18 outubro 2019

Bem dentro de mim - Por: Emerson Monteiro


Nesses corredores daqui de dentro, entre painéis e luzes incessantes, vou mundo afora rumo desses desconhecidos enigmáticos do futuro. Tanjo os sonhos quais folhas soltas viradas no calendário do Destino. Por vezes, prego peças a mim mesmo, diante dos desejos de ser feliz. No entanto, de comum, busco incessante as fagulhas que iluminem erros do passado, isso através dos espasmos da religiosidade, que mantêm intacto o instinto de sobrevivência durante todo tempo. São aos deuses gravados nos tais painéis que ilustram as salas e os corredores que recorro nos momentos de solidão, a bater nas portas da escuridão que pede luz.

Quase que adormecido sob os ponteiros do relógio das horas, insisto em contar as histórias da tradição de quantos nos trouxeram até hoje nos braços estafados de depois, e resistimos a qualquer preço, no mercado das condições humanas. Firmo pés nos barrancos escarpados e transmito aos outros o poder de alimentar antigas visões. Conquanto dotado dos meios necessários a reviver, nas manhãs, os ideais que morreram na véspera, nalguns amanheceres ainda doem as cicatrizes dessa batalha de viver.

Há, igualmente, o pulsar pertinente do coração, olhos postos no amor das criaturas, talvez o valor inestimável que arrasta todos aos campos de produção. Cercados de espiões da vigilância, somos espécies de trabalhadores forçados da lide imensa. Desconfiados, apressados e submissos, cabeças baixas às determinações do inexplicável, cá iremos nós ao foco dos céus. Sísifos a rolar pedras ao cimo das montanhas, silenciosos, presenciamos nascer o Sol e deixamos escorrer o suor das almas rios abaixo, nas ladeiras do Universo.

A isso, porém, de amar e ser amado, eis a única razão de ser e estar em quaisquer das circunstâncias. De nada adiantaria o que quer que fosse não existisse amar e ser amado, viver e continuar em frente, face as bordas do abismo e das eras.

13 outubro 2019

FIQUE POR DENTRO ! Por Maria Otilia

 A EEF Dom Quintino, utilizando este espaço maravilhoso do Blog do Crato, vem divulgar para toda a comunidade , que está entre as 15 escolas da rede municipal do Crato, que terão alunos e professores premiados, por obterem bons indicadores nas provas da Avaliação Externa do SPAECE 2018 (Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará). Todas as escolas que serão premiadas, estão divulgadas no Diário Oficial do Município do Crato.
E para nossa comunidade escolar Dom Quintino, é muito importante este premio por se tratar da valorização  do trabalho de todos os envolvidos, mas em especial  os professores e estudantes . Valendo ressaltar  também nossa gratidão para toda a equipe da SME,que tão bem nos acolheu desde o ano de 2018 e atualmente  nas pessoas da professora Germana Brito ( Secretária de Educação) e Tamy Ferreira  (Secretária Adjunta), por todo o apoio necessário para com a nossa escola 
. Posto abaixo um pequeno resumo extraído do site da Prefeitura, de que se trata a Lei/Decreto que institui a premiação para escolas com melhores resultados no SPAECE. .

 Decreto Nº 1110001/2019 - GP que regulamenta a Lei n° 3.574/2019 de 03 de julho de 2019.

A referida lei foi proposta pelo Executivo Municipal, Prefeito José Ailton Brasil, visando estimular a melhoria da qualidade da educação básica nas escolas da Rede Pública Municipal de Ensino e, nesse mister, reconhecer os resultados obtidos nas avaliações do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará - SPAECE.
A discussão sobre a conveniência de se instituir uma premiação para alunos, professores, professores formadores da equipe MAIS PAIC, servidores técnico-administrativos, núcleos gestores e escolas das turmas de 2° ano, 5° ano e 9° ano, teve início em 2017, e o projeto n° 2017.0601.018 foi cadastrado no Sistema de Monitoramento de Acompanhamento dos Projetos Prioritários – MAPP da administração municipal.
A premiação não conta para a composição dos vencimentos dos servidores, não estabelecendo, portanto, diferenciação vencimental no seio das categorias funcionais. Trata-se de um prêmio, cuja inciativa representa um marco importante para a Educação Municipal no tocante à valorização dos principais agentes responsáveis pelo bom êxito educacional.
      
         #somosprotagonistasdaeducação

12 outubro 2019

Como surgiu o Reino de Portugal – por Armando Lopes Rafael



Batalha de Ourique -- 25 de julho de 1139

      Em Portugal, a figura de Dom Afonso Henriques assume o papel de formador inicial da nação lusitana, sendo, portanto, chamado de Fundador de Portugal. Esta nação nasceu de uma aparição de Jesus Cristo ao então conde de Portugal, Dom Afonso Henriques. Este, após o episódio, foi aclamado como o primeiro rei português.

     Naquela época os habitantes do então condado Portucalense (ainda não existia a nação portuguesa), em geral, tinham uma mentalidade bastante religiosa e uma forte devoção a Maria Santíssima, lá chamada carinhosamente de Santa Maria.  Existia, apenas, o condado de Portugal, uma espécie de feudo no extremo da Península Ibérica, o qual foi invadido pelos mouros. O Conde Afonso Henriques estava acampado numa localidade conhecida por Ourique. Estava prevista para a manhã seguinte a batalha definitiva contra os mouros invasores. Transcrevemos abaixo parte de um artigo escrito pelo atual Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Chanceler Ernesto Araújo:

“Na noite antes da batalha de Ourique, em 25 de julho de 1139, Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu numa visão a Dom Afonso Henriques, então ainda conde de Portugal, que se preparava para enfrentar cinco reis mouros contra ele coligados. Conta Afonso Henriques, num relato possivelmente autêntico, registrado alguns anos depois:

“E subitamente vi, à parte direita, contra o nascente, um raio resplandecente, indo-se pouco a pouco clarificando; cada hora se fazia maior. E pondo de propósito os olhos para aquela parte, vi, de repente, no próprio raio, o sinal da cruz mais resplandecente que o sol, e um grupo grande de mancebos resplandecentes, os quais, creio que seriam os Santos Anjos. Vendo, pois, essa visão, pondo à parte o escudo e a espada, me lancei de bruços e, desfeito em lágrimas comecei a rogar pela consolação de seus vassalos, e disse sem nenhum temor.

"– A que fim me apareceis, Senhor? Quereis, porventura, acrescentar fé a quem já tem tanta? Melhor é, por certo, que vos vejam os inimigos, e creiam em vós, que eu, que desde a fonte do Batismo vos conheci por Deus verdadeiro, filho da Virgem e do Padre Eterno, e assim Vos reconheço agora.
E continua o depoimento de Afonso Henriques:

"A cruz era de maravilhosa grandeza, levantada da terra quase dez côvados. O Senhor, com um tom de voz suave, que minhas orelhas indignas ouviram, disse:

" – Não te apareci deste modo para acrescentar tua fé, mas para fortalecer teu coração neste conflito. E fundar os princípios de teu reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha, mas todas as outras em que pelejares contra os inimigos de minha Cruz. Acharás tua gente alegre e esforçada para a peleja; e te pedirá que entres na batalha com o título de rei. Não ponhas dúvida, mas tudo quanto pedirem, lhes concede facilmente. Eu sou fundador e destruidor dos reinos e impérios, e quero em ti, e em teus descendentes, fundar para Mim um império por cujo meio seja Meu Nome publicado entre as nações mais estranhas.”

Afonso Henriques foi proclamado Rei no campo de batalha e triunfou. Graças à sua fé e sua espada estamos aqui, e conhecemos o nome do Salvador. “E aquele que conhece o meu nome, eu também conheço o seu nome”, diz um texto cristão dos primeiros séculos”.

Antiga bandeira do Reino de Portugal

11 outubro 2019

Em procissão, em romaria... – por José Luís Lira (*)


  
   O título dessa coluna é o início do cântico “Lá no Altar de Aparecida”, do Pe. Zezinho. E segue o grande sacerdote, “... romeiro ruma para a casa de Maria. Em procissão feliz da vida, romeiro vai buscar a paz de Aparecida”. Estamos no 285º dia do ano de 2019, no calendário gregoriano. Faltam 80 para acabar o ano. O calendário cívico aponta o dia do descobrimento da América, dia da criança, dia nacional da leitura e por aí vai. Mas, o mais importante é a festa de nossa Padroeira. Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

    A Lei Federal 6.802, de 30 de junho de 1980, declara “Feriado Nacional o Dia 12 de outubro, Consagrado a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil”. Houve, desde a criação, quem questionasse o feriado, mas, é um reconhecimento não só a um povo, mas, a grande símbolo da fé deste povo que em sua grande maioria professa o catolicismo. Maria Santíssima foi a ponte que Deus usou para trazer seu Filho que também é Deus, Jesus, à terra. Só isso já justifica uma grande homenagem, mas, ela é muito mais. Sempre digna de homenagens. E o mesmo Padre Zezinho nos dá a solução. “O povo te chama de Mãe e Rainha, porque Jesus Cristo é o Rei dos Céus... Não és deusa, não és mais que Deus, mas, depois de Jesus, o Senhor, neste mundo ninguém foi maior”.

   É dia de celebrar a Mãe Aparecida, padroeira. Em Aparecida multidões passam diante da imagem de terracota com riso esboçado no rosto, a mesma imagem que em Lujan, na Argentina é padroeira deles. A imagem lá tem uma coloração clara, pois, não ficou cerca de 100 anos imersa no rio Paraíba do Sul que nem a nossa. Maria nos fala, nos dá sua mensagem de silêncio, de obediência e de humildade. Ela é bem-aventurada entre homens e mulheres, mas, ainda assim, nos orientar a fazer tudo o que Ele, o Senhor, disser.

   No entardecer deste dia, a nossa Diocese fará a “IV Caminhada com Maria – 2019”. A concentração será na Igreja de Fátima, no bairro Sinhá Sabóia, nesta cidade que tem a Imaculada Conceição por padroeira, Imaculada Conceição que também é Aparecida. Será um belo momento de demonstração de fé a Deus e de amor a Sua Mãe, a Excelsa Virgem Maria! A concentração será às 16 horas e de lá se fará caminhada pelas ruas da cidade até se chegar à Casa de Maria, a Catedral de Sobral.

   Neste 13 de outubro, domingo, o Brasil que é tão unido ao Vaticano, por laços de fé e de amor, ocupará boa parte da Praça de São Pedro. A Santa da caridade e do amor ao próximo será inscrita no Livro dos Santos: a querida Irmã Dulce dos Pobres, nome pelo qual conhecemos Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, uma unanimidade nacional. Treze de outubro assinala a última aparição de Nossa Senhora em Fátima. A festa continua a ser mariana, pois, a Santa Dulce é freira da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Sua vida, nós brasileiros sabemos, foi uma prova do cuidado de Deus e de Sua Mãe para com todos! Com sua canonização, o mundo a conhecerá e poderá reverenciá-la por sua vida e, acima de tudo, pela caridade na qual viveu e deu testemunho de Deus.

   É festa no céu e na terra! E por crer, a festa é plena para o Cardeal Serafim Fernandes, que cumpriu sua missão e agora está na glória de Deus!
    Salve Maria Imaculada Conceição Aparecida!


(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

A Monarquia é um regime natural




   A Monarquia é o regime que mais se aproxima da ordenação geral posta por Deus na Criação. Desde o microcosmo – onde os núcleos atômicos têm ao seu redor os elétrons – até o macrocosmo dos sistemas estelares – onde os satélites gravitam em torno dos planetas, os quais, por sua vez, gravitam em torno das estrelas, que se ordenam em imensas galáxias. Por toda parte está presente o princípio monárquico.

   Entre os animais gregários, vemos este mesmo princípio; para falarmos apenas de um dos exemplos mais característicos, lembremos que as abelhas e as formigas têm, em suas colmeias e formigueiros, suas rainhas, mães de todo o seu “povo”.

    A própria ordenação interna do homem é hierárquica e, portanto, monárquica. Temos uma alma e um corpo; a primeira – segundo a velhíssima teoria hilemórfica de Aristóteles – informa e individualiza o segundo. Na alma, as três potências – inteligência, vontade e sensibilidade – também se ordenam hierarquicamente, sob a direção da primeira delas. No corpo, todos se ordenam em torno de um sistema nervoso central, comandado pelo cérebro e vitalizado continuamente pelo coração.

    Se observarmos a Criação, em seu conjunto e em suas várias partes, facilmente veremos que em tudo está presente uma ordenação hierárquica, com um ponto central que afirma e representa o princípio monárquico. Esta é a lei geral da natureza criada por Deus.

(Baseado em trecho do livro “Parlamentarismo, sim! Mas à brasileira, com Monarca e Poder Moderador eficaz e paternal”, do Professor Armando Alexandre dos Santos).

Ilustração abaixo: Casamento de Suas Majestades Imperiais o Imperador Dom Pedro I e a Imperatriz Dona Leopoldina do Brasil.

06 outubro 2019

Fim dos tempos? ante a falência dos governos tradicionais, já se fala em futuros governos de gigantes multinacionais – por Luiz Augusto Casseb Nahuz (*)




    Os governos, com algumas exceções, vêm mostrando desempenho deficiente no mundo todo. Tenho até ouvido previsões sobre o desaparecimento dos governos em seus modelos atuais, vindo o mundo a ser governado por 30 ou 40 gigantes multinacionais, que já estariam ensaiando novos rumos para a economia, até com novos tipos de moeda e novas formas de distribuição dos bens e serviços.

     Será que teremos uma reforma social gigante nas próximas décadas, com um sistema que, ancorado no grande desenvolvimento tecnológico, venha a suprir as necessidades da sociedade, desde as primárias e essenciais até os desejos mais efêmeros? Pode ser um sonho ou um pesadelo. Mas tem verossimilhança!

(*) Luiz Augusto Casseb Nahuz – e-mail: luiz.nahuz@gmail.com

Diferenças e semelhança entre o Crato do Alentejo (Portugal) e o Crato do Cariri (Brasil) – por Armando Lopes Rafael – 1ª Parte



(Excertos da palestra proferida no 1º Seminário da disciplina “Etnoconhecimento e Educação Escolar” realizado em Crato, nos dias 3 e 4 de outubro de 2019)

1.    Sobre: Portugal, Alentejo, Crato

 Castelo existente na vila de Crato (Portugal)

       Embora não existam laços de proximidade entre os habitantes do Crato de Portugal e do Crato do Brasil, todo cratense do Cariri, ou seja, os aqui nascidos ou residentes, temos simpatia pela cidade portuguesa do Alentejo, que também carrega o nome de Crato.

         Aliás, este próprio evento, que estamos a realizar (o “1º Seminário da disciplina “Etnoconhecimento e Educação Escolar” com o título "O Crato Caririense e o Crato Alentejano: História, Cultura e Educação” é uma prova do que afirmo. Os cratenses brasileiros, de um modo geral, gostam de Portugal e dos portugueses.

          Na verdade, são apenas dados comparativos entre os dois Crato, que reuni, após ligeira pesquisa, para compartilhar com vocês. A conferir.

    Nunca é demais lembrar que Portugal é um pequeno país; o mais ocidental do continente europeu, pois fica localizado no início da península Ibérica. Em Portugal fica o Alentejo, uma região do centro-sul daquele país. O Alentejo tem uma área de 31.551,2 km² e cerca de 760 mil habitantes. Se compararmos a região do Alentejo com as regiões brasileiras, aquela porção de terra portuguesa torna-se, pequena para nós, brasileiros.  No entanto, o Alentejo é a maior região de Portugal em termos de área.

     No Brasil, um país continental, a divisão da federação se resume a estados, Distrito Federal e municípios. No total temos 26 estados e 5.565 municípios. Em Portugal há uma pequena diferença em relação a divisão territorial brasileira. Portugal conta com 18 distritos, 308 concelhos e 4.260 freguesias. Faço uma sumária explicação do que é isso.

       Distrito, em Portugal é diferente dos distritos brasileiros. Aqui distritos são pequenas vilas, existentes nas zonas rurais dos municípios.  Em Portugal, Distrito é um território de uma divisão administrativa daquele país. Exemplificando: O Estado do Ceará é dividido em 8 Macrorregiões de Planejamento, 2 Regiões Metropolitanas e 18 Microrregiões. Se fosse em Portugal, essas regiões do Ceará seriam chamadas “Distritos”.  

        Ou seja, se fosse em Portugal, o nosso Cariri seria um distrito. E o que é Concelho, em Portugal? É um pequeno território dentro de um distrito, ou seja, seria um município aqui no Brasil. Já Freguesia, em Portugal, é um conjunto de ruas, casas de uma vila ou cidade. Freguesia poderia ser o que chamamos de bairros no Brasil. Para se ter uma ideia melhor: Lisboa – capital de Portugal –tem 24 freguesias, ou seja, 24 conjuntos urbanos, que congregam um ou mais bairros de Lisboa.

Centro da vila de Crato (Portugal) 

        O Crato português  é uma pequena  vila, localizada no Distrito de Portalegre, na região do Alentejo. Crato alentejano é sede de um município com 398,07 km² de área e com cerca de quatro mil habitantes. Oficialmente o Crato português é uma vila, sede de Concelho (ou seja, tem foros de cidade) possuindo quatro freguesias (ou seja, possui quatro bairros), e fica localizada no Distrito de Portalegre (ou seja, na divisão administrativa de Porta Alegre) situada na região do Alentejo.

      O Alentejo possui três distritos: Portalegre, Évora e Beja e mais: a metade sul do distrito de Setúbal e parte do distrito de Santarém. Existem naquela região 58 conselhos, ou seja,58 municípios. Desses conselhos alentejanos, 22 localidades possuem a categoria de cidade e 36 são consideradas vilas, inclusive o Crato.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

Diferenças e semelhança entre o Crato do Alentejo (Portugal) e o Crato do Cariri (Brasil) – por Armando Lopes Rafael – 2ª Parte


(Excertos da palestra proferida no 1º Seminário da disciplina “Etnoconhecimento e Educação Escolar” realizado em Crato, nos dias 3 e 4 de outubro de 2019)

2.    Crato lá e Crato cá

  E o Crato brasileiro? Nosso Crato é uma cidade de porte médio – dentro das convenções do tamanho das urbes brasileiras contando cerca de 135 mil habitantes. É sede de um município com 1.157,9 km² e fica localizada na região do Cariri cearense.    Comparado com os dados do seu homônimo português, vê-se que o Crato brasileiro tem quase três vezes a área geográfica do Crato português, enquanto no item “população” o Crato brasileiro tem uma população 3.375 vezes maior do que o Crato do Alentejo.

Vista parcial do bairro Ossian Araripe -- Crato-Ceará

    Já a região do Cariri é uma região pequeníssima para os padrões do Brasil. O Cariri tem 17.390,30 km2 (quase a metade da região do Alentejo), e uma população de mais de 1 milhão de habitantes. No tocante aos aspectos geográficos sabemos que a região do Cariri cearense, tem um relevo horizontalizado em torno da Chapada do Araripe, e atinge altitudes médias de 750m, porém, em algumas formações atingem mais de 900m.

       A geografia física do território do Alentejo português é bastante uniforme, com a planície a dominar a paisagem quase por completo, com altitudes que na maior parte do território ondulam entre apenas 200 a 400 m de altitude, interrompida aqui e ali por vales e por serras com vertentes pouco inclinadas e semeada de barragens relativamente extensas. O Cariri cearense possui vegetação variada, incluindo carrasco, caatinga, floresta tropical e cerradão. De suas escarpas, surgem fontes e mananciais que irrigam o sopé, garantindo mais fertilidade, tornando o Vale do Cariri uma das áreas mais povoadas do Ceará.

       No quesito “história” o Crato português dá um banho no seu homônimo brasileiro. O Crato do Alentejo, remonta ao século 3º antes de Cristo, enquanto que o Crato brasileiro surgiu apenas por volta de 1740, ou seja, foi povoado há apenas 279 anos. 

Catedral de Nossa Senhora da Penha -- Crato-Ceará

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

05 outubro 2019

A crônica do sábado -- por Armando Lopes Rafael

A melhor notícia do ano: Vaticano autoriza beatificação de Benigna

“O Brasil precisa de santos; o Brasil precisa de muitos santos!”
Palavras de São João Paulo II, quando de sua visita ao Brasil em 1991


Essas palavras ainda ecoam forte, a nos ensinar que santidade não é algo distante, ou uma coisa estranha a nossa realidade. E elas foram bem presentes nesta amada Diocese de Crato, na última quinta-feira, 3 de outubro. No meio de tantas notícias ruins, trazidas  ao Brasil neste 2019 (Tragédia de Brumadinho, a consolidação da falta de credibilidade, junto à população, das nossas   instituições , com destaque para a Câmara de Deputados, Senado da República, Supremo Tribunal Federal–STF e outras igualmente desgastadas, a exemplo da mídia brasileira, a mais sórdida do mundo)   eis que o Vaticano anuncia a aprovação da Beatificação da primeira santa cearense: Benigna Cardoso da Silva.
    
         Quem foi Benigna? Uma menina de apenas 13 anos de idade, residente na paupérrima zona rural de Santana do Cariri, barbaramente assassinada em 1941, ao defender-se de uma tentativa de estupro, preservando a sua castidade e os princípios cristãos que norteavam a sua breve e santa vida. Desde então, Benigna tornou-se alvo de devoção por parte a população de Santana do Cariri, que a tinha como uma santa.

         Em 2001, a Diocese de Crato recebeu o seu 5º Bispo: Dom Fernando Panico, um missionário italiano, que ficou impressionado e sensibilizado com duas grandes devoções populares existentes na sua nova diocese: a do Padre Cícero e a da menina Benigna. Incompreendido e injustiçado muitas vezes, dentro do próprio clero, partiu de Dom Fernando Panico – hoje Bispo-Emérito de Crato – a abertura de dois processos relacionados à essas devoções populares: a Beatificação de Benigna e a Reconciliação da Igreja Católica com a herança espiritual do Padre Cícero. Dom Fernando foi vitorioso em ambos os pleitos.

           Em audiência, no último dia 2 de outubro, o Papa Francisco, assinou o decreto reconhecendo o martírio da menina Benigna, que será beatificada em 2020, em grande solenidade a ocorrer na Catedral de Crato em data ainda a ser marcada. Para mim, essa notícia representou uma pausa – um oásis no árido deserto que estamos a atravessar –  em meio à confusão que varre o nosso confuso e caótico  país, onde membros da Suprema Corte e veículos da mídia, utilizam até gravações ilegais e criminosas para enganar   nossa população, promovendo a inversão de valores, com o objetivo de libertar  criminosos presos e castigar as pessoas honestas que levaram esses meliantes à prisão...

A Bem Aventurada Benigna Cardoso da Silva, nascida na Diocese de Crato


Revista VEJA: Papa reconhece martírio da jovem brasileira Benigna, que será beata


Menina brasileira foi brutalmente assassinada aos 13 anos em 1941 em Santana do Cariri, no Ceará

Papa Francisco: declaração do martírio é decisiva para a beatificação (Yara Nardi/Reuters)
 

O papa Francisco assinou um decreto que reconhece o martírio da menina brasileira Benigna Cardoso da Silva, que foi brutalmente assassinada aos 13 anos, em 1941, por um jovem da mesma idade que a assediava.

A assinatura do pontífice foi realizada em uma audiência nesta quarta-feira 2. Entre os vários decretos aprovados está o que reconhece o martírio da brasileira natural de Santana do Cariri, no Ceará. A declaração do martírio é decisiva para a beatificação, já que assim não é necessário reconhecer um milagre.

Embora ainda não seja beata, Benigna é muito venerada na cidade natal como um mártir da pureza e da castidade. No local da morte da jovem foi erguido um monumento com uma cruz, além de uma lápide e um memorial que conserva alguns de seus objetos pessoais.

Segundo a diocese do Crato, no Ceará, Benigna começou a ser assediada por um menino aos 12 anos. No dia 24 de outubro de 1941, sabendo que ela buscaria água em um poço perto de casa, o jovem de decidiu esperá-la escondido. Ao tentar agarrá-la à força, ele a assassinou com um facão após uma tentativa de defesa de Benigna.

De acordo com o portal oficial de notícias do Vaticano em português, o Vatican News, o pároco Pe. Cristiano Coelho Rodrigues foi o mentor espiritual da jovem. Após sua morte, ele escreveu a seguinte nota ao lado do registro de batismo de Benigna: “Morreu martirizada, às 4 horas da tarde, no dia 24 de outubro de 1941, no sitio Oiti. Heroína da Castidade, que sua santa alma converta a freguesia e sirva de proteção às crianças e às famílias da Paróquia. São os votos que faço à nossa santinha”.

(Com EFE)

Benigna Cardoso, a primeira Beata cearense – por José Luís Lira (*)


     Sinceramente, passei a semana buscando tema para esta coluna. A santidade, quem me lê sabe, é tema predileto meu. Embora, reiterando, convicto das ações que me afastam de tornar-me santo, vejo a beleza e maravilha da santidade. Hagiólogo, tendo fundado a Academia Brasileira de Hagiologia, enxergo na santidade a mais perfeita harmonia com Deus. Ser santo é cumprir mandamento bíblico: “Sede santos, porque Eu, Javé, vosso Deus, o Senhor, sou santo” (Lv 19,2). Deus separou seus santos para serem não apenas advogados nossos, mas, modelos.

      Pensava em outro tema, mas, a santidade, tão importante, reaparece. E neste momento, nossa Diocese de Sobral caminha para ter mais uma causa em andamento em seu território, a de Mons. Waldir Lopes de Castro, pároco do Marco, pois, eis que nosso Bispo, Dom Vasconcelos, requereu à Santa Sé o Nada Obsta para iniciar a Causa que será postulada pelo Dr. Paolo Vilotta.

      Na iminência de vermos tremular num dos pórticos da Basílica de São Pedro, no Vaticano, a tapeçaria clássica com a foto de Irmã Dulce, a Santa Dulce dos Pobres, da Bahia, do Brasil e daquela data em diante, do mundo, no dia em que se celebra a memória dos Protomártires do Brasil ou Mártires de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, Santos André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, sacerdotes, Mateus Moreira e 27 leigos, o Brasil acordou com a notícia de que ganhará mais uma Beata Católica. Desta vez é a primeira cearense, Benigna Cardoso, de Santana do Cariri, da Diocese do Padre Cícero.

      A alegria nos invadiu. A quem se dedica a estes temas, pode assimilar a emoção dos que trabalham com a causa. Seria festa grande e intensa fosse nosso amado Pe. Cícero. Não será ele o primeiro a ser reconhecido beato, mas, é uma filha de sua região. Benigna Cardoso da Silva sofreu o martírio no dia 24 de outubro de 1941. Relaciono pequeno resumo biográfico dela no meu livro “A Caminho da Santidade”, Uberlândia (MG), Editora A Partilha, 2012, páginas 98/99:

      Nasceu em Santana do Cariri, no dia 15 de outubro de 1928. Sua história impressiona por sua pureza e sua devoção a Deus. Ficou órfã de pai e de mãe muito cedo, sendo adotada com os irmãos mais velhos por uma família da região. Extremamente religiosa, não perdia as missas. Aos 12 anos, começou a ser assediada por um rapaz chamado Raul Alves. Foram muitas investidas e todas sem sucesso. Pouco depois de completar 13 anos, Raul aproveitou o momento em que a menina foi buscar água próximo de casa, para tentar violentá-la sexualmente. Como a adolescente se recusou a ceder, acabou brutalmente assassinada. Era sexta-feira, 24 de outubro de 1941. O assassino foi preso e, 50 anos depois, voltou ao local do crime, arrependido, para pedir perdão à menina Benigna.
Último dia 3, data cheia de simbologia, Sua Santidade o Papa Francisco recebeu o Cardeal Angelo Becciu, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, e autorizou a Sacra Congregação a promulgar Decretos de reconhecimentos de milagres, martírios e virtudes, entre estes o do martírio de Benigna, proclamado nos dias que antecedem sua romaria.

       Deus seja Louvado!

       Que a futura Beata Benigna abra caminho a outros cearenses e temos na fila os sobralenses Pe. Ibiapina, Dom Expedito, Mons. Arnóbio e, em breve, com a graça divina, Mons. Waldir!
   

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

03 outubro 2019

Amanhã a esta hora - Por: Emerson Monteiro


Lá, bem ali, já nada mais de hoje haverá para sempre. Tão só o senso da memória fala nos sinais adormecidos de antigas refeições. Doces amargos que descem vida afora nesse mar de poesia que se dissolve no andar superior. E nós aqui na busca da lógica universal das criaturas.

Esses mesmos senhores de si haverão de conduzir o absurdo das horas vividas além da própria vida. Olhos postos entre o antes e depois, quedam os dentes diante das pedras do caminho. E veem que nem de qual maneira existirão daqui a pouco no correr dos ventos. Enquanto os sentimentos dormiam no seio das almas, elas iam sem saber aonde chegar, porém teriam de tocar em frente luz o que alimenta essa história inacabada.

Elas, as palavras, no entanto precisavam possuir a força de permanecer superpostas nas trilhas do horizonte, finalidade de tudo e ausência de quase nada. As palavras, que gritavam na alma da gente e pediam passagem no claro das manhãs. Pássaros soltos no imenso coração das multidões, avançavam no silêncio feitas feras ansiosas de sobreviver ao desaparecimento constante das manifestações dos elementos.

Os muros, pois, persistem a determinar limites às individualidades. Querer ser livres todos querem, contudo apenas isso de não fazer o mínimo esforço de conhecer o existir logo ali por detrás das conveniências. Nisso morar nas profecias aguardadas que voam no ar dentro do mar das tradições.

Quais chamas de fogo nas dores deste mundo, os pares evoluem nos céus e revelam em si a força da criação de novas ocasiões que desvendaram do sonho das hecatombes e nunca transformaram a esperança em fé, sustentaram de amor o desejo. Os deuses de cada um por isso trazem guardados segredos de poder só pouco a pouco nascendo no íntimo de tais seres humanos.

28 setembro 2019

Crônica do sábado

Mais um livro sobre o Imperador Dom Pedro II – por Armando Lopes Rafael


“No alto de uma folha de papel escrevam a data do meu nascimento e o dia que subi
 ao trono; no fim, quando faleci. Deixem todo o intervalo em branco, para o que ditar
 o futuro; ele que conte o que fiz, as intenções que sempre me dominaram e as cruéis
 injustiças que tive de suportar em silencio, sem poder jamais defender-me”
Dom Pedro II, 1888.


     O renomado escritor-historiador Paulo Rezzutti lançou, dias atrás, seu último livro: “D. Pedro II– A história não contada”, 543 páginas, uma das melhores biografias já escritas sobre o magnânimo imperador brasileiro. O autor deu, assim, continuidade à trilogia já publicada, de sua autoria, sobre as biografias de Dom Pedro I, da Imperatriz Leopoldina e da Marquesa de Santos.

    
         Lançado pela Editora Casa da Palavra–LeYa, o livro tem excelente impressão gráfica, além de um rico acervo de fotografias, valorizando ainda mais o rico conteúdo da obra. Rezzutti demonstra a sobeja força do segundo imperador brasileiro, realçando suas qualidades como homem público, comprometido com o desenvolvimento do país e, acima de tudo, com a educação.

     Na verdade, durante 49 anos como imperador, Dom Pedro II ajudou a transformar o Brasil num país desenvolvido, com destaque nas áreas da cultura e educação. Ressalte-se o compromisso do nosso segundo imperador com a honestidade, dando inúmeras provas de lisura, transparência e cuidado com o trato das coisas públicas.

         Consta no comentário sobre este livro: “Paulo Rezzutti lança mão de cartas e documentos inéditos para revelar a história não contada do último imperador do Brasil. Do príncipe que se tornou regente ainda menino ao monarca e que morreu no exílio. A obra preenche muitas lacunas com uma extensa pesquisa em documentos, cartas e diários para iluminar a vida um homem que esbanjava cultura e cuja intimidade era bem mais intensa do que as barbas brancas em seus retratos mais famosos podem fazer supor”.

          O livro é, enfim, um compêndio, o qual, ao lê-lo, nos transportamos para o período mais glorioso da história do Brasil, ou seja, o século XIX, quando a população respeitava seus imperadores, homens sérios, probos, cultos e, acima de tudo, comprometidos com o progresso e grandeza da nossa pátria. Vale a pena adquirir esta obra.

 

Virgílio Távora, cem anos! – por José Luís Lira (*)

    Neste domingo, 29, celebraria cem anos o político brasileiro, Virgílio Távora. Militar por formação, Virgílio de Morais Fernandes Távora, chegou ao posto de Coronel no Exército Brasileiro e ingressou na política, sendo eleito deputado federal em 1950 e 1954. Foi Ministro dos Transportes, no gabinete parlamentarista de Tancredo Neves e deixou o cargo para disputar o governo do Ceará. Em sua gestão criou a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, em 9 de agosto de 1966. Virgílio era governador quando do movimento militar de 1964.

    Dedicou-se à política e nela fez muito pelo Ceará e pelo Brasil, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, no Governo do Ceará, enfim, gerando uma legião de eleitores e admiradores. Eu, pessoalmente, não conheci o Senador Virgílio Távora. Dona Luiza, vi uma vez. Mas, sempre ouvi falar deles em variados meios e, também, por meio de Matusahila Santiago que admira muito o casal, em especial, Dona Luiza Távora. Outro dia tive a honra de receber a herdeira do casal do Távora, Tereza Távora, no Museu Diocesano Dom José, o qual tenho a honra de dirigir.

     Há algumas semanas, recebi o livro “Virgílio Távora, o Estadista Cearense”, do sobralense César Barreto Lima, em có-autoria com Saulo Barreto Lima. Houve lançamento em Fortaleza, Sobral e Viçosa do Ceará. A obra foi muito bem recebida pela crítica especializada e desde o trabalho do meu confrade na Academia Fortalezense de Letras, convidado por mim para integrar aquela Academia, Marcelo Linhares, não tínhamos visto trabalho tão completo quanto este sobre Virgílio Távora.

      Na nota introdutória, Cesar Barreto nos diz que procurou “mostrar outro Virgílio Távora, o lado escondido do ser humano maravilhoso, do pai amoroso e do marido sem igual”. No prefácio do eterno Senador Mauro Benevides, vi, com surpresa de quem não viveu aquele tempo, a convivência e amizade declarada dos dois homens públicos. Diz o Acadêmico Mauro Benevides: “Com ele convivi de perto, sobretudo pela minha condição de Presidente da Assembleia Legislativa, em momentos de dificuldades institucionais...”

     Dr. Mauro confessa, sobre o período de instabilidade política vivido naquele 1964, quando conspirou-se a deposição de Virgílio Távora do governo do Ceará: “Não concordei com a tentadora e inusitada proposta de assumir o Governo do Estado como fui firme na minha argumentação fitando no fundo dos olhos dos conspiradores: - O Governador Virgílio Távora, além de ser um governante sério, é sobrinho do Marechal Juarez F. Távora, herói do Exército Brasileiro”.

     A primeira parte do livro se dedica a um esboço histórico do biografado, iniciando por estudos desde Portugal, passando pela saga familiar dos Távoras, o surgimento do estadista, o casamento e o Ceará, paixão do biografado. Acrescem-se notas e vem um capítulo de muito afeto e de revelações que só quem com Virgílio conviveu pode fazer. São os depoimentos, trinta no total, iniciado por sua filha, Tereza Távora, uma lady, na acepção da palavra; Ubiratan Aguiar; Lúcio Alcântara, Mônica Arruda; Gonzaga Mota; Eudoro Santana, para citar alguns.
 
     Concluindo com rica iconografia e referências que credenciam a obra como uma das melhores sobre o estadista Cearense, Virgílio Távora. Parabéns aos seus autores!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

20 setembro 2019

Crônica da sexta-feira

Operários salvos  pela reza do  Terço

          O jesuíta alemão Helmuth Kaiser conta este caso ilustrativo da piedade mariana, acontecido nos princípios do século XX, em terras germânicas. Duas jovens irmãs, alunas de um colégio interno, costumavam passar as férias com a avó no sitio da família. E sempre rezavam o terço com ela após o jantar, diante de uma imagem da Mãe do Céu. E contaram este “fatinho” real.

          “Quando rezávamos o terço, não sentíamos o tempo passar. A avó tinha um lindo rosário de pérolas guardado na caixinha, mas preferia usar o de contas grandes, gastas, de marrom desbotado.
          Muito curiosas, perguntamos-lhe ao fim da reza:

          -- Avó, por que a senhora reza com esse rosário velho e feio?
       -- É porque ele traz para mim uma saudade muito grande. Era do seu avô, que o rezava tranquilamente todas as manhãs, enquanto caminhava pela estrada para chegar ao serviço nas minas de pedra lousa.

          Ele demorava meia hora até chegar no local de trabalho. Precisava ser muito pontual porque tinha a chave do portão por onde entravam os operários. Estes desciam pelos corredores com suas pás, picaretas e carrinhos de mão. Certa manhã, o avô tinha andado meio caminho e ia começar a rezar o terço. Mas ao enfiar a mão no bolso, não o encontrou. Tinha esquecido no outro casaco. Coisa que acontece com tanta gente.

          Ele não teve dúvida. Deu meia volta, voltou para casa, pegou o terço, e apressou-se para não atrasar demais. Mesmo assim, chegou com quase trinta minutos de atraso, nunca antes acontecido. Os operários estavam todos esperando no portão e ficaram admirados desse atraso numa pessoa sempre tão pontual. Eles o rodearam, curiosos por saber o motivo do atraso. Um falatório daqueles.

          O avô abriu o portão, e toda gente começou a descer para as minas. De súbito, um grande estrondo se ouviu, parecendo um trovão no fundo da terra. Quando tudo se acalmou, desceram cautelosamente. E viram que se tivessem descido cinco minutos antes, todos teriam sido esmagados por uma avalanche de pedras que desabara, enchendo de entulhos os vastos corredores da mina. Os operários ficaram assustados e agradecidos à Mãe do Céu, ajoelhando-se ali mesmo. Um terço esquecido em casa salvara da morte dezenas de pessoas. Maria os protegera através de um devoto mariano, o avô.

          Este caso reavivou neles a sua devoção a Nossa Senhora e ao rosário.
          Ouvindo esta história, ficamos muito impressionadas, em silêncio, pensativas. Só a luzinha junto a imagem de Nossa Senhora tremulava e parecia que a Mãe do Céu sorria para nós.”

  Fonte: “O Santo Rosário e os Santos”, do  Pe. Stefano Maria Manelli, publicado pela  revista "Cruzada" – Braga - Portugal

16 setembro 2019

Caririensidade


Uma mulher que marcou o Cariri: Dona Fideralina Augusto

    Segundo a Wikipédia: “Fideralina Augusto Lima nasceu em na Vila de São Vicente Férrer das Lavras da Mangabeira, no dia 24 de agosto de 1832 e faleceu no Sítio Tatu, de sua propriedade também em Lavras da Mangabeira, no dia 16 de janeiro de 1919. Era a filha mais velha de Isabel Rita de São José e do Major e político local João Carlos Augusto. Foi casada com o Major Ildefonso Correia Lima, Capitão da 1ª Companhia do Batalhão nº 28 e Major Fiscal da Guarda Nacional de Lavras, com quem teve doze filhos.

   
     “Senhora de inúmeras propriedades rurais no município e prédios residências na Vila, muito gado e muitos negros que o serviam como escravos. Criou seus filhos sozinha, pois ficou viúva muito cedo, deu-lhes rígida educação que primava pelo respeito e obediência. A influência da matriarca fez com que filhos e descendentes fossem deputados estadual, federal, senador, intendentes e vereador ao longo do tempo. Atualmente, Heitor Férrer, trineto de Fideralina, é deputado estadual, e Roberto Cláudio, tataraneto, é prefeito de Fortaleza.

      “Gostava de trabalhos manuais, como fiar, fazer varanda de rede. Era muito religiosa, rezava o Ofício de Nossa Senhora e, quinzenalmente, assistia a missa que mandava celebrar na capela da sua propriedade (Tatu). Teve uma participação ativa na vida política e social do Ceará, com todas as prerrogativas de coronel latifundiário, sendo respeitada como tal. Fideralina levava sempre consigo um bacamarte ou garrucha, nas caminhadas andava a cavalo ou de liteira, contava para sua guarda e proteção, homens corajosos e hábeis no manejo das armas, conhecidos como “os cabras de Dona Fideralina”.

Fonte: Wikipédia / Blog Lavras da Mangabeira

Poetas caririenses: José Newton Alves de Sousa

     Há setenta anos, José Newton Alves de Sousa publicou um pequeno opúsculo, editado em 1949 pela Imprensa Oficial da Bahia, com o título – “Paisagem Lírica do Cariri (Quadros da minha terra) - 1ª série”.  Naquele opúsculo o poeta José Newton,  publicou algumas poesias sobre os horizontes do Cariri,  nas primeiras décadas do século passado. Confiram:
 
   Sobre os canaviais do Cariri: “Verde mar ondulante roçado pela música ciciante das brisas... Verde mar. Cor da esperança e da esmeralda. O Cariri é a esmeralda do Ceará”.

Sobre as noites caririenses: “Noite-de-lua no Cariri. As serras se banham de luar. As estradas estão argentinas de luar. Os açudes são pérolas gigantescas, luzindo. Os rios são boitatás enormes, serpeando molengos. As cidades adormecem tranquilamente e a brisa traz um eco de música longínqua”.

    Sobre sua cidade natal: “... e a princesa dorme. Crato adormecendo no lençol crepuscular do último adeus do sol além da serra... Crato como uma princesa encantada no leito esmeraldino do Cariri, reclinando-se sobre o travesseiro azul da Araripe, ao ritmo cantante das nascentes fecundas...”

   Sobre os sinos das igrejas de Crato: “Os sinos de Crato têm uma harmonia própria, inconfundível. Nunca ouvi em parte alguma sons como os seus, tão musicais e cristalinos; tão recordativos e poéticos. Criei-me ouvindo-lhes as tocatas. As tocatas alegres e as tocatas tristes. Umas falavam-me da vida; outras, da morte”.

   Sobre o alto do Seminário e o alto do Barro Vermelho: “No alto do Seminário está a capela de São José. No Barro Vermelho, a de São Francisco. Para mim, ambos esses santos foram poetas. O primeiro, poeta do silêncio e do trabalho, aquele que era um poema em si, o poema que se chamou: Justiça. O segundo, poeta boêmio, da boêmia espiritual dos pobrezinhos de Cristo. São Francisco de Assis escreveu também um poema, o Poema da Alegria. Alegria filha da Pobreza. Pobreza filha do Amor”.

 O melhor prefeito que o Crato já teve

   Alexandre Arraes de Alencar governou o município de Crato entre 27 de dezembro de 1937 e 15 de agosto de 1943, data sua prematura morte com apenas 48 anos de idade. Decorridos quase oitenta anos do início daquela administração, ainda perdura no imaginário popular cratense que Alexandre Arraes foi o melhor prefeito que esta cidade já teve.  

    Caiu-me às mãos, dias atrás, uma Xerox da Monografia Histórica do Crato, uma publicação da administração Alexandre Arraes, com dados colhidos pela Delegacia Regional do Recenseamento Nacional do Brasil de 1940. Naquela época, quando as comunicações eram precárias, a Prefeitura de Crato disponibilizava uma publicação contendo todos os dados atualizados do município, com o resgate histórico, evolução social, informes sobre a população, produção agrícola, comércio, indústria, relevo do solo, hidrografia, riquezas naturais, etc. Com toda a evolução que usufruímos hoje, com todas as facilidades atuais da tecnologia, não dispomos, no presente, de uma publicação similar a que foi produzida no governo de Alexandre Arraes.

     Falar sobre a administração de Alexandre Arraes ocuparia muito espaço. Limito-me a transcrever apenas um tópico da monografia citada, a de número VII, que enumera algumas conquistas da sua competente e honesta administração. A conferir.

“Por iniciativa dos Poderes Públicos, verificaram-se a instalação do Serviço de Água, Luz e força, que veio atender velha aspiração da população, resolvendo um dos mais importantes problemas da infraestrutura da cidade; criação de uma biblioteca pública; construção de um Grupo Escolar Municipal de orientação ruralista; criação de um Horto Florestal para arborizar a cidade e distribuir mudas frutíferas à população cratense; delimitação das zonas agrícolas e pastoris na Serra do Araripe; construção da praça ajardinada Dr. Francisco Sá, com uma majestosa Coluna da Hora, encimada com a estátua de Cristo Rei e uma fonte luminosa, aliás, a primeira construída no Ceará; construção de 14 obras d’arte nas rodovias municipais, instalação de um Posto Antirrábico, pavimentação de quase toda a cidade, arborização de suas ruas, instalação de um projeto piloto para irrigação mecânica no Rio Carás; aquisição de duas propriedades para instalação do campo de sericicultura e construção de moderno e confortável Mercado Público”.

     Ao tempo do Prefeito Alexandre Arraes todas as datas cívicas eram comemoradas com desfiles escolares nas ruas de Crato. Ele mesmo acompanhava ao lado dos estudantes esses momentos cívicos. Como era ele mesmo que, pessoalmente, exercia fiscalização de todas as atividades da Municipalidade. Alexandre Arraes reformou todas as praças da cidade e todas foram dotadas de projetos de jardins. Na Praça Siqueira Campos havia um canteiro de rosas La France.

      Naquele tempo o Rio Granjeiro ainda não tinha virado o canal nauseabundo dos dias atuais. Nas margens daquele rio a Prefeitura plantou bambus. Também a encosta do morro do Seminário foi arborizada para evitar erosão. 

       E tudo isso era feito com critério e honestidade. Sob Alexandre Arraes nunca se ouviu falar em corrupção.

          Enfim, tínhamos uma cidade limpa, bem cuidada, com um administrador de mentalidade à frente do seu tempo. Quanta falta faz um Alexandre Arraes nos dias de hoje...