18 dezembro 2018

‘Elmar de Seu Miguel’: uma alma boa e talentosa que subiu


Por Carlos Rafael Dias

Elmar Lopes Custódio, ou ‘Elmar de Seu Miguel’, como era chamado por nós, quando crianças, não resistiu a um câncer no pulmão e depois de uma longa e sofrida batalha faleceu ontem em um dos leitos do Clínica São José, onde estava internado.

Elmar era pessoa conhecida e querida por toda a sociedade cratense, sobretudo pela sua dedicada carreira de funcionário do Banco do Brasil, tendo trabalhado vários anos na agência local. Entretanto, para os seus amigos mais próximos, era conhecido pela sua amável e espirituosa forma de relacionar-se. Bom humor, gentileza e generosidade eram as suas principais qualidades.

Como amigo de infância, reconhecia nele ainda outras qualidades, como a virtuosa habilidade como futebolista, a primorosa inteligência e aguçado gosto musical.

Nossa aproximação, a propósito, aconteceu no meio de partidas de futebol disputadas em campinhos localizados em terrenos baldios ou no meio da rua mesmo. Tínhamos dois lá no bairro Buenos Aires onde morávamos no final da década de 1970: o campinho da cadeia, na beira do canal do rio Granjeiro, e o campinho da Espanhola, assim chamado por conta da proximidade com a grande e bela casa de uma senhora nascida na península Ibérica e que tomava todo o trecho da rua calçada com paralelepípedos adaptado por nós para os ‘rachinhas’ jogados geralmente ao amanhecer.

Naquelas nossas ‘arenas’ da infância Elmar reinava absoluto. Era o craque a ser disputado quando se formavam as equipes. Os outros eram-lhe coadjuvantes. Esses ‘outros’ eram eu, meu irmão Helano, meu primo Cival e os amigos Coquil, Adamir, Danúzio, Carlim de Anjo e os irmãos Ranzinha e Lanir, dentre outros.

Entre um drible e outro e muitos gols, alguns golaços, Elmar gostava de conversar, parando o ‘racha’ e atraindo os companheiros e adversários para próximo de si. Papos inteligentes e bem-humorados. Gostava de contar piadas e de comentar sobre música, geralmente sobre o seu ídolo maior Jimi Hendrix (Sim! Foi através dele que conheci a música de Hendrix!).

Mas nem só de futebol e música Elmar se interessava. Gostava muito de estudar. Foi um estudante exemplar, cujo boletim não tinha espaço para notas vermelhas. Prova disso foi ter passado, de primeira, nos concursos vestibular e do Banco do Brasil.

Elmar era educado, inteligente e atencioso de berço. Seu pai, o funcionário da Receita Federal em Crato, Miguel Custódio era uma verdadeira reserva moral. Sua mãe, dona Marquesa, por sinal parente da minha, é uma senhora bondosa e que se dedicou totalmente ao lar. Seus irmãos,  educados sob o rigor benéfico do casal, são todos bem-sucedidos profissionalmente e, principalmente, enquanto pessoas éticas e de conduta ilibada.

Elmar, creio firmemente, por todo esse legado, é agora uma alma que transcendeu com leveza para a morada celestial.

Descanse em paz, meu amigo!

17 dezembro 2018

ELA VENCEU !!! - Thalita Velozo vence o concurso Miss JDN Latina 2019.









Thalita Velozo venceu o concurso Miss JDN Latina 2019, passando a concorrer para o Miss Ceará Latina. O evento aconteceu na noite deste domingo, dia 17 de dezembro, no Memorial Pe. Cícero, em Juazeiro do Norte. No concurso, Thalita venceu em 4 provas, sendo elas, Miss Popularidade, Embaixadora Social, melhor produção e Miss Destaque. Numa das provas, a de embaixadora social, era requerido que a participante arrecadasse a maior quantidade de alimentos, sendo que Thalita conseguiu arrecadar 524Kg, que serão destinados às cozinhas comunitárias. A vencedora nos informou que agora também, passará a se dedicar a projetos sociais que serão desenvolvidos.

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15 dezembro 2018

As fronteiras do inútil - Por: Emerson Monteiro


Ao abrir a janela e ver o sol da manhã em cores e formas luminosas, e ouvir pássaros e cigarras em festa, logo vem o transcorrer dos tempos nos dias atuais de tanta ansiedade e correria, a busca de sobreviver aos fatores da história. Desde lá dos inícios que assim vem a correnteza das vidas. Sobreviver, viver além, mais dias menos dias, à cata de trabalho e acomodação, no desgaste natural de tudo quanto cabe na imaginação.

A certeza de procurar meios positivos de observar isso e aceitar as peripécias, no entanto tratar de fazer uma avaliação nos modos de operar deste chão. A perseguição insana de juntar fortunas, só garantir o passado a qualquer custo, o que virou mania sórdida de perseguição da geração de cobaias do Destino. Perseguir os dias nos dias, arrancar da coletividade o sustento, longe dos frutos podres que deixam a estrada perdida. Lobos famintos de ideias, ética e moralidade; que viram elementos de praticas indecentes; turba de bichos racionais irracionais, que manipulam fórmulas esdrúxulas de superar a troco de propinas e uma consciência largada ao lixo, imundos restos de banquetes impuros.

Daí chegar a isso de examinar que estamos aqui cuidando; feras feridas nos próprios laços que enxameiam desassossego a título de sucesso sórdido; toupeiras num mar de lama; ardilosos vadios do egoísmo. E peças encenadas a título de ganhar os prêmios da inutilidade.

Bom, essa gincana de humanoides à toa no pretexto da ignorância, que virou a corrida de tanta coragem e tanto esforço no mercado das almas e adquirir culpa, medo, fama, que há nisso, bem claro, a ausência de sentimento e coerência de propósitos, eu sei. Mas o que fazem doutro modo os que sabem que não deve ser? Eis uma pergunta aos senhores da liberdade que exterminam e exercitam sem responsabilidade o dom da sebedoria.

Quase ao final da cena, tangemos o rebanho quais esquecidos aos sonhos e passageiros da agonia, dos motivos e das escolhas que sujeitam levar a nada, dourados e vazios, contudo sempre na busca da Paz.

(Ilustração: Colagem de Emerson Monteiro).

14 dezembro 2018

Música da visão - Por: Emerson Monteiro


Escrever é bem isso, transmitir à visão o sentido da percepção que isso traz e conduzir pelos caminhos da consciência pensamentos; letras e palavras, e sentidos que talvez toquem um dia o sentimento. Tudo suspenso no ar das horas do mistério, nas palavras conduzem a imaginação através da alma. Sons que existem desde quando a luz se fez, assim são as palavras que hoje formam soltas na liberdade individual a literatura.

Num enlace prodigioso, as visões permitem que nos encontremos conosco próprios no formato das letras e no senso imediato que elas constroem dentro da gente, porquanto quem lê a si mesmo o faz; se permite deixar que conceitos nascessem das palavras e ofereçam à consciência valores e significados; deixa que o silêncio da visão conceda ao instante o inédito da compreensão há pouco inexistente. Mundo vasto a si que preenche novos universos naquele espaço exclusivo da individualidade, e mergulha no outro, no leitor, qual quem refaz a presença dos que antes havia e deixara que a existência revertesse em códigos as cores e as formas que nunca voltariam a existir, porquanto nem os autores refarão o que viveram ao momento de escrever caso não os gravem para sempre.

Bem isso de trabalhar nas palavras os fragmentos da ilusão ou da compreensão do que habitara, dalgum modo, a consciência do escritor. Horas mágicas de arte e cultura, sentir e passar em frente, dividir os frutos de pensar e produzir com os leitores um viver partilhado, em muitos ou nenhum. Daí serem solitárias as chances de escrever, quais garrafas lançadas ao oceano das impossibilidades possíveis, mensagens isoladas que silenciaram nas letras angústias e alegrias, no sonhar no aberto das ocasiões fugazes.

Foram e serão muitos esses tais escafandristas da alma na busca de partilhar o entendimento por meio das incompreensões humanas. Aventureiros da razão inevitável, que correm o risco de jamais descobrir as trilhas dessa floresta exótica das condições deste século sem fim. 


13 dezembro 2018

A eterna magia da Monarquia: Exposição em São Paulo conta vida da imperatriz Sissi na Hungria


Elisabeth se tornou imperatriz da Áustria ao se casar com o primo

Fonte: “Folha de S.Paulo”– por Paula Leite  – 13.dez.2018. 
Retrato real  da imperatriz Elisabeth, do Império Austro-Húngaro, conhecida como Sissi - Divulgação

   Se no século 20 a vida da rainha da Inglaterra, Elisabeth 2ª, inspira livros, filmes e séries, no século 19 era outra nobre de nome Elisabeth quem capturava a imaginação de muitos pela Europa.

    De origem bávara, Elisabeth se tornou imperatriz da Áustria e rainha da Hungria ao se casar com o Imperador Francisco José, que era seu primo.

    A vida da imperatriz, conhecida por sua beleza, voltou a ser objeto de intenso interesse mais de 50 anos depois de sua morte, em 1955, com o lançamento de um romântico filme que tinha como título seu apelido: “Sissi”.

     Estrelado pela austríaca Romy Schneider, “Sissi” tornou-se uma trilogia, com dois filmes subsequentes contando a história da vida da imperatriz, ainda que tomando diversas liberdades históricas.

     É fato que Sissi gostava de passar tempo no palácio de Gödöllő, na Hungria, país onde nasceu sua quarta filha, Marie Valerie. O palácio foi um presente do país ao imperador e à imperatriz por ocasião da coroação deles como monarcas da Hungria, em 1867.

     Elisabeth não gostava do ambiente da corte em Viena, onde ademais a influência de sua sogra era sufocante, e teria encontrado na Hungria um entorno mais agradável –em Gödöllő ela podia caminhar e cavalgar, como gostava de fazer, em relativa paz.

   A relação da imperatriz com a Hungria fez com que ela fosse vista com carinho pelos húngaros, que a homenagearam com monumentos, memoriais e parques pelo país. A vida de Elisabeth e principalmente sua relação com a Hungria são tema de uma exposição na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, em São Paulo.  Os painéis com fotos e textos que compõem a exposição podem ser vistos a partir desta quinta-feira (13) na fundação, e a partir de maio de 2019 em estações na linha amarela do Metrô da cidade.


Abaixo, uma cena de um dos três filmes da série "Sissi", produzidos na década 50, campeões de bilheteria no mundo inteiro,  e ainda hoje dos mais vendidos DVDs, via Internet



11 dezembro 2018

Os pardais da Praça da Sé - Por: Emerson Monteiro


Esse logradouro reflete bem a vida em Crato, isto a considerar as dimensões da praça, a arborização privilegiada e as tradições de que é símbolo desde seus primeiros tempos. Quando os colonizadores se resolveram pelas margens do Rio Grangeiro invés das do Riacho do Miranda, onde haviam instalado a missão original quando aqui chegavam, viram nesse novo sítio o ponto ideal para desenvolver o aldeamento e fixar as raízes europeias no Cariri.

As extensões da Praça da Sé oferecem meios suficientes às grandes solenidades, aos eventos maiores do povo e das instituições. Em sua volta os proprietários construíram belas casas residenciais, a Casa da Câmara, a Cadeia Pública, grupo escolar e a Sé Catedral, destacando aos católicos o palco dos seus louvores por vezes entrecortados de acontecidos históricos, tais a declaração da primeira república nacional, lá nos idos de 03 de maio de 1817, cúmulos da Revolução Pernambucana de infaustas lembranças, em que sucumbiria o herói maior Tristão Araripe.

Nesse respiradouro típico da população do lugar eu estudei na década de 60, no Ginásio São Pio X, prédio que ora sedia a Irmandade de São Vicente de Paulo, lado nascente; via dali o imenso quadro da matriz ainda de chão batido, espaço ideal às partidas de futebol dos desocupados nos intervalos do almoço à sombra dos oitis em crescimento.

Mais adiante, em face de nela passarem as estudantes do Colégio Santa Teresa ao término das aulas, no meio-dia apareciam também os alunos do Colégio Diocesano e ocupavam os bancos e as imediações, no intuito de apreciar a beleza da juventude em desfile, num instante de descontração e enlevo.

Já na década de 70, aos finais do dia, com as árvores de copas frondosas o ano inteiro, nelas se instalavam os pardais, nuvens e nuvens deles, a chilrear em uníssono melodia ímpar e festiva, clima inigualável de propiciar os instantes fervorosos da Ave-Maria, secundados ao ritmo do metal dos sinos e dos cânticos saídos da Catedral defronte.  Cheios de emoção, presenciávamos absortos a religiosidade daquelas ocasiões, talvez enlevados no doce mistério das luzes espirituais da natureza viva.

Histórias alheias VII - Por: Emerson Monteiro


Das narrativas a propósito dalguns místicos judeus, escritas por Martin Buber no livro Histórias do Rabi, dentre outras histórias vamos encontrar um episódio sob o título Saber quando o rabi Baal Schem Tov dissera:

- Quando atinjo o mais alto degrau do saber, sei que nem uma letra dos ensinamentos está em mim, e que ainda não dei nem um só passo no serviço de Deus.

Essas palavras de Baal Schem o rabi Mosché de Kobrin as transmitia a um outro rabi, e este lhe indagou:

- Mas está no Midrasch (dos livros sagrados judaicos): “Adquiriste o saber. Que mais te falta?”

Diante daquela consideração do religioso face ao que dissera, de Kobrim lhe respondeu:

- Em verdade, é assim. Tendo adquirido o saber, saberás então o que te falta.

...

E logo em seguida, no mesmo livro, Martin Buber traz outra história de Baal Schem Tov, místico bem conceituado no Judaísmo desde séculos. Esse outro episódio tem por título Sem o Mundo Vindouro, e narra de ocasião em que o religioso, certa hora se sentindo em desânimo e qual notasse em crise sua fé, quis admitir lhe faltar merecimento de que já possuísse a felicidade em um mundo vindouro; nessa hora dissera a si mesmo, segundo conta Buber:

- Se eu amo a Deus, para que preciso de um mundo vindouro? 

...

São momentos assim de lucidez e espiritualidade que refletem o nível de compreensão de cada um diante do infinito mistério da Eternidade a nos tocar suavemente e indicar oportunidades da percepção da grandeza do Poder, tudo através da consciência em aprimoramento constante por meio dos desafios da Sabedoria. Todas as religiões possuem seus místicos, os quais sejam dignos de tocar as abas do Céu e conhecer tanto mais da beleza e da divina perfeição. 

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


Construção do Centro Cultural do Cariri será iniciado em 2019

 Prédio do antigo Seminário Apostólico da Sagrada Família, na cidade de Crato, onde será instalado o Centro Cultural do Cariri

     A Prefeitura de Crato adquiriu o imenso conjunto arquitetônico onde funcionou o Seminário Apostólico da Sagrada Família (depois serviu como Hospital Regional Manoel de Abreu), localizado no bairro Recreio. O prédio será doado ao Governo do Ceará, que o restaurará, e lá fará funcionar o Centro Cultural do Cariri, que funcionará nos moldes do Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar, de Fortaleza.
      Segundo anunciou o Governador Camilo Santana, o Centro Cultural do Cariri será uma grande arena e anfiteatro, com cinema, área de exposições, teatro, área de lazer, biblioteca, livrarias, memoriais, amplo estacionamento, dentre outros benefícios.

A Vila da Música do Belmonte

         Outro equipamento cultural de grande importância é a Vila da Música, construída pelo Governo do Ceará, no bairro Belmonte, no sopé da Chapada do Araripe, na cidade de Crato. Trata-se do primeiro equipamento cultural do gênero, construído pelo Governo do Estado, no interior cearense. Um espaço que conta com infraestrutura moderna e dedicada a atender estudantes – crianças, jovens e adultos -, distribuídos em diversos cursos de diversos instrumentos, como violino, viola, violoncelo, contrabaixo e violão.


     A Vila de Música funciona numa parceria do Governo do Ceará – através da Secretaria da Cultura – com a tradicional escola de música Sociedade Lírica de Belmonte (Solibel), fundada por Mons. Ágio Augusto Moreira na década de 1970. Esta instituição tem como temas centrais a socialização, a formação humana e o ensino musical, diretrizes estas que foram incorporadas à Vila da Música, fomentando a cidadania através da educação musical e criando oportunidades para o desenvolvimento humano, econômico e territorial sustentável.

Patrimônio histórico do Cariri: o relógio da Catedral de Crato

     O velho relógio da Catedral de Crato continua batendo as horas, 155 anos depois de inaugurado. Ele foi adquirido na fábrica Ungerer & Frères, localizada em Estrasburgo (França), e assentado, pelo artesão Vicente Ferreira da Silva, na então Matriz de Nossa Senhora da Penha, no dia 21 de janeiro de 1863. O relógio foi oficialmente entregue à população de Crato, no dia 12 de outubro daquele ano, por ocasião da primeira visita pastoral feita ao Cariri pelo primeiro bispo do Ceará, Dom Antônio Luís dos Santos.


     A iniciativa da compra desse relógio coube ao vigário colado da freguesia, Padre Manuel Joaquim Aires do Nascimento, que o adquiriu por intermédio do Dr. Marcos Antônio de Macedo. Consoante informação do historiador Irineu Pinheiro, o relógio da Matriz de Crato foi considerado, “naqueles tempos, um dos melhores do Império”.

    Decorridos 155 anos da sua instalação, o velho relógio da Sé de Crato ainda marca as horas com exatidão. Em 2003, o ex-Cura da Catedral, Monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo, escreveu à fábrica de relógios Ungerer solicitando informações sobre o equipamento adquirido para a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, no terceiro quartel do século XIX.
Acima, Theodore Ungerer, construtor do Relógio da Catedral de Crato,
Crédito: site: http://phaffans.com/wp/?tag=equation-du-temps

A carta-resposta recebida pelo Monsenhor

   Transcrevemos abaixo a correspondência recebida – e traduzida – por monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo:

“Estrasburgo, 6-11-2003

A Mons. João Bosco Cartaxo Esmeraldo
Vigário Geral da Diocese de Crato-CE

Monsenhor,
Queirais perdoar o atraso desta resposta à vossa simpática mensagem de 21 de janeiro de 2003 e vossa carta de 7 de maio ao Vigário Geral de Estrasburgo, que me chegaram, há algumas semanas, somente após três meses de ausência.

Eu sou filho caçula de Thédore Ungerer (1894-1935) construtor do relógio Astronômico de Messina (Sicília) (1933), o maior do mundo com 50 autômatos, dos quais 48 desenhados por meu pai.
Para responder à vossa questão se há ainda a fábrica em Estrasburgo, eu anexo a esta carta um texto do Sr. Yann Cablot, dos Arquivos Departamentais do Baixo Reno.

Eu concluo que a firma Ungerer, fundada em junho de 1858, cessou definitivamente sua atividade, em janeiro de 1989.

Eu encontrei talvez traços de vosso relógio, no repertório dos Grandes Livros Ungerer, nos Arquivos Departamentais (73J45 pag.91, anexo) onde se encontra um pagamento de 1.130 Fr, em 27 de abril de 1860, “para o Brasil” (talvez uma conta (parcela?).

Em nome dos meus ancestrais, eu vos agradeço, Monsenhor, por vossa mensagem cordial e por vossas bênçãos e vos dirijo minhas saudações respeitosas e cordiais.
B.Ungerer

Teríeis a gentileza de me enviar uma foto da torre da Catedral, com o relógio Ungerer, para os Arquivos Departamentais? Obrigado antecipado”.

Outras informações sobre o relógio da Catedral

    Verificando o anexo que acompanhou a carta do Sr. Bernard Ungerer ao monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo, lemos uma relação manuscrita referente a 1860, onde constam as encomendas feitas à fábrica Ungerer & Frères, naquele ano. Na relação, uma anotação registra: “avril, 27 Caisse 1 – pour Le Brésil –37– 1.130 Fr (abreviatura da moeda francesa, o Franco).”

    Donde se conclui que o atual relógio, ainda batendo as horas na Sé de Crato, foi adquirido por Dr. Marcos Antônio Macedo, em Estrasburgo, no dia 27 de abril de 1860, fato comprovado pelo cineasta Jackson Bantim, que fotografou a máquina do equipamento e lá consta o ano da fabricação: 1860. Este relógio – segundo pesquisa de Irineu Pinheiro – foi instalado na torre do lado sul da Catedral de Nossa Senhora da Penha no dia 21 de janeiro de 1863, pelo artesão Vicente Ferreira da Silva.

Escritores do Cariri: Nertan Macedo

     Nasceu em Crato a 20 de maio de 1929. Foi um dos maiores dentre os jornalistas, historiadores, poetas e escritores nascidos no Cariri. Deixando sua cidade natal, ainda jovem, fixou-se em Recife (PE), onde foi redator dos jornais “Diário de Pernambuco” e “Jornal do Commercio”. Da capital pernambucana seguiu para o Rio de Janeiro. Nesta última cidade, trabalhou em três jornais da então capital brasileira: “O Jornal”, “Tribuna da Imprensa” e “Jornal do Commercio”, do Rio.

   O escritor Raimundo de Oliveira Borges, escrevendo sobre Nertan Macedo, disse: “Era um enamorado impenitente do sertão, que nunca esqueceu, das suas paisagens, dos seus homens bravos, das mulheres bonitas, dos verdes canaviais do seu Cariri, da silhueta azul da Chapada do Araripe, das fontes cantantes que irrompiam e ainda irrompem graças a Deus do seu seio inesgotável, da Praça da Sé das suas peraltagens de menino, do seu Crato antigo, hospitaleiro e bom”.

    Nertan Macedo escreveu 27 livros, dentre eles: “Caderno de Poesia” (1949); “Aspectos do Congresso Brasileiro” (1956); “Cancioneiro de Lampião” (1959); “Rosário, Rifle e Punhal” (1960); “O Padre e a Beata” (1961); “Capitão Virgulino Ferreira Lampião” (1962); “Memorial de Vilanova” (1964); “O Clã dos Inhamuns” (1965);   “O Bacamarte dos Mourões” (1966); “Agreste Mata e Sertão”; “Da Provence ao Capibaribe”; “O Clã de Santa Quitéria” (1967); “Dois Poetas Pernambucanos” (1967);  “Floro Bartolomeu–O Caudilho dos Beatos e Cangaceiros”; “Antônio Conselheiro” (1969); “Cinco Históricas Sangrentas de Lampião e Mais Cinco Histórias Sangrentas de Lampião” 2 volumes (1970);   “Sinhô Pereira - O comandante de Lampião” (1975).

        Pertenceu ao Instituto Cultural do Cariri (ocupava a cadeira nº 17, cujo patrono é João Brígido) e a Academia Cearense de Letras. Nertan Macedo faleceu aos 60 anos, em 30 de agosto de 1989.

10 dezembro 2018

Imaginação ativa - Por: Emerson Monteiro


Outro dia falávamos da imprevisibilidade quanto aos dias futuros, nem sempre a realidade real daquilo que se espera diante das limitações de todos nós. Isso, no entanto, passível de alguns acertos, face ao que conhecemos das filosofias e artes divinatórias, do esforço dos tantos que gastam tempo a fazer elucubrações e largas considerações dos dias porvindouros; decerto arriscam vaticinar e correr o risco de cumprir papéis proféticos sem fundamento, que a isto lhes cabem as circunstâncias, os reinos onde habitam, as cortes que frequentam. Mas, grosso modo, ganham fama, preenchem o espaço entre o juízo e as gerações, acalmam as rimas dos poetas e vencem a monotonia das horas que se aproximam.

Há, contudo, noutro campo, os avatares messiânicos dos povos, que, estes, sim, chegam previstos nas escrituras sagradas e detêm a força das revelações, os quais trazem consigo a função de nortear a multidão nos séculos, carente de consciência a fim de posicionar as civilizações pelos dias seguintes. Nessas personalidades predomina o místico na forma e na prática do Absoluto. Bem mais do que apenas humanos, significam a plenitude dos seres iluminados e parceiros da Eternidade.

A distância, entretanto, desses e nós demanda infinitas transformações morais, nada que seja de todo impossível, todavia exigem renúncia através da caridade e da humildade, visando, sobremodo, vencer a matéria bruta e nos aproximar do divino aprimoramento, domar o egoísmo e o orgulho, e crescer nos passos continuados das vidas sucessivas. Eis, em suma, uma transação interior das criaturas humanas, o seguimento de transcender a matéria e galgar padrões espirituais, na busca da felicidade perene; a isto nos encontramos aqui, face a face conosco mesmos, mentores do que resta cumprir nas existências. Conquanto vivamos ainda as limitações deste chão, já dispomos do direito fundamental de reger o destino e desvendar a luz que em nós existe, razão de tocarmos adiante esta longa caminhada e construir um novo Ser que vive em nós.

CRATERA GIGANTE EM CRATO - O Drama dos moradores da Travessa Cedro





Na madrugada neste sábado, dia 08 de dezembro, uma barreira desmoronou no cruzamento da travessa Cedro com a Rua José Alves de Figueiredo, no final do Canal do Rio Grangeiro, em Crato, deixando os moradores irritados e também preocupados, já que agora que começaram as primeiras chuvas da quadra invernosa. Segundo os moradores, isto já aconteceu por diversas vezes, e as administrações municipais vêm, preenchem o local com areia e depois de algum tempo o problema retorna. Em 2011, casas foram arrastadas pelo Rio Grangeiro neste mesmo local.

Segundo o Sr. Antonio Paulino, residente das proximidades, o problema é recorrente e já aconteceu mais de cinco vezes. 
Já a Sra. Antonia Rodrigues, cuja residência ficou a apenas 1 metro do abismo, afirma que as administrações colocam apenas areia no local e não resolvem o problema, que se tornou crônico.
No início do dia, circulou um vídeo nas redes sociais, mostrando a tubulação de água arrebentada no local, que passou quase o dia inteiro a jorrar.
No final da tarde de sábado, o Demutran interditou o local, evitando que pessoas e veículos desavisados tentem passar pelo local.

Confira no vídeo.

TV Chapada do Araripe
BLOG DO CRATO





Conservadores latinos se unem contra “volta da esquerda”


Fonte:"O Estado de S.Paulo” – Mariana Haubert, enviada especial

Impedir a volta da esquerda ao poder e organizar a direita no continente latino-americano. Esse foi o tom dos discursos e painéis realizados no domingo, dia 8, durante a 1ª Cúpula Conservadora das Américas. Idealizada para ser uma reação ao Foro de São Paulo, organização que reúne entidades e partidos de esquerda desde os anos 1980, a cúpula reuniu expoentes do futuro governo Jair Bolsonaro, ideólogos conservadores e integrantes de movimentos de combate à corrupção.

Durante oito horas, convidados como o filósofo Olavo de Carvalho, os irmãos Abraham e Arthur Weintraub, o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança e o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), entre outros, se revezaram nos discursos e explanações em que o mote era traçar estratégias de enfrentamento do discurso de esquerda.
O deputado reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)
Foto: PAULO LISBOA/AGB / Estadão Conteúdo 

O mais assediado durante o evento, Eduardo Bolsonaro mal conseguia se locomover de um lugar a outro com dezenas de pedidos de selfies, favores e apresentações. Ao longo da tarde, no entanto, o assédio arrefeceu e o parlamentar conseguiu acompanhar os discursos e debates que ocorreram no auditório de um resort em Foz do Iguaçu (PR). Terminou a noite pedindo a noiva em casamento no fim do evento diante do público presente.

Apesar da organização do evento ter divulgado previamente que mais de 2 mil pessoas haviam feito as inscrições para participar, apenas cerca de 600 compareceram. Para a imprensa, Eduardo minimizou o número e disse que a cidade do extremo oeste do Paraná é de difícil acesso para moradores de outras regiões do País. Mas explicou que o local foi escolhido pelo simbolismo. Está na tríplice fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai.

A cúpula reuniu basicamente pessoas ligadas a movimentos de direita que se articulam há alguns anos e pessoas que decidiram participar por conta própria. É o caso do corretor de imóveis de Cascavel (PR) Márcio Teles e da empresária e suplente do deputado federal eleito Nelson Barbudo (PSL-MT), Gina Defanti, que decidiram arcar com os custos das viagens porque querem resgatar os valores conservadores. "Hoje vemos uma gama de pessoas perdidas, achando que ser conservador é ser errado", disse Teles.

Paula Milani, integrante do movimento Acampamento Lava Jato, de Curitiba, afirmou ver um levante da direita no Brasil e acredita que agora é hora de organizar esse movimento. "A esquerda chegou muito bem organizada, muito bem estruturada e dominou realmente. Agora, a direita está se organizando, tanto que já elegemos um presidente", disse. Paula levou com ela mais seis pessoas, todos com a camiseta do movimento.

A tônica do evento foi sintetizada por Jair Bolsonaro no domingo. Em sua conta no Twitter, o presidente eleito afirmou que "por muito tempo o pensamento conservador e os valores familiares que predominam em nossa sociedade foram marginalizados graças a um projeto de poder revolucionário tocado por lideranças de esquerda em todo o continente". E agora, de acordo com ele, é o momento de propor novos caminhos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

09 dezembro 2018

Dois irmãos e um caminho - Por: Emerson Monteiro


Dois brigam quando dois querem. Em havendo disposição de paz em um dos lados, há paciência, há perdão. Dominar esse instinto agressivo importa nos resultados de harmonia de que tanto carece este chão das almas.

Assim, nós dois que somos todos a trabalhar o afeto pomo-nos a seguir ainda feitos feras, enquanto um morde, o outro se magoa e sofre, abafa, reprime, revolta, impõe justificativas na agressividade contida, no entanto amargurada, espécie de roupa suja guardada lá dentro nos refolhos da comum inutilidade. Eles dois, nós dois, estrada afora tangemos duas feras, uma que lança farpas em cima da carne seca, no vulgar desespero de sofrer, contrapeso que arrasta de mesma carroça de sucatas que, agarradas, somos aqui no Planeta. Dois perdidos e a noite suja de Plínio Marcos do passado.

Feras largadas ao velho picadeiro das contradições, roçadeiras amoladas nas pedras toscas do desgosto, impõem contradições, amigos em forma de lados agudos, num, o sujeito da razão; no outro, as costas moídas de chicotadas e dos escravos jogados nas sarjetas. Isto em relação a quase tudo, senão tudo, burros de cargas que transportam as malas da ignorância, que buscam escola nas malhas do sofrimento.

Poderemos crescer unidos, a história contará novidades ainda longe de preencher o espaço de horas tontas, na peleja do pesadelo ilusório da divisão das classes.

Esses dois irmãos, talvez até amigos, e no caminho viverão prudentes os objetivos da ordem mundial que anseiam desde que mundo é mundo. Próximos uns dos outros, outros irmãos que seremos em um só sem distância regulamentar de conservar objetos quais proprietários definitivos, e de próprio nada temos. A matéria que transportamos apenas servirá de empréstimo da Natureza, a quem devolveremos lá certo dia, cedo ou tarde, à luz do Tempo inabalável.

Jornalista Huberto Cabral -Por: Valdemir Correia de Sousa


AO BLOG DO CRATO,


QUERIDOS LEITORES : ESTIVE AFASTADO DO CRATO DURANTE 20 ( VINTE ) DIAS, E AO CHEGAR TOMEI CONHECIMENTO QUE A URCA - OUTORGOU AO JORNALISTA HUBERTO CABRAL, O TÍTULO DE DR. HONORIS CAUSA.

NUNCA VI UMA CAUSA TÃO JUSTA. HUBERTO CABRAL, É UMA DAS PESSOAS MAIS IMPORTANTES DA NOSSA CIDADE. PESSOA SIMPLES, DEDICADA, QUE COM SEU TRABALHO E COLABORAÇÃO, ESTÁ PRESENTE EM TODOS OS EVENTOS REALIZADOS AQUI, SEJAM OFICIAIS, PARTICULARES, COMERCIAIS, ETC. SUA PRESENÇA É IMPRESCINDÍVEL. MEMBRO DE UMA FAMÍLIA DEDICADA TOTALMENTE A CULTURA, COMO SUA IRMÃ DIVANI , O MESMO É UMA VERDADEIRA ENCICLOPÉDIA HUMANA, PRESTANDO RELEVANTES SERVIÇOS A TODA COMUNIDADE.

 A HOMENAGEM FOI MUITO JUSTA, E A TEMPO DE CONTEMPLA-LO AINDA EM PLENO VIGOR DE SUA VIDA, MESMO COM A IDADE JÁ AVANÇADA . FEZ - ME LEMBRAR DE OUTRA IMPORTANTE FIGURA DE NOSSA CIDADE QUE DESEMPENHOU TUDO QUE HUBERTO CABRAL ESTÁ FAZENDO AGORA, E QUE NUNCA FOI RECONHECIDO. LINDEMBERG AQUINO, FOI JORNALISTA, MEMORIALISTA, SECRETÁRIO DE QUASE TODAS AS INSTITUIÇÕES EXISTENTES NO CRATO, COMO: ROTARY CLUB, LIONS CLUB, ASSOCIAÇÃO COMERCIAL, ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DO CRATO, TUDO QUANTO ERA SOCIEDADE EM NOSSO MEIO, LÁ ESTAVA ELE, ALEGRE, E PRESENTE AS VEZES SEM QUALQUER REMUNERAÇÃO, QUERIDO DE TODOS OS CRATENSES, E MORREU ESQUECIDO, ABONDONADO PELA SOCIEDADE, QUE TANTO AJUDOU A RELEVAR. 

TEVE UM PREFEITO DA NOSSA CIDADE QUE NÃO VOU CITAR O NOME, QUE UM DOS SEUS PRIMEIROS ATOS FOI DEMITIR LINDEMBERG DE UM EMPREGO QUE TINHA NA PREFEITURA, COM UM POLPUDO SALÁRIO MÍNIMO.

FOI LINDENBERG, E HUBERTO ASSUMIU TODA A RESPONSABILIDADE DE COMANDAR OS ATOS CÍVICOS REALIZADOS NAS NOSSAS INSTITUIÇÕES. ELE ESTÁ SEMPRE PRESENTE, E PARA ENCERRAR QUERO CITAR AQUI A CÉLEBRE FRASE : ( SE QUERES FAZER ALGO POR MIM, QUE FAÇAS AGORA, POIS QUANDO EU MORRER SÓ QUERO ORAÇÕES ). POIS BEM HUBERTO, A JUSTIÇA FOI FEITA. VOCÊ MERECEU.

VALDEMIR CORREIA DE SOUSA
Membro e articulista do Blog do Crato





07 dezembro 2018

Denúncia gravíssima em Crato - Motorista publica vídeo nas redes sociais mostrando as péssimas condições das ambulâncias do Crato



Denúncia gravíssima no CEARÁ. - Motorista publica vídeo nas redes sociais mostrando as péssimas condições das ambulâncias na cidade de Crato. 
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Um caso vem ganhando repercussão estadual e nacional:
Um motorista de ambulância da cidade de Crato-CE, denunciou através de um vídeo bombástico nas redes sociais, as péssimas condições de trabalho, em veículo que não atende às mínimas condições de higiene e de saúde.

O motorista Francisco Fransuer de Lima Filho, mais conhecido como Filho, que já foi inclusive ao Ministério Público e fez um Boletim de Ocorrência, também se diz perseguido pela atual gestão após as denúncias.

Consultado, o Secretário de Saúde de Crato, André Barreto, refuta as acusações do motorista e acrescenta que o município está adquirindo novas ambulâncias para suprir a grande demanda do município.

O repórter Diego Lima fez uma excelente entrevista com o motorista da ambulância, que manteve as declarações e garantiu que irá tomar todas as providências no sentido de garantir o seu trabalho e a sua integridade. Foi realizada também uma entrevista com o Secretário de Saúde, André Barreto. Confira nesta edição do Boletim Chapada do Araripe.

TV Chapada do Araripe
www.youtube.com/blogdocrato
www.facebook.com/blogcrato






05 dezembro 2018

Limites do inesperado II - Por: Emerson Monteiro


Isto de saber até onde irão as certezas que transportamos vida afora. De conhecer o que, na verdade, conhecêssemos, se é que conhecemos algo puro a propósito dos dias vindouros. Mesmo assim agimos quais donatários do absoluto futuro, quando quase nada, ou nada, dominamos dos acontecimentos posteriores. Daí a fome desesperadora de desvendar o inesperado, assenhorear-se das marcas seguintes dos nossos passos neste chão.

Na realidade, somos meros detentores do direito de existir ainda sem saber, com plenitude, o que significa existir. Espécies de alimárias dos depois, vagamos soltos pelas matas virgens sob o crivo dos elementos originais. Atores de peças que nem escrevemos, e, tantas vezes, sabemos pouco da firmeza das existências do Autor de tudo quanto há sob o Sol. Seríamos, talvez, livres aves nos céus do Invisível. Querer, pois, julgar a nós e aos outros representa atitude temerária diante da Perfeição que a tudo rege no dizer das religiões. Explorar os demais quais superiores fóssemos, eis outra providência que produz frutos amargos, porquanto o equilíbrio universal a isto determina face ao nível do exato funcionamento das esferas.

Portanto, aventureiros do acaso, balançamos nas ondas deste mar de inevitável a que fomos submetidos desde quando persistem os pensadores e os mestres à busca de explicar o inexplicável. Máscaras de si próprios trocamos os pés nos dias que restam de sobreviver ao eterno, máquinas de forjar o sentimento, e instrumentos de organização da sociedade humana.

Grandioso o desejo de interpretar os ritos da Natureza, contudo somos só meios falhos das escolas desta vida. Que lição maior de humildade sobraria além de aceitar, se não baixar a cabeça e orar com força ao desconhecido no senso do Bem, do Amor, da Paz. Nenhuma dúvida, por isso, de que alguém regressou a transmitir a sabedoria que descobrirá no tempo certo.

O chão da alma - Por: Emerson Monteiro


No piso dessa realidade interna, caminha o ser diante das trevas, sempre só, às vezes vacilante... Olha tudo querendo a todo custo esquecer o que deixara de fora lá no ontem dos rochedos. É esse o pouso das criaturas aonde queiram chegar. Deixar de lado os eus externos que, durante desencantos sucessivos, largam desejos mal contidos de liberdade, no entanto ainda presos nos tentáculos ferrenhos da ilusão, amante e vilã dos lenitivos.

Longe, um dia, todos alçarão voo e restarão laivos de saudades de nem sabe por quê perdidos foram pelos jardins do imaginário. Isto de andar aqui tem surpresas, largar ao desconhecido pedaços das ansiedades que trouxemos, contudo inconsistentes, de vencer o inevitável. Tempos enquanto o furor nos triturava a quatro dentes, feito cães famintos no terreiro da paixão.

Mas há isto, esse lugar bem dentro do amor das gentes. Nele as ondas glaciais do Infinito batem forte e correm soltas pelas praias do Destino. Outras vezes bem aqui estaremos à procura do instante eterno, vagando de olhos fundos nas dobras dessas histórias antigas que transportamos no coração.

...

Fora, longos meses de expectativa a contemplar o horizonte donde virá o Sol. Aqui, onde as almas, em frangalhos ou quietas, esperam sinais do entendimento através dos sentimentos. Nisso ninguém está sozinho apesar da enorme solidão dos trópicos das horas calmas no mar da humanidade. A braços, pois, com dificuldades naturais de quem aprende no fragor das aparentes contradições, todos são os heróis de si no chão da alma que nutre a certeza de tudo que vem ficará melhor no sentido da obrigação.

Livre das ameaças e das dores, eles já constroem as naves da salvação que lhes permitirão realizar seus sonhos em manhãs que se avizinham penhes de verdade. Há um chão na vala comum das criaturas humanas.

04 dezembro 2018

Onde localizar o memorial do Padre Antônio Vieira? – por Antônio Morais


O homem

           Pe. Antônio Batista Vieira nasceu em 14 de junho de 1919 no sítio Lagoa dos Órfãos, no sopé da Serra dos Cavalos, município de Várzea Alegre (CE). Era filho de Vicente Vieira da Costa e Senhorinha Batista de Freitas. Faleceu em 2003. Foi um dos mais importantes filhos do Ceará. Concluídos os estudos de Filosofia e Teologia foi ordenado sacerdote na cidade de Crato, em 27 de dezembro de 1942. 

             Durante muitos anos foi professor polivalente do Seminário São José e construiu a igrejinha de São Francisco, imponente prédio localizado no Barro Vermelho (hoje bairro Pinto Madeira, na cidade de Crato). Em 1964 graduou-se em Economia e Planejamento pela Universidade da Califórnia, na cidade de Los Angeles. 

               Publicou – nos jornais de Crato e Fortaleza – dezenas de centenas de artigos, onde primava pela objetividade e observação, características visíveis da sua privilegiada inteligência. Deixou, pelo menos, quinze livros publicados. Em meio às suas atividades como Vigário da cidade de Icó (CE) foi eleito deputado federal, em 1967 pelo MDB (partido de oposição ao regime militar implantado no Brasil em 1964). Teve seu mandato arbitrariamente “cassado”. Deixou Brasília e foi lecionar na cidade do Rio de Janeiro, aonde – entre 1970 e 1974 – cursou Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, licenciando-se, ainda, em Filosofia, Ciências e Letras. Foi fundador do Clube Mundial do Jumento e sócio da Associação Cearense de Imprensa.

O Memorial do Padre Antônio Vieira

              Ao falecer, o Padre Antônio Vieira deixou um grande acervo de anotações, livros, diplomas, condecorações, objetos de uso pessoal, enfim, uma riqueza de fragmentos materiais que se constituem numa narrativa da sua própria existência. Lamentavelmente, as autoridades da cidade de Várzea Alegre não tiveram sensibilidade de reunir num imóvel apropriado esse rico acervo, os quais se constituem num motivo de honra e orgulho para qualquer cidade civilizada, que teve o privilégio de incluir no rol de filhos ilustres uma pessoa do porte do Pe. Antônio Vieira. Está claro que as autoridades de Várzea Alegre desconhecem a grandeza do seu filho ilustre.  Uma figura universal.  Pois, se assim não fosse, já teriam disponibilizado um local apropriado, na sede do município, para preservar a memória do Pe. Vieira.

                 Sabemos que o acervo deixado pelo Pe. Antônio Vieira se encontra no sitio Cristo Rey, propriedade da sua família.  Consta que esses familiares pretendem transformar esse valioso patrimônio num memorial, com o objetivo de preservar a história daquele famoso sacerdote. Convenhamos que um memorial localizado na zona rural, distante vários quilômetros do centro citadino não atrairá, como deveria, a visita das pessoas, principalmente das novas gerações, a quem mais interesse usufruir desse pequeno museu.

Por que não trazer esse memorial para Crato?

                   Agora o desfecho lógico deste escrito. Pe. Antônio Vieira viveu longos anos da sua existência na cidade de Crato. Aqui foi estudante, sacerdote, diretor do jornal “A Ação” da Diocese, construiu igreja, foi professor de várias gerações tanto no Seminário São José, como nos colégios particulares de Crato. Sabemos que ele tinha muita consideração por esta cidade. Sabemos que Crato se orgulha de se auto intitular, “Capital da Cultura”, embora seja pobre no setor de memoriais/museus. Pelos serviços que  o Pe. Antônio Vieira   prestou à cidade e a Diocese de Crato, julgo que já é tempo de as forças vivas da “Cidade de Frei Carlos” iniciarem um movimento – através das suas instituições mais importantes: Prefeitura/Secretaria de Cultura/Departamento Histórico da Diocese de Crato/ Clubes de Serviços/ Fundações – para trazer para Crato o futuro memorial do Pe. Antônio Vieira. Não fariam nada mais do que  justiça a esse notável homem.

              Sabemos que em 2019, o Governador Camilo Santana iniciará a construção do Centro Cultural do Cariri, na cidade de Crato. Quem sabe uma ala daquela instituição não viria a abrigar o rico acervo deixado pelo Pe. Antônio Vieira? Com a palavra as lideranças políticas, a Prefeitura Municipal, o Instituto Cultural do Cariri, a Universidade Regional do Cariri, a secretaria de Cultura do Crato, para que iniciem, o quanto antes, um movimento a fim de sediar na “Princesa do Cariri” o Memorial Padre Antônio Vieira!

Antônio Morais

Cariri pode se tornar Patrimônio Cultural da Humanidade

Fonte: Diário do Nordeste”, por  Roberta Souza

No Cariri, não se pensa pequeno. E se a ideia vem, também não se perde muito tempo para executar. Nos últimos dois anos, por exemplo, Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande, começou a conversar com o secretário da Cultura do Estado, Fabiano Piúba, sobre a possibilidade de tornar a região Sul do Ceará um Patrimônio Cultural da Humanidade. Nesta segunda-feira (19) pela manhã, durante a abertura do Seminário Arte e Pensamento, na 20ª Mostra Sesc Cariri de Culturas, o projeto tornou-se público e os trabalhos oficiais também.

A mesa de abertura contou com a participação de dois pesquisadores portugueses: a arqueóloga Conceição Lopes (Universidade de Coimbra) e o arquiteto Tiago Mota Saraiva, além da mediação de Quindins e contribuição de Piúba. O intercâmbio de experiências além-mar serviu como panorama de fundo para a discussão regional.

Em entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares, o secretário de Cultura do Estado adiantou que o diálogo com as instituições já está acontecendo. “Estamos conversando com o Iphan sobre o Cariri como patrimônio cultural na perspectiva de território, e juntando os fios, envolvendo instituições como a URCA, a UFCA, universidades particulares, o próprio Sesc e a Fundação Casa Grande, a Secretaria de Cultura do Estado e as dos municípios, na perspectiva de que o Cariri possa ser reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural”, afirmou.

Para a portuguesa Conceição Lopes, dois passos são fundamentais nesse processo: enxergar o patrimônio como algo vivo – não apenas como memória -, e trabalhar a convergência das comunidades, mostrando para o mundo o “valor universal e as diversidades específicas da região”, tais como culinária, manifestações culturais e a própria fauna caririense.

“A gente entende que é um debate muito importante. Estamos falando de uma região que tem patrimônio cultural e natural formidáveis. Pensar em patrimônio cultural para o Cariri tem que estar associado ao patrimônio natural”, reforçou Piúba. O secretário afirmou ainda que um dos planos para a integração desses bens é um metrô de superfície que conecte Juazeiro do Norte e Crato, a partir do Aeroporto Regional do Cariri.

Ainda na tarde desta segunda-feira, os integrantes da mesa devem se reunir para discutir a construção de um dossiê que viabilize o reconhecimento da região pela Unesco. Um seminário internacional também já está previsto para acontecer em junho do ano que vem, no Cariri, com o objetivo de reforçar a ideia.

Para Alemberg, faz-se necessária uma “coroação do Cariri”. “Vamos colocar a coroa na cabeça da Chapada do Araripe”, ressaltou. Da plateia, cerca de 150 pessoas, incluindo estudantes do 1º e do 2º ano do Ensino Médio da Escola Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau, no Crato, acompanhavam o Seminário como testemunhas de um futuro-presente que eles mesmos ajudarão a construir.

Livro resgata personalidades e Associação Comercial de Juazeiro


O crescimento do segmento de cervejas artesanais no Cariri

Loja Mestre Cervejeiro em Juazeiro do Norte: 
nova opção para os apreciadores de cervejas artesanais

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apontam para um crescimento de 37,7% no número de cervejarias artesanais registradas no Brasil em 2017. Em números absolutos, os dados revelam 187 cervejarias a mais do que 2016, saltando de 493 para 679. Outra informação interessante: 8,9 mil produtos foram registrados por estes negócios em 2017. Uma média de 13 para cada marca. Esses números são indicativos do excepcional crescimento do setor, acrescido do fato de que as cervejarias artesanais e independentes, que não têm relação com grupos econômicos internacionais, estão conscientizando o consumidor sobre a degustação da bebida, além de contribuírem para a cultura gastronômica local.

O Cariri é uma das regiões onde este segmento de bebidas tem tido uma significativa alavancada, tanto no ramo da produção como do comércio. Essa nova realidade fez com que o Senac-CE levasse seu curso de sommelier de cervejas à unidade de Juazeiro do Norte, e motivou a abertura de uma franquia da rede Mestre Cervejeiro na cidade, inaugurada em julho por três jovens empreendedores: Dário Gledson, Carlos Porto e Tiago Bantim (foto à direita).

Mestre Cervejeiro é a maior rede de lojas de cervejas artesanais do Brasil, com mais de 60 unidades em operação. Em Juazeiro, funciona diariamente das 10 as 22 horas, localizada no polo gastronômico, bairro Lagoa Seca.

Duas outras iniciativas também merecem destaque: a criação do grupo Cervejeiros Cariri, que reúne apreciadores com o intuito de divulgar e fomentar a cultura cervejeira na região; e da cervejaria Kurato, que carrega a história e a cultura do Cariri desde o seu nome, inspirado na história da cidade do Crato.

Para o empresário Tiago Bantim, diante deste promissor cenário, com perspectiva de que o setor seja ainda mais incrementado, aliado a uma maior exigência do consumidor, com paladar cada vez mais depurado, - a tendência é de que haja uma maior qualificação dos produtos, com ampliação da diversidade de marcas e tipos de cervejas.