25 maio 2019

No dia da Arma de Infantaria, Tiro de Guerra 10 004 de Crato, presta homenagem a colaboradores do Exército brasileiro



A solenidade aconteceu na sede do Tiro de Guerra 10 004 em Crato, na noite desta sexta-feira, 24 e contou com a participação de diversos convidados, representantes dos poderes Executivo e Legislativo municipais e do Judiciário, além de amigos e colaboradores do Tiro de Guerra e Exército Brasileiro, e parentes e amigos dos atiradores.

A solenidade começou com a entrega dos braçais aos atiradores que participaram do curso de Cabo, e que estão exercendo a função de monitor. Em seguida foram entregues as boinas verde-oliva a todos os 100 atiradores por terem cumprido a primeira fase das atividades que serão concluídas no final de novembro. O atirador Jackson disse o que representava para ele servir a sociedade, através do Exército. Também destacou o que tem aprendido com as instruções militares...


O empresário Valdemir Correia de Sousa que já tinha sido homenageado no começo do ano, quando foi escolhido para ser o patrono da turma de atiradores do TG 10 004 de 2019, recebeu mais uma homenagem nesta sexta-feira. 

A comenda Duque de Caxias – Patrono do Exército Brasileiro muito lhe emocionou, como disse à reportagem do Jornal da Princesa. Valdemir considera o Exército Brasileiro como uma das maiores instituições do país, responsável pela formação do caráter e do espírito de solidariedade do cidadão brasileiro.

Um dos convidados especiais para participar da solenidade foi o empresário cratense, amigo e colaborador do Tiro de Guerra, Francisco Pierre. Chico Pierre como é mais conhecido afirmou que já recebeu várias comendas do Exército, inclusive a mais importante da instituição, a do Mérito Militar. Chico Pierre ressaltou que no interior do estado, até o momento, só ele recebeu essa comenda e também falou sobre a importância da instituição. O Sub Tenente Josenildo é o chefe de instrução do Tiro de Guerra 10 004, um mais antigo do Ceará. Ele falou sobre a importância do Exército e daquele momento de reconhecimento. Pediu o apoio da sociedade para o trabalho do Exército pois a instituição dará de volta homens bem formados e disciplinados.

Outras fotos do evento:
















  







Texto: Marcus Silva - Princesa FM
Fotos: Dihelson Mendonça

BLOG DO CRATO
Desde 2005 registrando todo dia a história para a posteridade


A Catedral Católica de Westminster – por Armando Lopes Rafael


     A priori, não devemos confundir a Catedral de Westminster com a Abadia de Westminster. Esta última é a igreja anglicana onde ocorrem os eventos da Família Real do Reino Unido. Já a Catedral de Westminster ou Catedral Metropolitana do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo é um templo da Igreja Católica Apostólica Romana na cidade de Londres. É o principal templo Arquidiocese de Westminster.

       Depois das perseguições de que foi vítima, no episódio da chamada “reforma” (a qual “criou” a Igreja Anglicana, em 1534), somente no final do século 19 a hierarquia católica foi restaurada na Inglaterra e Escócia. Era um recomeço difícil.  Partiu do zero. Em 1884 o Cardeal Manning, Arcebispo de Westminster adquiriu o terreno para a construção da atual catedral. A construção foi iniciada em 1895. A cerimônia de consagração teve lugar em 28 de junho de 1910.

         Belíssima e imponente igreja! Os arquitetos a projetaram no estilo da arquitetura neo-bizantina. Suas colunas internas foram erguidas em mármore, entalhados com capitéis de carrara branco. No entanto, mais de 120 variedades de mármore  decoram a Catedral de Westminster, certamente mais do que qualquer outra construção da belíssima e civilizada cidade de Londres.  Assistir à uma missa naquele templo é elevar nossa alma em busca de Deus.

          Existe no interior dessa igreja um alabastro medieval inglês do século XV com uma pequena escultura de pedra de Nossa Senhora de Westminster. Sabe Deus como esta imagem foi escondida durante as perseguições decorrentes da “reforma” do Rei Henrique VIII. Todas as propriedades da Igreja passaram a mãos reais. Centenas de católicos resistiram e foram assassinados. Muitos desses mártires já foram beatificados ou canonizados. Dentre eles São Thomas More e o bispo John Fisher.

            Em 1995, a atual Rainha da Inglaterra, Elizabeth II – acompanhada do seu esposo – esteve na celebração do centenário do início da construção da Catedral de Westminster. Foi a primeira vez que um soberano inglês participou de uma liturgia católica desde a Reforma Protestante. Hoje cerca de 8% da população do Reino Unido se declara católica.


24 maio 2019

A solidez da monarquia britânica – por Armando Lopes Rafael



   Muitos ficam a se perguntar: por que neste mundo conturbado, confuso, desordenado, e sem visão de futuro (a não ser o caos generalizado) a monarquia do Reino Unido, segue firme e forte?    Eu mesmo, recentemente, me fiz essa pergunta. E relembrei um discurso – feito em 2002, há 17 anos – pela Soberana dos ingleses, Elizabeth II, atualmente com 93 anos de idade, 63 anos como Rainha. 

   Naquela ocasião disse a Rainha Elizabeth: “As instituições nacionais, sobretudo a monarquia e o Parlamento, têm que evolucionar para que as futuras gerações confiem nelas. Quero declarar, sobretudo, minha disposição de continuar, com o apoio da minha família, servindo o povo desta nossa grande nação o melhor possível através de momentos de mudanças no futuro", afirmou a rainha naquela ocasião.

     Elizabeth II destacou que seu país estava orgulhoso de sua "tradição de imparcialidade e tolerância, e a consolidação multicultural da sociedade britânica" E acrescentou: "Somos gente moderada e pragmática, lidamos melhor com a prática que com a teoria. Somos inventivos e criativos. É preciso pensar no número de invenções dos últimos 50 anos e em nosso próspero presente na arte".   

        É verdade.  A monarquia é uma forma de governo orgânica, que continua a evoluir para melhor. Ademais, nas monarquias parlamentaristas, o Soberano é suprapartidário. Arbitra os partidos e as forças políticas com isenção o que garante a primazia para o o interesse nacional. Os Reis, ou as Rainhas, recebem uma formação específica para o cargo desde a infância. Chegam preparados ao poder. Aprimoram-se para o exercício da função da Chefia do Estado.

      Por isso, o Rei é a garantia da preservação dos valores morais da Nação, permitindo a coesão e harmonia sociais. Já nos súditos, o sentimento de orgulho nacional constitui uma força de alma coletiva. E o mais interessante: as monarquias são bem mais baratas do que as perdulárias repúblicas. Não existem nas monarquias o que é rotina nas repúblicas: a substituição dos Chefes de Estado de 4 em 4 anos com as consequentes pensões vitalícias. E, o pior, a crescente corrupção republicana desenfreada, feita para garantir a eleição dos presidentes de plantão, às vezes pessoas despreparadas para a função. 

        Talvez por isso, uma  pesquisa realizada em 2017, na Inglaterra apontou os seguintes números: 65%  dos ingleses pensa que a monarquia deve continuar a existir; 70% pensa que o mundo respeita e admira mais a Grã-Bretanha por causa da monarquia; 65% da população do Reino Unido acha que ainda há espaço para a monarquia nos tempos modernos; 66% acredita que a monarquia ajuda a economia do país.
 

23 maio 2019

Empresário Valdemir Correia de Sousa recebe nesta sexta-feira comenda Duque Caxias – Patrono do Exército Brasileiro






O Tiro de Guerra 10 004, realiza nesta sexta-feira, dia 24, às 19h, na própria sede da instituição, localizada na Avenida José Alves de Figueiredo, em Crato, a solenidade alusiva ao Dia da Arma de Infantaria.
A programação constará da conclusão do curso de formação de Cabos e entrega de boinas aos atiradores da turma de 2019, que tem como patrono o empresário Valdemir Correia de Sousa.
Um dos momentos importantes da programação de amanhã, será a entrega da comenda Duque de Caxias – o patrono do Exército Brasileiro ao empresário Valdemir Correia.
Valdemir que tem relevantes serviços prestados ao Exército, não só em Crato, mas também em Picos – Piauí e em Crateús, no Ceará, afirmou à reportagem do Jornal da Princesa que não esperava homenagem tão importante. Embora tenha a consciência de que prestou serviço ao Exército, principalmente nos anos de 1970 e 1972, períodos de seca, o empresário considera de alta relevância a comenda, pelo que representou Duque de Caxias para o Exército.
Sobre o que representa o Exército, Valdemir falou que não apenas para ele, mas para 87% da população brasileira, a instituição militar goza de grande credibilidade pela sua atuação na segurança do país e participação em campanhas de acolhimento e apoio, bem como na execução de obras importantes.
Valdemir Correia de Sousa incentivou os adolescente e jovens a abraçarem a carreira militar, principalmente no Exército, Marinha e Aeronáutica. Ele disse que além da instrução de educa e disciplina, é uma carreira que assegura um futuro brilhante.

Fonte: Marcus Silva
Fotos: Dihelson Mendonça


Panteão dos Bragança: um pedaço da história de Portugal e do Brasil -- por Armando Lopes Rafael

Bandeira do Reino de Portugal
que deixou de ser usada em 1910, quando ocorreu o golpe republicano
   Embora pouco divulgado pela mídia, um dos “points” mais indicados para se visitar, quando se vai à Lisboa, é o Panteão Real da Dinastia de Bragança. Ele fica localizado anexo ao mosteiro da Igreja de São Vicente de Fora e lá se encontram os restos mortais de muitos dos monarcas, príncipes reais e infantes da quarta e última dinastia real portuguesa. Estive lá no último dia 17 de maio. E vi, emocionado, o local onde estão sepultados, à espera da ressurreição final, tantos personagens da nossa história.

    Segundo o site da Monarquia Portuguesa: “O Panteão situa-se hoje no antigo refeitório do mosteiro. Seus túmulos são em maioria gavetões de mármore situados nas laterais da grande sala que ocupa, os dos monarcas portugueses são ornados com coroas na parte superior e os nomes e títulos dos seus ocupantes gravados em letras douradas na parte frontal. Destacam-se os túmulos de D. João IV, de D. Manuel II, da rainha D. Amélia de Orleães, de D. Carlos I, do príncipe herdeiro D. Luís Filipe.

     “O Panteão está aberto a visitas, incluídas no roteiro do Mosteiro. Alguns Bragança que não estão lá sepultados são: D. Maria I, que faleceu no Brasil, mas teve seus restos mortais levados de volta a Portugal por Dom João VI,  que se encontra na Basílica da Estrela, D. Pedro IV, rei de Portugal (e Imperador do Brasil como D. Pedro I, que foi trasladado do Panteão para o Monumento do Ipiranga em São Paulo, Brasil), e cujo coração se encontra na capela-mor da Igreja da Lapa, na cidade do Porto, e a rainha D. Maria Pia de Saboia, que ainda jaz no Panteão dos Saboias, na Basílica de Superga em Turim, na região do Piemonte, Itália.

     “O arranjo atual do panteão data de 1933, quando também se ergueu junto aos túmulos de D. Carlos I e de seu filho D. Luís Filipe uma estátua de uma mulher simbolizando a pátria a chorar pelos seus mártires, sendo que ambos foram assassinados no atentado republicano, em 1 de fevereiro de 1908”.

Fonte de consulta: https://monarquiaportuguesa.blogs.sapo.pt/panteao-real-dos-bragancas-52365



Caririensidade


Cariri, poderá virar Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco
 Sede da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda

        Próximo mês de junho acontecerá, na Fundação Casa Grande – na cidade de Nova Olinda – o “Seminário Internacional de Patrimônio Cultural Imaterial na Chapada do Araripe”.  Trata-se evento destinado ao reconhecimento, pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), do Cariri cearense – mais precisamente a Chapada do Araripe e seu entorno – como Patrimônio Cultural Imaterial do povo brasileiro. Além da Secretaria de Cultura do Ceará (Secult), Fundação Casa Grande, SESC e as universidades da região (URCA e UFCA) compõem o grupo realizador desse evento.

      Para Alemberg Quindins, presidente da Fundação Casa Grande de Nova Olinda: “Estamos tendo um cenário aonde o Cariri e o Ceará vivem hoje um bom momento entre as políticas culturais e avanços na Cultura Popular. O Cariri é um território mágico, mitológico, paleontológico, arqueológico. Ele une quatro estados brasileiros e atende importantes critérios da Unesco como patrimônio mundial: integridade, autenticidade e universalidade”.

        Já Fabiano Píuba, Secretário da Cultura do Ceará, ratificou: “Pensar em patrimônio cultural para o Cariri tem que estar associado ao patrimônio natural. O Cariri e sua Chapada do Araripe é um território profundamente marcado pela cultura popular e tradicional, ambiente de expressões e manifestações riquíssimas; ao tempo que hoje se tornou um polo acadêmico com uma rede de universidades públicas e privadas, tendo a URCA e a UFCA como as principais instituições; além de ser uma zona de desenvolvimento econômico em pleno crescimento e ser um destino turístico dos mais procurados no Brasil, seja por seus aspectos culturais e ambientais”. 

Um exemplo que vem de Londres

    Há 153 anos teve início, em Londres, um projeto de colocação de pequenas placas redondas, na cor azul, em algumas fachadas de casas daquela cidade. Essas placas esféricas preservam o legado de pessoas que nasceram ou viveram em Londres, e que – de alguma forma –deixaram sua marca na história daquela cidade. Antes de ser colocada a placa, a sugestão passa por um critério rigoroso. Aliás, as placas só são colocadas após 20 anos da morte do nomeado, ou se já tiver passado 100 anos do seu nascimento. Que bom exemplo para as cidades caririenses preservarem sua memória.

      Na foto ao lado, uma das "placas azuis" existentes em Londres. Esta assinala o prédio no qual morou, durante certo tempo, Mahatma Gandhi, o homem que conseguiu libertar a Índia do domínio inglês.


O desprezo pela memória do Cariri

Bangalô aristocrático que existiu em Juazeiro do Norte

     Vem de longe a destruição da memória (arquitetônica, histórica e de reminiscências) da região do Cariri. Crato e Juazeiro do Norte destruíram o seu patrimônio arquitetônico. Barbalha foi a única cidade do Cariri a cuidar dos antigos casarões.  Infelizmente, a destruição da memória ocorre de forma mais intensa em Juazeiro do Norte, a maior cidade do Cariri. Se fosse adotado, em Juazeiro, o projeto das placas azuis, que existe em Londres, não teríamos mais os locais para colocar placas homenageando pessoas como Amália Xavier de Oliveira, Padre Climério, Mestre Noza, Mons. Juviniano Barreto, Mauro Sampaio, Mons. Murilo de Sá Barreto e tantos outros que foram importantes, em certas épocas,  para a vida de Juazeiro.

      Tempos atrás, o jornalista Jurandy Temóteo escreveu o texto abaixo na revista “A Província”: “As más administrações públicas, a falsa ideia de modernismo, a ganância financeira, a indiferença de considerável parcela da nossa população e a impunidade estão fazendo do Crato uma terra sem memória arquitetônica.
“Prédios públicos e particulares, de inestimáveis valores históricos e arquitetônicos continuam sendo destruídos ou mutilados sem que providências realmente sérias e eficazes se concretizem. Que “Cidade da Cultura”, que “Município Modelo” é este que extermina seus valores culturais, mutila suas ruas, praças, monumentos? O que se tem feito e se continua a fazer contra Crato é um crime, uma barbárie. Até quando?”.

 Vinho “Terras do Crato”

     No último dia 15 de maio eu me encontrava na cidade de Fátima (Portugal) e entrei num restaurante (“O Recinto”) para almoçar. 

    Ao lado da minha mesa tinha uma prateleira expondo bons vinhos portugueses. Entre eles, havia o tinto “Terras do Crato”, fabricado no Crato português, cidade localizada na região do Alentejo. A uma pergunta sobre as características do vinho “Terras do Crato”, o funcionário do restaurante, no conhecido sotaque português explicou: “Trata-se de vinha na cor rubi, com aroma de notas de fruto vermelho maduro, complexo e intenso. Paladar equilibrado, taninos suaves e boa persistência. Vais a querer?” 

     O preço da garrafa era elevado. Desisti. Mas fica registrado,   para mostrar aos habitantes do Crato brasileiro, que o pequenino Crato do Alentejo português (com menos de quatro mil habitantes), produz excelentes vinhos.

Maria Caboré

    Ainda hoje presente no imaginário do povo de Crato, Maria Caboré, é tida como “santa” nas camadas mais simples da população cratense, 83 anos depois da morte dela.  Muita gente pede graças à alma de Maria Caboré e – alcançado o pedido – manda celebrar missas para ela. Recentemente, o advogado de Fortaleza, Geraldo Duarte, articulista do “Diário do Nordeste” publicou – naquele jornal – uma interessante crônica sobre Maria Caboré, que republicamos abaixo na íntegra.  A conferir:

“Espírito de anjo ornado em trapos

Túmulo de Maria Caboré ,no Cemitério Nossa Senhora da Piedade, em Crato

    "Este, o verso primeiro de poesia do Padre Raimundo Augusto, completado com “Perambulando pela rua ao léu, / Companheira fiel até dos sapos, / Ela tinha por lar o azul do céu.” (quadra inicial do poema “Maria Caboré”, ode daquele pároco dedicado ao, talvez, mais querido personagem do Crato das décadas de 20 e 30 do século passado, publicado na revista Itaytera. Filha de Caboré, coveiro, e Calumbi, roceira, moradores do distrito Matinha, Cícera Maria da Silva Almeida os viu morrer precocemente. Aluou-se. Deu-se a perambular na terra-natal do Padre Cícero e ganhou a apelidação de Maria Caboré.

    "Morena, estatura mediana, utilizava uma espécie de turbante e adornada de miçangas. Na Rua da Vala, hoje Tristão Gonçalves, onde mais vivia, supria as casas com água, retirava o lixo, servia de recadeira e, em troca, ganhava alimentação, roupas usadas e alguns trocados. Suas ética e lealdade, a toda prova, mereciam o respeito e a estima de todos. Honestidade e boa índole a complementavam.
No mundo ilusório era noiva do “Rei do Congo”, a quem sempre dedicou fidelidade. Dizia-se católica, frequentava a Igreja e confessava-se. Certa feita, notou que o sacerdote vestia calça sob a batina. Surpresa, declarou nas andanças: “Vige Maria, padre é homi!”. Encontrou um feto num dos entulhos daquela artéria. Levou-o à delegacia, entretanto, não envolvendo ninguém, alegou haver esquecido o local.

    "Vítima da peste bubônica que, em 1936, afligiu a cidade, foi interna no hospital improvisado no Seminário Diocesano São José, quando “faleceu piedosamente com a morte exemplar de um justo”, asseverou Padre Augusto. Para muitos cratenses e, até, nascidos noutras localidades caririenses, Maria Caboré é considerada espírito milagreiro deveras evocado. Seu túmulo, no Cemitério N. S. da Piedade, possui visitação frequente durante o ano, destacando-se no Dia de Finados”.

A celebração da primeira Missa do país mais católico do mundo


 Primeira Missa no Brasil, quadro de Victor Meirelles / Imagem: Domínio público

     Há 519 anos, no dia 26 de abril de 1500 – domingo da oitava de Páscoa –, era celebrada a primeira Missa daquele que viria a ser o país com o maior número de católicos batizados no mundo, o Brasil.
A Santa Missa foi presidida por Frei Henrique de Coimbra e concelebrada por outros sacerdotes em Santa Cruz Cabrália, litoral sul da Bahia, sobre o ilhéu da Coroa Vermelha.

    Em sua carta ao rei Dom Manuel, o escrivão Pero Vaz de Caminha descreveu a celebração feita em um “altar mui bem arranjado” e que, segundo observou, “foi ouvida por todos com muito prazer e devoção”.

    Os portugueses chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500, nas 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral, o qual, avistando do mar um monte, chamou-o de Monte Pascoal, por ser oitava de Páscoa. Àquela terra, inicialmente, colocou o nome Terra de Vera Cruz.

    Após desembarcarem em terra firme e terem os primeiros contatos com os índios, seguiram a bordo de suas caravelas para um lugar mais protegido, parando na praia da Coroa Vermelha. Foi neste local que celebraram a Santa Missa.

    Terminada a celebração, conforme relata Pero Vaz de Caminha, o sacerdote subiu em uma cadeira alta e “pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção”.

     Conforme indicam os relatos, o escrivão Caminha acreditava que a conversão dos índios seria fácil, pois demonstraram respeito quanto à religião. Neste sentido, pediu ao rei que enviasse logo clérigos para batizá-los.

      A representação mais famosa da celebração é o quadro “A Primeira Missa no Brasil“, feito em 1861 pelo pintor catarinense Victor Meirelles de Lima.

      Após esta, a segunda Missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí. Os anos se passaram e, hoje, o Brasil é o país com o maior número de católicos batizados no mundo.
Segundo o Anuário Pontifício 2018 e o Anuário Estatístico da Igreja 2016, no Brasil vivem 173,6 milhões de católicos, o que representa 13,3% de fiéis do mundo e 27,5% da América do Sul.

Fonte: ACI digital


20 maio 2019

Uma e outra realidade - Por: Emerson Monteiro



A realidade verdadeira, aquela que habita o coração das pessoas, caixa de ressonância das vidas e válvula de compressão da Eternidade, a ela no conduzirá no decorrer das emoções de existências sucessivas, a pisar neste Planeta solar. Isto é, a realidade real sem nenhuma alternativa se não abraçá-la e sonhar consigo, mesmo a cruzar as raias do Destino e aos poucos adentrar a felicidade definitiva, morada e aspiração dos humanos no decorrer de todo tempo. Será assim momento a momento, independente das opiniões contrárias. 


Porquanto as perdições de eras sem fim, essa disposição de desvelar os mistérios da Criação e trazê-los ao presente exigi no mínimo sinceridade de par em par, do indivíduo em si, de querer buscar o senso absoluto invés de aceitar a ilusão qual moeda de troca dos séculos e corpos. Muitos, talvez, ignorem as normas que compõem a Natureza, ainda que desejem possuir, grosso modo, dotes de sabedoria. E nisso viajam longas caravanas de inutilidades e prazeres, parceiros da perdição do bem mais precioso da inteligência diante dos dias, a vida que possuem sem nem saber a origem. 

Seremos, destarte, instrumentos de sortes imprevisíveis caso queiramos confrontar a realidade principal que logo ali no aguardará de braços abertos, porém que mereçamos galgar píncaros de esforço próprio em plantar sementes de coerência e paz, com os valores da austeridade, sem que joguemos fora o dom da verdadeira realidade. Conquanto um único não venha aqui apenas desfrutar privilégios, há no determinismo das leis superiores a medida de nossas conquistas espirituais, o cetro do amor, ou a graça do Poder soberano, Senhor de tudo e equação da Fortuna aonde desejemos chegar, nesse trocar de passadas entre o passado e o futuro, que denominamos o Presente, persistirá, pois, a justiça dos Céus no sentido das criaturas humanas. Elas, no íntimo, sabem a que vieram.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

15 maio 2019

Filipe II de Espanha - Por: Emerson Monteiro


Considerado o homem mais poderoso do século XVI, Filipe II reinaria desde 25 de julho de 1554 a 13 de setembro de 1598, tendo sob o seu crivo os Reinos da Espanha, Portugal e Algarves, Nápoles, Sardenha e Sicília, mantendo hegemonia praticamente sobre todo o continente da Europa.

Estadista de reconhecida capacidade administrativa, sustentou guerras com os diversos povos, donatário de riquezas sem conta, reverenciado por todos os monarcas de então; conquistaria o coração de lindas mulheres e casar-se-ia pelo menos três vezes, anexando, destarte, novas propriedades aos seus territórios, deixando inúmeros herdeiros e largas posses.

Aos 72 anos, viu-se acometido de grave enfermidade, o que lhe impediu de andar pelos reinados ou mesmo de levar vida regular, deslocando-se com dificuldade, mal que agravaria seu estado clínico a ponto de ter todo o corpo coberto de ulcerações de tratamento doloroso e insuficiente através dos meios daquele tempo. Durante pelos menos 63 dias amargurou de febre intensa e padeceu sob a guante dos tumores de que fora vitimado. Nem banho, que fosse, podiam lhe administrar, de tantas dores e malefícios face à gravidade da moléstia que o eliminaria em pouco período.

Considerado o Sábio e o Prudente, do seu reinado fizera parte também o Brasil, quando seria, em 1585, fundada a "Cidade Real de Nossa Senhora das Neves", hoje denominada João Pessoa, capital do Estado da Paraíba; em 1588 adquiriu o nome de "Filipeia de Nossa Senhora das Neves", em homenagem ao rei Filipe II. (Filipe II de Espanha – Wikipédia)

Ao término da faustosa existência material, Filipe passaria o torno ao sucessor e na ocasião diria as seguintes palavras: "Quis que vós estivésseis presente para que vejais em que vêm parar os reinos e senhoria deste mundo e saibais que coisa é a morte, aproveitando-se disso pois amanhã havereis de começar a reinar.» 

14 maio 2019

O que move o mundo - Por: Emerson Monteiro


Sim, o motor essencial das ações humanas... O que motiva pessoas e coletividades a desenvolver suas ações na face desse mundo por vezes ingrato... Razão principal dos movimentos que fazem dos dias a sobrevivência das espécies... Será, por certo, a fonte da paixão de viver aqui e sustentar as barreiras do destino.

Atrás da vontade, justificativa de todas as iniciativas, impera, pois, tais motivos, o que mantém o homem vivo, a se sujeitar a intempéries, frustrações e fracassos, e juntar migalhas, pouco a pouco, a alimentar tradições e entregar, ao término, o corpo, no final das jornadas. Nem tudo, entretanto, significa só desafio e aprendizado, porquanto ninguém é de ferro. Existe a hora dos miseráveis, do repouso e das alegrias, se não ninguém contaria as vantagens das noites de lua.

Porém a justificativa essencial que supomos de tudo quanto há de produções no afã da multidão vem na causa das vaidades humanas, qual disse o Rei Salomão, Vanitas vanitatis (Tudo é vaidade). Contudo nisso persiste o apego de prazer, a fome de amor e a cegueira da ignorância, nas palavras de Sidarta Buda. Juntar detalhes e formar o todo de continuar, dia após dia, a tanger o barco, nas marés e nos sóis das manhãs.

Ao frigir de tudo, lá nos estertores das riquezas que, por vezes, espalham angústias, desesperos, guerras, no fogo das aventuras e dos gestos, ali impera uma lei de continuidade, seiva dos infinitos sonhos individuais, quando as chamas de encontrar o lenitivo de estar aqui falam mais alto. Bem nesse foco inesgotável de bênçãos, habita o Sol das existências, reino de uma Verdade absoluta. Enquanto isto, dentro da gente fervilha a força maior do querer que transformar a relatividade em poder e domina o fugidio, causa primeira de havermos vindo e prosseguir até descobrir a nós mesmos.

12 maio 2019

O mistério da transformação - Por: Emerson Monteiro


De água em vinho, as humanidades aqui vieram no sentido exclusivo de encontrar a transposição desse tudo buliçoso de matéria no Nada de espiritualidade definitiva que lhes aguarda logo ali na esquina do Infinito, quando as luzes da carne se apagam e resta tão só o rastro surdo daquilo que todos um dia foram e praticaram, no decorrer dos séculos sem fim, amém. Largados nesse mar da desesperança dos flandres daqui do Chão, olham de paixão às paragens lá de dentro da consciência feitos zumbis das próprias sombras que percorrem noites insones de prazer tão unicamente na intenção pura e simples de rever qual será o prumo que os passos lhes carregam diante do abismo dos momentos que traspassam de dor os que deixam de lado a esperança e fogem feitos almas penadas aos pomos das discórdias, os humanos, braços toscos do Destino.

Assim compreender fica bem mais fácil deglutir as rotinas do Universo às portas do desejo sem controle da racionalidade dos animais da Criação, pequenas gotas a pedir o perdão divino. Sabedoria dos séculos, carregam às costas essa missão monumental de revelar a natureza secreta aos pares, ânsias em movimento perante o precipício do Tempo, que jamais aceitará o silêncio da indiferença, a julgar as ações dos objetos em mudança.

Fôssemos imaginar fórmulas outras que não essa de transformação, da mutação do nosso eu material noutro instrumento de poder, o Eu Superior, a personalidade original dos Espíritos, e estaríamos de justificar a materialidade qual razão principal, quando assim jamais será, porquanto chegáramos depois de os termos do processo da Salvação haverem sido determinados, meros sujeitos que o somos, partículas infinitesimais da existência de Tudo quanto existir.

Daí que obedecer significa algo além da pura atitude impensada dos homens de viver por viver, senão providência inigualável de achar as portas da Eternidade e repousar nos braços amoráveis do Perdão.



10 maio 2019

Tecnologia da Salvação - Por: Emerson Monteiro


Tecnologia, palavra que bem define a que todos estamos neste Chão, no fim de resolver a humana
perecividade face ao desconhecido, vez que ninguém nasce uma semente. Vimos e vivemos, depois vem aquilo que conhecemos de entregar corpos ao barro de onde procedemos. E daí? A que existimos, afinal? Nessa hora chega a função de encontrar a resposta principal de tudo quanto aqui nos trouxe..

A matéria traz em si respostas que tantos nem de longe imaginam. Feita do jeito da perfeição de onde procedemos, eis ente maravilhoso que revela a porta de vencer o enigma defrontado todo tempo ao fim do longo corredor de viver. Em resumo, de tamanha perfeição nascerá algo mais perfeito, porquanto somos Espíritos, seres inteligentes da Criação destinados a níveis superiores, no processo evolutivo.

Qual praticar a consciência se reserva aos indivíduos, trabalhar os segredos guardados debaixo de sete capas. Desvendar a essência que mora em nós. Decidir utilizar os instrumentos fundamentais à missão de Salvação, somos dotados do que necessitamos no sentido de obter êxito na sagrada missão de transpor os limites da materialidade e galgar pórticos da Redenção.

No que pesem as fragilidades, humanos dispõem já hoje dos mecanismos de ultrapassar a condição sob que o mantém a racionalidade pura e simples e penetrar o íntimo de sua natureza imortal, inclusive a isso merecendo receber dos mestres e santos as noções fundamentais do exercício dessa habilidade, por força das orientações superiores.

Ainda que submetidos aos pressentimentos da força bruta, são constituídos da ciência de libertação do mundo físico e podem desenvolver a vocação de vencer a inércia dos objetos e crescer aos Céus a que fomos constituídos desde sempre. A Vontade significa, portanto, a esperança e o amor, energia que alimenta os movimentos que produzem mais Luz no coração das pessoas.

08 maio 2019

O sonho das palavras - Por: Emerson Monteiro


Um fervor imenso de querer contar das possibilidades que chegam às praias do silêncio, enquanto palavras tocam o som de espuma e azul das águas na força inigualável de sentimentos a invadir o peito e cobrir de inebriante perfume o teto do Infinito. Melodia de luz que envolve céus e terras. Alegria de paz aos olhos da saudade. Nesse querer dizer das palavras cala na alma da gente poucas, senão raras vezes, o poder do oração a dominar as raias do instante e adormecer os temores, diante do movimento das ondas que bailam na leveza dessa vontade de sonhar, apenas sonhar sob o perfume das matas em flor.

Tais um dia imaginaram, as certezas e seus significados tão só agora reúnem o mistério e preenchem de suavidade os corpos da existência aonde eles possam habitar, quais energia maravilhosa, sorrisos e visões da mais esplêndida beleza. Nisso em que as canções desvendam o prazer das harmonias, os tons do ritmo das palavras ganham vida própria e iluminam os prados da consciência; realizam planos da Luz Divina no seio da imortalidade dos seres.

Contar das lendas e dos mitos, gestos de carinho que preenchem de emoção o passo dos heróis noites afora, são notas de Amor em forma de partículas e atitudes, ação de ânsias e desejos, desde há muito guardado no coração. Palavras que falam das novas histórias e alimentam de esperança o brilho das estrelas que esvoaçam no firmamento. Idioma dos deuses, elas oferecem tranquilidade às angústias e revivem de verdade o segredo de mundos próximos e distantes.

Palavras que trazem imagens das paisagens sublimes aos sóis que sustentam de vida os tempos da Eternidade. Palavras, sempre aqui junto da real felicidade, pulsações da condição humana e o maior sentido das origens na Criação.

05 maio 2019

Até onde chega a destruição da Venezuela – por Luiz Roberto da Costa Jr.(*)



    
A Guarda Nacional Bolivariana atacou a igreja de Nossa Senhora de Fátima, da diocese de San Cristóbal, capital do Estado de Táchira, que foi invadida durante uma missa. Bombas de gás lacrimogêneo foram atiradas de motos dentro do templo. Esse ataque, dia 1.º de maio, configura-se como um total desrespeito à dignidade humana, aos fiéis, às autoridades eclesiásticas e ao próprio Vaticano.

  Em seguida, cerca de 40 membros da Guarda Nacional tentaram invadir a igreja, sob o comando de um general (de sobrenome Ochoa). Mas foram impedidos pelo pároco (padre Jairo Clavijo), depois de intensa discussão e da evacuação do recinto sagrado.

(*) LUIZ ROBERTO DA COSTA JR. – e-mail: lrcostajr@uol.com.br

Contas públicas do Brasil: crescendo igual a rabo de cavalo – por Sílvio Natal (*)


Bola de neve e atoleiro das nossas contas públicas.

   Os que vão discutir a proposta de emenda constitucional enviada pelo governo ao Congresso visando à reforma do sistema de aposentadorias e pensões deveriam saber como estão as contas do País.
O déficit geral do setor público é de 7% do produto interno bruto (PIB), “uma das maiores proporções do mundo”. Mas essa é a notícia “boa”. A “má” notícia é que a dívida pública – verdadeira bola de neve, que só faz aumentar – já é de 78,4% pelas contas do governo e se aproxima de 90% pela metodologia do Fundo Monetário Internacional (FMI), número escandaloso para os padrões de um país emergente como o Brasil. Na média, a dívida dos emergentes é inferior a 50% do PIB, e com juros módicos.

    Em nosso caso, além do montante da dívida – que é de R$ 5,4 trilhões –, os juros sobre ela incidentes são altos e tendem a aumentar com os solavancos políticos, constituindo um ralo gigantesco por onde se esvaem centenas de bilhões, drama este alimentado pelo rombo previdenciário, que este ano deverá ultrapassar os R$ 300 bilhões. “Enquanto a economia derrapa e a arrecadação fraqueja, o governo central arranja-se como pode, com R$ 30 bilhões de gastos congelados e cortes nas chamadas despesas discricionárias”, dando a medida do aperto orçamentário, espécie de corte “na carne”, que, a julgar pelas últimas medidas do Executivo, apenas começou e tem tudo para ser aprofundado.

    Ou o Parlamento toma juízo, assume suas responsabilidades para com a Nação e cumpre o seu dever, abdicando do costumeiro “toma lá dá cá”, ou o País afunda no atoleiro da dívida, com consequências imprevisíveis. Simples assim.

(*) Silvio Natal – E-mail: silvionatal49@gmail.com

A abolição da escravatura negra era o maior desejo do Imperador Dom Pedro II


A ação do Imperador Dom Pedro II no sentido de promover e preparar a liberdade dos escravos não poderia deixar de ser lenta, e só poderia ser eficaz se fosse constante. Sua Majestade precisava convencer os homens políticos a atrair o concurso da Nação. Hoje em dia, percebe-se que nesse trabalho as interrupções foram senão aparentes, mas, para chegar aos resultados, o Soberano jamais foi além dos limites que lhe impunha a Constituição Imperial de 1824.

Quando, em 1850, a Assembleia Geral do Império discutia a lei de repressão do tráfico negreiro, e se mostrava ao Imperador os perigos aos quais a lei exporia o Trono, Sua Majestade, então com 24 anos de idade, replicou com energia:

– Prefiro perder a coroa a tolerar a continuação do tráfico de escravos!

Já em 1870, durante uma reunião do Soberano com o Gabinete de Ministros, o Barão de Cotegipe, então Ministro da Marinha, argumentava:

– A questão da emancipação é semelhante à pedra que rola da montanha. Nós não a devemos precipitar, porque seremos esmagados.

Ao que o Imperador replicou:

– Não duvidarei de me expor à queda da pedra, ainda que seja esmagado.

(Baseado em trechos do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier)

03 maio 2019

A fluidez do destino - Por: Emerson Monteiro


Na ânsia de continuar, mesmo quando o Sol desaparece no horizonte, a fluidez de lugares, pessoas e objetos suavemente passa qual se nunca antes houvesse existido. Pessoas, elas estendem as mãos entre si, apressadas mãos, e sustentam nada mais que migalhas do que as lembranças agoniadas recolherem das pedras do caminho. Restam isso, poucas fagulhas dos apetitosos pratos de corpos suados ao relento das horas mortas. Até os heróis, avassalados de desejo, caem desfalecidos sobre os lençóis, feitos carcaças desnudas de velhas peças, nos espetáculos mambembes. E orgulhar de quê, vilões esquecidos, vez que logo além dos combates virarão filmes desbotados em latas enferrujadas?...

No entanto combateram o bom combate; guerrearam feito gente grande, agarrados aos mastros de galeões em fúria. Acreditaram ser valentes inexpugnáveis por terem fome e desfrutar do repasto dos deuses. Viverão para sempre nas folhas do destino que hoje lhes escorre pelos dedos amarelados. Dormem o sono venturoso dos justos e sonham voando nos tapetes persas, que o Sol assim gratifica seus filhos diletos no clarão das luas que sucedam aos dias. Conhecem, sim, que deslizavam entre as nuvens, santos no Paraíso das ninfas apaixonadas.

Foi de tal o modo o que era enquanto havia luzes acesas na consciência. E elas, essas humanas criaturas artesãs da própria sorte, beduínas almas e visões, que ofertaram  sacrifícios nos altares enegrecidos e ainda tangem os ferros das armaduras da ilusão, alimentaram de promessa os frutos e a sementeira, porquanto são longas as noites da Estrela Peregrina, agora o destino dos viventes. Criaram com toda força da juventude o resultado que merecem, livres de dores e cantilenas. Usufruam, pois, do que ora crepita nas fogueiras acesas do amor, que as naves próximas já vêm a caminho.

(Ilustração: A Crucificação - Brueghel).

02 maio 2019

A existência e o tempo - Por: Emerson Monteiro


Espécie de lâmina afiada que divide passado e futuro, o tempo é esse filhote de mistério que rasga ao meio as mantas de carne e as substâncias impessoais da matéria bruta, isso numa velocidade estonteante a na maior sem cerimônia sem ter a quem explicar, sendo seguido pelas multidões gargarejantes à busca da sorte por vezes ingrata, noutras coberta de brindes, bônus e prêmios, e que, no entanto, termina bem logo ali no final do precipício aonde ele, o Tempo senhor sorrir e tritura nos seus dentes a fome da dor e os ossos das flores que nós somos.

Quisessem aceitar, e tem que o faça, sair-se-ia bem melhor do que muitos recalcitrantes na hora de ir. Outros, entretanto, parecem fazer favor em viver, de caras feias, olhos vermelhos e presas à mostra, quais aqueles que vivem por viver e obrigação. Reclamam de tudo. Chova, reclamam. No sol claro das manhãs, reclamam. A pé, reclamam. De avião, reclamam ainda mais. Vivem, pois, só na intenção de protestar diante do absurdo de horas e séculos, sejam ou não agraciados com as taças e os campeonatos do destino.

Porém dos porém, lá vão manadas de gente a tostar diante dos céus, marcadas a ferro e fogo nos holocaustos contínuos que ofuscam o sentimento dessa necessidade de uma resposta maior. A saudade, por exemplo, arquivo de bons momentos, dói de amargura quando fica guardada longos períodos e vem no instinto determinado de satisfazer os que passaram turnos bons. São provas ou expiações deste mundo em que os humanos habitam.

Desvendar esse enigma genial de tamanha habilidade a isso vêm e vão, eles viajantes da fronteira do ontem e do depois, envolvidos nos negócios do instante passageiro que tangem, serviçais e herdeiros do tempo de perguntas ainda sem respostas, em forma de pequenos animais inteligentes. Fervilhantes, batem às mesmas portas de si e alimentam o sonho de que tudo termine bem, nesse cosmos de quanta beleza, repleto dos desafios de grandes amores.

30 abril 2019

Triunfo solitário - Por: Emerson Monteiro


Vencer o mundo, eis o principal motivo das buscas humanas. Aparentemente simples pensar nisso, porém de extrema dificuldade exercer tal função a que viemos, sem o quê tudo terminaria em mera frustração de um projeto definitivo; vencer em si os questionamentos, e chegar ao objetivo circunstancial das existências.

É assim desde sempre, na avaliação dos filósofos e místicos. A resposta de cruzar as torrentes da ilusão e obter o sucesso, diante dos corpos de carne que descem na correnteza, serve de repositório às tantas provações, aos caprichos e prazeres; nascemos submetidos às leis, no entanto sendo espíritos a que precisamos santificar e galgar páramos celestiais. Por certo difícil de explicar, no entanto desse modo se apresenta o mistério de que fazemos parte integral, inevitável. Atravessar as barreiras dos muitos desafios e ganhar a liberdade glamorosa e desejada, tal o resumo da história e dos homens.

O apetite aos apegos, contudo, escravizam nas jornadas sucessivas ao trilho das perdições, dos charmes de intensidade angustiante, quando nisso os barcos sacodem pelas aventuras do tempo. Há um filósofo dinamarquês, Soren Kierkegaard, que classifica em três fases a jornada terrena: Fases estética, ética e mística. A primeira, que se poderia chamar de erótica, oferece à carne os alimentos físicos de que reclama; na segunda, vem o senso da responsabilidade e preocupações de ordem moral; e por fim a fase mística, no auge dos anseios de respostas ao sentido do que a vida significa.

Só poucos completam tais ciclos sem grandes frustrações, no objetivo essencial de existir, entretanto eis a única razão das vidas na humana consciência, quando, um a um dar-se-á ao real valor do que aqui encontrar, nesse vale de lágrimas. Quantos se prenderem, pois, aos rochedos das ilusões repetitivas apenas adiam o momento pleno da transformação, triunfo dos amargores. Bem forte saber que nenhum outro caminho resta de usufruir a divina perfeição; não importem as aflições, plantemos a paz no seio do que já somos, matrizes da Perfeição.




29 abril 2019

Esquinas do silêncio - Por: Emerson Monteiro


O Tempo, sinônimo de existência de tudo que existe nas vagas e partículas do espaço, feito guardião das luzes que vez em quando brilham nas almas e nas pessoas, as transforma em artesões da felicidade absoluta de que somos parceiros exclusivos. Ele pousa de modo suave na face única da realidade. Reconhece pouco a pouco o terreno. Avista os antes e os depois. Soma e diminui, divide e multiplica os sentimentos que arrastam as multidões. A todos permite esses instrumentos de resolver o quanto precisam em termos de selecionar o resultado das equações movimento. Nisso somos criadores da qualidade pura dos momentos. Evitamos as dores e promulgamos resultados favoráveis de ver o mundo, sempre sob o olhar atencioso do Tempo.

Ele, Tempo, concede meios de fabricar as horas das criaturas, matéria prima das produções individuais. Ninguém deixa de merecer o que evitar ou dificultar. Olha-se o panorama ao estilo de solucionar as oportunidades disponíveis. Jogar fora os bons sabores sujeita machucar o astral das pessoas. Má vontade significaria tal resposta que virá ou não virá, a cada um conforme o que merece. Artífices hábeis jamais danificam a peça que trabalhem, porquanto caberá a si o ônus de conhecer o tanto de manusear horas, recursos e a chance ímpar da ocasião, do agora elaborar o instante, na valsa nobre da autenticidade pessoal.

Ninguém, pois, alegará ausência de condições na construção das esquinas de paz que mora o íntimo quando atira nas calçadas a fama e o direito de reverter quadros e situações todo tempo, no infinito da Lei entregue em suas mãos de minerador da vida.

Fugir de esse poder infinito apenas representa pouca habilidade no desejo, dando de cara nas muralhas intransponíveis do destino, horas mortas nas próprias correntes de valor a si depositadas pelo carinho da Liberdade, personagem primo e irmão da Sorte, o ser amacia o gosto de encontrar harmonia. Poucos, nenhum que seja, fugirá aos caprichos daquilo que estabelecer nas atitudes face de eles oferecidas nas curvas do provável. Senhores de si e do direito sobre o que criar, vamos no barco dos fiéis do agora mesmo imaginar, porquanto o autor de tudo assim permite de poder.

28 abril 2019

Paisagem lunar II - Por: Emerson Monteiro


Onde o tempo nunca esvazia viver e permanecer, sempre, nas dimensões infinitas do eterno, bem ali, na suavidade dos sonhos, no seio do coração, que vem e volta a sorrir aos céus. Quem chegar, porém, ao amor de verdade saberá disso, como ninguém, de existir a felicidade em segredos guardados a sete chaves. Comunhão de luz e paz, as saudades jamais têm razão quando preenchem as paisagens dos corações em marcha batida. O que é tudo senão o que pensamos de tudo (Fernando Pessoa).

As emoções que transbordavam e viravam palavras, agora são pedaços de ilusão jogados ao vento dos pensamentos, no esforço sobre-humano de querer apressar o momento e resultar disso, de doer na alma, na fome intensa de viver os desejos escondidos, pois transportavam nos passos a angústia de encontrar respostas a esse enigma do seu interior, altares de sacrifícios de vaidades e evasão da sorte. Quisessem, num querer de consciência, e desvendariam todo o poder de que são portadores.

Máquinas de beneficiar horas em milagres, apenas tangem os barcos da Salvação no rumo desconhecido, e alegram os dias em festas evanescentes. Vendem os sóis, que recebem pelos instantes de paixão, e acham suficiente sobreviver aos mistérios e às ocasiões tais viajantes perdidos em mundos ignotos. Pisam a sombra das visões que nutrem e gargalham, amantes das ausências e saudosos de um passado inexistente, rastros impossíveis de saber aonde foram eles desde antes de terem sido algum dia.

Quando querem, no entanto, regressam de longe e sabem do destino procurar, e choram, e gritam, e oferecem mil sobras daquilo que ainda trazem consigo no íntimo a troco das vontades abandonadas à sorte ingrata, solitários indivíduos alimentam à força de ser cruzar a morte, de lá do abismo o silêncio, naus largadas ao trilho azul da imensidão; daí deparam com o sentido de tudo isto o que já significavam.

(Ilustração: Inferno, de Botticelli).