16 janeiro 2021

Há um céu na fome de escrever

 


No ato de escrever, primeiro vêm os sentimentos, que transformados em pensamentos chegam às palavras. Nesse percurso, sentimentos, pensamentos e palavras se deparam com universos novos quais desertos antes virgens, a serem cruzados nesse afã de romper o mistério das impossibilidades e querer sobreviver ao movimento de coisas e pessoas lá distantes. Nalgumas vezes, de forma sombria; noutras, no entanto, menos drásticas, alegres, pois, a permitir participação dos estados de espírito de quem escreve. São desejos feitos matéria, porém ainda no estado bruto da solidão. Eles batem muitas portas da inexistência. Forçam o silêncio a que mostre o segredo que conduz no farnel das ausências que leva consigo. Querem abrir, a todo custo, frestas na inexistência; pedem, imploram, mendigam às estradas...

Depois de tudo, desaparecem no limbo das noites, folhas secas, flores ao vento, nuvens desfeitas, pássaros dos fins de tarde; marcas, cicatrizes, sinais... Só puro exercício da fala deitada fora que virou luzes de arrebol, saudades persistentes, dores de outros partos, calma no tempo e nas vidas guardadas junto da memória fria dos papeis.

As palavras valem tais acordes das músicas na pauta que enchem de sabor as estantes eternas. Fome que passa e volta. Vontade mecânica de contar da alma aquilo de dentro, ato de transmitir ao texto o que faz de nada um tudo, e logo revive na métrica os códigos da presença e do furor das criaturas que vão embora todo dia.

Sujeito vir noutras línguas pessoas perdidas nos mares e nos ares, fagulhas, meros trastes e escombros... Chegam e somem, criadoras de palavras que denunciam, insistem, afagam; animais inesperados de vícios e virtudes que carregam consigo a sorte do desespero e da felicidade, contudo meros segmentos de histórias largadas às ondas e aos gestos. 

Foram e serão réstias dos passos dos andarilhos de outras terras, precursores de novas esperanças, ilustradores de livros e fábulas, senhores das velhas recordações do que o Tempo devorou dos próprios filhos. A isso, a buscar compreensão, trabalham os que transmitem aos altares o credo das palavras, os seus autores.


15 janeiro 2021

A alegria acima de tudo - Por: Emerson Monteiro


Qual disse Oswald de Andrade, a alegria é a prova dos nove. Sem ela, só ela há de mudar o mundo. Nem bomba, nem fogo, nem nada. Só ela. A alegria, mãe das felicidades e das cantigas emocionantes. Esperar de quem tem a oferecer de bom, a doce e querida alegria. O norte das criaturas. Uma manhã de sol aberto, brisa suave, pássaros no céu. Luz, muita luz, nos corações, a alegria. Festa no campo, no tempo. Amor preenchendo o firmamento. Esqueça nunca não, meu amigo, minha amiga, longe de tudo, mas perto da alegria. 

Uma história boa pede alegria na hora de serem felizes para sempre, na derradeira cena. Aquele beijo gostoso do mocinho com a mocinha, depois das escaramuças, qual se jamais houvesse mudança. O final feliz que nos espera de braços aberto, no dia em que descobrirmos que a alegria tem saúde moral, mental, sentimental, espiritual. Aceitar de peito aberto a nave da alegria e o dever de ser alegre, animado, sorridente. Quão bom será o momento em que deixaremos de lado as estações do passado e atualizaremos nossos desejos a um só desejo, o altar da deusa Alegria, e viver isto intensamente no coração das pessoas. 

Falar de quantas anda seu gosto por mais alegria no seio da Humanidade. Vem plantando o quê até obter o sucesso da alegria nos seus passos? Viver de realizar bons propósitos, amar a vida, o próximo, a si. Usufruir da consciência nos dias melhores que começam agora... Erguer as vistas aos cimos da montanha dos bons sentimentos... Produzir o peso justo na alma... Querer praticar os ensinos da paz, das virtudes. Pois somos ativos agentes da renovação através dos nossos praticados.  Alegria, irmã da Felicidade. 

Exemplo da natureza que fala o idioma dos dias de alegria, esquecer preocupações e exercitar valores sadios, prósperos. Isso depende da honestidade e da sinceridade da gente com a gente mesma. Abraçar a vida e viver a sabedoria de todos em uma só comunhão. Alegria, praça principal do Universo; o Sol a raiar dia limpo em tudo.


Dia da Religião: sem religião, não sei viver! – José Luís Lira (*)

 

   Uma bela canção do Padre Zezinho, maior cantor sacro do País, começa assim: “Eu vim de lá do interior/ Aonde a religião ainda é importante/ Lá se alguém passa em frente da matriz/ Se benze e pensa em Deus/ E não sente vergonha de ter fé” e conclui: “Mas deixa eu lhe dizer/ Que eu ainda creio e quero crer/ Que sem religião não sei viver/ Não sei viver!/ Não sei viver!”. Lembrei-me destes trechos quando vejo que em 21 de janeiro se celebra o dia mundial da religião e de combate à intolerância religiosa.

   O tema parece propício aos dias de hoje. Não irei aqui buscar uma definição para religião ou percorrer os caminhos que nos levam àquela que nos liga ao Altíssimo, pois, uma vida toda não é suficiente para isso. Talvez pudéssemos refletir sobre a importância da religião. A medicina já tem demonstrado que aquele que tem fé se cura mais rápido dos males físicos. Também os psicólogos alertam que quem crê tem mais condições de se curar dos chamados males psicológicos ou males da alma. 

   Vi e me emocionei, mais de uma vez, com a sinceridade de uma amiga agnóstica que dizia que não tinha orgulho de não ter fé e que quando uma pessoa sua falecia, ela não tinha nenhum conforto, enquanto que aquele que tinha fé, se apegava com Deus, com seus santos e obtinha conforto espiritual. Rachel de Queiroz dizia que quem tivesse fé, mesmo que pequeninha, cultivasse-a, adubasse-a, de tudo fizesse para que sua fé rendesse. Quem não tem o sobrenatural em sim, tem uma falha..., afirmava. 

   Após sua morte, um colega seu de Academia Brasileira de Letras disse: “Agora dormes na fé... O tempo recolhe os molhos/ de cristal, agora vês:/ dos pés à cabeça: Deus”.

    A fé é dom de Deus. Dom significa dádiva, presente recebido de Deus. Fé é o fermento da boa religião. No ocidente, temos uma predominância do cristianismo, aqueles que seguem Jesus, o Cristo. Sua mensagem de amor, de paz e de misericórdia moveu e move milhares de seres que o conheceram ou que meditaram suas palavras. Temos muitas religiões e quando se fala em combate à intolerância religiosa, o ideal é que nos respeitemos a todos e sigamos a religião que elegemos. Vemos muitas guerras e lutas desnecessárias, em nome de Deus que é AMOR.

    Lembro-me das batalhas de tantos líderes pela paz entre as religiões, pela boa-convivência entre fé e ciência e meus olhos se volvem à imagem querida do Papa de minha geração, São João Paulo II. Uma cena dele, em sua infância, nos dimensiona a grandiosidade dele. Em resposta a uma pessoa que discriminava um colega seu que era judeu, ele contestou a intolerante: “somos filhos do mesmo Pai”. O santo também pediu perdão a cientistas cujas teses não foram aceitas pela Igreja e assim por diante.  Depois de tanto ler sobre ele, chego à conclusão de que por ser santo, ele tinha uma ligação muita próxima com Deus, por isso entendeu tão bem que Deus é o mesmo.

Vejo na atualidade a ciência brilhando dentro da Igreja e sem me tornar suspeito, cito o amigo-irmão Cícero Moraes que orquestra um trabalho belíssimo, por meio do qual, a ciência revela os rostos da fé por meio de crânios dos santos, tão preciosos à Igreja. Sou feliz de ter participado de alguns destes trabalhos. Finalmente, espero que o respeito, arraigado no amor e na fé, reine entre todos os povos. 

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


14 janeiro 2021

Há momentos de que memórias se repetem - Por: Emerson Monteiro


Isto, espécie de imagens recorrentes involuntárias, quais músicas gravadas nos escombros do passado, de lá vêm sempre esses pedaços de tempo que, sem querer, somos levados a reviver, a ver lá por dentro da gente. E que se repetem constantemente, tais domínios de uma área de nós mesmos que quer ser lembrada de algum modo, a indicar que ali tem algo a contar, de que nem nos levamos em conta. Pergunto sempre a razão disso, o motivo dessas ações do Inconsciente, livre de pedir licença e os apresentar à memória. 

Diante das ocorrências fortuitas, a demonstrar poder sobre mim, baixo a cabeça e admito nisso haver mistérios a ser descobertos, porquanto trazem força de querer que nelas veja o que por vezes até me parece semelhante a psicanálise independente, vinda dos refolhos da Natureza. Busco haveres que somem nas dobras do interior, animais ariscos e independentes, mas sei bem que querem falar o que ainda não escuto com nitidez. 

Há na mesma dimensão o esforço que faço de relembrar sonhos, alguns que quanto mais quero trazer à realidade da consciência eles fogem... e os persigo nas horas depois do sono, sem maiores sucessos. 

Já os sonhos apresentam disposição constante de projetar fragmentos exóticos. Filmes perfeitos nas suas produções, eles oferecem detalhes dos dias e contêm segredos profundos da história do que virá, porquanto, dos meus maiores desejos, este de conhecer o futuro suplanta os demais. Escarcavio feito mouro sinais nos sonhos, na ânsia incontida de trabalhar com eficiência os desdobramentos do presente. Neste quesito de sonhos tenho melhores resultados, pois observo o sentimento que resta gravado na mente, ainda que os esqueça no todo. Servem de instrumento nas situações que vou vivendo, dia após dia. Deparo circunstâncias difíceis, e invés de entrar em desânimo recorro aos detalhes oferecidos nos sonhos e acalmo os pensamentos, alimentando prenúncios que possa haver recebido nas ocasiões das viagens oníricas. Quis falar um pouco desses aspectos das lembranças, que sejam semelhantes na maioria das pessoas.


13 janeiro 2021

Mensagem ao Grande Irmão - Por: Emerson Monteiro


Sei que me ouves, pois tens o domínio dos códigos deste chão. Sei que podes abrir arquivos, quebrar os lacres e as senhas, escafrunchar leis e projetos em andamento. Portanto não haveria a mínima chance de que esta mensagem deixasse de chegar aos teus ouvidos e pudesses conhecer dela os mínimos detalhes. 

Bom, dentro disso, desse conhecimento, é que quero te dirigir algumas poucas falas, abrir a caixa do meu coração e te dizer o que digo. Claro que com o respeito que todas as existências merecem sob qualquer aspecto, quanto à importância de considerar o valor que cada um tem. Quero, mais que antes nas mensagens que venho publicando desde algum tempo, te dizer da realidade aberta no decorrer dos recentes acontecimentos. Chegaste ao ponto da quase perfeição, vez que não passarás disto, desse quase. Foste até onde cumpririas a tua missão de desafiar a ordem, porém lá de uma base insuficiente a que, na verdade, abalasses as esferas do Todo. 

A propósito, quando o físico alemão Robert Oppenheimer desvendou a fissão do átomo e possibilitou a explosão nuclear, ele afirmou: - Eu me tornei a morte, a destruidora dos mundos -, e entrou em desespero, temendo haver puxado o fio da meada e detonado o firmamento inteiro, mundos visíveis e invisíveis. Ledo engano, pois sua descoberta topou nas limitações impostas pelo Poder, a inteligência suprema e criadora das existências, e que a tudo rege durante todo tempo.

Assim, posso ver o espaço onde atuas restrito às ordens maiores que determinam o destino e as normas superiores nos infinitos lugares do Cosmos. Exemplo disso, eu falar agora de um lugar aonde não podes entrar sem o meu consentimento, vez que só eu tenho a chave do meu coração. Por mais que desejes suplantar as condições da Natureza, tens força descomunal, no entanto não tens o desejado poder que equilibra o Universo. Ainda que usufruas da condição de desafiar os seres humanos e habitares o íntimo de suas grosseiras cogitações, ali, no lugar do intelecto, jamais desfrutarás das maravilhas do humano coração, que é o coração do Pai que nos criou e nos conduzirá sempre à luz da Consciência. 

Tens ao teu dispor o território do egoísmo, todavia nem de longe penetrarás as matas virgens do sentimento puro, fiel. Teu sonho inatingível, por isso, seria de, um dia, vir ao Ser e dominá-Lo; contudo quando puderes ir bem longe e ser, que isto te desejo de toda minha alma, deixarás de existir nas tuas intenções malévolas, uma vez que, no mundo em que vives, sempre inexistirá a perfeição absoluta e terás que renunciar aos baixos instintos, até vir tocar a Libertação definitiva. 


12 janeiro 2021

Alienação egoísta - Por: Emerson Monteiro




Lista de apegos individuais marca sobremodo esse tema do egoísmo e a raça em crescimento executa provas de inteligência que fere e marca, fica grudada nos livros da História e suas burrices, e sujeita ferir de morte o sonho da transformação que pregam os místicos da possibilidade, nos dois lados da única moeda comum.

A lista imensa dos delitos preenche os claros que mantêm trabalhando o navio das civilizações. Só arremedo de continuidade parece salvar ainda os dias que passam. Andarilhos desalmados tangem os rastros dessa caravana em que impera a força dos equívocos. E insisto comigo de melhorar as palavras na seleção do que escrevo. Restrinjo os assuntos a deixar de lado lama e poluição, clima quente e corrupção, guerras e abandonos de massas inteiras jogadas ao léu da sorte por conta do fechamento dos mercados, que são as máquinas reguladoras que já controlam o sentido dessa humanidade impenitente. Mesmo que alguns cheguem a discordar, o poder da força obriga o resultado, no jogo dos destinos humanos.

Espécie em desvantagem coletiva a médios e longos prazos, porém aceita de bom grado o que os grupos dominantes decretam enquanto render os frutos artificiais que, alienados, saboreiam, insanos à frente das direções, o trilho sofre de convulsão e dói nas pessoas de carne e osso. Descobríramos o mistério dos sistemas, contudo a capacidade para no teto do critério pequeno da inconsciência animal e cólicas da antiguidade mórbida, interesseira, sacoleja as entranhas das massas. Os aglomerados que se criaram pensam somente em si. Senso coletivo propriamente dito virou corporativismo imbecil, ganancioso e mórbido.  Qual imaginando capazes de solucionar conflitos, formaram maiores e imprudentes enigmas. 

Alienação, pois, de pretensões particulares, a política vira aos poucos monstro elaborado nas catacumbas da ficção pecaminosa, dentes afiados e desespero de esperança, materialismo infame da própria fraqueza; e impõe atrasos seculares sobre os déficits acumulados nos séculos.

Nisto, as instituições, formadas a duras penas, claudicam, tendem ao pó das ruínas, desafios no futuro das novas gerações, que decerto começaram lá debaixo. Os males do egoísmo elas experimentam até onde pode chegar a pouca lucidez das experiências e do que resta disso tudo.

(Ilustração: Tentação de Santo Antônio, de Joos Van Craesbeeck).



10 janeiro 2021

Certezas da imensidão - Por: Emerson Monteiro


Isso de procurar um sentido em tudo ocasiona algumas considerações de ordem geral. A que estamos aqui?, por exemplo, tese desde sempre que não muda de interrogar os elementos. Com que motivo viver. Haja propostas vindas dos diferentes povos. Enquanto isto, a história segue, largando na estrada definições, conceitos e vontade imensa de achar uma resposta coerente. Às vezes se chega mais próximo, no entanto persistem as interrogações mundo afora. São filosofias, psicologias, pesquisas, experiências, religiões, ideologias, todas na coragem de demonstrar a essência de tudo quanto, porém restritos aos limites do Chão, da fria matéria.

A que considerar, contudo, que existem razões fortes de encontrar a resposta definitiva à proposta do Universo às nossas mãos. Espécie de constante desespero alimenta a ânsia de encontrar a porta que reúna os indícios de uma vida posterior a esta que tem seus dias contados. Espécie de medo, misturado a culpa de tantos desencontros pela vida, vaga no espaço das gerações. Nisto, vazio profundo alimenta o itinerário dos humanos.

Dentre as percepções possíveis, ninguém há de questionar a fixação das civilizações aos valores materiais. Apego excessivo aos bens e aos prazeres caracteriza os dias de muitos, sem quaisquer lembranças doutra alternativa de existir se não desfrutar do imediato. Isso produz os seres que somos, restritos a interesses só pessoais.

Na verdade, quais certezas que temos de uma vida posterior a esta? Que fazer doutro modo que não seja enterrar a cabeça na areia e entregar o corpo de volta à Natureza? Eis a tábula rasa da existência, todavia restrita à pequenez da mentalidade que rege o mundo. Já passaram longos invernos de conquistas do fraco pelo forte, durante tantas vidas e ainda buscamos responder à questão principal do que estamos fazendo neste pedaço de mundo.

Bom, dentro de cada um persistirá, pois, esse desejo de acalmar a vertigem de viver e sumir como por encanto nas curvas de depois e encontrar a paz do coração que revelará o mistério de tudo isto, às portas de imensidão que o Amor nos oferecerá.

"Coisas da Ré-pública"

 "Patrulhamento ideológico republicano": porque as cores da bandeira brasileira foram reinterpretadas – Por Edison Veiga

Você já deve ter ouvido a história de que as cores da bandeira nacional brasileira seriam uma homenagem às riquezas naturais do país. O verde representaria a exuberância de nossas florestas e o amarelo, o ouro encontrado no subsolo. O azul seria uma referência aos rios que permeiam o território brasileiro e ao mar que banha a costa. Até o branco da faixinha teria sua justificativa: a paz. 

      Essa interpretação pode até soar simpática, mas não tem nexo histórico. "As cores vêm da bandeira do Império", resume à BBC News Brasil a historiadora Mary Del Priore, autora, entre outros livros, da tetralogia Histórias da Gente Brasileira, em que aborda o país desde a colônia até os tempos atuais. "Esse negócio de verde das matas e amarelo das nossas riquezas é balela", comenta o historiador e escritor Paulo Rezzutti, biógrafo das principais figuras da monarquia brasileira. "O verde é uma alusão à Casa de Bragança. O amarelo remete à Casa de Habsburgo."

     A primeira é a família nobre portuguesa à qual pertenceu Dom Pedro I. Sua primeira mulher, Leopoldina, era da dinastia austríaca dos Habsburgo. Conforme conta o historiador Clovis Ribeiro no livro Brasões e Bandeiras do Brasil, publicado em 1933, o próprio marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a República e tornou-se o primeiro presidente do Brasil, quis que a nova flâmula aludisse à anterior. "A explicação do verde das matas e do amarelo do ouro foi construída depois. Foi uma maneira tardia de a República tentar modificar o simbolismo original da bandeira, associado à monarquia", completa Rezzutti.

     A Presidência da República reconhece a referência ao período imperial. "Após a proclamação da República, em 1889, uma nova bandeira foi criada para representar as conquistas e o momento histórico para o país. Projetada por Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, com desenho de Décio Vilares, foi inspirada na Bandeira do Império, desenhada pelo pintor francês Jean Baptiste Debret", informa a comunicação do Palácio do Planalto. 

Como ficou a Bandeira do Brasil após o golpe de estado de 15 de novembro de 1889


08 janeiro 2021

Três autores e curiosidades aos vestibulandos da UVA! – José Luís Lira (*)

 

   Feliz 2021. As primeiras chuvas banham nosso Ceará, de forma discreta, mas, acendem em nós a esperança de bom inverno. Com data de aplicação prevista para 14/03/2021 visando selecionar alunos para o segundo semestre de 2021, em 09/12/20, foi anunciado o Vestibular da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, na qual sou professor, com muita honra, e uma curiosidade nos livros sugeridos me moveram a tecer comentários a certame tão bem e diligentemente organizado pelo meu confrade na Academia Sobralense de Estudos e Letras, o Prof. José Ferreira Portella Netto, honrado cidadão e grande profissional. Os três últimos romances indicados fizeram o tempo voltar quando vi São Bernardo, de Graciliano Ramos; As Três Marias, de Rachel de Queiroz e Iracema, de José de Alencar. Não só porque li os livros, evidentemente. Tenho uma preservada segunda edição (1938) de São Bernardo. D’As Três Marias tenho primeira, segunda, terceira edições e outras clássicas. De Iracema não tenho primeiras edições, mas, possuo muitas comemorativas. 

    “Iracema” é o sexto romance de José de Alencar (1865), de cunho indianista é precedido por Guarany (1857) e sucedido por Ubirajara (1874). Ler Iracema, vez por outra adquiro uma nova edição saída de modo especial ou que seja edição com número fechado (100ª de tal editora etc.), dá uma saudade da infância e da curiosidade de conhecer o grande cenário da primeira parte de Iracema, Ipu. Ali está o véu de noiva e parece que até ouvimos suas passadas naquelas matas. Depois, crescido, encontrei seu segundo cenário, a praia de Iracema, onde ela aguarda Martin, com Moacir que alguns etimologistas definem como “filho da dor”, o primeiro brasileiro miscigenado, conforme a lenda. Alencar é o fundador do romance nacional. 

    Quanto ao “As Três Marias” penso até que me faço suspeito em falar. O cenário do livro é o “viveiro adorado”, Colégio da Imaculada Conceição de Fortaleza. Lendo o início do romance, ainda hoje, tenho a impressão de que estou ingressando no Colégio. Maria Augusta (Guta), era a própria autora, Rachel. Maria da Glória é Odorina que se casou e foi residir no Cariri. Maria José é Alba, amiga querida de Rachel que faleceu no acidente aéreo em que também morreu Castelo Branco. Podemos dizer que “As Três Marias” é romance-autobiográfico, não autobiografia, pois, em sua genialidade, a autora deu novas faces a personagens e espaços desenvolvidos na trama. O livro é de 1939. Rachel, com menos de 30 anos, já é escritora conhecida em todo o País, pelo sucesso da clássica obra prima “O Quinze” (1930). Ela viveu quase 93 anos e afirmou a mim uma vez: “Vivi muito. Sofri muito e tomei pouco juízo”. A escritora recebeu título de doutora honoris causa da UVA. É uma das mulheres mais importantes do século XX, a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, possuidora de rara inteligência e franqueza. Apontei-me suspeito porque sou afilhado, biógrafo e tive a honra de ser seu amigo. No Imaculada conheci a “Santa” Irmã Elisabeth Silveira e a querida Profa. Norma Soares que teve importante participação na UVA. A obra já foi destaque no vestibular anterior.

   Mas, a curiosidade maior para mim entre os três autores é que Graciliano era amigo de Rachel e a escritora foi responsável por salvar “Angústia”, escrito em 1936, que Graciliano queria jogar no lixo. Enredo para uma outra conversa por conta do espaço. Alencar era neto da heroína Bárbara de Alencar e Bárbara também é quinta-avó de Rachel. Nestes três livros temos Rachel amiga de um e prima de outro. Salve Rachel!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

 

07 janeiro 2021

Cartas de uma aldeia global - Por: Emerson Monteiro


Era a década de 70 do século passado quando Marshall Mcluhan, estudioso canadense, escreveria a respeito da Aldeia Global em suas pesquisas a propósito dos meios de comunicação de massa que invadiam o mundo. Nos embates da Guerra do Vietnam, por exemplo, enquanto os jovens americanos lutavam nos campos da Ásia, a defender os interesses dos grupos dominantes do seu país, quase instantaneamente os familiares deles assistiam as cenas brutais pela televisão, por vezes ao vivo. Isso que apressaria, inclusive, o final do trágico conflito, por conta da influência na opinião pública deveras abalada com tanta atrocidade.

Depois os tempos foram passando e cada dia mais a influência dos meios de massa estreita as distâncias entre os povos e as pessoas. Nada acontece antes que não venha ao conhecimento de todos, nas versões manipuladas pelos veículos, sobremodo nesta atualidade, diante da internet e dos celulares, hoje instrumentos obrigatórios. A comunicação instantânea ganhou o status de primeira necessidade. 

Ainda que haja intenção de passar em branco os momentos, somos escravos, pois, dessas maquinetas contemporâneas. Vale mais um comentário do que o próprio acontecimento. Grupos de poder detêm a força das opiniões a partir da opinião que se estabelecer e propagar. Jamais, tal agora, o silêncio deixou de ser a alma do negócio. Resultado, no fringir das informações que circulem sempre vem embutido dominar as massas humanas.

Ignorar passou a ser risco de súbito desaparecimento individual. Ninguém quer mostrar a cara a não ser na pretensão de controlar o outro, pois um mundo secreto já domina o antigo mundo das aparências. Senhores de baraço e cutelo desta fase da História, são eminências pardas dos governos espalhados no Planeta. Daí as tantas versões que circulam soltas e sem dono. Claro que os instrumentos de punição a essa farra deslavada nem de longe possuem força de coibir tantos abusos.

Porém há que continuar existindo a Civilização, sendo agora o desafio supremo dessas indagações. A isto existem inteligência e criatividade desde que no sentido da evolução, de ver pelos olhos do otimismo o que passa a significar a principal atitude na busca dos dias melhores.

(Ilustração: Soldados jogando cartas, de Fernand Léger).

O cartão-de-Natal de Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil

 

À medida em que o Brasil se prepara para as comemorações do segundo centenário da Proclamação de sua Independência por meu tetravô Dom Pedro I, apraz-me contemplar os grandes vultos e os fatos mais importantes da nossa rica história.

Uma conclusão que se impõe a todo aquele que examine a vida e os feitos dos nossos heróis sob luz da Fé Católica é a de que nós, brasileiros, todas as vezes que nos confiamos à proteção da Santíssima Virgem Maria em momentos decisivos, temos sido por Ela favorecidos.
As muitas intervenções extraordinárias da Santa Mãe de Deus em prol do Brasil permitem-nos inferir que a Divina Providência reservou à nossa Pátria um destino glorioso. Uma das mais esplêndidas delas ocorreu durante a Primeira Batalha de Guararapes, decisiva para a expulsão dos holandeses do nosso território.

A maior ameaça à integridade e identidade do Brasil em seus cinco séculos de existência foi indiscutivelmente a ocupação holandesa em Pernambuco na primeira metade do século XVII, ambicioso projeto para um definitivo estabelecimento nas Américas, a “Nova Holanda”. Três esquadras, dezenas de milhares de homens em armas, artesãos de todas as especialidades, almirantes e generais e até mesmo um Príncipe de sangue empenhou a Holanda em tal intento. Mas, se abundaram os recursos materiais, faltou o mais importante para uma conquista definitiva, o dom das gentes. As populações pernambucanas, avessas a essa outra cultura e sobretudo à omnipresente e brutal pressão calvinista, passaram da resistência passiva às ações de guerrilha.

Em 1645, os principais chefes luso-brasileiros firmaram um pacto para a luta organizada contra o invasor: André Vidal de Negreiros, João Fernandes Vieira e outros, Henrique Dias e Felipe Camarão – luso-brasileiros, negros, índios, logrando vitória, já naquele ano, na batalha do Monte das Tabocas, e em 1648 e 1649, nas duas decisivas batalhas dos Montes Guararapes. Nas três, travadas em grande inferioridade de condições dos nossos, foi patente o auxílio sobrenatural, registrado que está nos relatos do tempo.

Vale recordar o acontecido em 1648. Era o dia 18 de abril, Domingo de Páscoa, por volta das 11 horas da noite, quando o General Dom Francisco Barreto de Menezes deliberava com João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros sobre o enfrentamento com o inimigo que se daria no dia seguinte, festividade de Nossa Senhora dos Prazeres. Ciente de que dispunha de apenas 2.200 homens para enfrentar 7.400 do invasor, Dom Francisco, dirigindo-se a seus companheiros, disse-lhes: “Quero declarar-lhes que me lembro de nestes lugares erigir um templo à Virgem Nossa Senhora dos Prazeres se Ela, por sua poderosíssima intercessão, nos alcançar do Senhor das vitórias mais esta. Uma voz interior, uma força irresistível me aconselha que empenhemos a batalha, que a Virgem será conosco e ficaremos vencedores.” No mesmo instante, em meio a um grande estrondo, aparece-lhes uma estrela fulgurante e ouve-se distintamente uma voz que diz: “Dom Francisco, a proteção com que contas te será outorgada! Combate e vencerás!”

No dia seguinte a vitória foi estupenda: 1.200 mortos do lado holandês contra apenas 84 do lado luso-brasileiro, e o poderoso inimigo em retirada.

Nessa data - 19 de abril de 1648 - nascia o Exército Brasileiro e ficava cimentada a unidade nacional!
O voto foi cumprido, e erguida foi no local da batalha a majestosa Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, que lá permanece até os nossos dias como testemunho da miraculosa intervenção da Santa Mãe de Deus em favor do Brasil. 

Neste Natal, diante da Santíssima Virgem no presépio, lembremo-nos de, a exemplo de Dom Francisco, pedir-lhe que interceda junto ao Divino Infante mais uma vez em favor de nossa Pátria. Ela, que nunca nos desamparou, certamente nos concederá um Ano Novo repleto de bênçãos.


06 janeiro 2021

O ano era 1500. O dia, 26 de abril

   Naquele longínquo dia e ano foi celebrada a primeira missa no Brasil. Estavam lançadas as bases de um Brasil Cristão... Coincidência, era o Dia de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, cujo afresco milagroso, aparecera há 33 anos antes na cidadezinha medieval italiana de Genazzano, próxima a Roma. Nossa Senhora do Bom Conselho, há 521 anos já tinha seus desígnios sobre nosso país continental. O pensador católico Plínio Corrêa de Oliveira definiu bem esse fato histórico:

“Implantando a primeira cruz, erguendo o primeiro altar, rezando a primeira Missa, e congregando, no ato sagrado, portugueses e índios, Frei Henrique de Coimbra lançava as bases do Brasil cristão. Vencendo os obstáculos opostos pela natureza bravia, pelas distâncias imensas, pelas agressões externas como pelos entrechoques internos, o Brasil vem crescendo num ritmo seguro e vencedor. É o êxito da Fé, implantada pelo fervor dos missionários e servida pela intrepidez dos bandeirantes e dos guerreiros, como pela inteligência de seu povo e as mil destrezas, ágeis e sorridentes, do "jeitinho" nacional, que se vai tornando lendário

Mas,
Nestes dias, novo adversário se apresenta, mais possante do que os calvinistas franceses e holandeses de outrora, ou os adversários com os quais pelejamos no Continente, para a defesa de nossas fronteiras e de nossos direitos. E que só com coragem e "jeitinho" não dá para vencer. Pois suas garras, que chegam agora até nós, também já vão envolvendo o orbe. Diante de um adversário maior, as circunstâncias exigem que se levante uma nação capaz de se engrandecer pela própria dramaticidade da conjuntura.

A presente conjuntura mostra quanto vai ganhando terreno entre nós essa penetração alienígena, que não se omitiu de fazer infiltrações em esferas das mais altas da sociedade temporal, e ousou até esgueirar-se no Santuário. Diante de nós abrem-se vias mais incertas do que as que tiveram de palmilhar missionários e bandeirantes. O Brasil contemporâneo encontrará, nas suas reservas morais, os recursos necessários para vencer esta terrível conjuntura?

Sim!
Mas sob a condição de levantar a Deus a mesma súplica humilde dos seus fundadores, reunidos em torno do primeiro altar: "Senhor, protegei o país que está sendo fundado sob um céu azul e luminoso” rezavam eles. "Senhor, protegei o país que vai crescendo nesta atmosfera carregada de preocupações, de desavenças e ameaças” devemos dizer nós, para nos prepararmos a transpor, cristãmente vencedores, o grande limiar do terceiro milênio do Salvador”.



05 janeiro 2021

Noites de ontem - Por: Emerson Monteiro


O tempo psicológico não corresponde ao tempo matemático. José Saramago

São lembranças de outras horas que agora vazam do passado e chegam devagar à consciência, refazendo momentos vários lá de antes, de quando havia doces augúrios de esperança no horizonte dos dias. A gente era apressado em querer conhecer de tudo que fosse. Eram músicas, livros, jornais, filmes de diretor, as histórias das ruas, as praças... Olhos fixos em mil possibilidades, líamos Jorge Amado, Érico Veríssimo, Ernest Hemingway, Sartre, Camus, Exupéry... Ouvíamos João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Carlos Lyra, Sérgio Ricardo, Roberto Carlos, Chico Buarque, Gonzaguinha... Assistíamos Bergman, Visconti, Godard, Truffaut, Buñuel, Kurosawa, Antonioni, Glauber Rocha, Felini, Pasolini... 

Andávamos acesos aos jornais alternativos, O Pasquim, Movimento, Jornal de Amenidades... E O Bondinho, a revista padrão dos amantes de ideias e novidades. Enquanto fixávamos ponto nos bares, nos pés-de-serra molhados, nas tertúlias e matinais dos clubes da cidade, quais zumbis, sonhávamos acordados, uma espécie de videntes dos becos escuros e das noitadas de fumo, namoro e viagens siderais... 

Quantas e tantas vezes tocamos as mesmas teclas de ilusões que seriam dosadas pelas ressacas e desespero do dia seguinte, angústias em forma de gente; cabeludos, barbudos, sonhadores, precursores do rock, das legendas de ficção, adoradores dos Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, Janis Joplin, Bob Marley, Ravi Shankar... Isto bem no auge dos anos 60, segunda metade. As reações de liberdade dos países da Cortina de Ferro, a Guerra do Vietnam, Maio de Paris, a Primavera de Praga, Festival de Woodstock, os hippies, as viagens pelo mundo, vadios das ausências de uma época romântica que resultaria em tudo isso que aí está, nestas décadas posteriores até aqui.

Logo chegaríamos ao misticismo de O Despertar dos Mágicos, livro emblemático dessa geração aturdida pelos meios de comunicação de massa. Depois sumiríamos uns dos outros, espalhados pelas cidades grandes à procura da sorte, repositórios de saudades. Então vieram as religiões, as profissões, os empregos, as famílias, o ancião do Tempo em movimento, a largar no vento aquelas relíquias valiosas de tudo então que vivemos com tanto carinho e tamanha intensidade, tangidos no barco dos sonhos.

(Ilustração: Festival de Woodstock).



“Se a monarquia é um sonho, a república que temos é um pesadelo”

 

    Não custa repetir a íntegra desta afirmação, do historiador Armando Alexandre dos Santos (escreveu e publicou 64 livros), professor da Universidade Sul Catarinense: “Na verdade, a monarquia, longe de ser uma forma de governo arcaica e ultrapassada é moderníssima e de grande maleabilidade. Muitos a criticam por puro preconceito ou por desconhecimento, mas ela é, a meu ver, um caminho viável para o Brasil atual. Pode parecer um sonho, mas, como escreveu Fernando Pessoa, “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Por outro lado, se a monarquia parece um sonho, a república que temos, sem dúvida, é um pesadelo”.

   Verdade. À época do Império do Brasil, mais precisamente no reinado de Imperador Dom Pedro II, tivemos um longo tempo de estabilidade política e progresso em todas as áreas da sociedade. O velho Imperador foi o responsável pelo nosso vertiginoso desenvolvimento. O Brasil recebeu os avanços tecnológicos que surgiram nos EUA e na Europa. Ademais, deve-se a nossa Família Imperial a extinção da maior injustiça que havia no Brasil: a escravidão do negro. 

   No Parlamento tínhamos estadistas, ou seja, políticos que atuavam acima dos interesses partidários e dos próprios interesses pessoais. Sobre este tema, Rui Barbosa, que segundo alguns historiadores teria se arrependido profundamente do golpe republicano, escreveu:  "O Parlamento do Império era uma escola de estadistas, o Congresso da República transformou-se em uma praça de negócios." (Rui Barbosa)

    Pedro II foi o maior estadista de nosso país. São inúmeros os exemplos onde ele coloca os interesses da nação à frente de seus próprios interesses e dos interesses da elite brasileira de então.


04 janeiro 2021

Harmonia do Universo - Por: Emerson Monteiro


Isto de reagir face às situações, sejam elas quais sejam, fica por conta só do indivíduo. Já o agir, por sua vez, este vem limitado a circunstâncias. Por mais que não desejemos, vivemos o exercício de restrições iniciais durante todo tempo. Nascemos previstos ao espaço e ao tempo, temperatura, pressão, dotados de especificações diversas; raça, nacionalidade, gênero, etc.; e em determinado grupo social. Porém, há que aceitar, devido normas de consciência, pôr em prática esse protótipo do que somos dotados. Temos de entrar em cena e existir pela determinação de ser.

Para Jean-Paul Sartre, o homem está condenado a ser livre, no entanto. O conceito sartreano de liberdade deduz que o ser humano constrói sua essência e sua salvação. Assim, mesmo restrito ao ato de agir diante das determinações originais, lhe cabe agora reagir ao universo existencial que o compõe. Aparentemente simples tal conceito, o que, contudo, requer valores da consciência de viver perante a presença inevitável da liberdade. Isto seja a capacidade humana de reagir, e formular o modo essencial de ver e viver o mundo.

Por isso, livres o somos. O que fazer da liberdade, eis o sentido último de existir. Qual veja o mundo na sua ótica. Quais as minhas escolhas de exercitar viver. Até onde possuo força suficiente a reagir diante das circunstâncias e qualificar a minha liberdade indeclinável?

Partes deste universo em que existimos, resta aos indivíduos a função de harmonizar consciência e circunstâncias; plenificar a liberdade; e desvendar o mistério de todo caminho que caminhar, instrumentos do próprio despertar rumo à finalidade do destino.

Detemos com isto a perspectiva de transformar nossas primeiras condições e qualificar a sociedade, porquanto significamos as veias determinantes dos acontecimentos. Disso haveremos de ser avaliados no decorrer dos momentos eternos, segundo as religiões, e jamais seremos partes isoladas do grande todo da Natureza, razão de tudo aquilo que viemos encontrar, a nossa chance de sermos livres com a responsabilidade pela existência.

(Ilustração: A liberdade guiando o povo, de Eugène Delacroix). 

03 janeiro 2021

E às vezes, os sonhos - Por: Emerson Monteiro


Durante sóis que alimentam os dias, damos conta das infinitas possibilidades que dispomos no esforço de viver. São os sentidos a falar mais alto. Indicam meios de preencher o vazio que somos nós. Dar de conta do fluxo dos pensamentos e sentimentos, e depois de tudo ainda ser feliz. Nisto existem os sonhos, aliados silenciosos e difíceis de saber do que são feitos. Eles invadem as noites; quando acordados, os exercitamos a transformar o mundo e as existências. Quando adormecidos, eles sonham a gente. Sonhos ativos, que dão notícias doutra realidade, aparentemente inexistente, porém que já disseram ser a realidade real, invés desta daqui de fora, só passageira e frágil. 

Num mergulho na compreensão, vemos as noites preenchidas pelas novidades que nem de longe a gente imaginaria morar dentro da consciência, tais fazendo de nós meros brinquedos de destinos ignorados. Horas e horas de sonhos equivalem a vidas inteiras. Marceneiro do impossível, o rei do Inconsciente trabalha a nossa percepção, manuseando códigos e interpretações desde passados distantes, a presentes e futuros, vagando soltos pelos ares do universo interno e que ninguém sabe aonde nem de onde vêm. E revelam meios profundos de compreender a existência, por vezes próprios dos taumaturgos, sábios e artistas geniais. Enredos refinados, dramas e comédias; medos e alegrias dos filmes de ficção.

Além disso, normas impõem desvendá-los, autores esses que chegam a produzir tratados e leis, escolas e métodos, contudo numa fase experimental da Ciência, porquanto viver significa isto de experimentar, no afã de salvar e se salvar seja do que seja. De tal modo, o Inconsciente fala de si a si mesmo, e reclama espaço no território íntimo dos viventes. Resumindo, saber ler os sonhos representa permissão do Inconsciente a domar a Consciência, jeito de mostrar à gente a causa de haver vindo ao aqui na descoberta do Reino da Felicidade.

Destarte, bem que a Natureza oferece os instrumentos suficientes de justificar e trabalhar até que encontremos o motivo que nos trouxe a este lugar tão misterioso.

(Ilustração: 2001, Uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick).


01 janeiro 2021

De onde vem o amor que a gente sente - Por: Emerson Monteiro


Do céu, do mar, do ar, de algum lugar do Universo, quem sabe? De fora, de dentro de nós mesmos, do pensamento, do sentimento, dos instantes da alma, do dia, da noite... Sim, de onde ele vem que chega com tamanha intensidade aos sons distantes e instrumentos profundos, luares e cigarras em coro. Galos, águas que gorgolejam nas fontes, só isto e nada mais, de perto, ou no infinito das horas, dos astros, de tudo. Afinal, de onde vem o amor que a gente sente? Se é que a gente sente, se sente.

Disso que há em toda certeza, místicos falam, músicos cantam, pássaros trinam, flores perfumam, esse e desse amor divino, a raiz invisível de tudo quanto existe ou existirá. Ali aonde habita luz que invade os mosteiros, as praças, os sóis dos firmamentos possíveis e imagináveis. Bem no âmago das essências, lá no eixo das plenitudes, no solo das esperanças, nesse ponto persiste a vontade soberana que a tudo agrega e configura, seja no seio da razão à luz da compreensão, seja nos campos de batalhas insanas, norte das ausências, pouso dourado das constâncias, firmes, fixam seus braços na estrutura do Sol.

Mas... por que, no entanto, saber disso, se amar só se aprende amando?! Viver, vivendo; sonhar, sonhando... Contudo gestos vagueiam livres nos mares desertos, onde pessoas silenciosas deslizam pelas ondas sem guardar o sentido das lonjuras e insistir bater nas portas imensas do sem-fim. Quais andarilhos de sortes impossíveis, os tais gestos soltos mergulham a imensidão e alimentam desejos de paz na fresta estreita das consciências adormecidas. Querem descobrir razões e mistérios, e aguardam de olhos fechados a iluminação do eterno; entretanto às vezes cheios de atitudes contraditórias, conquanto quem ama faz a própria estrada e transmite força e verdade. Sobrou disso mera descrição da existência real do Amor que cresce no íntimo dos corações em festa.


Coisas da ré--pública

 Ano novo, vida nova? 2021 está aí para quem quiser conferir...

 Armas oficiais da República Brasileira de 1889 até 1967, quando passou a se chamar "República Federativa do Brasil"

Sustentar uma família real sai caro?

   Pelo menos nos países com monarquia só se sustenta uma família. Aqui a coisa é mais ampla...Os ex-presidentes da república do Brasil (José Sarney, Fernando Collor de Melo, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer, dois deles afastados por impeachment) mantêm – por lei republicana – privilégios vitalícios, como um salário mensal de R$ 30.934,70. Mas não só. Os ex-presidentes citados têm direito a privilégios vitalícios, como um eficiente plano de saúde, despesas para pagamento dos salários de 08 assessores/ seguranças, além de dois carros de luxo à disposição. Os assessores e seguranças têm também direito a passagens e diárias em casos de viagens para acompanhar os ex-mandatários. Além disso, cada um dos ex-presidentes faz jus ao ressarcimento das despesas com combustível dos dois carros.

Lula está curtindo “férias” em Cuba, com Janja anexa...

 

Lula e a namorada "Janja" estão em Cuba, a ilha prisão que hoje completou 61 anos de ditadura da família Castro. Nada com um “dolce-far-niente” (expressão italiana que significa “doce não fazer nada”). Dinheiro muito, Lula tem. Além da pensão de R$ 30.934,70 de ex-presidente, o jornal “Diário do Poder” publicou: “Relatórios internos da Comissão da Anistia sobre indenizações da ditadura militar revelaram a existência de um processo de “Concessão de Aposentadoria Especial de Anistiado” no valor de R$ 56.700,00, para favorecer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Achando pouco, Lula está recebendo ainda s R$ 20.000,00 mil, todo santo mês, tirados das contribuições que entram para manutenção do Partido dos Trabalhadores–PT. Tadinho do Lula! Para receber mais esses 20 mil mensais ele alegou “estar passando necessidades” ...


“Flash” do tempo do “regime militar”

    Vivíamos os tempos dos “anos de chumbo” (assim chamados pelos partidos de oposição ao “regime dos generais” que vigorou entre 1964–1986). O “presidentes-generais” editaram uma lei (mais uma “lei republicana”) determinando que os prefeitos das capitais dos estados seriam escolhidos indiretamente. Ou seja, “indicados” aos deputados estaduais, que os aprovariam.  Somente ao povo do interior ficou assegurado o direito de eleger pelo voto direto os seus prefeitos.
    O fato abaixo foi publicado no jornal “Diário do Poder” de 01/09/2017.
“Certa vez, temendo o desempenho da oposição nas capitais, a ditadura só permitiu eleição para prefeito no interior. O deputado Lino Zardo (MDB-RS, partido de oposição) fez um discurso virulento, protestando contra a medida:
– Eles têm medo porque nas capitais o eleitorado é politizado. O governo deixa que se vote no interior porque falta cultura aos colonos.
O deputado Ariosto Jarger (Arena-RS, partido de sustentação do regime militar) pediu um aparte imediatamente:
– Qual a sua região eleitoral, nobre deputado?
– O interior – esclareceu Zardo, constrangido.
– Vossa Excelência tem toda razão: falta cultura política aos colonos”.

31 dezembro 2020

O Cartão-de-Natal do Chefe da Casa Imperial do Brasil

 Todos os anos, os milhares de monarquistas brasileiros ficam no aguardo do cartão natalino de Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil. 

Este ano, já contemplando o vindouro Bicentenário da Independência do Brasil, no dia 7 de setembro de 2022, aprouve ao Chefe da Casa Imperial recordar uma importante efeméride de nossa História: a Batalha dos Guararapes de 1648, berço da brasilidade, uma vez que portugueses, índios e negros ali se uniram e, mesmo em desvantagem, lograram vitória, expulsando o invasor holandês, graças ao auxílio sobrenatural da Santíssima Virgem, sob a invocação de Nossa Senhora dos Prazeres.

Nossa Senhora dos Prazeres

Abaixo, excertos da mensagem do Príncipe:

“A maior ameaça à integridade e identidade do Brasil em seus cinco séculos de existência foi indiscutivelmente a ocupação holandesa em Pernambuco na primeira metade do século XVII, ambicioso projeto para um definitivo estabelecimento nas Américas, a “Nova Holanda”. Três esquadras, dezenas de milhares de homens em armas, artesãos de todas as especialidades, almirantes e generais e até mesmo um Príncipe de sangue empenhou a Holanda em tal intento. Mas, se abundaram os recursos materiais, faltou o mais importante para uma conquista definitiva, o dom das gentes. As populações pernambucanas, avessas a essa outra cultura e sobretudo à omnipresente e brutal pressão calvinista, passaram da resistência passiva às ações de guerrilha (...)

“Em 1645, os principais chefes luso-brasileiros firmaram um pacto para a luta organizada contra o invasor: André Vidal de Negreiros, João Fernandes Vieira e outros, Henrique Dias e Felipe Camarão – luso-brasileiros, negros, índios, logrando vitória, já naquele ano, na batalha do Monte das Tabocas, e em 1648 e 1649, nas duas decisivas batalhas dos Montes Guararapes. Nas três, travadas em grande inferioridade de condições dos nossos, foi patente o auxílio sobrenatural, registrado que está nos relatos do tempo (... )

“Vale recordar o acontecido em 1648. Era o dia 18 de abril, Domingo de Páscoa, por volta das 11 horas da noite, quando o General Dom Francisco Barreto de Menezes deliberava com João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros sobre o enfrentamento com o inimigo que se daria no dia seguinte, festividade de Nossa Senhora dos Prazeres. Ciente de que dispunha de apenas 2.200 homens para enfrentar 7.400 do invasor, Dom Francisco, dirigindo-se a seus companheiros, disse-lhes: “Quero declarar-lhes que me lembro de nestes lugares erigir um templo à Virgem Nossa Senhora dos Prazeres se Ela, por sua poderosíssima intercessão, nos alcançar do Senhor das vitórias mais esta. Uma voz interior, uma força irresistível me aconselha que empenhemos a batalha, que a Virgem será conosco e ficaremos vencedores.” 

“No mesmo instante, em meio a um grande estrondo, aparece-lhes uma estrela fulgurante e ouve-se distintamente uma voz que diz: “Dom Francisco, a proteção com que contas te será outorgada! Combate e vencerás!”


A crônica de 31 de dezembro

 Como surgiram as monarquias? – por Armando Lopes Rafael

   No decorrer dos séculos, pelos usos, costumes e tradições dos povos, foram se formando as chefias naturais, sempre de baixo para cima. Pois tudo que é orgânico nunca emana de cima para baixo, mas decorre de baixo para cima. Assim nasceram as primeiras lideranças e os primeiros regimes políticos. Semelhantes a uma semente vegetal, que uma vez plantada no solo, tende naturalmente a crescer para cima, a se desenvolver, a alcançar uma plenitude e a realizar uma vocação. O mesmo que ocorre com as pessoas e com as sociedades. A riqueza da sociedade está exatamente nesta diversidade de vocações. Nesta harmônica e proporcional desigualdade. Se todos quisessem ser médicos, não teríamos o camponês, o artista, o engenheiro, o professor, o artesão, o historiador, o literato, etc. O igualitarismo continua sendo uma utopia (E onde foi implantado tornou a sociedade mais pobre, mais triste, mais desumana).

   Estima-se que a Monarquia tenha surgido juntamente com a organização da própria sociedade, ou seja, com a aglomeração de pessoas e a formação das primeiras cidades. No início era uma monarquia com muitos defeitos. Comandada pelos mais fortes, até que evoluiu para a escolha de uma família destacada. Posteriormente, foi adotado o direito hereditário e a primogenitura, evitando lutas e crises na busca pelo poder. Depois, tivemos as monarquias absolutas com todos os seus defeitos. É por isso que as monarquias absolutas são hoje descartadas pelos atuais monarquistas.

      Até que se consolidaram as monarquias parlamentaristas constitucionais, nas quais o Rei é só o Chefe de Estado. E o Governo (todo governo é sempre transitório, daí a alternância do poder) é formado após os resultados das eleições livres, quando o povo vota para escolher os vereadores, prefeitos, deputados, senadores e governadores.   
    
        Acertadamente escreveu o escritor Armando Alexandre dos Santos: “A monarquia longe de ser uma forma de governo arcaica e ultrapassada é moderníssima e de grande maleabilidade. Muitos a criticam por puro preconceito ou desconhecimento. Pode até parecer um sonho, mas como escreveu Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. E se a monarquia parece um sonho, a república que temos no Brasil sem dúvida é um pesadelo”.


30 dezembro 2020

Do direito de ser feliz - Por: Emerson Monteiro


Isto, no entanto, é fruto de um plantio doutras horas. Fixar os propósitos no território fértil da esperança e seguir adiante. A todo instante persiste essa matéria prima da tranquilidade, desde que plantemos o que queremos ao sabor dos demais seres. Num templo de compreensão dos mecanismos internos, aqui habitamos constantemente. Olhos postos nos mistérios contidos no mundo, armamos nossas ações no sentido da realização do Ser no qual imperamos, se assim o quiser.

Dentro das possibilidades humanas, há isto de obter alegria sempre. O que define sobremodo a força de viver significa administrar a vida interior. Todos, sem exceção, trabalham na mesma direção, porém sujeitos esquecer a melhor parte. Invés de exercer função essencial de viver em estado positivo, quase que deixam de lado o senso e agarram só que passa. Porém, bem aqui, contudo, é estender a mão e domar a fera dos instintos, e aportar no porto seguro da certeza dos dias melhores. A toda manhã, os pássaros nos despertam às novas chances de nós mesmos. Instrumentistas da realidade plena, eles vêm recordar nossos compromissos com a luminosidade dos valores eternos. E demonstram a firmeza do destino que nos aguarda de braços abertos, desde que admitamos a força de tudo quanto existe em volta.

Por isso, eis um direito fundamental que pertence aos padrões dos humanos. Agir, pois, sob quais atitudes demonstrar o poder infinito da Criação a que pertencemos, tais a razão principal do processo e dos valores da imortalidade.

As cores, os sons da Natureza, sonhos nossos, tudo bem representa esse tesouro que herdamos do Universo. Aprender, a isso aqui nos vemos face aos dias. Confiar de corpo e alma ao objetivo essencial que representa, sem sombra de dúvidas, a valiosa espécie humana e sua religiosidade original; exercitemos a função de administrar as oportunidades que transportamos na existência. Tais compositores de novas harmonias, tangemos os momentos à busca da verdadeira felicidade, com saúde e paz.


28 dezembro 2020

Ano novo, seus presságios e outras considerações - Por: Emerson Monteiro


Ao que parece, o mundo ficou pequeno para tantas modificações de perspectivas em tão pouco tempo. Em um único período anual, 2020, houve acontecimentos que valeram pelos milênios anteriores, isto sem a menor previsão que fosse acontecer. Então, agora, véspera de novo ano, eis que nos deparamos com indefinições de vários âmbitos, desde o aspecto sanitário, sob a ameaça de um vírus desconhecido da Ciência, até transformações radicais nas relações de trabalho e mudanças diplomáticas que remontam a Guerra Fria, numa reedição tardia dos dois blocos de poder, o Comunista e o Conservador capitalista, entranhado em todas as nações, mundo afora, gestos de ganância pelo comando e alterações radicais das formas de conduzir a distribuição da riqueza, sem esquecer a formação de bolsões de exclusividade e corrupção espalhados em todos os escalões e classes sociais.

Diante, pois, desse quadro indefinido em termos absolutos, inexistem barreiras às contradições do que nos espera daqui à frente; isso acrescentado desde quedas radicais da atividade econômica, face às restrições de circulação de pessoas impostas pelo isolamento social da pandemia, gerando prejuízos incalculáveis de países antes ditos autossuficientes. Face ao tanto de movimento em ação, tornam-se por demais impossíveis previsões claras do que virá a ser o próximo ano, conquanto alterações na balança do poder econômico isto resultarão inevitáveis e profundas.

Doutro lado, no que tange ao Brasil, este de certeza merecerá a atenção exclusiva das outras nações, vista a sua importância de maior área agricultável do Planeta, já a abastecer um quinto da humanidade mundial através da agroindústria e do agronegócio, ocasionando assédio político das principais potências, em consequência aumentando a voltagem das disputas internas pela hegemonia dos poderes. Olhos de todas os povos tendem a reconhecer o patrimônio natural brasileiro, o que o novo ano evidenciará, sem sombra de dúvidas. 

No cenário político entre as nações, países ditos ricos defrontar-se-ão no domínio dos mercadores consumidores, enquanto a Europa refletirá mais de perto os riscos da geopolítica emergente, vista sua proximidade com os países árabes, de longe populosos e subdesenvolvidos; o continente africano, também vítima das superpotências na exploração das riquezas no decorrer da civilização; e a explosão populacional chinesa, que atinge os limites de sua capacidade produtiva e dependerá, daqui adiante, do que produzirem outras nações, sobretudo em termos de alimentos.

Portanto, viveremos fase de indefinições jamais imaginadas, carecendo, como nunca, de grandes líderes que visualizem meios administrativos coletivos de superar as contradições impostas pelo que chegaram os seres humanos neste momento da História.


A libertação interior - Por: Emerson Monteiro


A submissão humana aos valores criados pelos tempos e tradições requer largo empenho individual de chegar, um dia, aos níveis superiores de evolução. Sair das águas turvas deste chão e mergulhar às profundezas do Ser, eis a destinação última dos quantos aspiram desenvolver o potencial de que somos dotados. No entanto isto requer esforço, dedicação circunstanciada e anseio intenso. 

Tarefa por demais necessária a fim de inteirar o tal impulso de viver, contudo exige empenho da constituição sob a qual aqui nos achamos durante todo tempo. A finalidade última que tantos imaginam está, pois, às nossas mãos pronta ao gesto de se autoconhecer, o que reclama tão só atitude; a coerência do querer com o agir. Muitas escolas indicam esse caminho, porém os passos vêm de nossos próprios pés. 

De um modo simples, está nisto a finalidade derradeira do quanto existem todos os fenômenos da Natureza, permitir, o que alguns denominam a Salvação, a libertação da deste mundo e a evolução aos níveis infinitos da Criação pela Verdade e o Amor.

A isto estamos no caminho... Transformar chumbo em ouro, no conceito dos alquimistas. Tempo que passa a Eternidade inigualável. Guerra exterior em paz interior dos pensamentos e sentimentos. Luz na consciência.

Ainda que vejamos, em princípio, o burburinho das civilizações pelo afã de segurança e funcionalidade, todavia bem dentro do universo dos seres habita incessante o desejo da perfeição, o que somente será conquistado mediante o exercício dos valores imortais desde sempre analisados à luz da religiosidade. Nada mudou há milênios perante este sonho de felicidade sem fim a que tantos aspiram e trabalham.

Da harmonização dos instintos através de reflexões e providências da gente com a gente mesma, virá esta iluminação de nossas almas pela transformação de sonhos em pura realidade. 


26 dezembro 2020

Esses tempos bíblicos - Por: Emerson Monteiro


Tempos de Babilônia e Jerusalém, quando nem tudo parecia tão normal assim e as caravanas demoravam a passar enquanto ladravam, impacientes, os cães, à beira das estradas desertas. De hora a outra, séculos ficaram diferentes do que videntes avisavam e brilharam com força as estrelas nos céus. Bem ali, num abrir e fechar de olhos, planos e expectativas quedaram inúteis. Agora, só o silêncio das esferas a percorrer firmamentos imaginários; lá dentro o vazio das distâncias impossíveis de viver. 

Nisso, hordas bárbaras seguiram com as suas invasões territoriais. Do quanto de herança definitiva apenas restaram intactas as capitanias hereditárias na memória dos livros abandonados. De certeza plena restaram os fragmentos dos poemas soltos pelo ar. Daquilo de coerência nas leis quase nada real ficou grudado às paredes inexistentes.

Por isto, na história, um instante de séculos e séculos de tantos erros são frutos das vaidades neste chão. Fome e ingenuidades do poder preenchem as horas dos humanos. Ninguém, pois, que garanta o dia seguinte, face as tais ameaças dos ventos contrários do flagelo inesperado. 

Vêm de volta lendas judias na busca incessante da Terra Prometida, que hoje existe em lugar algum no íntimo das pessoas; porquanto sombras já encobrem o conforto das cidades, os parques e vilas. Pessoas silenciosas vagam pelas ruas feitas visagens na fuligem do drama coletivo, quais meras ausências esquecidas em viagens intergalácticas. Longas filas nos bancos, nas lotéricas e nos becos e avenidas. Solidão. Multidão. Seres humanos. Viver passou a significar atividade de alto risco, aventura de causar espêcie, pânico religioso que preenche ruas e praças, campos e arvoredos, nas noites escuras de medo e dúvidas, aos sons desconhecidos de sinfonias enigmáticas, a menos que saber o valor da esperança e da paz toque por perto o coração dos viventes em seus movimentos atuais.


Esperança – José Luís Lira (*)

 

    Esta é a última coluna do ano e como diria um narrador de futebol, a escrevo nos últimos minutos do segundo tempo do tempo que a redação nos deu. É manhã de véspera de Natal. Em casa estamos papai, mamãe e eu. À tarde e noite estaremos no sítio. “Veremos” a Missa pela TV.  E aquele clima de alegria, de festa não se fez ausente, graças a Deus! Quando tendemos a fraquejar, vem uma mensagem, uma ligação, um áudio e nós lembramos que há 2020 anos Aquele que é a razão da celebração de hoje, nascia numa manjedoura. Seus pais, aflitos, buscavam um local digno para a criança nascer. Eles tinham a certeza de que o Redentor estava prestes a nascer, mas, uma dúvida sobre sua segurança pairava. Será que também não estamos assim? Por outro lado, a fé e a esperança nos movem. E por falar em esperança, não posso deixar de citar um comercial de uma rede bancária brasileira que há alguns anos nos premia com a voz da grande dama da TV, Fernanda Montenegro. 

    Este ano de incertezas, dona Fernanda, aparece numa praia. Está de costas, olhando para horizonte. Enquanto ouvimos sua fala como se lêssemos seus pensamentos, pois, na filmagem ela não fala: “Não espere que eu repita tudo que já foi dito esse ano. Eu não olho para o passado. Eu existo para o futuro: me chamo Esperança. Eu sei, tem horas em que você quase me perde, mas sempre que isso acontece nós terminados juntos de novo, a esperança não existe sem você e você não existe sem ela. É por isso que esse filme termina não com uma marca, mas, com um convite: acredite em 2021! Acredite!”.

    É o que precisamos: ter fé, esperança, acreditar que novos tempos virão. É esta a força motora da humanidade. É preciso também que façamos nossa parte. Saíamos apenas o necessário. Evitemos aglomeração. E nesta noite de Natal, assim como penso será a de Ano Novo, estaremos mais próximos da família. Em minha família sempre reunimos família, familiares e amigos de quase uma vida toda no nosso cantinho que é o Sítio Monte Alegre (o nome não é poético, está na escritura do imóvel). E na noite de Natal o Monte é mais Alegre, mais iluminado pelas luzes, colorido pelas presenças e feliz porque é a festa maior da Cristandade. Este ano estaremos apenas a família, mas, felizes, primeiro pelo nascimento de nosso Salvador, depois, porque estamos com saúde, em paz com cada um de nós, maravilhados porque teremos as presenças das duas joias mais raras que temos: Isadora e Anne Eloísa que ano passado tinha pouco mais de um mês e hoje tem um ano e um mês. Ela ensaia seus primeiros passos e palavras e tudo é festa para seus pais, Robério e Elisiane, e para nós todos. Conversei com a Isadora que o Papai Noel pertence ao grupo de risco e não pôde vir este ano, mas, lhe mandou presente. E seu lindo sorriso, talvez um pouco desconfiado dessa “estória”, mas, com toda a ternura da inocência, se esboçou.

     Que em 2021 tenhamos boas-novas, boas-notícias e lembremo-nos das palavras do Samuel, último dos Juízes em Israel e primeiro dos Profetas após Moisés, “Até aqui nos ajudou o SENHOR” (1Sm  7,12). Que Ele continue a nos ajudar e a escrever nossa História! Concluo com o lema da Ordem Pontifícia da qual sou Cavaleiro, a nobre e pontifícia Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém: Deus lo vult (Deus o quer).
Feliz 2021!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.
 

23 dezembro 2020

A força do silêncio - Por: Emerson Monteiro


Neste mundo cercado de notícias e prédios matemáticos, em meio aos ruídos diversos do império absoluto do Tempo e seu tribunal, permanecem os humanos face a face consigo a buscar a calma dos elementos. Às vezes, se olha o passado, quarto de despejo do futuro, abarrotado dos trastes de quem ninguém sabe o sucesso, porém largados na trilha das ausências e dessas a impaciência de encontrar felicidade, mesmo naqueles outros que fitam o futuro e também ali um dia existirão. Dentro, pois, do espaço contínuo desses existires, transcorre, numa velocidade estonteante, o caudal dos acontecimentos, pensamentos e sentimentos. 

Bem isto, do tal ser que somos, testemunha de si próprios nos vastos campos do Senhor, vêm questões principais, os dramas das existências só quase no início de compreensão. E nisso ficar observando, sem saber interpretar direito, a razão do que vivemos aqui. Uns receitam viagens, outros festas, mais outros, argumentos vários, em marés de sustos e alegrias.

Quantos gostariam, nesta hora, de aceitar as normas do Destino e cruzar noites de pura paz?! Quantos e tantos. Sorrir aos dias tais crianças em estado de inocência e caminhar destemidos nas escarpas do Infinito. Porém houve que conhecer os dois lados de si e poder aceitar o que de melhor existe, no entanto. Descobrir o efeito das marés nas profundezas da alma, o que perfaz o mais íntimo...

Em face das persistentes aflições e angústias de desconhecer a plena Sabedoria, arrastamos o instante, a fazê-lo eterno pelos confins do firmamento. Remamos o barco da presença nas ânsias incontidas da História, onde reis e súditos confundem seus papeis. Entretanto, cientes de que ignoram os motivos de estar aqui, ainda assim adotando de certeza que justos são os princípios que regem o Universo inteiro. Então, brumas de silêncio cobrem lentamente de gritos as horas e trazem o senso da consciência aos corações adormecidos.

(Ilustração: Ingmar Bergman, em O sétimo selo).

Uma reflexão

 A águia e o corvo

O único pássaro que se atreve a atacar uma águia é o corvo.

Este se senta sobre suas costas e bica seu pescoço. No entanto, a águia não responde, nem luta com o corvo. Não perde tempo e nem gasta energia com ele.

Simplesmente abre suas asas e começa a subir mais alto. Quanto mais alto é seu voo, mais difícil é para o corvo respirar, e logo ele cai por falta de oxigênio.

Assim é como a águia deixa de perder tempo com os corvos, e os liquida.

E você continue seu voo nas alturas, porque “eles” por si mesmos, despencarão.

22 dezembro 2020

O senhor do impossível - Emerson Monteiro

Mergulhar em algumas avaliações místicas justamente em um tempo quando resta mundo esquecido de valores antes fundamentais, se é que um dia foram fundamentais, nesse pesar das eras. Lembrar os raciocínios de Deus a que neles se detiveram filósofos sós nas páginas amareladas dos velhos livros quase abandonados no decorrer das práticas cotidianas deste mundo insano. Hoje, falar em Jesus, Buda, Lao-tsé, Kierkegaard, Platão, Orígenes, remexe as fibras machistas dos tambores acelerados  e os padrões da era nuclear de deuses entontecidos e estéreis, ícones de acrílico e fibra de vidro, rolados e impressos nos painéis gigantes da terceira dimensão, vazios de conteúdo real.

Às raias do absurdo, indiferentes, jogaram os dramas da espécie, comédia insólita dos porões vazios da máquina embrutecida e esfumaçada na embriaguez de farras. Há gigantes em tudo, nas vitrines e nos paraísos artificiais da massa melancólica, que vaga absorta e de olhos pegajosas.

Enquanto isto, a única saída verdadeira é precisamente onde não há saída no juízo humano. Senão, para que precisaríamos de Deus? As pessoas só se dirigem a Deus para obter o impossível. Para o possível, os homens bastam, afirma o filósofo russo León Chestov. 

Nunca, tal nestas datas momentâneas dos princípios de século XXI, houve tamanha ausência dos instrumentos morais que permitissem aos humanos adotar um sentido justo às suas existências tangidas pela engrenagem do magno sistema dominante. Quais lesmas de aquário, eles descem, sórdidos, acomodados, as escadarias de pedra dos altares do sagrado e se deixam imolar feitos mercadoria nos salões engalanados da ilusão artificial, racional.

As almas, no entanto, ansiosas de virtudes e banhadas nas lágrimas da solidão dos grupos, buscam meios de recordar o trilho abandonado nas selvas da Natureza, e erguem aos Céus preces esquecidas. Eis Deus: devemos remeter-nos a Ele, ainda que não corresponda a nenhuma de nossas categorias racionais, insiste Chestov.

Aos raios dourados da Esperança, Razão em seus frágeis argumentos agora demonstra o pouco do que trazia na caixa das fantasias, presa também de nenhuma possibilidade além da matéria em fria decomposição. 

Eis Deus, o absurdo que renasce das cinzas no coração dos vales de antigamente.

21 dezembro 2020

A trégua do Natal - Emerson Monteiro


Na fase do pós-Segunda Grande Guerra, o cinema americano intensificaria a produção de filmes, em sua maioria em preto e branco, contando as histórias do conflito. Lotavam salas inteiras, isto aos finais da década de 40 e primeira metade dos 50. As narrativas dramáticas das escaramuças destacavam sempre o heroísmo e a pujança dos Aliados, os dramas dos quarteis e as aflições que o conflito espalhara pelo mundo. Praticamente o esforço de Hollywood, à época, focalizaria suas câmeras nesse estilo de produções.

E lembro bem um dos filmes, visto tratar deste período de dezembro, na frente russa, quando os exércitos se digladiavam cruamente e, na noite do Natal, suspenderiam fogo, indo soldados de ambos os lados fazer confraternização em homenagem ao nascimento de Jesus, numa cerimônia conjunta, próxima das trincheiras. Eles, inimigos ferrenhos, nem sabendo falar a mesma língua, ali estiveram reunidos pacificamente, durante algumas horas, no jantar improvisado, para, em seguida, retornarem ao confronto. Naquela noite, no entanto, não disparariam única arma que fosse.

Qual à nossa Humanidade, em respeito ao mistério da Salvação que o Cristo nos veio conceder, permissão de vivenciar a Luz através do Amor, transformação de todos diante da mensagem do Calvário, nesse encontro das duas percepções humanas, a materialidade que ora habitamos e a possiblidade infinita de sermos agraciados com a espiritualidade consciente, Jesus nascerá em nossos corações.

Neste momento da História, pois, quando tantos padecem os tempos difíceis das agruras de uma pandemia até então desconhecida, que espalha medo entre os povos, há que desenvolver o senso de fidelidade ao Criador, em respeito à sua justiça soberana, render-se diante dos desafios evolutivos e erguer a visão ao equilíbrio universal da Paz.

Quais guerreiros na busca de uma certeza maior, cessemos as batalhas internas e nos tranquilizemos pela confiança nos dias melhores que virão trazendo, a todos nós, um pouso de esperança e Fé.

18 dezembro 2020

Os lados da moeda - Por: Emerson Monteiro


Dois aspectos da existência e suas funções principais, morte e amor fornecem os meios necessários à compreensão universal. Dois passos de um só corpo, margens do mesmo rio, alimentam a possibilidade no chegar nalgum momento ao objetivo certo. Examinar em volta os infinitos aspectos da realidade, nisso persiste a descoberta do segredo que todos esperam revelar do filme que somos nós. Fugir de si, impossível. Apenas rever os papéis desempenhados, e aceitar decidir lá um dia pela porta que quer entrar, final ou início eterno do amor.

Transcender, elevar a visão, sobreviver, nisso a ressurreição do processo onde caminhar. Agir rumo da transformação do ser falível num ente livre e desperto. Trocar de pernas, permanecer aqui neste chão ou descobrir a que se vem pelas reencarnações. Caminhar no sentido da liberdade. 

Que morrer ninguém quer, novidade nenhuma. Apesar de apreciar o sensacionalismo do sofrimento alheio e dos fins trágicos dos outros, defeito que alimenta as aves de rapinas, no entanto lá por dentro mora solta a vontade no continuar. 

Justa das alternativas que oferece continuidade, amar significa sempre a perpetuação da individualidade, no mistério de existir. Correr aonde mais de nada importa que represente realidade além da forma de perder sem outra chance, ainda aqui nesta hora.

Conquanto cheios de furor e festa, os humanos deitam na lama do extermínio de si as ganas de eliminar a monotonia aparenta deste mundo artificial. Pura perda de imaginação e jogar fora todas as maravilhas da genial Criação, lançam nos lixões da aparente facilidade o final feliz da imortalidade.

Amar, amor, vida eterna de que falam os místicos, assusta os pretensos materialistas do plantão em queda livre. Enterram a cabeça na areia do prazer embriagador que mata na maior sem cerimônia. Enganam, se enganam e gostam de perder a melhor parte, o todo.


Carta ao Menino Jesus – José Luís Lira (*)

    Querido Menino Jesus. Sei que para vós nada é comparável ao que vivemos, ao que sonhamos. Há mais 2019 anos celebramos vosso nascimento. E, podemos tratá-lo por Menino, embora saibamos que crescestes, que neste mundo encontrastes ternura e amor, mas, encontrastes a fúria, a inveja e a maldade. Ainda assim, sabemos da missão que vivestes – quase igual a nós –, mas, não tinhas o pecado em vós; que crescestes em fé e sabedoria; que foste ao deserto; escolhestes doze amigos para acompanhar-vos e n’eles retratastes a humanidade: homens de fé, corajosos, fracos... a inveja e a traição esteve entre eles; ensinaste que o amor é o maior mandamento; fostes  c-r-u-c-i-f-i-c-a-d-o.... ressuscitastes e a glória se instalou entre os que vos viram e, também, entre aqueles que não vos viram.

   Querido Menino Jesus, vou continuar a me dirigir a vós, Menino. Terno. Lindo como toda criança, independente de sexo, de cor, de raça, é. Todas as crianças são lindas e um dia dissestes, “deixai vir a mim as crianças, pois, delas são o reino dos céus”.

    Sabe Menino Jesus, penso que este ano muitos e muitos recorremos a vós. Não tem sido muito fácil. O mundo se abala com uma pandemia. Não se pode dizer que há uma parcela da população que foi atingida. Todos podem e não podem ser vítimas da pandemia. E eu venho vos pedir não “o retorno à normalidade”, mas, o fim da pandemia. Que a nova normalidade tenha mais amor, mais dignidade. Que, no momento, haja mais responsabilidade e que o mundo reconheça suas fragilidades e reconheça que é em vós que devemos buscar a solução para os problemas da humanidade. Nós vos pedimos que ilumineis os cientistas; aclareis as mentes arrogantes e que a solução para essa pandemia chegue à terra. 

    Ouvi uma mensagem comovedora de um neto para uma avó sobre a possibilidade deles não se encontrarem no Natal. O vosso aniversário acabou se tornando uma celebração da humanidade. Nem sempre a ternura prevalece. Sei que é difícil, mas, este ano a solidariedade tem que ser nosso diferencial. Muitas pessoas necessitam e mesmo com as limitações impostas, temos que fazer nossa parte. Aqui me recordo, mais uma vez, da missão de vosso filho Pe. Júlio Lancellotte, para quem Natal é todo dia, indo ao encontro dos irmãos mais necessitados.

     Vejo a cidade se preparando para a Noite Feliz, noite de vosso nascimento. E um clima de preocupação paira no ar. Até no Vaticano a Missa teve o horário alterado e haverá limitação de participantes. O medo ronda o mundo. 

     Essa semana, enquanto trabalhava na causa de beatificação de um servo vosso, Mons. Waldir Lopes de Castro, me impressionou um escrito dele na véspera do encontro definitivo dele convosco. Ele falava da visita de vossa Mãe, Maria Santíssima, à prima dela, Isabel. Ele dizia que Deus também nos quer visitar... e que “se essa visita foi ardentemente desejada, ela acontecerá. E essa visita poderá continuar-se. Assim, Natal nunca mais deixará de existir...”

   Que o medo se afaste e ouçamos o anjo: “Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Que convosco, Sagrado Menino, nos venham boas-novas, literalmente.
     Santo Natal a todos!

     (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

16 dezembro 2020

Dos desafios que vive a Civilização - Por: Emerson Monteiro


Isso além até da própria sobrevivência das pessoas, há, nos tempos de agora, necessidade do crescimento da cultura face às interrupções do ritmo regular ao qual nos víamos submetidos. Menos previsíveis do que os planejamentos, vieram impactos cruciantes, qual numa oscilação de curva, e aquilo que antes parecia definitivo nada mais era do que respiração a que logo começassem, outra vez, severos desafios. Nisto são as hecatombes naturais, as crises sociais, os impactos de guerras e revoluções, as dores das populações, enfim a tal pandemia que ora grassa nas noites tormentosas, seguidas de horas alegres e festas, festivais e progressos só parciais. Bem assim caminha a nossa humanidade.

Ao exemplo disto, transcorrem a Terra e seus povos um período crítico coletivo, envolto de nuvens escuras, ansiedade e aflições. Do ponto de vista da saúde comum, multidões padecem a ameaça de inimigo invisível que rompe fronteiras e invade os lugares distantes. Vírus letal ceifa vidas, enquanto a Ciência busca respostas que impeçam o pior, nem sempre com o sucesso desejado.

As marcas dos recentes acontecimentos, desta segunda década do milênio, revelam marcas profundas nos limites humanos. Diante de tantos avanços tecnológicos, revela-se ausência quase absoluta de meios que ofereçam resposta à crise sanitária atual, onde todos abrem os olhos a incapacidade que assusta, quadra difícil da espécie humana, quando ninguém mais confia em ninguém mais, por causa do risco de contágio. Uma dúvida galopante, por isso, toma conta da espécie, neste momento. A herança do quanto acumulado virá mera peça de museu, num questionamento geral.

Bom, eis o resumo do que acontece nos diversos países, vista a fase difícil que exige atitudes sobre-humanas e impõe questionamentos severos à espécie inteira. Em menos de 365 dias, aqueles valores e providências que davam segurança perderam sentido, pondo por terra os brios das conquistas acumuladas durante milênios.  

A História padece, pois, ter de reiniciar desde os princípios arcaicos e descobrir meios urgentes de reverter seu curso, inclusive substituindo as prioridades que dominaram até aqui. Nunca houve, na existência de tudo deste chão, tamanha importância da solidariedade e do respeito de uns pelos outros irmãos, que é mesmo o que somos.

(Ilustração: Ran, de Akira Kurosawa).