16 agosto 2018

A verdadeira natureza - Por: Emerson Monteiro


Até quando o lucro será mais importante que a natureza?
                                    Greenpeace

Eis a grande indagação desses tempos escuros da fome dos mortos vivos pelo carbono em elaboração na matéria. Jogados às traças, os seres humanos vagam soltos nesse mar das ilusões perdidas. Velhos lobos da Estratosfera, sonham com visões e vivem pesadelos criados deles mesmos, espécie ainda vazia de sentimentos e alimentada nos calmantes e antidepressivos. Contudo assim não fosse, habitaríamos astros diferentes do espaço entre naves e morcegos, outros corpos circulantes do Infinito, e talvez detentores das respostas, ou senhores de antigos mausoléus de vanglória.

O pitoresco disso tudo é sermos os protagonistas do destino de tantas outras espécies largadas em nossas mãos diante dessa ignorância. O que alimenta o estômago do ente corrosivo desse animal do lucro, irresponsável garganta que significa buscar respostas e incessantes finalidades, porém que transporta ao Cosmos pequenos seres predadores insatisfeitos e resistentes, bactérias impacientes, devoradoras de paz.

A que viemos, de que sóis, de que surpresas matemáticas, fervilhando ambições e pouco grupal?! Folhas ressequidas nas árvores do Paraíso, tangemos os rebanhos em retirada e trituramos lixo e sobras de alimentos, entretanto dotados de inteligência e vontade geniais. Apostamos na supremacia dos antropoides, todavia sem maiores convicções ou júbilo.

Ali adiante, sim, existirá o encontro dessa união com a realidade definitiva do Universo de que sejamos parte, o que reclama atitude mental reservada aos anjos. Bem ali adiante. Traçamos os próprios pés nesse caminho de libertação, contudo pessoal,intransferível, rumo da verdadeira natureza de todos. E nisto nada de sobrenatural, justo na medida e no furor das multidões. Equivalente ao próximo estágio de evolução e conquista. Achar a essência, a impermanência dos corpos em queda livre, donde virá o grito da vitória na tarde primaveril dos amores vãos. O contato inevitável e direto com a Verdade mãe, a isso nos aguardam as esferas, mundo íntimo de possibilidades e certeza.

(Ilustração: 2001, Uma odisseia no espaço (50 anos).

15 agosto 2018

As malhas do silêncio - Por: Emerson Monteiro


Tão perfeitas, alvas e puras, elas envolvem de beleza o senso da alegria de que carecem os humanos em peregrinações vítimas dos martírios. Ordenamento de valores que iluminam através das derradeiras réstias do sol que se esvaem num passado ingrato. Depararam trâmites de angústia e nem assim dobraram viver diante das dores. Receberam gestos agressivos dos que fugiram da consciência e do amor. Perdoar qual atitude única de corresponder às infinitas religiões e aos idiomas diversos de transformar penhor em luz mais elevada.

Que contrapor face aos desvarios deste mundo esdrúxulo? Dar faces no abismo sem perder de vista o valor da gratidão? Aceitar de bom grado as garras do destino, as latanhadas de feras, dos erros; pesar e medir, e nunca jogar os pés pelas mãos. Exercitar princípios da exatidão e da crença na justiça que em tudo prevalece. Um dizer contido nas marcas do sentimento, rasgos de dragões pela alma; saber que ninguém viverá longe dos olhos do Ser maior e presente no Universo inteiro.

Agora, essa leveza no interior das pessoas que padecem os traumas da amargura e sabem que têm de sobreviver perante o trilho deserto de tanto suor e sofrimento. Ali nuvens escuras cobrem esse fio azul dos olhos e pedem contribuição da inesgotável paciência. Procurar palavras no dever da conformação, entretanto respeitando que existem as vestimentas de quem padece sozinho e só eles devem sentir e transcender as dores deste mundo.

Saber suportar o silêncio nas transições de nossa evolução a níveis superiores, convicções entranhadas de resistir aos desafios e às provas. Domar os sentidos machucados ao jeito de santos e devotos, quase super-homens dos poderes inatingíveis. Ouvir palavras da misericórdia quais lágrimas de humildade e certeza nos dias bons logo a caminho, aonde seremos todos iguais nas bênçãos de novos Céus e alentos da Felicidade.

Temas - Por: Emerson Monteiro


Escrever pede o nome desde os começos, os temas. Eles mexem dentro do viveiro da inspiração indo minerar assuntos que preencham o motivo do texto. Devem atender ao momento de quem escreve no fim de tocar o gosto da ocasião, nos caprichos imaginários que vagam soltos pelas palavras e desenvolvem o sentido das frases nas metas da escrita. A busca dessa inspiração deixa fluir o pensamento, caçador das razões das letras, apresentando lugares do que dizer qual cicerone de significados ocasionais. Nisso, nessa hora de escolher o vilão, há tal parecença com quem compra numa feira livre em que eles quase viram objetos das escolhas no presumir a quem eleger, bem senhores de si.

Houvesse sempre uma boa história a contar, satisfaria desenvolvê-la por demais e restaria agradecido quem de longe procurava demasiado, pois a forma nasce lado a lado com o enredo de eleição. No entanto só de raro acontece tamanha naturalidade, a não ser num raro golpe de sorte. Às vezes um sonho, uma episódio cotidiano, uma pagina solta em algum livro; ocasionalmente, pois. Daí parecer que as musas nos auxiliam apenas quando estão de bom grado, simpáticas. E vivamos nós. 


Contudo a fúria do escrevinhador precisa acalmar, quer haja ou não tema, espécie de cápsula salvadora dos maníacos na crise das abstinências. Prudentes, saem a caminho à busca das flores que mereçam falas e ouvidos. Passo a passo, nada justificaria desistência diante do desejo extremo de produzir. Dalgum lugar do juízo virá o pro mode da canção literária. Sede cáustica de visões, profetas de si mesmos, vagabundos da solidão impaciente, lá seguem pelas esquinas vazias das noites estreladas.


Por isso os temas ser-se-ão importantes a quem deseja quebrar o silêncio do isolamento e levar distante o rochedo de Sísifo morro acima, obstinado, ainda que saiba vir abaixo e de novo continuar a missão tanto eterna quanto vida.


(Ilustração: Wassily Kandinsky).

CARIRIENSIDADE



A época em que os coronéis da Guarda Nacional mandavam e desmandavam no Cariri

    Segundo o historiador Irineu Pinheiro (“Efemérides do Cariri”, página 165), somente em 21 de dezembro de 1889 (1 mês e 6 dias depois do golpe militar que impôs a República no Brasil) a Câmara Municipal de Crato realizou a sessão para aderir a nova forma de governo implantada em 15 de novembro daquele ano. 
     Donde se conclui que as notícias sobre a "proclamação" da República chegaram ao Cariri num clima de total indiferença por parte da população. Não existiam – em Crato e demais cidades caririenses – simpatizantes do movimento republicano.


      Em Fortaleza, a capital do Ceará, a notícia do golpe militar chegou pelo telegrafo já que havia esse tipo de comunicação entre Fortaleza e o Rio de Janeiro. Já as comunicações entre o Cariri e a capital da Província eram precárias. Não havia, entre as duas cidades, linhas telegráficas.  Gastava-se um mês nas viagens entre Fortaleza e Crato, esta última, àquela época, a cidade mais importante do Cariri.

      O “coronelismo” foi um fenômeno que cresceu muito com a chamada “Proclamação da República”. Durante a Primeira República (1889-1930), o coronelismo acentuou-se como poder local nas cidades do interior nordestino. Os coronéis passaram a exercer o chamado “mandonismo político”. Crato não ficou imune ao fenômeno. Com a derrubada da monarquia – e a expulsão do Imperador Dom Pedro II e sua família, – o brasileiro comum não tinha mais a quem recorrer (com a mesma confiança e imparcialidade  existentes nos tempos imperiais) a um poder isento para resolver seus problemas.

Como surgiu a famosa “Lei de Chico Brito”

 Cel.Chico de Brito
     Entre 1896-1912 – por 16 anos – governou o Ceará a oligarquia dos Accioly. Vem de longe, como se vê, a tradição de “famílias importantes” dominarem o poder no Ceará. Era “Intendente” de Crato, àquela época, o Cel. Antônio Luiz Alves Pequeno, fiel ao clã Accioly. “Intendente” era como se chamava (no início dos conturbados tempos republicanos), o atual cargo de “Prefeito Municipal”. Derrubado o Governo Accioly, assumiu o Coronel Franco Rabelo. Este, nomeou como novo intendente de Crato seu aliado, o Coronel Francisco José de Brito.
  
     O antigo intendente Antônio Luiz Alves Pequeno não quis entregar o cargo. O Coronel Francisco José de Brito, inteligente e astuto, foi ao Lameiro e trouxe até a Praça da Sé (onde ficava o prédio da Intendência) um grupo de amigos. Encontrando a Intendência fechada, arrombou a porta e sentou-se na cadeira do Intendente anterior. Nisto apareceu o Dr. Irineu Pinheiro, sobrinho do Cel. Antônio Luiz. Irineu Pinheiro (que depois seria um dos maiores historiadores do Cariri) ficou revoltado e perguntou:

– “Mas que lei é essa na qual o Sr. se arrima para assumir a Intendência”?
     O Cel. Chico de Brito, tranquilamente, sentenciou:
“É a “Lei de Chico de Brito”! Esta lei eu mesmo fiz. E estamos conversados”.

Potengi: o maior polo de ferreiros do Cariri


    Potengi, pequena cidade do Sul-cearense, possui o maior polo ferreiro do Cariri. Ali se fabrica facas, foices e outros artefatos de ferro, cuja produção é vendida no comércio local e exportada para outros municípios do Ceará, Piauí e Maranhão.  Potengi é conhecida como “a cidade que não dorme”. Isso devido aos produtos da metalurgia, serem moldados em meio a grande calor, quando o ferro é aquecido – em uma forja que se mantém quente graças a um fole operado a mão – até ficar vermelho-brilhante. A seguir, o ferreiro vai batendo e dando forma aos objetos.

    Em Potengi, os ferreiros sempre começam a trabalhar à meia-noite quando a temperatura é mais amena. Manualmente, o ferro é modulado sobre as bigornas E nessa hora começam as batidas dos martelos sobre o ferro, ecoando pela pequena cidade. Chega a parecer uma sinfonia metálica, esse martelar! Batidas que só terminam com o nascer do sol, quando os ferreiros vão dormir e Potengi inicia novo dia de atividade normal. 

Memória: Um caririense ilustre

    Antônio Martins Filho cognominado “O Reitor dos Reitores”, nasceu em 22 de dezembro de 1904, no sítio Santa Teresa (Missão Velha), mas foi registrado como tendo vindo ao mundo em Crato. Faleceu em Fortaleza, em 20 de dezembro de 2002, dois dias antes de completar 98 anos.
    Era de família pobre e exerceu empregos muito humildes como trabalhador braçal na construção da estrada de ferro Fortaleza–Crato. Mas já aos 18 anos foi um dos fundadores do Academia dos Infantes de Crato (1922). Nasceu para ser grande. Membro de Academias, Institutos, Conselhos de Educação (estaduais e federal), “Doutor Honoris Causa” de dezenas de universidades brasileiras e estrangeiras.
  Escreveu 30 livros sobre Ciências Jurídicas, História, Educação, Literatura e Economia.  Foi agraciado com 12 condecorações de instituições brasileiras e do exterior. No entanto, passou à história como o “Criador de Universidades”.

     Para ficar apenas no Ceará, ele foi fundador, e primeiro reitor, tanto da Universidade Federal do Ceará, como da Universidade Regional do Cariri–URCA. Fundou também a Universidade Estadual do Ceará. Não existe nenhuma rua de Crato com o nome do Dr. Martins Filho. Mas existem, nesta cidade, duas ruas: a Rua Lagarta Pintada (no bairro Lameiro, CEP 63112-125) e a Rua Soldadinho do Araripe (no bairro Vilalta, CEP 63119-085). Mesmo com o crescimento da cidade, os vereadores fingem não ter mais gente ilustre para homenagear como patrono das ruas de Crato.

Embrapa investe no pequi

A beleza da flor do pequizeiro

Com o título acima, transcrevo nota publicada na coluna de Egídio Serpa (“Diário do Nordeste”, 09-08-2018):
“Fruta muito consumida pelos cearenses da região do Cariri, o pequi nunca foi tratado com a atenção que merece, pelo menos até agora. A Embrapa Agroindustrial, com sede em Fortaleza, anuncia que dará apoio a um projeto de pequenos produtores que querem agregar valor ao pequi, beneficiando-o pela via industrial, usando para isso o processamento a frio para beneficiar o óleo extraído, artesanalmente, da polpa do fruto. Quer a Embrapa fortalecer a atividade dos agricultores e coletores de pequi e gerar emprego e renda na região do Cariri”.

Cariri poderá ganhar sua primeira santa: a menina Benigna


    O bispo de Crato, Dom Gilberto Pastana de Oliveira, já recebeu o livro “Positio” encerrando a penúltima fase da beatificação da “Serva de Deus” Benigna Cardoso da Silva, a menina Mártir de Castidade. Em outubro esse “Positio” será analisado pelo grupo de teólogos, da Congregação para a Causa dos Santos, que poderá declarar Benigna “Venerável”. Depois disso ela poderá ser proclamada “Beata”, última etapa que antecede a canonização.

      Séculos atrás era mais fácil a Igreja Católica canonizar um “Santo”. Hoje o processo é demorado e difícil. No século XIV a Santa Sé passou a autorizar a prestação de culto, limitado a determinados lugares, a alguns “Servos de Deus” cuja causa de canonização ainda estava em andamento ou sequer tinha sido iniciada. Esta concessão, orientada para a futura canonização, é a origem do que se denomina hoje de “beatificação”. A partir do Papa Sisto IV (1483), os “Servos de Deus” aos quais se prestava um culto limitado passaram a ser chamados de “Beatos” ou “Bem-Aventurados”. Ficou assim estabelecida em caráter definitivo a diferença entre os títulos de “Bem-Aventurado” – o servo de Deus que foi beatificado – e “Santo”, o Beato que foi canonizado.

        Parece um sonho!  Mas a menina-mártir de Santana do Cariri, Benigna Cardoso da Silva, poderá ser a primeira santa do Estado do Ceará.
  
História: Padre-mestre Ibiapina e suas passagens pelo Cariri

   Embora nascido em Sobral, em 5 de agosto de 1806, o adolescente José Antônio Pereira Ibiapina viveu – entre 1819 e 1823 – em Crato (onde frequentou aulas de religião com o vigário José Manuel Felipe Gonçalves) e na cidade de Jardim (onde estudou latim com o mestre Joaquim Teotônio Sobreira de Melo). Depois de ordenado sacerdote ele voltaria outras vezes ao Cariri, onde construiu as Casas de Caridade de Crato, Barbalha, Missão Velha e Milagres, bem como a igreja, cemitério e um açude em Jamacaru.

    Na vida civil Ibiapina foi professor de Direito Natural na Faculdade de Olinda; foi eleito Deputado Geral (hoje deputado federal) representando o Ceará na Câmara Legislativa, no Rio de Janeiro; foi nomeado Juiz de Direito e Chefe de Polícia da Comarca de Quixeramobim (CE). Exerceu a advocacia em Recife. Abandonou tudo isso e, aos 47 anos, foi ordenado Padre da Igreja Católica. A partir daí, percorreu o interior do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco levando o conforto, através da palavra para o povo sofrido do sertão nordestino. Mas não só isso. A cavalo ou a pé, sempre vestido com a batina, pregava nas “missões”; paralelamente, construía igrejas, capelas, cacimbas, açudes, cemitérios e hospitais. Chegou a construir mais de 20 Casas de Caridade para moças órfãs e carentes.

    Sobre ele, escreveu Gilberto Freyre: “ Ibiapina foi realmente uma enorme força moral a serviço da Igreja e do Brasil. [...] exemplos como o do padre Ibiapina – que,  sozinho, fundou e organizou vinte casas de caridade nos sertões do Nordeste – se impõem aos brasileiros como grandes valores morais”. Faleceu no município de Solânea, na Paraíba, em 19 de fevereiro de 1883. Sua causa de beatificação corre na Congregação para a Causa dos Santos, do Vaticano.

   Ao Padre Ibiapina se aplica com toda justeza as palavras do livro bíblico “Eclesiástico”: “Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras da sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça”. (Eclo 2,1-3)

13 agosto 2018

Ceará, um caso exemplar do poder das oligarquias (Por Ricardo Noblat )


(Publicado no site da revista VEJA)

Política de pai para filho, de irmão para irmão, de marido para mulher

    A proximidade de eleições escancara por toda parte o domínio da política por grupos familiares, mas o caso do Ceará, pelo menos no momento, é o que mais chama a atenção. Ali, um Ferreira Gomes (Ciro) é candidato a presidente. Outro (Cid), a senador. O terceiro (Ivo) é prefeito de Sobral. O quarto (Lúcio), secretário de Estado. O quinto (Lia), candidata a deputada estadual.

   Ciro é irmão de Cid, que é irmão de Ivo, que é irmão de Lúcio, que é irmão de Lia, a caçula. Ciro e Cid já governaram o Ceará. Antes foram deputados, assim como Ivo.Os cinco são netos de José Euclides Ferreira Gomes que dá nome ao anexo da Assembleia Legislativa do Ceará, onde foi deputado no início do século passado. A cidade de Sobral é o berço político deles.

   Um Ferreira Gomes (Vicente) foi o primeiro prefeito de Sobral em 1890. Outro (José) foi o segundo. Mais um governou a cidade em 1935. Que voltou a ser governada pela família em 1977. Pergunte a Ciro, Cid, Ivo, Lúcio ou à estreante Lia se eles se consideram uma oligarquia. Ou melhor: não pergunte. Isso costuma irritá-los. Eles alegam ter vocação para a política, e pronto. Não são os únicos.

   O presidente da Assembleia Legislativa lançou o filho candidato a deputado federal. O prefeito de Fortaleza indicou o irmão para suplente de Cid Gomes, candidato a senador. A mulher do prefeito de Caucaia é candidata à deputada estadual. O filho de Arnon Bezerra,  prefeito de Juazeiro do Norte, Pedro Augusto Bezerra,  a deputado federal. O vice-prefeito de Maracanaú é candidato a deputado federal e o filho a estadual.

   Para não parecer birra com o Ceará, registre-se que no Piauí também tem disso. A mulher do governador é candidata à deputada federal. Assim como o filho do presidente da Assembleia Legislativa, no cargo há 14 anos. O senador Ciro Nogueira, presidente do Partido Popular (PP), quer se reeleger e eleger a mulher deputada federal. E como teme perder o mandato para a Lava Jato, indicou a própria mãe para suplente dele.

12 agosto 2018

Corações ao Alto: Dom Fernando Panico celebra 25 anos de Ordenação Episcopal

No pátio interno da Fundação Padre Ibiapina, ocorreu o jantar oferecido a Dom Fernando Panico, comemorando os 25 da ordenação dele como Bispo

   Em 14 de agosto de 1993, Dom Fernando Panico, Missionário do Sagrado Coração– MSC, foi ordenado Bispo para a Santa Igreja, e hoje recorda 25 anos deste momento especial. Sentindo muito de perto o afeto dos fiéis e do clero diocesano de Crato, os quais ele guiou por quinze anos e meio, Dom Panico rendeu graças a Deus por tão grande responsabilidade eclesial, em Missa concelebrada com os outros bispos, dentre eles o seu sucessor, Dom Gilberto Pastana,  Dom Edimilson Neves, bispo de Tianguá e Dom Geraldo Nascimento, bispo emérito da Arquidiocese de Fortaleza, também se fizeram presentes à Cerimônia Eucarística, que teve início ao anoitecer deste sábado (11/08), na Sé-Catedral Nossa Senhora da Penha.

“Meu coração se enche de alegria por estar, novamente, com vocês, celebrando a nossa fé em Jesus, o Bom Pastor. Renovo meus sentimentos, cordiais, de gratidão. Revivi memórias, vivi saudades, sobretudo, renovei, com vocês, o meu compromisso de fidelidade ao dom da vocação, ao dom da vida”, considerou Dom Fernando.

Como a festividade de seus 25 anos de bispo se dá, justamente, no Ano Nacional do Laicato, “glória e honra da nossa Igreja”, Dom Fernando convidou a religiosa pertencente à Ordem das Cônegas de Santo Agostinho, Irmã Annette Dumoulin, para proferir a homilia.

Homenagens
Dentre as homenagens feitas a Dom Fernando, por ocasião de seu 25º aniversário de Ordenação Episcopal, estavam três mensagens: a primeira, assinada pelo Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Sergio da Rocha; a segunda, encaminhada pelo Núncio Apostólico, Dom Giovanni d’Aniello, e a última escrita pelo  Papa Francisco (em Latim, traduzida para o Português). Todas agradeciam a dedicação de Dom Fernando ao mistério episcopal.

Dom Gilberto e Dom Edimilson, igualmente, expressaram congratulações. O pastor de Crato lembrou que “ser bispo não é uma vontade pessoal, mas alguém que é escolhido, pelo Senhor, para cuidar do povo”. Neste sentido, agradeceu a Deus pelo dom da vida de seu antecessor, sua presença acolhedora, paterna e amiga. Depois entregou uma cópia dos documentos da Menina Benigna Cardoso e um quadro com o ícone de Jesus Crucificado. Já Dom Edimilson falou da graça de comemorar,  festivamente, esse acontecimento de grande significado para Dom Fernando e a Igreja de Crato, cujo ministério, é marcado, sobretudo pela “fecundidade”. “Aqui vivemos experiências de Liturgias muito belas, dando, a mim, a graça de ser ordenado pelo Senhor”.

A Diocese de Floriano (PI), primeira diocese pastoreada por Dom Fernando, e a Arquidiocese da Paraíba, onde ele reside atualmente, também unem-se, de modo jubiloso, nos dias 12 e 14 deste mês de agosto, respectivamente.
Fonte: Site da Diocese de Crato

O que disse o representante dos padres da Diocese de Crato sobre Dom Fernando

   Com a catedral de Nossa Senhora da Penha completamente lotada, a comunidade católica do Sul do Ceará prestou significativa homenagem ao Bispo-emérito de Crato, dom Fernando Panico, por motivo do seu Jubileu de Prata de ordenação episcopal.
  Abaixo a saudação do representante do clero da Diocese de Crato, Pe. Vaudênio Nergino, que expressou o sentimento da maioria dos sacerdotes caririenses, em relação a Dom Fernando Panico:
Dom Fernando chega à Catedral de Crato, neste sábado, 11 de agosto

"Achar que a gratidão é apenas o ato de retribuir atitudes ou situações agradáveis que outras pessoas nos fizeram é uma forma de agradecer muito pequena. Na verdade  ser grato é um estado de espírito que não se deve fazer referência somente aos fatos positivos, mas, e sobretudo,  a tudo que nos foi feito por uma pessoa. Por isso, ser grato é ter essa pessoa presente em nossa vida.

     Hoje temos a oportunidade de manifestar a Dom Fernando Panico o nosso reconhecimento e nossa gratidão por tudo que ele construiu e sofreu nos quase 16 anos em que foi o Bispo Diocesano do Sul do Ceará.

      Nesta noite, queremos relembrar o nosso Bispo-emérito que   realizou, durante três anos, as Santas Missões Populares, que deram uma marca missionária à Igreja Particular de Crato. Queremos recordar o Bispo-emérito que reestruturou a pastoral da Diocese em foranias e comunidades. Que aceitou o desafio de realizar o 13º Encontro Nacional das Comunidades Eclesiais de Base, na nossa diocese; que conseguiu a elevação da Igreja Paróquia de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor. Que criou treze novas paróquias e quatro novos Santuários Diocesanos.

         Queremos deixar nosso “muito obrigado’ ao Bispo-emérito que construiu uma unidade da Fazenda da Esperança, no município de Mauriti, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas. Ao Bispo-emérito que   deu o reconhecimento diocesano às novas comunidades de leigos consagrados. E acolheu – nas várias cidades da diocese - vários institutos religiosos, a exemplo da Abadia das Monjas Beneditinas, em Juazeiro do Norte.

      Temos uma dívida de gratidão para com Dom Fernando Panico, não só pelas muitas realizações materiais que ele legou à Diocese de Crato ao tempo que foi nosso pastor. Mas somos agradecidos sobretudo por todo o apoio que ele nos proporcionou todas as vezes que o procurávamos para compartilhar as dificuldades com o nosso pastoreio. Quando nos tratou por filhos, como pai que orienta um filho. Quando Dom Fernando dispendeu energias e sofrimentos para a formação do clero.

       Gratidão quando Dom Fernando definiu os rumos da nossa diocese como “Romeira e Missionária”, quebrando paradigmas, às vezes sofrendo incompreensão até dentro do clero a quem ele sempre tratou com respeito e paternidade.

       Hoje, Dom Fernando, quando mais de um ano e meio completa-se que o Senhor deixou o pastoreio desta diocese; quando o tempo já nos possibilita fazer uma análise serena e equilibrada da sua passagem por esta Igreja Particular, podemos ver que o Sr. tinha razão em muitas das suas decisões. Sim, porque a Igreja é missionária por natureza. Tem a missão de anunciar o Reino de Deus como fez Jesus que é a luz dos povos (Lc 2,32). 

       Jesus confiou à Igreja a missão, o poder e a obrigação de levar a luz do Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). Não fazia sentido fechar os olhos ao fenômeno das romarias ao Padre Cícero. O Senhor compreendeu que a Igreja cumpre sua missão através da pregação da Palavra, testemunho de fé, vivência da caridade e celebração dos santos mistérios (sacramentos). A Igreja não é uma sociedade qualquer, ela é humano-divina, brota do Mistério da Trindade. Por isso, não deve haver separação entre Cristo, Reino e Igreja. A Igreja é comunhão de vida na fé, esperança e amor fraterno. Advogada dos pobres e defensora da vida, porque defensora dos direitos de Deus criador: “A Igreja é coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15).

       Nosso reconhecimento e agradecimento quando o Senhor soube descobrir, acolher, acompanhar os vocacionandos e vocacionados, os seminaristas das nossas duas casas de formação e demais iniciativas vocacionais que são o centro das preocupações de um Sucessor dos Apóstolos. 

         Por isso Dom Fernando, que bom seria se esse agradecimento ficasse registrado em letras de bronze e não em rabiscos escritos na areia. A sua vivência entre nós, durante o seu episcopado atualizou esta presença confortante e consoladora de Jesus Bom Pastor no meio do seu povo.

Somos profundamente agradecidos pelo modo sereno e tranquilo como o senhor conduziu seu convívio com sacerdotes e fiéis, pelo seu carinho para os romeiros de Juazeiro, para com os jovens, o cuidado para com as famílias, a atenção para com os idosos, as palavras paternas e encorajadoras para com os agentes de pastoral, a ida às comunidades e o envolvimento direto com o povo simples, acolhedor e generoso de nossa diocese.

     Que Jesus Misericordioso, e a Virgem Maria, Mãe da Penha, possa recompensá-lo por todo o bem que o Senhor fez entre nós.
       SURSUM CORDA!"

11 agosto 2018

Amplidão - Por: Emerson Monteiro


Nalgumas dessas paisagens que vêm assim cheias de letras e palavras e imagens nalgumas delas há repetições de títulos, o que leva a mudar noutros a fim de chegar mais perto de contar as visões do interior dos túneis internos os corredores da alma da gente. Isso de querer falar o que todo mundo sente e também quer dizer e diz ou não diz de vez em quando. Na vontade incontida, pois, do trabalho da expressão delas das palavras nascem outros nomes de forma insistente do ato de narrar os acontecimentos das moléculas nas células, e dessas nos elementos do corpo através dos sentidos, busca de ampliar o ímpeto e reverter o quadro harmonioso do silêncio em outros quadros, jeito de sobreviver ao instante e narrar os acontecimentos interiores. Foram inúmeras as oportunidades de calar, porém do outro lado existem os que também querer conhecer o que ocorre dentro dos demais, nos sobressaltos dos caminhos e das histórias.

Diversos abrigos escondidos nas pessoas vagam decerto soltos nas prateleiras do mundo em gestos de papel, de sinais expostos ao vento do desaparecimento, convites ao sentido de procurar o sentido nos objetos e nos corpos em constante movimento. Eles, os pensantes humanos, nós, enfim, trocam de postos a todo dia, insetos fervilhantes nas letras em ação. Novecentos e sessenta e tantos suspiros viraram nisso literatura atirada nas calçadas do firmamento, e as perguntas continuam persistentes. Umas indagam da razão de estar aqui; outras o valor do perdão; as dores do espanto aberto dos corações enamorados; as nuvens que circulavam o sentimento dos poetas e dos heróis nas lendas; os vastos campos da compreensão que pedem maiores interrogações face ao desamor que circula nos presídios e nas fugas da culpa; por isso além de querer contar e levar adiante o impulso das gestas, vem daí alvoreceres dos poucos esquecidos deixados fora da sorte que ainda impera na força do pensamento a vencer as visões fantasmagóricas da ignorância. Ampliar nalgum lugar a consciência em atitudes de purificação dos seres que abrem os olhos pouco a pouco à visão do Paraíso.

A pátria da libertação - Por: Emerson Monteiro


Quando você conquista o coração, ele se torna ponto importante em tudo. Obtém êxito em conhecer e morar na terra da Salvação para sempre. Conquista o desejo de dominar o mundo e domina o mistério da Criação no íntimo da alma; nisso vive o eterno dos sonhos, o interior da presença. Queira e vencerá o mundo de dentro, aonde imperavam instintos desde os começos da pessoa humana. Reverte com isso o quadro de enxames das velharias que antes prevaleciam e que agora nem de longe interessa que tenha o mínimo de importância no jogo das contas de vidro do tempo. Querer tal fator de sobrevivência e razão de tudo quanto há eis o conquistar do coração.

Bom, falar de conquistar o coração... O que é? Que é o coração de conquistar? Sede essencial dos valores desta vida, tem no entanto explicação noutros níveis de consciência. Além da carne existe uma vida que continua quando esta daqui termina. É o túnel de chegar a esse território novo da libertação depois da matéria; é o coração. Espécie de passagem secreta, ele conduzirá a Deus.

A rendição ao equilíbrio do Universo tem ali o instrumento da sua realidade, isto na essência, o Ser real da criatura. Sol de luminosidade intensa, permite a transformação dos solitários animais de existência ocasional em fonte perpétua e júbilo. Isto enquanto acontece a aceitação definitiva da verdade, marca indelével da paz. São, por isso, muitas luas no céu, fogueiras mil e esforços contínuos de aceitação até galgar a percepção que aspirava.

Deixar de lados todos os chamamentos que dispersavam a visão tão só nos apelos deste mundo, à busca do setor próprio da alma da gente. Pois exatamente nesse princípio que vem de ser compreendido é que habita o coração qual sentimento, gosto de viver com arte o Amor. 

10 agosto 2018

250 anos de criação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha

  Criada em 4 de janeiro de 1768, pelo 8º Bispo de Pernambuco – Dom Francisco Xavier Aranha –   a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, de Crato, foi desmembrada da Paróquia de São José, de Missão Velha. Naquele tempo o Ceará pertencia à Diocese de Olinda.

   Originou-se a matriz cratense de uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, construída – por volta de 1740 – pelo capuchinho italiano, Frei Carlos Maria de Ferrara. Este frade foi o fundador do aldeamento da Missão do Miranda, núcleo inicial da atual cidade de Crato. A “missão” foi criada para abrigar e prestar assistência religiosa às populações indígenas que viviam espalhadas ao Norte da Chapada do Araripe.

   Em janeiro de 1745, Frei Carlos Maria de Ferrara colocou na igrejinha uma placa de pedra, oficializando a consagração que fizera do templo a Deus Uno e Trino e, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha e, em segundo plano, a São Fidelis de Sigmaringa, este último oficializado – em 2014 – como co-padroeiro de Crato.

    Em 1914, com a criação da Diocese de Crato, a matriz de Nossa Senhora da Penha foi elevada à categoria de Sé, ou seja, tornou-se a Catedral e Igreja-Mãe; o templo mais importante da diocese, pois é lá que fica a cátedra (cadeira) do bispo (também chamada Sólio Episcopal). 

    Nos dias atuais, a Catedral de Nossa Senhora da Penha é o espaço sagrado e histórico mais importante da cidade de Crato. É o lugar-sinal de comunhão e da unidade da Diocese e também da comunhão com a Igreja Universal. A Catedral de Crato possui um rico patrimônio histórico, artístico, cultural e religioso que é um orgulho para a população de todo o Cariri.
Catedral de Crato na década 1930

A cura milagrosa da Princesa Isabel


Foto da Princesa Isabel, tirada no exílio. A Família Imperial Brasileira teve
o mais longo exílio já imposto a brasileiros, nos 518 anos da existência
de nossa pátria

Estando a Família Imperial do Brasil forçosamente exilada desde o golpe republicano de 15 de novembro de 1889, a Princesa Dona Isabel, a Redentora, tendo se tornado Chefe da Casa Imperial do Brasil, e seu marido, o Conde d’Eu, estabeleceram-se na França, passando parte do ano no Palacete de Boulogne-sur-Seine, nos arredores de Paris.

Ali, em um ritmo muito mais cosmopolita, a vida social era mais intensificada, alterando-se um tanto em relação ao ritmo bucólico da vida no Castelo d’Eu, na Normandia, onde a Família Imperial passava a outra parte do ano. Em Boulogne, a Redentora recebia ainda maior número de brasileiros residentes em Paris, ou que por lá passavam (a residência era uma espécie de “embaixada informal” do Brasil), e, por sua vez, visitava sua numerosa parentela, como também hospitais e instituições de caridade, que dependiam do seu apoio financeiro.

Certa feita, a Chefe da Casa Imperial visitou, na Rue du Bac, a célebre capela em que Nossa Senhora apareceu, em 1830, a Santa Catarina Labouré, e lhe revelou a Medalha Milagrosa – devoção que rapidamente se espalhou pelo mundo inteiro. Na capela, as freiras quiseram que Sua Alteza se sentasse em uma cadeira objeto de especial veneração: a mesma em que a própria Santíssima Virgem se sentara!

A Redentora, por humildade, recusou a oferta, dizendo que não era digna de tamanha honra, mas as religiosas insistiram a tal ponto que Sua Alteza, depois de se persignar, sentou-se um só momento... E logo se levantou, curada de umas incômodas dores, que havia muito a atormentavam. A Chefe da Casa Imperial chegou a depor oficialmente no processo de beatificação da vidente, dando testemunho dessa e de outras graças recebidas.

(Baseado em trecho do livro “Dom Pedro Henrique – O Condestável das Saudades e da Esperança”, do Prof. Armando Alexandre dos Santos).

Outra vez aqui - Por: Emerson Monteiro


E nisso regressar sempre mais perto ao ponto em que, nalguma ocasião, o sentimento criara raízes e ferira de morte a solidão. Bem no âmago de si, no auge das cordilheiras da alma, e mergulhar os abismos da consciência numa espécie de atitude presente em tantos chamamentos. Quando a disposição de reviver o momento refaz essa disposição interior de seguir solto nas ondas desse mar imenso, alheio que seja aos sentidos só aparentes da realidade das sombras. Admitir existisse vida em tudo, ainda que as marcas deixadas pelo desespero insistissem guardar na desistência os valores da Eternidade presente.

Sucumbir no tom ácido dos objetos em decomposição, entretanto ciente das certezas em dias menos bizarros, quais atores imbatíveis das aventuras, mocinhos de novas histórias, andarilhos das florestas imaginárias aonde há uma luz que nos aguarda... Nessas horas, chegam antigas dívidas, restos das paixões alucinadas, feiticeiras das noites de sábado. Contudo elas andam pelas calçadas que transformam.

Crescem nisso as nuvens e marcas dos astros que percorrem o trilho das possibilidades, sinais indicativos de grandiosas mudanças logo ali adiante de erros que nesse lugar um dia se deram. Foram muitas as oportunidades, no entanto largadas no querer das massas. Preencheram o fastio das madrugadas em jeito de duras equações de prazer no trinco das contradições. Dormiram todos e jamais reviverão passados remotos que alimentavam de amores tortos através de dores profundas.

Até este dia, hora de rever as paisagens da infância e sorrir lá dentro por meio dos animais, olhar nos raios de sóis infinitos, persistentes, constantes, de memórias que resistem ao tempo, ou são partes do poder de querer no seio da vontade. Olhos acesos nas saudades vivas no coração e na paz dos seres, a força do inesperado toma conta de tudo em volta.

08 agosto 2018

CARIRIENSIDADE --por Armando Lopes Rafael


 A cachoeira de Missão Velha


    Localizada no Sítio Cachoeira, a 3km da cidade de Missão Velha, essa cachoeira forma – na quadra das chuvas do início do ano – quedas d’água, oriundas do Rio Salgado, com aproximadamente 12 metros de altura. No chamado “inverno”, a cachoeira vira uma paisagem de grande beleza. Dizem que ali se realizavam cerimônias religiosas feitas pelas populações indígenas que  habitavam aquele lugar.

    A pouca distância da cachoeira, ainda podem ser vistos os restos de casas de pedra, da primitiva colonização do Cariri, iniciada a partir do século XVII. O Geopark Araripe transformou a Cachoeira de Missão Velha num dos seus “geotopes”. A rocha sedimentar desse geossítio é o arenito da formação Cariri, com aproximadamente 420 milhões de anos (Período Siluriano).

O Boqueirão de Lavras da Mangabeira


   O Boqueirão do Rio Salgado (mais conhecido como Boqueirão de Lavras) é formado por uma pequena chapada – cortada ao meio –  localizada a cinco quilômetros da cidade de Lavras da Mangabeira. Nesse Boqueirão – na parte alta –  localiza-se uma gruta (a Gruta do Boqueirão), que é  é aureolada por lendas e estórias. Cientificamente, sabe-se que o Boqueirão de Lavras foi formado, há milhares de anos, devido à erosão provocada pela ação das águas do Rio Salgado.

    Assim foi se formando uma fenda por onde corre – na quadra das chuvas – as águas do rio, tendo por moldura uma espécie de canyon de rara beleza. O Boqueirão de Lavras há muito já deveria ter sido transformado numa Área de Proteção Ambiental (APA). A exemplo do que foi feito, em 1997, com a Chapada do Araripe.

Tropeiros de Várzea Alegre

    O pesquisador Antônio Gonçalo de Sousa é autor do livro: “Tropeirismo nosso”. Tropeiro (também chamado almocreve) era o condutor de tropas de animais de carga, uma figura típica no Cariri, até o início do século passado. O tropeiro desapareceu com a chegada do trem e dos caminhões a nossa região.

O livro “Tropeirismo nosso” resgata a vida de Antônio Gonçalo Araripe, (avô do autor) nascido em Várzea Alegre, em 1896. A vida de Antônio Gonçalo Araripe foi toda dedicada ao tropeirismo, sendo ele pioneiro nessa profissão naquele município sul-cearense. 

    
Durante quase toda a primeira metade do século XX, Antônio Gonçalo Araripe vasculhou a região Sul do Ceará, com sua tropa de burros. Partindo de Várzea Alegre, transportava mercadorias num circuito que ia de Iguatu a Crato–Juazeiro; e de Lavras da Mangabeira a Farias Brito. Com seu honrado trabalho, Antônio Gonçalo Araripe conseguiu até adquirir até uma nesga de terra para moradia e cultivo. Proporcionou le  a educação aos filhos e chegou a comprar uma casinha – na cidade de Várzea Alegre – para acompanhar as festas de São Raimundo Nonato, o santo-padroeiro daquela localidade.

Política de boa vizinhança?

     Crato possui 22 ruas que têm os nomes de todos os municípios do Cariri (mais precisamente os criados até a década 1970). Sua mais longa avenida foi  denominada de “Padre Cícero” (ela começa no bairro São Miguel e vai até a divisa Crato-Juazeiro, no bairro São José, com os CEPs 63122–440 a 445). Tem mais: os vereadores de Crato denominaram – oficialmente – as seguintes ruas: No centro: Rua Juazeiro do Norte (CEP 63100-120); No bairro Alto da Penha: Rua Monsenhor Murilo de Sá Barreto (CEP 63133-800), Rua Coelho Alves (CEP 63113-320) e Rua Mons. Lima (63100-510). Todos essas pessoas residiram e tiveram influência na cidade de Juazeiro do Norte.

As viagens entre Fortaleza e o Cariri há 200 anos

     Hoje uma pessoa entra num avião, em Juazeiro do Norte, e depois de 45 minutos desembarca em Fortaleza. Duzentos anos atrás eram precárias as comunicações na Província do Ceará.
     Cento e dez léguas (cerca de 660 km) separavam Fortaleza, a capital da Província, localizada às margens do Oceano Atlântico, das pequenas vilas então existentes na região do Cariri, situadas nas faldas da Chapada do Araripe, já na fronteira com Pernambuco.


     Chegavam a durar cerca de trinta dias uma viagem entre o litoral e o Cariri cearense, naquele recuado tempo. Esses deslocamentos eram feitos utilizando-se as precárias estradas vicinais constituídas, na maioria das vezes, de simples veredas. Para aquelas viagens utilizavam-se animais. Nos primeiros meses do ano, temporada das chuvas – devido aos lamaçais e aos riachos a serem transpostos – aqueles deslocamentos poderiam demorar ainda mais. Não raro, alguns trechos das veredas ficavam, dias, intransitáveis.
     Também nos meses da estiagem os obstáculos eram grandes! O sol escaldante, o forte calor e as estradas poeirentas constituíam um cenário monótono, durante os longos e cansativos dias das viagens, em meio à paisagem cinzenta da vegetação seca da caatinga. Até chegar à paisagem caririense com seus verdes canaviais e o cheiro doce dos engenhos de rapadura, espalhando-se pelos ares...

História: o primeiro jornal do Cariri

Jornalista João Brígido

   O jornal chamava-se “O Araripe”. Circulou – na Vila Real do Crato – pela primeira vez em 1855. Seu criador e editor: João Brígido dos Santos, nascido na Vila de São João Barra, na província (hoje estado) do Rio de Janeiro, em 3 de dezembro de 1829. Quando publicou a primeira vez  “O Araripe”, João Brígido tinha apenas 26 anos. A vida dele é uma epopeia que merece ser lembrada. Quando era ainda menino, um dia salvou de um afogamento um colega seu, que tomava banho no rio da cidade de Quixeramobim.  Nome do menino salvo: Antônio Conselheiro. Este, depois seria o líder messiânico de Canudos, imortalizado no livro “Os Sertões” de Euclides da Cunha, e figura de destaque na história do Brasil.

    João Brígido dos Santos morou em Crato por 10 anos.  Além de jornalista foi político e historiador. Um livro dele (“Apontamentos para a História do Cariri”, editado em 1861, na cidade de Recife), é – ainda hoje – importante fonte de pesquisa. João Brígido transferiu-se, posteriormente, para a cidade de Fortaleza. Lá criou o jornal “Unitário”e foi um dos mais destacados intelectuais da capital cearense. É autor dos livros: “Gênese do Ceará” e “Ceará, Homens e Fatos (1919), dentre outros.

Memória: os 250 anos da 2ª  paróquia mais antiga do Cariri


     Criada em 4 de janeiro de 1768, pelo 8º Bispo de Pernambuco – Dom Francisco Xavier Aranha –   a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, de Crato, foi desmembrada da Paróquia de São José, de Missão Velha. Naquele tempo o Ceará pertencia à Diocese de Olinda. Originou-se a matriz cratense de uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, construída – por volta de 1740 – pelo capuchinho italiano, Frei Carlos Maria de Ferrara. Este frade foi o fundador do aldeamento da Missão do Miranda, núcleo inicial da atual cidade de Crato. A “missão” foi criada para abrigar e prestar assistência religiosa às populações indígenas que viviam espalhadas ao Norte da Chapada do Araripe.

      Em janeiro de 1745, Frei Carlos Maria de Ferrara colocou na igrejinha uma placa de pedra, oficializando a consagração que fizera do pequeno templo. Este, dedicado “A Deus Uno e Trino e, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha e, em segundo plano, a São Fidelis de Sigmaringa”. Em 2014, por decreto do Bispo Diocesano, Dom Fernando Panico, São Fidelis de Sigmaringa foi oficializado como “Co-padroeiro de Crato”.

             Os 250 anos de criação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha será o tema da festa da Rainha e Padroeira dos cratenses, que tem inicio no próximo dia 22 de agosto e termina em 1º de setembro.

Correios na mira da privatização


Fonte: Agências de notícias
O candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, afirmou, em entrevista para a Globonews, que descarta passar os bancos estatais, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, à iniciativa privada. Já o mesmo não se aplica aos Correios, que, nas palavras dele, “lamentavelmente não tem mais jeito”.

Dias atrás, em Fortaleza, o economista Paulo Guedes, cotado a ministro da Fazenda num eventual governo Bolsonaro, afirmou: “Quem quer uns Correios, como os do Brasil, que está levando até 60 dias para entregar uma carta? ”

Enquanto isso, os funcionários dos Correios aprovaram, na noite desta terça-feira (7), estado de greve até o próximo dia 14.  Eles não aceitaram  a primeira proposta de conciliação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo (Sintect-SP), o estado de greve deve se manter até o dia 14, quando uma nova assembleia será feita.

A proposta rejeitada incluía reposição salarial pela inflação no período (com perdas de 3,68%), medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), sem reajuste real, segundo o vice-presidente do Tribunal, ministro Renato de Lacerda Paiva.

Os funcionários dos Correios, por sua vez, reivindicam aumento salarial de 5% para a categoria e pedem a permanência de vários benefícios, como assistência médica, vale-cultura e programa de participação nos lucros ou resultados (PLR). Em março deste ano, uma outra greve da categoria reuniu 91% do efetivo da empresa, segundo o sindicato.


07 agosto 2018

Liberdade perene - Por: Emerson Monteiro


Nesses tempos enigmáticos que parecem controlar as pessoas através de filamentos presos a reinados sórdidos, paro e escuto o som do vento nas árvores. Sei bem da voz das lufadas na escuridão, que querem dizer algo, mensagens que as devoro em compreender. Sei, sim. Ninguém nunca disse, mas sei, porque ouço no silêncio a melodia das folhas no idílio carinhoso delas e do tempo, um dizer sucessivo do que somos e quero intensamente desvelar. E sinto também vagando o perfume das flores nas outras plantas, a invadir narinas adentro nas vozes santas da natureza. Nisso, longe até dos pensamentos e das contradições, dois senhores dominam o meu jeito de ver, impulsos de quem fala e eu que a eles sobrevivo calado, quieto; os escuto e sinto, e analiso, sem, no entanto, sequer saber doutras alternativas senão continuar. Apenas observo, sonho e testemunho a imensa criação dos viventes no escuro dessas noites dadivosas.

Bem no instante quando tudo vira musicalidade e parece querer existir longe dos intrusos que escutam o gotejar dos sentimentos, bem ali, moleque vadio entre o nada e as existências, vem esse desejo forte de libertar firmamentos, astros acesos na distância, e mergulhar solto por demais na brisa que balança as árvores impacientes. Logo depois mais calmas.

Há profusão de seres reunidos em meio do perfume e das folhas que se agitam. E saber o que isto significará uma resposta ao desejo de interpretar o curso do Universo e das almas. Há que largar pedras e caminhos e abandonar conceitos e respostas, antes de a consciência desistir de procurar, e aceitar só a inexistência qual razão luminosa de além do horizonte. Entretanto antigos ídolos ainda vagam pelas sombras feitos fantasmas de almas em perdidas aventuras, e choram abandonados diante de quem ali os deixara assim ausentes e solitários.

(Ilustração: Valdimir Kush).

06 agosto 2018

Missa pelos 25 anos da sagração episcopal de Dom Fernando Panico


    No próximo 11 de agosto, um dia de sábado, a população católica do Sul do Ceará vai comemorar o jubileu de prata da sagração episcopal do 5º Bispo Diocesano de Crato, Dom Fernando Panico. A solenidade ocorrerá às 17:00 horas, constando de uma Santa Missa, a ser celebrada na Catedral de Nossa Senhora da Penha.

Decorridos quase dois anos, desde que Dom Fernando Panico tornou-se bispo-emérito da nossa diocese, e passando ele a residir na cidade de João Pessoa, já se vislumbra uma análise serena e imparcial da sua passagem como Bispo da Diocese de Crato. Dom Fernando reservou seu lugar na história desta Diocese, graças à consecução – junto à Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano – da reconciliação histórica da igreja Católica com a herança espiritual do Padre Cícero. Esta era uma ferida que ficou aberta por longas décadas. Até que Dom Fernando Panico conseguiu cicatriza-la.

       Mas não só isso.  Dom Fernando foi um dos mais dinâmicos bispos dentre os que sentaram no Sólio Episcopal de Crato. Durante dezesseis anos e meio, período que foi Bispo de Crato, Dom Fernando valorizou as romarias e priorizou o acolhimento aos romeiros do Padre Cícero, com novas atitudes e um cuidado pastoral para com esses romeiros.

         Dom Fernando realizou as Santas Missões Populares, preparadas ao longo de três anos, que deram uma marca missionária à Igreja Particular de Crato. Reestruturou a pastoral da Diocese em foranias e comunidades. Aceitou o desafio de realizar o 13º Encontro Nacional das Comunidades Eclesiais de Base, na nossa diocese, tendo como sede a cidade de Juazeiro do Norte. Conseguiu a elevação da Igreja Paróquia de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor. Criou 13 novas paróquias e 4 novos Santuários Diocesanos. Organizou as comemorações dos 100 anos de criação da Diocese de Crato, quando veio até nós o enviado do Papa Francisco, o cardeal Dom João Braz Aviz. Antecedendo à festa, foram construídas -- entre 2012 e 2014 - 142 novas capelas no território da Diocese. A meta era construir 100 capelas, meta que atingiu quase ,150% do planejado.

         Outra grande realização de Dom Fernando Panico foi a construção de uma unidade da Fazenda da Esperança, no município de Mauriti, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas. Ele também deu o reconhecimento diocesano às novas comunidades de leigos consagrados. E acolheu – nas várias cidades da diocese - vários institutos religiosos, a exemplo da Abadia das Monjas Beneditinas, em Juazeiro do Norte.

            No seu fecundo episcopado dom Fernando Panico ordenou 68 novos padres para a nossa diocese. Foi também ele quem instituiu o Diaconato Permanente, na Diocese de Crato,  tendo ordenado 39 diáconos permanentes.  Também foi iniciativa de Dom Fernando Panico a abertura do Processo de Beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva, a Mártir da Castidade, nascida em Santana do Cariri. Deve-se a ele a criação do curso de Teologia no Seminário São José, o qual, graças a isso, passou a ser Seminário Maior, formando sacerdotes para cinco dioceses nordestinas: Crato e Iguatu (no Ceará), Salgueiro e Petrolina (em Pernambuco) e Cajazeiras, na Paraíba.

             Foi abrangente a ação de Dom Fernando! Foi dele a iniciativa de entregar a administração do Hospital São Francisco de Crato à Ordem dos Camilianos, providência que salvou aquela unidade hospitalar de encerrar suas atividades, como veio a ocorrer com várias instituições hospitalares do Cariri.

               Outra iniciativa de Dom Fernando foi a construção dos dois blocos que hoje compõem a nova Cúria Diocesana. Deve-se também a ele a construção do novo Seminário Propedêutico, no bairro Granjeiro, em Crato.

                O “bispo italiano”, como era chamado por alguns, realizou muitas outras coisas, mas ficaria longo enunciá-las. Resta lembrar que durante o seu episcopado – a exemplo do que ocorreu com Dom Vicente Matos –, Dom Fernando também sofreu uma campanha de incompreensões e maledicências, por parte de uma minoria. Diante delas ele agiu com equilíbrio e superioridade. Nunca revidou com a mesma moeda. O máximo que Dom Fernando fez em sua defesa foi recorrer – como uma pessoa civilizada – à Justiça dos homens, pedindo a retratação dos seus acusadores. Ou divulgando manifestos de solidariedade que recebia de importantes segmentos da sociedade brasileira, dos fiéis diocesanos e de destacados irmãos de episcopado.

                   O tempo é o Senhor da razão, diz o adágio. Passados aqueles tempos, serenados os ânimos; feito um balanço equilibrado da administração episcopal de Dom Fernando Panico – à frente da Diocese de Crato –, constata-se que ele foi um grande bispo. E é isto que ficará registrado para a história da Diocese de Crato...

(Texto e postagem: Armando Lopes Rafael)

05 agosto 2018

Os instrumentos da felicidade - Por: Emerson Monteiro


Vezes sem conta me pego a considerar que existe um poder acima dos poderes menores, e que dele provém o sabor dos acontecimentos. Qual regente das possibilidades, esse poder transcendente conduz a orquestra dos destinos na proporção certa do que compete em termos de direitos e obrigações, e acompanha as espécies na perfeita maestria que passa despercebida de parte das criaturas humanas. Que faz e desfaz, alimenta e corrige, produz valores constantes e preenche a tábua dos dias, a oferecer meios e realizações pessoais que chamamos felicidade.

Noutras ocasiões, desde quando as primeiras nuvens se formavam no céu e iniciava a formação dos mundos, isto desde sempre, que há obediência dos que promovem a sonhada felicidade, realidade exercida de acordo com os desejos da satisfação e da paz. Entretanto requer providências até desfrutar a sonhada felicidade. Saber trabalhar as condições na natureza quais os corpos que circulam as regiões da Terra, o clima, as condições de sobrevivência, água, luz, temperatura, mares, rios, fontes, florestas, inteligência, harmonia, família, sociedade, paciência e as outras virtudes cruciais de usinar os padrões universais até chegar às civilizações ideais. Apesar, contudo, de quantos a isto contrariam pelas hostes da ignorância, ainda, destarte, o fluir continuará a todo vapor.

A vontade, eis um desses possantes instrumentos do ser, de transformação da massa informe de corpos em movimento rumo do fim em um valioso condutor das multidões aos tempos de felicidade. Saber trabalhar a força do querer, e querer de verdade. Ninguém nasce feito, porquanto se elabora todo momento. A força dessa iniciativa por isso representa forte dispositivo de poder. Promover o sonho em forma de substâncias no espaço físico. Trabalhar isto, trabalhar, afinal. O condão do trabalho, além de prece ao futuro desconhecido, significa sobremodo o instrumento maior de avaliar o quanto de valor move o Universo, e o trabalho honesto este, sim, supera todos os outros instrumentos de poder e felicidade.

(Ilustração: Tumba de Rekhmire - Antigo Egito).

"Coisas da Ré Pública" -- Tiririca sonha em ser presidente da República em 2022


Na convenção que indicou Geraldo Alckmin, Tiririca  anuncia candidatura à reeleição e quer recorde de votos. Deputado ainda afirmou que sonha em disputar a Presidência da República. "Se Deus quiser (eu vou disputar). Vou meter a cara daqui quatro anos, você vai ver", afirmou.
Tiririca; festejadíssimo

   O deputado federal Tiririca (PR-SP) anunciou oficialmente neste sábado, 4, que desistiu de desistir da política e que será novamente candidato nas eleições 2018. "Tenho recebido muito apoio. Eu tinha falado que tinha desistido da política e o povo fala comigo: 'cara, não desiste não. Você está fazendo um trabalho tão bacana, tão legal'. Aí, volto atrás. Estou declarando para todos vocês que vou me candidatar", disse o parlamentar, em discurso na convenção nacional de seu partido.

    Aos correligionários, Tiririca disse que quer ser o deputado "mais votado na história do País". "Quero ser o número um no país. Na história do país, sou o terceiro mais bem votado. Quero ser o primeiro. Quero passar o Enéas", complementou.

   O deputado explicou que decidiu tentar a reeleição após ouvir os "pedidos do povo". Francisco Everardo Oliveira Silva, que é mais conhecido pelo nome artístico, disse que, nos shows que ainda faz como humorista pelo Brasil, a plateia sempre pede para que ele não desista da política.

    Tiririca ainda afirmou que sonha em disputar a Presidência da República. "Se Deus quiser (eu vou disputar). Vou meter a cara daqui quatro anos, você vai ver", afirmou. Ao lado do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), Tiririca anunciou que, neste ano, apoia o tucano na disputa presidencial. "Geraldo, você tem o meu apoio. O País está precisando de gente honesta como você".

04 agosto 2018

Em defesa da vida: Hora Santa na Sé Catedral de Crato mobiliza fiéis na luta contra a legalização do aborto

Fonte: Diocese de Crato

    A legalização do aborto volta à pauta nacional nesta sexta (3/08) e na próxima segunda-feira (6/08), em uma audiência pública convocada pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, que debaterá a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Diante dessa realidade, a Diocese de Crato, em sintonia com a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizou “Hora Santa”, na Sé Catedral Nossa Senhora da Penha, em Crato.

     Na Santa Missa, seguida de Adoração ao Santíssimo Sacramento, a intenção foi esclarecer e alertar os fiéis sobre essa situação, refletir sobre o significado da vida e rezar pelos nascituros. A celebração foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Gilberto Pastana, coadjuvada pelo vigário-geral e cura da Catedral, Padre José Vicente Pinto. Veja fotos:

03 agosto 2018

COISAS DA REPÚBLICA

Pessimismo e violência provocam fuga do Brasil -- por Nelson de Sá
 'Brasileiros ricos' buscam Flórida e Portugal, diz WSJ; Ford também quer sair, diz Bloomberg
Fonte: "Folha de S.Paulo", 03-08-2018.

    No Wall Street Journal, edição de ontem, 2 de agosto, publicou:“Com violência em alta e pessimismo quanto ao futuro do país, milhares de estrelas de televisão, banqueiros, advogados e brasileiros ricos estão fugindo do país”. As notificações de emigração saltaram para 21.700 em 2017, três vezes mais que em 2011.
“Diferentemente dos [imigrantes] centro-americanos, esses brasileiros são com frequência integrantes da elite do país”, de saída para Orlando, Miami e “a riviera portuguesa”.

     O WSJ não está sozinho, quanto à violência. Também na quinta, no New York Times e outros, “Medalha Fields é roubada minutos após ser entregue no Brasil”. No Washington Post, “Maior gangue do Brasil seduz recrutas com desconto de mensalidade e programa Adote um Irmão”. No Los Angeles Times, “Temporada mortal para os defensores de terras e ativistas ambientais no Brasil”.

FORD TAMBÉM?
    No título da Bloomberg, “Ford está oferecendo às rivais a unidade sul-americana, que perde dinheiro”. Entre as “várias” possíveis compradoras estariam Volkswagen e Fiat. A Ford nega. No Brasil desde 1919, a montadora americana “não apresenta lucro na América do Sul desde 2012”, aliás, “perdeu US$ 4,2 bilhões desde então”.


02 agosto 2018

Viajores do tempo - Por: Emerson Monteiro


Além de dependentes diretos do espaço desse lugar que ocupamos aqui no Chão, forçados sob a tonelagem do próprio peso, somos também prisioneiros diretos do eterno presente, que suspira obter a essência do momento nas malhas da consciência. Ainda que filosoficamente assim não fosse, de que adiantaria imaginar diferente, porquanto as garras existem a nos suster os passos, e nessa carência cônica, formidável, de conhecer o futuro, ele caprichosamente foge de nós, impetuoso, semelhante ao coelho corredor e seu relógio, em Alice no País das Maravilhas. Quais despertados de sonho que queremos lembrar os detalhes e o enredo, quanto mais quiséssemos mais ele escaparia rumo do desconhecido, nos sumidouros da memória, sombras, horas, do movimento, lembranças, idades.

Totens do que fomos de nós mesmos, dançamos à volta dessa fogueira intermitente da existência numa síndrome inevitável, adoradores do fogo sagrado que queima vivo dentro sem cessar jamais. Espécies dos faquires dançarinos do Sufismo, arrodeamos nossa imagem e o que fazemos de cada um, em aspiração frenética de liberdade, porém às tontas na roda do destino inimaginável. Vez enquanto, somos surpreendidos nessas migalhas de mel de aparentes felicidades que escorrem das nossas bocas, favos das abelhas radiosas que desejamos ser, outrossim semelhantes a meros criadores de personagens fantasmagóricos, sonhadores de sonhos impossíveis, fugitivos dos países habitados nas quimeras que formamos.

Contudo ninguém a sumir do ansiar das descobertas que farão de nossas almas rainhas do Universo, forças intensas da criação do ser que já somos e não podemos ainda conduzir com exatidão nessas estradas tortuosas do Infinito. São séculos, milênios de contradições a reclamar esse encontro definitivo da perfeição de que dependemos nos gestos atuais e nas buscas repetidas de tempos. Nisso, de uma hora a outra, numa das esquinas dessas miragens, bem ali, nalgum espelho, noite ou dia, haveremos de esbarrar conosco e fazer as pazes com medos, culpas; angústias e aflições; dos credos e das dúvidas largadas fora. Abraçar-nos-emos, então, repousados de nós, depois de tantos gestos de desesperos, e dormiremos em paz, feitos crianças, nos nossos braços enternecidos dessas jornadas de solidão e esperança que realizamos nas vidas imortais.


Como a população de Crato vem tratando o meio-ambiente

Cascata do Lameiro tem acesso afetado por lixo e buracos

Fonte: “Diário do Nordeste”, 02-08-2018 – por Antônio Rodrigues
Além do lixo, muitos motoristas, diariamente, lavam seus veículos. Ontem , pela manhã, por exemplo, a reportagem flagrou jovens lavando suas motos na passagem molhada que dá acesso ao local  FOTO: ANTONIO RODRIGUES

Crato. Garrafas plásticas, embalagens de cigarro, latas de cerveja e estilhaços de vidro são itens cada vez mais comuns encontrados em um dos principais cartões-postais deste Município do Cariri cearense: a Cascata do Lameiro. A aproximadamente 3km da sede da cidade, o lugar fica no curso superior do Rio Batateiras - que nasce no sopé da Chapada do Araripe -, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA), vizinho ao Parque Estadual do Sítio Fundão.

Lá, entre pedras e vegetação, forma uma queda d'água de 12 metros de altura. Nos primeiros meses do ano, quando mais chove, o local atrai muitos visitantes, mas, há alguns anos, convive com a falta de fiscalização e educação ambiental dos usuários.

Nos fins de semana, mesmo sem a água ter a mesma força, a Cascata do Lameiro atrai dezenas de pessoas. Paredões de som e até vendedores ambulantes ocupam a margem ou o curso do rio. Além disso, muitos motoristas, diariamente, lavam seus veículos por lá. Ontem, pela manhã, por exemplo, a equipe do Diário do Nordeste flagrou jovens lavando três motos. "Todo dia tem gente para lavar moto, carro, jogando sujeira, óleo diesel. Tudo isso atrapalha e prejudica o meio ambiente", denuncia o comerciante Robério Menezes, que mora próximo ao local.

Segundo a dona de casa Amélia Belém, que é vizinha deste ponto turístico cratense, na época de cheias, o problema de sujeira se intensifica. "A gente encontra muita garrafa pet, lata de cerveja, saco", descreve. Além disso, ela conta que, no local, é comum haver rituais religiosos que acabam deixando velas acesas próximas à vegetação. Isso, junto aos churrascos que realizam nos fins de semana, já causou princípio de incêndio. "É até perigoso.", alerta. "Vem gente de fora conhecer a cascata, em busca de um lugar limpo, tranquilo, mas, a realidade é outra. Tem até casos de assalto durante a semana", ressalta Robério.

"Seja defensor da natureza. Não jogue lixo", "Colocou na lixeira? Então tá certo", advertem duas placas feitas pelos moradores. Amélia e sua família realizam um mutirão de limpeza no local, já que os usuários não têm a mesma visão de preservação.

"A gente mesmo faz a limpeza. Pega o saco e traz aqui para ficar menos feio. Antes, há uns 10 anos, havia mais cuidado. Na época, não tínhamos lixo descartável e aqui não era tão frequentado. Devido às redes sociais, hoje vão colocando fotos. As pessoas vão vendo e vai ficando tumultuado. À noite, às vezes vem carro com som insuportável. Não tem nenhum órgão que venha dar uma olhada, fiscalizar", garante a dona de casa.
Além de um dos principais locais de lazer, a Cascata do Lameiro recebe excursões de estudantes, pesquisas e turistas. "Eles encontram o rio como uma lixeira", lamenta Amélia. Apesar da atual situação, ela acredita que o lugar tem potencial para ser bem frequentado. "Aqui é muito bonito na época do inverno, mas fica desprezado", completa. De acordo com Robério, não existe fiscalização, seja de órgãos municipais ou da Polícia Ambiental. "Eles não ligam. Está abandonado. A gente já pediu para o pessoal vir aqui olhar, trazer algum benefício", acrescenta.

Apesar de ser um dos principais pontos turísticos do Crato, a estrada que dá acesso à Cascata está com muitos buracos e pedras soltas, oferecendo risco aos moradores e visitantes. Na ponte sobre o Rio Batateiras, por exemplo, a passagem molhada fica ainda mais esburacada por conta dos veículos estacionado enquanto são lavados. "Isso prejudica o comércio por causa do acesso que é difícil, principalmente no domingo, quando muita gente toma banho, colocando carro e moto de um lado e de outro. Na hora de passar, pode cair dentro do buraco. Já houve caso de quebrar o carro. Isso diminui o fluxo de clientes", explica Robério, que tem um restaurante no Sítio São João.

Prefeitura garante que faz  Coleta semanal

O titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Territorial (Semadt), Brito Júnior, garantiu que há uma coleta semanal de lixo na Cascata, mas reconhece que devido ao adensamento no sopé da Chapada do Araripe, próximos às nascentes e rios, é preciso uma fiscalização maior. Por outro lado, antecipa que foram licitadas as compras de novas lixeiras, que serão colocadas por lá em até 30 dias. "Infelizmente, os usuários são pessoas que não têm educação ambiental". Junto com a Polícia Ambiental, o secretário disse que pretende melhorar a fiscalização.