20 agosto 2018

Notícias que a mídia não divulga: a Austrália é uma monarquia e um país riquissimo


Em 1999, foi realizado na Austrália, um plebiscito para que o povo daquele país escolhesse se queria continua sob a forma do governo monárquico, ou se preferia viver sob uma República. A maioria da população optou por continuar tendo como Chefe de Estado a rainha Elizabeth II, ou seja, preferiu a monarquia.
     Faz mais de uma semana, membros do Parlamento Australiano vêm recebendo uma verdadeira enxurrada de cartas, telefonemas e e-mails de seus eleitores, todos fazendo a mesma solicitação: o envio de um retrato oficial da Rainha Elizabeth II da Austrália.

    Isso aconteceu porque uma revista local publicou, no último 8, um artigo sobre uma lei até então pouquíssimo conhecida, aprovada em 1990, concedendo a todo cidadão australiano o direito de ter um retrato oficial da Rainha, fornecido por seu deputado no Parlamento australiano. Os leais súditos de Sua Majestade têm feito valer seus direitos, e os parlamentares, mesmo aqueles assumidamente republicanos, vêm “se virando” para atender ao número sempre crescente de pedidos. A mesma lei também dá aos australianos o direito de pedir aos seus parlamentares o envio de uma fotografia oficial do consorte da Soberana, o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo, e de uma Bandeira Nacional Australiana, com seis estrelas, representando o Cruzeiro do Sul, ladeadas pela Bandeira do Reino Unido, a Union Jack.

    A Monarquia tem se tornado cada vez mais popular entre os australianos, em especial os mais jovens, que veem na Coroa um símbolo de estabilidade e continuidade, que liga ao presente a um passado que vai muito além à chegada dos europeus à Oceania, no século XVI, e representa um futuro em plena continuidade com a história nacional, na figura da Rainha, de 92 anos de idade,  e no Trono desde 1952, e de seus imediatos herdeiros dinásticos, seu filho, o Príncipe de Gales,  e seu neto, o Príncipe William, Duque de Cambridge, e  seu bisneto, o Príncipe George.

Conheça a Austrália

    A Austrália é um dos 53 países-membros da Comunidade das Nações, compostas por antigos territórios do Império Britânico. A Austrália é uma monarquia constitucional com uma divisão de poder federal. O país tem um sistema de governo parlamentarista com a rainha Elizabeth II como a Rainha da Austrália. Como a rainha reside no Reino Unido, os poderes executivos investidos nela pela Constituição são normalmente exercidos pelos seus representantes na Austrália (o Governador-Geral, em nível federal e os governadores, em nível estadual) todos eleitos em eleições livres.

    A Austrália é hoje um dos países mais ricos do mundo. Não tem desemprego. Possui excelente segurança pública, saúde pública e educação pública. O IDH (Índice de Desenvolvimento Urbano) da Austrália permanece entre os melhores do mundo, mantendo o país com o segundo lugar no ranking mundial com 187 países, ficando atrás apenas do Reino da Noruega. O índice Australiano é 0,933, enquanto o do Brasil, que ocupa o 79º lugar, ficou em 0,744.

Foto: A Rainha Elizabeth II da Austrália
Postado por Armando Lopes Rafael

19 agosto 2018

Dimensões - Por: Emerson Monteiro


Quais camadas superpostas assim somos nós. Espaços imaginários que circulam possibilidades, gravitamos sozinhos feitos ciganos em bandos em volta do núcleo das existências ainda que admitamos viajar outras órbitas, contudo estas são outros seres que também somos. Jamais percorremos, pois, as outras dimensões conquanto a outros astros elas pertencem no curso infinitos destas condições humanas. Nutrimos, no entanto, a sede nas aventuras alheias, à busca dos espelhos que significariam diversos mundos, porém doutros atores de si, o que só em nós, de longe, desenvolvemos revelar na essência definitiva, ora vagando em nossas mãos, por certo carentes e inexperientes, ou nas mãos dos outros.

Os dramas, as angústias; medos, desespero; luas, humores; peças do território desta vida, apenas trocamos de roupa e de leve fugimos de nós mesmos, tais bichos ariscos e largados no universo absurdo que deixaremos de ser tão logo revelemos a consciência. Foram muitos por inteiro dos céus que frequentamos nas sequências deste modo de aprender que a Natureza oferece dias e dias, meras dúvidas e repetições que sustentam as vaidades e alimentam o desejo de continuar sem limite. Criamos o jardim das delícias dos sentidos e neles maneiramos mágoas e queixumes, vórtices apaixonados de prazer e apetites. E refazemos os sonhos no objetivo de achar a porta de sair dos dilemas e frustrações. Nutrimos leis, deveres e relacionamentos. Nisso largamos as cascas e os corpos na lama das horas, mergulhamos apreensivos no saber a que viemos acender luzes e, por vezes, nem nos apercebemos que o tempo desmancha no ar as notas da presença do passado que nunca mais voltará, e o futuro é agora.

Doces ausências nós o somos, camadas superpostas das dimensões a que alçamos, pouco a pouco, duendes saltitantes nas florestas do conhecimento escondidos debaixo dessas quantas camadas do ser que em nossas mãos solicita a força de todas a maior, de habitarmos a intensidade e aguardar a certeza na semente de fomos dotados desde o princípio de Tudo.

18 agosto 2018

25 anos da sagração episcopal de Dom Fernando Panico – por Armando Lopes Rafael

Livro lançado no último dia 14, para marcar a passagem
dos 25 anos de ordenação episcopal de Dom Fernando

      No último dia 11 de agosto, a população católica do Sul do Ceará  comemorou o jubileu de prata da sagração episcopal do 5º Bispo Diocesano de Crato, Dom Fernando Panico. A solenidade ocorreu às 17:00 horas, constando de uma Santa Missa celebrada na Catedral de Nossa Senhora da Penha.

      Decorridos quase dois anos, desde que Dom Fernando Panico tornou-se bispo-emérito da nossa diocese, e passando ele a residir na cidade de João Pessoa, já se vislumbra uma análise serena e imparcial da sua passagem como Bispo da Diocese de Crato. Dom Fernando reservou seu lugar na história desta Diocese, graças à consecução – junto à Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano – da reconciliação histórica da igreja Católica com a herança espiritual do Padre Cícero. Esta era uma ferida que ficou aberta por longas décadas. Até que Dom Fernando Panico conseguiu cicatriza-la.

       Mas não só isso.  Dom Fernando foi um dos mais dinâmicos bispos dentre os que sentaram no Sólio Episcopal de Crato. Durante dezesseis anos e meio, período que foi Bispo de Crato, Dom Fernando valorizou as romarias e priorizou o acolhimento aos romeiros do Padre Cícero, com novas atitudes e um cuidado pastoral para com esses romeiros.

         Dom Fernando realizou as Santas Missões Populares, preparadas ao longo de três anos, que deram uma marca missionária à Igreja Particular de Crato. Reestruturou a pastoral da Diocese em foranias e comunidades. Aceitou o desafio de realizar o 13º Encontro Nacional das Comunidades Eclesiais de Base, na nossa diocese, tendo como sede a cidade de Juazeiro do Norte. Conseguiu a elevação da Igreja Paróquia de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor. Criou treze novas paróquias e quatro novos Santuários Diocesanos.

         Outra grande realização de Dom Fernando Panico foi a construção de uma unidade da Fazenda da Esperança, no município de Mauriti, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas. Ele também deu o reconhecimento diocesano às novas comunidades de leigos consagrados. E acolheu – nas várias cidades da diocese - vários institutos religiosos, a exemplo da Abadia das Monjas Beneditinas, em Juazeiro do Norte.

            No seu fecundo episcopado dom Fernando Panico ordenou sessenta e oito novos padres para a nossa diocese. Foi também ele quem instituiu o Diaconato Permanente, tendo ordenado trinta e nove diáconos permanentes.  Também foi iniciativa de Dom Fernando Panico a abertura do Processo de Beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva, a Mártir da Castidade, nascida em Santana do Cariri. Deve-se a ele a criação do curso de Teologia no Seminário São José, o qual, graças a isso, passou a ser Seminário Maior, formando sacerdotes para cinco dioceses nordestinas: Crato e Iguatu (no Ceará), Salgueiro e Petrolina (em Pernambuco) e Cajazeiras, na Paraíba.

             Foi abrangente a ação de Dom Fernando! Foi dele a iniciativa de entregar a administração do Hospital São Francisco de Crato à Ordem dos Camilianos, providência que salvou aquela unidade hospitalar de encerrar suas atividades, como veio a ocorrer com várias instituições hospitalares do Cariri.

               Outra iniciativa de Dom Fernando foi a construção dos dois blocos que hoje compõem a nova Cúria Diocesana. Deve-se também a ele a construção do novo Seminário Propedêutico, no bairro Grangeiro, em Crato.

                O “bispo italiano”, como era chamado por alguns, realizou muitas outras coisas, mas ficaria longo enunciá-las. Resta lembrar que durante o seu episcopado – a exemplo do que ocorreu com dom Vicente Matos –, Dom Fernando também sofreu uma campanha de incompreensões e maledicências, por parte de uma minoria. Diante delas ele agiu com equilíbrio e superioridade. Nunca revidou com a mesma moeda. O máximo que Dom Fernando fez em sua defesa foi recorrer – como uma pessoa civilizada – à Justiça dos homens, pedindo a retratação dos seus acusadores. Ou divulgando manifestos de solidariedade que recebia de importantes segmentos da sociedade brasileira, dos fiéis diocesanos e de destacados irmãos de episcopado.

              O tempo é o Senhor da razão, diz o adágio. Passados aqueles tempos, serenados os ânimos; feito um balanço equilibrado da administração episcopal de Dom Fernando Panico – à frente da Diocese de Crato –, constata-se que ele foi um grande bispo. E é isto que ficará registrado para a história da Diocese de Crato...

Crônica do domingo: A monarquia segue forte e popular na Espanha


     Nós, brasileiros, infelizmente sabemos bem: A monarquia tem feito imensa falta no Brasil, desde o golpe republicano de 15 de novembro de 1889. Somente se ocorrer a restauração da Monarquia Constitucional o Brasil poderá alcançar a verdadeira grandeza à qual foi destinada pela Divina Providência. Pois teríamos, novamente, um Imperador velando sobre o bom funcionamento das instituições e inibindo as más-tendências dos homens e mulheres públicos. E a Família Imperial serviria como espelho e exemplo das melhores virtudes do povo brasileiro

      De acordo com recente pesquisa de opinião, encomendada pelo jornal “ABC España”, o Rei Dom Felipe VI da Espanha conta com a aprovação de quase 8 entre cada 10 espanhóis, totalizando cerca de 75% da população do País, o maior índice de aprovação popular alcançado pelo Soberano desde a restauração da Monarquia Constitucional na Espanha, em 1975.
A pesquisa também indicou que os outros membros adultos da Família Real Espanhola – a atual consorte, a Rainha Dona Letizia, e os pais do Soberano, o Rei Dom Juan Carlos I e sua esposa, a Rainha Dona Sofía (nascida Princesa da Grécia e Dinamarca) – também possuem bons índices de aprovação popular.

     Tendo ascendido ao Trono em 2014, após a abdicação de seu pai, o Rei Dom Juan Carlos I, também muito popular e venerada por seu povo, justamente por ter trazido a democracia – a verdadeira democracia, coroada – para a Espanha, o atual Monarca tem sido visto pelos espanhóis como o principal garantidor da estabilidade institucional do País, tendo recentemente enfrentado, de forma muito bem sucedida, a tentativa de golpe de Estado das lideranças separatistas da região da Catalunha – a exemplo de seu pai, que, em 1981, rechaçou uma tentativa de golpe militar.

      Além desses fatores, o Soberano também é visto como símbolo de continuidade – trazendo consigo o milenar legado dos Reis e Rainhas que governaram a Espanha mesmo antes de sua unificação, no século XV, ao mesmo tempo em que encarna o presente e prepara o futuro da venerabilíssima instituição monárquica, na pessoa de sua primogênita e herdeira, a Princesa das Astúrias, Dona Leonor de Bourbon, de 12 anos de idade – e de unidade – permanecendo acima das paixões políticas e das querelas partidárias, representando a totalidade do povo espanhol, seus valores e costumes.

Foto abaixo: O Rei Dom Felipe VI da Espanha.

Começa neste sábado, 18, a Festa de Nossa Senhora da Penha


 O Santuário da Penha de França
Por: Padre Raimundo Elias
(Matéria publicada originalmente, neste Blog, em agosto de 2010)

Por ocasião dos Festejos de N. Senhora da Penha em Crato

"Meu caro Dihelson,
 Por ocasião do início da Festa de Nossa Senhora da Penha, previsto para o dia 21 deste, e por saber que as origens dessa devoção, aí em Crato, encontram-se na Penha de França, aqui na Espanha, estou lhe enviando este artigo, acompanhado de algumas fotos de quando lá estive, ano passado. Por gentileza, peço que você veja e, naturalmente, se julgar útil e oportuno, publique no 'nosso' (afinal, abro todos os dias) Blog do Crato.
  Atenciosamente,
Pe. Raimundo Elias."

AFINAL, A PENHA DE FRANÇA FICA NA ESPANHA
 Vales e montanhas vistos a partir do Santuário de Penha
O Santuário de Penha de França, propriamente dito
A serra da Penha de França
Chegada ao santuário da Penha
A imagem atual da Penha
A subida ao santuário da Penha

   A Penha de França é uma montanha que se ergue a 1.723 metros de altura, situada ao sul da província de Salamanca, na Espanha. É, sem dúvida, a montanha mais elevada da Serra de França, na qual foi edificado o santuário mariano mais alto do mundo. Conhecida pela sua “Virgem Negra” e seu imponente santuário, a Penha de França é praticamente inacessível no inverno, por causa da neve e, por outro lado, tem grande afluência de turistas nos meses de verão na Europa. Dispõe de uma grande hospedaria, além do convento onde residem os frades dominicanos, desde o ano de 1437.

   Aliás, segundo conta a história, é em torno dessa data que o bispo de Salamanca, ao ver que a montanha da Penha estava sendo objeto de fortes disputas de poder entre alguns proprietários locais, cede ao provincial dos dominicanos os direitos sobre a ermida construída naquele monte. Alguns meses depois, uma comunidade de cinco frades dominicanos assume canonicamente a ermida em causa. Em pouco tempo, o número de religiosos da comunidade estabelecida na Penha, cresceu rapidamente e fincou raízes naquela região. Nos primeiros anos do século XVI (entre 1500 e 1510), a comunidade dominicana já contava com mais de vinte religiosos, dos quais muitos partiram como missionários pelo mundo afora, sobretudo, para América e Extremo Oriente. Foram eles, portanto, os principais impulsionadores da devoção da Penha naquelas terras.

    Ora, não deixa de ser estranho o nome de Penha de França que se dá a serra e à montanha onde se descobriu a imagem da Virgem. Afinal, são terras espanholas e não francesas. O motivo deste nome, porém, não se sabe ao certo. O que se sabe é, tão somente, da existência de uma colônia francesa que figura dentre aqueles que repovoaram a província de Salamanca no século XI, a exemplo do que ocorreu mais tarde com outras cidades, tais como: Toledo, Córdoba e Sevilla. Isto, talvez, explique o motivo pelo qual tenha sido dado o nome de “França” àquela Penha.

A origem da imagem da Virgem da Penha de França

    A imagem original da Virgem da Penha foi encontrada pelo francês Simón Vela em 19 de maio de 1434. Tratava-se de uma escultura de estilo românico, provavelmente do século XII, que representava a Virgem sentada, segurando o filho em suas mãos e que, supostamente, havia sido escondida por trás do penhasco, no alto da Penha de França, na época das lutas entre mouros e cristãos. A escultura original permaneceu no santuário até o dia 17 de agosto de 1872, data em que foi roubada, aproveitando a situação de abandono em que se encontrava o santuário. Porém, em dezembro de 1889, os ladrões devolveram a imagem aos dominicanos de Santo Estêvão, em Salamanca. E por ter sido devolvida em estado irrecuperável, o bispo da Diocese de Salamanca encomendou ao escultor José Alcoberro, uma nova imagem que incorporasse a ela os restos da primeira, em forma de relíquia. E assim foi feito. Portanto, a segunda imagem, feita por este citado escultor, é a que atualmente se venera no santuário da Penha.

A história da Tradição Religiosa da Penha de França.

    Houve um tempo em que nada de importante acontecia no mundo sem que uma vidente o anunciasse e um homem santo o sonhasse. Na descoberta da Virgem da Penha de França, não foi diferente. A vidente era Joana e o santo sonhador, Simón Vela. Conta a lenda e a tradição, que uns dez anos antes que fosse encontrada a imagem da Virgem da Penha, em um povoado que fica a uns vinte e cinco quilômetros da Serra da Penha, chamado Sequeros, vivia uma jovem piedosa de nome Joana. Quando esta jovem, em consequência de uma longa e grave enfermidade, parecia ter morrido e todos já choravam a sua morte, inesperadamente, voltou a si e começou a anunciar aos seus pais as calamidades que sofreriam por conta das muitas injustiças que praticaram e das propriedades por eles mal adquiridas. Depois, dirigindo-se a sua mãe, como que buscando consolá-la, disse-lhe: “volta o teu rosto para a Penha de França, põe-te de joelhos e com fé e devoção, reza três Ave Marias em honra e reverência a uma Virgem que lá está escondida há duzentos anos. E logo sentirás descanso em teu coração. Dita imagem, em pouco tempo, há de ser manifestada e, por meio dela, Nosso Senhor fará muitos milagres e maravilhas. E depois que a imagem tiver sido revelada, virão muitas pessoas de todas as nações, reverenciá-la naquela montanha.”

Além disso, a vidente anunciou que no Dia da Santa Cruz, ao por do sol, apareceriam três cruzes, uma delas sobre a Penha de França, “de onde a gloriosa imagem haverá de revelar-se a um homem bom e, em homenagem à Mãe de Deus, se construirá um Mosteiro da Ordem dos Pregadores (dominicanos), que será um lugar de muita devoção.” A memória da Vidente de Sequeros perdurou no tempo, sendo recordada por todos como a “Moça Santa de Sequeros”.

Por outro lado, Simón Vela nasce em Paris no ano de 1384. Seus pais, Rolán e Bárbara, eram nobres e ricos. Mortos estes, juntamente com sua única irmã, Simón, que tinha apenas 17 anos, aplica todo o seu patrimônio familiar em obras de caridade e beneficência e se refugia em um mosteiro franciscano. Ali, recebe as primeiras informações sobre uma suposta imagem da Virgem oculta na Penha de França. Depois de deixar o mosteiro e procurar, sem êxito, por nove anos seguidos, a Penha de França em seu país, se une a um grupo de peregrinos que viaja a Santiago de Compostela, na Espanha. De lá, segue para Salamanca, onde se hospeda por algum tempo.

    Um belo dia, em uma Praça de Salamanca, escuta a conversa de uns serranos sobre a Penha de França e resolve segui-los. Depois de dedicar alguns dias à procura da imagem, entre os campos e penhascos da Penha, é surpreendido por uma tormenta no alto da montanha e uma pedra, desprendida por um raio, o fere na cabeça. Estando velando com sua habitual oração, ouviu uma voz que lhe disse: “Simón, vela e não durmas”. Na noite seguinte, viu um grande resplendor e uma Senhora Belíssima que lhe disse: “aqui cavarás e o que encontrares o colocarás no mais alto do penhasco e farás uma majestosa casa.”

    Simón, volta a casa onde estava hospedado e, no dia seguinte, regressa à Penha acompanhado de cinco vizinhos. Lá chegando, começam a separar algumas rochas no lugar onde Simón havia tido a visão e descobrem, por detrás delas, a imagem da Virgem. Prontamente, ajudado por pessoas da vizinhança, Simón ergue uma pequena cabana no lugar onde haviam encontrado a imagem. Três meses depois, inicia a construção da capela no alto do penhasco, para onde a levam. Sabe-se que, desde 19 de maio de 1434, quando foi encontrada a imagem, até 11 de março de 1438, quando do seu falecimento, Simón Vela trabalhou incansavelmente na construção do novo santuário mariano. Nesse meio tempo, em 1437, os frades dominicanos vieram assumir a responsabilidade sobre a Penha de França e foram eles as testemunhas da morte de Simón Vela e depositários de sua última mensagem: “depois da minha morte, se manifestarão na Penha as imagens de Santiago, Santo André, Santo Cristo, Santa Catarina e um sino”. (Até o momento, só as suas primeiras foram encontradas).

    Uma formidável expansão alcançou o culto à Virgem da Penha, entre os séculos XVI e XVIII, obedecendo, fundamentalmente, a dois fatores. Por um lado, ao apoio que o santuário recebeu, desde o início, tanto das autoridades civis como das religiosas e, por outro, à impetuosa corrente de religiosidade popular que despertou a devoção em torno da imagem aparecida no mais alto daquele penhasco. E, assim, reis e papas não pararam de promover e incentivar a imensa devoção popular que suscitou a imagem encontrada por Simón Vela.

    A proteção oficial e a religiosidade popular provocaram uma verdadeira enchente de donativos, possibilitando a construção do santuário, do convento, da hospedaria e, depois, no começo do século XVI, a edificação de outras magníficas instalações que vieram completar a obra arquitetônica que chegou aos nossos dias. Inclusive, a lista de posses e joias que o santuário foi acumulando através destes séculos de esplendor, preenche muitas e muitas páginas de algumas histórias que sobre ele se escreveram ao longo dos anos. Todavia, de acordo com inúmeros testemunhos, o santuário sempre buscou administrar tão rico patrimônio, procurando reverter as suas rendas em favor dos peregrinos que o visitavam e dos numerosos pobres da região. Oxalá que assim o seja!

(Do texto em espanhol: “Peña de Francia”, de autoria de Ángel Pérez Casado. )

Fotos, Tradução e Adaptação do texto: Pe. Raimundo Elias Filho

16 agosto 2018

A verdadeira natureza - Por: Emerson Monteiro


Até quando o lucro será mais importante que a natureza?
                                    Greenpeace

Eis a grande indagação desses tempos escuros da fome dos mortos vivos pelo carbono em elaboração na matéria. Jogados às traças, os seres humanos vagam soltos nesse mar das ilusões perdidas. Velhos lobos da Estratosfera, sonham com visões e vivem pesadelos criados deles mesmos, espécie ainda vazia de sentimentos e alimentada nos calmantes e antidepressivos. Contudo assim não fosse, habitaríamos astros diferentes do espaço entre naves e morcegos, outros corpos circulantes do Infinito, e talvez detentores das respostas, ou senhores de antigos mausoléus de vanglória.

O pitoresco disso tudo é sermos os protagonistas do destino de tantas outras espécies largadas em nossas mãos diante dessa ignorância. O que alimenta o estômago do ente corrosivo desse animal do lucro, irresponsável garganta que significa buscar respostas e incessantes finalidades, porém que transporta ao Cosmos pequenos seres predadores insatisfeitos e resistentes, bactérias impacientes, devoradoras de paz.

A que viemos, de que sóis, de que surpresas matemáticas, fervilhando ambições e pouco grupal?! Folhas ressequidas nas árvores do Paraíso, tangemos os rebanhos em retirada e trituramos lixo e sobras de alimentos, entretanto dotados de inteligência e vontade geniais. Apostamos na supremacia dos antropoides, todavia sem maiores convicções ou júbilo.

Ali adiante, sim, existirá o encontro dessa união com a realidade definitiva do Universo de que sejamos parte, o que reclama atitude mental reservada aos anjos. Bem ali adiante. Traçamos os próprios pés nesse caminho de libertação, contudo pessoal,intransferível, rumo da verdadeira natureza de todos. E nisto nada de sobrenatural, justo na medida e no furor das multidões. Equivalente ao próximo estágio de evolução e conquista. Achar a essência, a impermanência dos corpos em queda livre, donde virá o grito da vitória na tarde primaveril dos amores vãos. O contato inevitável e direto com a Verdade mãe, a isso nos aguardam as esferas, mundo íntimo de possibilidades e certeza.

(Ilustração: 2001, Uma odisseia no espaço (50 anos).

15 agosto 2018

As malhas do silêncio - Por: Emerson Monteiro


Tão perfeitas, alvas e puras, elas envolvem de beleza o senso da alegria de que carecem os humanos em peregrinações vítimas dos martírios. Ordenamento de valores que iluminam através das derradeiras réstias do sol que se esvaem num passado ingrato. Depararam trâmites de angústia e nem assim dobraram viver diante das dores. Receberam gestos agressivos dos que fugiram da consciência e do amor. Perdoar qual atitude única de corresponder às infinitas religiões e aos idiomas diversos de transformar penhor em luz mais elevada.

Que contrapor face aos desvarios deste mundo esdrúxulo? Dar faces no abismo sem perder de vista o valor da gratidão? Aceitar de bom grado as garras do destino, as latanhadas de feras, dos erros; pesar e medir, e nunca jogar os pés pelas mãos. Exercitar princípios da exatidão e da crença na justiça que em tudo prevalece. Um dizer contido nas marcas do sentimento, rasgos de dragões pela alma; saber que ninguém viverá longe dos olhos do Ser maior e presente no Universo inteiro.

Agora, essa leveza no interior das pessoas que padecem os traumas da amargura e sabem que têm de sobreviver perante o trilho deserto de tanto suor e sofrimento. Ali nuvens escuras cobrem esse fio azul dos olhos e pedem contribuição da inesgotável paciência. Procurar palavras no dever da conformação, entretanto respeitando que existem as vestimentas de quem padece sozinho e só eles devem sentir e transcender as dores deste mundo.

Saber suportar o silêncio nas transições de nossa evolução a níveis superiores, convicções entranhadas de resistir aos desafios e às provas. Domar os sentidos machucados ao jeito de santos e devotos, quase super-homens dos poderes inatingíveis. Ouvir palavras da misericórdia quais lágrimas de humildade e certeza nos dias bons logo a caminho, aonde seremos todos iguais nas bênçãos de novos Céus e alentos da Felicidade.

Temas - Por: Emerson Monteiro


Escrever pede o nome desde os começos, os temas. Eles mexem dentro do viveiro da inspiração indo minerar assuntos que preencham o motivo do texto. Devem atender ao momento de quem escreve no fim de tocar o gosto da ocasião, nos caprichos imaginários que vagam soltos pelas palavras e desenvolvem o sentido das frases nas metas da escrita. A busca dessa inspiração deixa fluir o pensamento, caçador das razões das letras, apresentando lugares do que dizer qual cicerone de significados ocasionais. Nisso, nessa hora de escolher o vilão, há tal parecença com quem compra numa feira livre em que eles quase viram objetos das escolhas no presumir a quem eleger, bem senhores de si.

Houvesse sempre uma boa história a contar, satisfaria desenvolvê-la por demais e restaria agradecido quem de longe procurava demasiado, pois a forma nasce lado a lado com o enredo de eleição. No entanto só de raro acontece tamanha naturalidade, a não ser num raro golpe de sorte. Às vezes um sonho, uma episódio cotidiano, uma pagina solta em algum livro; ocasionalmente, pois. Daí parecer que as musas nos auxiliam apenas quando estão de bom grado, simpáticas. E vivamos nós. 


Contudo a fúria do escrevinhador precisa acalmar, quer haja ou não tema, espécie de cápsula salvadora dos maníacos na crise das abstinências. Prudentes, saem a caminho à busca das flores que mereçam falas e ouvidos. Passo a passo, nada justificaria desistência diante do desejo extremo de produzir. Dalgum lugar do juízo virá o pro mode da canção literária. Sede cáustica de visões, profetas de si mesmos, vagabundos da solidão impaciente, lá seguem pelas esquinas vazias das noites estreladas.


Por isso os temas ser-se-ão importantes a quem deseja quebrar o silêncio do isolamento e levar distante o rochedo de Sísifo morro acima, obstinado, ainda que saiba vir abaixo e de novo continuar a missão tanto eterna quanto vida.


(Ilustração: Wassily Kandinsky).

CARIRIENSIDADE



A época em que os coronéis da Guarda Nacional mandavam e desmandavam no Cariri

    Segundo o historiador Irineu Pinheiro (“Efemérides do Cariri”, página 165), somente em 21 de dezembro de 1889 (1 mês e 6 dias depois do golpe militar que impôs a República no Brasil) a Câmara Municipal de Crato realizou a sessão para aderir a nova forma de governo implantada em 15 de novembro daquele ano. 
     Donde se conclui que as notícias sobre a "proclamação" da República chegaram ao Cariri num clima de total indiferença por parte da população. Não existiam – em Crato e demais cidades caririenses – simpatizantes do movimento republicano.


      Em Fortaleza, a capital do Ceará, a notícia do golpe militar chegou pelo telegrafo já que havia esse tipo de comunicação entre Fortaleza e o Rio de Janeiro. Já as comunicações entre o Cariri e a capital da Província eram precárias. Não havia, entre as duas cidades, linhas telegráficas.  Gastava-se um mês nas viagens entre Fortaleza e Crato, esta última, àquela época, a cidade mais importante do Cariri.

      O “coronelismo” foi um fenômeno que cresceu muito com a chamada “Proclamação da República”. Durante a Primeira República (1889-1930), o coronelismo acentuou-se como poder local nas cidades do interior nordestino. Os coronéis passaram a exercer o chamado “mandonismo político”. Crato não ficou imune ao fenômeno. Com a derrubada da monarquia – e a expulsão do Imperador Dom Pedro II e sua família, – o brasileiro comum não tinha mais a quem recorrer (com a mesma confiança e imparcialidade  existentes nos tempos imperiais) a um poder isento para resolver seus problemas.

Como surgiu a famosa “Lei de Chico Brito”

 Cel.Chico de Brito
     Entre 1896-1912 – por 16 anos – governou o Ceará a oligarquia dos Accioly. Vem de longe, como se vê, a tradição de “famílias importantes” dominarem o poder no Ceará. Era “Intendente” de Crato, àquela época, o Cel. Antônio Luiz Alves Pequeno, fiel ao clã Accioly. “Intendente” era como se chamava (no início dos conturbados tempos republicanos), o atual cargo de “Prefeito Municipal”. Derrubado o Governo Accioly, assumiu o Coronel Franco Rabelo. Este, nomeou como novo intendente de Crato seu aliado, o Coronel Francisco José de Brito.
  
     O antigo intendente Antônio Luiz Alves Pequeno não quis entregar o cargo. O Coronel Francisco José de Brito, inteligente e astuto, foi ao Lameiro e trouxe até a Praça da Sé (onde ficava o prédio da Intendência) um grupo de amigos. Encontrando a Intendência fechada, arrombou a porta e sentou-se na cadeira do Intendente anterior. Nisto apareceu o Dr. Irineu Pinheiro, sobrinho do Cel. Antônio Luiz. Irineu Pinheiro (que depois seria um dos maiores historiadores do Cariri) ficou revoltado e perguntou:

– “Mas que lei é essa na qual o Sr. se arrima para assumir a Intendência”?
     O Cel. Chico de Brito, tranquilamente, sentenciou:
“É a “Lei de Chico de Brito”! Esta lei eu mesmo fiz. E estamos conversados”.

Potengi: o maior polo de ferreiros do Cariri


    Potengi, pequena cidade do Sul-cearense, possui o maior polo ferreiro do Cariri. Ali se fabrica facas, foices e outros artefatos de ferro, cuja produção é vendida no comércio local e exportada para outros municípios do Ceará, Piauí e Maranhão.  Potengi é conhecida como “a cidade que não dorme”. Isso devido aos produtos da metalurgia, serem moldados em meio a grande calor, quando o ferro é aquecido – em uma forja que se mantém quente graças a um fole operado a mão – até ficar vermelho-brilhante. A seguir, o ferreiro vai batendo e dando forma aos objetos.

    Em Potengi, os ferreiros sempre começam a trabalhar à meia-noite quando a temperatura é mais amena. Manualmente, o ferro é modulado sobre as bigornas E nessa hora começam as batidas dos martelos sobre o ferro, ecoando pela pequena cidade. Chega a parecer uma sinfonia metálica, esse martelar! Batidas que só terminam com o nascer do sol, quando os ferreiros vão dormir e Potengi inicia novo dia de atividade normal. 

Memória: Um caririense ilustre

    Antônio Martins Filho cognominado “O Reitor dos Reitores”, nasceu em 22 de dezembro de 1904, no sítio Santa Teresa (Missão Velha), mas foi registrado como tendo vindo ao mundo em Crato. Faleceu em Fortaleza, em 20 de dezembro de 2002, dois dias antes de completar 98 anos.
    Era de família pobre e exerceu empregos muito humildes como trabalhador braçal na construção da estrada de ferro Fortaleza–Crato. Mas já aos 18 anos foi um dos fundadores do Academia dos Infantes de Crato (1922). Nasceu para ser grande. Membro de Academias, Institutos, Conselhos de Educação (estaduais e federal), “Doutor Honoris Causa” de dezenas de universidades brasileiras e estrangeiras.
  Escreveu 30 livros sobre Ciências Jurídicas, História, Educação, Literatura e Economia.  Foi agraciado com 12 condecorações de instituições brasileiras e do exterior. No entanto, passou à história como o “Criador de Universidades”.

     Para ficar apenas no Ceará, ele foi fundador, e primeiro reitor, tanto da Universidade Federal do Ceará, como da Universidade Regional do Cariri–URCA. Fundou também a Universidade Estadual do Ceará. Não existe nenhuma rua de Crato com o nome do Dr. Martins Filho. Mas existem, nesta cidade, duas ruas: a Rua Lagarta Pintada (no bairro Lameiro, CEP 63112-125) e a Rua Soldadinho do Araripe (no bairro Vilalta, CEP 63119-085). Mesmo com o crescimento da cidade, os vereadores fingem não ter mais gente ilustre para homenagear como patrono das ruas de Crato.

Embrapa investe no pequi

A beleza da flor do pequizeiro

Com o título acima, transcrevo nota publicada na coluna de Egídio Serpa (“Diário do Nordeste”, 09-08-2018):
“Fruta muito consumida pelos cearenses da região do Cariri, o pequi nunca foi tratado com a atenção que merece, pelo menos até agora. A Embrapa Agroindustrial, com sede em Fortaleza, anuncia que dará apoio a um projeto de pequenos produtores que querem agregar valor ao pequi, beneficiando-o pela via industrial, usando para isso o processamento a frio para beneficiar o óleo extraído, artesanalmente, da polpa do fruto. Quer a Embrapa fortalecer a atividade dos agricultores e coletores de pequi e gerar emprego e renda na região do Cariri”.

Cariri poderá ganhar sua primeira santa: a menina Benigna


    O bispo de Crato, Dom Gilberto Pastana de Oliveira, já recebeu o livro “Positio” encerrando a penúltima fase da beatificação da “Serva de Deus” Benigna Cardoso da Silva, a menina Mártir de Castidade. Em outubro esse “Positio” será analisado pelo grupo de teólogos, da Congregação para a Causa dos Santos, que poderá declarar Benigna “Venerável”. Depois disso ela poderá ser proclamada “Beata”, última etapa que antecede a canonização.

      Séculos atrás era mais fácil a Igreja Católica canonizar um “Santo”. Hoje o processo é demorado e difícil. No século XIV a Santa Sé passou a autorizar a prestação de culto, limitado a determinados lugares, a alguns “Servos de Deus” cuja causa de canonização ainda estava em andamento ou sequer tinha sido iniciada. Esta concessão, orientada para a futura canonização, é a origem do que se denomina hoje de “beatificação”. A partir do Papa Sisto IV (1483), os “Servos de Deus” aos quais se prestava um culto limitado passaram a ser chamados de “Beatos” ou “Bem-Aventurados”. Ficou assim estabelecida em caráter definitivo a diferença entre os títulos de “Bem-Aventurado” – o servo de Deus que foi beatificado – e “Santo”, o Beato que foi canonizado.

        Parece um sonho!  Mas a menina-mártir de Santana do Cariri, Benigna Cardoso da Silva, poderá ser a primeira santa do Estado do Ceará.
  
História: Padre-mestre Ibiapina e suas passagens pelo Cariri

   Embora nascido em Sobral, em 5 de agosto de 1806, o adolescente José Antônio Pereira Ibiapina viveu – entre 1819 e 1823 – em Crato (onde frequentou aulas de religião com o vigário José Manuel Felipe Gonçalves) e na cidade de Jardim (onde estudou latim com o mestre Joaquim Teotônio Sobreira de Melo). Depois de ordenado sacerdote ele voltaria outras vezes ao Cariri, onde construiu as Casas de Caridade de Crato, Barbalha, Missão Velha e Milagres, bem como a igreja, cemitério e um açude em Jamacaru.

    Na vida civil Ibiapina foi professor de Direito Natural na Faculdade de Olinda; foi eleito Deputado Geral (hoje deputado federal) representando o Ceará na Câmara Legislativa, no Rio de Janeiro; foi nomeado Juiz de Direito e Chefe de Polícia da Comarca de Quixeramobim (CE). Exerceu a advocacia em Recife. Abandonou tudo isso e, aos 47 anos, foi ordenado Padre da Igreja Católica. A partir daí, percorreu o interior do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco levando o conforto, através da palavra para o povo sofrido do sertão nordestino. Mas não só isso. A cavalo ou a pé, sempre vestido com a batina, pregava nas “missões”; paralelamente, construía igrejas, capelas, cacimbas, açudes, cemitérios e hospitais. Chegou a construir mais de 20 Casas de Caridade para moças órfãs e carentes.

    Sobre ele, escreveu Gilberto Freyre: “ Ibiapina foi realmente uma enorme força moral a serviço da Igreja e do Brasil. [...] exemplos como o do padre Ibiapina – que,  sozinho, fundou e organizou vinte casas de caridade nos sertões do Nordeste – se impõem aos brasileiros como grandes valores morais”. Faleceu no município de Solânea, na Paraíba, em 19 de fevereiro de 1883. Sua causa de beatificação corre na Congregação para a Causa dos Santos, do Vaticano.

   Ao Padre Ibiapina se aplica com toda justeza as palavras do livro bíblico “Eclesiástico”: “Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras da sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça”. (Eclo 2,1-3)

13 agosto 2018

Ceará, um caso exemplar do poder das oligarquias (Por Ricardo Noblat )


(Publicado no site da revista VEJA)

Política de pai para filho, de irmão para irmão, de marido para mulher

    A proximidade de eleições escancara por toda parte o domínio da política por grupos familiares, mas o caso do Ceará, pelo menos no momento, é o que mais chama a atenção. Ali, um Ferreira Gomes (Ciro) é candidato a presidente. Outro (Cid), a senador. O terceiro (Ivo) é prefeito de Sobral. O quarto (Lúcio), secretário de Estado. O quinto (Lia), candidata a deputada estadual.

   Ciro é irmão de Cid, que é irmão de Ivo, que é irmão de Lúcio, que é irmão de Lia, a caçula. Ciro e Cid já governaram o Ceará. Antes foram deputados, assim como Ivo.Os cinco são netos de José Euclides Ferreira Gomes que dá nome ao anexo da Assembleia Legislativa do Ceará, onde foi deputado no início do século passado. A cidade de Sobral é o berço político deles.

   Um Ferreira Gomes (Vicente) foi o primeiro prefeito de Sobral em 1890. Outro (José) foi o segundo. Mais um governou a cidade em 1935. Que voltou a ser governada pela família em 1977. Pergunte a Ciro, Cid, Ivo, Lúcio ou à estreante Lia se eles se consideram uma oligarquia. Ou melhor: não pergunte. Isso costuma irritá-los. Eles alegam ter vocação para a política, e pronto. Não são os únicos.

   O presidente da Assembleia Legislativa lançou o filho candidato a deputado federal. O prefeito de Fortaleza indicou o irmão para suplente de Cid Gomes, candidato a senador. A mulher do prefeito de Caucaia é candidata à deputada estadual. O filho de Arnon Bezerra,  prefeito de Juazeiro do Norte, Pedro Augusto Bezerra,  a deputado federal. O vice-prefeito de Maracanaú é candidato a deputado federal e o filho a estadual.

   Para não parecer birra com o Ceará, registre-se que no Piauí também tem disso. A mulher do governador é candidata à deputada federal. Assim como o filho do presidente da Assembleia Legislativa, no cargo há 14 anos. O senador Ciro Nogueira, presidente do Partido Popular (PP), quer se reeleger e eleger a mulher deputada federal. E como teme perder o mandato para a Lava Jato, indicou a própria mãe para suplente dele.

12 agosto 2018

Corações ao Alto: Dom Fernando Panico celebra 25 anos de Ordenação Episcopal

No pátio interno da Fundação Padre Ibiapina, ocorreu o jantar oferecido a Dom Fernando Panico, comemorando os 25 da ordenação dele como Bispo

   Em 14 de agosto de 1993, Dom Fernando Panico, Missionário do Sagrado Coração– MSC, foi ordenado Bispo para a Santa Igreja, e hoje recorda 25 anos deste momento especial. Sentindo muito de perto o afeto dos fiéis e do clero diocesano de Crato, os quais ele guiou por quinze anos e meio, Dom Panico rendeu graças a Deus por tão grande responsabilidade eclesial, em Missa concelebrada com os outros bispos, dentre eles o seu sucessor, Dom Gilberto Pastana,  Dom Edimilson Neves, bispo de Tianguá e Dom Geraldo Nascimento, bispo emérito da Arquidiocese de Fortaleza, também se fizeram presentes à Cerimônia Eucarística, que teve início ao anoitecer deste sábado (11/08), na Sé-Catedral Nossa Senhora da Penha.

“Meu coração se enche de alegria por estar, novamente, com vocês, celebrando a nossa fé em Jesus, o Bom Pastor. Renovo meus sentimentos, cordiais, de gratidão. Revivi memórias, vivi saudades, sobretudo, renovei, com vocês, o meu compromisso de fidelidade ao dom da vocação, ao dom da vida”, considerou Dom Fernando.

Como a festividade de seus 25 anos de bispo se dá, justamente, no Ano Nacional do Laicato, “glória e honra da nossa Igreja”, Dom Fernando convidou a religiosa pertencente à Ordem das Cônegas de Santo Agostinho, Irmã Annette Dumoulin, para proferir a homilia.

Homenagens
Dentre as homenagens feitas a Dom Fernando, por ocasião de seu 25º aniversário de Ordenação Episcopal, estavam três mensagens: a primeira, assinada pelo Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Sergio da Rocha; a segunda, encaminhada pelo Núncio Apostólico, Dom Giovanni d’Aniello, e a última escrita pelo  Papa Francisco (em Latim, traduzida para o Português). Todas agradeciam a dedicação de Dom Fernando ao mistério episcopal.

Dom Gilberto e Dom Edimilson, igualmente, expressaram congratulações. O pastor de Crato lembrou que “ser bispo não é uma vontade pessoal, mas alguém que é escolhido, pelo Senhor, para cuidar do povo”. Neste sentido, agradeceu a Deus pelo dom da vida de seu antecessor, sua presença acolhedora, paterna e amiga. Depois entregou uma cópia dos documentos da Menina Benigna Cardoso e um quadro com o ícone de Jesus Crucificado. Já Dom Edimilson falou da graça de comemorar,  festivamente, esse acontecimento de grande significado para Dom Fernando e a Igreja de Crato, cujo ministério, é marcado, sobretudo pela “fecundidade”. “Aqui vivemos experiências de Liturgias muito belas, dando, a mim, a graça de ser ordenado pelo Senhor”.

A Diocese de Floriano (PI), primeira diocese pastoreada por Dom Fernando, e a Arquidiocese da Paraíba, onde ele reside atualmente, também unem-se, de modo jubiloso, nos dias 12 e 14 deste mês de agosto, respectivamente.
Fonte: Site da Diocese de Crato

O que disse o representante dos padres da Diocese de Crato sobre Dom Fernando

   Com a catedral de Nossa Senhora da Penha completamente lotada, a comunidade católica do Sul do Ceará prestou significativa homenagem ao Bispo-emérito de Crato, dom Fernando Panico, por motivo do seu Jubileu de Prata de ordenação episcopal.
  Abaixo a saudação do representante do clero da Diocese de Crato, Pe. Vaudênio Nergino, que expressou o sentimento da maioria dos sacerdotes caririenses, em relação a Dom Fernando Panico:
Dom Fernando chega à Catedral de Crato, neste sábado, 11 de agosto

"Achar que a gratidão é apenas o ato de retribuir atitudes ou situações agradáveis que outras pessoas nos fizeram é uma forma de agradecer muito pequena. Na verdade  ser grato é um estado de espírito que não se deve fazer referência somente aos fatos positivos, mas, e sobretudo,  a tudo que nos foi feito por uma pessoa. Por isso, ser grato é ter essa pessoa presente em nossa vida.

     Hoje temos a oportunidade de manifestar a Dom Fernando Panico o nosso reconhecimento e nossa gratidão por tudo que ele construiu e sofreu nos quase 16 anos em que foi o Bispo Diocesano do Sul do Ceará.

      Nesta noite, queremos relembrar o nosso Bispo-emérito que   realizou, durante três anos, as Santas Missões Populares, que deram uma marca missionária à Igreja Particular de Crato. Queremos recordar o Bispo-emérito que reestruturou a pastoral da Diocese em foranias e comunidades. Que aceitou o desafio de realizar o 13º Encontro Nacional das Comunidades Eclesiais de Base, na nossa diocese; que conseguiu a elevação da Igreja Paróquia de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor. Que criou treze novas paróquias e quatro novos Santuários Diocesanos.

         Queremos deixar nosso “muito obrigado’ ao Bispo-emérito que construiu uma unidade da Fazenda da Esperança, no município de Mauriti, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas. Ao Bispo-emérito que   deu o reconhecimento diocesano às novas comunidades de leigos consagrados. E acolheu – nas várias cidades da diocese - vários institutos religiosos, a exemplo da Abadia das Monjas Beneditinas, em Juazeiro do Norte.

      Temos uma dívida de gratidão para com Dom Fernando Panico, não só pelas muitas realizações materiais que ele legou à Diocese de Crato ao tempo que foi nosso pastor. Mas somos agradecidos sobretudo por todo o apoio que ele nos proporcionou todas as vezes que o procurávamos para compartilhar as dificuldades com o nosso pastoreio. Quando nos tratou por filhos, como pai que orienta um filho. Quando Dom Fernando dispendeu energias e sofrimentos para a formação do clero.

       Gratidão quando Dom Fernando definiu os rumos da nossa diocese como “Romeira e Missionária”, quebrando paradigmas, às vezes sofrendo incompreensão até dentro do clero a quem ele sempre tratou com respeito e paternidade.

       Hoje, Dom Fernando, quando mais de um ano e meio completa-se que o Senhor deixou o pastoreio desta diocese; quando o tempo já nos possibilita fazer uma análise serena e equilibrada da sua passagem por esta Igreja Particular, podemos ver que o Sr. tinha razão em muitas das suas decisões. Sim, porque a Igreja é missionária por natureza. Tem a missão de anunciar o Reino de Deus como fez Jesus que é a luz dos povos (Lc 2,32). 

       Jesus confiou à Igreja a missão, o poder e a obrigação de levar a luz do Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). Não fazia sentido fechar os olhos ao fenômeno das romarias ao Padre Cícero. O Senhor compreendeu que a Igreja cumpre sua missão através da pregação da Palavra, testemunho de fé, vivência da caridade e celebração dos santos mistérios (sacramentos). A Igreja não é uma sociedade qualquer, ela é humano-divina, brota do Mistério da Trindade. Por isso, não deve haver separação entre Cristo, Reino e Igreja. A Igreja é comunhão de vida na fé, esperança e amor fraterno. Advogada dos pobres e defensora da vida, porque defensora dos direitos de Deus criador: “A Igreja é coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15).

       Nosso reconhecimento e agradecimento quando o Senhor soube descobrir, acolher, acompanhar os vocacionandos e vocacionados, os seminaristas das nossas duas casas de formação e demais iniciativas vocacionais que são o centro das preocupações de um Sucessor dos Apóstolos. 

         Por isso Dom Fernando, que bom seria se esse agradecimento ficasse registrado em letras de bronze e não em rabiscos escritos na areia. A sua vivência entre nós, durante o seu episcopado atualizou esta presença confortante e consoladora de Jesus Bom Pastor no meio do seu povo.

Somos profundamente agradecidos pelo modo sereno e tranquilo como o senhor conduziu seu convívio com sacerdotes e fiéis, pelo seu carinho para os romeiros de Juazeiro, para com os jovens, o cuidado para com as famílias, a atenção para com os idosos, as palavras paternas e encorajadoras para com os agentes de pastoral, a ida às comunidades e o envolvimento direto com o povo simples, acolhedor e generoso de nossa diocese.

     Que Jesus Misericordioso, e a Virgem Maria, Mãe da Penha, possa recompensá-lo por todo o bem que o Senhor fez entre nós.
       SURSUM CORDA!"

11 agosto 2018

Amplidão - Por: Emerson Monteiro


Nalgumas dessas paisagens que vêm assim cheias de letras e palavras e imagens nalgumas delas há repetições de títulos, o que leva a mudar noutros a fim de chegar mais perto de contar as visões do interior dos túneis internos os corredores da alma da gente. Isso de querer falar o que todo mundo sente e também quer dizer e diz ou não diz de vez em quando. Na vontade incontida, pois, do trabalho da expressão delas das palavras nascem outros nomes de forma insistente do ato de narrar os acontecimentos das moléculas nas células, e dessas nos elementos do corpo através dos sentidos, busca de ampliar o ímpeto e reverter o quadro harmonioso do silêncio em outros quadros, jeito de sobreviver ao instante e narrar os acontecimentos interiores. Foram inúmeras as oportunidades de calar, porém do outro lado existem os que também querer conhecer o que ocorre dentro dos demais, nos sobressaltos dos caminhos e das histórias.

Diversos abrigos escondidos nas pessoas vagam decerto soltos nas prateleiras do mundo em gestos de papel, de sinais expostos ao vento do desaparecimento, convites ao sentido de procurar o sentido nos objetos e nos corpos em constante movimento. Eles, os pensantes humanos, nós, enfim, trocam de postos a todo dia, insetos fervilhantes nas letras em ação. Novecentos e sessenta e tantos suspiros viraram nisso literatura atirada nas calçadas do firmamento, e as perguntas continuam persistentes. Umas indagam da razão de estar aqui; outras o valor do perdão; as dores do espanto aberto dos corações enamorados; as nuvens que circulavam o sentimento dos poetas e dos heróis nas lendas; os vastos campos da compreensão que pedem maiores interrogações face ao desamor que circula nos presídios e nas fugas da culpa; por isso além de querer contar e levar adiante o impulso das gestas, vem daí alvoreceres dos poucos esquecidos deixados fora da sorte que ainda impera na força do pensamento a vencer as visões fantasmagóricas da ignorância. Ampliar nalgum lugar a consciência em atitudes de purificação dos seres que abrem os olhos pouco a pouco à visão do Paraíso.

A pátria da libertação - Por: Emerson Monteiro


Quando você conquista o coração, ele se torna ponto importante em tudo. Obtém êxito em conhecer e morar na terra da Salvação para sempre. Conquista o desejo de dominar o mundo e domina o mistério da Criação no íntimo da alma; nisso vive o eterno dos sonhos, o interior da presença. Queira e vencerá o mundo de dentro, aonde imperavam instintos desde os começos da pessoa humana. Reverte com isso o quadro de enxames das velharias que antes prevaleciam e que agora nem de longe interessa que tenha o mínimo de importância no jogo das contas de vidro do tempo. Querer tal fator de sobrevivência e razão de tudo quanto há eis o conquistar do coração.

Bom, falar de conquistar o coração... O que é? Que é o coração de conquistar? Sede essencial dos valores desta vida, tem no entanto explicação noutros níveis de consciência. Além da carne existe uma vida que continua quando esta daqui termina. É o túnel de chegar a esse território novo da libertação depois da matéria; é o coração. Espécie de passagem secreta, ele conduzirá a Deus.

A rendição ao equilíbrio do Universo tem ali o instrumento da sua realidade, isto na essência, o Ser real da criatura. Sol de luminosidade intensa, permite a transformação dos solitários animais de existência ocasional em fonte perpétua e júbilo. Isto enquanto acontece a aceitação definitiva da verdade, marca indelével da paz. São, por isso, muitas luas no céu, fogueiras mil e esforços contínuos de aceitação até galgar a percepção que aspirava.

Deixar de lados todos os chamamentos que dispersavam a visão tão só nos apelos deste mundo, à busca do setor próprio da alma da gente. Pois exatamente nesse princípio que vem de ser compreendido é que habita o coração qual sentimento, gosto de viver com arte o Amor. 

10 agosto 2018

250 anos de criação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha

  Criada em 4 de janeiro de 1768, pelo 8º Bispo de Pernambuco – Dom Francisco Xavier Aranha –   a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, de Crato, foi desmembrada da Paróquia de São José, de Missão Velha. Naquele tempo o Ceará pertencia à Diocese de Olinda.

   Originou-se a matriz cratense de uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, construída – por volta de 1740 – pelo capuchinho italiano, Frei Carlos Maria de Ferrara. Este frade foi o fundador do aldeamento da Missão do Miranda, núcleo inicial da atual cidade de Crato. A “missão” foi criada para abrigar e prestar assistência religiosa às populações indígenas que viviam espalhadas ao Norte da Chapada do Araripe.

   Em janeiro de 1745, Frei Carlos Maria de Ferrara colocou na igrejinha uma placa de pedra, oficializando a consagração que fizera do templo a Deus Uno e Trino e, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha e, em segundo plano, a São Fidelis de Sigmaringa, este último oficializado – em 2014 – como co-padroeiro de Crato.

    Em 1914, com a criação da Diocese de Crato, a matriz de Nossa Senhora da Penha foi elevada à categoria de Sé, ou seja, tornou-se a Catedral e Igreja-Mãe; o templo mais importante da diocese, pois é lá que fica a cátedra (cadeira) do bispo (também chamada Sólio Episcopal). 

    Nos dias atuais, a Catedral de Nossa Senhora da Penha é o espaço sagrado e histórico mais importante da cidade de Crato. É o lugar-sinal de comunhão e da unidade da Diocese e também da comunhão com a Igreja Universal. A Catedral de Crato possui um rico patrimônio histórico, artístico, cultural e religioso que é um orgulho para a população de todo o Cariri.
Catedral de Crato na década 1930

A cura milagrosa da Princesa Isabel


Foto da Princesa Isabel, tirada no exílio. A Família Imperial Brasileira teve
o mais longo exílio já imposto a brasileiros, nos 518 anos da existência
de nossa pátria

Estando a Família Imperial do Brasil forçosamente exilada desde o golpe republicano de 15 de novembro de 1889, a Princesa Dona Isabel, a Redentora, tendo se tornado Chefe da Casa Imperial do Brasil, e seu marido, o Conde d’Eu, estabeleceram-se na França, passando parte do ano no Palacete de Boulogne-sur-Seine, nos arredores de Paris.

Ali, em um ritmo muito mais cosmopolita, a vida social era mais intensificada, alterando-se um tanto em relação ao ritmo bucólico da vida no Castelo d’Eu, na Normandia, onde a Família Imperial passava a outra parte do ano. Em Boulogne, a Redentora recebia ainda maior número de brasileiros residentes em Paris, ou que por lá passavam (a residência era uma espécie de “embaixada informal” do Brasil), e, por sua vez, visitava sua numerosa parentela, como também hospitais e instituições de caridade, que dependiam do seu apoio financeiro.

Certa feita, a Chefe da Casa Imperial visitou, na Rue du Bac, a célebre capela em que Nossa Senhora apareceu, em 1830, a Santa Catarina Labouré, e lhe revelou a Medalha Milagrosa – devoção que rapidamente se espalhou pelo mundo inteiro. Na capela, as freiras quiseram que Sua Alteza se sentasse em uma cadeira objeto de especial veneração: a mesma em que a própria Santíssima Virgem se sentara!

A Redentora, por humildade, recusou a oferta, dizendo que não era digna de tamanha honra, mas as religiosas insistiram a tal ponto que Sua Alteza, depois de se persignar, sentou-se um só momento... E logo se levantou, curada de umas incômodas dores, que havia muito a atormentavam. A Chefe da Casa Imperial chegou a depor oficialmente no processo de beatificação da vidente, dando testemunho dessa e de outras graças recebidas.

(Baseado em trecho do livro “Dom Pedro Henrique – O Condestável das Saudades e da Esperança”, do Prof. Armando Alexandre dos Santos).

Outra vez aqui - Por: Emerson Monteiro


E nisso regressar sempre mais perto ao ponto em que, nalguma ocasião, o sentimento criara raízes e ferira de morte a solidão. Bem no âmago de si, no auge das cordilheiras da alma, e mergulhar os abismos da consciência numa espécie de atitude presente em tantos chamamentos. Quando a disposição de reviver o momento refaz essa disposição interior de seguir solto nas ondas desse mar imenso, alheio que seja aos sentidos só aparentes da realidade das sombras. Admitir existisse vida em tudo, ainda que as marcas deixadas pelo desespero insistissem guardar na desistência os valores da Eternidade presente.

Sucumbir no tom ácido dos objetos em decomposição, entretanto ciente das certezas em dias menos bizarros, quais atores imbatíveis das aventuras, mocinhos de novas histórias, andarilhos das florestas imaginárias aonde há uma luz que nos aguarda... Nessas horas, chegam antigas dívidas, restos das paixões alucinadas, feiticeiras das noites de sábado. Contudo elas andam pelas calçadas que transformam.

Crescem nisso as nuvens e marcas dos astros que percorrem o trilho das possibilidades, sinais indicativos de grandiosas mudanças logo ali adiante de erros que nesse lugar um dia se deram. Foram muitas as oportunidades, no entanto largadas no querer das massas. Preencheram o fastio das madrugadas em jeito de duras equações de prazer no trinco das contradições. Dormiram todos e jamais reviverão passados remotos que alimentavam de amores tortos através de dores profundas.

Até este dia, hora de rever as paisagens da infância e sorrir lá dentro por meio dos animais, olhar nos raios de sóis infinitos, persistentes, constantes, de memórias que resistem ao tempo, ou são partes do poder de querer no seio da vontade. Olhos acesos nas saudades vivas no coração e na paz dos seres, a força do inesperado toma conta de tudo em volta.

08 agosto 2018

CARIRIENSIDADE --por Armando Lopes Rafael


 A cachoeira de Missão Velha


    Localizada no Sítio Cachoeira, a 3km da cidade de Missão Velha, essa cachoeira forma – na quadra das chuvas do início do ano – quedas d’água, oriundas do Rio Salgado, com aproximadamente 12 metros de altura. No chamado “inverno”, a cachoeira vira uma paisagem de grande beleza. Dizem que ali se realizavam cerimônias religiosas feitas pelas populações indígenas que  habitavam aquele lugar.

    A pouca distância da cachoeira, ainda podem ser vistos os restos de casas de pedra, da primitiva colonização do Cariri, iniciada a partir do século XVII. O Geopark Araripe transformou a Cachoeira de Missão Velha num dos seus “geotopes”. A rocha sedimentar desse geossítio é o arenito da formação Cariri, com aproximadamente 420 milhões de anos (Período Siluriano).

O Boqueirão de Lavras da Mangabeira


   O Boqueirão do Rio Salgado (mais conhecido como Boqueirão de Lavras) é formado por uma pequena chapada – cortada ao meio –  localizada a cinco quilômetros da cidade de Lavras da Mangabeira. Nesse Boqueirão – na parte alta –  localiza-se uma gruta (a Gruta do Boqueirão), que é  é aureolada por lendas e estórias. Cientificamente, sabe-se que o Boqueirão de Lavras foi formado, há milhares de anos, devido à erosão provocada pela ação das águas do Rio Salgado.

    Assim foi se formando uma fenda por onde corre – na quadra das chuvas – as águas do rio, tendo por moldura uma espécie de canyon de rara beleza. O Boqueirão de Lavras há muito já deveria ter sido transformado numa Área de Proteção Ambiental (APA). A exemplo do que foi feito, em 1997, com a Chapada do Araripe.

Tropeiros de Várzea Alegre

    O pesquisador Antônio Gonçalo de Sousa é autor do livro: “Tropeirismo nosso”. Tropeiro (também chamado almocreve) era o condutor de tropas de animais de carga, uma figura típica no Cariri, até o início do século passado. O tropeiro desapareceu com a chegada do trem e dos caminhões a nossa região.

O livro “Tropeirismo nosso” resgata a vida de Antônio Gonçalo Araripe, (avô do autor) nascido em Várzea Alegre, em 1896. A vida de Antônio Gonçalo Araripe foi toda dedicada ao tropeirismo, sendo ele pioneiro nessa profissão naquele município sul-cearense. 

    
Durante quase toda a primeira metade do século XX, Antônio Gonçalo Araripe vasculhou a região Sul do Ceará, com sua tropa de burros. Partindo de Várzea Alegre, transportava mercadorias num circuito que ia de Iguatu a Crato–Juazeiro; e de Lavras da Mangabeira a Farias Brito. Com seu honrado trabalho, Antônio Gonçalo Araripe conseguiu até adquirir até uma nesga de terra para moradia e cultivo. Proporcionou le  a educação aos filhos e chegou a comprar uma casinha – na cidade de Várzea Alegre – para acompanhar as festas de São Raimundo Nonato, o santo-padroeiro daquela localidade.

Política de boa vizinhança?

     Crato possui 22 ruas que têm os nomes de todos os municípios do Cariri (mais precisamente os criados até a década 1970). Sua mais longa avenida foi  denominada de “Padre Cícero” (ela começa no bairro São Miguel e vai até a divisa Crato-Juazeiro, no bairro São José, com os CEPs 63122–440 a 445). Tem mais: os vereadores de Crato denominaram – oficialmente – as seguintes ruas: No centro: Rua Juazeiro do Norte (CEP 63100-120); No bairro Alto da Penha: Rua Monsenhor Murilo de Sá Barreto (CEP 63133-800), Rua Coelho Alves (CEP 63113-320) e Rua Mons. Lima (63100-510). Todos essas pessoas residiram e tiveram influência na cidade de Juazeiro do Norte.

As viagens entre Fortaleza e o Cariri há 200 anos

     Hoje uma pessoa entra num avião, em Juazeiro do Norte, e depois de 45 minutos desembarca em Fortaleza. Duzentos anos atrás eram precárias as comunicações na Província do Ceará.
     Cento e dez léguas (cerca de 660 km) separavam Fortaleza, a capital da Província, localizada às margens do Oceano Atlântico, das pequenas vilas então existentes na região do Cariri, situadas nas faldas da Chapada do Araripe, já na fronteira com Pernambuco.


     Chegavam a durar cerca de trinta dias uma viagem entre o litoral e o Cariri cearense, naquele recuado tempo. Esses deslocamentos eram feitos utilizando-se as precárias estradas vicinais constituídas, na maioria das vezes, de simples veredas. Para aquelas viagens utilizavam-se animais. Nos primeiros meses do ano, temporada das chuvas – devido aos lamaçais e aos riachos a serem transpostos – aqueles deslocamentos poderiam demorar ainda mais. Não raro, alguns trechos das veredas ficavam, dias, intransitáveis.
     Também nos meses da estiagem os obstáculos eram grandes! O sol escaldante, o forte calor e as estradas poeirentas constituíam um cenário monótono, durante os longos e cansativos dias das viagens, em meio à paisagem cinzenta da vegetação seca da caatinga. Até chegar à paisagem caririense com seus verdes canaviais e o cheiro doce dos engenhos de rapadura, espalhando-se pelos ares...

História: o primeiro jornal do Cariri

Jornalista João Brígido

   O jornal chamava-se “O Araripe”. Circulou – na Vila Real do Crato – pela primeira vez em 1855. Seu criador e editor: João Brígido dos Santos, nascido na Vila de São João Barra, na província (hoje estado) do Rio de Janeiro, em 3 de dezembro de 1829. Quando publicou a primeira vez  “O Araripe”, João Brígido tinha apenas 26 anos. A vida dele é uma epopeia que merece ser lembrada. Quando era ainda menino, um dia salvou de um afogamento um colega seu, que tomava banho no rio da cidade de Quixeramobim.  Nome do menino salvo: Antônio Conselheiro. Este, depois seria o líder messiânico de Canudos, imortalizado no livro “Os Sertões” de Euclides da Cunha, e figura de destaque na história do Brasil.

    João Brígido dos Santos morou em Crato por 10 anos.  Além de jornalista foi político e historiador. Um livro dele (“Apontamentos para a História do Cariri”, editado em 1861, na cidade de Recife), é – ainda hoje – importante fonte de pesquisa. João Brígido transferiu-se, posteriormente, para a cidade de Fortaleza. Lá criou o jornal “Unitário”e foi um dos mais destacados intelectuais da capital cearense. É autor dos livros: “Gênese do Ceará” e “Ceará, Homens e Fatos (1919), dentre outros.

Memória: os 250 anos da 2ª  paróquia mais antiga do Cariri


     Criada em 4 de janeiro de 1768, pelo 8º Bispo de Pernambuco – Dom Francisco Xavier Aranha –   a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, de Crato, foi desmembrada da Paróquia de São José, de Missão Velha. Naquele tempo o Ceará pertencia à Diocese de Olinda. Originou-se a matriz cratense de uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, construída – por volta de 1740 – pelo capuchinho italiano, Frei Carlos Maria de Ferrara. Este frade foi o fundador do aldeamento da Missão do Miranda, núcleo inicial da atual cidade de Crato. A “missão” foi criada para abrigar e prestar assistência religiosa às populações indígenas que viviam espalhadas ao Norte da Chapada do Araripe.

      Em janeiro de 1745, Frei Carlos Maria de Ferrara colocou na igrejinha uma placa de pedra, oficializando a consagração que fizera do pequeno templo. Este, dedicado “A Deus Uno e Trino e, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha e, em segundo plano, a São Fidelis de Sigmaringa”. Em 2014, por decreto do Bispo Diocesano, Dom Fernando Panico, São Fidelis de Sigmaringa foi oficializado como “Co-padroeiro de Crato”.

             Os 250 anos de criação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha será o tema da festa da Rainha e Padroeira dos cratenses, que tem inicio no próximo dia 22 de agosto e termina em 1º de setembro.