17 julho 2018

Acalmar o mundo em mim - Por: Emerson Monteiro


Insisto nisso que ouvi tantas vezes, li tantas vezes, de que as escolas místicas orientais querem primeiro que silenciemos o pensamento. Só e depois, bem depois, imaginam fazer outras ações que correspondam à busca da real consciência. Isso mexe comigo, porquanto por mais que queira silenciar o tal pensamento, ainda não obtive êxito. Corro de um lado a outro e lá me encontro, de novo, com a intenção constante de controlar os acontecimentos através dos pensamentos e nada de concreto naquele mundo abstrato.

Se sejam religiões, ciências, literatura, providências sociais, ali paira o senso de pensar e juntar palavras, argumentos, elocubrações. Planejar que seja o mínimo, as palavras vêm à tona na maior naturalidade, qual que fossem eu invés de antes serem elas, que liberdade não têm mais invadem o meu território mental e sustentam teses e norteiam histórias mil que nem são minhas. Parar de pensar hoje equivale ao sonho de controlar o juízo, porquanto à medida que penso chegam lembranças; nelas os tempos que ficaram atrás, e as pessoas, e as emoções, e as frustrações...

Quando lembro os momentos ruins, afloram arrependimentos, contrariedades, más querenças, tristezas, vergonhas. E se, em sentido inverso, advêm lembranças boas, ora só, vêm saudades, as perdas do que sumiu e jamais outro tanto voltarão. Por isso, essa vontade insistente de dominar as palavras que formam as lembranças e os roteiros de antigamente largados nos firmamentos.

Quando quis escrever há pouco, a inspiração mostrava outro título desta página: O Deus do silêncio, ou o deus do Silêncio. Duas visões místicas a propósito do mesmo tema. Deus maiúsculo que a tudo domina, inclusive o silêncio. Ou um deus mitológico que mora nos subterrâneos da gente, e que também domina os sons e o Silêncio. Noutras palavras, um deus de mistério do ser que somos, e que de Deus tudo tem, inclusive a existência.

Assim, acalmar o mundo em mim pede silêncio na alma e no coração. Além da vontade, pois. Quanto fala o coração das vidas espalhadas em folhas secas ao vento. No brilho do Sol nas ondas que passam nessa velocidade da vida, algo conta da necessidade infinita de parar um dia e encontrar consigo nas marcas indeléveis do tempo eterno, e então falar em mim das forças da Natureza que dormem inocentes nos silêncios deste céu que pede paz e alimenta de bondade a existência de que seremos sempre instrumento e autor.

Centec presente na Expocrato

Fonte: Diário do Nordeste, 17-07-2018.
   
Crato. O Instituto Centec está presente em mais uma edição do Festival Expocrato 2018, que começou no último dia 14 e segue até o próximo domingo (22), na cidade do Crato. Será oferecida uma programação educativa gratuita, com a participação de professores, técnicos e alunos dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT), Centros Vocacionais Técnicos (CVTEC) e Faculdades de Tecnologia Centec (Fatec).

Serão disponibilizados no estande do Centec diversos produtos e experimentos inovadores. A Fatec Sertão Central apresenta aos visitantes mel de abelha orgânico e condimentos saudáveis, itens preparados pelos alunos dos cursos de agronegócio e alimentos. O CVTEC Crato promoverá a degustação pratos que valorizam a tradição gastronômica caririense.

A Fatec Cariri fará a exposição e venda de itens produzidos com materiais recicláveis por alunos do curso de meio ambiente; um sistema wetlands, que trata água para reúso de forma simples e eficiente; e bancadas didáticas que demonstram o acionamento de sistemas elétricos residenciais e industriais e um sistema de correção de potência (monofásico e trifásico).

Composto orgânico
O CVTEC Barbalha fará exposição e venda de composto orgânico, peixes ornamentais, óleo de cenoura, sabonetes aromatizados, além da distribuição de mudas de hortaliças.Nesta quarta-feira (18), às 7h30, será oferecido um café da manhã sustentável para os trabalhadores da limpeza e visitantes do estande. Neste sábado (21), será distribuído um caldo gratuito, a partir das 4h, para os trabalhadores do parque.

Mais informações
Programação gratuita do Centec na Expocrato 2018
Local: Estande do Centec
Contato: (88) 3566.4048 marketing@centec.org.br

17 de julho de 1570: O Brasil ganha seus primeiros santos -- por José Luís Lira (*)


Os beatos-mártires do Brasil


   Os Mártires do Brasil compõem um grupo de 40 jovens da Companhia de Jesus (entre 20 e 30 anos), 32 portugueses e 8 espanhóis, destinados às missões no Brasil em 1570. Eram no total 2 sacerdotes, 1 diácono, 14 irmãos e 23 estudantes, liderados por Inácio de Azevedo. Durante a viagem, sua nau foi interceptada nas Ilhas Canárias por navios de huguenotes, calvinistas franceses. Ao saberem que os tripulantes eram missionários católicos, atiraram-nos ao mar a 15 de julho de 1570.

    Os missionários foram todos mortos e feridos, exceto o irmão João Sanches a quem os calvinistas guardaram para seu cozinheiro. No entanto, apareceu João Adauto, sobrinho do capitão da nau, que decidiu vestir o hábito de religioso jesuíta para o tomarem por tal (uma vez que tanto desejava pertencer à Companhia de Jesus) e acabou por ser morto pela fé junto aos restantes mártires. Todos foram lançados ao mar, uns já mortos, outros em agonia e outros ainda vivos.

    Em simultâneo com o momento do martírio, Santa Teresa de Ávila, no seu convento carmelita em Espanha, teve uma visão do martírio de Inácio de Azevedo com os seus companheiros e da sua entrada triunfal no Céu recebidos por Nossa Senhora e pelo próprio Jesus. Foram beatificados a 11 de maio de 1854 pelo Papa Pio IX. A festa litúrgica destes mártires católicos é celebrada no dia 17 de julho.

(O quadro publicado acima é da autoria de Giuseppe Baguasco (1855) e retrata uma visão que  Santa Teresa de Ávilateve na hora em que o martírio acontecia).

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(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

100 anos do Pe. Antônio Vieira


16 julho 2018

O Empresário Valdemir Correia de Sousa é um dos Homenageados durante a Exposição de Crato


O comerciante Valdemir Correia de Sousa foi um dos agraciados com uma comenda de Honra ao Mérito, ontem ( 15/07 ) entregue na sede do Geopark Araripe, pela Associação dos Criadores do Cariri Cearense. Detalhes, logo mais. Por enquanto, algumas fotos do evento:













Presidente do STF suspende regra sobre coparticipação e franquia em planos de saúde.


Decisão da ministra é provisória e ainda deverá ser analisada pelo relator do caso no STF. ANS havia autorizado, no final de junho, regras que mudavam pagamentos de franquia e coparticipação.

A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, suspendeu na manhã desta segunda-feira (16) uma resolução da Agência Nacional de Saúde (ANS) com novas regras para a cobrança de coparticipação e de franquia em planos de saúde.

A ANS publicou no fim de junho uma decisão com novas regras para cobrança de coparticipação e de franquia em planos de saúde. Segundo a resolução normativa nº 433, os pacientes deverão pagar até 40% no caso de haver cobrança de coparticipação em cima do valor de cada procedimento realizado (veja as mudanças aqui).

Usuários podem pagar até 40% de franquia e coparticipação nos planos de saúde

Cármen Lúcia decidiu suspender a validade das novas regras durante o plantão do Judiciário. A decisão ainda deverá ser analisada pelo relator da ação, ministro Celso de Mello, e ser posteriormente validada ou derrubada pelo plenário do STF.

A ministra atendeu pedido de decisão liminar (provisória) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo a entidade, a norma da ANS “desfigurou o marco legal de proteção do consumidor” e só poderia ser editada com aprovação do Congresso.

Segundo a OAB, a resolução poderia ainda levar o consumidor a pagar até 40% do valor de consultas e exames, na forma de coparticipação, reajuste que considera “abusivo” em relação à média atual de 30% cobrada pelos planos de saúde.

A entidade alegou que uma norma anterior, de 2008, do Conselho de Saúde Suplementar, órgão ligado à ANS, proibia coparticipação que caracterizasse “fator restritivo severo ao acesso aos serviços”. A OAB pediu uma liminar em razão de um “manifesto prejuízo aos consumidores”.

Na decisão, Cármen Lúcia considerou que a “tutela do direito fundamental à saúde do cidadão é urgente”, assim como “a segurança e a previsão dos usuários de planos de saúde”.

“Saúde não é mercadoria. Vida não é negócio. Dignidade não é lucro. Direitos conquistados não podem ser retrocedidos sequer instabilizados”, escreveu a ministra na decisão.
Para a ministra, como o direito à saúde está previsto em lei, alterações em sua prestação devem ser objeto de ampla discussão na sociedade. Da forma como foi aprovada, a resolução poderia trazer instabilidade jurídica e incremento na judicialização no setor.

“A inquietude dos milhões de usuários de planos de saúde, muitos deles em estado de vulnerabilidade e inegável hipossuficiência, que, surpreendidos, ou melhor, sobressaltados com as novas regras, não discutidas em processo legislativo público e participativo, como próprio da feitora das leis, vêem-se diante de condição imprecisa e em condição de incerteza quanto a seus direitos”, completou Cármen Lúcia em outro trecho.

Fonte: G1
Via Blog do Crato


Programação da Expocrato 2018



BLOG DO CRATO



Abertura da Expocrato 2018 - Mais de 35 milhões foram investidos na reforma do parque.



Foram investidos R$ 35 mi numa área total de 33.605,40 m²; o Parque de Exposições teve sua capacidade ampliada.
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Crato. "2018 é um divisor de águas". Assim foi definida a 67ª Exposição Centro Nordestina de Animais e Produtos Derivados, a Expocrato, pelo prefeito José Ailton Brasil, evento iniciado nesse sábado e que vai até o próximo dia 22, neste Município do Cariri cearense. No palco, os cantores Raimundo Fagner e Léo Magalhães foram os destaques dos dois primeiros dias, com público médio de 15 mil pessoas. Durante os nove dias, mais de 50 atrações se apresentarão.

O Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti passou por uma grande reforma, não totalmente concluída. Alguns stands ainda estão sendo montados e mais animais devem chegar até esta quarta-feira.

Nesse primeiro fim de semana foi possível notar algumas melhorias como a reforma do equipamento, a fluidez no trânsito, organização e circulação dentro do Parque. Nesse domingo (15), milhares de pessoas visitaram a feira, lotando o Parque sem aquele aperto costumeiro. Foram investidos R$ 35 milhões numa área total de intervenção de 33.605,40 m². No espaço de shows, foi colocado piso intertravado e capacidade ampliada para mais de 30 mil pessoas.


A obra também incluiu novas edificações como a administração do parque, dormitório para os tratadores (144 camas), instalações sanitárias, nova arquibancada, edifício para entidades, centro de manejo, marquises polivalentes, restaurantes, museu, área para artesanato, engenho, e renovação dos pavilhões existentes. Toda a parte viária e de currais é nova. São 4.434,30 m² de reformas de construções existentes e um acréscimo de 11.137,50m² em novas edificações.

O presidente do Grupo Gestor, Luiz Gonzaga de Melo, acredita que houve uma melhora substancial em todo parque, mesmo com reforma ainda não concluído - isso deve acontecer até setembro. "Uma questão que era um problema crônico: mobilidade dentro do parque, principalmente nos primeiros dias. Você não vê mais. As avenidas são largas", destaca. No entanto, a capacidade de instalação de animais foi reduzida em cada pavilhão para a construção dos banheiros e alojamentos dos tratadores. "Nós temos um dos melhores parques agropecuários do Brasil. Então ele vem atender uma necessidade que a gente buscava a muito tempo".

Já Marcelo Rocha, diretor da Arte Produções, uma das empresas organizadoras do Festival Expocrato, elogiou a reforma que, segundo ele, facilitou a logística e montagem dos equipamentos. "Uma obra maravilhosa. A população vai sentir toda diferença. Muda toda a qualidade da festa", ressalta.

Famílias

No sábado, antes do show do cantor Fagner, um grande espetáculo pirotécnico, com tecnologia silenciadora, iluminou o céu da cidade, anunciando a abertura da festa. A MPB, o forró pé-de-serra, o forró eletrônico e o sertanejo foram os primeiros de uma variedade de gêneros musicais que pisarão no festival cratense. Segundo Marcelo Rocha, é importante que o evento contemple as várias tribos e idades e que as famílias também participem.

O cantor e músico juazeirense Fábio Carneirinho foi o primeiro de uma série de artistas regionais que se apresentará no Festival Expocrato. Para ele, foi importante a organização agregar os artistas locais para enaltecer e, também, divulgar para os visitantes. A festa continua nesta segunda-feira (16), tendo como destaque os cantores José Augusto e Fábio Jr. Subirão ao palco também Forró Real, Jordian do Acordeon e Flávio Leandro.

Fonte: Diário do Nordeste
Foto: Antonio Rodrigues e Divulgação.

Via BLOG DO CRATO



17 de julho de 2018 --Cem anos do massacre da Família Imperial Russa

Fonte:VEJA -Por Vilma Gryzinski
Assassinar reis, crianças e lindas adolescentes causou um trauma nacional que ainda reverbera na Rússia; e a ordem dada por Lênin ainda não apareceu
Cem anos nos contemplam: belos e malditos, o czar Nicolau e a imperatriz Alexandra, rodeados antes da queda por Olga, Anastasia, Maria, Alexei e Tatiana (Universal History Archive/UIG/Getty Images)

As fronteiras entre verdades e mentiras, história e mitos, invenção inocente ou ficção perversa continuam a ser estonteantes no caso do hediondo massacre de Nicolau II, o último czar;  sua mulher, Alexandra; Alexei, o caçula e herdeiro, e as quatro irmãs. Cem anos depois, entre uma final de Copa do Mundo em Moscou ontem e um encontro hoje  em Helsinque entre Vladimir Putin e Donald Trump, poucos russos teriam cabeça para pensar no que aconteceu na madrugada de 17 de julho de 1918 no porão de um casarão sem luxo nenhum em Ecaterimburgo, no coração dividido da Rússia, olhando para a Europa de um lado, além dos Urais, e para a imensidão siberiana do outro.

Mas pensam, sim. Mesmo quando não falam no crime que ainda ecoa através do tempo e da história, não apenas da Rússia, mas de todos os que se encantaram com o que parecia ser o lado bom da revolução bolchevique e do comunismo.

“Aqueles que cometeram este crime são tão culpados como aqueles que o aprovaram durante décadas. Somos todos culpados.”

Assim definiu Boris Ieltsin o peso da culpa coletiva quando o crime completou 80 anos. Não o bufão bêbado da caricatura em que se transformou o primeiro presidente pós-comunismo, mas um homem que participou da dolorosa cumplicidade e foi capaz de entendê-la e criticá-la. O extermínio de uma família real inteira, único até no precedente brutal da Revolução Francesa, foi conhecido em detalhes porque o que os bolcheviques temiam realmente aconteceu.

A distante Ecaterimburgo realmente foi tomada pela legião de voluntários da Checoslováquia que participava de dois eventos avassaladores ao mesmo tempo: a I Guerra Mundial e a Guerra Civil Russa desfechada a partir da derrubada do regime czarista. O crime foi investigado com riqueza de detalhes. Mesmo antes disso, fuzilar um czar e sua família não passou exatamente despercebido pela população local. Um diplomata britânico tentou enviar um telegrama ao Foreign Office no dia 18 de julho, informando: “O czar Nicolau II foi fuzilado ontem à noite”.

Interceptado por Filipp Goloshchiokin, o comissário bolchevique que havia acabado de inspecionar o local do massacre, o telegrama mudou para: “O czar carrasco Nicolau foi fuzilado ontem à noite, um destino amplamente merecido”. (Goloshchiokin, como tantos outros dirigentes comunistas irredutíveis, foi fuzilado por ordem de Stálin em 1941.)

MAUSER E FACÃO

Outros fatos que parecem ficção aconteceram realmente. O czarevitch Alexei e as irmãs,  que tinham o título de grã-duquesas, equivalente ao de princesas imperiais, levavam diamantes e outras pedras preciosas costuradas nas roupas íntimas em tamanha quantidade que os tiros desastrosos de seus algozes ricochetearam.

Precisaram ser mortos com tiros na cabeça, na maioria desfechados por Yakov Yurovsky, o comandante e planejador da execução no porão da Casa Ipatiev, sobradão que levava o nome do dono, um engenheiro militar, em todos os seus desastrosos detalhes. O corpo sem vida da imperatriz Alexandra, nascida Alix, princesa de Hesse, foi alvo de um odioso ato de vilipêndio, praticado por dois integrantes do pelotão improvisado.

Outros dois se recusaram a atirar nas meninas, que “não haviam feito nada”. Todos os atiradores dispararam contra o czar. Por causa da confusão, da inépcia e da fumaça da pólvora no ambiente sufocante, o fuzilamento foi suspenso na metade. Tatiana, a irmã mais carismática, e Olga, a mais velha, estavam abraçadas, sentadas no chão, de costas contra a parede recoberta de papel com listas, gritando pela mãe. Yurovsky deu um jeito nelas, como nos demais sobreviventes. Usava uma Mauser e um facão.

Ao todo, foram assassinados o casal imperial – que tecnicamente não tinha mais a coroa, depois da abdicação feita durante a Revolução de Fevereiro -, o herdeiro, as quatro filhas, o médico que cuidada do menino, o valete do czar,  uma criada da imperatriz e o cozinheiro da família. Os corpos foram removidos do local de caminhão, a cavalo e de carroça. No topo, o buldogue francês Ortino, presente de um oficial russo com quem Tatiana havia flertado quando ela, Olga e a mãe trabalharam como enfermeiras, atendendo feridos da I Guerra.

Todos os Romanov foram canonizados em 2000 pela Igreja Ortodoxa Russa, por darem testemunho de fé através da “humildade e cordura” demonstradas em seus últimos anos de vida. Com os cem anos do massacre, aumentou a quantidade de visitantes à Igreja sobre o Sangue, erguida no terreno da  Casa Ipatiev, demolida em 1977 por “falta de interesse histórico” – a culpa mal disfarçada de que falava Ieltsin. A cripta fica onde era o porão. Ao lado, fica uma catedral. Mas a peça que continua a faltar para os historiadores é a ordem de Lênin para eliminar a família Romanov. É completamente impossível que comissários comunistas, por maior poder local que tivessem, tomassem a iniciativa do regicídio. Como no caso do genocídio dos judeus determinado por Hitler, a ordem para a “solução final” é conhecida em todos os detalhes, menos o documento em si.

15 julho 2018

Dias alegres - Por: Emerson Monteiro


Os olhos que enxergam a paisagem são os nossos olhos. A cor da paisagem quem vê somos nós. O mundo existe independente, mas nós lhe damos o tom, a melodia. A paisagem existe lá fora, no entanto de dentro quem a vê seremos sempre nós. Daí a imaginação de que fomos criados a fim de dar sentido aos mundos e seres. Isto é, o panorama existe objetivamente, não fosse, contudo, a nossa existência ninguém registraria tais existências. Somos o sujeito das existências, inclusive de saber da nossa existência.

Dizem os existencialistas que, nos outros seres, a essência precede a existência. Vêm do jeito que serão. Já nos seres humanos a existência precede a essência; ainda não sabem o que virão a ser ao sair de volta. Animais, coisas e lugares nascem animais, coisas e lugares. O ser humano haverá de se fazer ser humano, deixar de ser só um objeto em movimento ocasional. A essência, o ser, nos humanos virá depois que existir, condição necessária. Se não, estará sendo tão só mais um animal, ou coisa, ou lugar, em que a essência estaria em potência sem realização daquilo que trazia quando chegara à existência.

Bom, essas tiradas conceituais resolvem o desejo de contemplar a paisagem do dia, uma manhã bonita de nuvens de chuva, chão molhado e frio gostoso pelo ar. Os dias que sucedem aos dias. As belas manhãs que enchem de vistas a alegria, quando a gente abre o coração e recebe de bom grado viver com intensidade o deslindar do tempo. As certezas, as pessoas integradas no gesto de viver em paz que elas delas conseguem obter. Horas de boa vontade.

Todo instante traz frutos bons, desde que plantemos à luz dos sóis em nossas almas, trabalho de quem busca inteiro o motivo de viver. Há, no que há, religiosidade plena, que nos resta desvendar através da sabedoria. Oferecer o melhor de si aos acontecimentos do Universo. Espécie de doação boa a nós próprios, viver pede inspiração. Dias alegres durante as existências, eis, em resumo, a razão principal do ato de existir.

(Ilustração; Wassily Kandinsky, em Composição VII).

14 julho 2018

Memorial da Imagem e do Som do Cariri convida:

Lançamento da Ladeira Cultural Geraldo Urano e da Instalação Portal dos Sonhos



O Memorial da Imagem e do Som do Cariri, através do seu diretor Jackson de Oliveira Bantim, tem a satisfação de convidar a todos para a abertura da visitação à Ladeira Cultural Geraldo Urano e à Instalação Portal dos Sonhos, em homenagem ao artista plástico cratense Sérvulo Esmeraldo.

O evento acontecerá neste sábado, dia 14/07, as 19h30m, no Instituto Cultural do Cariri – ICC, situado na avenida Maildes de Siqueira, em frente ao Parque de Exposições do Crato.

Sua presença abrilhantará o nosso evento.

13 julho 2018

Lançamento da Ladeira Cultural e da Instalação Portal dos Sonhos: o ICC mostra sua nova face


Carlos Rafael Dias
Historiador e sócio acadêmico do Instituto Cultural do Cariri

Reveste-se de simbólica importância a iniciativa do Memorial da Imagem e do Som do Cariri, através do seu diretor Jackson de Oliveira Bantim, de prestar um oportuno tributo a dois ícones da cultura caririense, o poeta Geraldo Urano e o artista plástico Sérvulo Esmeraldo. Para tanto, entregará ao público amanhã, dia 14, duas instalações:  a Ladeira Cultural Geraldo Urano e o Portal dos Sonhos Sérvulo Esmeraldo, utilizando e dinamizando o espaço de uma instituição que geralmente é vista como um empedernido sustentáculo da tradição caririense, o Instituto Cultural do Cariri - ICC.
No entanto, na virada das décadas de 1960 e 1970, os discursos produzidos pela geração de intelectuais fundadora do ICC vão ser recepcionados por uma nova geração, também fortemente influenciada por um movimento global, de caráter contracultural, motivador de contestação e transformação de estruturas que se julgavam arcaicas ou anacrônicas. Como consequência deste processo, observa-se a emergência de um benéfico e produtivo conflito de gerações que se revestiu em um embate entre os valores da tradição e da modernidade, visto que se deve entender esse processo como um campo de lutas, onde há espaço não só para a resistência, mas também para agenciamentos. Nesse contexto, destaca-se a produção literária e o protagonismo do poeta Geraldo Urano, marcados pelo experimentalismo, irreverência, contestação e engajamento sociopolítico, com fortes características de universalidade, mas sem perder o sentimento regionalista.
Antes, porém, o ICC já tinha reconhecido o valor de um vanguardista gravurista caririense, que no início da década de 1960 tinha sido um dos destaques da Segunda Bienal de Paris, merecendo uma nota na prestigiada revista Itaytera, com o pomposo título “artista cratense Sérvulo Esmeraldo brilha em Paris”. Itaytera continuaria, no decorrer de suas edições seguintes, registrando os feitos de Sérvulo Esmeraldo, como ocorreu na edição 27, de 1983, quando reproduziu matérias veiculadas na imprensa nacional acerca desse conceituado artista plástico que, na época, já era também reconhecido como escultor e autor de “uma obra rigorosamente construtiva, em que a força da estrutura geométrica e a concepção inteligente predominam sobre a expressão de emoções”. Coincidentemente, nessa mesma edição de Itaytera, o ICC abriu um generoso espaço para a produção dos jovens poetas cratenses, dentre eles Geraldo Urano, que traz em um dos poemas um verso emblemático: “rapadura é dura e doce / a verdade é assim”.
Além deste sincrônico entrelaçado de referências entre o ICC e os dois artistas homenageados, deve ser enfatizado o novo momento vivido pela velha instituição (completará em outubro próximo 65 anos de existência). Nele, sobressai-se uma força-tarefa liderada pela sua atual diretoria, tendo a frente um jovem dinâmico e repleto de boa vontade, o historiador Heitor Feitosa, que tem literalmente escancarado as portas da casa para receber e hospedar os velhos e os neófitos sócios (o mais recente é o cantor e compositor Tiago Araripe), em uma frenética programação que já é literalmente cotidiana. 
Com toda essa hospitalidade, o Memorial da Imagem e do Som, que ocupa um generoso e privilegiado espaço do ICC, sente-se cada vez mais à vontade para continuar promovendo inovações que venham injetar o pretendido sangue novo que a instituição tanto carece e que sua diretoria tanto almeja.

Na face da Terra - Por: Emerson Monteiro



Isto, no reino das tais aparentes contradições, eles andam vergados debaixo do peso de dúvidas imensas; contingentes assim se arrastam rumo do despenhadeiro, porquanto é dado ao homem morrer uma só vez e nascer na vida eterna. Sucumbir ao peso das eras, isso deixa margem a longas discussões do penhor que oferece a troca das noites do prazer pelo arrependimento.

Retrato da própria face ao espelho da dúvida, os passageiros desse trem do desconhecido reveem assim horas sucessivas de incertezas que demonstravam os limites da liberdade, vítimas da cegueira e da ignorância. Origem de paixões dolorosas, o instinto domina muitas vezes as atitudes que trouxeram até aqui. Quais folhas ao vento, nalgumas horas caem perdidos na lama e afundam no desgosto da solidão. Isso pede justiça, e dela ninguém escapa. Tropas, pois, de bandoleiros, as pessoas pisam o chão feito meras aprendizes dos equívocos e das leis. Quais atores dos dramas particulares, estonteiam as linhas do destino e jogam nos tribunais aquilo que serviria de instrumento de felicidade, contudo utilizado em causa imprópria. Vítimas de si, joguetes nas mãos da sorte, peças das tramas do azar e fagulhas de fogueiras apagadas, vacilam soltos no teto das lojas abandonadas.

Bom, quis refletir diante dos erros que serviram à construção da Torre de Babel das individualidades. Histórias delirantes da vaidade fecharam as portas aos extremos deste lugar onde andam às tontas. Que sejam reis ou serviçais no palácio, fogem às condições de olhar quanto veriam tão só do quanto resta de viver os dias e regressar aos planos, que deles nem se lembram de lá terem vindo. Eis o que fere a natureza das criaturas humanas, de saber tanto e conhecer quase coisa alguma. Parceiros dos sonhos da Eternidade, deitam sob a terra o pouco que restava ao final de tudo. E ausentes dormem o silêncio profundo e misterioso de memórias inexistentes nas profundezas do mar.

(Ilustração: Jacek Yerka)

“Coisas da República” – “Pautas-bomba” ameaçam as contas de Temer e do próximo governo


Enquanto o governo tenta cortar gastos e aumentar receitas para, pelo menos, fechar as contas de 2019, e o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, fez apelos aos presidentes da Câmara e do Senado para segurar as votações da chamada “farra fiscal”. Inútil. Propostas de parlamentares às vésperas das eleições – aprovadas ontem na Câmara dos Deputados – podem ter impacto negativo bilionário na arrecadação e são promessa de herança maldita para quem vier a ser eleito Presidente da República daqui a menos de três meses.

Às vésperas da eleição, deputados e senadores estão abrindo a torneira das contas públicas por meio da aprovação de projetos que derrubam a arrecadação do governo e impedem a contenção de gastos. As chamadas “pautas-bomba” podem ter impacto próximo a 100 bilhões de reais nos próximos anos, ameaçam as contas do governo de Michel Temer e são promessa de herança maldita para o próximo presidente.

A maior dessas “bombas” é relacionada à desoneração do ICMS sobre exportações. Se o projeto de lei que determina que a União compense o imposto aos Estados passar, a consequência serão 39 bilhões de reais a menos para o governo por ano.

Mas a lista é extensa. Tome-se o exemplo do Refis: o perdão de dívidas tributárias de produtores rurais pode custar 13 bilhões de reais só neste ano. A anistia a empresas integrantes do Simples, 7,8 bilhões de reais em 10 anos. Benefícios para transportadoras representariam 27 bilhões de reais a menos até 2020. Benefícios a Sudene, Sudeco, e Sudam podem custar 9,3 bilhões de reais até 2020. Outras propostas, como a que permite a criação de até 300 municípios, não têm impacto estimado.
Fonte: VEJA

12 julho 2018

Tiago Figueiredo de Alencar toma posse no Instituto Cultural do Cariri

             Músico tomou posse na cadeira 19, que tem como patrono seu  pai (Foto:Claude Bloc).

O músico, Tiago Figueiredo de Alencar Araripe, tomou posse na noite desta quarta-feira (11), no Instituto Cultural do Cariri- ICC. A cerimônia contou com as presenças dos sócios da entidade, familiares e amigos do homenageado.  Tiago agora ocupa a cadeira 19, seção de artes e ofícios,que tem como patrono, Jósio de Alencar Araripe, seu pai.

A sessão foi presidida por José Flávio Vieira, vice-presidente do Instituto Cultural do Cariri. Emerson Monteiro ficou com a responsabilidade de apresentar Tiago aos sócios. O novo membro do ICC foi conduzido a mesa pelos sócios Claude Bloc e Marcos Cunha. Fez parte da mesa, Carlos Rafael Dias, professor Departamento História da Urca. A solenidade foi secretariada pelo historiador, Roberto Júnior.

Tiago Figueiredo de Alencar Araripe, é neto de J Figueiredo Filho, um dos maiores nomes da historiografia do Cariri e neto de Antônio Alencar Araripe, um dos mais influentes políticos do Ceará na década de 50.

Fonte: Papo Reto Cariri 
http://www.paporetocariri.com.br/?page=post&cod_post=95

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)



O crescimento vertiginoso de Juazeiro do Norte
 Imagem aérea de Juazeiro do Norte. A foto tem algum tempo, mas dá para perceber que a Terra do Padre Cícero já atinge o limite das cidades vizinhas

Recentemente um jornal de Fortaleza publicou longa matéria sobre o crescimento vertiginoso da cidade de Juazeiro do Norte. Hoje, Juazeiro do Norte tem 96% de sua pequena área territorial já urbanizada. Tem a terceira maior densidade demográfica do Ceará, ficando atrás, apenas, de Fortaleza e Maracanaú. Em 1950, Juazeiro do Norte tinha 56.146 habitantes. Vinte anos depois – em 1970 – sua população quase dobrou, atingindo a marca 96.047. Na sua curta existência, Juazeiro do Norte passou por mudanças imprevisíveis nos seus espaços físicos. O antigo Terminal Rodoviário foi construído, na década 70, onde hoje é o Hospital Tasso Jereissati. O primeiro aeroporto da cidade ficava onde é o atual prédio da Receita Federal. O primeiro cemitério ficava onde hoje está a Rua Dr. Floro,  agora um conjunto de casas no centro agitado da urbe. Se a velocidade do progresso de Juazeiro continuar assim, os urbanistas preveem que seu crescimento vai beneficiar – por gravidade – as duas cidades vizinhas: Crato e Barbalha. Faz sentido. Do pouco território juazeirense, ainda não urbanizado, restam pouquíssimas áreas onde podem ser construídas residenciais, indústrias ou outras edificações de grande porte.



Escritores caririenses
Se vivo fosse, Tomé Cabral (foto ao lado) teria festejado cento e onze anos de idade no último dia 7 de julho. O Cariri é um celeiro de escritores. Tomé Cabral foi um deles. Nascido no sítio Riachão, em Milagres, em 1907, aos 5 anos veio morar em Crato, onde realizou os primeiros estudos, casou e foi funcionário do Banco do Brasil. Tomé Cabral residiu esporadicamente em Assaré, Quincucá, Farias Brito, Quixelô e Jucás.  Veio a falecer em Crato, em 15 de junho de 1988.   Deixou escritas várias obras literárias. Até a década 70 do século passado viajar do Brasil para a Europa era uma epopeia. Utilizavam-se quase sempre navios, e os percursos duravam muitos dias. Hoje as pessoas embarcam no aeroporto de Juazeiro do Norte e em 45 minutos chegam à Fortaleza. Da capital cearense para aterrissar em Lisboa gasta-se apenas seis horas de voo. Em 1968, Tomé Cabral foi à Europa. No retorno, escreveu o livro “A Europa é bem ali”. A obra conta as impressões de Tomé Cabral sobre vários países europeus, berços da civilização ocidental.

A Europa é bem ali...em Santana do Cariri
Pois hoje, uma família de Santana do Cariri construiu paisagem europeia naquele município. Fica na vila de Araporanga, zona rural de Santana do Cariri – em plena na Chapada do Araripe – onde os irmãos Pereira Silva construíram suas residências fazendo réplicas de diversas arquiteturas típicas dos países europeus. Edificaram uma casa no estilo da arquitetura italiana, outra na arquitetura inglesa, outra na francesa, uma réplica grega, um castelo fortificado português, uma ponte suíça que passa sobre um pequeno lago. Existe um jardim inspirado num palácio russo; um moinho de vento holandês; um teatro ao ar livre, ao estilo grego... sem falar de um prédio inspirado nas construções do famoso arquiteto catalão Gaudi.

Fotografias da Vila Europa de Santana do Cariri


Como tudo surgiu
A família Pereira Silva era composta de 12 irmãos (o ex-deputado Iranildo Pereira é um deles). O caçula, Francimar (já falecido), residia na Europa. Lá obteve graduação em Urbanismo e trabalhava para a UNESCO. E sempre que Francimar vinha passar férias em Araporanga, estimulava a irmandade a construir a Euroville.  Após a morte dele um dos irmãos – Zé Pereira –, resolveu enfrentar a continuidade da obra, que hoje está concluída. E já virou uma atração turística em Santana do Cariri, ao lado do Museu de Paleontologia e da veneração à menina Benigna Cardoso. Esta, conhecida como “Mártir da Castidade”, tem sua causa de beatificação no Vaticano, por iniciativa do ex-Bispo de Crato, dom Fernando Panico. 

História: Pinto Madeira, esse desconhecido
O Cariri foi palco de vários movimentos armados, ao longo da sua história. No século XIX tivemos os movimentos pró-república em 1817 (um braço da Revolução Pernambucana daquele ano) e a Confederação do Equador, em 1824.  Em 1914 foi a vez da “Sedição do Juazeiro”, quando esta cidade sofreu tentativa de invasão de forças policiais para atingir o Padre Cícero.  Um dos movimentos armados pouco comentados foi a “Guerra do Pinto”, ocorrida em 1832. Ela foi liderada pelo monarquista Joaquim Pinto Madeira, o Capitão de Ordenanças e Coronel das Milícias de Crato.

Quem era Pinto Madeira
 No auge do seu prestígio, Pinto Madeira era chamado pelo povo de “Governador do Centro” do Ceará, devido à área da influência desse caudilho, num território que se estendia desde a cidade de Quixeramobim – no Sertão Central – até as terras do Cariri, numa distância de quase 400 Km.  Afeiçoado por índole às coisas da Monarquia e à Dinastia dos Bragança, Pinto Madeira lutou ativamente contra os que promoveram os movimentos republicanos da Revolução Pernambucana, em 1817 e da Confederação do Equador, em 1824. E passou à história quando o Imperador Dom Pedro I, em 1831, renunciou ao trono brasileiro.  Pinto Madeira não se conformou com a renúncia, pois acreditava que o gesto de Pedro I teria sido forçado pelos liberais. O que era um engano.

O fim do “Governador do Centro”
O Coronel das Milícias Pinto Madeira montou no cavalo, juntou as tropas e saiu invadindo as cidades do Sul do Ceará. Colecionou importantes vitórias. Mas sucumbiu as forças do então governo das Regências Provisórias. Pinto Madeira se entregou e perambulou durante dois anos pelas prisões de capitais nordestinas. Retornou preso ao Crato em 1834. Lá, num júri parcial – composto por antigos inimigos seus – Pinto Madeira foi condenado à forca, sentença posteriormente comutada para fuzilamento, em face de o réu ter alegado sua patente militar de Coronel.
Conforme o historiador Irineu Pinheiro (ver o opúsculo “Joaquim Pinto Madeira", impresso na Imprensa Oficial do Ceará, em 1946):
"Morreu virilmente Pinto Madeira. Conta a tradição, ouvida por mim desde menino, que momentos antes do fuzilamento, ofereceu-lhe um lenço, para que vedasse os olhos, um dos seus mais implacáveis inimigos. Recusou o condenado a oferta (...) quando a primeira saraivada de bala o abateu, Pinto Madeira ainda teve forças para gritar:
    – Valha-me o Santíssimo Sacramento.
 Durante anos a fio, fez-lhe promessas o rude povo do sertão, considerando-o um mártir, isto é um santo".
(Até aqui citamos Irineu Pinheiro).

Nossa homenagem a uma grande caririense: Madre Neli Sobreira

Um isolamento impossível - Por: Emerson Monteiro


Nenhum homem é uma ilha. Água solta, ou estagna ou evapora. Existe vida no corpo social que realimenta a vida nos indivíduos. A solidariedade, a fraternidade, não são favores, são realimentação dessa existência do grupo e das pessoas, e o isolamento representaria ausência de nutrição às partes do corpo que somos todos, a ponto de indicar o egoísmo como um autocídio; e o isolamento, uma atitude autodestrutiva sob o prisma da sobrevivência individual.

São as leis da Natureza a favor da preservação das espécies. Um animal fora do rebanho adquire atitudes só parciais de resposta à ausência do grupo. Isto significa acomodações transitórias e sinais dos desaparecimentos posteriores. O que Henri Bergson denomina de eu social tem esse tal caráter, fator de rendição ao processo natural de continuar a existência. Perante as escolas da sociedade, o ser social encontra energia que lhe indica o percurso diante dos desafios e dos sistemas. Daí os instrumentos da moral, dos costumes, da cultura e das leis. No outro o espelho da própria adequação aos mistérios da existência. Uns que orientam os demais através da comunicação, pela educação e pelas tradições.

Ainda que parecesse menos oneroso viver longe da coletividade, o quanto o grupo social tem a oferecer em termos de benefícios é incomparável. Assim a importância da linguagem, dos relacionamentos, da convivência, disso ultrapassando os desgastes das desigualdades e dos conflitos.

Ninguém é uma ilha nesse mar de sargaços da natureza. Mesmo transitoriamente fadado a isolamentos parciais, a ânsia do regresso perpassa todas as qualidades humanas durante todo tempo, sujeitando prejuízos face às guerras e suas consequências, no detrimento das nações e das famílias. Há que começar tudo outra vez, noutros lugares, noutras civilizações. Nisto, o sagrado das relações sociais e da necessidade da propagação da riqueza entre povos e países.

(Ilustração: Hieronymus Bosch, em O jardim das delícias terrenas).

Memorial da Imagem e do Som do Cariri convida:

Lançamento da Ladeira Cultural Geraldo Urano e da Instalação Portal dos Sonhos




O Memorial da Imagem e do Som do Cariri, através do seu diretor Jackson de Oliveira Bantim, tem a satisfação de convidar a todos para a abertura da visitação à Ladeira Cultural Geraldo Urano e à Instalação Portal dos Sonhos, em homenagem ao artista plástico cratense Sérvulo Esmeraldo. 

O evento acontecerá neste sábado, dia 14/07, as 19h30m, no Instituto Cultural do Cariri – ICC, situado na avenida Maildes de Siqueira, em frente ao Parque de Exposições do Crato.

Sua presença abrilhantará o nosso evento.