21 junho 2018

Algumas palavras III - Por: Emerson Monteiro


Este horizonte de nós mesmos vem a pedir que cheguem as cores da Felicidade. Força descomunal arrasta os acontecimentos aos lugares santos. Ninguém que fuja do determinismo das leis eternas. Ordens e equilíbrio, tudo enquanto, a fixar normas de ação nem sempre reconhecidas de todos, e aceitam pela maioria. Daí a angústia, desesperos e ansiedade que machucam de gestos impensados o gesto e fazem de sofrimento a estrada dos incautos.

Olhares vagos, pois, no caminho da Eternidade deixam livres sentimentos de leveza que, decerto, lá um dia mostrarão o quanto restava a percorrer. Esquecer a própria existência e sair solto entre os astros do Universo, a braços com a sequência natural de tudo. Largar as amarras que prendiam aos derradeiros meteoritos vagando na gravidade do vento, olhos fixos no término daquilo que jamais terá fim, a ordem dos céus. Ouvidos na música das estrelas, a meio das inspirações que voam absortas no firmamento infinito, e permitir sonhar sonhos de esperança e paz. Luz no coração. Ciência na alma.

Quantas vezes tantas o desejo intenso de largar os rochedos e abandonar às ondas o furor da liberdade, guardadas saudades, esquecidas as histórias de quando o Sol ainda jazia escuro nas trevas e os barcos a sós deixavam rastros nas notas das canções. Flores. Distantes laços deixados abandonados. Sombras. Luzes.

Nisso, o pórtico aberto dos destinos que aguarda a vontade dos que permitem descobrir a si na forma da obediência. Livres dos caprichos individuais e das atitudes abomináveis, reconhecem nas horas a força que tudo determina. Quedam, assim, nas folhas secas das experiências o fascínio dos acontecimentos e aceitam tudo de bom que lhes espera, à medida do conhecimento adquirido e praticado. Acalmam os penhores da força bruta e aceitam de bom grado desvendar o íntimo perfeito da orientação. Isto sem aflição, fiel e contrito, sono dos justos.

Crato, 254 anos -- síntese histórica (por Armando Lopes Rafael)


   
Por volta de 1741, surgem os primeiros registros de um aldeamento dos índios Cariús, pertencentes ao grupo silvícola Cariri. Era a Missão do Miranda, fundada por Frei Carlos Maria de Ferrara, religioso franciscano, nascido na Itália. Este frade ergueu, no centro da Missão, uma humilde capelinha de taipa (paredes feitas de barro) coberta com folhas de palmeiras, árvores abundantes na região. O santuário foi dedicado, de maneira especial, a Nossa Senhora da Penha, a São Fidelis de Sigmaringa e à Santíssima Trindade. Em volta da capelinha, ficavam as palhoças dos índios. Estes, além de cuidarem das plantações rudimentares, recebiam os incipientes ensinamentos da fé católica, ministrados por Frei Carlos. Aos poucos, nas imediações da Missão, elementos brancos foram construindo suas casas. Era o início da atual cidade do Crato. Não padece dúvidas de que o fundador do Crato foi o Frei Carlos Maria de Ferrara.

 Vila Real do Crato
Em 21 de junho de 1764, a Missão do Miranda foi elevada à categoria de Vila, tendo seu nome mudado para Vila Real do Crato, em homenagem à homônima existente no Alentejo português. Com isso se cumpria o Aviso de 17 de junho de 1762, dirigido pela Secretaria dos Negócios Ultramarinos ao Governador de Pernambuco. Mencionado aviso autorizava o governador a criar novas vilas no Ceará, recomendando, entretanto, substituir a denominação dos povoados com nomes de localidades existentes em Portugal. A partir daí, a Vila Real do Crato foi trilhando a senda do processo civilizatório, sempre inspirado no que vinha de bom do Reino, ou seja, do que chegava da metrópole portuguesa. A marca do pioneirismo passaria a caracterizar a existência do Crato, como veremos nas linhas seguintes.

Anseios libertários
No primeiro quartel do século XIX, a Vila do Crato já se sobressaía entre as congêneres interioranas do Nordeste brasileiro. Residiam na vila, ou nas suas adjacências, famílias abastadas, possuidoras de patrimônio amealhado quase sempre, à custa das fainas agrícolas. Alguns jovens dessas famílias tinham o privilégio de aperfeiçoar seus conhecimentos em escolas da longínqua capital da Província de Pernambuco. Para lá se deslocavam, em longas e penosas viagens que duravam semanas. Sempre feitas em lombo de animais. Alguns desses estudantes retornavam ao torrão natal impregnados de ideias libertárias, assimiladas nas sociedades secretas, existentes em Olinda e Recife. Sonhavam esses jovens com um Brasil independente da metrópole portuguesa. Alguns iam mais longe. Acalentavam o sonho de mudar a forma de governo, substituindo - num eventual Brasil soberano - a monarquia pela experiência republicana já testada nos Estados Unidos da América e França.

Esses sonhos libertários resultaram no primeiro confronto ideológico ocorrido no Cariri. Os liberais eram liderados pelo subdiácono José Martiniano de Alencar, estudante do Seminário de Olinda e adepto dos princípios republicanos e laicos da Revolução Francesa de 1789. Foi este jovem enviado pelos líderes da Revolução Pernambucana de 1817, para deflagrar o processo revolucionário no conservador Vale do Cariri. Num gesto audaz e corajoso, no dia 3 de maio de 1817, José Martiniano de Alencar proclamou do púlpito da Matriz do Crato a independência do Brasil, sob o regime republicano.

A contrarrevolução veio rápida. Oito dias depois, Leandro Bezerra Monteiro, o mais importante proprietário rural do Cariri, dotado de profundas e arraigadas convicções católicas e monarquistas, pôs termo ao sonho do jovem José Martiniano de Alencar. Os revolucionários foram presos e enviados para as masmorras de Fortaleza e posteriormente para as de Salvador, na Bahia. Entre os prisioneiros estavam Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e Dona Bárbara de Alencar, irmão e mãe de José Martiniano. Após sofrerem as agruras das prisões, por cerca de quatro anos, os revolucionários cratenses foram anistiados pela autoridade real. Por sua lealdade à Monarquia, Leandro Bezerra Monteiro, foi agraciado, pelo Imperador Dom Pedro I, com o posto de Brigadeiro, o primeiro título de General-Honorário a ser concedido no Brasil.

Um herói chamado Tristão
Em 1824, eclode nova revolução republicana em Pernambuco denominada "Confederação do Equador". Este movimento uniu algumas lideranças das províncias de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, descontentes com a Constituição outorgada pelo primeiro imperador brasileiro, Dom Pedro I. O movimento repercute intensamente no Crato. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe aderiu, com todo entusiasmo e idealismo, à Confederação do Equador. Em 26 de agosto daquele ano, foi ele aclamado pelos rebeldes republicanos como Presidente do Ceará. Entretanto a reação do Governo Imperial foi implacável. As instruções para debelar o movimento eram assim sintetizadas: "(...) não admitir concessão ou capitulação, pois a rebeldes não se deve dar quartel". Debelado o movimento restou a Tristão Araripe duas alternativas: exilar-se no exterior ou morrer lutando. Escolheu a última opção.

Nas suas pelejas, Tristão colecionou vários inimigos. Dentre eles um rancoroso proprietário rural, José Leão da Cunha Pereira. Este utilizou um seu capanga, Venceslau Alves de Almeida, para pôr fim à vida do herói da Confederação do Equador no Ceará. Tristão Araripe faleceu, em 31 de outubro de 1825, combatendo o grupo armado de José Leão, na localidade de Santa Rosa, hoje inundada pelas águas do Açude Castanhão. Morreu como queria: pelejando, graças a Deus!

O mártir da monarquia
O Cariri continuou, durante algum tempo, dividido entre simpatizantes da ideologia republicana e adeptos da Monarquia. O confronto dessas ideias foi motivo de contendas as mais variadas. Joaquim Pinto Madeira era o que poderíamos chamar de "caudilho". Rico proprietário rural e chefe político da Vila de Jardim era por índole um afeiçoado às coisas da Monarquia. Foi fundador da sociedade secreta "Trono do Altar", que defendia a monarquia absoluta. Lutou ele, ativamente, contra os promotores dos movimentos libertário-republicanos da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador de 1824. Após a derrota da família Alencar, em 1817, coube a Pinto Madeira, à época ocupando o posto de Capitão de Ordenança, conduzir até a cidade de Icó os 20 malogrados presos políticos. Provavelmente, durante o percurso, esses prisioneiros sofreram humilhações por parte do caudilho. O que era esperado, face ao temperamento belicoso de Pinto Madeira.

Em 1831 o imperador Dom Pedro I abdica do trono brasileiro e volta para Portugal, onde toma o nome de Dom Pedro IV. Os adversários de Pinto Madeira aproveitaram esse acontecimento para dele se vingar. Acuado, o caudilho, com a ajuda do vigário de Jardim, Padre Antônio Manuel de Sousa, armou cerca de dois mil homens, a maioria com rudimentares espingardas, e invadiu o Crato, em 1832, para dar caça aos seus inimigos liberais. Dizem que de tanto abençoar as espingardas dos jagunços e, na falta destas, dar bênçãos a cacetes (pequenos bastões de madeira) o Padre Antônio Manuel de Sousa ficou conhecido como "Padre Benze-Cacetes". 

Pinto Madeira e o Vigário Manuel foram vitoriosos no Crato, mas logo começaram a sofrer reveses. Terminaram por se render ao General Pedro Labatut, um mercenário francês que atuava no Brasil, desde as lutas pela independência. Presos, ambos foram enviados para Recife e depois para o Maranhão. Pinto Madeira retornou preso ao Crato, em 1834, onde, num júri parcial - composto por antigos inimigos seus - foi condenado à forca, sentença posteriormente comutada para fuzilamento, em face de o réu ter alegado sua patente militar de Coronel.

"Morreu virilmente Pinto Madeira. Conta a tradição, ouvida por mim desde menino, que momentos antes do fuzilamento, ofereceu-lhe um lenço, para que vedasse os olhos, um dos seus mais implacáveis inimigos. Recusou o condenado a oferta (...) Durante anos a fio, fez-lhe promessas o rude povo do sertão, considerando-o um mártir, isto é um santo?".
(Cfe.Irineu Pinheiro, "Joaquim Pinto Madeira" Imprensa Oficial do Ceará. Fortaleza, 1946, página 21).

 Um sonho não concretizado: Crato capital do Cariri
Já em 1828, a Câmara de Vereadores do Crato encaminhava representação ao Governo mostrando a oportunidade de criação da Província do Cariri Novo. Não foi atendida nessa pretensão. A ideia voltou à tona, em 14 de agosto de 1839, quando o senador José Martiniano de Alencar, do Partido Liberal, apresentava no Senado do Império do Brasil projeto de lei cujo artigo 1º dizia textualmente: "Fica criada uma nova província que se denominará Província do Cariri Novo, cuja capital será a Vila do Crato".
Os demais artigos desse projeto de lei tratavam sobre os limites geográficos da nova unidade do Império do Brasil que incluíam municípios do sul do Ceará e os limítrofes das Províncias da Paraíba, Pernambuco e Piauí. Com a ascensão do Partido Conservador ao poder, o projeto de lei não prosperou. Anos depois, através do jornal "Diário do Rio de Janeiro", voltava o senador Martiniano de Alencar a defender sua ideia de criação da Província do Cariri. Tudo ficou só num sonho.

O pioneirismo do Crato
As brigas fratricidas ficam para trás. Em 1855, a 7 de julho, é fundado no Crato o primeiro jornal do interior do Ceará. Trata-se do semanário "O Araripe" cujo proprietário é o jornalista João Brígido dos Santos, ligado ao Partido Liberal. No último quartel do século XIX, a população do Crato já não se ocupa das brigas políticas. A sociedade cratense volta suas vistas para conquistas no campo da educação que perduram até os dias atuais. Em 1874, o primeiro bispo do Ceará, Dom Luiz Antônio dos Santos, atendendo à sugestão de um filho do Crato, Padre Cícero Romão Batista, fixa residência temporária nesta cidade, com o objetivo de construir um Seminário, a funcionar como um suplementar do Seminário Episcopal, existente na sede da diocese, Fortaleza, distante cerca de 600 Km do Cariri. Em 1º de março de 1875, ainda de forma precária, o Seminário São José do Crato é colocado em funcionamento.

Em 8 de dezembro de 1908, o vigário Pe. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, convoca as autoridades e lideranças da cidade, com o objetivo de solicitar ao Bispo do Ceará encaminhar a Santa Sé o pedido de criação da diocese do Crato. É formada uma comissão com as lideranças e os notáveis da terra para os trabalhos preparatórios da nova diocese.

Em 20 de outubro de 1914, o Papa Bento XV, através da Bula "Catholicae Ecclesiae", cria a diocese do Crato, a primeira do interior do Ceará. Em 10 de março de 1915, o vigário Quintino é preconizado primeiro bispo da nova igreja particular. A partir de então, diversas iniciativas da Diocese do Crato são responsáveis pelo surto de progresso sentido na cidade. Uma delas a criação, em 1921, da primeira instituição de crédito do Sul do Ceará, o Banco do Cariri, que presta grandes benefícios ao comércio e à lavoura da região.

Em 1922, Dom Quintino torna-se o pioneiro do ensino superior, no interior do Ceará, porquanto dota o Seminário São José de Curso Teológico. Este, subdividido em Curso de Filosofia, feito em dois anos, e Curso de Teologia, em quatro anos, proporciona ao novo presbítero receber no Crato a licenciatura plena. Dom Quintino planta, assim, a semente germinativa da Faculdade de Filosofia do Crato (criada em 1959) que foi, por sua vez, o embrião da atual Universidade Regional do Cariri (URCA), criada em 1986. Esta universidade leva a instrução superior in loco à vasta área do Estado do Ceará. E recebe no Crato alunos residentes nos Estados do Piauí, Paraíba e Pernambuco. Hoje, o Crato é um dos mais importantes polos do ensino universitário, no Nordeste brasileiro.

Encerremos com outro registro. Em 1946, há mais de sessenta anos, quando não se fala em ecologia ou biodiversidade, o Crato é palco de nova ação pioneira. Através do Decreto n° 9.226 de 02 de maio de 1946, o Governo Federal cria a primeira reserva florestal do Brasil. Trata-se da Floresta Nacional do Araripe, que tem boa parte da sua reserva encravada no Município do Crato. Constituída por mata primária, clima ameno, além de possuir boa variedade de fauna e flora nativas, fontes naturais, pequenas grutas e fósseis, a Floresta Nacional do Araripe vem permitindo a pesquisa científica, recreação e lazer, educação ambiental, manejo florestal sustentável e turismo.
É o Crato pioneiro. Sempre à frente dos acontecimentos futuros...

Texto: Armando Lopes Rafael , historiador.

Após prender contrabandista, Colômbia devolve sete fósseis do Cariri para o Brasil

Fonte: "Folha de S.Paulo", 21-06-2018.

Sete fósseis que fazem parte do patrimônio arqueológico brasileiro, oriundos da região do Cariri, no Ceará,  foram devolvidos nesta quarta-feira (20) pelo governo da Colômbia, após este país ter preso, no ano passado, um contrabandista, informou o Ministério das Relações Exteriores colombiano.

"As peças paleontológicas fazem parte da Formação Santana, localizada na região Nordeste do Brasil, e sua restituição tem uma importante conotação científica para o estudo dos seres vivos que habitaram o atual continente sul-americano, quando ainda não havia sido separado por cheio de África", afirmou a chancelaria em um comunicado. Os fósseis foram confiscados em dezembro de 2017 de um cidadão coreano na cidade de Cúcuta, na fronteira com a Venezuela, informou a polícia alfandegária encarregada da investigação à agência AFP.
Fósseis pertencentes à Formação Santana, do Geopark Araripe, no sul do Ceará, que foram devolvidos ao Brasil pelo Colômbia, após este país ter prendido um contrabandista - AFP

As autoridades colombianas detectaram ossos escondidos em pedaços de papelão nas malas do contrabandista, que entrara no país por via aérea pela Venezuela e pretendia levar os fósseis para os Estados Unidos. Depois de realizar as verificações correspondentes com o serviço geológico, a chancelaria concordou com as contrapartes brasileiras no retorno dos fósseis. Durante a entrega dos artefatos paleontológicos, as autoridades colombianas também apresentaram o crânio do "Callawayasaurus colombiensis", que permaneceu na Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA), por mais de 50 anos, e que, em março, foi devolvido voluntariamente por essa instituição para a Colômbia, com a colaboração da embaixada dos Estados Unidos.

A saída de fósseis do Brasil sem autorização do governo é proibida desde 1942. Mesmo depois de tanto tempo, a remessa ilegal de riquezas pré-históricas ainda é intensa.O local mais visado pelos contrabandistas de fósseis no Brasil é o Geopark Araripe, com sede em Crato,Ceará, onde se encontram fósseis muito bem conservados, inclusive contendo tecidos moles e padrões de cores originais.

Carta a Jesus -- por Dom Fernando Arêas Rifan (*)

                                                                                                                                                                 
       
Nos tempos atuais, onde impera a intolerância, o espírito de crítica, a ausência de respeito e caridade, aliados à falta de fé, podemos usar um pouco a imaginação para refletir.

            CARTA A JESUS DE NAZARÉ
Jerusalém, ano 30. “Quem lhe escreve é um discípulo e ouvinte assíduo seu, para reclamar de algumas coisas, com as quais não concordo, e não só eu, como vários dos meus amigos, seus discípulos”.
            “Como é que o Sr., sendo o Filho de Deus, onisciente e onipotente, pôde convocar tais pessoas para serem seus Apóstolos, fundamentos da sua Igreja!? Como é que Sr. escolhe esse tal de Simão, homem ignorante, fogoso, inconstante, inconfiável, e ainda lhe faz ser o fundamento da sua Igreja, entregando-lhe as suas chaves?! Como é que o Sr. escolhe Tiago e João, dois gananciosos, ambiciosos dos primeiros lugares e temperamentais, por isso mesmo apelidados de ‘filhos do trovão’, além do fato de João ser imaturo?! E como é que o Sr. convida um tal de Tomé, um questionador, que tem tendência a discutir ordens, disposto a ausências injustificadas, para segui-lo e ser seu Apóstolo da Fé? E Simão, o zelote, ligado a ambientes radicais e extremistas?! E Natanael, um desbocado e desrespeitoso?! E Levi, um financista?!”

            “Pior! Como o Sr. escolhe um tal de Judas Iscariotes, que todos sabemos ser amante do dinheiro, ladrão e, ainda por cima, lhe confia a tesouraria dos Apóstolos [Jo 12, 6], podendo assim desviar o nosso dízimo e ofertas para finalidades escusas?! Estou mesmo fazendo uma campanha entre meus amigos para não mais colaborarmos com a bolsa dos Apóstolos!”

            “Como é que, sabendo de tudo isso, como eles são, o Sr. ainda diz a eles: ‘Quem vos ouve a mim ouve, quem vos despreza a mim despreza’?! Nós amamos e ouvimos o Sr., mas a esses!? Como ouvi-los?! Como não os desprezar? Eles não nos representam!”

             “E tem mais. Como é que o Sr. se mistura com os pecadores e até toma refeição com eles, comprometendo assim sua reputação e a nossa, seus discípulos? “Por que o Sr. permite tantos pecadores em nosso meio? Já imaginamos como será a sua Igreja no futuro!”
            “Francamente!!! Sentimos o nosso dever de resistir a essa iniquidade! Non possumus!”

            RESPOSTA DE JESUS

“Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são os meus!” (Is 55, 8). “Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos; eu não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mc 2, 17). “Com o mesmo julgamento com que julgardes os outros sereis julgados; e a mesma medida que usardes para os outros servirá para vós. Por que observas o cisco no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no tem próprio olho? (Mt 7, 2-4). “Ai de vós,... hipócritas,,... filtrais o mosquito, mas engolis o camelo” (Mt 23, 23). “Os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (Mt 21, 31). “Deixai crescer o joio e o trigo até à colheita” (Mt 13, 30). “O Reino dos Céus (a minha Igreja) é semelhante a uma rede lançada ao mar e que pegou peixes de todo tipo... No fim do mundo, os anjos virão para separar os maus dos justos” (Mt 13, 47-50).

(*) Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

19 junho 2018

Quando a cabeça é maior do que o corpo: plebiscito para privatizar estatais entra na pauta para a disputa eleitoral no Rio Grande do Sul

Fonte: jornal "Estado de S.Paulo", 19-06-2018


No Brasil as despesas com o inchaço da máquina pública não acompanham a arrecadação dos tributos. E já temos a maior carga tributária do mundo.

Porto Alegre, 19 - Em meio a uma aguda crise financeira, o Rio Grande do Sul precisa vender estatais como contrapartida para receber ajuda federal. A questão, no entanto, opõe os principais pré-candidatos ao governo gaúcho. Enquanto os postulantes do PSDB e do PP ao Palácio Piratini se manifestam a favor da ideia, petistas e pedetistas não concordam com as privatizações. A Constituição gaúcha exige que a venda das estatais de energia seja aprovada em plebiscito. E a gestão do governador José Ivo Sartori (MDB) -- que, até o momento, não confirma nem descarta sua candidatura à reeleição -- escolheu privatizar a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), a Companhia Riograndense de Mineração (CRM), considerada uma estatal de energia por se dedicar à extração de carvão mineral, e a Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás).

A Carta estadual exige plebiscito também para a venda do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), da Companhia Riograndense de Saneamento (Consan) e da Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul (Procergs). O Rio Grande do Sul é o único Estado do País que exige plebiscito para autorizar privatizações.No dia 5, Sartori sofreu uma dura derrota na Assembleia Legislativa, quando os deputados estaduais negaram uma antecipação da realização de plebiscito sobre as privatizações que ocorreria junto com as eleições, que faria com que a consulta popular fosse realizada juntamente com as eleições de 7 de outubro.

Os pré-candidatos ao governo gaúcho Eduardo Leite (PSDB), Luis Carlos Heinze (PP), Mateus Bandeira (Novo) e Luiz Portella (PMB) afirmam que são a favor da venda e que proporão o plebiscito assim que possível, caso sejam eleitos. O tucano, porém, não concorda com a consulta em conjunto com a eleição para governador. Já para Heinze, o plebiscito poderia ocorrer em outubro - tanto que seu partido votou a favor disso na Assembleia Legislativa. Miguel Rossetto (PT), Jairo Jorge (PDT), Abigail Pereira (PCdoB) e Roberto Robaina (PSOL) se declaram contra qualquer privatização e seus partidos atuaram para barrar as tentativas do governo na Assembleia.

18 junho 2018

Aprovação do aborto na Argentina: Brasil põe a barba de molho – por Armando Lopes Rafael


       Impactado pelo fato de a Câmara dos Deputados da Argentina ter aprovado a descriminalização do aborto, aqui no Brasil, nesta 3ª feira, 19 de julho de 2018, será feita, em Brasília, a11ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida. Trata-se de uma manifestação realizada pelo movimento Brasil sem Aborto

       Os manifestantes pressionarão deputados a aprovarem o Estatuto do Nascituro (PL 478/2007), que proíbe o aborto sob quaisquer circunstâncias, inclusive em caso de estupro.
      Alguém poderá objetar: E precisa dessa manifestação?
    Pouca gente sabe que o PSOL – partido da “esquerdona” radical – vem questionando a constitucionalidade de artigos do Código Penal que preveem pena de prisão para as mulheres que cometerem aborto nos casos não autorizados pela lei brasileira. Atualmente, no Brasil, o aborto só é permitido em caso de estupro, fetos anencéfalos ou para salvar a vida da gestante. O texto está tramitando no congresso Nacional. E será debatido nos dias 3 e 6 de agosto próximo, em audiência convocada pela ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber.
      Esses debates deverão auxiliar a ministra na elaboração do seu voto sobre a questão, ainda sem data marcada para julgamento. O fato é que teremos muitas manifestações de ativistas contra e a favor da liberação do aborto. Aliás, dois candidatos à Presidência da República, nestas eleições do próximo mês de outubro, já declararam – em reuniões privadas – serem favoráveis à descriminalização do aborto: Ciro Gomes, do PDT (conforme vídeo que circula nas redes sociais) e Guilherme Boulos, líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) candidato do PSOL.
      Muita água ainda vai correr debaixo da ponte neste 2018...

Sucatas humanas - Por: Emerson Monteiro


E seres tão parecidos... Tão iguais... Iguais? No entanto nunca foram de distância tamanha, porquanto nos livros antigos eram bem menos os habitantes da Terra. Uns, cheios de ladrilhos e flores; outros, bactérias de beira de esgoto, debaixo das pontes largados fora, quais inúteis, enferrujados, extremas de uso, desiguais. Os velhos humanos, os homens-objeto desta era de tecnologia inigualável, exatidão matemática da produção meticulosa e farta, porém fouxa na fé, insegura na sinceridade; monturos de lama na moral e nos costumes; de ética impossível, improvável na correlação de forças da imperfeição desvairada. Eles, nós, mais uma vez, ais dos apocalipses em elaboração, apenas baixamos a cabeça e seguimos os apetites da sorte.

Indignação de quando vemos o abismo que circula as histórias narradas com indiferença. Vemos as pobres alimárias voltadas adentro e esquecidas do final que lhes aguarda; do jeito que aguarda os que são atirados nos campos abandonados lá longe. As limitações dos tais valores morais que praticamente sumiram nas curvas das doutrinas. Fusão de necessidades com o egoísmo, os homens deste momento, salvas raras exceções, trabalham no sentido das vaidades e dos apegos. Desejo pelo desejo. Prazer pelo prazer. Ilusão pela ilusão. Máquinas de angariar sobrevivência a todo custo, vestem zumbis de quatro patas que vagam nas noites, soltos nas nos institutos e sensações. Reis dos planos funerários, adoçam de fel os pastos no suor do rosto alheio.

Autores desta série, carnívoros obesos da fama e dos penhores, a si pouco importa o preço do que venham obter nos mercados em brasa. Querem chamas, querem fervor, sem saber do mar e da temperatura. Bom, parar, ficar quieto e esperar. Existe, contudo, o setor interno, lugar próprio dos indivíduos; a liberdade, no seio de quem fermenta a salvação. Na Natureza, desde sempre, o procedimento do Poder sobre poderes menores, isto também em nós qualquer um. Há nova história, a contar as folhas desta floresta, o infinito das existências. 

(Ilustração: Pieter Bueguel o Velho, em A dança dos camponeses).

Nunca antes a situação do Brasil foi pior; e nunca a causa monárquica foi tão viva como agora – por Dom Bertrand de Orleans e Bragança

Nós estamos vivendo dias de trevas. São dias de trevas, não tenham dúvida. Mas no fundo dessas trevas, se começa a ver os primeiros clarões de uma aurora; são os ideais que nunca morreram e que estão voltando


(Excertos das palavras que Dom Bertrand de Orleans e Bragança proferiu durante o banquete comemorativo pelo 80º aniversário do natalício de seu irmão, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança – Chefe da Casa Imperial do Brasil –  realizado no último domingo, dia 3, no Salão Guanabara do Windsor Flórida Hotel, no Rio de Janeiro).

   É em nome de meu irmão Dom Luiz que aqui falo, agradecendo as homenagens feitas por ocasião do seu 80º aniversário. Hoje nós tivemos uma Santa Missa, que é o ponto culminante dessas comemorações, exatamente por que foi oferecido o Santo Sacrifício, diante da Cruz, nas intenções do Chefe da Casa Imperial, Dom Luiz. Ele que encarna os nossos ideais, que encarna as nossas esperanças. Dom Luiz insiste muito num ponto, que é o fato de haver, em todas as coroas, uma cruz, no alto. Essa cruz tem um duplo significado: 

     Em primeiro lugar, a fidelidade e a fé; a consciência de que um Chefe de Estado – sobretudo um Imperador ou um Rei, mas até o Chefe de Estado em uma República – tem contas a prestar a um Juiz Supremo, infinitamente sábio, onisciente, que ninguém engana, mas que também é infinitamente misericordioso e bondoso. O segundo significado dessa cruz é a disposição que deve ter um Rei, um Imperador ou qualquer Chefe de Estado, como qualquer chefe de alguma instituição, como um pai de família, de crucificar-se por seu povo. Ele deve sacrificar-se por seu povo.   

     É este o exemplo que Dom Luiz sempre nos deu, a nós, seus irmãos, e aos monarquistas, e é justamente daí que vem esta grande vitalidade da causa monárquica nos dias de hoje. Nunca a causa monárquica foi tão viva como nestes dias. Nunca nossa situação foi pior, mas nunca a causa monárquica foi tão viva. Por ocasião do Plebiscito, pelo fato de termos obtido apenas 13% dos votos, muitos disseram que era a “pá de cal” nas esperanças monárquicas do Brasil... Não foi! Foi uma primeira vitória.

     Antes do Plebiscito, a perspectiva de uma restauração monárquica era vista como um sonho de uma noite de verão de alguns saudosistas. Depois do Plebiscito, passou a ser vista como uma alternativa, e, por um número crescente, como uma esperança. E nós vemos que essas esperanças vão se realizando, sobretudo – o que impressionou a muitos os repórteres que estavam aqui presentes –, foi no número de jovens partiipantes. É um Brasil novo, que está renascendo.

     Nós estamos vivendo dias de trevas. São dias de trevas, não tenham dúvida. Mas no fundo dessas trevas, se começa a ver os primeiros clarões de uma aurora; são os ideais que nunca morreram e que estão voltando. São os ideais cristãos, os ideais católicos. São os filhos de Deus que encaram a realidade com a fé, com a coragem e com a certeza de que os ideais católicos nunca vão ser derrotados.

     O futuro está do nosso lado. O futuro está com aqueles que querem a restauração da boa ordem posta por Deus na Criação. Isto é, uma ordem monárquica, porque a sociedade não é republicana. A primeira entidade, a base da sociedade, qual é? É a família. E qual é a estrutura interna da família, por instituição divina? Na família, o pai é rei, a mãe é rainha e os filhos são os príncipes herdeiros. Vá numa família, vá numa escola, vá numa padaria, vá numa fazenda... vá em qualquer lugar do mundo, e as utopias republicanas não se consideram mais!

     Ninguém mais acredita nos políticos, ninguém mais acredita nos esquemas republicanos, ninguém mais acredita no igualitarismo. Pelo contrário, o mundo está ávido de uma restauração de um regime que venha ao encontro dos seus sonhos, da sua mentalidade, da sua índole cristã, sua índole hierárquica, algo maravilhoso.

    A todos eu agradeço, em nome de Dom Luiz, por essa homenagem que foi feita a ele em seu 80º aniversário, e continuemos com a batalha".

17 junho 2018

Ilusão e realidade - Por: Emerson Monteiro



Não viemos aqui para aprisionar, / Mas sim para nos entregarmos cada vez mais profundamente à liberdade e alegria./ Não viemos a este mundo extraordinário / Para nos mantermos reféns apartados do Amor.   Hafez

Maya, assim os hindus denominam a ilusão. 

Certa feita presenciei uma palestra do filósofo Huberto Rodhen, nos idos de 1978, em Salvador. Abertas as perguntas, da plateia alguém perguntou: - Se a ilusão não existe, por que nos preocuparmos com ela? De logo veio a resposta do palestrante, de que a ilusão existe, sim. Que se manifesta no mundo físico e causa suas marcas no processo das existências. Se não, o que nos permitiria conhecer a sua presença junto das cogitações humanas? No entanto, ela não tem perenidade, esvai no tempo donde viera, deixando tão só consequência e rastros pelos caminhos dos que lhe sejam vítimas.

Tal qual fogo fátuo, rebrilha nas noites da ignorância dos que carecem da Luz, a fascinar incautos, fantasiar atitudes, demonstrar possibilidades inconsistentes, arrastando consigo almas mil aos laços das fragilidades, do fastio. Nada parece tanto com a verdade quanto a mentira, dizem os sábios. Iscas de perdições, alimentam efeitos e sensações e consome incautos naquilo de mais precioso, em que aqui permanece na intenção de evoluir.

Enquanto a Realidade significa o caminho das transformações, sentido único do aprimoramento dos espíritos mediante empenho e dedicação, fruto da busca incessante da Eternidade. Deus não castiga ninguém. As pessoas saem do caminho e encontram o castigo, este sendo o instrumento de desencanto e de regresso ao sentido da realização do Ser. 

Nisso eis as leis essências da Natureza a que tudo e todos obedecem. Perante a sujeição da ilusão, há limitações temporais, ensejando meios de revelar em si a Consciência. Formas perfeitas desta evolução, nesse claro/escuro das percepções lá um dia descobrimos que o mal é a ausência do Bem. Da desilusão nascerá o vazio a preencher com a libertação das paixões ilusórias. Da escuridão virá a Luz na consciência.

15 junho 2018

Encontro Monárquico no Rio de Janeiro – por José Luís Lira (*)



  Nos dias 2 e 3 últimos, estive no Rio de Janeiro, que com todos os tropeços de má-gestão que tem passado, continua lindo! Comentei aqui na coluna que de 18 a 22/05, havia ido ao Rio para eventos da Nobre e Pontifícia Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém. Neste Encontro, representando além de mim, os colegas Cícero Moraes e Marcos Paulo Machado, fiz a entrega da imagem da reconstrução facial de Dom Pedro I a seu tetraneto Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

    O Encontro Monárquico foi palco para discussões de ideias e projetos para o Brasil. Este ano, além do encontro, tínhamos razão muito especial. Celebrar os 80 anos de Sua Alteza Imperial e Real Dom Luiz de Orleans e Bragança (Dom Luiz Gastão Maria José Pio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança), Chefe da Casa Imperial do Brasil. O tratamento ao Príncipe é Alteza Imperial, por ser ele tetraneto do fundador do Império Brasileiro Dom Pedro I, e Real por descender do Rei Luís Filipe I, da França, e do Rei Luís III, último monarca da Baviera. Se vivêssemos a forma de governo monárquica, Dom Luiz seria chefe de Estado, o Imperador do Brasil, em sistema parlamentarista, como o foi desde o início e como o será um dia.

     Instaurada a República, a Família Imperial Brasileira foi banida pelo governo que confiscou e leiloou seus bens. Em 1890, treze leilões de bens da Família Imperial foram realizados, sem contar com os que ficaram em poder do governo, como o Paço Princesa Isabel, localizado na atual Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, objeto da mais antiga ação judicial do Brasil, visto que ele fora construído com recursos do casal Princesa Isabel e Conde d’Eu. Em 1920, por decreto de 3 de setembro, o presidente Epitácio Pessoa revogou o banimento e a família pode voltar ao Brasil, mas, não a reconheceu, nem lhe devolveu os bens.

     A Constituição de 1891, primeira de 7 (sete) Constituições  que surgiram na República, enunciava que “não poderão ser admitidos como objeto de deliberação, no Congresso, projetos tendentes a abolir a forma republicano-federativa, ou a igualdade da representação dos Estados no Senado”. As seguintes, de 1934, 1946, 1967 e a Emenda nº 1 de 1969, para muitos, constituição, continham a cláusula. Quando da elaboração da atual Constituição, o herdeiro do trono brasileiro, Dom Luiz de Orleans e Bragança, escreveu a “Carta aos Srs. Membros da Assembleia Nacional Constituinte”, expondo a injustiça e o aspecto antidemocrático que se mantivesse essa Cláusula Pétrea, visto que todas as colorações receberiam anistia. Revogada a Cláusula, fruto do trabalho de D. Luiz, foi convocado, para 1993, plebiscito para decidir entre a República e a Monarquia, promessa feita pela República logo após o golpe de estado de 1889 e só cumprida 104 anos depois. A partir daí os núcleos monárquicos existentes de multiplicaram por todo o País e hoje se pode discutir esses temas livremente.

    Fui informado de matéria que desvirtuou o verdadeiro sentido do Encontro. Não a li, porque, certamente, quem a escreveu desconhece nossa história, os valores reais do Brasil.

    Resta, portanto, desejar vida longa a Dom Luiz de Orleans e Bragança e ao seu irmão, Dom Bertrand, seu representante no Rio de Janeiro.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

Um depoimento sobre Miguel Arraes -- por Barbosa Lima Sobrinho (*)

Abaixo, tópicos de uma entrevista feita com Barbosa Lima Sobrinho
Miguel Arraes de Alencar quando foi Governador de Pernambuco pela 1ª vez (1962-1964)

C.C. - E o Arrais era ligado ao PSD?
B.L. - O Arrais era mais ligado a mim do que ao PSD, porque, primeiro, ele fez concurso para o Instituto do Açúcar.

C.C. - Arrais estava na Fazenda, não?
B.L. - O Arrais foi para a Fazenda. Conheci Arrais no Instituto do Açúcar, onde colaborou comigo em várias oportunidades. Quando entrei no Instituto, ele tinha feito concurso e estava trabalhando lá. Depois, dentro das funções do seu cargo, ele foi incumbido de alguns relatórios, que li. Em administração leio muito os relatórios e faço muita questão de conhecer o funcionalismo com que estou lidando. Fui apreciando a sua inteligência e, sobretudo, o seu equilíbrio e sensatez. É um homem profundamente sensato. Daí então eu tive oportunidade, posteriormente, de fazê-lo gerente da delegacia do Instituto do Açúcar no Recife.

Ele continuou a se destacar. Depois, o Instituto foi-se desenvolvendo, e eu tive necessidade de assessores para ajudar a solucionar os problemas em que nos metemos durante a guerra: o racionamento do álcool e do açúcar. Tivemos problemas muito sérios durante o período da guerra. Então chamei Arrais para o Rio como assessor da presidência, e ele trabalhou aqui durante um período.

Esse relacionamento antigo que eu tinha com ele aumentou com a amizade da senhora dele com minha senhora. Ele era casado com Célia, filha de dona Carmem; uma moça muito inteligente, bonita e de muita segurança de ação. Ao mesmo tempo, muito amiga do Arrais; uma figura realmente extraordinária. Minha senhora tinha uma grande amizade por ela.

Quando fui para lá, eu saía do Instituto do Açúcar e, de certo modo, queria dar um testemunho do apreço ao pessoal do Instituto. Então levei o Arrais para secretário da Fazenda. Ele foi, aliás, um excelente secretário da Fazenda, homem de uma grande honestidade e de muita dignidade. Não tenho nada do que me queixar da ação dele na Secretaria da Fazenda, pois sempre correspondeu ao que eu podia desejar de um bom secretário dessa pasta: meticuloso, exato, vigilante.
***   ***   ***

(*) Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho foi um advogado, escritor, historiador, ensaísta, jornalista e político brasileiro. Eleito deputado federal por Pernambuco para o triênio 1935-37, foi escolhido líder de sua bancada, membro da Comissão de Finanças e relator do Orçamento do Interior e Justiça. Foi presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool, de 1938 a 1945, quando tomou posse da cadeira de deputado federal por Pernambuco, na Assembleia Constituinte de 1946. Na Câmara dos Deputados, em 1946, foi membro da Comissão de Finanças e designado relator do orçamento do Ministério da Guerra. Renunciou à cadeira de deputado em 1948, para assumir, a 14 de fevereiro do mesmo ano, o cargo de governador de Pernambuco, exercendo o mandato até 31 de janeiro de 1951.Trabalhou no Jornal do Brasil a partir de abril de 1921, a princípio como noticiarista, mais tarde como redator político e, a partir de 1924, como redator principal. Escreveu, até a data de sua morte, em julho de 2000, um artigo semanal, nesse jornal. Na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), exerceu a presidência nos períodos de 1926 a 1927; 1930 a 1932; a presidência do Conselho Administrativo de 1974 a 1977; e novamente a presidência de 1978 a 2000. Foi proclamado Jornalista Emérito pelo Sindicato da categoria de São Paulo.

Crônica do fim de semana (por Armando Lopes Rafael)

A reparação que Crato fez à memória de Dom Vicente Matos


    Missa pelo centenário de nascimento de Dom Vicente Matos, na 
Sé Catedral de Nossa Senhora da Penha: ao fundo a cadeira onde, tantas vezes,
o 3º Bispo de Crato pregou a doutrina de Cristo 
     Os eventos e solenidades – feitas pela população de Crato, entre 1º e 11 e junho de 2018 – comemorativas ao centenário de nascimento de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos tiveram uma ressonância bem  maior do que se possa imaginar.

     Durante anos, no fecundo episcopado de Dom Vicente, uma minoria da população não teve o respeito devido à pessoa daquele bom pastor de almas. Dir-se-ia que nem só aqueles detratores, mas, também, sobre a boa fama de toda a Cidade de Frei Carlos, caiu o peso de um grande pecado que exigia punição, a não ser que fosse feita  uma reparação pela afronta perpetrada ao “Maior benfeitor de Crato”. 

       É grave qualquer afronta feita a qualquer sacerdote da Igreja de Cristo. Ainda que ele seja um mau sacerdote. Imagine, então, quando as afrontas são feitas a um bispo, e se esse bispo foi  um bom pastor, além de legítimo sucessor dos Apóstolos, prestador de relevantes serviços à Igreja Particular de Crato, mesmo sofrendo injustificável rejeição por parte de uma parcela ínfima do seu rebanho. 

        No livro “Santa Catarina de Sena, “O Diálogo” (Cap. 28. pp. 237-240, Editora Paulus, 9ª edição, São Paulo, 2005) lemos algumas revelações feitas por Deus àquela grande mística da Igreja Católica. A conferir.
   
“ Certa vez eu te manifestei essa verdade numa visão, para indicar o grande respeito que os leigos devem ter pelos ministros, bons ou maus que eles sejam, e quanto me desagrada que alguém os ofenda (...) De fato, é assim que eu quero que aconteça. Pela dignidade e autoridade confiada a meus ministros, retirei-os de qualquer sujeição aos poderes civis. A lei civil não tem poder legal para puni-los; somente o possui aquele que foi posto como senhor e ministro da lei divina. A respeito deles diz a Escritura: “Não toqueis nos meus cristos” (Sl 105, 15). Quem os punir cairá na maior infelicidade”.
“Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: “Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos”! Nem poderá alguém escusar-se, dizendo: “Eu não ofendo a santa Igreja, nem me revolto contra ela; apenas sou contra os defeitos dos maus pastores”! Tal pessoa mente sobre a própria cabeça. O egoísmo a cegou e não vê. Aliás, vê; mas finge não enxergar, para abafar a voz da consciência. Ela compreende muito bem que está perseguindo o sangue do meu Filho e não os pastores. Nestas coisas, injúria ou ato de reverência dirigem-se a mim. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já disse e repito: não quero que meus cristos sejam ofendidos. Somente eu devo puni-los, não outros”.

       Por aí se vê todo o acerto com que as atuais gerações de cratenses tiveram em reparar a memória ultrajada de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, pelas irreverências, deboches e fofocas assacadas contra ele, à época que foi o Bispo de Crato. Que esta reparação mova o coração misericordioso de Jesus Cristo para que nossa cidade não venha a ser castigada pelos pesados pecados aqui cometidos contra a pessoa de um bispo bom, digno e detentor de muitas virtudes...

15 de junho: dia de Santa Germana, Padroeira das crianças vítimas de maus tratos

Santa Germana Cousin

     A sua biografia é constantemente marcada por desgraças, a partir de seu nascimento até sua morte. Não chegou a conhecer sua mãe, que faleceu pouco tempo depois de tê-la trazido ao mundo. Não tinha características físicas muito favoráveis, possuindo uma má-formação em uma das mãos e uma enfermidade crônica originada da subnutrição, a qual prejudicava sua visão e movimentos faciais. O pai não a amava e a madrasta a maltratava demasiadamente.

Devido a seu físico, não se cogitou casamento para ela. O pai sequer permitiu que frequentasse a escola do vilarejo, colocando-a exclusivamente para realizar os serviços domésticos e cuidar dos rebanhos da família. Muitas vezes dormia na estrebaria para amenizar seu sofrimento.

Só lhe era permitido sair de casa para ir à Igreja. Ninguém a acompanhava, pois, seu pai a tinha como motivo de vergonha, apesar de não ser muito notada. Muitos habitantes do vilarejo a chamavam de “Germana aleijada” ou “Germana imprópria”. Mas sua fé e capacidade de aprendizagem eram enormes e suportava tudo.

Naquela época, na França, dentro do contexto da ‘’guerra religiosa” entre católicos e calvinistas, uma trágica crise atingia a aristocracia, dividindo-a em duas partes segregadas entre si. Germana, a dedicada “pastora pobre”, como a define Henri Gheon em uma de suas biografias, frequentava assiduamente a igreja paroquial de Pibrac, o seu vilarejo-natal, recebendo lá uma forte e esmerada educação religiosa. Tornou-se uma amável pregadora da palavra de Deus e uma catequista espontânea dos mais pobres. Tentou converter seu pai e sua madrasta, mas tudo foi em vão. Vivia acompanhada, em suas campanhas de pregação, de crianças e pobres.

Suas atividades religiosas eram muito variadas: um dia ia à Missa, outro dia recitava o Rosário e o Ângelus. Faleceu silenciosamente em 15 de junho de 1601, na estrebaria que tanto frequentava.

Depois de 40 anos de sua morte, seu corpo foi exumado e ainda estava completamente incorrupto. A veneração logo foi estabelecida por força de lei canônica e o processo de canonização foi iniciado.

Em 1867, foi declarada Santa pelo Papa Pio IX. Uma Basílica foi erigida em sua homenagem na sua cidade de origem, onde ainda repousam suas relíquias. É a padroeira da Diocese de Toulouse e de várias paróquias na França. Por causa de sua aceitação a Deus e de seu sofrimento é muito venerada em toda a França.
Imagem de Santa Germana na Catedral de Toulouse

Com privatização prevista para o próximo ano, aeroporto de Juazeiro do Norte receberá 2,8 milhões de pessoas até 2049

Fonte: jornal O POVO, 15-06-2018.

    Equipamento que será concedido à iniciativa privada no início de 2019, o Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, em Juazeiro do Norte, deverá receber 2,8 milhões de passageiros em 2049, quando termina o prazo de 30 anos concessão. O número representa um acréscimo de 2,3 milhões de pessoas em relação à movimentação registrada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em 2017, que totalizou cerca de 500 mil embarques e desembarques.

    A informação é do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. A partir da concessão, como já havia sido divulgado pelo Governo Federal, a previsão é que o Aeroporto receba investimento de R$ 190,6 milhões em melhorias, incluindo a ampliação do terminal, localizado no Cariri Cearense.

     Deste total, 116,2 milhões serão para a primeira fase de expansão, cujas obras devem ocorrer de 2019 a 2025. Na segunda fase, de 2031 a 2035, serão investidos mais R$ 34,4 milhões. Até 2049, ainda estão previstos mais R$ 39,9 milhões para manter o equipamento.

    Ao todo, serão leiloados 13 aeroportos, divididos em três blocos: Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Pelo cronograma do Governo Federal, o leilão será realizado na primeira quinzena de dezembro. A expectativa é aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU) no terceiro trimestre e o edital até o fim de setembro.

     Na região Nordeste, serão concedidos seis aeroportos: Juazeiro do Norte (CE), Recife (PE), Maceió (AL), João Pessoa (PB) e Campina Grande (PB). O valor de outorga estimado para esses terminais é de R$ 3,5 bilhões, sendo o valor pago inicialmente de R$ 360,4 milhões.
Por: Raone Saraiva

Contingências - Por: Emerson Monteiro


Só dizer que está tudo escuro, caótico, é pouco, inútil. Nada, ou beirando a quase nada; pouco. Protestar, mandar mensagens derrotistas, revoltadas, de descrença, o escambau, é pouco, ou quase nada. Perder noites de sono, derramar lágrimas saudosas, deprimir, reclamar do vizinho ao vento é irrisório. Pura perda de tempo, talvez. Que chegamos perto da tal desesperança, disso ninguém tem dúvidas, sobretudo em países antes ditos emergentes; hoje, atrasados mesmo. Crise ética de sérias proporções, eis o diagnóstico deste momento.

Acontece que ninguém chegou a passeio. Sorte significa oportunidade e jamais entrega aos mares bravios da descrença. Tem que lutar, persistir, acreditar; fazer com que acontecem os sonhos do certo, desde o berço. Refazer a paisagem que encontrar. Trabalhar os instrumentos; aprimorar as agruras e utilizar a matéria prima dos milagres e produzir milagres.

Se difícil, nunca impossível. Resta a todos mostrar a cara, ou escondê-la em definitivo na areia da perdição. Usufruir o direito de existir, produzir o futuro desde o que sobrar dos escombros. A liberdade é isto, o que temos a exercer depois das limitações impostas pelos outros e pelo mundo.

Se de todo o corredor ficar estreito, as luzes apagarem, os meios rarearem, tudo fechar a balanço, e nós, os que moram dentro dos personagens que isso testemunham, o que faremos? Uma vez ser ingrato, nem de longe este motivo representa o caos na própria pessoa. Há o agir internamente. Fazer nossa parte no jogo. Ninguém possui nossa capacidade, nossa iniciativa. Se o mundo não mudar, mudemos nós, seus habitantes. Se outros querem assim, que eles o façam. A nós cabe ser diferentes, no mar de lama que restar disso lá fora.

Erguer olhos e ganhar fôlego; a Natureza não tem pressa e oferece todo dia poder infinito aos que pretendem usá-lo com garra, disposição e coragem. Os tecidos necrosados serão extirpados e a vida vem na intensidade que sustenta o Universo. As sementes nascerão cheias de vida. Que sejamos herdeiros da fiel realização do Ser diante desta Realidade em movimento.

14 junho 2018

Segredo das ruas - Por: Emerson Monteiro


Temos três histórias diferentes nesta cidade, de quando aqui cheguei ainda criança pequena, de depois adolescente e inícios da fase adulta, e de hoje, na maturidade. Costumo sair a caminhar pelos mesmos lugares dos instantes dessas horas. As casas, lojas, diagramações, agitações, e eu a percorrê-las de olhos abertos entre as mudanças, transições do calendário. Nisto, regressam as imagens e emoções dos antigamente. Incrível como entranhadas permaneceram, talvez grudadas nas paredes, calçadas, nos calçamentos, ou por dentro da gente (quem sabe?!). Cenas nítidas, claras. Horas inteiras de aflições, alegrias, emoções as mais pujantes, que compõem os quadros do ser interno que insisto em persistir.

Foram, então, tempos vivos que, intactos, continuam. Pessoas. Comércios. Ruídos. Festas. Coletividades. A urbe completa, só que agora multiplicada tantas vezes quantas vidas vividas no seu universo de memórias. Chego até esperar encontrar de novo os personagens que pontilhavam as esquinas, os bares, as praças. Lembro fisionomias, gestos, trajes; no entanto assusta não lhes rever em matéria à medida dessas lembranças tão fortes quanto as mais recentes ora lhes enriquecem.

Paro, às vezes, a contar a mim episódios presenciados, as doutrinas sociais trazidas a público naquelas ocasiões, os dramas que percorriam as fibras dos acontecimentos. Nelas, nas ruas, vivenciara as quermesses, os turnos eleitorais, as procissões, desfiles de 7 de Setembro, apreensões políticas nacionais e internacionais, shows, comícios, equívocos, tragédias e comédias comunitárias bem ali espalhadas no vento das transições dos dias que escorrem.

Largas películas a céu aberto repetem o presente quais sejam eternas, e o presente, este, sim, precisando sobreviver a qualquer custo, ao correr das gerações. Mexe comigo, nos metabolismo das ideais, esses passeios diários através dos lugares iguais e diferentes da velha cidade. As energias que voltam a se encontrar, agora nos céus da consciência, e as transporto nos caminhos, nesses passos em que mourejo.

Certa vez, li que, nas costas do Pacífico, num país da América do Sul, haviam captado sinais de televisão emitidos há mais de quinze anos, que vinham aos pedaços e desmanchavam sem qualquer razão de ser, o que estipularam permanecer circulando no éter até ninguém sabe quanto tempo. Destarte, chego a imaginar a força das emoções e das pessoas, propagada através dos corações e vivendo até quando só ninguém há de saber.

Correios do Brasil lançaram selo comemorativo sobre o Bicentenário da Aclamação de Dom João VI

     O lançamento e o segundo dentro da série: 200 anos da independência do Brasil. Abaixo o texto do edital de lançamento do selo, texto de José Theodoro Menck, Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados
    
      O dia 6 de fevereiro de 1818 foi de grandes festejos na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Dom João VI era aclamado Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, d’Aquém e d’Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.

    Mesmo com a insatisfação dos portugueses, que reclamavam a volta da família real e sentiam-se abandonados pelo monarca, Dom João VI fez questão de ser coroado na América, como ato simbólico de consolidação do Império que aqui viera fundar. Estabeleceu, assim, a inversão da relação metrópole-colônia.

    Apesar da aclamação ter se concretizado no ano de 1818, Dom João chegou ao Brasil em 1808 e logo concluiu que aqui encontraria tranquilidade, fartura e paz, sentindo-se forte e soberano para iniciar sua administração. Instalado no Palácio dos Vice-Reis, recompôs seu ministério, copiando o modelo lisboeta, e logo o pôs a funcionar.

    Primeiro e único rei proclamado na América, Dom João VI traz para a colônia o status de Reino, atraindo o foco do mundo de então para esse imenso e riquíssimo território do Brasil. O monarca promove, de imediato, uma série de atos de incisiva importância na construção do Brasil como nação, que a partir de agora estaria aberto para o mundo. 
     Muitos foram os seus feitos. 

    Ainda na Bahia, Dom João havia aberto os portos brasileiros a todas as nações amigas. Um mês depois da sua chegada, revogou o antigo decreto que impedia a existência de indústrias. Também liberou o plantio de oliveiras e amoreiras, antes proibido, e permitiu a comercialização do trigo do Rio Grande do Sul, que antes servia apenas para consumo local.

     Criou uma escola de cirurgia na Bahia e outra no Rio de Janeiro, que ganhou ainda um curso de economia. Idealizou o Jardim Botânico, onde foram iniciados estudos de aclimatação de novas plantas no país, tais como o chá e a cana caiana. Reformulou osCorreios e instituiu a Biblioteca Pública. Estabeleceu os Tribunais Superiores - cúpulas do Poder Judiciário – como a Casa de Suplicação e Mesa da Consciência e Ordens. Fundou a fábrica de pólvora, a Academia de Marinha e a Academia Militar.

        João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antônio Domingos Rafael de Bragança (Dom João VI) regressou a Portugal em 1821 e faleceu no Paço da Bemposta, em Lisboa, no dia 10 de março de 1826.

        Esta emissão é a segunda de uma série de seis, denominada “Brasil, 200 anos de Independência”, uma parceria entre a Câmara dos Deputados e os Correios que se iniciou em 2017, com o bicentenário da vinda de Dona Leopoldina. Nesta edição de 2018, comemoramos a Aclamação de Dom João VI como Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Os eventos se estenderão até 2022, com os 200 anos da Proclamação da Independência.


13 junho 2018

O mistério de Deus - Por: Emerson Monteiro


Sentara a fim de escrever, mas nem sempre a inspiração ronda por perto. Desliguei a máquina e fui ler, ações imediatas. Logo nas primeiras frases do livro, lembrei, então, dalgumas conjecturas que fizera pela manhã. Realizava balanço corriqueiro de saber até onde chegara nessa vontade dominante de conhecer as razões principais do tal processo vida. Carrego lá comigo, desde bem longe, o instinto, certa feita, qualquer dia, de revelar a mim mesmo os motivos deste tempo de existir. Qual quem sabe do prazo de resolver isso, dias contados, medidos, insisto responder a questão fundamental, ponto de honra de toda a minha história.

Dizem ser transcendente, além da física, entre o tempo e o espaço, esse lugar em que impera a Eternidade; que quem passa somos nós, não o tempo, este solo definitivo de tudo. Que a duração dos seres e objetos se desmancha constante, combustível em favor das descobertas da consciência individual.

Vejo sem maiores esforços quanto ainda careço de concentrar meu empenho na aceitação das premissas filosóficas que nascem da religiosidade, depois revertida no âmbito das religiões sociais. Sei, também, do tanto de limitações que sustentam o saber humano, raiz de erros e acertos, porém instrumento único de demonstrar os teoremas da sonhada felicidade.

Conquanto restrito, pois, aos conceitos das tradições religiosas, filosóficas, antropológicas, me nego a permanecer tão só ignorando as possibilidades infinitas das respostas que quero, porquanto sinto nisso a lógica essencial de pisar aqui. Relíquia eterna do sonho na inconsciência, trabalho feito espécie de aventureiro, errante na sorte, a mergulhar as entranhas do ser que sou e ouvir os ecos persistentes de achar a causa de tudo durante todo tempo.

Deus, centro do Universo, Pai e Criador, o cerne da revelação do quanto investigar nas cordilheiras do conhecimento, este o Justo valor das buscas, acalma meu reconhecimento nalguma partícula do ente a que dou cor, tom e movimento, exemplar da espécie e pomo de paz e compreensão; a alma do Cosmos e luz da Consciência.

Mentira tem pernas curtas: Vaticano desmente PT e diz que papa Francisco não enviou terço a Lula

Segundo a Santa Sé, advogado argentino que tentou visitar petista na prisão não é emissário do papa, mas 'ex-consultor do Pontifício Conselho Justiça e Paz'
Fonte: VEJA -- Por João Pedroso de Campos

Rosário foi entregue ao ex-presidente na tarde desta segunda-feira (Nelson Antoine/Folhapress; Reprodução/Twitter)
      O Vaticano desmentiu nesta terça-feira 12 a informação publicada pelo PT e pelas redes sociais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira 11, de que o papa Francisco enviou um terço ao petista e que o emissário do Santo Padre, o argentino Juan Gabrois, foi impedido de visitar Lula na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde ele está preso há mais de dois meses.Apresentado no site e nas redes sociais de Lula como “assessor do papa Francisco para assuntos de Justiça e Paz”, Gabrois é, na verdade, “ex-consultor do Pontifício Conselho Justiça e Paz”, conforme o Vatican News, portal de informações oficial da Santa Sé.
“O advogado argentino Juan Gabrois, fundador do Movimento dos trabalhadores excluídos e ex-consultor do Pontifício Conselho Justiça e Paz, deu uma entrevista em sua tentativa de visitar o ex-presidente Lula na prisão de Curitiba, onde está detido há mais de dois meses. Grabois disse que a visita era pessoal e não em nome do Santo Padre. Ele não teve a permissão para se encontrar com Lula”, diz nota do Vatican News.

    A Santa Sé ressalta que Juan Gabrois “nunca declarou que foi o papa a enviar o terço, mas simplesmente que se tratava de um terço que tinha sido ‘abençoado’ pelo papa”. Ainda segundo a nota de esclarecimento, “terços como esse são levados, como o Santo Padre deseja, a tantos prisioneiros do mundo sem entrar no mérito de realidades particulares”.
     Já o PT, também em sua conta na rede social, escreveu: “Papa Francisco envia rosário a Lula, mas emissário é barrado na PF”. “Funcionário do Vaticano denuncia caráter ‘estritamente político’ de decisão da PF de impedir que ele visitasse Lula e desse recado enviado pelo papa”, tuitou o partido.

12 junho 2018

Gostar de viver - Por: Emerson Monteiro


Ninguém quer voltar a desaparecer, nem os outros animais da escala evolutiva. Imaginar o que representa viver passa longe do que seja viver realmente na essência de tudo, experiência ímpar. O sensacionalismo dos tempos dagora, no entanto, abusa de mostrar quantos sofrem, quantos somem a todo momento, das formas mais esdrúxulas, friorentas, abjetas, que enriquece a tumba dos faraós da mídia. Virou vulgaridade noticiar quantos beltranos e sicranos são assassinados a cada noticiário, forma cataléptica de abandonar os irmãos nas latas de lixo dos dias que escorrem feitos fiapos perdidos.

Houve um jornal no Rio de Janeiro, Notícias Populares, de quem diziam espremesse e correria sangue. E agora, que jogam nas derradeiras páginas os extermínios, as chacinas, os desesperos das famílias que veem seus entes queridos simplesmente largados no fundo das covas, espremer o que, se quase sumiram os jornais? Mais parecem esses tempos com aqueles velhos filmes de ficção onde transformavam pessoas em proteína a título de oferecer os paraísos artificiais nas derradeiras horas de vida.

Troço grosseiro o tempo em que aportamos. Falam dos representantes do povo, de que povo, de que representantes? Uma escatologia de causa náusea, isto sim virou o panorama desses finais de era. Quais instrumentos de inconveniência, de insegurança, esfacelam corpos nos bairros infectos das periferias sem lei, sem nexo, sem dó, nem piedade. Pobres humanos que viramos cruzadas as guerras de conquista, tantos paredões de isolamento, tantas agruras e desventuras.

Sou meio adocicado muitas vezes, contudo a medida transborda e quero ser sincero aos poucos que leiam essas garatujas que jogo nos ares da existência, guardo comigo sede dos dias melhores de que ouço desde que iniciei ouvir o que prometem os oráculos de poder. Gosto de viver, de sonhar com felicidade, honestidade, harmonia, solidariedade, justiça, paz, fraternidade... Nunca desisti, nem irei desistir jamais, porquanto isso alimenta a equação dos elementos sob que habitamos diante do imprevisível. Desenvolvo largos esforços de viver e ter sabedoria, pois nenhuma razão que fuja disso cativa meus sentimentos.

(Ilustração: Pieter Brueghel o Jovem, em O pagamento dos títulos Bonhams). 

Sai a 2ª edição de um excelente livro – por Armando Lopes Rafael

    Nem tudo são notícias ruins, no atual estágio de descalabros divulgados sobre o nosso Brasil!
    Uma boa notícia: acaba de ser publicada a reedição, revista e ampliada, do clássico livro “ O Imperador no Exílio”, do Conde de Affonso Celso (1860-1938). Esta obra traz os relatos do banimento não somente da família imperial brasileira – decorrente do golpe militar que implantou a República no Brasil –  como notícias dos membros da família do Visconde de Ouro Preto, que se uniram no exílio a Dom Pedro II e a Princesa Isabel, passando por Lisboa, Paris e Versalhes.
    A edição atual traz uma pequena biografia do autor (Affonso Celso de Assis Figueiredo Junior), esmiuçando seu abolicionismo e o encontro de almas com o monarca brasileiro e sua filha-herdeira, até então desconhecidos na intimidade. Apontam-se, ainda, a campanha pelas edificações dos monumentos  de Dom  Pedro II em Petrópolis e em Fortaleza (CE), na década de 1900; a idealização do Museu Imperial no antigo palácio de verão petropolitano; a titulação vaticana de Affonso Celso Junior por obra e graça da Princesa Dona Isabel, entre outras curiosidades.
     Para quem quiser adquirir “O Imperador no exílio” use o e-mail vendas@linodigi.com.br ou pelo telefone (11) 3256-5823. Até o dia 30 de junho, a Linotipo Digital está concedendo frete gratuito!

Homenagem a quem muito fez: Avenida de Crato recebe o nome de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos -- por Patrícia Silva (*)


     Durante Sessão Solene realizada no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri, em Crato, nesta segunda- feira, dia 11 de junho, dom Vicente de Paulo Araújo Matos, recebeu, do poder público municipal, uma homenagem pelo seu centenário: a Avenida que liga o bairro Mirandão ao bairro Nossa Senhora de Fátima, terá o seu nome, de acordo com a lei nº 3.343/2018.

       A Sansão da Lei, segundo o prefeito José Ailton Brasil, visa marcar, no cotidiano dos cratenses, a memória daquele que tanto fez pelo município, com benfeitorias que refletem nos dias atuais. “Hoje só temos a agradecer a dom Vicente pelo trabalho que ele fez pelo Cariri, não só pelo Crato. Estamos colocando, na avenida que liga o bairro Mirandão ao bairro Nossa Senhora de Fátima, o nome daquele que tanto contribuiu com a nossa cidade. É uma forma de deixar a memória de dom Vicente viva e uma forma de agradecer por tudo o que ele fez por este município”, disse o prefeito explicando, ainda, que a Avenida dará um novo dinamismo a cidade, principalmente ao bairro Nossa Senhora de Fátima, tendo em vista o crescimento econômico que gira em torno das peregrinações à imagem da Mãe de Deus construída naquela localidade.O prefeito ainda destacou a contribuição da diocese de Crato, na pessoa de dom Gilberto Pastana, na idealização da avenida, pois, no projeto, uma parte da construção deve passar por terrenos pertencentes a diocese e, em nenhum momento,  o bispo colocou empecilho. Ao contrário, foi até o local onde o prefeito estava reunido com sua equipe administrativa e abriu mão das terras, tendo em vista o bem da população.

      Ainda segundo o prefeito, a obra, que é uma parceria entre o governo do Estado e o município, deve custar mais de seis milhões de reais e tem previsão de inauguração para o próximo ano.

Momento de júbilo
    Além de membros do poder público, participaram da Sessão Solene padres, religiosas e leigos da diocese de Crato que nesta noite contemplaram também a alegria em ver dom Gilberto Pastana receber o Título de Cidadão Cratense.

    Sobre a homenagem a dom Vicente com a denominação da Avenida, o bispo demonstrou grande contentamento. “A gente acolhe com muita alegria porque é um reconhecimento do poder municipal de tudo aquilo que esse bispo, esse grande pastor exerceu, influenciou e concretizou durante a sua gestão aqui nessa região e, mais particularmente, na diocese de Crato. É um reconhecimento do poder municipal que deve representar, nessa gestão, o povo que há vinte anos não vive com dom Vicente, mas essa geração que o conheceu deve amá-lo profundamente”, disse.

     Expressando alegria, o vigário geral da diocese, padre José Vicente Pinto, que esteve a frente da Comissão organizadora do centenário, disse ser justa esta homenagem, uma vez que “ele transformou o Crato em sua estrutura, realidade e mentalidade”.
(*) Patrícia Silva é jornalista

Centenário de Dom Vicente Matos: mensagem enviada por Dom Fernando Panico


O Bispo-emérito de Crato, Dom Fernando Panico, hoje residente em João Pessoa(PB), enviou a mensagem  abaixo, que foi lida na missa celebrada na Sé Catedral de Crato, no dia 11 de junho de 20128, data do aniversário de 100 anos de nascimento de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos.


"Estimado Dom Gilberto Pastana,
Caríssimos irmãos e irmãs da Diocese de Crato:

    Fisicamente ausente, meu espírito compartilha – à distância – das alegrias pelas festividades do centenário de nascimento de Dom Vicente Matos. Alegro-me, sobretudo, pelo reconhecimento feito pela atual geração a todo o bem que Dom Vicente proporcionou à população do Sul do Ceará, durante 37 anos -- ou seja, de 1955 a 1992--, quando ele foi pastor diocesano desta vasta porção territorial do centro nordestino.

    Foi com júbilo que fiquei sabendo dessa reparação, com o reconhecimento, embora tardio, do valoroso trabalho desenvolvido por Dom Vicente Matos, no Cariri. Trabalho, ao seu tempo, nem sempre valorizado como devia ter sido. Conquistas conseguidas, muitas vezes, em meio às incompreensões, às maledicências e às ingratidões. No entanto, todo trabalho que é feito para a construção do Reino de Cristo, neste vale de lágrimas, não fica sem reconhecimento.

    Fui o segundo sucessor de Dom Vicente Matos, e no tempo em que estive à frente da querida Diocese de Crato pude aquilatar a grandiosidade da obra sócio-pastoral dele. Uma obra hercúlea, onde cada passo dado por ele, cada gota de suor, cada esforço, começa agora a ser reconhecido.

    Louvado seja Deus por tudo isso!

    Temos certeza de que, no Paraíso, Dom Vicente já recebeu o reconhecimento e a consolação por todo o bem e por todo o sofrimento que padeceu. Deus não ignora nossas lágrimas. As lágrimas de tristeza serão transformadas em cantos de alegria. Deus consola aqueles que choram pelas injustiças e incompreensões. Cada lágrima que derramamos é registrada por Deus, porque ele, Pai de Misericórdia, nos ama muito e é único a nos conhecer completamente, e a compreender nossas reais intenções.

    Monsenhor Montenegro, em seu livro “Os quatro luzeiros da Diocese” conseguiu sintetizar o trabalho e ação do terceiro Bispo de Crato quando escreveu: “Dom Vicente Matos: Um grande benfeitor de Crato! O Bispo da Ação Social! O Mendigo de Deus”. É este o sentimento que também tenho na alma e que é, certamente, o sentimento de todos vocês.

     Ao celebrarmos o centenário do nascimento de Dom Vicente Matos, é mais do que justo fazer memória do serviço desinteressado deste Pastor que serviu ao seu Povo, sem esperar elogios e reconhecimentos humanos. Ao contrário, hostilizado e humilhado pelos contemporâneos, como a história costuma tratar os que incomodam, sabia que somente de Deus, e não dos homens, vem o premio da vitória, que é para sempre, como rezava o seu lema episcopal: “Ao vencedor darei o maná” (Ap 2,17). 

     Que as comemorações alusivas ao centenário de nascimento do terceiro Bispo de Crato, incentivem a fidelidade da nossa Diocese, também centenária, para buscar a vitória que Deus tem preparado aos seus servos bons, humildes e de reta intenção.

Dom Fernando Panico
Bispo Emérito de Crato"

11 junho 2018

O ritmo do tempo - Por: Emerson Monteiro


... Nas batidas do coração da gente, bem aqui dentro dessa caixa esplendorosa do ser que passa, que o tempo arrasta pelas escadas do firmamento, a deixar as marcas profundas nas carnes. Ele, o Tempo, senhor dos exércitos, máquina de transformações e vetor das glórias do mundo. Ele, a quem os gregos denominavam Cronos, que paria e devorava os próprios filhos. Nós, seus filhos diletos, sorridentes.

Quantos séculos, e vamos a tanger esse barco de cordas rumo do Infinito, à espera dos três gênios que lá certo dia salvarão o mundo. Nós, testemunhas privilegiadas da humana criação, autores dos versos que sagraram a Primavera. Menores, entretanto do tamanho exato dos sonhos largados fora, e habitantes que preenchem de cascalhos as paragens mais distantes do Universo à procura de outras espécies que talvez mostrem a cara aos céus.

Quais intrusos das noites temporais, nascemos a toda manhã, feitos almas que anseiam desvendar o enigma da libertação invés dos finais melancólicos, e alimentamos festas que jamais começaram, na alegria das gentes. Esses autores de si mesmos, contudo cientes de conhecer quase nada dos astros que nos imperam e conduzem às trilhas do desespero. Pobres ricos mortais de valia duvidosa, valentes e sórdidos, mocinhos de outras películas esmaecidas no tempo.

Saber do tanto de poder que há na sintonia desse ente, eis a que viemos e nisso deslizamos a superfície da solidão individual. Paladinos da justiça, entretanto vingativos anti-heróis de melodramas inacabados. Grosseiros amantes, outrossim galãs das óperas de antigamente, na saudade e no desejo.  Que ouvir, portanto, dessas horas e expectativas, depois de provar que conhecemos a velocidade dos movimentos da Terra e pouco fazemos a mudar as trajetórias do vento. Entregues na monotonia do escuro que envolve o conhecimento, roemos os objetos quais quem se apega e os abandona com a maior facilidade. Somem, sumimos, nas voltas do parafuso, a construir as histórias de que ele ri, e apenas jogamos seu jogo de esquecimento no velho tabuleiro das velhas contradições.

(Ilustração: Salvador Dali, em Momento suave da primeira explosão).