19 janeiro 2022

Poder inefável do silêncio - Por: Emerson Monteiro


Quando eu era, não existia Deus; agora existe Deus, mas eu não sou.
Kabir

Nas verdes planícies da alma dançam todos esses desenhos em seus volteios harmoniosos, ao som das músicas da Natureza. Aves sobrevoam a imensidão e repousam na ausência dos corpos em movimento. Luzes que acendem no céu imenso a concretude inesperada e derramam notas suaves de todas as cores. Este poder que sustém a certeza das existências, que também vive na essência de tudo quanto há, durante todo tempo.

A leveza desses sons abissais ainda dorme guardada aqui no coração do Universo, onde sonhamos os nossos desejos e sustentamos as nossas escolhas que as transportamos no íntimo do ser, na interpretação do que fazemos. Ouvimos a pureza das histórias que um dia nos contaram e sobrevivem soltas pelo labirinto de nós mesmos. Andamos nossos passos qual quem alimenta o Infinito dentro das certezas que mexem pelas fibras das horas e dizem do Amor ao firmamento.

Em todas as criaturas esse fervilhar de grandeza na consciência dos entes numa única contrição, moléculas da origem que sustém e conduz diante de tanta beleza. Formas de nuvens que se desfazem pelo azul do céu nas criaturas nascidas dos pensamentos eternos bem perto da gente. E vagamos nisso, nas fagulhas de tantos e inesgotáveis momentos que jamais sumirão no definitivo dos sóis. Longas horas e sentimentos puros, marcas da presença imutável do fervor da Eternidade.

...

Enquanto cadenciamos o ritmo dessas pulsações, buscamos nos encontrar conosco próprios, pois sabemos ser muito mais do que apenas isso que ora, quimeras em perdidas ausências. Desde longe saboreamos este valor que possuímos, contudo numa fase de aprimoramento. Reunimos vontade, sonhos, saudades, na condição de meros aprendizes do que nos aguarda logo ali adiante. Porém que necessita de renúncia, paciência, dedicação, fé, instrumentos da mutação exclusiva dos herdeiros da Criação em constante renascimento.  

16 janeiro 2022

Ânsias de poder - Por: Emerson Monteiro


Bem típica nos humanos essa vontade, querer dominar o que quer que seja. O olhar deles quase não disfarça a fome de poder que carregam consigo. Quando declinam de alguma regalia ou razão o fazem qual quem deseja aplausos. Sendo autoridade, então, viram feras quando perdem alguma vantagem. Impor vira regra. Mas para ganhar ou receber títulos, ou mesmo merecer elogios, aí acalmam o instinto e deixam passar um tanto de oportunidades que demonstrariam o quanto já dominaram da fragilidade humana e ganhos de vantagens com relação à grande massa.

Bom, quase não parece estejamos revendo os conceitos em voga no mundo em que vivemos. Algo fala como as ficções da primeira metade do século passado, em George Orwell, Ray Bradbury, Aldous Huxley, dentre outros autores proféticos que viram, desde antes, aquilo que hoje impera nos becos atuais da civilização. As feras andam soltas à volta periodicamente das guerras espalhadas na História. Os problemas do egoísmo agravam as coletividades e vêm as tropas fortemente armadas resolver os impasses da geopolítica.

Essa tal síndrome de dominar logo espalha suas garras aos grupos sociais. De pessoas a desejar poder passa aos clãs, às minorias endinheiradas, experimentadas no ímpeto de salvaguardar conquistas e sustentar práticas de escravizar os demais. Daí ditam as regras, formulam poderes constituídos e fazem leis que as mantêm na frente da ganância, e sacrificam, e acontecem.

Porém, aqui Quem tem poder na realidade apresenta os meios da Justiça verdadeira e acontecem situações que repõem as peças no lugar devido. Que venham choro e ranger de dentes. A força da realidade sempre vencer. Ninguém que deve passará impune. Disto as tantas histórias, as profecias, os valores trazidos aonde foram retirados. Cada um por si e Deus por todos nós, nessa hora livre.

15 janeiro 2022

As natas da memória - Por: Emerson Monteiro


Gosto por demais de deixar que o filme da memória projete suas imagens constantes através do pensamento. Frases, períodos, textos, livros, películas inesgotáveis que sucedem histórias, cenas inteiras, impressões de viagem, luas e sóis das caminhadas no campo das abstrações em que todos nós vivemos. De uma hora a outra, vou de Crato a Brejo Santo, a Salvador, Iguatu, Lavras, Minas, São Paulo; nada nem ninguém a comandar as imagens do projetor na tela do meu infinito, no entanto eu aqui comigo sozinho a relembrar fiel velhas estradas, ruas, praças, cinemas, comércios, cemitérios, festas, hospitais, passeios, pessoas, dramas, angústias, aulas, palestras de antanho, num fervilhar de situações as mais inesperadas. Vêm, vão, ao sabor dessa função avassaladora de viver e experimentar, e gravar, e recontar, e reviver...

Quantas vezes me acho nos lugares a olhar as mesmas pessoas, sofrer e gozar das mesmas saudades; muitos que foram embora mas ficaram dentro de mim acondicionados nas lembranças insistentes de imaginar que houvesse acontecido diferente e os tivesse mantido todos juntinhos em minha alma acesa. Admiro essa capacidade, e reconto as histórias que li nos romances, nos contos, nas crônicas; as alegrias, os devaneios. Tudo bem perto, no meu coração, a pulsar nas veias, quais de um deposito inesgotável do sangue das maravilhas em fusão com dramas e dúvidas, solidão e amores inesquecíveis.

Ando às vezes tonto nesse território que bem sei pertencer ao tempo eterno. Nessa ocasião chego interpretar que tempo e espaço significam tão só e a mesma espécie de existência, una, exclusiva. Que Infinito e Eternidade são de que única essência e significação. Seriam aquelas duas paralelas a encontrar o Infinito no Tempo, e o Tempo na Eternidade, nesse chão de galáxias adiante de nós próprios, pequeninos seres, moléculas do Grande Universo. Porquanto o Nada e o Tudo, ao saber dos guardiões dos mistérios, hão de somar, ambos, nos lados inevitáveis de um mesmo corpo. Ou de corpo nenhum, indivisível.

Isso a memória me fala com tamanha intensidade que procuro com esforço acalmar o pensamento a fim de dormir um pouco ou serenar a fome das ansiedades. Tenho comigo isto de afagar essa celulose das películas de sempre, e que isto, a certo momento, fará de nós seres únicos, imortais, quando, então, reuniremos as tantas vivências no poder superior da Consciência perfeita.

14 janeiro 2022

O passado esteve aqui – por José Luís Lira (*)

   O título desta conversa de hoje é uma lembrança. Um livro infanto-juvenil de 1988 que não li por completo, lembro-me bem, porque apareceu “Em algum lugar do passado” e optei por este. Mas, hoje revi sua capa. Não tenho mais o livro físico. Foi-se embora na voragem do tempo e, sinceramente, talvez hoje é que compreenda mais este título. Vamos vivendo e o tempo, como dizia o Cazuza, não para.  Não para. E vez por outra nos encontramos em mesmos lugares, mas, não temos os mesmos convivas, as mesmas sensações e se tem a impressão de que o passado quase passou por ali, mas, recordando Drummond. “Não serei o poeta de um mundo caduco./ Também não cantarei o mundo futuro”. E ouso citar a Rainha Elizabeth II em sua clássica mensagem do último Natal: “A vida, claro, consiste em despedidas assim como primeiros encontros”.

   Este tempo que vivemos não tem sido fácil. Até uns dias nos animávamos com o afastamento da pandemia. Aos poucos a vida começa ou começava a se normalizar. Pude ir ao Rio de Janeiro e cumpri as atividades que me são afetas naquela Cidade Maravilhosa. Por aqui, fui ao cinema e até viajei a Juazeiro do Norte. Fizemos a reunião presencial de fundação do Instituto Histórico e Geográfico de Sobral – um grande alento. O Natal permaneceu como em 2020, só a família. Não posso nem dizer que poucos amigos lá estavam. Só a família mesmo. E, de repente, não mais que de repente, como dizia Vinícius de Moraes, a turbulência começou a nos assustar novamente.

   O aumento dos casos de Covid e de gripe se constitui realidade e dessa realidade não podemos fugir. É preciso ter cuidado. Parece até exagero, mas, muito cuidado mesmo. E o que resta a nós é nos apegarmos à fé em Deus e na iluminação que Ele dá aos cientistas. Então, temos nos cuidar, nos prevenir e confiar que esse tempo passará. E nessa crônica quase sem tema, sinto-me tentado a citar o cantor Gonzaguinha: “Ontem um menino que brincava me falou/ Hoje é semente do amanhã/ Para não ter medo que este tempo vai passar/ Não se desespere e nem pare de sonhar/ Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs/ Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar/ Fé na vida, fé no homem, fé no que virá/ Nós podemos tudo, nós podemos mais/ Vamos lá fazer o que será”.

    Às vezes queremos até maquiar o nome morte. Dizemos que alguém fez sua viagem, partiu... Enfim, não quero, como nem sempre aceitamos essa realidade. Muita vez a pessoa está sofrendo, inconsciente, mas, nós a queremos por perto. E ela, o que dirá? Dependendo de sua espiritualidade, quer ir aos braços do Pai. Recordo-me de uma amiga cujas penúltimas palavras foram: “Vem logo Senhor”. Isto é fé. Que tenhamos fé!

   Às vezes ficamos com aquela sensação de que o passado veio nos visitar, numa música, num poema, num livro, numa paisagem, numa pessoa. Todavia, no ensinamento da Rainha Elizabeth, lembremo-nos de que os primeiros encontros ocorrem todos os dias. Só precisamos de habilidade para enxergá-los e viver plenamente cada momento.

    E assim seguimos nossa caminhada, seguros de que temos uma missão a desempenhar aqui e que só quando a concluímos é que somos chamados que nem na parábola dos talentos à prestação de contas final, onde estaremos, com a graça da Luz Perpétua, diante de Deus Altíssimo.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


13 janeiro 2022

Nunca antes foi assim - Por: Emerson Monteiro


O ineditismo de todas as situações vidas afora. Enquanto o pensamento é só linear, tudo acontece desarvoradamente na velocidade extrema do quanto existe, vindo de todas as direções. Ainda que doa o coração da gente, nem de longe há de ser diferente daquilo que gostaríamos de ver mudar, sem mais nem menos, ao sabor dos nossos sonhos. Vontade nunca há de faltar nesse instinto de querer mudar a direção do vento e brilhar em novos sóis diante do eterno. Sempre inédito o sabor de tudo, sejam pássaros, sejam flores.

Nessa fome de transformação que sacode o desejo das criaturas impera a determinação de um poder avassalador que impõe justiça a cada hora. Assim será no transcorrer das gerações infindáveis. Enquanto dentro das pessoas essa fragilidade assusta, uma pequenez surpreendente contudo se possui na quantidade necessária de imaginar ser liberto e tocar em frente. Nisso persistirá o ímpeto de viver a todo custo, qual espécie de sentença maior que se cumpre diante dos dias e dos séculos.

Mesmo que correr, fugir, não haverá de haver meios sem a restrição do tempo e do espaço, somos meras peças de ação; vive-se o condicionamento das forças da natureza que circunscrevem as eras em volta da gente. Em nós essas argolas dominam, ferem e conduzem. O que vem logo depois nunca antes teria vindo. Eternidade pensante estabeleceu, pois, o tanto de existir dessas criaturas alienígenas que o soemos. Buscar melhor definição resta aos olhos dos menos avisados que insistem acreditar no impossível das percepções imaginárias.

De certo, portanto, estamos aqui às portas do inesperado de todo momento, quais expectadores de um teatro  em que parece estejamos a representar e a assistir, sem conhecer o texto e muito menos o argumento. Nós conosco próprios, a viver na sua face necessidade de viver, dotados das mínimas condições de cumprir roteiro até então por demais desconhecido. Nós, senhores de mundos ainda inexistentes, experimentos de Alguém jamais visto, autor do quanto herdamos e tocamos adiante neste mar de lamúrias e oportunidades esplendorosas.  

Ego, o deus das ilusões - Por: Emerson Monteiro


Quando o Jiva (ego) entra no Espírito e faz-se um com ele, não há mais dor nem sofrimento.
Râmakrishna

O outro lado de si mesmo, uma região da pessoa voltada sobretudo para os motivos da matéria, como se os achasse início e fim das existências. De que modo trabalhar esse conceito sem correr o risco de falar de tudo quanto já conhecemos dos percalços deste chão alucinante? Porém a ele compete isso, testar o avanço das criaturas rumo da perfeição que tanto buscam. Sustentar os Espíritos vivendo aqui neste mundo enquanto durar o fascínio dessa ilusão que sustem os sobrevoos aos páramos da Luz maior.

Bem essa a função do lado sombrio das criaturas humanas, o território intermediário entre o princípio e a completude da consciência individual. Sempre observo isto de que o Ego tem sua destinação matemática nas funções da natureza individual.

Uns execram esse agente de transformação à base do desencanto das estações da vida, até quando, lá um dia, revelará por destinação quanto de riquezas dispomos nos nossos seres em formação, passados depois os transtornos daquilo que antes houve por conta das ações e dos sabores físicos, materiais prazerosos, desfaçatez das visões estreitas do deus vilão das madrugadas impuras.

...

Há em nós, por isso, a fase primária da experiência humana, território desse domínio precário do senhor da matéria, no encalço da parte essencial do grande Todo. Neste universo, tudo tem sua razão de ser. Nada passa ao largo da evolução. Somatório dos esforços, desde sempre reunimos na Unidade primordial dos dois lados os valores em movimento. Jamais desfazer do inimigo (Amai os vossos inimigos, disse Jesus-Cristo), pois um dia ele saberá o que faz, e também chegará à Luz.

Jeito bom de administrar essas parciais adversidades significa a compreensão de verdades antes relativas, até quando chegue à Verdade absoluta. E somos nós esses protagonistas da compreensão do que existe no espaço entre ideias e sentimentos, autores da plena virtude na presença de Deus.

(Ilustração: A visão de Tondal, de Hieronymus Bosch).


11 janeiro 2022

O tempo e o Infinito - Por: Emerson Monteiro


Nesta região sul do Ceará, denominada Cariri, existe uma formação montanhosa característica, a Chapada do Araripe. Do lado Poente dessa chapada, logo nas proximidades da encosta, são encontrados longos veios calcários que oferecem substanciais e nítidos registros pré-históricos do Período Cretáceo, último período da Era Mesozoica, de aproximadamente 130 milhões de anos, que, segundo estudos, seriam originários da época quando surgiram as flores na formação da vida nesta Terra. E na cidade de Santana do Cariri, localizada nesse sítio, funciona um Museu de Fósseis de rico acervo, pertencente à Universidade Regional do Cariri, dotado de peças fossilizadas de vegetais e animais daquele período geológico, aberto à visitação, considerado o terceiro melhor equipamento em nosso País.

Bom, tudo isso eu disse na intenção de justificar um sonho que tive recentemente. Via adiante longo itinerário pelo qual avançara no tempo, algo em torno de dois milhões de anos depois de agora. Fora longe, bem longe. Recordava de poucos detalhes daquele tempo visionário; observava, no entanto, a cor azul como a de maior intensidade qual característica do lugar lá onde me achava então. Mas algo chamou minha atenção, a querer recordar o que vivera aqui no passado das eras, em mundo distante, remoto, ausente. E senti saudade deste lugar e de onde eu hoje sou.

Quis imaginar qual a possibilidade do regresso aos meus inícios e sentir de novo o quanto das emoções atuais. Nisso mergulhava no trilho de onde viera, espécie de linha tênue a se projetar no vácuo do Infinito, na intenção de regressar. Num impulso voluntário, temeroso, avançava pela trilha e, depois de reduzir tudo a um único ponto minúsculo, simplesmente o via sumir em um nada absoluto, sem que nem contivesse na memória o que quer que fosse deste tempo em que ora estou. Isso em hipotéticos dois milhões de anos do sonho.

Avaliemos pois o quanto possui de poder a força da imaginação, que propicia a tantos o recurso de mobilizar o instante do presente aos pousos remotos e inalcançáveis, condão do pensamento e do sentimento, num dispor das criaturas humanas nessas maravilhas da Criação, e ver o tempo se diluir no Infinito e sumirmos juntos.

10 janeiro 2022

Ainda que digam - Por: Emerson Monteiro


O termo veio do Oriente, Maya, ilusão, mecanismo por demais regente de tudo quanto há nas aparências dentro do que aqui vivemos. Conceito de explicar a fatuidade das circunstâncias, no entanto aonde buscar senão através delas razão do quanto existe?! Deste modo, nestes tempos bem de agora, cercados das tantas contradições que nos dominam, contudo temos de prosseguir até devolver à realidade suas fantasias e viver perante o desconhecido avassalador. Países ricos, outros pobres. Exploração dos recursos naturais de jeito arrevesado. Competição exacerbada no seio das comunas. Nações que escravizam seus próprios povos. Outras que apenas desejam dominar o estado de coisas a toque de caixa. Ciência que explora em si os segredos da natureza a interesse particular, em sacrifício das massas delirantes. Avanços inimagináveis dos meios técnicos e poucos frutos em favor da grande maioria. Propostas que se diluíram na história sem avanços e soluções coletivas. Perdas da destinação por conta dos desejos só dos grupos que escravizam. Fome de ânimo e confiança nos líderes que surgem, tais lobos em pele de cordeiros. Máquinas de dominação; vejam em que viraram os famigerados instrumentos de governo. Espécie de letargia avança sobre o senso do pensamento, o que antes parecia atender à sede humana de fraternidade e avanços comunitários. Quadro um tanto dantesco, porém que merece reflexão e atitude numa menor fração possível de tempo, sob o peso das urgentes necessidades e da continuação das existências. Valores têm que vir à tona num momento da mais importante transformação de que carecemos durante as civilizações. Algo que signifique uma visão justa, fraterna, esclarecida. Enquanto isto, contamos o excesso de população a clamar coerência dos comandos, numa crise de justiça, de paz, de respeito entre os seres humanos qual nunca vista ou imaginada. Ao grosso modo, atravessamos um choque de realidade superior à nítida potência de superação. Lá desde longe havia sinais desses tempos, todavia encobertos pelo jogo de interesse dos poderosos. Eis, assim, o retrato fiel de uma fase que indica sobretudo antevéspera de profundas mudanças a título de sobrevivência e exige consciência de quantos alimentam o sonho de harmonia e felicidade aos herdeiros do Sol.

09 janeiro 2022

Sempre assim será - Por: Emerson Monteiro


De pleno acordo que os acontecimentos deitam e rolam na esteira do quanto existe, seja dentro da gente, seja lá fora nas visões apaixonadas. Quais folhas soltas de livros maravilhosos, pisamos as estrelas e fazemos disto nosso rastro, caminheiros de jornada inesquecível, a nossa evolução, o nosso valor diante das noites do Tempo eterno. Amantes de melodias sublimes, tocamos o barco e plantamos a semente de nós mesmos pelas florestas da felicidade. Divisamos nisso as tantas oportunidades que guardávamos conosco em rios de alegria.

Esses seres valiosos que vivem aqui neste universo sem fim, temos em nossas mãos o amor ao mistério e recriamos esperança todo momento. E saber de bom grado o poder que alimentamos em nós quando tocamos esta vida em forma dos véus de verdades inigualáveis. Puros seres em formação. Matéria prima dos frutos divinos, tais seremos face ao destino.

Aparentemente, às vezes o tempo fecha e ficamos à margem dos resultados, feitos de solidão e desamor, no entanto ferrenhos defensores dos melhores céus. Porquanto fomos talhados às galáxias. vagos heróis de lendas sublimes, e divisamos a trilha da sorte, delas herdeiros e senhores, desde que respeitemos a chance de plantar paz no coração das criaturas...

Longas, infinitas, profundas vivências já guardamos das memórias do caminhar, pois. Nem nas hipóteses mais extremas sofreremos a perda desse investimento da Natureza a quem pertencemos. Sustentar o dever de realização do Ser que guardamos em cada um significa isto, viver o senso da Consciência e colher as flores da certeza na alma dos instantes a que pertencemos. Horas a fio, sonhar e desvendar os sonhos. Constituir a essência de tudo quanto aqui prospera e que administramos na perpetuação. Todavia acender luzes em nossos sentimentos e transformar o mundo das nossas almas, uma religião natural de tudo, enfim.

08 janeiro 2022

Ao modo de crônica-registro-revelação – por José Luís Lira (*)

   No calendário da Igreja Apostólica Romana a Festa de Reis é também a Epifania (revelação) do Senhor, celebrada no domingo passado. Antes se celebrava no dia 6 de janeiro que é, também, o dia da gratidão, seguido do dia 7 com a Liberdade de Cultos grafada no calendário cívico. E nesta data de hoje, dia 8, lembramos o dia do fotógrafo e amanhã é a solenidade do Batismo do Senhor. Neste domingo, ainda, rememoramos os 200 anos do Dia do Fico quando o então Príncipe Português Dom Pedro de Alcântara, futuro Dom Pedro I, decidiu ficar no Brasil e assim lançava, digamos assim, os fundamentos da Independência do Brasil que ocorreria em 7 de setembro de 1822.

    São celebradas religiosas de grande importância para nossa Igreja Católica Apostólica Romana e nos deixam em júbilo: a festa de Reis, as solenidades da epifania e batismo do Senhor. Deus seja Louvado! 

  Também o calendário cívico traz o dia da gratidão. Buscando um significado para gratidão encontraremos: “um sentimento de reconhecimento, uma emoção por saber que uma pessoa fez uma boa ação, um auxílio, em favor de outra”. E como é belo ser grato. Gratidão sempre por tudo o que recebemos, incluindo gratidão a Deus que todos os dias nos premia com maravilhas às quais nem sempre agradecemos. É bom refletir.

   A liberdade de cultos é uma dádiva do constitucionalismo assegurada no Estado Democrático de Direito. Essa liberdade de culto foi sendo edificada no dia-a-dia e nela não podemos deixar de lembrar o respeito aos diferentes credos. Todos o direito de exercer nossa religiosidade sem querer interferir ou ferir mesmo a religião do outro e os que assim agimos também gostamos de reciprocidade de respeito. Respeitar não é ter que participar do culto do outro. É permitir que ele faça seu culto e não o tentemos convencer disso ou daquilo. Evangelizar é uma missão dos que acreditam na palavra salvífica de Jesus. E aqui me lembro do Evangelista Marcos (9, 38-39) quando João chega ao Mestre e diz: “Mestre, vimos um homem que, em teu nome, estava expulsando demônios e procuramos impedi-lo; pois, afinal, ele não era um dos nossos”. E o Mestre respondeu: “Não o impeçais!”.

     O dia do fotógrafo me é muito caro. Não sou fotógrafo profissional como nosso amigo Marcildo Brito, mas, tenho uma predileção pela fotografia. Acho um registro fantástico. Vez por outra me deparo com antigas fotografias e pareço viajar no tempo. A este respeito, todos sabem, participo de trabalhos de reconstrução facial a partir de fotos de crânios de personalidades e de santos, juntamente com meu amigo Cícero Moraes. Essas reconstruções faciais a mim sempre me pareceram um “retrato”, uma fotografia que nos foi enviada do passado. Assim fizemos Dom Pedro I, em 2018, o que relaciona o tema ao Dia do Fico. Nos últimos dias do ano passado e nestes primeiros dias de ano novo trabalhamos São Vicente de Paulo e, em breve, contemplaremos sua aproximação facial.

   No próximo dia 13 celebraremos o segundo ano de eternidade do Pe. Osvaldo Carneiro Chaves. Imagino seu sorriso vendo essa observação lá do Céu. A sua bênção, Pe. Osvaldo!

    Essas celebrações dão continuidade ao Natal e iniciam o ano e que Deus nos livre da pandemia que aflige ao mundo. A recomendação é seguir a ciência e que cada um de nós, façamos nossa parte.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

 

07 janeiro 2022

Tempo, o vertedouro dos carismas - Por: Emerson Monteiro


Há o tempo psicológico e o tempo real. Um que passa, de acordo com as impressões pessoais. E um que é eterno, inclusive dentro da própria pessoa. Porém, de comum, na flor das águas só se enxerga a matriz das ilusões, senhor do ego, que manda e desmanda nos focos e nos objetos e desaparece logo depois das ansiedades humanas. Sem qualquer esforço, o que a gente imagina ser real porém sem nenhum fundamento, pois some numa velocidade estúpida. E as pessoas baixam a cabeça diante das impossibilidades de dominar esse ente misterioso. Veem-se dominadas, e tudo bem, que outra senão essa alternativa frustrada?!

Contudo correr na busca de reverter aquele sentido que parece único eis a porta da libertação dessa escravidão ao tempo-matéria, tempo-ilusão. Dito isso, vem a vontade transcendental de sobreviver às ilusões. Transferir ao outro universo a força vital. Recriar o momento. Ressuscitar da lama do chão.

Tarefa por demais insana para a grande maioria, a anestesiada pela ilusão, alguns mergulham fundo nas águas desse mar de que falam os místicos. Avançam nas tradições e, por vezes, chegam a presenciar o outro lado das imagens, no espelho do tempo real. Têm que renunciar ao desejo de dominação das coisas e criaturas. Baixar a fome da ignorância e descobrir a fonte do mistério.

...

Qual quem procura na essência de Si, renunciam ao brilho fosco do imediato e largam os apegos. Nem parece a voz geral que impõe condições inarredáveis ao vulgo. Largam de admitir a velocidade com que tudo parece escorrer das lâminas da matéria e deixar de lado as possibilidades do processo vida. Que assim tem sido, que assim possa continuar, que o tempo não para e algo deve ocorrer às malhas dos destinos. Entretanto disso já se sabe o final, enquanto resta achar o outro universo de Si mesmo nas ondas fortes desse mar. Tais de um sonho lá um dia despertarão noutro Universo de pura luz, a plena Realidade.

05 janeiro 2022

A fome da compreensão - Por: Emerson Monteiro


Busca das derradeiras peças desse quebra-cabeça monumental dos seres humanos, contam então os retalhos mais raros que fecharam o jogo das Escrituras. Chafurdaram na lama dos milênios em viagens alucinadas e paradas homéricas pelos corredores da ambição, e quase agora divisam extremos nos limites que se apresentam. Lá bem mais perto do que pensavam ficam as margens desse desconhecido e seus dentes afiados. Quantas civilizações, quantos dramas e restos de cenário que falaram disso, da ausência de reais sentimentos nos corações humanos.

No entanto ninguém destruiu a esperança de tantos, ainda que tontos de respostas. Existem os heróis anônimos, silenciosos e suas vitórias de resistência a toda prova. Heróis, afinal. Nomes que nem sempre ficaram guardados nas páginas da História. Razão de sobrevivência da raça, eles dormem felizes às sombras dos séculos. Isso porque persiste a Justiça real que impera nos ares do Infinito.

Vive-se hoje espécie de prestação de contas dos tempos, em fase crucial das tantas humanidades que aqui passaram. Ninguém que disso possa duvidar. São os sinais dos tempos dos povos. Tipo de saturação dos abusos até aqui praticados às leis naturais, principiam os efeitos de tudo que plantaram. A quem muito foi dado mais lhe será pedido, nas palavras de Jesus-Cristo.

Na década de 60, falavam em apocalípticos e integrados. Só diminutas dúvidas ficaram daquilo, daqueles tempos aflitos. Alienação deixou de ser palavra de ordem e conduziu o barco dos dias até que vemos em que redundou, nessa pasta escura de máquinas e mercados. Os indivíduos quais meros instrumentos de sistema global alucinante padecem de medo e fome.

Veja bem, e quero achar o fio condutor dentro desse quadro surrealista. Fruto das largas experiências em esgotamento, chegamos ao ponto de mergulhar em nós próprios e desvendar, por fim, o mistério de que fazer parte integrante da Natureza. Religião de todas elas reunidas, aos viventes deste Chão significa encontrar o foco essencial de Si mesmo e solucionar o enigma da Criação inevitável.

04 janeiro 2022

Lembranças eternas - Por: Emerson Monteiro


Desde lá de longe que guardo comigo essa impressão das vidas vividas noutros quadrantes inimagináveis em termos atuais. No íntimo das eras, bem de remotas camadas, há uma memória independente de mim. Ondas sucessivas de lembranças que invadem, na maior sem cerimônia, o salão das festas do pensamento e trazem às vezes essas recordações dos tempos idos nas distâncias quiméricas. Acho que todos são assim, esses memorialistas inveterados daqui do Chão. Calados, arrastam fiapos das vivências que restaram gravadas pelos lastros desaparecidos das passadas existências. Disso daqui que ninguém foge, ainda que deseje e nem sabe o que seja, nem de onde veio. Nesse esforço das tantas horas, caem por terra certezas que carregavam consigo na mochila do tempo, no entanto andarilhos largados nos próprios passos à procura do Infinito das eras.

Eis bem o que somos, haustos de memórias trazidos no decorrer das gerações donde viemos e aonde iremos, num intervalo esquisito que somos agora entre as paredes desse corredor. Juntamos os fragmentos das existências que conhecemos e nos conheceram, tais perdidos náufragos dos dias esquecidos pelas estradas de nós mesmos. Tangemos desse modo o rebanho dos nossos eus que recuperam sonhos e alimentam encontros inesperados de si na vastidão dos hemisférios que significamos.

Afinamos o instrumento da sorte do que seremos um dia de tudo. Compomos a longa maestria de melodias encantadoras com as quais apaziguamos o Universo em nosso coração. Tocamos quantas luas nas viagens astrais que fizemos pelas galáxias do mistério, e cá nos acalentando no desejo da paz de que ouvimos falar na infância e jamais esquecemos. Domar pois a fera das nossas angústias e fixar para sempre o ritmo do Amor pleno, missão das longas noites de ilusão que largamos nas jornadas ao vento.

Pouco a pouco desvendamos, com isso, o enigma do ser que transportamos nos desertos deste mundo, na firme esperança de chegar aos céus do sentimento e permanecer na casa do nosso Pai e Senhor Nosso.

03 janeiro 2022

Certezas mais certas - Por: Emerson Monteiro


Quais reflexões soltas no espelho do Tempo, seguem os rios de gente e objetos, nessa ladeira longe dos reais conhecimentos da Verdade. Vagos sinais de depois, perduram só nalguns momentos o mais que sejam meras estatísticas criadas pela imaginação superficial. De certo em absoluto apenas vive nos rastros deixados fora, logo ali antes de agora. Queiram os maiorais e nem de longe registram algo que não seja a fuga disso. No entanto há que se tocar o barco, ainda porque fugir não existe aonde. E os orgulhos da raça imperam nas aves ansiosas pelas noites da história.

Querer diferente, ainda que desejemos porém que outro resultado vamos encontrar aguarda nas curvas desta condição de alimárias do Destino. As civilizações criam muitos personagens divinizados, querendo explicar o inexplicável. Existem deuses que encarnam figuras diversas e seus compromissos em ocorrências várias. A humanidade precisa que assim seja. Que leia nas lendas os valores que nunca dominam. Nisso, vagam entre os astros com as diversas interpretações, fruto das passadas vivências. Daí pede com gosto que seja diferente o que acontece adiante.

Em cada um habita pois esses autores nascidos pelas dores do parto da imprevisão. Padecem de causar espanto à busca de responder ao impossível. Prendem-se a manias, pensamentos, sentimentos, atitudes, apegos, prazeres e lutas, empreendimentos da fuga livre nos corredores de uma sequência natural de tudo. Tais fagulhas ao vento, deslizamos nas ondas desse mar, olhos postos em nós mesmos, vistos nos espelhos dos dias, o contrário do que somos na realidade pura.

Isso de juntar palavras dá nisto, numa flutuação inesperada de conceitos que regem o senso e, por vezes, impedem de a gente ver a nós próprios, achar o Eu que vê sem compreender o suficiente de acalmar o impulso desta comodidade e apurar o melhor, de clarear o império da Razão que vive no íntimo de todos, motivo do que somos e seremos sempre.

É Razoável Crer?



 
Nesta tarde, Cristo do Calvário, venho pedir-te por minha carne doente mas, ao ver-te, meus olhos vão e vem de teu corpo com vergonha.
Como vou queixar-me de meus pés cansados quando os teus estão destroçados?
Como mostrar minhas mãos vazias, quando as tuas estão cheias de feridas?
Como explicar-te minha solidão, quando estás só, pregado no alto da cruz?
Como explicar-te que não tenho amor, quando vejo teu coração rasgado?
Agora já não me lembro de nada, fugiram de mim todas as minhas dores.
O ímpeto da súplica que eu trazia afoga-se em minha boca imóvel.
Só quero pedir-te, para não pedir nada, estar aqui junto à tua imagem morta e aprender que a dor é somente a chave santa de tua santa porta.
Amém 

Postagem original: Via Mariana Bueno Lopes / No Caminho de Compostela

Reflexões sobre o bicentenário da nossa independência -- 2

 

O regime republicano promoveu perseguições aos monarquistas

    No campo das leis, tão logo foi instalado o novo Governo Provisório republicano - decorrente do golpe militar de 15 de novembro de 1889 -  este promulgou o Decreto nº 85, criando um tribunal de exceção, para julgar – em corte marcial – sumariamente, qualquer pessoa que ousasse modificar a forma de governo recém imposta ao povo brasileiro. E nas sucessivas 5 (cinco) efêmeras constituições republicanas (promulgadas em de 1891, 1934, 1937, 1946 e 1967) sempre constou uma cláusula pétrea proibindo qualquer tentativa de modificar a forma de governo republicana. A única exceção foi a atual e vigente Constituição de 1988. Veio,com esta última Carta Magna,  o indulto para os monarquistas terem liberdade de expressarem suas ideias. Os monarquistas foram, assim, os “últimos anistiados políticos do Brasil”.

     Ademais, desde os primeiros tempos do novo regime, com mais intensidade no segundo governo, chefiado pelo Marechal Floriano Peixoto, as autoridades republicanas promoveram violenta repressão à ideologia monárquica. Essa perseguição chegou a custar a vida de muitos patriotas brasileiros. Dentre eles citamos com profundo respeito:  o Almirante Saldanha da Gama (morto em Campo Osório); o Marechal Barão de Batovi – herói da Guerra do Paraguai – fuzilado com seus companheiros monarquistas no Estado de Santa Catarina. 


Acima, memória da  Revolta da Armada, movimento de rebelião promovido por unidades da Marinha do Brasil contra os dois primeiros governos republicanos do Brasil (leia-se Marechais Deodoro e Floriano Peixoto), por estes terem adotados feições de uma ditadura militar.O líder do movimento, Almirante Saldanha da Gama foi assassinado, pela tropas republicanas, na batalha de Campo Osório, no Rio Grande do Sul.

       Acrescentem-se à lista os trucidamentos perpetrados contra o Barão do Serro Azul e seus aliados, no Paraná; o Coronel Gentil de Castro, assassinado, após longa prisão, no Rio de Janeiro.  Também foram trucidadas, em ocasiões diversas, dezenas de ex-escravos negros, entusiastas da Princesa Isabel, quando saíam às ruas dando vivas à Redentora. Citamos ainda o Genocídio de Canudos, promovido pelos fanáticos republicanos no sertão da Bahia. Nesta página negra da nossa história, uma população inteira de sertanejos, fixada no vilarejo de Belo Monte (onde vivia a trabalhar e rezar) foi dizimada, nas três expedições militares consecutivas, deslocadas do Rio de Janeiro para promover esse massacre.

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

01 janeiro 2022

O Fracasso da República: No Bicentenário da nossa Independência -- a ser comemorado em 2022 -- algumas reflexões....

Marechal Deodoro da Fonseca, o "pai" da República brasileira

    
De 1822 a 1889 o Brasil foi uma nação respeitada no mundo. Em 15 de novembro de 1889, houve um golpe militar que impôs a República. Nascida através de um golpe, à revelia da vontade da população, a República simboliza os interesses de grupos e partidos, em detrimento do bem geral. Acompanhe, a partir de hoje,  dados e fatos sobre o regime republicano no Brasil.

A República em números 

Em pouco mais de 130 anos, a república acumula:


•    2 estados de sítio,
•    17 atos institucionais,
•    6 dissoluções do Congresso,
•    19 rebeliões,
•    2 renúncias presidenciais,
•    3 presidentes impedidos de tomar posse,
•    5 presidentes depostos,
•    7 Constituições diferentes,
•    2 longos períodos ditatoriais,
•    9 governos autoritários.

 Na Monarquia o Brasil era um país de Primeiro Mundo. Veja nossa posição hoje

Segundo este ranking, num total de 167 países, o Brasil está entre as piores posições em Capital Social (133º posição), Segurança (111ª) e Qualidade da Economia (102ª). Nos itens Educação, Saúde e Qualidade de Vida, que são frequentemente usadas como "prioridades" pelos políticos brasileiros, o Brasil ocupa 90ª, 58ª e 63ª posição, respectivamente. Nem mesmo para investidores e empresários o Brasil representa um local seguro, ficando na 98ª posição no ranking num total de 167 países avaliados.

Segundo o IPC, que é o principal indicador de corrupção no setor público do mundo, o Brasil, "em 2019, manteve-se no pior patamar da série histórica do Índice de Percepção da Corrupção, com apenas 35 pontos". Neste ranking, 0 significa que o país é percebido como altamente corrupto e 100 significa que o país é percebido como muito íntegro. Com 35 pontos, o Brasil ocupa a 106ª posição num total de 180 países e territórios avaliados.

 Fonte: Site Monarquia Já

Postagem de Armando Lopes Rafael

A morte da Imperatriz Thereza Christina

 A 28 de dezembro de 1889, somente quarenta dias após a Família Imperial Brasileira ter sido injustamente banida de nossa Pátria, em função da quartelada republicana de 15 de novembro daquele ano, faleceu em um hotel na Cidade do Porto, em Portugal, a Imperatriz Dona Thereza Christina, aos 67 anos de idade.

    Em seus últimos instantes de vida, Dona Thereza Christina confidenciou à Baronesa de Japurá, sua dama de companhia:
– Maria Isabel, eu não morro de doença. Morro de dor e de desgosto.

     O historiador Max Fleiuss afirma:
“Costuma-se dizer que o dia 15 de novembro foi uma revolução incruenta, feita com flores. Houve, porém, pelo menos uma vítima: a Imperatriz.”

Fonte: Leopoldo Bibiano Xavier, no livro: “Revivendo o Brasil-Império”. 1º edição, São Paulo. Artpress, 1991, páginas. 160-161.

 


31 dezembro 2021

Postagem de reflexão no último dia de 2021: A primeira poetisa negra dos EUA

 

    Um resumo sobre a história de uma mulher, sobre a qual vale a pena sabermos mais!  
“Chamava-se Phillis, porque era o nome do navio que a trouxe, e Wheatley, que era o nome do comerciante que a comprou. Ela nasceu no Senegal.

   Em Boston, os traficantes de escravos colocaram-na à venda:
-Ela tem sete anos! Ela vai ser uma boa égua!
    Ela foi tocada, nua, por muitas mãos.

    Aos treze anos, já escrevia poemas numa língua que não era a sua.
Ninguém acreditava que ela era a autora. Aos vinte anos, Phillis foi interrogada por um tribunal de dezoito cavalheiros iluminados de toga e peruca.

    Ela teve que recitar textos de Virgílio e Milton, algumas passagens da Bíblia, e também teve que jurar que os poemas que havia escrito não eram plagiados. De uma cadeira, ela fez seu longo exame, até que o tribunal a aceitou: ela era uma mulher, ela era negra, ela era uma escrava, mas ela era uma poetisa.

      Phillis Wheatley, foi a primeira escritora afro-americana a publicar um livro nos Estados Unidos"

Fonte: Rosicler Moraes E Souza via “Grandes Mulheres Que Marcam a História”
@projetomemoria
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Postagem: Armando Lopes Rafael

Curiosidade: como surgiu a palavra “escrúpulo”

     Os dicionários definem “escrúpulo” como: Essência moral; caráter virtuoso: sempre se comporta com escrúpulo; Comportamento cuidadoso; excesso de zelo, meticulosidade: a análise do livro foi feita com muito escrúpulo; Condição que demonstra dúvida ou hesitação sobre se adequar ou agir de determinado modo: o prefeito falava sem escrúpulo; Estado de apreensão sobre o que é bom ou ruim; receio de errar ou de se enganar: escrúpulo religioso.

     Mas você sabe como surgiu a palavra “escrúpulo”?


    Em latim ′′ escrúpulum ′′ designava uma pequena pedra afiada. Ela costumava dar problemas aos legionários romanos durante as suas longas caminhadas. Pequenas pedras entravam nas suas caligae, sandálias abertas, entre a sola e o pé, causando desconforto recorrente.

    Os ′′ escrúpulos ′′ colocavam então os legionários perante uma escolha: sofrer continuando em frente, ou parar para a tirar, correndo o risco de diminuir a marcha da coluna e sofrer as repreensões dos seus superiores.

    Pouco a pouco, a expressão ′′ ter escrúpulos ′′ saiu do campo militar para se referir a qualquer interrogação sobre a conduta a adotar.

    Tribunas, generais, senadores que iam a cavalo ou eram carregados de cama, assim como os poderosos de hoje não tinham escrúpulos.”


Fonte: José Albuquerque via Guilherme Duarte\Arte, Cultura e História
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30 dezembro 2021

Assim é que tem que ser - Por: Emerson Monteiro


Uma flor cai, embora nós a amemos; e uma erva daninha cresce, embora não a amemos... Desta forma nossa vida deve ser entendida. Então não há problemas. Suzuki Rosh

Desde sempre que se busca demonstrar que há outro universo que não este universo visível. Por mais seja dito, persiste a dúvida quanto à vida após a morte, que quem foi nunca voltou para dizer, no entanto sobejam os médiuns que dão as notícias do além, escrevem livros, cartas, manifestam suas falas, seus segredos, etc.

Existem fenômenos que ocorrem sempre, inclusive impulsionam a civilização, porém não são tão visíveis, a energia elétrica, por exemplo. Que há um mundo paralelo a este insistem os cientistas a demonstrar. Seguem as dúvidas, no entanto.

O mundo onde vivemos, a máquina psíquica que somos, funciona sem parar e moramos dentro dela, em constante movimento de energia e formas. A música que toca nossos ouvidos, também invisível, domina o éter e quedamo-nos extasiados. O sabor, invisível. O olfato, invisível. O tato, invisível. De visível mesmo só a visão, entre os cinco sentidos. E de todo, impossível duvidar das abstrações dos acontecimentos em volta.

Que existe um poder depois de tudo, que equilibra o Cosmos, a quem resta duvidar?! À audácia dos que mantém a certeza da dúvida em todos os quadrantes, permissão do pensamento e das palavras. Espécie de dúvida sistemática, qual dizem, por adoção tocar adiante o barco dessa vida humana que envolve questionar de ofício. Um direito, quiçá um dever.

Contudo, que poder temos, pois? De duvidar é insuficiente a contrariar o argumento maior da continuidade do mistério em ação, todo tempo. Habitamos a máquina mais perfeita que existe e dela desconhecemos as mínimas equações.  Ainda que seja deste modo, nada resta senão baixar a cabeça e concordar que, na verdade, muito pouco sabemos da real inteireza das existências de que somos parte e função.  

28 dezembro 2021

As fronteiras da Razão - Por: Emerson Monteiro


Entre esta uma vez e todas as outras, nesse tabuleiro estreito da terra de ninguém, lá onde impera só o êxodo das civilizações de papel, ali moram os bruxos. Eles, seres estranhos, irreais, que carregam sacos de quinquilharias, sobras de refeições dos pássaros noturnos, asas de morcegos, cascas de árvores carcomidas, extintas, chás das ervas fantasmagônicas, perfumes exóticos, garras de animais retorcidas em noites de lua nova; tudo, por fim, que diga respeito aos mistérios das sombras adormecidas. Arrastam consigo crenças disso, num absoluto que de há muito deixou de existir nos seus mesmos corações empedernidos pela sorte agoureira, vã. Assim eles tangem seu rebanho das ilusões de viver na força dos poderes inexistentes, porém que vivem numa intensidade inimaginável dentro das cavernas escuras, e aferretam o corpo sadio das verdades deixadas cá neste mundo pelos místicos que sofreram a síndrome da perfeição e sobrevivem pelos céus.

Vemos isso a cada segundo que se extingue nas dobras dos fins das tardes bonitas do Sertão. Esses encapuzados seres que transitam ao som dos derradeiros cantos das aves do Paraíso e soltam lamentos de quem sumirá pela escuridão feitos rebotalhos de exércitos derrotados nas guerras de perpetuação das espécies abstratas. Vê quem quer e alimenta esse desejo transcendente de resistir às maldições dos que desaparecem tão logo a luz refaça na claridade das manhãs.

Vivem cheios disso, das flores do esquecimento, das relíquias dos santos que contiveram a ação devastadora do tempo. São eles os dias em sua fome voraz de triturar os anseios, que contam as lendas maravilhosas de todo instante; guardam de tudo um pouco, na trilha das almas em movimento, sem, igualmente, querer presenciar o que as memórias insistem dizer pelas estradas dos sóis.

As melhores lembranças viram, pois, trastes empoeirados nas prateleiras das casas abandonadas, tomadas por entes vazios, deixados apagados nas lareiras do transitório, que de lá nunca voltaram. Recordações, saudades, apegos que foram embora e perderam aqui suas tais quimeras de contos esquecidos em reinos bem distantes e eternos.   

Registros históricos - Por: Emerson Monteiro


Hoje à tarde, em conversa com Gabriel, meu neto, vim a conhecer esta história da Segunda Grande Guerra, página dolorosa da Humanidade, episódio que fui pesquisar e aprofundar, que trata do seguinte acontecimento:

Sabe-se na história que o efetivo brasileiro entrou na luta junto das tropas aliadas no dia 02 de julho de 1944, incorporadas ao 5º. Exército dos Estados Unidos, data em que embarcaram 25 mil dos nossos soltados com destino à frente da Itália. No fragor da batalha, a FEB – Força Expedicionária Brasileira, cumpriria das mais cruentas missões, dentre essas a tomada de Montese, Fornovo e Monte Castelo.

Diante da tomada de Montese foi que ocorreu a história que quero aqui contar, isto quando três soldados brasileiros, em patrulha no campo daquela região, deram de cara com nada menos uma companhia inteira do Exército alemão, algo em torno de 100 homens, e não aceitaram a rendição, partindo para o confronto direto, sem outra alternativa que fosse existir, encararam com denodo a contingencia. Era o dia 14 de abril de 1945. Assim, eles resolveram defrontar o inimigo, pelejando até o derradeiro cartucho de munição, sendo em consequência eliminados pelos soltados alemães.

A coragem dos brasileiros, no entanto, impressionou sobremaneira até o comandante germânico, que ao enterrá-los apôs sobre a cova uma placa com os dizeres Drei Brasilianische Helden, Três Heróis Brasileiros.

Eram seus nomes: Geraldo Baêta da Cruz, de 28 anos, vindo de Entre Rios de Minas, Geraldo Rodrigues de Souza, 26 anos, natural de Rio Preto na Zona da Mata, e Arlindo Lúcio da Silva, de 25 anos, proveniente de São João del Rey.

Eis uma das tantas páginas que honram a nossa Pátria e demonstram o brio de nossa gente altiva e trabalhadora, de que jamais devemos nos esquecer.

27 dezembro 2021

A lenda do quarto Rei Mago - Por Emerson Monteiro


Essa história circula na humanidade desde os primeiros tempos do Cristianismo e mais recentemente veio trazida à literatura pelo escritor holandês Henry van Dyke. Aborda a existência de um rei oriental que também soube que Jesus nasceria em Belém e seguira a Estrela no rumo da Judeia. Levava consigo rico tesouro em pedras preciosas.

Ao decorrer da caminhada, porém, dado encontrar pessoas carentes pelos caminhos, cuidou de atendê-las com fraternidade (E este Rei Mago os assistiu com alegria e diligência, deixando a cada uma delas uma peça de valor), gastou com isso parte do rico tesouro e os dias necessários a que chegasse no momento certo de encontrar o Filho do Homem e os outros reis junto da Manjedoura. Jesus e seus pais já haviam fugido para o Egito face à perseguição do Rei Herodes.

O sábio, no entanto, seguiu a procurá-lo. Sempre tinha notícias da presença do Divino Mestre onde quer que passasse.

Nisso transcorreram algumas décadas. Lá um dia, em Jerusalém, presenciou Jesus sendo julgado e condenado, e avistou ser Ele pregado na cruz aos apupos da multidão enfurecida. Macerado pelas dores que presenciava, então se rendeu ao desânimo e se reconheceu à inutilidade de sua longa jornada.

Ainda permaneceria em Jerusalém, exausto e alquebrado, já sentindo próximo o seu final. Lá certa noite, no alojamento em que dormia, notou intensa uma claridade semelhante à luz de mil sóis, quando viu chegar a figura magnânima do Cristo. Ajoelhado aos seus pés, ainda tinha guardado consigo uma das joias que tão carinhosamente trazia, a oferecer ao Mestre.

Em pranto de dor, carinhosamente pediu perdão de não haver vindo a tempo de avistar o Menino Deus nas flores perfumadas da manjedoura.

Foi então que Jesus lhe dissera:

- Você não falhou, meu filho. Pelo contrário, me encontrou por toda sua vida. Quando eu estava nu, você me vestiu. Eu estava com fome e me deu o alimento. Eu estava com sede e me deu com que mitigar a sede. Fui preso e me visitou. Bem, eu estava em todas as pessoas pobres que você assistiu no seu caminho. E muito agradecido por tantos presentes de Amor que meu oferecia naquelas ocasiões! Agora, você estará comigo para todo o sempre, porque dos Céus vem o meu reconhecimento e sua recompensa. 

26 dezembro 2021

Monsenhor Rubens Gondim Lóssio, um grande benfeitor de Crato -- por Armando Lopes Rafael (*)

 

   Ele foi um homem notável. Um intelectual brilhante. Um sacerdote que deixou marcas por onde passou. Sua produção literária – original e profunda – atesta o seu valor.

   Rubens Gondim Lóssio nasceu na cidade de Jardim, Ceará, no dia 27 de maio de 1924, filho legítimo de Júlio Lóssio e Eleonor Gondim Lóssio. Fez o curso de humanidades no Seminário São José do Crato e o de Filosofia e Teologia no Seminário da Prainha, em Fortaleza. Ordenou-se Sacerdote Católico, no dia 20 de dezembro de 1947. Foi Cura da Sé Catedral de Crato e professor da Faculdade de Filosofia do Crato (embrião da atual Universidade Regional do Cariri–URCA) e de vários Colégios de Crato. Pertenceu ao Instituto Cultural do Cariri tendo sido o primeiro ocupante da Cadeira Dom Francisco de Assis Pires, naquela instituição.

Algumas realizações feitas na Catedral 

       Até o início da década 1950, a nossa vetusta catedral era um templo escuro e feio. Ao assumir a função de Vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha e Cura da Catedral, Mons. Rubens Gondim Lóssio construiu os dois braços do prédio (o da direita e o da esquerda) ampliando o espaço interno daquela igreja. Também procedeu à reforma do altar-mor da catedral.. Comprou novos bancos para aquele templo e dotou nossa principal igreja do bonito aspecto que ela hoje possui.

   No curato do Mons. Rubens foram construídas:

– A capela de Nossa Senhora das Graças
    O altar desta capela foi confeccionado, em 1952 – por iniciativa do Monsenhor Rubens Gondim Lóssio – em marmorite na cor marfim, por encomenda junto à Marmoraria Raia, da cidade de Fortaleza. Já a imagem de Nossa Senhora das Graças, também foi adquirida por Mons. Rubens e está colocada sobre um suporte na parede, acima do altar. Sob a mesa do altar fica um desenho, em alto relevo, das duas faces da Medalha Milagrosa. 

– A capela de Nossa Senhora de Fátima   
   Também construída por monsenhor Rubens Gondim Lóssio, cujo altar é de mármore branco, tendo por base uma placa de mármore preto. Na base do altar foi colocado um desenho de bronze representando o Coração Imaculado de Maria, cercado de espinhos. Pontifica nessa capela uma belíssima imagem de madeira, de Nossa Senhora de Fátima, medindo cerca de um metro de altura. Esta escultura foi esculpida em Portugal, em 1954, por Guilherme Thedin, o mesmo escultor da imagem-peregrina da Virgem de Fátima, que percorreu os cinco continentes, na década de 1950. Para a confecção dessa imagem – ofertada à catedral pelo Sr. João Bacurau – Mons. Rubens mandou de Crato para Portugal um toro de cedro. Esta capela foi inaugurada, em 8 de dezembro de 1955.

– A capela de São José
   Outra construção, feita no curato do Monsenhor Rubens Gondim Lóssio foi a Capela de São José, inaugurada em 1962. Essa capela guarda semelhança com a de Nossa Senhora de Fátima. Também o altar dessa capela é de mármore branco, tendo por base uma placa de mármore preto. O mesmo material, com a mesma cor, foi utilizado no piso da capela. Uma belíssima imagem, em tamanho natural, de São José, adquirida por Mons. Rubens, ainda hoje pontifica sobre o altar.

– Os altares laterais da catedral construídos no curato de Mons. Rubens
      Nos corredores laterais da Sé de Crato foram construídos dois altares de alvenaria, com base de marmorite. O da esquerda é dedicado a Santa Teresinha do Menino Jesus, e o da direita, a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

O escritor
   Mons Rubens Gondim Lóssio escreveu e publicou os seguintes trabalhos: “O desafio da Universidade nova”, 1971; “A serviço da palavra sob o impacto da mudanças”, 1973; “UNICAP em resposta ao desafio do Nordeste”, 1973; “Caracterização geral dos candidatos ao vestibular unificado”, 1977; “Ensino superior em Pernambuco: sistema de acompanhamento”, 1970; “Nossa Senhora da Penha de França: padroeira do Crato”, 1961; “Renúncia à Catedral e Paróquia de N. S. da Penha”; 1969, e diversos outros trabalhos publicados em revistas científica, seminários, encontros e reuniões.
    Recebeu “Menções Honrosas”, Diplomas, Certificados e Medalhas pelos relevantes serviços prestados à educação e à sociedade dos Estados de Pernambuco e do Ceará.

Algumas de suas iniciativas na comunidade
    Mons. Rubens era um espírito dinâmico e empreendedor. Dotado de cultura invulgar foi um homem querido, admirado e respeitado pela comunidade cratense. Sua passagem entre nós deixou rastros inapagáveis. Deve-se a ele a mudança de alguns nomes dos atuais distritos do município de Crato. Citemos alguns: o então povoado Ipueiras foi denominado oficialmente  de Dom Quintino, em homenagem ao primeiro Bispo de Crato. A antiga vila Conceição recebeu o nome de Santa Fé. Já a localidade Passagem das Éguas teve sua denominação mudada para Monte Alverne. Todos são progressistas distritos de Crato. Na área citadina, o antigo bairro Rabo da Gata, graças a iniciativa do Mons. Rubens passou a ser chamado oficialmente de Alto da Penha.

Outras iniciativas

    Mons. Rubens adquiriu algumas casas (existentes no fundo da catedral) demoliu-as e lá construiu salas para reuniões e um amplo auditório, tudo incorporado ao edifício da Igreja-Mãe da Diocese de Crato. Este auditório, por iniciativa do penúltimo Cura da Catedral – Pe. Francisco Edmilson Neves Ferreira – (hoje Bispo de Tianguá-CE) recebeu o nome de “Auditório Mons. Rubens Gondim Lóssio”. Justa homenagem.

     Vale registrar que, ainda por iniciativa do Mons. Rubens, foi confeccionado – em 1954 – um belíssimo monumento de bronze, para assinalar a promulgação do Dogma de Assunção de Nossa Senhora, pelo Papa Pio XII, o qual foi colocado na Praça da Sé. No ano anterior – 1953 – Mons. Rubens havia mandado erigir outro pequeno monumento, este comemorativo à passagem da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, em Crato. Este pequeno monumento encontra-se até hoje no jardim do lado direito da Catedral de Nossa Senhora da Penha.

     Ao tempo que foi Vigário e Cura da Catedral de Crato, Mons. Rubens manteve atualizado o "Livro de Tombo", lá escrevendo todos os registros da sua dinâmica administração, quer na área pastoral, quer na  social, bem como registrando suas pesquisas feitas  sobre a história religiosa de Crato.

 Sua saída de Crato
    Desgostoso com o desmembramento feito na Paróquia de Nossa Senhora da Penha, a qual ficou reduzida a poucos quarteirões no centro de Crato, em 1969, Mons. Rubens deixou a Diocese do Crato e fixou residência na cidade de Recife, Pernambuco, onde veio a ocupar o cargo de Magnífico Reitor da Universidade Católica de Pernambuco, de janeiro de 1971 a janeiro de 1978.

     Sobre seus últimos dias, o cronista Antônio Morais escreveu, recentemente, que ele pediu dispensa do estado clerical e, depois de obtida essa permissão, casou no dia 22/12/1978 com a pernambucana Vitória Maria Leal. Do seu casamento nasceu, em 13 de maio de 1980, uma filha, registrada pelo nome  Delame Maria Leal de Lóssio. 

    Rubens Gondim Lóssio faleceu em Recife, em 04 abril de 2005, legando aos pósteros o exemplo de um cidadão honesto e inteligente, profundamente devotado ao serviço da comunidade. Ainda hoje seu nome é lembrado com profundo respeito pela comunidade cratense, a quem serviu com competência e idealismo, por várias décadas da sua profícua existência.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA).

Quantas perguntas e o mundo - Por: Emerson Monteiro


Se a ciência quer ser verdadeira, / Que ciência mais verdadeira que a das cousas sem ciência? 
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Tempos de rigidez ao sol do meio dia, eis o tanto que nos caberia tocar adiante e viver cada vez mais com gana a intensidade dos valores eternos, ao sabor das profecias e dos deuses. Época esquisita quais esquisitas foram todas as épocas e todas as vezes em que a história das imprevisões foi narrada em volta das fogueiras, nas horas das mil desatenções dos homens e das máquinas, e de todas suas tradições arrevesadas.

Na verdade, a existência de tudo nada representaria além da formação das nuvens pelos céus da consciência humana em um mero jogo de claro escuro entre partes alucinadas, em noites de ambição. Bandos de hienas soltas nas matas do desespero de que nada há de conhecer além do fim que lhes aguarda nessa comédia bufa e seus desejos e ambições.

...

Sempre que as palavras querem, assim, tomar e despejar o fel dos instintos e desesperos, acalmo, pois, os pensamentos e peço que compreendam a fome de viver de todos, também dos insetos, das lesmas e dos gigantes. A vontade que o sentimento impõe, nesse querer insano da falta de amor, de sonhos bons, trazer a intenção de saber o quanto é necessário acreditar na melhor sorte dos dias que vêm ao sabor das manhãs ensolaradas, donde nascem os mistérios de sorrir e ouvir do silêncio as confidências de que tudo anda no melhor dos mundos, e somos seus passageiros em movimento pelas fantasias que criam pássaros e flores sempre.

Das certezas que persistem, face ao que até hoje aconteceu em todos os lugares e nas florestas do passado, nada representa em vista da verdade real, a não ser que sustentemos a condição de parceiros dessa agonia em invenção que chamam vida. Ampliar o senso nos nossos passos e abraçar de vez o Infinito. Veja então o que resta fazer, e durma em paz no seio doce da divina Criação.

24 dezembro 2021

Ao Menino Jesus – por José Luís Lira (*)

     Penso que só na infância me dirigi ao “Papai Noel”, figura inspirada em São Nicolau. Algum pedido de criança, influenciado pela mídia. Depois que tomei real consciência, é a Vós que me dirijo, a verdadeira e central figura do Natal que é Vós: o Menino Jesus.

   Meu caro e querido Menino Jesus, quando cresceste, disseste: “Deixai vir a mim as criancinhas porque delas é o Reino dos Céus”. Há alguns anos ouso escrever-Vos. Não o trato com a cerimônia que deveria dispensar, mas, ainda assim, muito respeitosamente. Nestes dias celebraremos vosso Natal e o novo ano ao qual sempre almejamos dias melhores. 

   O livro do Martirológio cristão estabelece no dia 24 de dezembro a “Comemoração de todos os santos antepassados de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão, filho de Adão, isto é, dos patriarcas que agradaram a Deus e foram encontrados justos, os quais, sem terem obtido a realização das promessas, mas vendo-as e saudando-as de longe, morreram na fé: deles nasceu Cristo segundo a carne, que está sobre todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos”.

   O mesmo Martirológio registra dia 25, “Passados inumeráveis séculos desde a criação do mundo, quando no princípio Deus criou o céu e a terra e formou o homem à sua imagem; depois de muitos séculos, desde que o Altíssimo pôs o seu arco nas nuvens como sinal de aliança e de paz; vinte e um séculos depois da emigração de Abraão, nosso pai na fé, de Ur dos Caldeus; treze séculos depois de Israel ter saído do Egito, guiado por Moisés; cerca de mil anos depois que David foi ungido rei; na semana sexagésima quinta, segundo a profecia de Daniel; na Olimpíada cento e noventa e quatro; no ano setecentos e cinquenta e dois da fundação de Roma; no ano quarenta e dois do império de César Octávio; estando todo o orbe em paz, Jesus Cristo, Deus eterno e Filho do eterno Pai, querendo consagrar o mundo com a sua piedosíssima vinda, concebido pelo Espírito Santo, nove meses depois da sua conceição Augusto, nasceu em Belém de Judá, da Virgem Maria, feito homem: Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a carne”.

   O linguajar talvez seja complexo para uma criança, mas, sei que Vós sois criança diferenciada. Sois Deus-Menino e sentimo-nos amparados junto de Vós e desejamos que aquela Luz que brilhou em Belém que é Vós, ilumine todo o mundo, nos traga o fim dessa pandemia, a paz, o apoio aos que necessitamos sempre de Vós!

   E quando na Santa e Abençoada Noite de Natal entoarmos a canção de Franz Gruber, façamos com corações confiantes: “Noite feliz, noite feliz/ Oh Jesus, Deus da luz/ Quão afável é o Teu coração/ Que quiseste nascer nosso irmão” e nos façais assimilar Vossos ensinamentos, o que me faz recordar outra canção, diria prece, do Pe. Zezinho, tão atual nos nossos dias: “Tu que foste criança Jesus/ E sofreste a pobreza também/ .../ Ensina os que mandam no mundo/ Por onde recomeçar”.

   Nestes tempos confusos, meu querido Menino Jesus, Vós sois além de nossa Salvação, nossa Esperança e que a esperança, a paz, o amor, a saúde e a prosperidade estejam sempre nos corações dos homens de boa vontade!

   Que 2022 seja de calor, a quem sente o frio da falta de lar; do amor a quem não é amado; da piedade e da misericórdia a todos!

   Hosana, Filho de Deus!
   Gratidão!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


23 dezembro 2021

Há um mistério no dizer - Por: Emerson Monteiro


Nessa vontade que a gente alimenta de querer dominar o impossível, vez em quando resta suportar os rigores das limitações do pequeno e do grande que já o somos. Daí vem aquilo de a gente pensar que diz o que esteja dizendo e que o outro pensa ouvir o que esteja ouvindo, na distância quilométrica das duas paredes que se interpõem na comunicação dos seres humanos. Lao-Tsé afirma que o verdadeiro Tao é indizível. E que o que é dito não é o verdadeiro Tao (Tao, a razão e fonte encontrada em tudo o que tem existência no mundo. www.dicio.com.br).

Bem estas as circunstâncias do processo da Comunicação que nos vemos a ele submetidos todo momento, inclusive, da gente com a gente mesma. Quais dois eus, em constante busca de compreensão, sofrem-se nisto conflitos monumentais. O resumo da história da raça vale tais confrontos de consequências dolorosas tantas vezes. Causa principal dos resultados diários da existência, esse improviso domina todas as instituições e ocasionam marasmos e pelejas. Quando, no entanto, haverá outros resultados que mereçam frutos melhores eis o império da razão.  

Desde sempre vem sendo deste modo, tais pratos de uma balança cósmica em constante oscilação, as teses filosóficas provam sobejamente o conflito das gerações consigo próprias. Hegel traz a dialética de Tese/Antítese, que geram a Síntese, uma nova tese, que enfrentará nova antítese, de que sucederá nova síntese. O Mal e o Bem, das religiões maniqueístas. O Inferno e o Céu, dos místicos. A Sombra e a Luz. A Lua e o Sol. O ego e o Eu superior. Anticristo e Cristo.

Porém nisso habita a fonte do equilíbrio universal de que somos fontes,  instrumentos e coautores, dentro da ciência da perfeição absoluta, tão logo identifiquemos o Eu verdadeiro, o fiel desta balança fantástica, nossa origem definitiva. A isto nos vemos e porfiamos à busca da harmonia dos contrários pelo sentimento puro e fiel do Amor, única fonte do Silêncio e da Paz. Isso tudo no simples dizer...

(Ilustração: Um baobá de mil anos).

22 dezembro 2021

Os doces percentuais da sorte - Por: Emerson Monteiro


A isso que também chamamos de livramentos, em que tantos falam e que nos ocorrem à medida que defrontamos situações extremas e delas saímos ilesos quais miraculadas criaturas aos cuidados de forças ainda desconhecidas. Todos têm inúmeros momentos de que lembrar, quando o tempo fechara e, de uma hora a outra, surgem meios de permanecer livres dos dessabores do tempo. Ocasiões várias são desse jeito.

Ao furor permanente da Justiça suprema, existem as ocorrências do movimento que a tudo rege. Sem sombras de dúvidas, a quem queira ver e sentir existe uma perfeita concatenação de fatores que gera o Infinito. Numa ordem mais que matemática, cresce o vento e balança o mar, e novas chances vêm aos céus de quem merece.

Bem isso de merecer, qual diz a população, fazes por ti que os Céus te ajudarão. Daí o senso de justiça que domina os acontecimentos mundiais e individuais.

Pois o Poder maior a tudo pode. Nisso vem de perguntar: - O que deduzem das leis do Universo aqueles que teimam e as confrontam na maior sem cerimônia? O que se passa no íntimo secreto daqueles que agem ao bel prazer das satisfações pessoais, tais fossem autores particulares da ordem que movimenta o Cosmos? Bom, paro e fico examinando a mim mesmo, que tantas vezes foco apenas em mim os interesses e esqueço os momentos e o senso. Então, segundo as Escrituras Sagradas, disponho nas mãos essas sementes de frutos bons e as escondo. A semeadura é livre. A colheita, obrigatória. Ouvimos quantas vezes e ignoramos essa Verdade.

Diante desse território do tempo nas vidas, o Eu é o presente, porquanto o passado passou e o futuro ainda não existe. Aqui, neste exato instante imperam todas as possibilidades dos acertos, enquanto muitos dormem sob o manto escuro da desatenção e da ausência de Luz.

É isto, ficam essas poucas palavras aos poucos que param nos textos e buscam sentido nestas parcelas do Tempo que nos são determinadas a que alimentemos Esperança e Fé, e que colhamos Alegria e Paz na consciência.

(Ilustraçao: A persistência da memória, de Salvador Dali).