03 dezembro 2019

Aprendizes do Destino - Por: Emerson Monteiro


Quanta possibilidade no querer dos humanos, e nem por isso levada em conta no transcorrer das civilizações. Recursos vários quais honestidade, justiça, harmonia, no entanto são facilmente atirados na sarjeta da mediocridade. A necessidade vem sendo por demais, sobretudo de exemplos entre as lideranças, no seio do poder e das instituições. O cidadão preenche um cargo e esquece a finalidade, a responsabilidade, que lhe foi entregue e acha que vive só de crescer nas fortunas familiares, por vezes ou quase sempre desnorteados naquilo a que ascenderam.

A conclusão disso fica evidente na pura ignorância dos reais valores da existência e abandono das conquistas da espécie; isto depois de tantas experiências nefastas e desvios de conduta que pecam e destroem, sendo eles meros escravos dos vícios da fama e da destruição, longe dos compromissos assumidos.

Bom, mas ver de frente impõe visualizar essa ausência de conhecimento que gerar sacrifício de milhões. É certo saber que há um movimento constante das forças da Natureza também dentro das pessoas, e que as escolas ensinam a importância de praticar o senso da espiritualidade a que de muitos exige atitude. Houvesse amor verdadeiro e tudo o mais revelaria o quanto de poder dispõe o ser humano, ainda que desejem a satisfação temporária dos apetites materiais.

Daí, hoje já se conhece motivos outros de praticar o poder, porém a vulgaridade fruto do imediato reclama o domínio da inteligência. Somos aprendizes do Destino, cavaleiros andantes da sorte, no mar do Tempo. Durante o passar das gerações, desfrutamos do direito à vida, raramente exitosa, contudo necessária ao crescimento dos indivíduos no seio das sociedades, a fim de transformar a si e ao mundo, até que um dia evidenciemos a causa de existir. Outros nos observam, professores que representamos na escola da Eternidade. Amar, pois, vamos nisto descobrir a força de sintonizar com a luz de Quem nos trouxe até aqui e observa os nossos praticados.

02 dezembro 2019

Há 194 anos nascia o Imperador Dom Pedro II (por Armando Lopes Rafael)




   Em 1825, no dia 2 de dezembro, nasceu no Rio de Janeiro o menino Pedro de Alcântara (que viria, posteriormente, a ser reconhecido como “O Maior dos Brasileiros). Era filho de Dom Pedro I e de dona Leopoldina que foram os primeiros imperadores do Brasil.

     Sobre Dom Pedro II, transcrevo, abaixo, um trecho que li na apresentação, feita no último dia 13 de novembro, do livro do Dr. José Flávio Bezerra Morais, que versa sobre o segundo imperador dos brasileiros. A conferir.

Sobre o Imperador Dom Pedro II

     Josemaria Escrivá, o santo-fundador do Opus Dei, disse, em certa ocasião, esta frase:
"Verdadeiramente a crise do mundo é “crise de santos”!

     Isto é, a crise do mundo decorre do pouco número daqueles que hoje se sacrificam e oram por si e pelos outros.

     Mutatis mutandis, podemos afirmar que a crise do Brasil atual é uma “crise de estadistas”. Esta sim, é a nossa principal crise – da qual decorrem as demais – e ela advém da ausência de boas lideranças políticas. Muitas das atuais, que pululam por aí, são carentes de elevada estatura moral, de tirocínio, de probidade e retidão. Nossos administradores têm hoje pouca habilidade e pouco discernimento, o que se reflete negativamente na administração do Estado e na gerência das questões políticas.

        Por isso, a data 15 de novembro, que ocorrerá depois de amanhã, assinalante dos cento e trinta anos de aniversário do golpe militar que implantou a forma republicana na nossa pátria, nunca foi comemorada pela população brasileira. Todos os anos, repórteres dos noticiários televisivos saem às ruas para perguntar ao povo a razão do feriado de “15 de novembro”. A grande maioria dos consultados responde simplesmente que não sabe.

         Talvez por isso, 128 anos depois da morte do nosso último Imperador, ele ainda sobreviva   – no imaginário popular - como “O maior dos brasileiros”. O que justifica que esse soneto, atribuído a Dom Pedro II, que tem por título: “Terra do Brasil”, escrito quase ao fim da existência terrena do velho imperador, ainda comova a muitos. Permita-me ler o soneto:

“Espavorida agita-se a criança,
De noturnos fantasmas com receio,
Mas se abrigo lhe dá materno seio,
Fecha os doridos olhos e descansa.

Perdida é para mim toda a esperança
De volver ao Brasil; de lá me veio
Um pugilo de terra; e neste creio
Brando será meu sono e sem tardança...

Qual o infante a dormir em peito amigo,
Tristes sombras varrendo da memória,
ó doce Pátria, sonharei contigo!

E entre visões de paz, de luz, de glória,
Sereno aguardarei no meu jazigo
A justiça de Deus na voz da história!”

      É também, atualíssimo, o parágrafo abaixo, tirado de uma anotação escrita por Dom Pedro II, poucos dias antes da sua morte, ocorrida em 5 de dezembro de 1891, durante o seu banimento e exílio forçado, na França, que agora leio:

          “No alto de uma folha de papel escrevam a data do meu nascimento e o dia que subi ao trono; no fim, quando faleci. Deixem todo o intervalo em branco, para o que ditar o futuro; ele que conte o que fiz, as intenções que sempre me dominaram e as cruéis injustiças que tive de suportar em silencio, sem poder jamais defender-me”.

      As reminiscências, registros e manifestações de tantos memorialistas, jornalistas, escritores e historiadores, consolidaram um juízo favorável ao velho soberano, cuja atuação austera e competente marcou durante quase 50 anos a história do Brasil. Ele foi, verdadeiramente, um homem consciente da sua missão histórica, a qual exerceu com honestidade e ética. Serviu, ele e a sua Família Imperial, de arquetípicos de uma sociedade ainda em formação”.

1825 -- 2 de dezembro -- 2019


01 dezembro 2019

ERRAR A MÃO -- por David Zylbergeld Neto (*)




Após a magna decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) colocando nos devidos lugares o processo Lula e o sítio de Atibaia, confirmando os crimes praticados e, naturalmente, elevando a pena aplicada em primeira instância, surge nas manchetes que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) afirmam que o TRF-4 “errou a mão”.

Isso significa que, possivelmente, tais ministros já estejam conversando entre si visando a encontrar uma forma de, novamente, salvar o criminoso-mor brasileiro da prisão, dando mais um “tapa na cara” do cidadão brasileiro trabalhador, honesto e de bem. Restam, pois, algumas perguntas para os senhores doutos ministros responderem à sociedade brasileira: estes criminosos que roubaram e dilapidaram o Brasil assustadoramente por anos a fio, que são os maiores responsáveis pela falência da educação, da saúde, da segurança públicas, da infraestrutura do País, etc., erraram ou não erraram “as mãos”?

Os crimes de corrupção ativa e passiva devem ter a punição a mais severa, seguindo o máximo rigor da lei, indistintamente, para todos, ou a punição será amena para alguns privilegiados sabe-se lá por quê? Infelizmente, este é o nosso Brasil!

(*) David Zylbergeld Neto
 E-mail: dzneto@uol.com.br
São Paulo

Crônica do domingo: Memórias de um empregado da Princesa Isabel no exílio



Durante o exílio imposto à Família Imperial Brasileira após a quartelada republicana de 15 de novembro de 1889, a Princesa Dona Isabel de Bragança, tendo se tornado Chefe da Casa Imperial do Brasil, contratou, em 1895, para ser seu criado particular, o jovem e fiel francês Albert Latapie. Em suas memórias, ele nos informa que “A Princesa me disse que eu estaria ao seu serviço como empregado e prometeu ao meu pai que tomaria muito cuidado comigo; o que ela fez durante toda a vida”.

A Redentora saia muito e, geralmente, Latapie ia sempre junto, sentado na boleia do landó. Uma vez por mês, às sete horas da manhã, Sua Alteza ia a Versalhes, onde tinha seu confessor. Tomava café da manhã na casa paroquial, e de lá ia de encontro à sua grande amiga de infância, a Baronesa de Muritiba, nobre brasileira que havia acompanhado a Família Imperial em seu penoso exílio. Passeavam por Paris até a hora do almoço, quando, muitas vezes, o cocheiro aproveitava para trocar os cavalos para o período pós-meio-dia. Nesses passeios, a Chefe da Casa Imperial do Brasil visitava hospitais, clínicas e as casas dos pobres e, com frequência, faltava-lhe dinheiro, por serem tantas as esmolas que desejava distribuir.

Nas noites de inverno, uma vez por semana, Sua Alteza ia à Ópera de Paris – a “Imperatriz exilada do Brasil” era a única pessoa, além do Presidente da França, autorizada a entrar de carruagem no pátio interno da Ópera. Lá ocupava o camarote do Príncipe Henrique de Orleans, Duque d’Aumale, tio de seu marido, o Príncipe Dom Gastão de Orleans, Conde d’Eu. Quando ia à Comédia Francesa, usava o camarote de Dona Eufrásia Teixeira Leite, rica dama brasileira, também residente em Paris. Todas as vezes, a Redentora pagava uma entrada para Latapie, que, anos e anos depois, soube que Sua Alteza o fazia para que ele não ficasse por longas horas, à noite, pelas ruas da capital francesa.

(Baseado em trechos da palestra “Quem foi a Princesa Isabel?”, que o Professor José Ubaldino Motta do Amaral ministrou durante Sessão Solene realizada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a 20 de maio de 2014, em homenagem à Princesa Dona Isabel e ao 126º aniversário da Assinatura da Lei Áurea, na presença de Suas Altezas Reais o Príncipe Dom Antônio e a Princesa Dona Christine de Orleans e Bragança).


Abaixo, foto tirada na velhice de Sua Alteza Imperial a Princesa Dona Isabel de Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, durante seu longo exílio (1889-1921).

30 novembro 2019

Faleceu o radialista Heron Aquino

O Ceará perdeu, hoje, um dos mais importantes radialistas da sua história. 

Heron Aquino  somava incontáveis qualidades num só profissional. Voz bonita e poderosa; locutor versátil  que ia desde o noticiário até as transmissões esportivas exuberantes ( nesta modalidade foi certamente um dos mais completos do Rádio Cearense) ; animador de festas e cerimonialista de solenidades; produtor de programas; redator perfeccionista que escrevia com extrema correção; diretor de programação e de emissoras. 

Sua voz foi a mais inconfundível do Rádio caririense nos últimos trinta anos. Juntava-se a tudo isso uma figura humana generosa,  tranquila, sem arroubos desnecessários, uma fábrica de amigos e de admiradores, um pai de família exemplar. Os atropelos da idade fizeram com que se afastasse da profissão prematuramente. 

Hoje, partiu e é como se todos os rádios, de repente, tivessem silenciado. Sua presença, no entanto, permanecerá indelével. De alguma maneira o Cariri falava na sua voz e, com ela silenciada, perderá um pouco a força e o brilho. Grande Heron!

José Flávio Pinheiro Vieira
Presidente do Instituto Cultural do Cariri

29 novembro 2019

Coisas da "Ré-pública": o que resulta em eleger políticos analfabetos funcionais

Fonte: revista VEJA

Pior que está, fica: Tiririca é investigado pelo Ministério Público. Deputado é alvo de um inquérito que apura suspeitas de uso irregular de passagens aéreas emitidas pela Câmara

NA MIRA DO MPF - Deputado Tiririca está sendo investigado por suspeita de uso irregular de passagens aéreas da Câmara  (Cristiano Mariz/VEJA)

Em seu primeiro discurso na Câmara, em dezembro de 2017, o deputado Tiririca disse estar decepcionado com a política brasileira e com seus colegas. “O que eu vi nos sete anos aqui, eu saio totalmente com vergonha”, afirmou ele. Apesar de ter se despedido do Congresso naquele ano, o humorista se candidatou pelo Partido Liberal em 2018 e foi eleito por São Paulo com quase meio milhão de votos. Em seu terceiro mandato em Brasília, o parlamentar percebeu que, diferentemente do que dizia em sua campanha, pior que está, fica.

No último dia 18 de novembro, o Ministério Público Federal instaurou uma investigação para apurar se o deputado utilizou “verba de gabinete para realizar viagens particulares”. Embora tenha sido eleito por São Paulo, Tiririca comprou com dinheiro público passagens aéreas para o Ceará, seu estado natal. A Câmara estabelece, entre outras regras, que os recursos destinados para viagens do político têm de estar relacionados com o exercício do mandato ou com deslocamentos para a sua base eleitoral. Os bilhetes não podem servir para benefício pessoal.

No caso de Tiririca, o Ministério Público Federal apura num inquérito civil se os gastos do deputado e seus assessores com passagens aéreas ao longo deste ano tiveram como finalidade cumprir agenda parlamentar ou se foram utilizadas com outro propósito. O parlamentar eleito por São Paulo costuma postar fotos em suas redes sociais divulgando shows em sua terra natal. Somente neste ano, o seu gabinete desembolsou mais de 70 000 reais em dinheiro público para se deslocar dezenas de vezes de Brasília para Fortaleza. Procurada, a equipe de Tiririca informou que não recebeu qualquer notificação da investigação e que todas as passagens aéreas são compradas de acordo com o regimento da Câmara.

O salário líquido de Tiririca, assim como o de outros deputados, é de quase 25 000 reais. Além disso, ele ganha um auxílio moradia de 4 253 reais — e boa parte de suas despesas com transporte e refeições em Brasília é bancada pela Câmara. Ao longo deste ano, o deputado propôs 12 projetos de lei, da instituição do dia oficial do artista circense à inclusão de idosos em empresas. Apesar de sua desenvoltura em frente às câmeras, ele ainda não discursou em plenário neste ano. Mas talvez agora, sob investigação, seja um bom momento para dar explicações aos seus eleitores de São Paulo.


Sobre o "Jovem cratense, um herói" ( 3ª e última parte) – por Joaquim Pinheiro (*)

Cruzador Bahia

         “...densos rolos de fumaça, corpos dilacerados, destruição total e os gemidos dos feridos, que mal se arrastavam pelo convés, e a área de ré destruída e em chamas. Apenas três minutos após a explosão, o navio começou a afundar a popa, com uma rapidez impressionante”.

“Na primeira noite, as balsas, que eram mantidas juntas, se dispersaram, ficando apenas seis no grupo chefiado pelo Tenente Torres Dias. Falta de água e alimentos, o frio noturno e o calor diurno insuportáveis, desespero, ataques de tubarões, a insolação, fadiga, delírios, alucinações e a morte foram as companhias desses bravos marujos, até a chegada do Cargueiro Balfe.” 
  (Parágrafos extraído do blog naval.com.br.blog, de 20.05.2018, descrevendo a tragédia do Cruzador Bahia)

   Em que pese o elevado número de brasileiros sacrificados na maior tragédia da sua história naval, o caso foi tratado com displicência pelas autoridades. No primeiro momento, reconheceram que a explosão fora causada por um torpedo. O ministro da marinha declarou aos jornais que o navio fora vítima desta arma. O Almirante Ary dos Santos Rangel publicou artigo na Revista Marítima Brasileira onde escreveu “...eram aquelas águas turvas que haviam sorvido o nosso querido Cruzador Bahia, vítima de torpedeamento...”. O próprio Presidente Getúlio Vargas, em carta de pêsames endereçada aos familiares dos marinheiros mortos, afirma que eles foram “tomados de surpresa e assassinados”.

   No entanto, o inquérito instaurado para apurar as causas e os responsáveis pela explosão, presidido por um almirante americano, concluiu que os culpados pela tragédia eram as próprias vítimas. Segundo o relatório, disparo acidental de metralhadora teria acertado uma bomba no paiol do navio e feito o estrago. 

   A versão de acidente foi construída graças a enorme contorcionismo mental. Para isto, desconsiderou depoimentos da maioria dos sobreviventes, descartando inclusive revelação de sobreviventes assegurando terem avistado pequena embarcação distante, a princípio julgada como barco pesqueiro, mas o uso de potente binóculo constatou ser um submarino. Ignoraram a chegada, dias depois, de submarinos alemães na Argentina onde oficiais nazistas se exilaram. O diário de bordo de um dos comandantes registrou que o veículo saiu da Noruega carregado com torpedos mas desembarcou em Mar del Prata com três a menos. Nele também consta que no trajeto cruzou com o navio sinistrado.

    O que alguns historiadores e pesquisadores buscam hoje é identificar as razões que levaram as autoridades da época a camuflar a história. Por que os americanos, a quem o navio estava subordinado, se apressarem em apontar tripulação como culpada, quando na verdade foi vítima?
Uma conjunção de fatores pode explica estes questionamentos. O clima reinante na época era de euforia pela vitória dos aliados, cuja propaganda enfatizava a rendição incondicional dos alemães e a destruição total do seu regime.  Alardeavam que principais líderes nazistas estavam mortos ou presos. Neste contexto, o reconhecimento de atentado inimigo iria contrariar o “marketing” dos aliados.

    Do lado brasileiro, caso o governo aceitasse o fato como crime de guerra, teria que exigir da Argentina medidas contra os militares alemães dos submarinos que haviam recebido proteção do seu governo. Preferiu não criar confusão diplomática de grandes proporções.  Além do mais, a posição do almirantado ficaria extremamente desconfortável porque não teria como explicar a negligência e omissão diante de uma tragédia desta proporção. Um detalhe causa estranheza: o resultado do inquérito foi divulgado somente em 30.10.1945, em nota apócrifa, justamente no dia em que Getúlio Vargas deixou o poder. Assim, a notícia passou despercebida.

    Os mandatários americanos, por sua vez, com o novo redesenho da geopolítica mundial, já em disputa aberta com a União Soviética, elegeram novo inimigo, o comunismo. Não mais interessava aos Estados Unidos demonizar o nazismo. Pelo contrário, estava em curso a operação “paperclip”, programa americano para empregar cientistas nazistas e tirar proveito do conhecimento deles. Wernher Von Braun, engenheiro que chefiou o desenvolvimento dos foguetes de Hitler, é um bom exemplo disto. Foi o principal nome do início do início do programa espacial americano.


(*) Joaquim Pinheiro, economista. Funcionário de carreira do Banco Central do Brasil, aposentado.

Lavrador percorre 250 km com 128 rosas e homenageia Princesa Isabel - Postagem do Antônio Morais


Com 72 anos, ele saiu de Desterro de Melo, no interior de Minas Gerais, com 128 botões de rosas na bagagem, um para cada ano de liberdade. João Paulino é descendente de escravos.

O avô veio da África para Minas Gerais e morreu com 110 anos. Para o lavrador, o ato é de gratidão pela libertação dos escravos.

"Ela teve o prazer de lutar por essa raça, por esse povo, de fazer a união de cada pessoa. Sempre que eu tiver a oportunidade de vir e for recebido como tenho sido, pra mim é uma grande honra", disse o lavrador.

Desde 2012, o destino final de João é a Catedral São Pedro de Alcântara, onde fica o túmulo da Princesa Isabel. Nesta sexta, 13 - o peregrino assistiu a missa e pediu para que o padre abençoasse as rosas. Em seguida, os buquês foram colocados sobre o mausoléu.

Muitos se emocionaram ao presenciar o ato.
"Muito interessante. É uma forma de agradecer a liberdade que os negros tiveram. Uma coisa que as pessoas têm que ter consciência", disse Rita Correa, secretária.

Carina Rocha, conta que acompanha essa trajetória de João com a mala e suas rosas.
"Uns quatro anos que ele vem aqui. Ele vai lá na Catedral e vem aqui tomar um café e conversar. Eu acho muito interessante porque é uma forma de agradecer, né", afirmou a comerciante Carina Rocha.

Lei Áurea

A escravidão foi abolida no Brasil pela Princesa Isabel no dia 13 de maio de 1988. O processo de abolição foi gradual e começou com a Lei Eusébio de Queirós de 1850, seguida pela Lei do Ventre Livre de 1871, a Lei dos Sexagenários de 1885 e finalizada pela Lei Áurea em 1888.

O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravatura.

Sobre o artigo acima, postado por Antônio Morais, sobre a Princesa Isabel – por Armando Lopes Rafael


  
Caro amigo Morais:

    Fiz um comentário sobre sua postagem “Lavrador percorre 250 km com 128 rosas e homenageia Princesa Isabel”. Depois vi que meu comentário ficou longo e seria melhor eu comentar com outro artigo, dado a beleza e justeza do que você publicou.

    Daqui a dois anos (em 2021) completar-se-ão 100 anos da morte da Princesa Isabel. E a memória dela só faz crescer no imaginário do povo brasileiro. A Família Imperial foi deposta, deportada e exilada do Brasil, pela força,  – e no exterior viveu de 1889 a 1922 – no mais longo exílio que algum brasileiro já sofreu até hoje.  A Princesa Isabel morreu sem poder rever seu amado País. Sofreu, durante 33 anos que lhe restaram de vida, por um único motivo: libertou da escravidão a raça negra. Por isso passou a história como “A Redentora”.

  
     Um fato marcante, na vida da Princesa, foi o diálogo abaixo, entre ela e o Barão de Cotegipe, após a Princesa ter assinado a Lei Áurea em 13 de maio de 1888:
 Isabel perguntou: “Então, Senhor Barão, V. Excia. acha que foi acertada a adoção da lei que acabo de assinar?”. Ao que o barão, com muito carinho, respondeu: “Redimistes, sim, Alteza, uma raça, mas perdestes vosso trono...”. 

  Na partida para o exílio, a Princesa Isabel passando junto à mesa onde havia assinado a Lei Áurea, bateu nela o punho fechado e disse:
 “Mil tronos houvera, mil tronos eu sacrificaria para libertar a raça negra”.

    Foi deposta e deportada do Brasil por defender valores, como a libertação dos escravos. Ela morreu sem poder rever seu amado País.

       O jornalista Assis Chateaubriand encontrou-se certa vez com a Princesa Isabel, na França, e vendo a injustiça que fizeram contra ela escreveu, em Juiz de Fora, a 28 de julho de 1934:

“Apagada a sua estrela política, depois de vencida a tormenta da abolição, ela não tinha expressão dura, uma palavra amarga para julgar um fato ou um homem do Brasil. 

      No mais secreto de seu coração, só lhe encontrávamos a indulgência e a bondade. Este espírito de conduta, esse desprendimento das paixões em que se viu envolvida, era a maior prova de fidelidade, no exílio, à pátria distante. 

      Mais de 30 anos de separação forçada não macularam a alvura dessa tradição de tolerância, de anistia aos agravos do passado, que ela herdara do trono paterno. [...] Foi no exílio que ela deu toda a medida da majestade e da magnanimidade do seu coração. [...] Ela viveu no desterro [...] como a afirmação de Pátria, acima dos partidos e dos regimes. Debaixo da sua meiguice, da sua adorável simplicidade, quanta fortaleza de caráter, quanto heroísmo, quantas obras valorosas”. 

      Ainda hoje, 130 anos depois de expulsa da sua pátria, os brasileiros – principalmente os humildes – rendem homenagem a esta santa Princesa, cuja causa de beatificação está em estudos na Arquidiocese do Rio de Janeiro...

27 novembro 2019

Ainda sobre George Teles -- II -- por Joaquim Pinheiro (*)


- Continuação do texto "Jovem cratense -- Um Herói",   postado em 22.11.2019 -
Uma das "ruas-ladeiras" que dá acesso ao Bairro do Seminário, em Crato, recebeu o nome de Rua José George Teles Sampaio

“A explosão destruiu a popa do velho cruzador, levantou uma enorme coluna d’água, partiu o mastro maior, tirou a vida de uma centena de homens (de imediato), feriu gravemente outros 50 e converteu a vida dos não afetados em um pandemônio”. Dessa forma os escritores argentinos Carlos de Napoli e Juan Salinas iniciam o capítulo do livro “Ultramar Sur – a última operação secreta do 3º Reich” descrevendo o afundamento do Cruzador Bahia, ocorrido no dia 04.07.1945. Convém lembrar que neste navio estava o cratense George Teles Sampaio.

O Sr. Álvaro Sampaio Andrade, pai de George, tomou conhecimento da tragédia antes da divulgação oficial. É que o pessoal subalterno da marinha, inconformado com a omissão dos comandantes e as tentativas de “abafar” a notícia, avisaram aos parentes dos tripulantes. Seu Álvaro na mesma hora pegou um carro e partiu do Crato para Recife em busca de informações. Dirigiu-se diretamente à sede do comando naval. Foi recebido pelo oficial do dia que lhe pediu para aguardar pois ainda não sabiam o que tinha acontecido.  No quartel seu Álvaro encontrou outros parentes de tripulantes, todos extremamente preocupados. Entre eles, a noiva aflita de um oficial, acompanhada dos pais, cujo casamento estava marcado para o próximo mês. Não houve a cerimônia. O noivo morreu na explosão.

No dia seguinte à chegada ao Recife, Seu Álvaro soube da chegada dos primeiros sobreviventes, todos em estado grave. Juntamente com os outros parentes, dirigiu-se ao hospital naval. Conseguiu falar com algumas vítimas e soube que seu filho havia sido resgatado com vida mas fora levado para outro hospital.  Dirigiu-se então para o Hospital Centenário, e lá localizou George Teles, ainda vivo, mas inconsciente.

Dos sobreviventes “Seu” Álvaro colheu os seguintes detalhes:


 1 – George havia saído da sala de máquinas minutos antes da explosão e não foi diretamente atingido pelo torpedo;

2 – ao invés de tentar escapar no primeiro momento, como a maioria dos colegas, e ignorando os apelos de outros marinheiros, retornou a sala de máquinas e socorreu dois colegas, um em estado de choque que teve de ser carregado e o outro, seu superior imediato, ferido, com fratura exposta no braço;

3 – alcançou o bote salva-vidas tão exausto que não teve forças para subir. Foi puxado pelos outros sobreviventes. Passou parte do primeiro dia dormindo, os colegas o viravam de lado para minimizar os efeitos do sol. Acordou no final da tarde, quando o pouco da água doce disponível se esgotou;

4 – a primeira noite ficou de vigia, tentando avistar alguma embarcação para resgatá-los e cuidando para que colegas não caíssem no mar rodeado por tubarões;

5 – no terceiro dia deu sinais de delírios, típicos de desidratação elevada. Começou a ter visões irrealistas, afirmava que a mãe, junto com N. Sra. da Penha, estava vindo salvá-lo. Várias vezes tentou se jogar no mar pensando que a praia estava próxima. Teve que ser contido pelos companheiros;

6 – no quarto dia, quando resgatado, já estava inconsciente, desidratado, queimadura por todo corpo, com organismo debilitado. Não reagiu ao tratamento, falecendo horas depois;

7 – dos 17 marinheiros do seu bote salva-vidas, apenas 3 sobreviveram;

8 – Se o socorro houvesse chegado um dia antes, possivelmente todos teriam escapado.

Seu Álvaro, constatando a omissão das autoridades navais evidenciada pelo retardamento intencional da operação de busca e salvamento, externou sua indignação em entrevista, cobrando apuração do crime e a punição dos culpados. Teve a coragem de citar o nome do Almirante comandante da marinha no Nordeste, como principal responsável por mais de 300 mortes. Ele teria postergado o início da operação de busca e salvamento.

Como consequência, Seu Álvaro foi detido e processado pela lei de segurança nacional. Na época o Brasil ainda vivia sob a ditadura de Getúlio Vargas. Posteriormente, após a queda de Getúlio Vargas, o processo foi arquivado.

(*) Joaquim Pinheiro. Economista, funcionário aposentado do Banco Central do Brasil.

22 novembro 2019

Jovem cratense -- Um herói ( por Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes (*)

    
    São raros os casos de jovens mortos antes de completarem 21 anos que alcançam a imortalidade. O Crato tem um deles: José George Teles Sampaio. Nascido em 02.08.1924 e falecido no início de julho de 1945.

   O ponto marcante da sua história aconteceu em 04.07.1945. Neste dia, o Cruzador Bahia, da marinha de guerra do Brasil, onde servia, sofreu uma violenta explosão que quase o dividiu ao meio. O acidente pegou a tripulação de surpresa, já que a II guerra mundial havia terminado dois meses antes, em 08 de maio. A prontidão havia sido suspensa, e a preocupação com a segurança deixada em segundo plano.

   O navio, apesar dos seus 125 m de cumprimento e 3.105 t, afundou em apenas 10 minutos, levando para sempre, de imediato, 122 homens. Os 250 sobreviventes da ocasião tiveram apenas este curto intervalo para cortar as cordas dos botes salva vidas, lança-los ao mar e se afastarem do redemoinho formado pelo mergulho do barco. 17 balsas se safaram no primeiro momento.

   O nosso personagem foi o último a abandonar o navio. Antes de sair conseguiu arrastar dois colegas, feridos na explosão, sendo um deles, o seu superior hierárquico. O enorme esforço físico gastou energia que lhe faria falta nas horas seguintes.

   Os 17 botes, inicialmente com 250 homens, ficaram 4 dias em alto mar, dispersos, sem água, sem alimentos e sem nenhum equipamento de proteção contra o sol, cercados por tubarões. A maioria morreu em consequência da falta de socorro. Apenas 33 sobreviveram.

    O descaso de autoridades brasileiras foi responsável pela dimensão da tragédia. Não adotaram providências ante a ausência de sinais de rádio comunicação do Bahia. O protocolo da marinha obrigava os navios de guerra a enviar, a cada 2 horas, uma comunicação de rádio para indicar que estava tudo em ordem. O comando naval simplesmente ignorou a falta de comunicação. Pelas normas então vigentes, no máximo 4 horas após a ausência do sinal, deveria ter sido iniciada operação de busca pelas unidades mais próximas, inclusive acionando aviões. A operação somente foi deflagrada 100 horas após o acidente, quando a maioria já tinha morrido e os primeiros náufragos haviam sido recolhidos por um cargueiro inglês.

   As causas da explosão ainda são polêmicas. O inquérito presidido por um almirante americano concluiu que foi um tiro acidental disparado por uma das metralhadoras a bordo. Conclusão contestada por especialistas e oficiais brasileiros. Os canos das armas do navio repousavam sob uma proteção de aço que impedia que a bala saísse em ângulos inferiores a 45°. Assim, seria impossível a embarcação ser atingida por uma das suas armas.

    Outras hipóteses levantadas na época foram desconsideradas pelo Almirante americano: uma mina à deriva, curto-circuito no sistema de refrigeração do paiol ou torpedo lançado por submarino alemão, hipótese defendida por oficiais brasileiros. Com efeito, poucos dias após o acidente, submarinos alemães se entregaram ao governo argentino. Na fuga, passaram muito próximos do local onde o navio estava estacionado exatamente no momento em que este iniciou um rotineiro treinamento de tiro (às 09:15h). Os alemães imaginaram que eram o alvo e responderam ao fogo com o fatídico torpedo.

    O nosso personagem, George Teles, era Filho de Álvaro Sampaio Andrade e de Teresa Teles Sampaio (sobrinha do Coronel Filemon Teles).  Seu nome encontra-se imortalizado em uma rua do Crato, bem como no monumento aos Pracinhas, na Praia do Flamengo-RJ.
Joaquim Pinheiro – Recife 21.11.2019

Fontes:   
Roteiro bibliográfico das ruas do Crato – J. Lindemberg de Aquino;
Jornal Diário de Pernambuco de 10 a 15.07.1945.
Porto Distante – Paulo Afonso Paiva  Segredo que poucos conhecem – mistério do Cruzador Bahia – Internet

Foto gentilmente cedida por Ana Teresa Arraes de Alencar, do acervo do seu pai: José Almino de Alencar Arraes
 

(*) Joaquim Pinheiro. Economista, funcionário aposentado do Banco Central do Brasil.

Beato Donizetti Tavares de Lima – por José Luís Lira (*)



     Escrevo esta coluna enquanto me preparo para deslocamento da Capital Paulista a Tambaú (262km), Diocese de São João da Boa Vista (SP). O percurso é desconhecido para mim, mas, de leituras já é conhecido, por meio do Padre Donizetti de Tambaú, mas, ultimamente, Tambaú, a Cidade da Fé, é do Padre Donizetti e não o inverso.

    A Sala da Imprensa da Santa Sé publicou, na última segunda-feira da quaresma, 08/04/19, a notícia de que Sua Santidade o Papa Francisco autorizou decreto reconhecendo milagre atribuído ao Venerável Donizetti Tavares de Lima. Foi motivo de grande alegria para todo o Brasil que ainda não sabia de que Irmã Dulce seria canonizada.

    O novo Beato está em dois livros meus. No “A Caminho da Santidade”, Editora A Partilha (2012), registro: Nasceu em Santa Rita de Cássia (MG), a 3 de janeiro de 1882. Foi ordenado sacerdote em 12 de julho de 1908 e sua primeira paróquia foi Santana do Capivary, em Campanha (MG). Após passar por outras paróquias em São Paulo, a 12 de junho de 1926, assumiu a Paróquia de Santo Antônio, em Tambaú, onde exerceu profícuo apostolado até o seu retorno à Casa do Pai. O jornalista Joelmir Beting, assim se expressa a seu respeito: “Ele dormia em estrado de madeira coberto de jornal. Jantava caldo de quiabo e vestia-se com batina surrada. Sua única riqueza era uma biblioteca abastecida por livros doados, classificados um a um... Severo quando preciso, bondoso, sempre...” Seu biógrafo, José Wagner Cabral de Azevedo, diz que ele era “... um homem... que por um chamado de Deus, entregou sua vida ao Evangelho e à procura do bem do seu próximo”.

     Em artigo publicado, o nosso Cardeal do Brasil, Dom Orani Tempesta, Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, nos ensina: “De sua pequena Tambaú, como sempre acontece com os sinais divinos, suas bênçãos atravessaram o estado e o país. Simplesmente um padre que reza e abençoa a povo. Ao mesmo tempo cuida de sua paróquia, realiza obras sociais para os necessitados e é obediente à Igreja. Alegro-me em poder testemunhar esse momento significativo para a vida da minha Diocese de origem e mesmo de toda a Igreja no Brasil, já que de todos os cantos e recantos chegam a Tambaú, peregrinos para pedir a sua intercessão junto de Deus”.

    Conforme o jornalista Francisco Sartori, “Padre Donizetti viveu seu apostolado a serviço de Deus e da Igreja, cuidando de seu rebanho não só na parte religiosa e espiritual, mas também fora da Igreja”. O rebanho do Padre cresceu e o Beato Donizetti parece cuidar de todos nós!

    Momento muito esperado numa Causa de Beatificação e de Canonização se vivenciará neste dia 23, véspera da Festa de Cristo Rei, quando o Cardeal-Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Dom Angelo Becciu, presidirá, em nome de Sua Santidade, o Papa Francisco, a beatificação do Padre Donizetti, em Tambaú. Parabenizo aos entusiastas da Causa do Beato Donizetti e agradeço ao Dr. Paolo Vilotta, postulador da Causa, por sua brilhante atuação. Próxima semana, junto com o Pe. Nonato Timbó, participarei de encontro, coordenado por Ana Lúcia e Ronaldo Frigini, com o postulador e demais representantes de causas de beatificação e de canonização do Brasil que correm sob a responsabilidade de Paolo Vilotta.

   Salve o Beato Donizetti de Tambaú!


(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


21 novembro 2019

Neste sábado, 23 de novembro, Brasil ganha novo Santo: Padre Donizetti Tavares de Lima – por José Maria Tomazela


Beato Padre Donizetti

Um altar gigantesco em forma de cruz, com 75 metros de comprimento por 15 de largura, vai receber os mais de 300 celebrantes da cerimônia de beatificação do Padre Donizetti Tavares de Lima, neste sábado, 23, na cidade de Tambaú, interior de São Paulo. A solenidade oficializa o decreto de beatificação promulgado em abril deste ano pelo Papa Francisco, abrindo caminho para a canonização do padre. A Igreja Católica mobiliza dois mil parceiros e voluntários nos preparativos para a festa.

Conforme o Padre Anderson Godoi de Oliveira, da comissão pró-beatificação, cerca de 80 mil fiéis são esperados para a festa, na cidade de 23,2 mil habitantes. A celebração principal será conduzida pelo cardeal Giovanni Angelo Becciu, Presidente da Congregação da Causa dos Santos, que representará o Papa Francisco. Estão confirmadas para concelebrar a cerimônia a presença de  dois cardeais, 25 bispos e 288 sacerdotes.

A prefeitura investe em infraestrutura para receber os visitantes. O município, que já recebe 200 mil visitantes por ano, graças ao Padre Donizetti, espera que o turismo religioso aumente após a beatificação. O terminal turístico passou por reforma e as ruas da cidade estão sendo recapeadas. Banners do padre patrocinados por empresas e moradores locais estão sendo fixados em toda a cidade. A Polícia Militar vai convocar policiais de outras cidades para reforçar a segurança durante o evento.

O religioso nasceu em janeiro de 1882 em Cássia (MG), mas viveu 35 anos em Tambaú, onde foi sacerdote atuante e realizou obras sociais até sua morte, em junho de 1961. Padre Donizetti fundou o Asilo São Vicente de Paulo, a Associação de Proteção à Maternidade e Infância, a Congregação Maria, a Irmandade Filhas de Maria e o Círculo Operário Tambauense. A antiga casa paroquial onde ele viveu foi transformada em museu. O milagre reconhecido pelo Vaticano que levou à beatificação do padre Donizetti é a cura do menino Bruno Henrique Arruda de Oliveira. Ele nasceu com uma deformidade conhecida como pé torto congênito bilateral e não conseguiria andar. A família invocou a intercessão do religioso. O menino apresentou cura instantânea, completa e duradoura, inexplicável à luz da medicina.

20 novembro 2019

Crescendo igual a rabo de cavalo

Coisas da “Ré – pública”: Brasil será o último lugar do “Pisa” na América Latina, diz ministro da Educação

Fonte: “Estadão”

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Abraham Weintraub (foto ao lado), afirmou que o Brasil deverá ficar em último lugar na América Latina no “Programa Internacional de Avaliação de estudantes (Pisa)”, um exame feito com base amostral entre estudantes de 15 anos. Coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a avaliação terá seu resultado divulgado em dezembro. O ministro comentou o desempenho de estudantes brasileiros, afirmou que o País teve um resultado ruim e atribuiu o resultado a gestões anteriores do governo e do que ele classificou com “abordagens esquerdistas.”

Questionado se estava adiantando os dados, Weintraub foi vago. “Tem uma grande probabilidade de a gente está figurando lá no fundo, das últimas posições”, disse. E depois completou: “Estou supondo com base em números robustos.”  Durante evento no Palácio do Planalto, o ministro afirmou que a meta é conseguir colocar o Brasil em primeiro lugar na América Latina nesse ranking. Mas conta para isso com um eventual segundo mandato do presidente Jair Bolsonaro. “Não sou eu quem vai fazer. Um monte de profissionais, que não tinham espaço antes, estão substituindo os 'experts'", completou.

Os dados sobre o Pisa foram informados quando a equipe do MEC anunciava mais uma etapa do Educação Conectada, um programa criado na gestão do governo de Michel Temer para conectar escolas públicas com internet. Nesta fase, 32 mil instituições vão ganhar conexão em 2020 . Os recursos serão repassados diretamente para as instituições ainda este ano. A expectativa é de que o projeto como um todo tenha um investimento de R$ 224 milhões até o fim do ano. A meta é que 70 mil escolas sejam atendidas. Podem participar desta ação escolas que tenham pelo menos três computadores para uso dos alunos, no mínimo um computador para uso administrativo, uma sala de aula em funcionamento e mais de 14 alunos matriculados. A ideia é que 100% das escolas estejam aptas a receber internet.

18 novembro 2019

Rachel de Queiroz – por José Luís Lira (*)



Neste dia 17, a cearense Rachel de Queiroz, primeira imortal da Academia Brasileira de Letras, faria 109 anos. Inicia-se, portanto, o caminho preparatório dos 110 anos de nascimento dessa notável escritora que tão bem retratou o Nordeste em sua arte literária.
Muito já escrevi e falei sobre Rachel, mas, nada pode servir para mensurar a importância dela para a literatura, para o Brasil.

A quem conheceu Rachel e com ela conviveu é fácil dessa importância e que ela não se reconhecia desse modo. Ela sempre pertenceu à vanguarda. No Ceará, ainda quase menina-moça, frequentava os Cafés onde os literatos se reuniam na Praça do Ferreira para trocar ideias. Ela diz em seu “Tantos Anos”, escrito em parceria com sua irmã Maria Luiza de Queiroz Salek que era respeitada nesses locais e tida como colega daqueles mestres, incluindo-se aquele que ela considerava seu padrinho literário, Antônio Sales.

Rachel de Queiroz, nasceu no centro da capital cearense, Fortaleza, em 17/11/1910. Na viagem para Quixadá, onde foi criada, passou por Pacatuba; ali seus avós tinham propriedades e na igreja de Pacatuba foi batizada. Compôs a primeira turma de normalistas do Colégio da Imaculada Conceição, de Fortaleza, em 1925. Do Colégio guardou grandes memórias. Embora se confessando agnóstica, ela nunca desrespeitou qualquer tipo de religião, sendo de sua autoria um dos mais belos artigos que conheço sobre São Vicente de Paulo, fundador da Congregação das Irmãs responsáveis pelo Colégio ou a “Santa Gaiola”, como ela chama em texto, as Filhas da Caridade de São Vicente.

Toda a Literatura de Rachel é voltada para o Nordeste. Publicou seu primeiro romance aos 19 anos, em 1930. N’O Quinze, conta uma história de amor tendo por pano de fundo os dramas da seca. Rachel tinha menos de 5 anos quando ocorreu a seca de 1915. Este trabalho firmou a Literatura Regional na Literatura Brasileira. Um só de seus romances é ambientado fora do Ceará, mas, ainda assim, com características nossas. Seus grandes clássicos, “O Quinze”, “Dôra Doralina” e “Memorial de Maria Moura”, reproduzem retrato de épocas distintas no Nordeste, especialmente no Ceará.

Sua alma mater, expressão empregada pelos poetas latinos para designar pátria, foi o Ceará. O leitor que não conhecer sua biografia terá a impressão de que ela nunca saiu do Ceará, pois, estando em qualquer lugar, o Nordeste e o Ceará a acompanharam. Em seu último livro, “Falso Mar, Falso Mundo”, ela, estando em Berlim Ocidental, descobre “– quem diria? –” indaga ou indica ela, “a caatinga nordestina em réplica, como gêmeos univitelinos”. A crônica é datada de 25/12/1993. Rachel diz: “... tive até um choque. Me vi de repente no Ceará, tal como deve ele estar agora, a caatinga em plena seca”.

Rachel de Queiroz faleceu em 2003, 13 dias antes dos 93 anos. Partiu dormindo, em rede levada do Ceará, no seu apartamento do Leblon, Rio de Janeiro, edifício Rachel de Queiroz. Essa rede forrou o caixão que levou seu corpo vestido com o fardão de imortal da Academia Brasileira à última morada.
Para quebrar o tom narrativo desta coluna, nesta data querida, envio a Rachel que está “… naquela quintessência de excelências que só o céu pode dar”, meu abraço de parabéns e agradecimento por sua existência!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

15 novembro 2019

Ministro Weintraub sobre data de 15 de novembro: "O que diabos estamos comemorando?"


Fonte: Site Terra

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, fez elogios à Monarquia e questionou as comemorações em homenagem à Proclamação da República, que completa 130 anos nesta sexta-feira, 15.
O ministro da Educação, Abraham Weintraub -- Foto: Wilson Dias/Agência Brasil / Estadão Conteúdo 

"Não estou defendendo que voltemos à Monarquia mas...O que diabos estamos comemorando hoje?", questionou, em uma sequência de posts no seu perfil no Twitter. Segundo o ministro, a proclamação foi uma "infâmia" contra o então imperador D. Pedro II, a quem classificou como um dos melhores gestores e governantes da história mundial.

Dom Pedro II cedeu o comando do Brasil em 15 de novembro de 1889 a Marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do País.

Weintraub também provocou o movimento feminista, convidando-o a uma reflexão: "O Império teve seus dois principais atos assinados por mulheres educadas, inteligentes e honestas! Elas nos governaram bem antes de Dilma (Rousseff)", escreveu, em referência a Imperatriz Maria Leopoldina e a Princesa Isabel.

Em um terceiro post, Abraham Weintraub divulgou foto na qual aparece em reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. "Qual a melhor forma de 'comemorar' o primeiro golpe de estado no Brasil? TRABALHANDO!", afirmou.

15 de novembro: que volte a monarquia – por Armando Lopes Rafael



   Todo ano é a mesma coisa: o 15 de novembro é feriado nacional por determinação da legislação brasileira. Desde 14 de janeiro de 1890, foi emitida a primeira lei reconhecendo o aniversário do primeiro golpe militar (que impôs, sem participação popular, a República no Brasil) como feriado.  O feriado também foi imposto –através do Decreto nº 155-B – determinando este dia para celebrar a “pátria brasileira”.

     Deu no que deu. A tal data nunca foi comemorada pelo povo, o qual, aliás, sequer sabe a razão do tal “feriado”. Ademais, hoje é consenso geral que o golpe republicano foi ilegítimo.  Segundo o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP): “A proclamação foi um golpe de uma minoria escravocrata aliada aos grandes latifundiários, aos militares, a segmentos da Igreja e da maçonaria. O que é fato notório é que foi um golpe ilegítimo". Tem razão o deputado.

      Com o golpe de 15 de novembro de 1889, ao invés de “Império do Brasil”, o país passou a ter o nome oficial de “República dos Estados Unidos do Brasil” (uma imitação servil aos Estrados Unidos da América–EUA). No festival de constituições promovido pela República (foram 6 constituições republicanas contra uma única de toda a Monarquia) a de 1967, mudou, mais uma vez, o nome oficial da nação para “República Federativa do Brasil”.

        Segundo o jornalista e escritor Jorge Fernando dos Santos: “Muita gente deve se perguntar por que o Brasil não dá certo. Além da corrupção e da impunidade, a problemática nacional tem muitas outras causas (...) “Para piorar o quadro, emanciparam-se dezenas de arraiais improdutivos, que até então eram ligados às chamadas cidades-polo. Na sua maioria, os novos municípios funcionam como currais eleitorais, com direito a prefeitura e câmara municipal sustentadas com verbas do estado. Este, por sua vez, repassa as receitas para Brasília, de onde retornam minguados recursos. Isso talvez explique a falência generalizada dos estados brasileiros. O atraso no repasse aos municípios e no pagamento da folha funcional não decorre apenas da incompetência ou má vontade dos governadores eleitos. Na verdade, a União suga boa parte das riquezas geradas pelos estados”.  

         Razão teve Glauco Paludo Gazoni quando escreveu: “Ao que tudo indica, a vida do republicanismo no Brasil não seguirá a ordem natural das coisas. A República tupiniquim nasceu velha e vai morrer nova”. Noutras palavras, em meio a tantas crises sucedendo outras crises (igual à parábola de Cristo do cego guiando outro cego, quando ambos cairão no abismo) um dia o povo brasileiro cansará de tantos desacertos e pedirá: “que volte a monarquia”.



13 novembro 2019

Caririense concluiu doutorado pela Universidade de São Paulo–USP


Dra. Thais Callou entre sua mãe, Benigna e seu pai, Dr. Lívio Callou, no dia que 
recebeu o seu doutorado

    A Dra. Thais Callou, médica, oftalmologista e especialista em Córnea e Cirurgia Refrativa, concluiu seu Doutorado em Oftalmologia na Universidade de São Paulo-USP. A solenidade de conclusão do doutorado ocorreu na última quinta-feira, dia 07 de novembro de 2019.

      Thais, nasceu em Crato, e descende de tradicionais clãs familiares do Cariri cearense.  Seu pai é o Dr. Lívio Callou, médico e empresário, com origens na cidade de Barbalha e atuação profissional em Juazeiro do Norte. Sua mãe é a senhora Maria Benigna Arraes, filha do Sr. César Pinheiro Teles (in memoriam) e dona Almina Arraes de Alencar Pinheiro. A avó de Thais, dona Almina Arraes, é uma pessoa muito conhecida e respeitada na cidade de Crato, mercê sua atuação voltada para ajudar as pessoas necessitadas das mais humildes camadas sociais, além da sua inteireza moral exemplar. 


     Thais Callou, hoje médica vitoriosa, conta que sempre recebeu estímulo e apoio infindáveis dos seus pais para o seu crescimento profissional. Ela diz que tem como referência, desde menina, seu pai e seu avô paterno, este último o Dr. Antônio Lyrio Callou (in memoriam). Dr. Lyrio construiu uma admirável trajetória como médico na região do Cariri. Ainda jovem, partiu de Barbalha, cidade onde nasceu, e formou-se na primeira faculdade de medicina do Brasil, localizada em Salvador (BA). Retornou à Barbalha, já formado, onde representou um exemplo de cidadão íntegro, dotado de determinação e empreendedorismo.
Sobre Thais

    Casada com o médico cirurgião plástico Dr. Bruno Sena, Thais tem orgulho de ter se tornado exemplo para outras mulheres. O primeiro filho do casal nasceu durante o curso da pós-graduação e Thais fez a conclusão e defesa da sua tese de doutorado, grávida do segundo filho. “Unir vida pessoal e profissional foi um grande desafio”, comenta ela.

     A Dra. Thais Callou faz parte do corpo cirúrgico da Clínica de Cirurgia Refrativa View Center Laser, num dos maiores complexos de oftalmologia da cidade de Juazeiro do Norte, a Clínica de Olhos do Cariri. No seu dia-a-dia, recebe seus pacientes ao lado de uma equipe composta por outros seis oftalmologistas, que ela considera como um presente na sua vida: Dr. Lívio Callou, seu pai, um dos maiores nomes da oftalmologia da região; Dra. Clarice e Dr. Eduardo Callou, seus irmãos; Dr. Ricardo Mendes e Dra. Bruna Costa Callou, seus cunhados, e Dr. Paulo Sampaio, seu primo.

     Além de trazer seus conhecimentos para atender melhor a população, a Doutora Thais pretende ingressar na carreira acadêmica, lecionando nas universidades. “Minha meta é trazer o conhecimento que adquiri não só para a rotina do consultório, mas também transferir esse aprendizado para os alunos do nosso Cariri”, afirma Thais. Para ela, a educação e a pesquisa são a base para o desenvolvimento de qualquer país. E diz acreditar que faz a sua parte para o crescimento e evolução do Cariri na área em que atua.

Postado por Armando Lopes Rafael

10 novembro 2019

O STF contra o povo e a favor do crime



    Os brasileiros de bem estão mais uma vez indignados com o Supremo Tribunal Federal, que por 6 votos a 5 pôs fim à prisão após condenação em segunda instância, com o objetivo de tirar da cadeia o ex-Presidente Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Mas, junto com Lula, voltarão às ruas 85 mil criminosos da pior espécie, pondo a população em risco.

    Votaram para salvar Lula, a favor do crime e contra o povo os Ministros Marco Aurélio de Mello, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e o próprio Presidente da Corte, Dias Toffoli, (ex-)advogado do PT. O que esses Ministros devem ao ex-Presidente? Não sabemos. O que é certo é que eles jantaram lagostas e brindaram com champanhe após a votação, tudo pago com o nosso dinheiro.

     A Constituição Imperial de 1824, em seus Artigos 101 e 154, dava ao Imperador, através do uso do Poder Moderador, a prerrogativa de suspender os Magistrados por queixas contra eles feitas, após ouvir os acusados, reunir as informações necessárias e se consultar com o Conselho de Estado. Não há dúvida alguma de que, restaurada a Monarquia no Brasil – e esperamos que isso ocorra em breve –, a execução desses Artigos estará entre os primeiros itens da ordem do dia.

Fonte: Facebook Pró Monarquia

09 novembro 2019

A República Golpista



    Por mais que alguns republicanos tentem provar que o povo brasileiro não queria mais a  Monarquia Constitucional;  que a República era um anseio popular dos brasileiros e que o movimento que resultou em sua proclamação estava organizado até os ínfimos detalhes, os fatos foram bem diferentes.

O Imperador Dom Pedro II e a Princesa Dona Isabel eram respeitados e admirados pela gente humilde, que, no ano anterior, deixara de ser escrava. O Partido Republicano havia conseguido eleger apenas dois Deputados nas eleições de agosto de 1889, e, nas ruas, as simpatias que conseguia angariar eram episódicas e pouco eficazes.

(Baseado em trechos do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier)

02 novembro 2019

Finados – por José Luís Lira (*)




     O quarto Príncipe dos Poetas Cearenses, Artur Eduardo Benevides, disse em poema que, “em poesia, o que não for saudade é liturgia”. A data religiosa e cívica que se vivencia neste sábado, une saudade e liturgia, posto que todos temos alguém que já faleceu e de quem sentimos saudades e que por ela celebramos, seja na esfera religiosa ou pessoal.

  O Dia dos Fiéis Defuntos (defunctus - latim, aquele que cumpriu sua missão), Dia de Finados ou Dia dos Mortos é celebrado na Igreja Católica, no dia 2 de novembro, se constituindo data cívica pelo feriado.

   O costume de rezar pelos mortos, vem desde o século II, quando os cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires. No século V, a Igreja dedicou um dia do ano para se rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Consta que no século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015), determinaram a dedicação de um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1º de novembro é a Festa de Todos os Santos.

   Na América a mais destacada celebração é a do México, onde o Dia dos Mortos tem origem indígena e começa no dia 31 de outubro. É tão próprio e de tão grande alcance o Dia dos Mortos do México que a UNESCO o declarou Patrimônio Imaterial da Humanidade.

    Existem passagens bíblicas que mostram a oração pelos mortos Em Tobias 12,12, lemos “Quando tu e Sara fazíeis orações, era eu que apresentava vossas súplicas diante da Glória do Senhor e as lia; eu fazia o mesmo quando enterravas os mortos”; em II Macabeus 12,44-46: “De fato, se ele não esperasse que os que haviam sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerava que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormecem na piedade, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado”; outros trechos do Velho Testamento e do Novo Testamento têm inúmeras reflexões acerca. Lembremo-nos de que Jesus orou por Lázaro e o ressuscitou e lembrou que Ele é o caminho, a verdade e a vida. Paulo, apóstolo, afirma que “quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor”.

    A nós ocidentais, ainda é muito difícil encarar a morte, a separação, o adeus. Por isso iniciei essa coluna lembrando Artur Eduardo Benevides sobre saudade e liturgia na poesia. Os orientais fazem festa para seus mortos no rito de despedida. Lembro-me de Antonio Olinto contando sobre essas tradições. Fica a saudade, mas, a tristeza não deve se fazer presente, embora que nem sempre a controlemos.

    Jesus Cristo, ao ressurgir dos mortos, deu-nos a certeza da ressurreição. Um dia todos nós ressurgiremos e ingressaremos no local ao qual nossas ações humanas na terra nos conduziram. Mas, ainda assim, existe a misericórdia de Deus e ela é maior que tudo. Um dia, com Cristo, diremos que a morte não existe.

    Rezemos por nossos falecidos, exaltemos seus méritos, até choremos, porque somos humanos, mas, lembremos de que a Vida continua, pois, quem crê em Cristo, ainda que esteja morto, viverá!
    Que a Luz Perpétua os ilumine!


(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

26 outubro 2019

Capela de Santa Teresa de Jesus: importante patrimônio histórico de Crato – por Armando Lopes Rafael


O Cardeal João Braz Aviz, Prefeito da Congregação para os Religiosos,  visitou a capela de Santa Teresa, de Crato, em 21 de outubro de 2014


   Há quase cem anos era inaugurada, na cidade do Crato, a capela de Santa Teresa de Jesus. Felizmente esta igrejinha está conservada, mantendo sua originalidade, até os dias atuais.  A pequena capela foi entregue ao povo católico da “Cidade de Frei Carlos”, num dia 31 de outubro, aniversário de nascimento e de sagração episcopal de Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro bispo de Crato, coordenador da construção deste templo.

      Devemos a construção dessa capela à Cruzada Carmelitana, uma associação religiosa existente em Crato, fundada em 1914, pelo então vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, Padre Quintino, o qual, um ano depois, seria eleito primeiro bispo da nossa diocese.

     A Cruzada Carmelitana era formada por senhoras e jovens da sociedade cratense. Além da parte religiosa, seus membros desenvolviam uma grande ação social na comunidade. Na prática religiosa, basta destacar que as festas de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho) e Santa Teresa d’Ávila (15 de outubro) eram comemoradas com grande pompa, precedidas de Tríduo Festivo e encerradas com uma missa solene. Tudo acompanhado pelo Coral das Teresinas, onde se sobressaía a maravilhosa voz de Iraídes Gonçalves. De tudo isso só nos resta as gratas lembranças e os registros históricos...

    Foi notável o empenho da Cruzada Carmelitana na construção da sua capela. As ricas obras talhadas em madeira de lei (altar-mor, quatro nichos laterais, confessionário, sólio episcopal, bancada e grade do altar) foram esculpidas por Mestre José Lucas, conhecido artesão cratense. Tão bonito é o sólio episcopal que, posteriormente, foi este cedido à Sé Catedral, onde ainda hoje está, tendo servido aos seis bispos da Diocese do Crato.

    As imagens da capela foram adquiridas na Itália. No altar-mor está o “Trio Carmelitano”: Santa Teresa d’Ávila pontifica como padroeira, tendo ao seu lado Nossa Senhora do Carmo e São José. Os quatro nichos laterais abrigam as estátuas de São João da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Geraldo e São Quintino.

    Toda a construção e acervo da capela de Santa Teresa foram viabilizados no primeiro quartel do século passado, quando o Crato vivia longe (quase isolado) dos grandes centros do Brasil. Naqueles tempos, as estradas e os meios de comunicação eram precários e a nossa economia dependia unicamente do produzido nas fainas agrícolas e na incipiente pecuária da época. Mas o importante é que o povo tinha fé! Tanta, que este pequeno templo aí está, para atestar o sentimento católico da população daquele tempo.

      A capelinha - talvez por desígnio da Divina Providência - resistiu às más administrações públicas do Crato, responsáveis pela destruição de prédios históricos, a exemplo de todo o quarteirão da Rua Miguel Limaverde. Resistiu às falsas ideias de modernismo, que tiveram seu auge na medíocre década 60, após a construção de Brasília. Resistiu até aos tempos confusos pós Concílio Ecumênico Vaticano II, tempos esses felizmente encerrados com a eleição do Papa João Paulo II, para a Cátedra de São Pedro, em 1978.

      Pouca gente sabe: essa capela é propriedade da Diocese do Crato, e está, há longos anos, sob a custódia da Congregação das Filhas de Santa Teresa, que souberam conserva-la em toda a sua originalidade.
Altar-Mor da Capela de Santa Teresa de Jesus, em Crato


Brasil: 130 anos sob a forma de governo republicana – por Armando Lopes Rafael



 
          É sempre assim. Entra ano e sai ano. Todo 15 de novembro, a população brasileira usufrui do esquisito feriado comemorativo à “Proclamação da República”. E sempre, anualmente, repórteres das emissoras de televisão saem às ruas perguntando aos transeuntes: “Você sabe qual o motivo deste feriado de 15 novembro?”. Praticamente a totalidade desconhece o motivo.

   Em Crato não é diferente do restante do Brasil. Apesar de pouquíssimas pessoas ainda insistirem numa tal de “tradição republicana” nesta Cidade de Frei Carlos. Trata-se de uma falácia. O leitor me conceda só um tempinho, para eu justificar meu raciocínio. Começo por lembrar: o aniversário do golpe militar, que implantou a República no Brasil – em 15 de novembro de 1889 – nunca foi comemorado em Crato. Nesta cidade o povo comemora muitas datas: 7 de Setembro, 21 de Junho, 1º de Setembro (Nossa Senhora da Penha), 19 de Março (São José), sem falar nas datas consagradas a São Francisco, a Nossa Senhora Aparecida, dentre outras. Agora, “comemoração” no dia 15 de Novembro nunca se viu por essas bandas...

     E por que isso acontece? Ora, Crato, durante 149 anos, de 1740 (quando foi fundado, até1889 (quando houve o golpe militar que empurrou goela abaixo da população a forma de governo republicana) viveu sob a Monarquia. Não se apaga facilmente um século e meio na vida de um povo. Basta lembrar dos 70 anos quando o comunismo dominou a Rússia sob o chicote e a baioneta. O comunismo ruiu, no leste europeu, em 1989. E nenhuma herança ficou da propaganda do socialismo ateu. Por isso, no imaginário popular, persiste ainda a ideia de que a Monarquia é algo de elevado nível– uma forma de governo respeitosa, honesta e boa.

     Tanto isso é verdade que, ainda hoje, quando o povo reconhece numa pessoa certos méritos ou qualidades acima do comum, costuma dar-lhe o título de “Rei” ou “Rainha”. Por isso temos “O Rei Pelé”, “O Rei Roberto Carlos”, “O Rei do Baião”, “O Príncipe dos Poetas Populares” (o repentista Pedro Bandeira) etc. E o que dizer dos concursos que se realizam para escolha da “Rainha do Colégio”, “Rainha da Exposição”? e de nomes de lojas como “O Rei da Feijoada”, “O Império das Tintas”? Ou nomes como “Rádio Princesa FM”, “Colégio Pequeno Príncipe”?

     Vê-se, pois, que é um mito sem consistência essa alardeada “tradição republicana” de Crato. No duro – no duro mesmo – “República” para o nosso povo continua a nos remeter à lembrança de “república de estudante", ou seja, uma casa bagunçada, desorganizada, sem ordem. Igualzinha ao que que tem sido nossa pátria nos últimos 130 anos.