15 junho 2019

O cérebro do coração - Por: Emerson Monteiro


Dia desses, li no Facebook uma matéria a propósito de que o coração também pensa, isto é, que também dispõe de cérebro semelhante à razão, este que exerce atividades pelo cérebro com que trabalha. Isso vem sendo afiançado pela Física Quântica, nos estudos das qualidades abstratas da energia mental, descobre e comprova funções cerebrais através de ondas e de partículas, meios em que circulam as realidades até bem pouco ignoradas pela Ciência.

Deste modo, partindo desse pressuposto de o coração possuir território reservado de se manifestar através de cérebro exclusivo, área própria disso acontecer, há que avaliar o poder dos sentimentos, porquanto estes são gerados no coração; enquanto maquina, os pensamentos nascem da fria razão intelectual, o coração também sente e emociona, e pode transmitir o que produz.

Antes, quando a psicologia estimava tão só ser o cérebro de pensamentos, monopólio da razão, falava na transmissão mental, ou telepatia, exaustivamente pesquisada inclusive pelas nações envolvidas na Guerra Fria, segunda metade do século XX. Russos e americanos reservavam parte dos seus esforços nos laboratórios a conhecer de mentalização, chegando a conclusões de respeito em face dos frutos obtidos.

Nestes dias, os avanços já ocorrem nessa outra vertente, do poder de transmitir sentimentos, quando consideram a força que possui a mente do coração e sua influência bem maior do que a influência meramente física, digamos assim, material, da razão. Nisso andam passo a passo os meios da tecnologia avançada de aproximar pessoas, comunicação bem mais presente junto das outras, em constantes transmissões dos sentimentos, de coração a coração, ocasionando verdadeira revolução nos relacionamentos interpessoais pelas máquinas ora existentes, neste mundo globalizado.

Essa constatação representa, portanto, avanço estimável na possibilidade humana de transformar a consciência em outro patamar de percepção, a lembrar palavras de Jesus: Meu caminho é o do coração; ninguém vem ao Pai a não ser por Mim. Abre, então, nova perspectiva na evolução, diante dos recursos dos novos instrumentos em unir pelo Amor, este fruto originário do Coração.

São Nuno de Santa Maria, um grande santo de Portugal

Ele foi o fundador da Casa de Bragança

Monumento a São Nuno de Santa Martia, em frente ao Mosteiro daBatalha, em Portugal

     Entre os diversos santos portugueses – canonizados pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana –  avulta como estrela de primeira grandeza, a figura gloriosa e venerável de São Nuno de Santa Maria, que em vida foi Dom Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino de Portugal e tronco da Dinastia dos Bragança, à qual pertenceu os dois Imperadores brasileiros (Pedro I e Pedro II) e da qual descende os membros da atual Família Imperial Brasileira.

     Como dizia seu epitáfio, foi "o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos". Dom Nuno Álvares Pereira  nasceu  em Paço do Bonjardim (ou Flor da Rosa, próximo à cidade de Crato de Portugal) em  24 de junho de 1360.

     Do seu casamento com Leonor de Alvim, o Condestável Dom Nuno Álvares Pereira teve três filhos, dois rapazes que morreram jovens, mas apenas uma filha chegou à idade adulta e teve descendência, Beatriz Pereira de Alvim, que se tornou mulher de D. Afonso, o 1.º Duque de Bragança, dando origem à Casa de Bragança, que viria a reinar em Portugal três séculos mais tarde.

      Após a morte da sua mulher, tornou-se carmelita (entrou na Ordem em 1423, no Convento do Carmo, que mandara construir como cumprimento de um voto). Toma o nome de Irmão Nuno de Santa Maria. Aí permanece até à morte, ocorrida em Lisboa, no dia 1º de Novembro de 1431 (dia de Todos-os-Santos), com 71 anos, rodeado pelo rei e os infantes.

        Foi canonizado pelo Papa Bento XVI em  26 de Abril de 2009.

Acima, gravura de  São Nuno de Santa Maria, o Condestável do Reino de Portugal.

(Postado por Armando Lopes Rafael)

14 junho 2019

Vazio absoluto - Por: Emerson Monteiro


Lá das origens quando nada existia, nem um nada que fosse, o princípio do princípio vagava pelas fimbrias na inexistência, e nisso apenas o Verbo que se faria carne e habitaria entre nós, feito nós, apenas isto caminhava no vácuo. O Nada, personagem invisível, inextinguível, trocava passos nas manhãs do Tempo. Desse absoluto inexistente daí nasceria o Um, o eu primeiro da existência, o ente por demais universal que logo coordenaria o Dois; do dois viriam as Mil existências espraiadas pelo mundo em volta.

Regressando, portanto, ao portal das virtudes, ali da extrema inexistência, era a pobreza no sentido puro, ausência do que quer que fosse, alguma consciência nenhuma da total desconexão com o que quer que existisse, vez deshaver, bem assim o lugar da paz na Verdade, pureza em estado puro. Conquanto voltasse ao nível dessa ausência de ausências, bem no foco radical das presenças ausentes, de tal modo haverá de ser quando persistir o momento do reencontro de si para consigo. Saudade de quê, hora quando nem palavras haveria? Só o senso do Nada, o amor em forma de luz da plena percepção de Si altivo e claro.

Num momento qual, antes, pois, até do Um, achar-se-á o movimento dos primeiros seres, ainda que depois do Dois que virá ao sol do primeiro dia. Naquela seara de nenhum rei, porém pouso de todas as origens, quaisquer sejam, abraçar-se-á o instante da desesperança em forma de totalidade e far-se-á a plena luz da primeira Consciência de volta ao Nada.

Há que rever os sentimentos e notar que única e exclusivamente por meio deles será possível compreender na latitude do nosso Coração ao impulso original, que dará presença aos menores fatores de viver o ritmo e o pulsar das estrelas entre as palmas dos Céus, e encontrar, por fim, o pomo da Felicidade, razão de Tudo, nascendo desse Vazio Absoluto que impera eternamente ao longo do deserto entre o Ser e o Querer, entre o Querer e o Ser, nas praias da Esperança.

13 junho 2019

Caririensidade


Cariri perde Mons. Ágio Augusto Moreira

 
     Ele viveu 101 anos, 4 meses e 7 dias. No último dia 12, Mons. Ágio tranquilamente – como sempre viveu – faleceu em Crato, cidade onde viveu desde que foi ordenado sacerdote há 75 anos. Nascido em Assaré, a 05 de fevereiro de 1918, Mons. Ágio era reconhecido como um sacerdote humilde, virtuoso e fiel em tudo que fazia. 

    Ele fez da música seu instrumento de evangelização. Seu corpo foi sepultado na Capela Nossa Senhora das Graças, no bairro Belmonte, uma igreja por ele construída.

     Mons. Ágio foi fundador da Sociedade Lírica do Belmonte–Solibel, da   Escola de Educação Artística Heitor Villas Lobo e da Orquestra Sinfônica Padre Davi Moreira, todas instaladas no Belmonte, em Crato. Escreveu mais de 20 livros.  Aos 100 anos, lançou o livro “Padre Cícero Romão Batista: O maior líder espiritual do Nordeste Brasileiro”, sua última obra. Foi professor de canto gregoriano, italiano, grego e francês no Seminário São José em Crato e ministrou outras disciplinas no Seminário São José, Colégio Estadual Wilson Gonçalves e Faculdade de Filosofia do Crato.

       A Vila da Música, primeiro equipamento estatal de cultura no interior, construído por iniciativa do governador Camilo Santana e inaugurado em março de 2017, representa a concretização e continuidade do trabalho iniciado pelo Mons. Ágio com a Solibel, 45 anos atrás.

Caririenses constroem pequenas chácaras na Chapada do Araripe

 Chácaras na Chapada do Araripe

    Virou modismo, mas pouca gente, residente na Região Metropolitana do Cariri, tem conhecimento do que vou relatar. A rodovia asfaltada que liga a cidade de Crato ao distrito de Santa Fé (a CE 561, com início logo após o Campus do IFCE-Crato – antigo Colégio Agrícola – e que se estende por quase 13 Kms) proporcionou o surgimento de centenas de chácaras, localizadas em plena Chapada do Araripe. Naquele trecho, no lugar dos antigos sítios, surgiram vários loteamentos. E, em meio à luxuriante floresta da chapada com o seu clima ameno, foram erguidas casas no meio dos terrenos. Os mais abastados constroem edificações mais vistosas. Mas, a maior parte delas são casas pequenas, propriedades de pessoas da classe média.  Grande é o número de juazeirenses (a maioria) e de cratenses, que agora desfrutam, nos fins-de-semana, do clima e vegetação da Chapada do Araripe.

     No sentido para Santa Fé, à esquerda da rodovia CE 561, logo após a entrada após o Campus do IFCE, e nas proximidades dos sítios Santo Antônio/Pulo de Gavião, surgiu uma pequena vila. Nela, nos fins de semana, já tem restaurantes e barzinhos funcionando. Também existe uma capelinha católica. Aliás, o mais bem-sucedido plantio de flores ornamentais do Cariri fica naquela região. Trata-se do Condomínio Sítio Santo Antônio, propriedade de uma empresa funerária de Juazeiro do Norte. Lá o cultivo de flores abastece velórios e enterros no Crajubar (conurbação Crato–Juazeiro– Barbalha). 
 Chácaras em plena Chapada do Araripe

Um caririense de valor: Prof. Álvaro Madeira

   Conheci-o já velhinho. Residia na Rua Nelson Alencar, onde era tratado com carinho e respeito pela esposa, filhos e netos. Era chamado de Doutor Álvaro pela população. Graduado em Farmácia no Rio de Janeiro, foi professor por vocação e opção – durante décadas – no Ginásio de Crato (depois denominado Colégio Diocesano), Colégio Santa Teresa de Jesus e Escola Técnica de Comércio. Álvaro Rodrigues Madeira nasceu no Rio de Janeiro, em 9 de julho de 1892 e faleceu em Crato, aos 77 anos de idade, em 21 de novembro de 1969. 

     Seu pai era o médico Marcos Madeira, responsável pelo exame na cavidade bucal da Beata Maria de Araújo, durante a primeira comissão nomeada pelo bispo Dom Joaquim para apurar o chamado “Milagre da Hóstia” ocorrido em Juazeiro do Norte.

      O Professor Álvaro Madeira era muito respeitado na comunidade cratense mercê sua postura de católico praticante e cidadão de bem, além de sua reconhecida bondade e simplicidade. Viveu sempre modestamente e nesse ambiente criou os seis filhos – frutos do seu casamento com a senhorita Lígia Carvalho Madeira: Maria Lígia, Maria Lúcia, Vicente de Paulo, Madre Elvira (pertencente à Congregação das Filhas de Santa Teresa, in memoriam), Almerinda e Francisco Alberto. Com exceção deste último – que é médico – os demais seguiram o pai no exercício do magistério. O Crato soube ser grato à memória do Professor Álvaro Rodrigues Madeira. No bairro São Miguel, uma rua – que começa na Pracinha do Detran e termina na Avenida Dom Francisco – tem o nome dele. Também existe uma escola de ensino infantil e fundamental denominada de Professor Álvaro Rodrigues Madeira, localizada no loteamento Franca Alencar, bairro Misericórdia, mantida pela Prefeitura Municipal de Crato.

Como foi o fim da antiga rivalidade entre Crato–Juazeiro do Norte?

 Prof. Otonite Cortez, ex-reitora da URCA

    A criação da Região Metropolitana do Cariri, a nova mentalidade dos jovens do Crajubar, os efeitos da globalização, dentre outros, sepultaram um fato existente até à década 80 do século passado: a rivalidade entre os habitantes de Juazeiro do Norte e Crato. Na sua monografia de Mestrado – “A construção da “cidade da cultura”: Crato (1889-1960) –, a ex-Reitora da URCA, Profa. Otonite Cortez abordou – de forma inteligente – a antiga rivalidade existente entre as cidades de Crato e Juazeiro do Norte. 

      Escreveu Otonite: “Chamava-nos igualmente atenção, a rivalidade com a cidade vizinha – Juazeiro do Norte – que transparecia nas falas cotidianas acerca dessa cidade” (...) “Essa rivalidade apresentou-se-nos, com maior nitidez, no processo de criação da Universidade Regional do Cariri–URCA, mormente na questão da definição da sua sede (reitoria). Naquele momento, percebíamos que os elementos, com os quais os representantes das duas cidades lutavam, eram de natureza absolutamente diferentes: os representantes do Crato, liderados pela Professora Sarah Cabral, José Newton Alves de Sousa, e outros, ancoravam a luta na demonstração da tradição de superioridade do Crato no campo educacional. Juazeiro demonstrava a sua força econômica e eleitoral. Apoiados no prestígio de Antônio Martins Filho – “o cratense fundador de universidades” – a URCA foi fundada, estabelecendo-se sua sede no Crato. Vencia a tradição”.

O tempo que as elites tinham força

 Crato na década 40 do século passado

     E continua Otonite: “Todavia, algumas questões permaneciam sem respostas convincentes. Quando tudo isso começou? Em que repousava a rivalidade com o Juazeiro? Por que o Crato, outrora considerada capital do Cariri, apesar de ter perdido a supremacia econômica e política na região, gozava de tanto prestígio quando se referia à cultura letrada e à civilidade? Onde residia a força de luta daquelas pessoas que tentavam manter esse prestígio do Crato? Que mecanismos eram usados, efetivamente, para isto?”

      Otonite foi encontrar a resposta no comportamento e atitudes das autodenominadas “boas famílias de Crato”. Estas se consideravam a “elite” da cidade. E, com etnocentrismo (nota do colunista: “etnocentrismo: visão de mundo própria da pessoa que considera a sua sociedade, sua nação, seu país ou grupo étnico superiores aos demais) olhavam com desdém o Juazeiro, que fora simples distrito de Crato, mas começava a trilhar novos caminhos, apesar da origem humilde e da simplicidade da maioria das novas famílias que para lá se transportaram. Escreveu Otonite: “Começamos a perceber que havia um discurso das elites cratenses no sentido de demonstrar o progresso e o pioneirismo da (sua) cidade. Percebíamos ainda que algumas palavras compareciam com muita frequência nos textos escritos sobre ao Crato e os cratenses: “adiantado”, “civilizado”, “culto”, “pioneiro”, “ordeiro”, “patriótico”, “herói/heroína”, “piedoso”, “liberal”, “espírito cívico”, etc.”.

A mudança inexorável dos novos tempos

 Crato na década 50 do século XX

      E conclui Otonite: “Todavia, algumas questões permaneciam sem respostas convincentes. Quando tudo isso começou? Em que repousava a rivalidade com o Juazeiro? Por que o Crato, outrora considerada capital do Cariri, apesar de ter perdido a supremacia econômica e política na região, gozava de tanto prestígio quando se referia à cultura letrada e à civilidade? Onde residia a força de luta daquelas pessoas que tentavam manter esse prestígio do Crato? Que mecanismos eram usados, efetivamente, para isto? (...) Aos poucos, fomos percebendo que a construção da “cidade da cultura” era o resultado das estratégias daquele grupo, cuja identidade residia nas partilhas sociais e culturais dos seus membros, no fato de frequentarem os mesmos espaços de sociabilidade, e, sobretudo, nos mesmos desideratos em relação à cidade”.

12 junho 2019

O legado do padre Ágio foi a sua própria vida!

Carlos Rafael Dias, professor historiador

Já era monsenhor, mas sempre será o padre Ágio. Assim, leve e ágil, pois não lhe pesavam os títulos honoríficos que muitos portam envaidecidos. Ágio era um sacerdote da música, simples e belo como o orvalho da manhã.

Ele morava no Belmonte, aprazível e bucólica vila cratense, ao sopé da ‘majestosa’ Chapada do Araripe, defronte para o Vale do Cariri. Lá, plantou uma semente musical que frutificou orquestras, escolas, músicos, sonhos. Sonhos que se tornaram boas realidades, através da sagrada arte musical, mestra da decência e da cidadania.

Padre Ágio era músico, professor, compositor, escritor, ciclista; mas, antes de tudo, era um amigo, um mestre, um sábio, um taumaturgo, um santo.

Conheci-o em 1984, quando, em uma época boa dessa do ano, o entrevistei para uma matéria que saiu na Folha de Piqui, jornal alternativo que editávamos naquele tempo. Juntos, nessa feliz empreitada, estavam ainda Luiz Carlos Salatiel, Geraldo Urano e Normando Rodrigues, respectivamente, cantor/compositor, poeta e artista plástico do nosso torrão caririense.

Depois, tive diversos contatos com ele, por conta da Escola de Música Heitor Villa Lobos, por ele fundada e mantida desde 1965.

Na celebração dos 25 anos da escola, eu e Luiz Carlos Salatiel participamos ativamente da equipe organizadora. Apresentações de agrupamentos musicais do Belmonte sempre constavam dos eventos que organizávamos.

Há, porém, um episódio bem pitoresco.

Em uma certa eleição local, eu e Salatiel acompanhávamos o nosso candidato a uma visita ao Belmonte. No encontro, com a presença de alunos seus, padre Ágio se dirigiu ao nosso candidato com palavras elogiosas. Gravamos aquele depoimento e o veiculamos no programa radiofônico eleitoral. Contrariada, a campanha adversária fez o mesmo, gravando e transmitindo a voz meiga do sacerdote, dizendo palavras merecedoras ao seu candidato.

Aquele episódio foi marcante, pois atestou um lampejo da genialidade e da sabedoria do padre Ágio.

Como dizem os budistas, o caminho certo é o caminho do meio.

No entanto, o momento que mais me marcou nessa relação que tive com o padre Ágio, foi quando ele celebrou o meu casamento com a minha saudosa esposa Rosângela.

Era uma noite de sábado, na capelinha de Nossa Senhora das Graças, ao lado da casa do sacerdote, com o quinteto de cordas, por ele criado e instruído, tocando na cerimônia.

Por fim, nessa singela homenagem, gostaria de, enquanto historiador regional, fazer uma comparação que julgo pertinente.

O apostolado de padre Ágio guarda imensa semelhança com o do padre Cícero: a escolha de um pequeno e sofrido vilarejo, habitado por agricultores que eram explorados pelos latifundiários locais; a opção pelos pobres; a missão pedagógica de dotar o seu rebanho humano de um instrumental que lhe fosse, ao mesmo tempo, produtivo e digno.

Uma diferença: o padre Cícero precisou entrar para a política para salvaguardar a sua grande obra, o Juazeiro. Padre Ágio, não. E, mesmo assim, quando o intrometeram nesse intrincado campo, a exemplo da eleição referida, ele saiu-se com a maestria que lhe sempre foi peculiar.

Gratidão, mestre Ágio!

11 junho 2019

Bem mais que precioso - Por: Emerson Monteiro


Tempo, orixá venerado de todas as tradições, ele que passa numa velocidade estúpida e desvanece diante das dobras do vento, moleque vadio, largando folhas secas pelo chão na carreira de que é. Quando menos se espera, aonde foi, aonde foram, sumiu, sumiram, na Cachoeira do Tempo, rio imaculado, mantido tão só à distância do inesperado, ossos reluzentes de saudade e poeira. A gente olha em volta e cadê os habitantes do momento que fluíram nos rochedos da sorte. São fortes os abraços solitários nas estações, enquanto a multidão indiferente espalha passos pelo escuro de depois e nunca mais.

Esse enigma frontal das espécies age incontinenti vidas a fio, horas sem conta, marcando o ritmo das contradições humanas. Ser ignoto, invade o firmamento das luas e logo desaparece feito ser fantástico das histórias em quadrinhos; ninguém viu, ninguém curtiu, apagou simplesmente e pronto. No entanto marca bem, deixando largos vincos nas lamas do passado, pedras, paus e instrumentos de ausências e solidão. Reúne e separa com extrema facilidade, pessoas, objetos e quejandos.

Contudo traz fortuna, poderes, fama, amores, prazeres, e nada pede, apenas transita pelos astros tal poder sem limites, divisor das águas do Paraíso e mutabilidade constante das civilizações. Tempo, que pare e devora seus próprios filhos, no que assim falavam os gregos de antigamente. Vaidade, vaidades, tudo sendo vaidade, avisava o Rei Salomão. Nisso vagam os sois pelos céus, trilho das certezas de que nunca existirá o pouso exclusivo da felicidade durante os séculos da matéria em decomposição, engano de tantos, que apresenta o desejo da fome a pretexto de tudo usufruir.

Bom, perante a insistente dominação do invisível desse ente poderoso, resta aceitar nascer vezes quantas até descobrir a razão do que haverá no transcorrer das gerações, já que um dia ver-se-ão face a face no seio do mistério, humildemente rendidos aos sonhos inesquecíveis da real condição deste chão dos infiéis e dos santos.

(Ilustração: A persistência da memória, Salvador Dali).

10 junho 2019

Um transe de paz - Por: Emerson Monteiro


Nessas vezes, quando a natureza concorre a que tenhamos momentos auspiciosos de alma envolvida nos amores da Criação, sentimos a todo instante quando a vida sorrir na imensidade dos céus. Isso de paz de que falam tanto as criaturas humanas em ânsias de encontrar o senso da certeza dentro da alma de si, no cerne da consciência. Em horas assim, espécie atônita de milagre invade as horas e envolve de leveza tudo quanto há em volta.

De tal modo que existirá tempo no íntimo de renovar o ser da esperança que mora na alma da gente, lugar de pouso de todos os perfumes bons das florestas do sentimento. Há que se pensar, pois, nas chances que perduram diante das evidências e das circunstâncias, no auge das possibilidades constantes. Abraçar de bom grado as chances das amizades e recriar a história desta raça de gigantes que ainda anda de quatro pés e precisa despertar à felicidade constante, honesta condição da fraternidade e da justiça.

Em plena jornada rumo à perfeição, todos marcham aos dias de plena transformação, veículo de iluminação, seres em mutação face do Eterno. Amar, amar, criar em meio aos desvãos da sorte a vitória de séculos de sonhos, agora em fase de construção mais que nunca antes. Acordemos, que a missão de iluminar os caminhos da humanidade é vencer os limites da fraqueza e desvendar o poder de conhecer os mistérios em que imperam às nossas mãos, pétalas da libertação nos dias.

Quais testemunhos de nós mesmos, no transcorrer dessas existências aqui seguimos unidos aos detalhes de momentos e aos fatores bons que chegam a todo instante, e fazemos da caminhada o instrumento dessa luz que alumia parte dos seres que ora conduzem rumo à salvação definitiva o fiel dos princípios da exatidão, valores e harmonia bem no coração. 

09 junho 2019

Tradição e monarquia no apoio a Bolsonaro


Fontes: excertos a partir do Site “The intercept Brasil” e edição do “Estadão” de 09-06- 2019.


Monarquistas homenageiam o Imperador Dom  Pedro II, em sessão solene na Câmara dos Deputados (11/12/2017, durante o governo de Michel Temer). Foto: Gilmar Feliz/Câmara dos Deputados

“O movimento monárquico está mais vivo do que nunca”, disse o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, em entrevista ao programa "The Noite", de Danilo Gentili (SBT). E é verdade. Cento e trinta anos após a proclamação da República, o movimento nunca esteve tão forte no Brasil e hoje, como toda fauna extremista de direita, se encontra embutido no bolsonarismo. A vitória de Bolsonaro é também uma vitória dos monarquistas.

       Para Olavo de Carvalho, um dos mandachuvas do governo, Dom Bertrand é “o brasileiro mais patriota” que já viu na vida", “o sujeito que mais estudou os problemas do Brasil, que mais busca soluções”. Assim como Olavo e o atual ministro do Meio Ambiente, Dom Bertrand é um antiambientalista que nega o inegável aquecimento global. Ele é autor do livro “Psicose Ambientalista – Os Bastidores do Ecoterrorismo para implantar uma Religião Ecológica Igualitária e Anticristã”. É também dirigente do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, uma associação ultracatólica criada para defender o legado e os valores da TFP. O site do Instituto Plínio Correa de Oliveira  diz que sua missão é “mobilizar a sociedade civil e preservar a Civilização Cristã, ameaçada pela Revolução anticristã”. O príncipe Dom Bertrand também compartilha a homofobia do atual Presidente da República: “Eu vejo o homossexualismo como um defeito”. (Site:“The intercept Brasil”)

       Já conforme a matéria do "Estadão" deste domingo:  “Era dia de manifestar apoio à pauta conservadora do governo de Jair Bolsonaro. O príncipe Dom Bertrand se encontrou com o engenheiro Adolpho Lindemberg na quarta-feira (05 de maio) no casarão que abriga a sede do Instituto em Higienópolis, no centro de São Paulo. Defendem que a fé cristã seja ensinada às tribos indígenas como forma de levar a civilização a esses povos. A outra agenda era a da “reconstrução do Brasil”. “A obra do PT nesses anos todos tinha um denominador comum: “a destruição do que restava de cristandade no País”.
       
           “Temos de tomar cuidado, pois estão querendo lançar uma discórdia entre os conservadores e nós devemos evitar isso. O momento é de reconstrução nacional, pois o País foi saqueado”, afirmou Dom Bertrand. O príncipe se encontrou com Adolpho Lindemberg na quarta-feira. A pauta conservadora do governo agrada aos dois. Eles aplaudem os compromissos da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, com a vida “desde sua concepção até a morte”, com a família tradicional formada por homem e mulher e com o direito sagrado de os pais educarem seus filhos. Também apoiam a luta travada pelo governo contra o que chamam de ecoterrorismo, o ambientalismo no qual enxergam a “insidiosa transformação de vermelhos em verdes”. Para o príncipe, “Deus criou a natureza para nós, homens”. “O homem é o jardineiro de Deus. E eles (ambientalistas) acham que o homem é o grande predador.”


         Como Bolsonaro, os dois criticam a política indigenista dos governos anteriores. Defendem que a fé cristã seja ensinada às tribos como forma de levar a civilização a esses povos. Tanto um quanto outro também compartilham das ressalvas do presidente ao “movimento negro”, a quem acusam de fomentar o racismo. “Todos temos sangue negro em nossas famílias. Até na minha. Uma pesquisa encontrou um negro chamado Ludovico Moro”, revelou o Príncipe Dom Bertrand. Seu colega concordou. “Essa insistência do movimento negro cria o problema racial no Brasil, problema que nunca houve.”
 (Estadão, 09-05-2019).

Fatos da História do Brasil não divulgados nas escolas e universidades públicas


O retorno do herdeiro da Princesa Isabel ao Brasil



    Após o golpe de Estado de 15 de novembro de 1889, que instaurou a República no Brasil, sem a participação do povo e até contra a vontade popular, o ilegítimo governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca forçou a Família Imperial Brasileira ao exílio na Europa. Toda a Família Imperial teve um coagido embarque, feito na madrugada de 17 de novembro, pois os republicanos temiam, e com razão, que tamanha injustiça causaria uma revolta popular, se feita à plena luz do dia.

     Foi o exílio político mais longo de nossa história, que durou por trinta e um anos, até que, em 1920, o então Presidente da República, Doutor Epitácio Pessoa, revogou a chamada “Lei do Banimento”, feita pelos golpistas de 15 de novembro de 1889. No ano seguinte, o Conde d’Eu veio ao Brasil, escoltando – de volta ao Brasil – os restos mortais de seus sogros, o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Dona Teresa Cristina, falecidos longe da Pátria. E em 1922, novamente a Família Imperial veio ao Brasil, a fim de participar das celebrações do Centenário da Independência, atendendo a convite oficial do Presidente Epitácio Pessoa.

    Entretanto, o retorno definitivo se daria apenas em 1945, quando o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil entre 1921 e 1981, conseguiu finalmente reunir as condições necessárias para se transferir para o nosso País, trazendo consigo sua esposa, a Princesa Consorte do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, e os quatro primeiros filhos pequenos (estes nascidos no exílio). Os outros oito Príncipes e Princesas, filhos de Dom Pedro Henrique da Princesa Dona Maria da Baviera, nasceriam no Brasil, ao longo dos catorze anos seguintes.

   Foi uma viagem difícil, com a Europa completamente devastada pela Segunda Guerra Mundial. A Família Imperial deixou a França, onde vivera exilada por cinquenta e seis anos, e atravessou a Espanha do Generalíssimo Francisco Franco em trem fechado, sem autorização para descer. Chegando a Lisboa, capital de Portugal, no final do mês de julho, passaram seis dias hospedados na casa de amigos, antes de embarcarem, no fim de julho ou no início de agosto, a bordo do navio português Serpa Pinto, com destino ao Rio de Janeiro.

      Após passar pela Ilha da Madeira, o navio precisou desviar seu rumo para em direção a Curaçau, nas Antilhas Holandesas, a fim de reabastecer, pois ainda havia um forte racionamento de combustível, resultado da guerra. No meio da travessia, chegou a notícia da rendição do Japão, no dia 2 de setembro, e todos a bordo comemoraram o fim definitivo da Segunda Guerra. Finalmente, após algumas semanas de viagem, o Serpa Pinto adentrava a Baía de Guanabara; sobre este momento, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, então menino de sete anos de idade, narra em suas memórias ainda inéditas:

“A névoa cobria a Baía de Guanabara na manhã de nossa chegada, e por isso nós só pudemos ver nesgas da maravilhosa paisagem: um pouco do Pão de Açúcar e, de vez em quando, o Cristo Redentor aparecia entre as nuvens, como para nos dar as boas-vindas e nos abençoar. 

“Entretanto, mais uma coisa me impressionou profundamente nesse dia: foi o modo como os monarquistas brasileiros, que tinham vindo a bordo para nos receber, cumprimentavam meus Pais e a nós, crianças. Havia algo de respeito, de veneração e de esperança, mais nos seus gestos que nas suas palavras, que me fez sentir claramente que eu tinha, do mesmo modo que meu Pai, uma missão, um dever para com o País que eu via pela primeira vez. 

“Creio que, para mim, foi uma graça de Deus o fato de que o Rio de Janeiro estivesse coberto de névoa quando chegamos, pois é possível que o panorama da Guanabara, à luz de um belo dia de sol, de tal maneira me deslumbrasse, que eu não teria percebido algo de muito mais alto, que eram as almas dos brasileiros que nos acolhiam e o dever que isso significava para mim.”

Foto: Suas Altezas Imperiais e Reais o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, sua esposa, a Princesa Consorte do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, e seus cinco filhos mais velhos, Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança, e Suas Altezas Reais os Príncipes Dom Eudes, Dom Bertrand e Dom Pedro de Alcântara e a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança, em Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro, entre o final de 1945 e o início de 1946.

(Matéria publicada no Facebook da “Pró Monarquia e postado por Armando Lopes Rafael)

06 junho 2019

Caririensidade


Em que lugar da cidade de Crato nasceu o Padre Cícero?

     Duas versões são defendidas, entre os historiadores regionais, no que diz respeito a residência onde teria nascido – na cidade do Crato – o Padre Cícero Romão Batista. A primeira versão - defendida por Irineu Pinheiro - diz que o famoso sacerdote veio ao mundo numa casa, lado do sol, existente na atual Rua Miguel Limaverde. A casa pertencia ao coronel Pedro Pinheiro Bezerra de Menezes, e posteriormente fora desmembrada em duas residências. Ambas demolidas, quando do alargamento daquela rua, na fúria insana de destruir o que resta do patrimônio arquitetônico do Crato, e para dar lugar à passagem de veículos automotores. A outra versão, defendida pelo historiador Padre Antônio Gomes de Araújo – a que nos parece mais certa – defende que o Padre Cícero nasceu numa casinha, no terreno onde hoje se ergue o Palácio Episcopal Bom Pastor, na atual Rua Dom Quintino, à época Rua das Flores.


     Irineu Pinheiro defendia o imóvel da Rua Miguel Limaverde, como o local do nascimento do Padre Cícero, baseado em depoimento de uma escrava da família do famoso sacerdote, conhecida como “Teresa do Padre”, mulher humilde e bastante estimada na cidade de Juazeiro do Norte, onde gozava a fama de uma pessoa virtuosa e de credibilidade. 

A versão do Padre Antônio Gomes de Araújo


Palácio Episcopal Bom Pastor, na cidade de Crato, cuja fachada 
vem passando por restauração para voltar  ao desenho original.
Neste local teria nascido o Padre Cícero.

     Esse sacerdote escreveu: “Teresa do Padre, já começava a mergulhar no crepúsculo da própria memória, cuja desintegração começara”, quando fez a afirmação a Irineu Pinheiro.  Ou seja, a boa velhinha caminhando para os cem anos de idade, já não dominava mais a própria memória, deficiência física a que estamos sujeitos todos nós, os seres humanos, quando a velhice nos domina. 

     Mas a versão de que o Padre Cícero nasceu numa casinha simples, onde hoje é o Palácio do Bispo, teve outros defensores. Segundo depoimento prestado pelo cônego Climério Correia de Macedo ao Padre Antônio Gomes de Araújo, e incluído no livro “A Cidade de Frei Carlos”, o cônego declarou: “Minha tia paterna, Missias Correia de Macedo, cortou o cordão umbilical do Padre Cícero numa casa que foi substituída pelo palácio de Dom Francisco" (referia-se ao Palácio Episcopal, já mencionado, construído por Dom Francisco de Assis Pires, segundo Bispo da Diocese do Crato).

      E continua Padre Gomes no seu livro citado: “É corrente que, no chão em que se ergue aquele palácio, havia de fato uma casa, que foi cenário, por exemplo, da recepção do Padre Cícero quando este chegou do Seminário de Fortaleza, ordenado sacerdote, bem como das festas que envolveram a celebração de sua primeira missa. É certo que dita casa pertenceu ao major João Bispo Xavier Sobreira (...) com sua morte a dita casa passou à viúva, dona Jovita Maria da Conceição. Seus herdeiros venderam a casa a esta diocese”. 

     Assim, tudo está a indicar que o Padre Cícero veio ao mundo na casinha simples, entre fruteiras, localizada no terreno onde hoje se ergue o Palácio Episcopal Bom Pastor, atualmente em serviços de restauração da sua bonita fachada, que voltará a ter o aspecto original da década 40 do século passado. 

Boa notícia: Palácio Episcopal Bom Pastor está sendo restaurado


 Fachada original do Palácio Episcopal Bom Pastor na década 40 do século passado

    Segundo o arquiteto e engenheiro responsável pela obra de restauração da fachada do Palácio Bom Pastor, Waldemar Arraes de Farias Filho, a finalidade desse trabalho é preservar a edificação na sua forma original. Segundo Waldemar: “O estilo arquitetônico será completamente mantido contribuindo para a preservação da história do edifício”. O certo é que este prédio histórico continuará sendo uma segunda opção para a residência oficial dos bispos da Diocese de Crato, enquanto a parte burocrática continuará funcionando na Cúria Diocesana, situada na Rua Teófilo Siqueira. Esta, fica atrás do velho palácio. Ambos os prédios possuem comunicação interna.


       Seria muito oportuno que o Departamento Histórico Diocesano Padre Antônio Gomes mandasse confeccionar uma placa, para ser colocada na fachada do Palácio, informando que ali nasceu o Padre Cícero.

O Bispo-emérito de Crato
    
         Duas notícias (boas) sobre Dom Fernando Panico, 5º Bispo de Crato e responsável pela reconciliação da Igreja Católica com a herança espiritual do Padre Cícero. Primeira: desde 21 de maio último e até o próximo dia 18 de junho, Dom Fernando permanecerá recluso no Mosteiro São Bento, no Rio de Janeiro. Lá, Dom Fernando se prepara para ser um “oblato secular beneditino”.

     O “Oblato beneditino” é um cristão que, impulsionado pelo desejo de levar uma vida mais perfeitamente de acordo com o ideal do Evangelho, filia-se àquela família monástica, por um laço de ordem espiritual, a fim de poder, graças a esta filiação, participar dos bens espirituais daquela comunidade. Com isso, consolida uma comunhão vital, um acréscimo de fervor e de generosidade no serviço de Deus. Dom Fernando sempre teve profunda admiração pela Ordem de São Bento. E até pensou em ser beneditino antes de sua ordenação sacerdotal na congregação dos Missionários do Sagrado Coração.

Segunda notícia

       Pelos próximos três anos (2019–2021), Dom Fernando Panico será pároco (6 meses a cada ano) da Paróquia do Sagrado Coração do Sufrágio. Esta é a única igreja de Roma construída em estilo gótico e pertencente aos Missionários do Sagrado Coração. Dom Fernando ficará morando em Roma de novembro a abril. A igreja do Sagrado Coração do Sufrágio fica a dois quarteirões de Castel Sant’Angelo e da Via dela Conciliazione, que leva direto ao Vaticano. Mas, o mais interessante, é que revelo a seguir.  Na igreja que Dom Fernando vai ser pároco, existe um Museu das Almas do Purgatório. Estão expostos lá uma coleção de sinais do além, deixados por essas almas, que na maioria das vezes apareceram ardendo internamente a parentes ou irmãos de religião. Sempre pedindo orações para saírem do Purgatório, onde pagavam penas devidas a seus pecados, antes de irem para o Céu. Os brasileiros que visitarem Roma entre novembro e abril poderão visitar Dom Fernando e conhecer o único museu do mundo ligado ao tema do purgatório.

Igreja do Sagrado Coração do Sufrágio,
em Roma, que terá Dom Fernando Panico como Pároco

Seminário sobre o Crato de Portugal e o Crato do Brasil
O Crato português, situado na região do Alentejo
O Crato brasileiro, localizado no Cariri cearense

     Será realizado, na cidade de Crato, nos dias 3 e 4 de outubro de 2019, o Seminário "O Crato Caririense e o Crato Alentejano: História, Cultura e Educação". O evento ocorrerá no Senac de Crato, como parte da disciplina “Etnoconhecimento e Educação Escolar”, ministrada na Universidade Regional do Cariri–URCA, pela professora Ariza Rocha. Esta, coordenará também o mencionado Seminário, que se propõe a divulgar fatos relacionados as duas cidades; a portuguesa e a brasileira.

      A história nos ensina que a atual cidade brasileira de Crato foi fundada em 1740, a partir da criação da Missão do Miranda. Essa “missão” surgiu para o aldeamento das populações indígenas que viviam no vale do Cariri. Em 21 de junho de 1764, a Missão do Miranda foi elevada à categoria de Vila, tendo seu nome mudado para Vila Real do Crato, em homenagem à vila homônima, existente na região do Alentejo, em Portugal. Com isso se cumpria o “Aviso de 17 de junho de 1762”, dirigido pela Secretaria dos Negócios Ultramarinos ao Governador de Pernambuco. Mencionado aviso autorizava o governador a criar novas vilas no Ceará, recomendando, entretanto, substituir a denominação dos povoados com nomes de localidades existentes em Portugal. 

        Já o Crato português é uma vila do Distrito de Portalegre e fica localizada na região do Alentejo. O Crato português foi conquistado dos mouros, em 1160, pelas tropas de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. 

Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, em Crato, será ampliada
Procissão de Nossa Senhora de Fátima que acontece no dia 13 de maio em Crato

   É antiga e intensa a devoção a Nossa Senhora de Fátima na cidade de Crato. O médico-historiador Irineu Pinheiro – no seu clássico “O Cariri”, página 272 – registra o abaixo transcrito:

 “No dia 3 de outubro de 1942 à tarde, trouxeram em procissão da Sé para o novo templo (igreja de São Vicente Ferrer) em andores, as imagens de São Vicente Férrer e Nossa Senhora de Fátima, em meio de fogos, vivas e palmas entusiásticas”. Noutro livro, “Efemérides do Cariri”, Irineu Pinheiro assim descreve a visita, em 1953, da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à cidade de Crato: “Foi a maior manifestação religiosa a que assistiu o Crato desde sua fundação”.   

     Fruto dessa visita, entre outras coisas, foi a inauguração, em Crato, do Aeroporto de Fátima (em plena Serra do Araripe) e a construção da Igrejinha de Fátima, localizada na Rua Nossa Senhora de Fátima, no Pimenta. Em 1967, o Prefeito de Crato, Humberto Macário de Brito, construiu um monumento a Nossa Senhora de Fátima, no velho Aeroporto, cuja escultura é de autoria do renomado escultor jardinense, José Rangel. Recentemente, foi inaugurada em Crato a maior estátua, de todo o mundo, de Nossa Senhora de Fátima. O bairro onde se ergue este monumento também foi denominado oficialmente de “Nossa Senhora de Fátima”.

      No último dia 13 de maio, foi anunciado que igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, sede da paróquia (a única com essa denominação na Diocese de Crato) vai ser ampliada numa campanha que envolverá todos os devotos da Virgem de Fátima na cidade de Crato.

03 junho 2019

Aonde buscar a Luz - Por: Emerson Monteiro


De tanto percorrer os longos caminhos deste mundo, lá um dia descobrimos a verdade que desde sempre vive presente bem no nosso coração e a viemos revelar. Batêramos em muitas portas, viráramos muitas folhas, esgotáramos muitos pensamentos, e em fração de segundos virá esta força do Amor e despertará em nós o que de quanto esperávamos sequiosos. Um clarão imenso invadirá a consciência e despertará do abismo os pensamentos qual relâmpago de explosão monumental. Assim já falavam os sábios, a revelar o sol nas trevas à busca da Luz. Por que você permanece na prisão quando a porta está completamente aberta? (Rumi)

Por isso, tal deus antes adormecido nas entranhas deste mundo, algo despertará de dentro das pessoas e a tudo iluminará em volta, desde o céu azul sem nuvens, espaço universal de todas as cores, sons, letras, lugares abertos de sonhos e possibilidades, ao Amor afinal, a força maior que a tudo domina e conduz. Um despertar de alegria e paz, fervor das almas e pureza de espírito.

Nisto, só restará estender as mãos a abraçar o Infinito, parcela quase invisível do que hoje somos. Visão dos mártires e penhor das criaturas. Aceitar o mistério e abraçá-lo com o carinho da inocência original. Harmonia das sinfonias mais perfeitas, suavidade e emoção de calma e transe dos místicos, bem dentro do coração da floresta das maravilhas, na beleza dos filmes do imaginário e pouso das aves do Paraíso.

Ouvir a voz de Deus aqui no seio das virtudes, essa transcendência de todas as buscas humanas, o caminho do coração de que fala Jesus. Amor maior, força propulsora e matriz das consciências em festa, morada dos santos... É isto, o quanto de certeza em nós mesmos ora transportamos, os herdeiros da Criação, aos páramos celestes.


02 junho 2019

Por que as manifestações contra o contingenciamento de verbas da educação não são feitas aos domingos? – por Armando Lopes Rafael



     Há 8 dias, milhares de brasileiros foram às ruas manifestar aprovação às reformas propostas pelo atual governo e defender os ministros Sérgio Moro e Paulo Guedes. Tudo espontâneo, tudo financiado pelos apoiadores daquelas manifestações, ou seja, o povo. Considere-se que domingo é um dia de repouso e ninguém pode obrigar famílias a saírem às ruas para “protestar”. Vai quem quer.

     Diferente ocorre com os protestos “feitos por estudantes” (como aconteceu 5ª. feira última em Barbalha). Esses protestos estudantis são sempre feitos em dias úteis, sempre acompanhados de professores, em manifestações histéricas e desvirtuadas do foco. Por que será que esses estudantes não saem às ruas nos domingos? Humm...aí tem coisa.
***   ***   ***

      A propósito leiam mais 3 opiniões, republicadas abaixo, da edição deste domingo do jornal Estadão.


1 – “Cortes na Educação”? é coisa só para confundir o povo – José Wilson de Lima Costa (*)

O que se pôde observar na manifestação contra o contingenciamento de verbas para a educação, que se espalharam como um rastilho de pólvora Brasil afora,  é que o movimento perdeu o foco, confundindo o público, com bandeiras de partidos políticos, rejeição à reforma da Previdência e gritando pela liberdade de Lula. A presença dessas pautas e as agitações deslegitimaram a manifestação.
(*) José Wilson de Lima Costa – e-mail: jwlcosta@bol.com.br

2 – Pois é: “massa de manobra...massa falida” – por Carlos E. Barros Rodrigues (*)

Faixas de “Lula Livre”, “Fora Bolsonaro” e outras tantas baboseiras de uma massa que não tem o que fazer e atrapalha os que trabalham. O que tem tudo isso que ver com educação? Até quando teremos de aguentar essa massa que não quer o bem deste país?
(*) Carlos E. Barros Rodrigues   – e-mail: ceb.rodrigues@hotmail.com

3 – É só retaliação – por Eraldo B.C. Rebouças (*)

Os presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer fizeram cortes nas verbas da educação. Para que se tenha uma ideia, em 2015 o corte foi de R$ 9,4 bilhões. Por isso não há sinceridade nas manifestações pelo contingenciamento feito pelo governo Bolsonaro. Trata-se, portanto, de retaliação pelo cancelamento da farra com dinheiro público, principalmente das verbas que eram repassadas à UNE.
(*) Eraldo B.C. Rebouças – e-mail: real742@yahoo.com.br

30 maio 2019

Caririensidade


O violino do Padre Cícero
    Este famoso sacerdote – nascido em Crato e existência quase toda vivida em Juazeiro do Norte – continua sendo o arquetípico do caririense: religioso, temente a Deus, caritativo e de boa índole.  Episódios da vida desse invulgar sacerdote continuam a ser “redescobertos”. A fama do Padre Cícero só faz crescer, principalmente depois da “reconciliação” que a Igreja Católica adotou no tocante à herança espiritual do sacerdote.

       Tempos atrás foi publicado por Joaquim Arraes de Alencar Pinheiro Bezerra de Menezes (carrega no DNA a boa índole de paz, honradez e benquerença do pai, Cesar Pinheiro Teles. Joaquim tem também no sangue os ideais políticos da defesa social dos pobres,  herança da família materna, cujo exemplo maior foi seu tio, o ex-governador  Miguel Arraes de Alencar) um artigo sobre um violino que o Padre Cícero adquiriu quando de sua única visita à Roma, para se defender das acusações e sanções impostas pelo Bispo de Fortaleza.

         Como dizia, Joaquim Pinheiro resgatou, naquele escrito, que o Padre Cícero trouxe de Roma dois violinos. Um deles foi presenteado a um parente do sacerdote. O outro, Pe. Cícero deu, em 1929, ao seu afilhado (por quem o sacerdote tinha grande afeto) o tabelião Antônio Teófilo Machado (mais conhecido por Machadinho), titular de um cartório em Crato durante décadas no século passado.

Sobre o violino


      Trata-se de um Maggini, modelo 1715, provavelmente adquirido de segunda mão, uma vez que a marca havia deixado de ser fabricada décadas antes de ser adquirido pelo Padre Cícero. Segundo Joaquim Pinheiro, no fundo do instrumento, embaixo da tampa, foi colado um papel e nele consta: “Adquirido pelo Pe. Cícero em Roma – Itália 1898. Of. a Antônio Machado em 26/03/1929 – Ceará – Juazeiro”.

     Antônio Machado tinha grande amor pelo violino, mas cedeu-o gratuitamente ao músico Paulino Galvão que passava uma temporada em Fortaleza. Indo morar no Rio de Janeiro, Paulino Galvão foi colega de orquestra do violinista cratense Virgílio Arraes, um “spalla” da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Ambos tocaram em outras orquestras e trabalharam juntos em muitas ocasiões, inclusive em gravações de cantores famosos brasileiros. Paulino Galvão requereu sua aposentadoria e mudou-se para uma cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro, deixando de tocar profissionalmente. Uma curiosidade: apesar de raro e do valor incalculável, o violino jamais foi comercializado, após chegar ao Brasil. Por isso passou, sucessivamente, de mãos em mãos, sempre a título de presente ou doação.

Nas mãos de Virgílio Arraes
Virgilio Arraes

       Passados alguns anos, Virgílio Arraes resolveu visitar Paulino Galvão na cidade onde estava morando e manifestou desejo de adquirir o violino que pertencera ao Padre Cícero. O músico aposentado respondeu que o instrumento era valioso demais para ser vendido e por esta razão não o venderia. Mas, na hora da despedida, pediu para o visitante aguardar um pouco. Voltou ao interior da casa e retornou com o instrumento raro, e o entregou a Virgílio Arraes, dizendo que era presente. Apenas pediu que cuidasse bem dele.

           Depois disso, o violino do Padre Cícero, foi presenteado a várias pessoas. Nunca foi vendido. E ainda hoje está bem guardado e bem conservado. Dias atrás, Joaquim Pinheiro me deu a notícia de que – mantendo a tradição – o violino mais uma vez trocou de mãos. Ele foi doado, por Virgílio Arraes, a uma profissional da música erudita, no caso a Professora Yeldes Machado, que vem a ser descendente do tabelião Antônio Teófilo Machado (Machadinho).

Saiba mais sobre Virgílio Arraes Filho 
     Damos a palavra a Joaquim Pinheiro: “O ex-proprietário do violino do Padre Cícero, Virgílio Arraes Filho, merece comentário à parte. Nascido no Crato, filho de Virgílio Arraes e de Marcionilia de Alencar Arraes, surpreendeu sua mãe quando, aos oito anos, afinou e tocou o bandolim a ela pertencente, sem nunca ter tido uma única aula de música. Diante do prodígio, seus pais procuraram o maestro da banda municipal para que lhe transmitisse noções da 1ª arte. 

Ainda criança, ouviu uma música no rádio e sentiu-se atraído pelo som do violino, que jamais havia visto. Comunicou aos pais que não queria mais tocar bandolim e sim violino. “Seu” Virgílio (proprietário da primeira sorveteria do Crato – Sorveteria Brasil - e ex-prefeito de Campos Sales, onde nasceu) mandou buscar o instrumento no Rio de Janeiro. Resolvido um problema, surgiu outro: não havia professor no Cariri. A família mudou-se para Fortaleza. Os mestres da capital cearense perceberam o enorme talento do aluno e aconselharam o aluno brilhante ir estudar na então capital brasileira, o Rio de Janeiro.

      No Rio de Janeiro a carreira foi meteórica: primeiro lugar no vestibular na escola de música da UFRJ (1953), primeiro colocado no concurso público para a orquestra do Teatro Municipal, onde foi o primeiro violonista (“Spalla”) durante muitos anos. Músico da Orquestra Sinfônica Brasileira, da orquestra da TV Globo e muitos outros feitos. Único músico a tocar no cinquentenário (1959) e centenário do Teatro Municipal do RJ. Em seu currículo constam performances nos mais importantes palcos do mundo, inclusive com a orquestra do Royal Ballet de Londres, onde foi aplaudido pela realeza Inglesa e recebeu cumprimentos pessoais da princesa Anne, filha da Rainha Elizabeth II.

      Participou de gravações com consagrados nomes da MPB, como Roberto Carlos, Chico Buarque de Holanda, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Simone, Fagner, Djavan, Dalva de Oliveira, Orlando Silva e muitos outros”.

 Mestres da Cultura do Cariri

   Dos onze Mestres da Cultura, selecionados recentemente pela Secretaria de Cultura do Ceará, 6 (seis) são do Cariri. A conferir. De Juazeiro do Norte: Mestre de Reisado Antônio, Mestre de Banda Cabaçal Expedito Caboco e Siará, Mestre Cabaceiro. De Crato: Mestre de Luxeria em Lixo Reciclável Aécio de Zaíra e o Mestre em Dança de Coco Dona Edite do Coco. Da cidade Aurora foi selecionado o Mestre em Esculturas Gil D’Aurora, que também fabrica rabecas. Eles são chamados de “tesouro vivo da cultura popular cearense”.

O que são os Mestres da Cultura

   Anualmente, a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) seleciona e diploma pessoas, grupos ou comunidades que realizam com maestria o delicado trabalho de preservar as tradições culturais que nasceram e se firmaram de forma espontânea no nosso Estado. Eles são chamados de “Mestres da Cultura”. Entre as dezenas de mestres que existem nas cidades e comunidades cearenses, a Secult realiza uma seleção via edital desde o ano de 2004, quando este programa foi criado pelo ex-governador Lúcio Alcântara. Os escolhidos para o título de Mestre da Cultura recebem do Estado auxílio vitalício de um salário-mínimo por mês.

Um “Mestre da Cultura” de Barbalha

 "Seu" Jaime

     Jaime Arnaldo Rodrigues, “Seu” Jaime, 76 anos, possui um fábrica de mosaicos na cidade de Barbalha. Hoje, as novas gerações só conhecem os revestimentos de pisos feitos com ladrilho-cerâmico industrializado. Mas, até a década 70 do século passado, os pisos no Cariri eram revestidos com mosaicos artesanais. Existiam muitas fábricas de mosaicos no Cariri. Todas desaparecem com a chegada do piso-cerâmico. O artesão Jaime Arnaldo Rodrigues passou mais de 40 anos produzindo – na cidade de Barbalha – mosaicos artesanais. E voltou a fabricá-los há poucos anos. Por isso recebeu o título de “Mestre da Cultura” da Secult-Ceará.

Por que o mosaico tem valor?
 Mosaicos fabricados em Barbalha

     Alguns leitores podem perguntar: e qual a importância artística do mosaico?. Embora não seja mais fabricado, o mosaico, além de ecológico, possui valor artístico e histórico que merece preservação. Trata-se de um ladrilho, feito de placa de cimento, areia, pó de mármore e pigmentos com superfície de textura lisa. O mosaico é um dos traços da cultura do Cariri que nos liga forte e imediatamente à península ibérica e seus valores não apenas europeus, mas fortemente orientais, via universo moçárabe. O mosaico vem do processo de fabricação onde a cura se dá na água, sem qualquer processo de queima, que agrida o meio ambiente. Além do mais, o mosaico possui alta resistência ao desgaste. 

     Tem um formato quadrado, de 20 x 20 cm, com acabamento liso e cores firmes, além de ser um produto artesanal, hoje raríssimo. Dai a importância de se preservar a produção do mosaico na cidade de Barbalha. O antigo Palácio Episcopal Bom Pastor, residência dos bispos de Crato, ainda conserva pisos de diversos desenhos de mosaicos, fabricados pelo escultor italiano Agostino Balmes Odísio, que residiu em Juazeiro do Norte entre 1934 a 1940.

29 maio 2019

Esses tempos magnéticos - Por: Emerson Monteiro


De quando as malhas do sentimento envolvem de perfume os largos mistérios da natureza e os traços, antes humanos, viraram passadas de animais pré-históricos nas lamas das ruas e dos becos, até parecendo que nunca fomos os mesmos de quando abríramos o horizonte metros e metros de saudade. Bem possível já haver vivido isso tudo e nem de longe imaginar que precisássemos viver outra vez. Nas letras, nos filmes, nos jornais, e essa fome sem igual de revelar o que somos e ninguém jamais poder acompanhar o enredo e a melodia das visões que tivemos a cada manhã.

Depois de tudo, os instrumentos aceleraram o processo da comunicação entre os seres a ponto de existir muito mais do além sob o manto sórdido da artificialidade, no entanto possível sendo achar criaturas que conspiram a favor do Bem e da Verdade maior por meio dos celulares, das transmissões virtuais e dos discos abstratos. A tanto foram noites e noites de angústia ao som dos rocks da pesada transmitidos aos planetas distantes, ecos das ansiedades e do desespero contido nas bocas. Heróis do silêncio que viajaram entre as teclas dos computadores e mergulharam entre os tubarões sequiosos de sangue e desalinhados na dor dos aventureiros de plantão.

Perguntar, pois, donde vêm os novos tempos seria o tanto suficiente de consultar os oráculos dos céus de pedir orientação de quais portas abrir pelos corredores da imaginação. Quais dúvidas de que seja dessa maneira a fórmula mágica da Salvação; viver, observar os movimentos das sombras ao fundo da caverna e deixar de lado métodos antigos de sobrevivência e paixão. Admitir que a hora chegou e somos os parceiros do desconhecido diante das horas inacabadas. Peças do próprio destino à busca de saber a razão de seguir adiante, independente de toda e qualquer limitação. Seres de luz à busca de si mesmos, eis o que somos e do que seremos ao final dos limites do Sol.

28 maio 2019

Depoimento de Jackson Bantim sobre instalação da Rádio Universitária URCA


Eu, Jackson Bantim, estou contagiado de grande felicidade. A sensação é a do nascimento de um filho. 

Há 16 anos venho lutando pela instalação da Rádio Universitária URCA. Sexta-feira, dia 25 de maio de 2019, às 16 horas, juntamente com membros da equipe responsável pela instalação desta emissora, dentre eles Emerson Monteiro, Rômulo Sampaio, Baden Powell, Victor Kaiak, João Carlos e Kairan, entrou no ar em fase experimental, com o prefixo 94,3, a RÁDIO UNIVERSITÁRIA URCA. 

Tive o prazer de escutar pela primeira vez, dentro da programação experimental, músicas de minha autoria em parceria com Cícero do Assaré e Quinteto Violado. 

Nasce a oportunidade de conhecermos grandes compositores e intérpretes da região do Cariri. Como expressa uma das vinhetas da Rádio Universitária URCA - “AQUI SE OUVE O CARIRI!”.

Parabenizo o empenho do Reitor Patrício Melo por este MARCO HISTÓRICO, em sua administração e na trajetória radiofônica de nossa região.


25 maio 2019

No dia da Arma de Infantaria, Tiro de Guerra 10 004 de Crato, presta homenagem a colaboradores do Exército brasileiro



A solenidade aconteceu na sede do Tiro de Guerra 10 004 em Crato, na noite desta sexta-feira, 24 e contou com a participação de diversos convidados, representantes dos poderes Executivo e Legislativo municipais e do Judiciário, além de amigos e colaboradores do Tiro de Guerra e Exército Brasileiro, e parentes e amigos dos atiradores.

A solenidade começou com a entrega dos braçais aos atiradores que participaram do curso de Cabo, e que estão exercendo a função de monitor. Em seguida foram entregues as boinas verde-oliva a todos os 100 atiradores por terem cumprido a primeira fase das atividades que serão concluídas no final de novembro. O atirador Jackson disse o que representava para ele servir a sociedade, através do Exército. Também destacou o que tem aprendido com as instruções militares...


O empresário Valdemir Correia de Sousa que já tinha sido homenageado no começo do ano, quando foi escolhido para ser o patrono da turma de atiradores do TG 10 004 de 2019, recebeu mais uma homenagem nesta sexta-feira. 

A comenda Duque de Caxias – Patrono do Exército Brasileiro muito lhe emocionou, como disse à reportagem do Jornal da Princesa. Valdemir considera o Exército Brasileiro como uma das maiores instituições do país, responsável pela formação do caráter e do espírito de solidariedade do cidadão brasileiro.

Um dos convidados especiais para participar da solenidade foi o empresário cratense, amigo e colaborador do Tiro de Guerra, Francisco Pierre. Chico Pierre como é mais conhecido afirmou que já recebeu várias comendas do Exército, inclusive a mais importante da instituição, a do Mérito Militar. Chico Pierre ressaltou que no interior do estado, até o momento, só ele recebeu essa comenda e também falou sobre a importância da instituição. O Sub Tenente Josenildo é o chefe de instrução do Tiro de Guerra 10 004, um mais antigo do Ceará. Ele falou sobre a importância do Exército e daquele momento de reconhecimento. Pediu o apoio da sociedade para o trabalho do Exército pois a instituição dará de volta homens bem formados e disciplinados.

Outras fotos do evento:
















  







Texto: Marcus Silva - Princesa FM
Fotos: Dihelson Mendonça

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