida e utilizada de modo diverso, relacionando-se com a forma da estrutura urbana em que se instala. A arquitetura está sempre presente em nossas vidas de uma forma sutil, evocando lembranças e sentimentos”, comenta ele.

Contextualização

O trabalho de arquiteto é contextualizado dentro da história do Brasil, com destaque também para a arquitetura de Fortaleza, Aracati e Icó, citando fatos históricos que influenciaram mudanças econômicas, sociais e religiosas e, conseqüentemente, a visão do urbanismo das cidades.

Relaciona como as construções em seus mais variados estilos tiveram influências culturais e econômicas.

Antônio Vicelmo
Repórter

Mais informações:

´Crato, Evolução Urbana e Arquitetura´, livro de Waldemar Arraes de Farias Filho

(88) 3523.2390
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29 dezembro 2007

COLUNA CARIRI - Tarso Araújo - "O POVO" 30/12/2007

CARIRI
Tarso Araújo

POLITICA TUCANA

Manoel Salviano espera terminar 2008 prefeito de Juazeiro. O mesmo desejo arde no coração de Raimundo Macedo. As prévias tucanas abrirão as portas para a disputa municipal. Quem perder as prévias ficará fora das eleições municipais e terminará 2008 combalido.

ASSARÉ
Na cidade de Assaré, a política promete pegar fogo. Depois do rompimento de Evanderto Almeida e Benjamim Oliveira, o ex-prefeito Oliveira já avisa que será candidato a prefeito de Assaré. Será uma briga de cachorro grande, entre dois grupos políticos, antes aliados, hoje rivais.

FUTEBOL
Icasa e Guarani de Juazeiro fazem a final da copa realizada como pré-temporada para os dois times que representam o Cariri na primeira divisão do futebol cearense. O jogo acontecerá às 16 horas de hoje no Estádio Romeirão.

VIOLÊNCIA
Que em 2008 os sonhos de fim da violência no Cariri se realizem. Mais ainda, que o Governo do Estado tome efetivas mudanças com relação à segurança na região, começando por equipar mais e melhor as polícias civil e militar.

DOCE NATAL
Neste fim de ano cerca de 14 mil crianças receberam presentes no encerramento do Doce Natal do Crato. O evento aconteceu no estádio Mirandão, que estava lotado. Ao final, show cultura com artistas da terra.

POLÍTICA
008 terá forte conotação política. Ano de eleições municipais. No Cariri, vai pegar fogo. Em alguns municípios já existem algumas disputas anunciadas. Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, a disputa já começou mais cedo do que se esperava. Reflexo da luta pelo poder.

PT NO CARIRI
O Partido dos Trabalhadores (PT) mudou de presidente em 2007. Em 2008, pretende disputar o executivo de alguns municípios caririenses, com destaque para Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte e pretende permanecer em Mauriti.

GREVE
A greve na Urca continua mesmo com a resistência ferrenha da Reitoria. Os professores universitários já apresentaram a pauta de reivindicações. Essa greve pode ser um calo para Cid Gomes no início de 2008.

ANOTE: NOVA CARIRIENSE
A italiana Gabriella Federico - conhecida restauradora de obras de arte - esteve em Crato em agosto de 2006, trabalhando no restauro da imagem da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Penha. Gabriella ficou tão encantada com o Cariri que resolveu fixar residência em Crato. O que fez há poucos dias. Sorte nossa! Agora temos uma grande restauradora de arte sacra na região.

DE JUAZEIRO PARA O MUNDO
O professor mexicano, Carlos San Juan, ora cursando mestrado na Universidad Nacional Autónoma de México, escreveu ao escritor Daniel Walker solicitando livros sobre o Padre Cícero. O mexicano - na sua monografia de mestrado - discorrerá sobre a vida e obra desse sacerdote, nascido em Crato e que, a partir de Juazeiro do Norte, se projetou pelo mundo afora...

RESGATANDO A MEMÓRIA
Está para ser lançado um livro bem interessante: A Família Odísio no Brasil - a saga do escultor Agostinho Balmes Odísio. Escrito pela Sra. Vera Odísio Siqueira, neta de Agostinho, a obra resgata a trajetória desse italiano - que residiu em Juazeiro do Norte na década 30 - e deixou inúmeras obras de artes no Cariri. Só pra citar algumas: o monumento ao Cristo Redentor, o Palácio Episcopal (com as imagens do Bom Pastor e do Poverello de Assis), o altar-mor da Sé Catedral de Nossa Senhora da Penha, o busto de Dom Quintino (na Praça da Sé), um monumento a São Geraldo e a gruta de Nossa Senhora de Lourdes (ambas existentes no Colégio Santa Teresa de Jesus), todas em Crato.

POSSE NO ICC 1
Belíssimo, o discurso do padre Antônio Teodósio Nunes ao assumir a Cadeira Frei Carlos Maria de Ferrara, do Instituto Cultural do Cariri (ICC). Através dele ficamos sabendo que os capuchinhos chegaram a Pernambuco em 1642 e durante séculos partiam do convento da Penha, em Recife, para pregar a Boa Nova de Cristo em terras inóspitas que hoje formam os estados de Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. Os frades chegaram a organizar aldeias que depois se tornaram cidades.

POSSE NO ICC 2
Foi o caso de Crato. Em 1740, vestido com o burel de São Francisco de Assis, pés em rústicas alpercatas, exposto ao sol e às chuvas torrenciais da época, o frade italiano Carlos Maria de Ferrara fundou, às margens do rio Granjeiro, a Missão do Miranda, origem da atual cidade de Crato. Tão grande foi a epopéia de frei Carlos que se pode dizer que dela resultou um forte entrelace entre a nossa história e a história da religião no Cariri cearense. Frei Carlos Maria de Ferrara nasceu em 1707, há trezentos anos, e tem seu lugar garantido na história. Mas ainda aguarda uma homenagem da cidade que ele fundou...

TÁ CERTO
Uma escola de ensino infantil, construída no bairro Bela Vista, em Barbalha, foi oficialmente denominada de Monsenhor Murilo de Sá Barreto. É a primeira homenagem feita pela Terra de Santo Antônio ao seu ilustre filho, o saudoso "Vigário do Nordeste". A propósito, o deputado Mauro Benevides proferiu, na Câmara dos Deputados, no último dia 19, discurso lembrando os 50 anos de ordenação sacerdotal de monsenhor Murilo.

NOITE NA GRÉCIA
Amanhã, 31, o Clube Recreativo Granjeiro realiza um Réveillon "Uma noite no Grécia" com a banda Coquetel e tenda eletrônica. Milhares de pessoas devem comparecer ao já tradicional Réveillon do Granjeiro. Entretanto fica aqui uma crítica construtiva sobre 2007: a administração vem pecando muito. Há feriados em que as piscinas ficam fechadas e o restaurante abre por volta das 10 da manhã. Um clube do porte do Granjeiro tem que ser mais organizado.

28 dezembro 2007

Blog Humor

Na Iminência do Brasil sediar a Copa de 2014, muitos turistas estarão por aqui, de diversos locais do mundo com várias línguas, sendo assim, fica imprescindível o aprendizado de outros idiomas para a melhor comunicação com os turistas!

Pensando em auxiliar a comunicação foi formulada uma solução prática e rápida!!! Chegou o sensacional e insuperável curso "The book is on the table" com palavras que você usará quando o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014, veja como é fácil!

(Que Jayro não me escute... hauhauhauahuahauhauah)

1. Is we in the tape! = É nóis na fita.

2. Tea with me that I book your face = Chá comigo que eu livro sua cara.(a melhor)

3. I am more I = Eu sou mais eu.

4. Do you want a good-good? = Você quer um bom-bom?

5. Not even come that it doesn't have! = Nem vem que não tem!

6. Wrote, didn't read, the stick ate! = Escreveu, não leu, o pau comeu!

7. She is full of nine o'clock= Ela é cheia de nove horas.

8. Between, my well! = Entre, meu bem!

9. You traveled on the mayonnaise = Você viajou na maionese.

10. I am completely bald of knowing it. = To careca de saber.

11. To kill the snake and show the stick = Matar a cobra e mostrar o pau.

12. Ooh! I burned my movie! = Oh! Queimei meu filme!

13. I will wash the mare. = Vou lavar a égua.

14. Are you thinking here's the house of Mother Johanne? = Tá pensando que aqui é a casa da Mãe Joana?

15. Go catch little coconuts! = Vai catar coquinho!

16. You are by out! = Você esta por fora!

17. If you run, the beast catches, if you stay the beast eats! = Se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come!

18. Ops, gave Zebra! = Xiiiii, deu zebra!

19. Before afternoon than never. = Antes tarde do que nunca.

20. Take out the little horse from the rain = Tire o cavalinho da chuva.

21. The cow went to the swamp. = A vaca foi pro brejo!

22. To give one of John the Armless = Dar uma de João-sem-Braço.

QUE NO ANO NOVO NOS RENOVEMOS


Hoje Ignácio Cano, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, publica um artigo com o título: Sob a máscara da tortura. É um texto revelador e gostaria que muita gente lesse. É pedagógico, trata da evolução da civilização em que as pessoas, todas elas sem qualquer exceção, pertencem a uma sociedade comum a todos. E o tema do texto é dos Direitos Humanos ainda objeto de muitas incompreensões e necessitado de que as pessoas aprendam a localizá-los na razão comum de suas vidas. Se assim não fosse, se não houvesse evolução muita tradição que se vê com simpático distanciamento no tempo ainda estaria aí como verdade anacrônica nos nossos dias.

Dificilmente um cidadão de boa formação ética e moral concordaria com a letra deste samba gravado pelo nosso querido Moreira da Silva: Na subida do morro me contaram, que você bateu na minha nega, isso não é direito bater numa mulher que não é sua, deixou a nega quase nua.......Mas nunca abusou de uma mulher que fosse de uma amigo. A mulher era um objeto dos homens e uma vez possuída poderia ser naturalmente surrada pelos maridos. Ou seja, se assim não fosse, a sociedade brasileira não teria a Lei Maria da Penha. Agora tem e necessita que a lei saia da ação do Estado e penetre a vida comum dos cidadãos para que nenhuma mulher seja objeto da crueldade do seu marido.


Quantas vezes não desesperamos ao ouvir os argumentos contra os Direitos Humanos só por que o conhecemos e já estamos devidamente formados para aceitá-los. Mas é preciso compreender que muita gente no nosso país ainda não os compreende e os nossos meios de comunicações estão cheios destes defeitos de entendimento. Por isso achei por bem fazer um resumo dos ensinamentos do professor nesta postagem.

O primeiro defeito é que os defensores dos Direitos Humanos são sempre confundidos como os defensores dos direitos dos bandidos de cometer crimes. E assim o professor responde: "A noção de direitos humanos nasce como uma tentativa de evitar os abusos cometidos pelo Estado. Se uma pessoa comete um crime contra outra, o Estado moderno dispõe, a princípio, de meios para puni-lo. Entretanto quem defenderá o cidadão dos atropelos do próprio Estado que o deveria proteger?". Ou seja, para o bandido já existem as leis criminais, mas os direitos humanos têm outro enfoque e contexto. Como define Ignácio: "direitos humanos centrados, basicamente, nos abusos cometidos por agentes do Estado. Por isso, a execução de um suspeito por um policial constitui violação aos direitos humanos, enquanto a morte de um policial por um criminoso, mesmo que seja igualmente execrável, não é."


Então o professor esclarece que os direitos humanos se voltam para todos, inclusive para bandidos ou pessoas que tenham cometido ilícitos de qualquer natureza(inclusive os agentes do Estado como policiais). Diz que em qualquer circunstância a justiça já tem as regras de punição definidas e não necessita que o ódio de qualquer agente do Estado ultrapasse os seus deveres. Se cada um acha que deve fazer a justiça segundo suas própria e particular convicção, o mundo ainda estaria na barbárie. Nesta situação os direitos seriam apropriados segundo a posição social e os méritos de cada um. O nosso velho coronel do sertão ainda estaria fazendo jurisprudência, os cangaceiros teriam sua própria justiça e os bandidos, armados com os mais possantes instrumentos e detentores das melhores técnicas de ação teriam impostos suas leis a todo (atenção até fazem isso em algumas comunidades, mas o Estado tem sempre a possibilidade e o dever de ir contra eles). Seria a fragmentação do direito.

Procurando ser mais didático Ignácio Cano reescreve o artigo 5º da Constituição segundo um certo pensamento militante daqueles que não contra os direitos humanos: "garantindo-se....a inviolabilidade do direito à vida, exceto quando os agentes policiais decidirem que a pessoa em questão representa um grave perigo para a sociedade, podendo então aplicar a pena de morte de forma automática e sem apelação. Ninguém será submetido à tortura, exceto quando a autoridade pública decidir que ela é necessária para a obtenção de informações ou para o castigo de suspeitos".


Olhe pessoal o texto reescrito por Ignácio Cano é ironia, a Constituição brasileira é contra a tortura e a pena de morte. Esclareço para que a defesa dos direitos humanos não venha, por ironia, ser tratada de má fé. De qualquer forma a democracia não é só a exposição das nossas diferenças, o melhor e mais importante efeito dela é construirmos algo em comum sobre os quais tenhamos, todos, paz.


Neste Final de Ano nada mais importante para todos. Termino esta mensagem com duas lembranças fundamentais: aqui mesmo nos nossos blogs surgiu uma grande polêmica em razão das ameaças pouco democráticas feitas contra o pensamento do nosso caro Dihelson e hoje todos estamos assistindo a desgraça do Paquistão. Desgraça provocada, inclusive, por uma política internacional equivocada na luta contra o terrorismo, perpetrada pelo Governo Americano. Uma política que foi na contramão do espírito democrático e das instituições como os direitos humanos, pois se baseava na força maior, na intimidação, tortura e quebra de todas as regras proteção humana, inclusive por preconceito étnico e religioso. Resultado, a morte de Benazir Bhutto e suas conseqüências é fortemente criticada como efeito da política externa de Bush Júnior.

27 dezembro 2007

DRAMA DOS EXCLUÍDOS


Leopoldo Martins me passou por email, uma crônica de sua autoria, que mostra não só o Drama dos excluídos, mas a sensibilidade, o humanismo presente na pessoa do escritor, que bem sucedido em vida, demonstra sua vocação altruísta e preocupação com os menos favorecidos. O altruísmo implícito no texto, chega oportuno por ocasiões de datas festivas e reflexivas.

DRAMA DOS EXCLUÍDOS


Recentemente debrucei-me com uma leitura de um discurso proferido pelo senador Pedro Simon, que me fez refletir sobre a situação da região do cariri e mais particularmente do País dos nossos dias e que me proporcionou, também, uma profunda elucubração sobre o papel dos parlamentares e gestores, eleitos pelo povo para representá-los num projeto coletivo de construção da democracia, da cidadania e da soberania.

Exteriorizava aquele senador que um amigo seu se encontrava no interior de uma loja especializada na venda de instrumentos musicais. Havia, ali, possibilidades de sons e acordes para todos os gostos e todos os bolsos. Das flautas e das marimbas mais singelas, aos mais sofisticados violinos, oboés, contrabaixos, harpas, pianos e vibrafones.

Ficou ele imaginando todos aqueles instrumentos tocados em conjunto, numa praça ao ar livre ou no palco mais requintado de uma sala de espetáculos. Sentia-se transportar para outras dimensões da vida, ao som de uma orquestra, com suas partituras criadas sob a inspiração divina. Mas, ali, só havia a imaginação fértil de um amante da música, da música e de seu poder de elevar os homens a patamares quase transcendentais, de levá-los às proximidades de Deus. Aqueles instrumentos, entretanto, estavam, ali, mudos, sem as mãos e o dom dos homens criados á sua semelhança.

De repente, surge à porta da loja um menino maltrapilho: um pé descalço, outro arrastando uma sandália arrebentada, olhos fixos nos instrumentos de corda: violas, violões e bandolins.

Logo, os vendedores da loja transmutaram-se em verdadeiros seguranças, com os olhos fitos naquele menino que se vestia pobremente. O garoto permanecia quase que hipnotizado, diante de um cavaquinho. Olhando-o, parecia transportar-se para outro mundo. Imaginava-se, talvez, num recital no mesmo ar livre que lhe servia de abrigo nestas noites frias de um final de outono. Imaginava-se dedilhando aquele instrumento no meio de uma orquestra, uma orquestra que, certamente, incluiria seus amigos de relento. Talvez ele estivesse imaginando um solo, ou um duo, ele e Deus, para demonstrar o quanto um é semelhante ao outro. Um, criatura; outro, criador.
De repente, o menino maltrapilho reuniu toda sua coragem e apanhou, com suas mãos sujas do asfalto, aquele pequeno instrumento, reluzente e afinado. Agora, não só todos os olhos, mas todos os passos dos vendedores-seguranças se dirigiram para aquele fiapo de gente. Sairia ele correndo pela porta? Não, certamente, tropeçaria numa rasteira que o jogaria de volta à calçada, já em posição de mãos à cabeça. Perguntaria ele pelo preço do seu sonho e o devolveria à prateleira fria, até que outras mãos “mais limpas” dedilhassem as cordas de aço?

Não mais que de repente, aquele menino maltrapilho deslizou os dedos sujos pelas cordas esticadas do cavaquinho e, olhos fechados como que em transe, encheu o ambiente com os acordes de “Brasileirinho”.

As pernas apressadas dos vendedores travestidos de seguranças quedaram trôpegas. Os olhos de lince ficaram marejados. Aquele menino maltrapilho, quem diria?, Era um verdadeiro brasileirinho. E “um brasileiro quando é do choro é entusiasmado, quando cai no samba não fica abafado, e é um desacato quando chega no salão”.

Fico eu, agora, imaginando, o som daquele verdadeiro “hino nacional”, dedilhado por um destes meninos para os quais fechamos, no nosso dia-a-dia excludente, os vidros dos nossos carros e as portas de nossas bem vigiadas casas. Quantos serão os brasileirinhos, maltrapilhos, dedos sujos de terra, que saberiam – como diz o poeta – fazer “todo mundo dançar a noite inteira no terreiro até o sol raiar"?

São milhões os brasileirinhos excluídos do nosso carro, da nossa casa, do nosso coração, da nossa vida, do nosso País! E, quem, são os maestros dessa orquestra excludente, cuja batuta teima em não aceitar artistas de dedos sujos? Somos nós, que teimamos em tocar, apenas, para um público refinado, nas mais requintadas salas de espetáculo. Esquecemos o ar livre, democrático e cidadão.

O povo pode até servi como inspiração para as nossas partituras, as nossas orações e os discursos na maioria das vezes demagogos, mas ele está longe da nossa prática. Ele é chamado, apenas, para montar os nossos palcos, mas não participa, nem de longe da nossa orquestra, nem do nosso público!
É essa cruel realidade que mostra o trabalho realizado recentemente pelo IPEA, são quase 54 milhões de brasileiros em situação de pobreza, sobrevivendo com uma renda per capita que não passa de meio salário mínimo mensal. São quase 22 milhões de indigentes, sobrevivendo com menos de um quarto de um salário mínimo mensal. Quatro, em cada dez brasileiros, já podem ser considerados numa situação de miséria absoluta! O Brasil tem algo como 15 milhões de analfabetos acima de 15 anos! São cegos do saber. São milhões que sobrevivem num país anexo.

Essa loja de instrumentos de trabalho e de produção chamada Brasil é excludente. Como o menino maltrapilho dos pés descalços, a população pobre do País não consegue ter acesso à terra, ao trabalho, à habitação, à saúde, à educação, à renda, à vida.

Francisco Leopoldo Martins Filho
Pós Graduado em Direito Penal

Foto do Dia - Por haoni Caiena.


Foto: Rua Bárbara de Alencar, vista à partir do calçadão do Largo da Reffesa. Vê-se do lado direito, o final da praça Francisco Sá ( Cristo-Rei ).

Foto: Haoni Caiena.
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Balanço de Final de Ano - Por: Jorge Emicles


Na forma da tradição, mais uma vez entramos no período das comemorações natalinas, época de confraternizações e também de reflexões. Encerrado mais este ano, é papel da imprensa trazer à baila o balanço do ano de 2007. E é difícil, depois de tantos acontecimentos, primeiro garimpar aqueles que realmente terão importância à posteridade e os outros que serão condenados ao esquecimento das futuras gerais, bem como afirmar se, ao final de tudo, foi positivo ou negativo o ano que se encerra.

No Crato, podemos afirmar que a cidade está mais alegre e se reconcilia a cada dia com suas tradições culturais. É raro se ver tal sentimento em um povo em plena era da globalização, mas a realidade é que os diversos trabalhos realizados pelo Governo Municipal de fato vêm conseguindo tal objetivo, seja pela restauração de prédios históricos, na criação de novos espaços de efervescência cultural, mas principalmente pelo trabalho de resgate das tradições e valorização daqueles, anônimos ou não, que concretizem a cultura. Isso é ponto positivo de tão grande importância, que se irradia ainda para as cidades circunvizinhas. É o Cariri inteiro quem ganha com tais iniciativas. Foi nesse espírito que os grandes eventos da cidade de Bárbara de Alencar ganharam fôlego novo neste ano, como é o caso da ExpoCrato e da Mostra Sesc de Cultura. Esta última, com os novos espaços abertos, galgou dimensão inédita de todas as suas edições anteriores.

Só isso, porém, não significa que deveríamos estar em êxtase, porque por mais positiva que possa ser essa avaliação, tal não suplanta em absoluto as dificuldades e carências de toda a região. O trem está voltando ao Cariri, porém a miséria do seu povo já se encontra instalada há muitas gerações. Fruto da desigualdade econômica que põe muito nas mãos de poucos, o que é bem exemplo, senão fruto mesmo, do processo de globalização. Tal perspectiva nos permite afirmar que, se somos nutridos no sentido da cultura, continuamos famintos de pão, de empregos e de condições gerais capazes de garantir a dignidade humana. E para alterar tal condição, é preciso que haja investimentos maciços no desenvolvimento econômico de toda a região. Não somente garimpando novas indústrias, mas principalmente daqueles que sejam capazes de desenvolver um compromisso social com nosso povo. Antes de tudo mesmo, é preciso descobrir as grandes vocações locais e regionais, a fim de que se possa trabalhar um desenvolvimento sustentável e comprometido com a distribuição de renda.

O balanço também é negativo, se formos ver as devastações ambientais, responsáveis em última instância, pelo aquecimento global, que se fez presente muito especialmente no nordeste Brasileiro. Os caririenses, por experiência empírica mesmo, podem constatar que não somos mais aquela região de clima tão ameno quanto antes, de maneira que também temos de unir forças, fazendo nossa parte, ao menos, na grande corrente mundial que, enfim se forma, no objetivo de salvar o planeta. Neste final de ano, paira sem resposta ainda a grande questão ambiental: ainda haveria solução?

Enfim, chegamos ao termo de mais um ano, mais cientes de nossas potencialidades e mais conscientes dos problemas que nos rodeiam, sejam os locais, sejam os globais. Mas a consciência é pouco perto dos grandes desafios que se nos deparam, de maneira que a grande incitação é ao fazer; é pela necessidade de, superando o simples discurso, arregaçarmos as mangas e iniciarmos um hercúleo trabalho de transmudação da nossa realidade.

À imprensa de uma maneira geral, cabe o papel de timoneira, orientando, criticando e sugerindo novas ações, funcionando como uma espécie de consciência coletiva no enfrentamento das grandes questões que nos ameaçam enquanto região, mas sobretudo enquanto espécie definitivamente em processo de extinção. Não é mais só a natureza que precisamos salvar, mas ao próprio homem, sua cultura e principalmente, sua dignidade, de maneira que, mesmo frente ao nefasto processo globalizante, possa ainda ser reconhecido enquanto uma individualidade, senhora de direitos e deveres no seio da sociedade em que vive.

Jorge Emicles Pinheiro Paes Barreto
Radialista
- Professor Universitário.
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Hoje no Diário do Nordeste: Crato: Termelétrica inicia operação.

Energia no Cariri

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Termelétrica do Crato, ocupa uma área de 4 mil metros quadrados. O sistema dispõe de depósitos para óleo diesel (Foto: Antônio Vicelmo)

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Setor responsável pelo controle de energia gerada no novo complexo

Com a redução das águas do Rio São Francisco, pequenas termelétricas entram na geração de energia

Crato. O abastecimento da energia elétrica do Cariri está sendo complementado com o funcionamento de uma termelétrica. Entrou em operação a Termelétrica do Crato, com a geração de 13,12mw, o que corresponde, segundo o diretor de engenharia da Enguia, Raul Fernando Ferreira, ao fornecimento para uma cidade com 48 mil unidades consumidoras, ou seja, uma população de até 200 mil habitantes. A energia é injetada no sistema de transmissão da Companhia Energética do Ceará (Coelce) e distribuída de acordo com a necessidade da empresa.

Construída em 2002, é a primeira vez que a unidade do Crato começa a fornecer energia. O risco de “apagão” está sendo afastado, diz o industrial Ricardo Biscúcia, acrescentando que as termelétricas, que até hoje tiveram um papel diminuto na matriz energética brasileira, devem funcionar como reguladoras da oferta de energia, compensando situações em que o regime das chuvas não colabora e os reservatórios se esvaziam, como está ocorrendo agora, com a redução das águas do Rio São Francisco.

A geradora do Crato faz parte de um complexo formado por 12 termelétricas, administrada pela Enguia GEN Ltda. As outras 11 estão localizadas em Juazeiro do Norte, Aracati, Iguatu, Caucaia, Baturité e Pecém, no Ceará; Campo Maior, Marambaia, Altos e Nazária, no Piauí, e Jaguarari, na Bahia.

Os motores com 16 válvulas são movidos com óleo diesel comprado no Terminal da Petrobras do Crato, a cerca de dois quilômetros de distância. Cada um dos motores é acoplado a um gerador de energia. A unidade do Crato consome 70 mil litros de óleo por dia, ou seja, o equivalente a mais de três caminhões-tanque.

O combustível é armazenado em parques ou depósitos adjacentes, de onde é enviado para os motores. O sistema conta com de 10 funcionários, seis operadores e mais quatro da equipe de manutenção.

No Ceará, a empresa aumentará sua capacidade em 95,12mw com o funcionamento de sete usinas, de acordo com as informações da agência reguladora. No Piauí, as quatro usinas vão aumentar em 52,48mw a capacidade de geração do Estado. Na Bahia, a termelétrica Jaguarari, na cidade de mesmo nome, vai beneficiar uma população de 908,1 mil habitantes.

Funcionamento

Uma usina termelétrica consiste numa instalação industrial usada para geração de eletricidade a partir da energia liberada em forma de calor, normalmente por meio da combustão de algum tipo de combustível renovável ou não renovável.

Outras formas de geração de eletricidade são energia solar, energia eólica ou hidrelétrica. No caso das instaladas no Ceará, elas são movidas a óleo diesel que aciona um motor acoplado a um gerador que produz a energia para a região.

As termelétricas convencionais utilizam algum tipo de combustível fóssil como petróleo, gás natural ou carvão que é queimado em uma caldeira, que gera vapor a partir da água que circula por tubos em suas paredes. O vapor movimenta as pás de uma turbina, que é conectada a um alternador que gera eletricidade. No sistema não há contato entre o vapor utilizado na turbina e a água do meio ambiente.

Mais informações:
Termelétrica do Crato
Rua Brigadeiro Macedo, s/n,
bairro São Miguel, Crato
Enguia GEN Ltda
(21) 3206.6014

Antônio Vicelmo
Repórter
. Matéria veiculada hoje, dia 27 de Dezembro de 2007 no jornal Diário do Nordeste, www.diariodonordeste.com.br
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A cobrança dos serviços em bares e restaurantes

Por: Leopoldo Martins Filho.


Quem freqüenta bares e restaurantes sabe que, por costume, a grande maioria desses estabelecimentos do cariri cobra, sobre o valor total da conta, a remuneração do serviço, correspondente a dez por cento.
Resta saber se está o consumidor obrigado ou não a pagar esse percentual adicional.
Gratificar significa “premiar”, “dar gorjeta”, ou seja, tem caráter voluntário, podendo o consumidor deixar de pagar se assim o desejar.
Nem podia ser diferente uma vez que, enquanto fornecedores, os bares e restaurantes devem prestar adequada informação ao consumidor, por esta entendida o fornecimento do preço exato da refeição. Ou seja, o consumidor, quando pega o cardápio, tem que ser informado do preço efetivo da refeição, nele incluídos o valor dos impostos, bem como a remuneração pela prestação dos serviços de todos os profissionais do estabelecimento.
O preço estabelecido no cardápio tem caráter de oferta, devendo, nos termos do art. 31 do CDC, ser claro, preciso e ostensivo. Traduzindo, se o valor do serviço for obrigatório deverá ser incluído no preço da refeição, a fim de não deixar em dúvida o consumidor.
O consumidor tem o direito de pagar apenas o preço estabelecido no cardápio. Voluntariamente, se o serviço houver sido bem prestado, poderá pagar sobre o preço o valor de dez por cento, para a remuneração dos garçons, a título de gorjeta.
Cumpre ressaltar que, em razão da relação de emprego que mantém com os restaurantes, os garçons recebem a título de remuneração fixa o piso estabelecido para a categoria. A gorjeta faz parte da remuneração variável, que o garçom só receberá se fizer por merecer e se o consumidor reconhecer a qualidade do serviço prestado.
Não é, portanto, o consumidor quem deve remunerar os garçons e sim o estabelecimento.
A remuneração dos garçons vem sendo objeto de inúmeras distorções, podendo referir-se, a título de exemplo, que:
- casas noturnas cobram, indevidamente, tal percentual quando a bebida é retirada no balcão;
- bares e restaurantes retém parte dos dez por cento, não os repassando aos garçons;
- bares e restaurantes dividem os dez por cento entre todos os profissionais: cozinheiro, copeiro, lavador de pratos, manobrista, balconista, etc.;
- bares e restaurantes obrigam os consumidores a pagar os dez por cento.
Para evitar essas distorções, a edição de leis estaduais regulando a matéria é recomendável.
Uma coisa é certa, consumidor nenhum pode ser obrigado a pagar os dez por cento, quer em casas noturnas, quer em bares e restaurantes. O consumidor tem o direito de pagar apenas o valor estabelecido para a refeição no cardápio, podendo, após isso, deixar o estabelecimento sem maiores discussões.

Francisco Leopoldo Martins Filho
Pós Graduado em Direito Penal
Especialista em Danos Morais
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26 dezembro 2007

ESCULTURAS DE PAREDE

Caríssimo amigo Dihelson...
Gostaria que os amigos do BLOG DO CRATO visitassem essa obra de cunho magnífico, desse artista plástico que mora no Recife.
Seu nome é Mário Peixoto.
Um abração.
O site dele é http://www.ateliermariopeixoto.com

O CRATO QUE QUEREMOS - Por Jorge Emicles - Radialista


Nascido da expansão do gado, no conhecido ciclo do couro, toda a região do Cariri se firmou a partir da guerra. Primeiro inimigo enfrentado e vencido, foram os índios da valente nação Kariri, os quais opuseram firme resistência aos colonizadores jesuítas, primeiro porque se mostraram indiferentes às tentativas pacíficas de catequização e mais tarde porque ofereceram séria resistência à ocupação pela força. Tal realidade em verdade fez perecer quase que completamente os primitivos ocupantes da região, não conseguindo, contudo, aniquilar sua viril cultura. Mas o fato é que os veios de sangue definitivamente marcam as origens e tradições culturais da região.

Vencidos os bugres, ainda assim persistiu o povo caririense com o estigma da violência, tanto pelas invencíveis guerras dos coronéis quanto especialmente pelos movimentos revolucionários que se instauraram no Cariri, pelas mãos de José Martiniano de Alencar e sua irmã Bárbara, os quais culminaram com a proclamação da independência e república em 1817, prisão dos revolucionários em Fortaleza e Salvador e ressurgimento do movimento, o qual terminou com a definitiva ascensão política de seus cultores e definhamento e morte de seus inimigos. Não contudo, sem a presença do sangue, como são os casos do assassinato em batalha de José Martiniano e o fuzilamento de Pinto Madeira, fato que nas palavras do ilustre Raimundo de Oliveira Borges se constitui na única (preferimos dizer maior) injustiça praticada pelo Poder Judiciário da Comarca do Crato – que por sinal é a mais antiga de todo o interior Cearense.

Chegados os anos áureos, que vieram junto com a estrada de ferro, o Crato foi o grande comandante político e econômico da região. Centro do comércio local, o Crato e o Cariri representaram importante marco no povoamento e desenvolvimento regional, inclusive porque estão localizados no centro geográfico do nordeste brasileiro. Tal importância é por sinal, muito bem relatada pelo ilustre antropólogo carioca Darci Ribeiro em obra fundamental ao entendimento da construção da nação brasileira, cujo título é O POVO BRASILEIRO.

Sedimentada sua economia não só no comércio, como também e com igual importância no cultivo e industrialização da cana-de-açúcar, o Crato sofre enorme revés com o fenômeno social do Padre Cícero. Primeiro porque suas lideranças não tiveram a real percepção da ilustre figura do patriarca de Juazeiro, o qual viam como um conspirador contra os interesses oligárquicos locais e depois porque levaram sua resistência aos extremos, inclusive incitando a guerra, como foi o caso da invasão do Crato pelos romeiros em 1914, fato que até o presente deixa severas marcas na cultura e no imaginário popular local, o que somente repele a consciência da necessidade de ações conjuntas em toda a região. A violência, contudo, não se resume somente a isto, sendo igualmente marcante a destruição do povoado do Caldeirão do Beato José Lourenço, que como um dos mais importantes herdeiros do Padre Cícero, representa o mais evidente símbolo dos perigos que as idéias de associativismo representava para a oligarquia canavieira local.

Mesmo ante o ocaso, e apesar da renitente falta de visão e compromisso dos seus líderes, o Crato ainda consegue sobreviver e se manter como marco regional. Apoiado agora nas suas raízes culturais e tradição educacional, firmadas a primeira pela ação indelével das tradições folclóricas resistidas e que se apóiam em todos os importantes eventos históricos, mesclando a ação dos diversos povos que firmaram suas origens e a segunda na ação positiva da igreja católica romana, que de há muito plantou as sementes do conhecimento, seja através do Seminário São José, do Colégio Diocesano e mesmo da antiga Faculdade de Filosofia que é o marco fundador da própria Universidade Regional do Cariri. São todas estas tradições e valores que transmudaram o Crato na conhecida Capital da Cultura, título reconhecido pelo próprio Governo Estadual na administração de Lúcio Alcântara.

Contudo, mesmo ainda gozando de relativa importância, é forçoso reconhecer que o Crato vive processo de decadência, o qual precisa ser estancado, para o que é imprescindível reconhecer que nem a cidade nem os tempos são mais os mesmos. Viver do saudosismo do passado e se impor a importância que não mais se tem são na verdade mecanismos que somente auxiliam o próprio declínio. Assim, para voltar a crescer é preciso, verificando as novas realidades do mundo moderno, reconhecer quais seriam as vigentes e próprias vocações do Crato. Não adianta tentar competir na força do comércio e da crescente metrópole, porque inquestionavelmente este espaço já foi tomado pela vizinha Juazeiro do Norte; Não vale pretender retomar espaço de pioneiro na industrialização também. As verdadeiras vocações do Crato, à toda prova, definitivamente estão na valorização da cultura local e meio ambiente privilegiado, através de diversas formas da exploração da chamada indústria sem chaminés que é o turismo. Assim, é de se criar estruturas melhores visando a exploração deste turismo, o qual representará sem dúvidas o caminho a ser percorrido para a recuperação da importância local, seja no estímulo à criação de novos cursos acadêmicos, tanto valorizando a própria URCA quanto estimulando a vinda de novas Universidades, a exemplo do Campus Avançado da Universidade Federal do Ceará, que teimam os políticos de Juazeiro em levar para aquelas terras, o que atrairá um maior número de estudantes e intelectuais os quais incentivarão sobremaneira a economia local, da mesma forma que se prescinde da criação de espaços capazes de valorizar o folclore local, fato que permitirá a visita de maior número de turistas os quais também necessitarão da estrutura de organizações ligadas ao turismo ecológico, explorando as belezas da Floresta Nacional do Araripe com suas trilhas e mirantes; tudo isso passando imprescindivelmente pelo fortalecimento da rede hoteleira.

Um administrador de visão, que conscientemente pretenda soerguer novamente o Crato aos patamares de importância que já teve, terá de percorrer estes caminhos, sendo puramente demagógico qualquer outro discurso que se baseie na importância perdida e nos valores que já não mais se tem, como ocorre com a grande maioria dos políticos, isto porque o trem da história já partiu, deixando-os presos a um passado que não volta mais. Neste sentido, não se pode negar a participação positiva da atual administração municipal, que a partir da recuperação de prédios históricos locais, como a REFFESA e o Cine Teatro Moderno, não se prendeu simplesmente ao saudosismo, com o equivocado discurso de que o Crato voltaria à importância pretérita, mas ao contrário, dotou a cidade de valiosos equipamentos através dos quais a cultura local poderá se exprimir livremente, significando marcos necessários à estruturação destes novos caminhos. As metas assim, restam traçadas, cabendo ao governo local e estadual, na medida em que tenham verdadeiros compromissos com o povo cratense desenvolver as ações necessárias à sua concreção.

Crato, 24 de junho de 2007.

Por: Jorge Emicles Pinheiro Paes Barreto
Professor Universitário
- Radialista
Foto: Dihelson Mendonça
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Blog do Crato - Foto do Dia

Acima: Foto do centro do Crato, onde vê-se a sé catedral e mais ao fundo, o centro de juazeiro do Norte.

Foto: Dihelson Mendonça
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Programe-se: Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga - Fevereiro 2008.

Tempo de jazz e blues

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Ivan Lins se apresenta na terça de Carnaval, no Festival de Jazz & Blues (Foto: Divulgação)

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Nonato Luiz, finalmente levando seu violão ao festival (Foto: Divulgação)

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O acordeonista Rodolf Forte: atrações da música cearense de qualidade no festival (Foto: Divulgação)

Dos Irmãos Aniceto a Ivan Lins, de Rodolf Forte a Jefferson Gonçalves, de Felipe Cazaux a Frères Guissé . Grandes atrações vão movimentar a edição 2008 do Festival Jazz & Blues de Guaramiranga

São quatro dias de jazz, blues e muita movimentação, na pequena Guaramiranga, no Maciço de Baturité. O carnaval da cidade vai ser palco de intérpretes de jazz, instrumentistas virtuoses, veteranos ou jovens desbravadores do blues e apreciadores da boa música. O Festival, que ganha a cidade serrana de dois a cinco de fevereiro, chega à nona edição com o reconhecimento de prezar pelo alto nível de seus convidados e a qualidade da produção, tendo se tornado uma referência para outros eventos no gênero que surgem no país.

A diversidade de sons é marca do Festival Jazz & Blues desde a sua criação. Este ano não poderia ser diferente. Com jazz, blues, MPB e sons de instrumentos mais regionais, o Festival leva aos palcos atrações locais, nacionais e internacionais reconhecidas mundo afora. É o caso de J.J. Milteau, um “papa” do blues, considerado o melhor harmonicista do gênero na França, acompanhado na guitarra pelo também francês Manu Galvin. De outro continente, vêm também os senegaleses Irmãos Guissé, que trazem a riqueza e a beleza de suas músicas originadas de várias tradições culturais do Senegal e do oeste africano.

A música instrumental de artistas brasileiros estará em cena com o virtuosismo do violonista Nonato Luiz, que tem sua música presente em mais de 30 discos próprios e participações em outros tantos. Suas músicas já foram gravadas por violonistas dos Estados Unidos, China, França e Áustria. Em 2006, representou o Brasil na França e na Coréia do Sul em Festivais de Virtuoses do Violão. Outra fera que estará no Festival é Hamilton de Holanda, que recebeu da imprensa francesa o título de “príncipe do bandolim”. Em 2005, fez o show de lançamento oficial das comemorações do ano do Brasil na França.

Ivan Lins é outro convidado da edição 2008. Ele tem músicas gravadas por artistas como Quincy Jones, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Barbra Streisand e já foi indicado ao prêmio Grammy. É autor da trilha sonora dos filmes “Dois Córregos” e “Bens Confiscados”, de Carlos Reichenbach, e ganhou Prêmio de Melhor Trilha Sonora no terceiro Festival Luso-Brasileiro Santa Maria da Feira. Em 2004, lançou no Brasil e no exterior o CD “Cantando Histórias”, trazendo regravações de antigos sucessos seus e também contando histórias sobre sua música e carreira. Seu CD mais recente , “Acariocando”, lançado em 2006, reúneu somente canções inéditas.

Gaita

Quem está de volta ao Festival é Jefferson Gonçalves, gaitista carioca, referência em harmônica blues no Brasil, daí ter conseguido uma linha de Harmônicas com sua assinatura fabricada pela Hering Harmônicas. A voz feminina em 2008 estará representada no evento pela paulistana Nicole Borger. Sua voz é contralto de sonoridade quente, densa e grande riqueza de recursos tímbricos. Em abril de 2007, lançou seu terceiro CD, “Cantando Marias”, que tem sido bem recebido pelo público. Em agosto deste ano, Nicole realizou espetáculos de lançamento também nos Estados Unidos, com igual receptividade do público.

Importantes nomes da música cearense estão na programação. Do blues, participa Felipe Cazaux, atuante guitarrista da nova geração. Ele iniciou a carreira profissional em 2002 e apresentou-se nos lendários clubes “Buddy Guy´s Legends” e “Rosa´s Lounge”, em Chicago (EUA), onde tocou com alguns dos melhores “bluesmen” do mundo, incluindo nomes como James Wheeler (antigo guitarrista de Otis Rush). Da cena jazzística local, outro atuante músico é o saxofonista Bob Mesquita, que começou como instrumentista erudito e enveredou pelo jazz. É atualmente componente e arranjador da Big Band Show Case e flautista da Orquestra Filarmônica Jovem do Ceará.

A lista de convidados inclui a Dunas Jazz Band, uma banda nova de instrumentistas experientes. Criada em fevereiro de 2007, por João Batista de Assis (saxofone) e Geraldo Uchôa (guitarra e violão de 7 cordas), tem a proposta de apresentar um repertório diferenciado com uma formação pequena capaz de produzir um som de big band. Mas nem só de jazz e blues se faz o Festival. O evento também abre espaço para a música regional, como é o caso dos pífanos, da zabumba, do tarol e dos pratos da banda cabaçal dos Irmãos Aniceto (Crato).

Regionalismo

O regionalismo também se apresenta com a sanfona de Rodolf Forte, que no Festival de 2007 prestou homenagem ao mestre Sivuca. Rodolf Forte é acordeonista e professor, tem atuado como um dos mais ferrehos defensores do acordeão, explorando as diversas possibilidades de timbres da sanfona. Os ensaios no teatro Rachel de Queiroz são aberto ao público. No palco, os grandes nomes da noite ensaiam, conversam e antecipam ao público o que vão mostrar a noite. Depois do carnaval, o Festival desce a serra para uma série de apresentações em Fortaleza, de sete a nove de fevereiro, no BNB Clube. Na programação, J.J. Milteau e Manu Galvin (07/02), Frères Guissé (08/02) e Jefferson Gonçalves (09/02). A programação do evento, no entanto, pode sofrer alteração.

Serviço:

Festival Jazz & Blues de Guaramiranga, de 2 a 5 de fevereiro, em Guaramiranga, e de 7 a 9, em Fortaleza. Informações: (85)3262.7230 ou no site do evento (www.jazzeblues.com.br).

Délio Rocha
Repórter

JAZZ & BLUES

Festival enxuto

O Festival Jazz & Blues chega à sua nona edição com bons nomes, mas com menor número de shows

O Festival Jazz & Blues - evento que surgiu de uma aposta em uma música cearense diferente do que costuma ser mais propalado, e acabou crescendo a ponto de se constituir em estímulo a essa mesma cena musical - chega em 2008 à sua nona edição. Com uma programação, de certo modo, mais tímida do que fariam por merecer a trajetória e o papel assumido pelo evento, inclusive em termos nacionais, colocando Fortaleza no roteiro de festivais do tipo, ao lado de cidades como Ouro Preto (MG) e Rio das Ostras (RJ).

Não que faltem atrações de excelente nível, capazes de motivar tanto o público aficionado ao jazz e ao blues, quanto aqueles que ocasionalmente se interessam por esses gêneros musicais. E ainda quem acompanha mais atentamente o trabalho de um ou outro artista, especificamente. É inegável que Ivan Lins é um chamariz para o grande público, cumprindo a função de intensificar os holofotes sobre o festival, favorecendo sua divulgação e até gerando interesse em possíveis novas platéias. Há quem possa torcer o nariz, diante de algumas das canções mais repetidas nos ´dials´ radiofônicos.

Mas o fato é que um músico do porte de Ivan enriquece o festival. Não só pelo nome. Pela história que passa pelos shows para estudantes na resistência ao regime de exceção em um Brasil nem tão distante quanto pode parecer. Pela trajetória de quem já compôs, ao lado de parceiros como Vitor Martins, Abel Silva, Paulo César Pinheiro e nosso Fausto Nilo, verdadeiros clássicos da música brasileira. Pelo piano classudo de harmonias que já seduziram ´jazzmen´ mundo afora e colocaram na fila do camarim pós-show ninguém menos que o ex-beatle Paul McCartney.

Por tudo isso, mas principalmente pelo grande músico que é, nem sempre contemplado no grande mercado com a chance de mostrar o lado mais elaborado de sua produção, Ivan vale a viagem. Ainda mais se usar o palco do festival para de fato mostrar essas facetas mais apuradas de sua musicalidade. Quem sabe, também uma oportunidade para homenagear outro pianista, o cearense Petrúcio Maia, de quem Ivan foi amigo e para quem chegou a idealizar, ao lado de Fagner, a realização de um disco-tributo, jamais concretizado.

Outras atrações

Se no ano passado o festival trouxe atrações internacionais, como as cantoras inglesa Eileina Williams e norte-americana Big Time Sarah, além do guitarrista yankee Scott Henderson, este ano os convidados de além fronteiras apontam para fora do eixo mais tradicional. Da França vêm o guitarrista Manu Galvin e o gaitista J. J. Milteau. Do Senegal, os Irmãos Guissé, em uma chance interessante de contato com a música africana.

Podem ser boas surpresas, em uma programação em que está de volta o gaitista Jefferson Gonçalves - um grande músico, inventivo, boa praça, mas que já virou figurinha carimbada no evento, com papel de destaque nas oficinas e jam-sessions e uma relação consolidada com o Ceará. O fantástico bandolinista Hamilton de Holanda, outra atração promissora, esteve em Fortaleza recentemente, no projeto musical da CDL. A cantora paulistana Nicole Borger, que já lançou CD por aqui, é outra que regressa, desta vez para o festival.

Cearenses em destaque

Respondendo por grande parte da programação, músicos cearenses têm tudo para ser os grandes destaques do festival. A começar pelo violonista Nonato Luiz, aclamado no Brasil e no exterior, em regulares turnês, e que só agora terá sua estréia no festival. O jovem saxofonista e flautista Bob Mesquita, já bastante aplaudido em edições anteriores do evento, ganha agora a chance de um show próprio. Outro jovem instrumentista, o guitarrista Felipe Cazaux, mantém a tradição de abertura para novos nomes locais do blues. Papel que, sugerimos, o festival bem poderia reforçar recrutando a voz forte da cantora Nayra Costa, um dos grandes destaques deste 2007 que se despede.

Outro que volta ao festival é o acordeonista Rodolf Forte, responsável por uma bela apresentação, na edição deste ano, na escadaria da Igreja Matriz de Guaramiranga. Mesmo local de onde Rodolf puxará, em 2008, um cortejo de sanfonas, na terça-feira que fecha o carnaval. É também lá que, no sábado, se apresentam os Irmãos Aniceto, com sons e cores da cultura popular tradicional. Completa a programação da Matriz a Dunas Jazz Band, octeto recém-formado em Fortaleza, de repertório dedicado ao jazz e à bossa nova.

A lista de nomes ainda está, de acordo com a assessoria do evento, sujeita a alterações. A se confirmar, não chega a ser uma programação exuberante, como a da memorável edição 2005. O contraste fica mais claro ao se observar a programação marcada para Fortaleza: apenas dois shows dos franceses e senegaleses, no BNB Clube, na quinta e sexta-feira seguintes ao carnaval, e uma apresentação de Jefferson Gonçalves em um bairro da capital ainda a ser confirmado. Pouco para um evento que já lotou espaços como o anfiteatro do Dragão e o Theatro José de Alencar. Pior ainda para quem não sobe a serra no carnaval e se acostumou a contar com a chance de assistir aos principais shows, no bis em Fortaleza. O número de shows nas sessões principais no Teatro Rachel de Queiroz em Guaramiranga - que já chegou a ultrapassar quatro apresentações por noite - também diminuiu para dois. É, o festival 2008 se anuncia mais enxuto. Resiste, porém, ao desafio da continuidade, tarefa cada vez mais complicada em projetos culturais de diferentes áreas, sem estabilidade orçamentária, com a conhecida luta da captação de recursos se repetindo a cada ano. Espera-se que nesse caso menor quantidade não implique, necessariamente, menos qualidade.

Por: Dalwton Moura
Repórter - Matéria do Jornal Diário do Nordeste: www.diariodonordeste.com.br

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25 dezembro 2007

O LEOPARDO E O ORANGOTANGO




Recebi um vídeo pela Internet. A mensagem era o instinto materno. Uma fêmea jovem de leopardo caça uma de orangotango e quando termina a operação, do corpo morto da primata começa a nascer um filhote. O predador que começava a fazer sua refeição se dar conta do parto. Aproxima-se e fica observando até que o parto se concretiza.

Esquece da caça e fica ao lado do bebê. Lambe-o, brinca com ele, leva-o de um lado para outro. Enquanto isso o jovem primata começa a seguir o leopardo, ficam os dois nos galhos da árvore, um ao lado do outro. As cenas são editadas para reforçar que se estabeleceu uma linha tênue de cuidado entre o predador e sua presa.


Retirando o fato que a edição reforçasse alguns aspectos e diminuísse outros, que a câmara parou quando já não havia possibilidade para a fêmea amamentar o pequeno ser da outra espécie. De qualquer modo ficou a mensagem do instinto materno. Todos os humanos interpretam a mensagem e seus corações se enternecem.


Mas no vídeo há uma outra mensagem tão evidente quanto a citada que, por efeito de distração, não se realça. Na narrativa que fiz já se embute. Trata-se da cadeia alimentar dos seres vivos sobre a crosta da terra. Embora os humanos tenham escrito milhões de palavras, quantos discursos, prédicas, orações, poesias não foram feitas sobre os limites da moral e a aceitação da ética. Mas a cadeia alimentar não é desta natureza.


Os vegetarianos não comem carnes, imaginam-se indenes ao stress dos animais prestes ao abate. Mas comem os vegetais. É verdade não possuem sistema nervoso, mas toda a bioquímica hormonal e das seivas alimentares neles existem. A cadeia alimentar é o ciclo da natureza. É ecológica se isso não é invenção humana em mero proveito de si mesmo. A ecologia, uma invenção humana. A natureza continua em movimento independente desta lógica cuja etimologia trata exatamente de casa e casa é coisa de gente.


O ciclo do carbono na natureza tem um certo fluxo que lembra aquele da água. Muda de estado e mais que o da água, muda de síntese molecular. De qualquer forma o carbono circula. Entre sólidos, líquidos, gases e troca de posição entre átomos e entre seres vivos.


Nesse processo se encontra o que se chama cadeia alimentar, que acontece pela boca, pelo ar que se respira, pelas raízes, pela fotossíntese nas plantas e por inúmeros outros processos. Não existe uma moral ou uma ética nela. Pode existir uma religiosidade, mas isso é cultura humana, não é um atributo geral nem dos seres vivos e nem da cadeia alimentar entre eles.


A verdade é o que os sistemas orgânicos, aqueles da vida são extremamente instáveis. Dependem continuamente de trocas com o cosmo do qual se integra indelevelmente. Os seres humanos mal suportam cinco minutos sem respirar e convenhamos até para o tempo curto de uma vida isso é uma fração muito pequena do tempo.


No futuro se poderia extrair os alimentos de fontes não vivas. Isso é uma possibilidade real dada a evolução científica e técnica atual. Mas de qualquer forma, a não ser que se extraia certas moléculas de outras fontes inertes, a verdade é que ao se criarem estas fontes e ao se apropriar o carbono nos seres humanos, no balanço geral da natureza outros seres perderiam a oportunidade de existir.



Finalmente. A ecologia, esta sim, é premida pela moral e pela ética. Afinal ela é a ciência com a qual a humanidade se desculpa pela agressão feita além dos movimentos naturais da terra e através da qual tenta controlar este dano.

Festivais da canção do Cariri, anos 70

Com uma programação especial durante o mês de novembro, os centros culturais Banco do Nordeste (Fortaleza e Região do Cariri, no Ceará, e Sousa, na Paraíba) prestaram uma homenagem aos 40 anos do surgimento do Tropicalismo (movimento deflagrado por artistas plásticos, cineastas, poetas e músicos). Pode-se dizer que foi na música, a partir do histórico LP “Tropicália ou Panis et Circenses”, lançado em 1967, que o Tropicalismo mais se destacou.
No Cariri, a programação incluiu debates, mostra de cinema e shows musicais. Assisti ao colóquio “Tropicalismo no Cariri?”, comandado pelos compositores e cantores Luiz Carlos Salatiel e Abdoral Jamacaru e pelo escritor José Flávio Vieira, com abertura feita pelo professor de Sociologia da URCA, Roberto Marques, autor do livro “Contracultura, tradição e oralidade - (re)inventando o sertão nordestino na década de 70”, que aborda a produção cultural alternativa elaborada pelos artistas locais.
A resposta à pergunta em questão é positiva. Sim, aconteceu um tropicalismo revisitado na região do Cariri cearense, cuja uma das principais manifestações foi o Festival da Canção do Cariri.
A convite de Luiz Carlos Salatiel, participei, ao lado de Blandino Lobo, da produção de um filme com depoimentos de remanescentes da época dos festivais caririenses (músicos, compositores, produtores e público), no qual foi incluída a minha opinião. O filme foi apresentado após a apresentação dos debatedores.
Apesar de um público aquém do esperado, o colóquio foi rico de informações, descontraído e ao mesmo tempo imponentemente sério. O tema é palpitante para aqueles que, como eu, viveram, de alguma forma, o clima mágico, especial, irreverente e moderno que irradiava por ocasião do evento.
O palco era a Quadra Bicentenária, no Parque Municipal. Um pequeno quarteirão da bicentenária cidade do Crato, mas também um espaço de comprovado valor histórico e afetivo. Em frente, a quase cinqüentona Sociedade de Cultura Artística do Crato, que na década de 1970 inaugurou o Teatro Rachel de Queiroz. Na ocasião foi encenada, pelo lendário Grupo Teatral de Amadores Cratenses (GRUTAC), a peça “A raposa e as uvas”, de Guilherme Figueiredo. Nessa peça, atuaram José Correia e Eloi Teles de Morais, nomes que para qualquer cratense dispensam-se comentários. O poeta Geraldo Urano, autor das apresentações mais vanguardistas (verdadeiros happenings), morava ao lado. A quadra ficava no centro geodésico entre o Bar do Alagoano, na Praça da Sé, e a Boate Arapuca, no vetusto Crato Tênis Clube, no bairro do Pimenta. Um ponto simbolicamente eqüidistante entre a tradição e do novo, o costume e o modismo.
No meu depoimento, disse que apesar da pouca idade, sempre me conectei com o clima do festival. Os primeiros festivais, ouvi pelo rádio, transmitidos pela Rádio Educadora do Cariri, porta-voz da Diocese do Crato; mas caia no sono antes do anúncio das músicas classificadas para a grande noite final, sempre num domingo de outubro. Torcia pelo grupo que meu irmão Tobinha (Osvaldo) integrava. Primeiramente chamado de Cia. Ltda., e depois de Gitirana, devido a música que emplacou o segundo lugar no festival de 1972. Não conhecia e não tinha lá simpatias por Luiz Carlos Salatiel e Abdoral Jamacaru - verdadeiros papa-festivais, deixando o Gitirana e outros concorrentes em posições secundárias. Na primeira vez que fui ver o festival ao vivo, acho que em 1975 (tinha 9 anos), assisti a apresentação do grupo de Geraldo Urano, do qual participava as feras Cleivan Paiva, no violão e Demontiê (hoje Dellamone, mas naquele tempo era chamado de Cu Preto) na bateria. Geraldo passou todo o tempo da apresentação sentado na beira do palco, lendo um gibi e tomando coca-cola. No final, saiu dançando por toda a extensão da quadra, sob o frenético frevo executado pela banda. Aquilo mexeu comigo e abriu definitivamente minha cabeça para a arte. Caiu a ficha, literalmente.
Bons tempos, aqueles.
Ou como dizem os velhos bluesmen: “Good times”.

24 dezembro 2007

Feliz Natal à todos do Blog do Crato ! - Até que Enfim !!! rs rs rs


Embora Santa Claus não tenha nada de nordestino...
Embora não caia neve no Sertão...
Embora essas casinhas dos cartões de Natal nos levem à Suíça...
Embora o calor aqui esteja de 32 graus...
Embora não haja a mínima possibilidade de vermos um trenó puxado por renas que como diz Lupeu, são apenas "bebeboras de Coca-Cola"...
Embora eu não seja nem um pouco afeito à festas de Natal nem Ano-Novo...
Embora eu seja totalmente contrário à quase toda espécie de mudanças, e na verdade prefira ficar morando no ano anterior...
Embora o nascimento de Cristo que é o que se comemora no Natal foi em época totalmente diferente do mês de Dezembro...
Embora a festa do Natal seja apenas mais uma forma do comércio ganhar dinheiro às custas de mais uma idiotice popular das muitas que existem...

Não quero ser um estraga-prazeres!

Quero dizer que apesar de tudo, a festa de Natal é ainda um afesta de confraternização entre as pessoas, entre os povos. Das poucas que nós temos. E por isso mesmo, no sentido e somente nesse sentido da confraternização, é que quero aqui deixar o meu FELIZ NATAL para todos os usuários do Blog do Crato, deixando esse recado propositalmente tardio, na noite de Natal, para dizer que vocês são minha família! para dizer que vocês foram em 2007 um dos meus principais motivos de alegria e de viver feliz.

Quero expressar toda a minha felicidade pelo grande trabalho coletivo que se tem feito aqui no Blog do Crato em nome da preservação da cultura, das tradições e da própria cidade do Crato.

Um FELIZ NATAL à todos que visitam, escrevem e participam de alguma forma do Blog do Crato.

Dihelson Mendonça
- Administrador -
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O Cachorro que só comia Leite Ninho !



Muita gente tem falado sobre a pobreza. Eu não serei o primeiro nem o último, mas quero levar à análise, certos tipos de comportamentos que pude presenciar enquanto convivi com certas pessoas há algum tempo, que se dizem "pobres" e que, exatamente por seu comportamento exótico, talvez até "excêntrico", me deixou atônito a pensar sobre o que é realmente o estado de pobreza e o que seria a verdadeira pobreza de espírito.

Os nomes da história a seguir estão mudados, a fim de preservar a identidade original de todos os envolvidos.

Certo dia, necessitando de alguns trabalhos na área de eletrônica, fui remetido à casa do mestre Paulo, cidadão de vida pacata, de posses modestíssimas, mas um profundo conhecedor da área de consertos de rádios, TVs e outros aparelhos. Morava em uma casa de um só cômodo, que assim já estava há mais de 6 anos, sem banheiro, com sua espôsa Lucrécia, seus dois filhos, e um cachorro chamado carinhosamente de "Jupi".

A casa, na verdade, um quarto onde mal cabiam três pessoas, não possuía cadeiras. Sentava-se em caixotes quando havia visitas. Na casa havia luz elétrica, mas na bancada onde o Paulo trabalhava, havia uma pequena lâmpada dependurada, amarrada com uns barbantes, e sua luz era te tal espécie ruim, que o coitado mal podia fazer as soldagens com qualidade à noite. Sentava-se também num pequeno caixote, que de tanto vai-e-vém, já estava ficando todo descojuntado...

Na casa ( no quartinho ), havia água encanada, isto é, uma torneira geral, o banheiro era ao relento para os mais afoitos a enfrentar a escuridão de um quintal cheio de moitas, de onde eventualmente, se poderia encontrar alguma cobra ou outro animal peçonhento.

A cama do casal estava mais para um "puleiro" de galinheiro do que para uma cama. Estreita, colchão acabado, cheio de buracos na espuma, e sempre desarrumada, era um convite às pulgas e outros bichos. O casal dormia invariavelmente com o seu cachorro Jupi partilhando desse belo pardieiro...

As crianças, essas eram o que se pode considerar o próprio símbolo da miséria e da falta de educação. Com tantas qualidades negativas, é de se pensar que nessa casa as pessoas vivessem tristes. Mas não!

Ao ver tamanha miséria em cima desse casal, me doeu o coração e veio-me a tentativa de ajudá-los de alguma forma. Após várias tentativas de ajuda, pude perceber o enorme abismo que separa uma pessoa necessitada de uma pessoa que merece ser ajudada.

Pude perceber que dos muitos que se dizem em condições miseráveis, ou paupérrimos, alguns ostentam um verdadeiro asco às classes mais favorecidas, aquela velha briguinha de classes. Entretanto, o que tenho visto mesmo é que aos que possuem alguma riqueza material, por exemplo, os de vida mais tranquila financeiramente, trabalham de sol a sol sem descanso.

Nunca vi na minha vida um rico dormir à noite e à tarde, geralmente os mais ricos dormem menos, e passam o dia trabalhando. Conheci um homem que possui um posto de gasolina na cidade e é tido como "rico". O que pude observar é que esse homem acorda às 06:00 da manhã, e após o café matinal vai para seu trabalho dia após dia, saindo somente á noite, depois de um dia absolutamente estafante. Sem direito a férias nem décimo-terceiro...

Enquanto isso, aonde se deveria esperar mais trabalho do casal, no sentido de trabalhar juntos, crescer juntos, com a mulher trabalhando e ajudando nas despesas do marido, vê-se o contrário.

Em minhas muitas tentativas de ajudar o pobre casal trazendo-lhes leite e outros mantimentos e ajudndo-os de alguma forma, desisti de vez, quando a mulher me confessou o que lhes passo a seguir:

"Aqui, eu durmo de noite e de tarde. Meu cachorro Jupi só toma leite Ninho, porque outro leite o bichinho não gosta. E estou querendo que o Paulo trabalhe mais pra ele me dar um novo celular da Nokia, com uma câmera melhor, porque esse aqui não bate fotos muito bem como o da minha prima. Ah, e se deus quiser, logo quero meu microondas sharp."

Enquanto isso, vai faltando arroz e feijão na panela, e toda uma mínima infra-estrutura como um mísero banheiro, que poderia tornar a vida desse pessoal muito mais digna, higiênica e saudável.

É nessas horas que lembro-me de uma frase de meu velho Pai que em décadas anteriores se falava, e que na atualidade tem caído em desuso:

"A Preguiça ainda é a chave da Pobreza!"

Por: Dihelson Mendonça
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