18 setembro 2018

Gabriel - Por: Emerson Monteiro


Este o primeiro dos meus netos, perto de quem estou morando. Vez por outra trocamos umas ideias, no dizer popular. Agora recente vem demonstrado, do alto dos onze anos, interesse pelos jornais que aparecem. Ler com desenvoltura. Talvez devido aos modismos de internet e quejandos, as matérias impressas lhe tocam doutro modo, bichos raros, no entanto, face à proximidade territorial dos assuntos nas notícias, o que nunca o fazem filmes da Marvel e da DC, foco das atenções costumeiras.

Ele dispõe da tendência natural de gostar de assuntos de ciência, tecnologia, invenções, e publica experiências químicas que promove, nos vídeos do YouTube, trajando comprido jaleco branco, adotando explicações fluentes, bem habilidoso no que quer transmitir.

Enquanto conversávamos, ao me ver debruçado sobre o notebook nessas viagens literárias, quis saber se nalgumas das minhas produções já citara seu nome, ou fizera alguma referência às atividades que desenvolve. Falei que chegaria nesse momento, o que ora providencio com satisfação.

Aprecia a calma da natureza e zela pelos animais. Estuda, lê, vê seriados e conhece as características dos super-heróis como poucos meninos. Aqui pelo sítio, de comum vejo portando o escudo de Capitão América, brinquedo que possui e utiliza, inclusive nalgumas ocasiões também conduz em lugares fora daqui. Outro dia, ao sairmos, voltou rápido à busca do tal equipamento, ao que lhe indaguei dessa preocupação de sempre carregá-lo junto de si. Respondeu, entre o lúdico e o real, que poderia vir a precisar da peça implacável numa missão de salvar o Mundo. Parei, então, nos espaços do pensamento a examinar o que pode bem fazer sentido, nessa época de tantos vilões e desmandos, e que caberá, de certo, à sua geração o fiel desempenho de nos salvar até de nós próprios, isto face aos estragos irreversíveis que acarretamos às ações da Natureza. Siga firme, Gabriel, aceitamos de bom grado os valiosos propósitos das novas gerações que virão, em breve, nos suceder e salvar o Mundo.

CARIRIENSIDADE ( por Armando Lopes Rafael)



 
    A força eleitoral do Cariri 

      Nos dias atuais, compõe a região do Cariri 29 municípios. Contam eles com mais de 711 mil eleitores aptos a votar nestas eleições de 2018, a se realizarem em 7 de outubro próximo. Desses eleitores, 295.301 (mais de 41%), residem na conurbação Crajubar (Crato, Juazeiro e Barbalha. Só Juazeiro do Norte tem mais de 160 mil eleitores). E imaginar que, com toda essa força – devido as esdrúxulas leis eleitorais em vigor –  o Cariri não tem um único deputado federal nos dias de hoje
    Se tivéssemos voto distrital o Cariri formaria, com certeza, um distrito eleitoral, como foi na época do Brasil Império. Nada justifica que uma região tão importante e tão povoada seja desprovida de um deputado que represente mais de 1 milhão de habitantes.

O Cariri no tempo da monarquia

    
        Um assunto puxa outro. Pouca gente se dá conta disso. Durante os 518 anos de sua história, o Brasil (do descobrimento em 1500, aos dias atuais), viveu 389 anos da sua existência sob a forma de governo monárquica (entre 1500 a 1889). Ou seja, durante 75% da sua existência o Brasil nunca foi a república, que é hoje. Tanto tempo de monarquia deixou marcas que não se apagam facilmente. Isso nos remete a uma pergunta pertinente: Como era o Cariri durante os quase 200 anos (de 1700 a 1889), quando nossa pátria viveu sob o regime da monarquia?

Cariri real, Cariri verdadeiro

      Foi significante a presença do Cariri na época da monarquia. Basta lembrar que, em 1847, o engenheiro cratense Marcos de Macedo, deputado pela Província do Ceará, apresentou ao Imperador Dom Pedro II a ideia de transpor as águas do Rio São Francisco para o Rio Jaguaribe, a fim de amenizar os problemas gerados pela seca nordestina. Naquele tempo a ideia não foi concretizada porque a engenharia não tinha condições de realizar uma obra daquele porte. Basta dizer que a dinamite sequer tinha sido inventada.

      À época da monarquia, a sociedade caririense, diferente dos dias atuais, cultivava os valores morais e éticos, como o respeito à família, à propriedade privada e à Igreja Católica.  Dom Pedro II criou, em 1859,  uma Comissão Científica de Exploração (que os cariocas apelidaram de “Comissão das Borboletas”), composta por renomados especialistas,  destinada à investigação  científica, que realizou pesquisas  nas áreas de botânica, geologia, mineralogia, zoologia, astronomia, geografia e etnografia, no Ceará e na região do Cariri.

         Renato Braga assim escreveu sobre a Comissão Científica: “Os viajantes foram bem acolhidos no Crato e demais localidades do Cariri. A todos (cratenses) causou estranheza, para não dizer espanto, a simplicidade de maneiras dos “doutores” a contrastar com a arrogância dos donos de engenho e autoridades (de Crato).

A mentalidade dos súditos caririenses


       O Prof. José Denizard Macedo de Alcântara (foto ao lado), erudito e douto cratense, dá o arremate sobre a mentalidade monarquista que imperava no Cariri. Escreveu ele (na apresentação do livro “Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro”, de Joaquim Dias da Rocha Filho):

       “Um bom entendimento dos fatos exige que se considere a realidade histórica, sem paixões nem preconceitos. A sociedade brasileira (e consequentemente a sociedade caririense) plasmou-se à sombra da monarquia, com todo o seu cortejo de princípios, hábitos, usos e costumes, não sendo fácil remover das populações esta herança cultural, tão profundamente enraizada no tempo; daí o apego (do povo) aos Soberanos, a aversão às manobras revolucionárias que violentavam suas tradições éticas e políticas”

       “Ora, dentre os dados da evolução histórica brasileira há que se ter em conta o seguinte: O centro de gravidade desta sociedade (aqui incluída a sociedade caririense), eminentemente rural, era sua aristocracia territorial, única força social de peso na estrutura nacional, repartida em clãs familiares, e profundamente adita ao Rei, de quem recebia posições públicas e milicianas, além de outras benesses, sentimento este que mais se avolumara com a transmigração da Família Real, em 1808 (de Portugal para o Brasil), pelo contato mais imediato com a Coroa, bem como pelos benefícios prestados ao Brasil, no Governo do Príncipe Regente Dom João VI”.

Como surgiu o Museu de Paleontologia


   O Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri está situado na cidade de Santana do Cariri e funciona como núcleo de pesquisa e extensão daquela universidade.
    Para tanto, dispõe de centro de pesquisa com laboratório, biblioteca e videoteca. Segundo seu criador – o Prof. Plácido Cidade Nuvens – a ideia de viabilizar esse museu nasceu no âmbito da programação das festividades do centenário do município de Santana do Cariri, em 1985.

    Exercendo o cargo de Prefeito, Plácido Cidade Nuvens enviou à Câmara Municipal mensagem com projeto de lei, a qual, depois de aprovada virou a Lei nº 197/85. Em 1991, o museu foi entregue à Universidade Regional do Cariri que, desde então, o administra e é responsável pela evolução e ampliação de suas instalações. O Museu de Paleontologia de Santana do Cariri – além de atração turística – é conhecido hoje em todo o Brasil.

Lendas e Mitos do Cariri 

Fundação Casa Grande de Nova Olinda

    Existe na cidade de Nova Olinda uma ONG denominada Fundação Casa Grande–Memorial Homem-Cariri. Criada em 1992, a partir da restauração da Casa Grande da Fazenda Tapera, esta construída em 1717, no lugar da aldeia dos índios Cariús-Cariris, onde hoje se ergue a cidade de Nova Olinda. 

    A Fundação Casa Grande faz um trabalho de preservação das lendas e mitos que contam a história do Homem-Cariri. Tornou-se, assim, uma escola de gestão cultural que tem como missão educar crianças e jovens através dos programas de Memória, Comunicação, Artes e Turismo. Os mitos, segundo Alemberg Quindins, fundador e presidente da Fundação Casa Grande são narrativas que possuem componente simbólico. Persiste no imaginário das camadas mais simples da população caririense, como acontecia com os povos da antiguidade.

Uma lenda que sobrevive: A Pedra da Batateira

 A nascente da Pedra da Batateira

    Na cidade de Crato, até décadas atrás, a população simples divulgava uma lenda: a de que os índios Cariris, aprisionados e escorraçados pelo povoador branco, haviam “encantado” (tapado) com uma gigantesca pedra, a grande nascente existente no sopé da Chapada do Araripe. Essa “Pedra da Batateira” (assim era chamada) continuou a barrar os milhões de litros de água daquela nascente, represando-as no subsolo. Mas um dia essa pedra não resistiria a força das águas represadas, cederia e inundaria o Crato inteiro e parte do vale do Cariri. Essa lenda era um terror para as crianças no início do século passado. Interessante que esse mito ainda persiste (com menor intensidade) mas, algumas pessoas residentes nos sítios ainda se recusam a morar na cidade de Crato, temendo a vingança da Pedra da Batateira...

Um homem importante para o progresso do Cariri: Dom Quintino

     Embora, nascido no sertão central do Ceará, o jovem Pe. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva chegou ao Cariri tão logo foi ordenado sacerdote, em 19 de junho de 1887. E daqui nunca mais saiu. Inicialmente se fixou no distrito de Jamacaru (município de Missão Velha). Em 1889 foi nomeado Vigário de Crato. Nesta cidade permaneceu durante 40 anos, até sua morte em 29 de dezembro de 1929.

     Em 10 de março de 1915 foi nomeado primeiro bispo da nova Diocese de Crato, tomando posse em 1º de janeiro de 1916. Deu prioridade, no seu episcopado às causas espirituais. Foi, no entanto, o homem das grandes realizações materiais que modificaram o cenário social e econômico do Cariri.

     Fundou, em 1822, o Seminário Episcopal de Crato, tornando-se o pioneiro do ensino superior no interior do Ceará. Criou, em Crato, os Colégio Diocesano e o Santa Teresa de Jesus. Fundou, em 1921, a primeira instituição de crédito do Sul do Ceará, o Banco do Cariri, que prestou grandes benefícios ao comércio e à lavoura da região. Criou no seu episcopado 5 paróquias, entre elas a de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte.

       A melhor biografia sobre Dom Quintino continua sendo a escrita pelo Pe. Azarias Sobreira (“O primeiro Bispo de Crato”), onde destacou as virtudes morais, o espírito de pobreza e a coragem pessoal que ornavam a personalidade do ilustre prelado.

"Histórias do Tatu" -- por Paulo Eduardo Mendes (*)





     O título desta crônica lembra livro infantil. Não é. Trata-se de produção literária de Emerson Monteiro. O autor de "Histórias do Tatu" tem um precioso roteiro de reminiscências que surgiram encadeadas na formação da bela história de vida, oriunda de Lavras da Mangabeira. Emerson divisa horizontes do seu caminhar, desde menino pelas terras do sertão cearense.

    Sensibilidade à flor da pele para narrar atos e fatos do seu viver, "entre o mundo agrário e o urbano". Estabelece limites dicotômicos na sua rica descrição dos detalhes captados pela sua verve de escritor inato. "Histórias do Tatu" surpreendendo pelo valor agregado de estilo miscigenado de quem pisou no solo árido até aportar na cidade grande. Sentimentos universais pairam no livro relato, que não é autobiográfico por ousar o voo mais alto, capaz de divisar horizontes do "sertão de outrora".

     Revelações que se não podem apagar da retentiva, para perpetuar os temas regionais de tanta relevância na história de gente da gente, através do tempo. Emerson Monteiro surge com muita felicidade ao colorir o seu texto usando as cores da realidade para dizer sobre tudo o que viu e guardou, possibilitando essa "conversa com o leitor", a fim de identificar as raízes de quem sabe "cantar a sua terra". Excelente divisão de caracteres para dosar em livro o valor de vidas comuns. Feito de um escritor que soube aproveitar detalhes de rotina para transformá-los em obra editada, para ficar na memória. Sensacional livro de temas regionais despertando a vontade de viajar para conhecer as glebas que servem de palcos magistrais aos teatros da nossa existência do dia a dia.

(*) Paulo Eduardo Mendes. Jornalista.

O pato e a garrafa - Por: Emerson Monteiro


Nas técnicas adotadas pelo Zen Budismo existem os koans (pequenas histórias enigmáticas destinadas a confundir o intelecto até que apreenda que existe dimensão além do puro pensamento, a revelar alternativas que suplantem a compreensão pura e simples, confunda e desconcentre o raciocínio diante das revelações através da intuição). No dizer de Alan Watts, então o Zen conseguirá, assim que o discípulo chegue a um impasse intelectual e emocional, transpor a distância entre o contato conceitual de segunda mão com a realidade e a experiência em primeira mão.

O pato e a garrafa é uma dessas pequenas histórias-desafio. Nela o mestre oferece ao discípulo a chance da autodescoberta, solicitação de que descubra o jeito adequado de tirar um pato de dentro de uma garrafa sem que, nisso, mate o pato ou tenha que quebrar a garrafa.

Passados tempos de meditação, os postulantes da revelação interior buscam mil formas de solucionar o impasse. No meio tempo, visita o instrutor, a oferecer alternativas possíveis e imagináveis ao desafio recebido. Vasculha todos os cadinhos da mente, sem, contudo, encontrar resposta suficiente ao que caberia naquele exame, na intenção religiosa de oferecer o modo de pacificar o espírito em desenvolvimento.

Quando, então, lá um dia, apercebe que não existira pato, nem garrafa, e que tudo significava tão só a presença do ser em formação diante do Universo, razão suficiente de calma e equilíbrio, causas e fundamento da existência de tudo quanto há. E desperta...

...

Dia desses, alguém pediu que escrevesse a propósito de uma rosa presa em uma redoma. (Você atende a pedidos para texto? Eu adoraria ver um texto seu sobre a beleza da rosa sufocada numa redoma). Quis encontrar meios de responder à solicitação da amiga, no entanto insistentemente veio aos pensamentos essa história zen que resolvo deixar aqui registrada, talvez razão de frustração ou, quem sabe?, de lenitivo ao pedido que me fora feito naquela ocasião.

17 setembro 2018

Com o fim das obras no pátio, aeroporto de Juazeiro do Norte já recebe aeronaves maiores

Fonte: "Diário do Nordeste"  – por Antonio Rodrigues
Obras no pátio foram iniciadas em março deste ano. (Foto: Divulgação/Infraero)

Juazeiro do Norte. Iniciadas em março, a Infraero entregou no final do último mês as obras no pátio de estacionamento de aeronaves do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes. Com investimentos de R$ 2,6 milhões, o terminal cearense conta agora com pavimentos apropriados para receber aeronaves mais pesadas. A previsão para conclusão era de seis meses.

Agora, o equipamento local vai poder receber aeronaves maiores como da Avianca modelo A320, que no último dia 31 de agosto, realizou o primeiro pouso no terminal após a entrega das obras. De origem de Fortaleza e com destino a Guarulhos (SP) o voo ONE6377, com capacidade para 162 passageiros, pousou às 11h com total segurança no aeroporto.

Além da ampliação da capacidade de carga, a obra permitiu também o acréscimo de mais uma posição de pátio, passando de 3 para 4 posições de estacionamento. As modificações são de extrema importância para permitir que o aeroporto continue a atender a atual demanda de aeronaves, sem restrição na quantidade de passageiros ou de carga, e ainda possa oferecer novos voos.

Localizado na região do Cariri, a apenas seis quilômetros do centro da cidade e a oito da rodoviária, o terminal tem capacidade para atender a até 1,7 milhões passageiros por ano, sendo um dos maiores e mais movimentados do interior nordestino. Em 2017, mais de 530 mil passageiros embarcaram e desembarcaram no terminal. Até julho deste ano já foram registrados aproximadamente 321 mil.

Atualmente, o aeroporto conta com voos para Campinas, Guarulhos (SP), Fortaleza (CE),Brasília (DF), Petrolina e Recife (PE). Em média são 8 operações diárias, entre pousos e decolagens comerciais regulares, de três companhias aéreas (Gol, Avianca e Azul)

16 setembro 2018

Paz que vem de dentro - Por: Emerson Monteiro


Navegar esses mares imensos quando o sonho é a realidade e a realidade é só sonho. Vagar pelas galáxias e desvendar o quanto de mistério resta bem guardado nas estrelas e no coração; mergulhar oceanos de profundidades abissais... Naves únicas da presença de viver.

Tal e qual as aventuras humanas, lá um dia saíram todos à procura do fogo e descobrirão as cavernas do ser, espécie de percepção de uma primeira consciência, indício inevitável das camadas superiores ali dentro, depois das tantas agonias desfeitas em tantos nada. Isso perante uma tarde ao fim, durante a despedida melancólica do Sol no poente. Olhos postos nos farelos desses antigamente, quantas dores ficaram ali siderais abandonadas, motivo sincero da alegria de agora chegar à calma dos que revelam novos segmentos e querem dominar as fibras do sentimento.

Filmes, pois, das memórias somadas que indicam o prêmio da persistência no querer, os desejos incontidos gritam das origens que carecem da vontade no prosseguir fortemente rumo à essência do único pouso consistente diante de tudo, e que descerá nas quedas do desaparecimento e da ilusão de antes erguer aos infinitos o Eterno. Contemplar apreensões do desespero e sorrir além da inexistência.

Era este um ser em movimento, valores na elaboração das horas em simples felicidade. Nisso contemplar as sombras da caverna inda fria do labirinto, tocar às levezas nas mãos do passado e continuar através das notas da canção, sabores de viver em harmonia das certezas de possibilidades intensas.

Nos toques perpendiculares da luz nas folhas, os raios do dia adormecem penitentes ao sabor só de poucos, até então que regressem a mundos conhecidos em nova consciência. Será, no entanto, o padrão da libertação bem logo mais, na medida em que acalmem o senso de achar as pérolas e as razões de estar aqui. Nessa ocasião esplêndida, os frutos dourados da perfeição lhes tocarão os frutos da paz e reverterão processo de céus, terras e mares na descoberta de um Si definitivo.

15 setembro 2018

15 de setembro -- Festa de Nossa Senhora das Dores, Rainha e Padroeira de Juazeiro do Norte

Mãe a gente não escolhe, é um dom
de Deus. Por isso nossa Mãe das 
Dores  é Rainha e não "presidenta"
de Juazeiro do Norte

Coisas desta "Ré-Pública"


Patrulha antifofoca


   Nossa República socialista tem produzido pérolas cada vez mais preciosas. Veja-se esta: vem sendo frequente a Justiça trabalhista condenar empresas por não coibirem fofocas nos ambientes de trabalho. Os valores variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil. O funcionário que se julgar ofendido por comentários de colegas e provar que o patrão nada fez para impedi-los poderá pedir a indenização.

    A fofoca, que os moralistas antigos denominavam de “murmuratio”, é um fenômeno milenar que está presente em qualquer relacionamento humano sobretudo em ambientes de trabalho.

   Não é algo louvável, sem dúvida, mas não cabe ao Estado combate-lo por via legislativa. Entretanto, alguns magistrados descobriram que a fofoca fere o inciso X do artigo 5º da Constituição: “São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.

    O empresariado nacional, de agora em diante, ou estabelece brigadas para identificar e combater os fofoqueiros de plantão, ou terá que encerrar sua atividade...virou ou não piada a República brasileira?

Fonte: Boletim “Herdeiro do Porvir”, nº 54, julho a setembro de 2018

14 setembro 2018

Ânsia de liberdade - Por: Emerson Monteiro


Quando liberdade possa ser vista como desejo extremo de resistir e criar novas esperanças ao mistério maior de viver. A vertigem da liberdade. O inabalável pressuposto de estar condenado a ser livre, que o considera Jean-Paul Sartre na ênfase dos valores humanos. Razão de existir, o homem qual instrumento da mais plena obtenção da essência primordial através da existência.

Nisto, uma pergunta fundamental, o que justificaria a disposição humana de rifar tão precioso bem nas atitudes as mais medíocres, exemplo dos dogmatismos e comportamentos coletivos e individuais de escravos passivos? Abrir mão de ser livre em troca das comodidades física, psicológica e sentimental, a três por dois, nas malhas da ilusão. Vender alma por qualquer tostão de mel coado e ainda se acha poderoso, bonito, famoso, glamouroso, tal cativos das limitações de si mesmo a troco de ganhar este mundo e perder a Eternidade. Deixar de lado o real sentido de viver a pretexto das felicidades aparentes e hipócritas. Passar vidas e vidas em brancas nuvens, no objetivo exclusivo de acomodar os negócios das dúvidas, forma de mascarar a liberdade e dormir sobre os escalpos da covardia.

Quantos e tantos que nem pensaram nisso, porém haverão de devolver a vestimenta da carne e os patrimônios da lascívia que aqui receberam a título de evolução, por medo da angústia de ser livre. E aceitar a tutela de pacientes iguais, ou piores, enterrados na patologia da ignorância. Fugir às normas de ouro da sonhada realização de Si, quando, na verdade, amarram aos pés mós dos moinhos da alienação. Seres humanos, nós, alimárias do futuro, que sujeitam a tanger esses laços de pescoço tão só no desespero de continuar adiamentos da sagrada liberdade, esquecidos charlatões da civilização de poeira e ferrugem.

Por isso, abaixo dogmas estéreis que enganam os enganados, matilhas de feras idiotas que apenas somam repastos das dores e depositam joias falsas nos bancos da Realidade.

Longe, pois, das dúvidas que vaquejam pecados, e rasgar os véus da coragem, dos seriados heroicos. Salvar a pele dos androides. Erguer altares à Liberdade, pura dama, no tropel luminoso dos Céus.

A árvore do Tempo - Por: Emerson Monteiro


Quem quer colher bons frutos há que ter plantado boas sementes. Nisto a simples equação da justiça mais justa nos mistérios da Natureza. Aprendizado de todos, nos vemos submetidos, no decorrer das gerações, a esse motivo do que seja o merecimento, valor puro, verdadeiro, com que se são os acontecimentos, e de não cair um fio de cabelo das nossas cabeças sem o consentimento de uma lei maior, a Lei do Retorno, isto durante todo tempo.

Mecanismo elementar de fácil percepção, cabe perguntar por que tantos disso não se apercebem?, conquanto a escola das existências não para de demonstrar essa lei de ação e reação, ou seja, do retorno das nossas ações nos dias subsequentes. No entanto, da cegueira da ignorância, daí provem a causa inevitável das dores deste mundo. E quais alunos ainda em fase de aprendizado, a eles permite a Perfeição que assim seja.

Enquanto isto, o mecanismo constante das esferas continua seu procedimento espontâneo de orientação da visão nas criaturas. Quer paz? Plante paz. Que amor? Plante amor. Com a medida com que medirdes, medir-vos-ão também a vós, dizem as Escrituras Sagradas. Tão evidente até, que parece dizer reconhecido e consagrado, porém só longe das atitudes dos humanos; porquanto eles, na sua maioria, vagam soltos na medida dos instintos e das paixões, feitos viajantes perdidos em desertos de provação e descaso, longe, pois, dos sonhos da Felicidade desejada.

Essa impaciência de comer o fruto verde das amarguras caracteriza os habitantes do Chão de modo quiçá esquisito, num festim de dúvidas e práticas tontas, a ponto de este lugar do Universo significar mero purgatório dos erros de priscas passadas, onde tantos arrastam os corpos macerados sob a guante de delirantes torturas cotidianas. Isto sem, contudo, desconsiderar que já existem aqueles outros menos sofridos e esperançosos nos dias melhores que cuidam de semear no transcorrer das vidas.

Em sendo tal e qual, devido o equilíbrio ora identificado em tantos fenômenos da História, cabe que zelemos pela obediência aos valores sábios e façamos do bem a salvaguarda de nossas súplicas logo no decorrer desta vida. 

12 setembro 2018

A Rua da Vala - Por: Emerson Monteiro

O corpo fala através das diversas partes. Nisso, dá notícias das heranças que recolheu no decorrer do tempo. Deixa marcas na memória a fim de contar do que carrega no seio das criaturas pelo tanger das idades. Do mesmo modo as cidades narram consagradas histórias em cada torrão das pedras e dos lugares.

Em Crato há essa rua, a Rua da Vala, outro nome da Rua Tristão Gonçalves, bem no centro da cidade. Vala porque esconde sob o leito, hoje revestido de asfalto, antigo corredor das águas que vêm das encostas da Serra e buscam o Rio Grangeiro, lá nas ribeiras do fim da rua. Num período atrás, de quando aqui cheguei, inícios da década de 50, via-se aberta com essa vala de aproximadamente 2m de largura e l,5m de profundidade, toda em pedra tosca, porém utilizada pelas chuvas só no transcorrer dos invernos, fase curta dentre nós. Nos intermediários, servia de escoadouro dos esgotos.

Através da artéria, vinda de antes do Parque de Exposição a percorrer a lateral interna do Cemitério Nossa Senhora da Piedade, escavacando, nos rigores de cheias, as tumbas, também descem histórias inúmeras da cotidiana população, pois as calçadas da sua existência somam resquícios dos viventes, das situações e dos dias. São seus prédios o Palácio do Comércio, casas residenciais, clínicas, a sede local do Correios, lojas diversas e, em dois quarteirões típicos, posto de combustíveis, oficinas mecânicas e casas de peças.

Gravei na lembrança uma noite de domingo, de quando a energia elétrica apagava às 21h e o movimento da Praça Siqueira Campos encerrava nessa hora, e algumas pessoas regressavam mais tarde aos pousos. Nessa noite, Ester, jovem que viveu no Tatu, em Lavras, donde vim, e estava em nossa casa, que, sem conhecer ainda os mistérios noturnos da cidade, ao cruzar a Rua da Vala, no escuro, cairia de todo corpo nessa cavidade traiçoeira, inesperada. Isso ainda hoje mexe comigo pela fatalidade, dado o teor de violência, quando, lavada de sangue, ela acordaria os meninos da casa, que dormiam antes dos adultos, face ao movimento da ocorrência.

Existem vários outros episódios marcantes desse logradouro, os quais, inclusive, o escritor Fran Martins registrou em livros, dentre esses A rua e o mundo, ficção entremeada de valores e personagens dos que ali habitaram no século passado, dentre eles o romancista.

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


 A primeira romaria feita a Juazeiro do Norte

   Capela de Nossa Senhora das Dores, da povoação de Joaseiro, onde em 1889 ocorreu o fenômeno do sangue na boca da Beata Maria de Araújo

     Em 6 de março de 1889, ocorreu um fato inusitado. Uma hóstia consagrada, dada em comunhão (pelo Pe.Cícero) à Maria de Araújo, transformou-se  em sangue na boca da Beata. A notícia correu – como um rastilho de pólvora – pelo interior nordestino.   Quatro meses depois do acontecido – num domingo, 7 de julho daquele ano –  aconteceu a primeira romaria feita a Juazeiro do Norte. Ela foi planejada e partiu de... Crato!
     Milhares de cratenses, sob a orientação do Mons. Francisco Rodrigues Monteiro, seguiram a pé de Crato até à “povoação do Joaseiro”.

        Amália Xavier de Oliveira, no seu livro “O Padre Cícero que eu conheci” descreveu aquela romaria. A conferir. “Do púlpito da Capela e Nossa Senhora das Dores de Juazeiro, povoação de Crato, (Mons. Monteiro) divulgou, oficialmente, perante mais de 3 mil pessoas os fatos extraordinários que se passavam ali, afirmando aos presentes, que o sangue verificado por todos, naquelas toalhas por ele apresentadas, era o próprio sangue de Jesus Cristo, arrancando dos presentes, copiosas lágrimas” E acrescentou:  "Se um dia eu negar o que vi que me falte e a luz dos olhos”.

         Anos depois, Mons. Monteiro, pressionado pelo Bispo do Ceará, Dom Joaquim Vieira, voltou atrás naquelas suas palavras, proferidas em Juazeiro. Amália Xavier de Oliveira concluiu assim seu escrito: “Mas, sem a luz dos seus olhos (Mons. Monteiro tinha cegado devido à catarata), veio ele muitas vezes a Juazeiro onde passava semanas e mais semanas, hóspede do Pe. Cícero, em casa da sua irmã Angélica, sob os cuidados de Giluca, uma Beata da família Pinheiro Monteiro que ali residia”.

Onde anda o “Projeto do Cariri”?

     Iniciado em 2002, o “Projeto Cariri” é fruto de um “Termo de Cooperação Técnica e Cientifica”, celebrado entre o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e a URCA (Universidade Regional do Cariri). 
       Seu principal objetivo é a realização de estudos e registros do patrimônio imaterial do Cariri. O “Projeto Cariri” previa a implantação, em Juazeiro do Norte, do “Roteiro da Fé” (no percurso Basílica Menor de N.S. das Dores/Capela do Socorro/Colina do Horto/Santo Sepulcro). Previa, também, a divulgação das formas de Expressão, Saberes e Fazeres do Cariri, com destaque para a Festa do Pau da Bandeira de Barbalha; as tradições populares (bandas cabaçais, grupos folclóricos, escultores e santeiros de Juazeiro do Norte); a divulgação do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, dentre outras metas.

    No tempo em que o Prof. André Herzog foi reitor da URCA existia até um escritório do “Projeto Cariri” nas dependências daquela universidade. Depois do término da administração de André de Herzog, nunca mais se ouviu falar no “Projeto Cariri”. Será que ainda existe?

Uma preciosidade da riqueza do patrimônio histórico-religioso do Cariri

     Imagem primitiva de Nossa Senhora das Dores, venerada em Juazeiro do Norte a partir de 1827, ano de inauguração da capelinha construída pelo Brigadeiro Leandro

     Adquirida em Portugal, pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, a pequena imagem de Nossa Senhora das Dores foi venerada na capela primitiva da Fazenda Tabuleiro Grande, a partir de 1827. Tornou-se, desde aquela data, a Rainha e Padroeira da povoação do “Joaseiro”. A imagem primitiva (chamada antigamente pelo povo de “Carita”), recebeu a devoção dos juazeirenses durante 60 anos. Zélia Pinheiro, autora do opúsculo "Sesquicentenário de Fé", registra que a imagenzinha pontificou no altar das duas capelas de Juazeiro até 1887. Bom lembrar que em 19 de agosto de 1884, foi consagrada a nova capela, ampla e bonita – construída Pelo Padre Cícero –  que substituiu a primitiva, esta edificada pelo Brigadeiro Leandro. 

     Assim escreveu Zélia Pinheiro: (Até 1887) “Continuava como Padroeira Nossa Senhora das Dores (a “Carita”) e fora colocada no Altar (da nova igreja) a mesma imagem trazida de Portugal para a Capelinha da Fazenda Tabuleiro Grande. Era uma imagem em estilo bizantino, de madeira, muito bem esculpida, tendo setenta e cinco centímetros de tamanho e permaneceu no Altar-Mor até setembro de 1887. Naquele ano, a imagem antiga foi trocada pela nova, adquirida na França, que até hoje está lá”.
        A imagem primitiva de Nossa Senhora das Dores, que tem 191 anos, ainda existe,  em perfeito estado de conservação.

Escritores do Cariri: Padre Azarias Sobreira

     Azarias Sobreira Lobo nasceu no dia 24 de março de 1894, no então Sítio Timbaúba (hoje um bairro citadino) em Juazeiro do Norte. Nasceu no mesmo dia em que seu padrinho de batismo –  Padre Cícero Romão Batista –  completava 50 anos de idade. Era filho de um cratense – Pedro Lobo de Menezes, descendente do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro – e da professora juazeirense Carolina Sobreira. 
    Desde criança pensava em ser sacerdote. Ele foi o primeiro juazeirense a ser ordenado padre na então mais nova Diocese do Ceará, a de Crato, com 22 anos de idade, em 22 de abril de 1917.

       Pe. Azaria foi um exemplar sacerdote. Muito culto, era filósofo, educador, professor e escritor. Dedicou-se, especialmente, ao trabalho de ampla pesquisa e profunda análise sobre o Padre Cícero. Próximo da sua morte, escreveu: “Se, neste meu ablativo de vida, me perguntasse qual a marca que me parece mais saliente em meu espírito, eu não teria medo em responder: uma inata tendência para admirar. Não propriamente os que fizeram fortuna ou conseguiram altas posições sociais, e sim os que se impuseram pela coragem das convicções, pelo domínio de seus apetites desordenados, pela compaixão para com os injustiçados e oprimidos.

       Escreveu e publicou dezenas de trabalhos, artigos e alguns livros. Dentre suas obras podemos destacar os seguintes livros: "O Primeiro Bispo do Crato–Dom Quintino", "Tipos e Sugestões", "Monsenhor Tabosa, Apóstolo do Ceará", "Mensagem aos Protestantes", "Minha Árvore de Família", "Zuca Sampaio, um sertanejo de escol", "José Marrocos– Em Defesa de Um Abolicionista", "Uma Flor do Clero Cearense", "Enigma de Ontem e de Hoje", "Pontos de Português", "Sacerdote Modelo" e "O Patriarca de Juazeiro", sua obra-prima, publicada em 1969. Faleceu em Fortaleza, no dia 14 de junho de 1974.

Cariri vai produzir energia eólica

     A nota abaixo foi publicada na coluna de Egídio Serpa (“Diário do Nordeste”, 06-09-2018): “Em maio, a Cemig fez um leilão para a compra de energia. O grupo francês Quaran ganhou o leilão, que incluiu os projetos desenvolvidos pela Cortez Engenharia e a Braselco, com capacidade de 240 MW de geração eólica. Os parques serão instalados no Cariri e neles serão investidos R$ 1 bilhão.

       A Quadran, maior empresa francesa do setor, terá a parceria da dinamarquesa Vestas, cuja fábrica de Aquiraz será ampliada para produzir os novos aerogeraores de 4,2 MW. A implantação do projeto – que estará pronto em 2021 e terão o Cariri como sede – começará por Missão Velha e Porteiras, estendendo-se depois para Jardim, Barbalha e Crato”.

Crato tem o seu primeiro “arranha céu”

      Os grandes edifícios (aqueles que antigamente o povo chamava de “arranha-céu”) já são abundantes, desde algum tempo, em Juazeiro do Norte. Em Crato, segunda maior cidade da Região Metropolitana do Cariri, a construção do edifício Kariris Blue Tower, com 19 andares, está na reta final. 
       O edifício fica localizado no centro da cidade, na Rua André Cartaxo, próximo ao Mercado Municipal Walter Peixoto. O Edifício Kariris Blue Tower abrigará 205 salas, 9 lojas, salão de eventos na cobertura, dentre outras sofisticações, como um aquário ornamental no hall dos elevadores. A iniciativa privada é quem tem garantido o progresso de Crato nos últimos tempos.

Um caririense ilustre: Prof. José Bizerra de Britto


     Zuza Bizerra (assim era mais conhecido o Prof. José Bizerra de Britto) foi um dos homens de bem do Cariri. Nasceu no sítio Malhada, município de Crato, em 6 de junho de 1878. Vindo cedo para estudar na sua cidade natal, foi aluno do Prof. José Marrocos. Depois estudou no Seminário São José até o curso de Teologia. Preferiu a vida de leigo, mas chegou a ser – por longos anos – um dos professores daquele vetusto educandário católico, e outros colégios de Crato. 

    Era reconhecido como emérito educador, líder católico e jornalista. Deixou vasto trabalho, prestado a sua cidade natal, nesses 3 ramos da atividade humana. O Prof. Zuza Bizerra era uma pessoa de fino trato e dotado de honestidade a toda prova. Por isso foi homem de confiança dos dois primeiros bispos de Crato, Dom Quintino e Dom Francisco de Assis Pires. Nunca se preocupou em amealhar bens materiais, por isso sempre viveu pobre, recebendo o respeito e admiração da comunidade. 

       Foi um vocacionado ao jornalismo. Dirigiu por muito tempo os dois jornais da Diocese de Crato: ”A Região” e “A Ação”. Como rábula, exerceu a advocacia em Crato e nos municípios vizinhos. Quando do seu falecimento, o escritor J.de Figueiredo Filho publicou: “Passou a vida no Magistério e a espargir o bem, munido de inteligência privilegiada e fé inquebrantável. Só ensarilhou armas quando os anos não mais lhe permitiram trabalhar”.

     Tive o privilégio de conhecer e conviver com o Professor José Bizerra de Britto, ele na ancianidade e eu ainda menino. Morávamos próximo um do outro, na Avenida Teodorico Teles. Meu pai tinha uma profunda admiração pelo velho professor, que era reconhecido por todos como um homem de bem, um cidadão exemplar em todos os aspectos.

     Recordo-me de ter lido alhures um depoimento do fundador das universidades cearenses, o eterno e admirável Reitor Antônio Martins Filho, onde ressaltava as características do homem íntegro que foi o Professor José Bizerra de Britto. Martins Filho foi aluno do Professor Zuza, na extinta Escola Técnica de Comércio de Crato, e guardou do antigo mestre a imagem de um homem de caráter, digno, honesto, sereno, justo e caridoso.

Uma Exposição de obras renascentistas sobre São Francisco – por Armando Lopes Rafael

    Dias atrás, estando em Belo Horizonte, tive oportunidade de ver a mais bonita das exposições de pinturas, dentre as várias por mim já presenciadas. Trata-se da Exposição São Francisco na Arte de Mestres Italianos, exposta na Casa Fiat de Cultura, localizada na Praça da Liberdade, um espaço que abriga vários museus e memoriais da capital mineira.

     Lá foram expostas vinte obras de importantes coleções italianas, que datam dos séculos XV a XVIII, ou seja, dos séculos onde as artes renascentista e barroca tiveram grande divulgação, e cuja produção continua encantando a humanidade. São vinte óleos sobre telas, do acervo de 15 museus de 7 cidades italianas, telas de renomados pintores como Tiozinho Vercílio, Perugini, Razio Gentileschi, Guido Reni, Guercino e os Carracci, dentre outros.

   Os quadros expostos em Belo Horizonte pertencem a importantes coleções italianas e estão sendo expostas pela primeira vez ao Brasil, graças ao patrocínio da Fiat. Para completar a beleza daquele momento, a mostra inclui, ainda, outra atração paralela:  um passeio virtual à Basílica Superior de Assis, na Itália.

    
     


11 setembro 2018

Coisas da “ré-pública” –– “Brasil: o naufrágio de uma nação”

Fonte: jornal francês “Le Monde”, 08-09-2018.


    Como lá fora o mundo vê o Brasil?
    Um dos jornais mais respeitados do mundo, porta voz da esquerda francesa, “Le Monde” publicou seu editorial sob o título: "Brésil: le naufrage d'une nation". Abaixo dois parágrafos do editorial:

“Um mês depois da eleição presidencial, a tentativa de assassinato na quinta-feira, 6 de setembro, o candidato de direita Jair Bolsonaro representa uma nova ameaça à jovem democracia brasileira. Imediatamente e unanimemente condenado, este assalto cometido por um personagem apresentado como desequilibrado reflete o clima extremamente tenso que prevalece atualmente”.

  “Tudo contribui para isso. Uma sociedade que se sente abandonada. As balas perdidas que atingem as crianças dos bairros pobres nas mãos das gangues. Representantes da sociedade civil assassinados em plena luz do dia. Uma classe política tão angustiante quanto envelhecida, minada pela corrupção. Nesse contexto deletério, o incêndio que assolou o Museu Nacional do Rio, em 2 de setembro, apareceu como símbolo do descuido do Estado. Alguns falam sobre o suicídio de uma nação. A aparência é essa”.

10 setembro 2018

Sons de uma tarde reverente - Por: Emerson Monteiro


Quando ouço os fragmentos desse tempo que passa quase suavemente pela brisa dos derradeiros raios de sol de qualquer dia, pouso morno o meu pássaro na distância dos ouvidos na solidão. Disso, a ausência de razão que justifica buscar o sentido de tudo nos objetos e nas cores da tarde, abandonado nas réstias entre a folhagem impaciente. Escuto os pios das corujas, rastilhos rápidos dos animais ansiosos ali diante da vontade lenta dos acontecimentos. Dali, uma lua nova permanece escondida da visão; e raros motivos de caminhar nas trilhas desta floresta do coração, que insistem falar mais forte no seio da presença do que somos nós.

Fervilha assim, nos pensamentos, aqueles guinchos da humanidade inteira, quebra-cabeças das histórias incompletas e dos gastos inúteis das existências. Quanta correria na pressa da imperfeição. Tantos heróis de fancaria e vilões das ilusões fervilham os dias, cheios das viagens redor do nada em frêmitos de fome e desespero dessa gente bonita, no entanto desgastada na ação dos erros, ira e medo que andam juntos ao bojo da pressa. Quisessem rever o sonho de alegria e descobririam o quanto fugiram da realidade por conta do egoísmo.

A gente para na fronteira do firmamento das horas. Firma o senso na barra do horizonte. Lembra os filmes de antigamente. Quer esquecer as lembranças. Porém garras de mistério poderoso detêm o Infinito nas aspirações que deixam cicatrizes e contradições. Os limites dominam a pressa e impõem condições aos desejos humanos. Feridos, pois, quais répteis nos próprios equívocos, sabem o que lhes aguarda nos corredores do destino, logo adiante. E urram às feras de si, protestos carentes, na escuridão da alma.

Desfilam nas fibras indolentes da tarde que adormece aos sóis, durante a deposição do outro dia de regressar e vencer a sombra das eras. O claro fecha a empanada dos deuses servidores fiéis. Aos poucos virão fantasmas da noite e os dramas ficarão largados ao léu, marca da indelével santidade que adormece nos humanos, séculos sem fim, e as orações da Luz abrirão portas ao céu do novo dia. E astros brilharão para sempre na Eternidade.