21 outubro 2018

Os sequelados - Por: Emerson Monteiro


Espécies de zumbis soltos nas ruas e nos becos, eles vagam pelas mesmas paisagens dos doces charmes de belos filmes estrangeiros que viram nas telas da vontade. Também denominados de tipos populares, atravessaram os mercados, as feiras, os guetos, e agora trocam pernas e poucas palavras nos encontros fortuitos do pelotão vacilante que foram. Andam de olhos vagos, peles amarelecidas nos desgastes da idade, engelhados debaixo das antigas tatuagens que já nem falam dos bichos surreais, símbolos, astros, palavras e frases das outras horas, dos ídolos que foram, artistas de desconhecidos, cenas e sonhos. Eles, que param à sombra das poucas árvores que existem nas praças, largados aos bancos solitários, mero cadastro de reserva jamais convocado e nunca levado em conta.

Isto enquanto as cidades movimentam seus dias estafantes. Repartições, afazeres das oficinas, lojas, hospitais, salas de aula, fábricas, bancos, sustentos vários, esses veteranos agarram seus derradeiros raios de sol e restam contar do moafo que foram nas vidas abandonadas à própria sina. Tantas vezes consumidos em mesas de bar, jogos de azar, debates, discursões vazias, bancas de revista, festas, vídeos de televisão, baratos e farras. Entretanto corriam dias e horas, vistas presas só nas glórias vãs de entulhos, lixões e lágrimas; deixaram assim transcorrer os aniversários das eras sob o efeito de bebidas, drogas, fúteis prazeres. E agora...

Personagens, pois, ambulantes sem bandeira ou calendário, dispersos nesse tudo que passa à velocidade do vento, comtemplam as migalhas do que teriam sido lutassem nos campos de batalha de amores, fancarias e saudades. Cabelos grisalhos, calvos, às vezes, faces barbadas, solenes, tais homens dos antigamente olham dentro do futuro sem saber nem quando haverá o balanço do mistério e possam regressar a novas aventuras errantes.

No céu das almas, vadios, lentos, lerdos, sem planos ou metas, os sequelados da raça indagam absortos que fizemos, fazemos, faremos da força que circula as veias e clama a luz da Consciência. Obtusos pincéis das nuvens cotidianas, lá adiante, talvez, viram sobejos das ilusões em que pediam paz e a deixavam no abandono de quartos escuros, vícios e adiamentos.

Há que haver memória nos que combinaram escrever. Nas epopeias, nas lendas, em lousas de cavernas e nos fosseis, essa verdade do que teremos sido será realidade um dia, e haverá em tudo melhor aproveitamento perante os tribunais da Eternidade.

(Ilustração: Inferno, de Botticelli). 

19 outubro 2018

Bolsonaro, um segundo Ronald Reagan? – por Armando Lopes Rafael



      Tenho para mim que, caso seja eleito – no próximo dia 28 – como Presidente da República, Jair Bolsonaro vai ser para o Brasil o que Ronald Reagan foi para os Estados Unidos. Reagan ainda hoje é considerado como um dos maiores presidentes dos Estados Unidos. Isso, apesar dos seus adversários políticos terem ridicularizado a sua pouca cultura. Os opositores de Ronald Reagan o definiam como o “caubói inculto”. No entanto, por suas posições firmes, pela coragem que tinha ao se definir sobre um problema, sem se preocupar com o julgamento da mídia, pelo apoio que deu à iniciativa privada, Reagan foi responsável por uma das melhores fases da economia americana e, quando deixou o governo, sua popularidade superava mais de sessenta por cento.

 
   Semelhante a Reagan, Bolsonaro não é nenhum, intelectual. Ele pretende reestruturar a área econômica, através dos dois organismos vitais, o novo Ministério da Economia e o Banco Central, atuando ambos formais e politicamente independentes. Bolsonaro promete fazer uma reforma da Previdência, prevendo a mudança do sistema atual de repartição (pagamento dos aposentados que é feito pelos trabalhadores ativos) pelo modelo de contas individuais de capitalização (cada trabalhador contribuirá durante a vida para sustentar seu benefício previdenciário). Anunciou que vai privatizar mais de oitenta empresas estatais deficitárias. Dentre elas a Eletrobrás, que além dos prejuízos sucessivos não dispõe de um centavo para novos investimentos. E o que dizer dos Correios que leva mais de um mês para entregar uma carta dentro do Brasil, e enfrenta sucessivos prejuízos além de viver fazendo outras tarefas que nada tem a ver com a sua finalidade?

             São medidas simples, como redução dos ministérios dos 40 atuais para 15. Acabar com a política da “base de sustentação do governo”, ou seja, o “toma lá, dá cá”. E a entrega de instituições federais a políticos incompetentes, quando elas deveriam ser administradas por técnicos preparados. Se Bolsonaro fizer o que promete, chegará ao fim do seu governo, como Reagan chegou ao término de sua administração.

         De fato, ao deixar a Presidência dos EUA, Ronald Reagan deixou seu nome marcado na história política norte-americana. Mais do que isso, ele imprimiu na administração pública daquela nação um novo modo de fazer política. Seu estilo foi sendo imitado pelos presidentes que o sucederam. Ele tornou-se sinônimo de conservadorismo e nacionalismo. Ronald Reagan dividiu opiniões, foi amado por uns e odiado por outros. Mas foi coerente com o que pregava e não decepcionou os que votaram nele.

O fascismo da esquerda hipócrita -- por Catarina Rochamonte (*)

A Luta Contra o Fascismo Começa Pela Luta Contra o Bolchevismo. Este é o título de um panfleto escrito pelo marxista alemão Otto Rühle em 1939, em um dos mais difíceis momentos da luta de resistência contra o fascismo alemão: o nazismo.
   O referido texto coloca a Rússia na primeira linha dos estados totalitários e como modelo para os países constrangidos a renunciar ao sistema democrático para se voltarem para a ditadura. Afirma Rühle que "a Rússia serviu de exemplo ao fascismo". O panfleto, desde o tão vigoroso título, escancara uma verdade incômoda à esquerda majoritária brasileira de hoje, que se agrupa sob a liderança do corrupto presidiário ex-presidente Lula e se representa na candidatura do fantoche Fernando Haddad a presidente da República.

       Onde está, porém, o incômodo dessas denúncias antigas para a campanha PT/Haddad? Está em que o bolchevismo é uma das matrizes doutrinárias do PT e vários de seus dirigentes o declaram orgulhosamente, donde se vê que é contrassenso que a principal linha estratégica do PT e seus satélites para esta campanha consista em insultar seus adversários de "fascistas" e sob essa alegação pretenderem criar uma "frente democrática" para conter seu avanço. Vê-se também quão hipócrita foi a fala de Fernando Haddad quando - um dia após o resultado das urnas que o levaram para o segundo turno - apresentou-se como um candidato social-democrata. Como diz o ditado: "quem não te conhece que te compre".

        O fato é que foi como lobo em pele de cordeiro que o PT iniciou a campanha de segundo turno. No dia 9 de outubro a Folha de S. Paulo trazia uma entrevista com o governador do Ceará, o petista Camilo Santana, na qual se lia, sobre Haddad, que ele "tem de afastar um pouco essa marca do PT." O conselho parece ter sido acolhido, pois já nos deparamos com uma nova logomarca da campanha do ex-(pior)prefeito: logo esta sem vermelho, sem Lula e com as cores do Brasil.

       Eis aí os principais elementos do teatro tétrico destas eleições: o partido de origem bolchevique, que nunca teve respeito às instituições, que se considera acima da lei e abaixo apenas do seu líder (que lhe dita as ordens da cadeia); esse partido populista que comprou o congresso, que respondeu pelo maior caso de corrupção da história - o PT do mensalão e do petrolão -; esse partido que promove ideológica e financeiramente ditaduras como a cubana e a venezuelana coloca-se hipocritamente como arauto e defensor da democracia.

        A elite pseudointelectual - usar esse termo me custou caro! - muito bem apelidada de "esquerda caviar", cujos principais representantes estão no meio acadêmico e artístico reproduzem, por sua vez, essa farsa insuflando os jovens a uma batalha quase intergaláctica e apocalíptica contra o fascismo. Reitores emitem notas públicas contra a "onda conservadora" que coloca em risco a "democracia", expondo desavergonhadamente seu viés político-partidário em total desrespeito ao pluralismo acadêmico e ao princípio de neutralidade das instituições públicas.

      Certo mesmo estava Cid Gomes, pelo menos no seu último rompante: quem criou o Bolsonaro foi o PT, que fez muita besteira, que aparelhou as repartições públicas, que achou que era dono do País, que não fez mea culpa, que não admitiu erros e que por isso vai perder a eleição.

-- E o Lula?

-- "Lula o quê?! O Lula tá preso, babaca. Vocês vão perder. E é bem feito." 

 (*) Catarina Rochamonte é Doutora em Filosofia e professora da Universidade Estadual do Ceará - Uece 

E-mail: catarina.rochamonte@gmail.com

16 outubro 2018

Vidas sucessivas - Por: Emerson Monteiro


A razão externa do homem pensa que só esse olho externo existe e agarra-se a ele, pois diz que não existe outra visão.                                                                                                Jacob Boehme

Sob a ótica do Budismo, o que reencarna é o que o homem fez do seu passado, e disso carece de libertação no intuito de obter a Salvação, desde quando, então, se tornará coautor das obras divinas ao chegar ao grau absoluto da Pureza espiritual. És, portanto, aquilo que de ti fizeste no passado, ou seja, o carma, na denominação budista. Conquanto o que regressa ao mundo físico será esse carma, ou dependência, ou apego à paixão dos sentidos, os vínculos carnais de antes.

Face aos mecanismos da Evolução, desde que desvendes o caminho direto à Purificação, destarte evitarás ter de retornar ao Chão e aqui permanecer durante quantas vezes necessárias sejam no objetivo de revelar em Si a verdadeira e eterna natureza de que vem dotado. Nisto o conceito de Jesus de sermos Deuses e ainda não o sabermos.

Apenas que, no decorrer da história terrena, o indivíduo obterá a consciência e a consequente Libertação. A matéria significará, tão só, instrumento de aperfeiçoar a essência do que já somos ora dotados. Há, com isso, que vencer o espelho externo e mergulhar no universo interno, a matriz e transcendência do Ser. Perante esse laboratório real que exercitamos, de transformar chumbo em ouro espiritual, resta aos humanos o princípio da auto revelação a que viemos, e vencer, percurso natural das existências enquanto presas na matéria.

A luta, no processo de admitir tais considerações, varia de pessoa a pessoa, vez os diferentes níveis de aprimoramento onde estivermos, ao que Jacob Boehme também observa: O homem sente o desejo de Deus (de outra visão) mas o demônio para onde o homem se virou, coloca um véu e encobre essa outra visão desviando sua atenção para a pompa do mundo (e o homem morde a isca e deleita sua má imaginação nisso), para o homem não a ver e não ser despertado para ela. 

No transcorrer das reencarnações, novas chances de conhecer e agir sob tais valores oferecem meios e vontade latente aos seres, neste processo de permanente conhecimento intuitivo.

(Ilustração: Arte vedanta).

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


O lado pernambucano da Chapada do Araripe é uma extensão do Cariri 

      Ronaldo Correia de Brito (foto ao lado), viveu em Crato até os dezoito anos de idade. Daqui saiu para estudar em Recife, onde mora até hoje. Nos dias atuais, Ronaldo Correia de Brito é afamado romancista, contista, dramaturgo, documentarista, médico e psicanalista. Em 2009, ele recebeu o “Prêmio São Paulo de Literatura” e seu livro “Galileia” foi considerado o Melhor Livro do Ano.

     Quinzenalmente Ronaldo escreve e publica uma crônica, que é reproduzida em vários jornais da grande mídia brasileira. Tempos atrás ele escreveu uma, com o título “Os territórios afetivos”. A crônica versa sobre as cidades pernambucanas localizadas no entorno da Chapada do Araripe, consideradas “satélites” da conurbação Crajubar. Da crônica de Ronaldo transcrevemos os dois tópicos abaixo:



Os territórios afetivos – 1

Araripina (PE)

     “As cidades do interior sertanejo são todas iguais. Há motos em excesso, o silêncio tornou-se mercadoria rara, os carros não param de circular, muita gente caminha de um lado para outro, ocupa ruas e praças como se nada tivesse o que fazer” (...) “Exu, Bodocó, Trindade, Ouricuri e Araripina, escolhidas para a jornada literária, mais parecem uma extensão do Cariri cearense. O sotaque, a culinária, os tipos físicos e as culturas se assemelham. Os moradores dali procuram Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, bem mais próximo do que o Recife, para atendimento médico e hospitalar, compra de mercadorias e o comércio do que produzem. Os estudantes universitários preferem as faculdades do Cariri a se deslocarem para a capital distante. Também buscam o ensino em Petrolina e cidades piauienses. Porém o Crajubar, nome que aglutina as iniciais das três cidades do Cariri, tornou-se naturalmente a capital da chapada”.

Os territórios afetivos –   2

Ouricuri (PE)

     “É possível desenhar um mapa de cidades piauienses, cearenses e pernambucanas, formando uma região em que as fronteiras de estados foram abolidas. Um território com afinidades econômicas, históricas, geográficas, antropológicas e culturais, o parentesco do Araripe. Não existe desejo separatista, mas temos a impressão de que se trata de outro estado brasileiro, nascido da cumplicidade. Será que a aglutinação espontânea desenhou um novo mapa territorial?”

História: A antiga força da Igreja Católica no Cariri

 Catedral de Crato, no primeiro quartel do século passado

    A enorme influência que a Igreja Católica exercia sobre o povo do Cariri sofreu acentuada diminuição a partir do final dos anos 1950. Essa perda de prestigio foi agravada após a implementação, de forma açodada, de algumas medidas advindas do Concilio Ecumênico Vaticano II (1962–1965). Mesmo nos dias atuais, a mídia continua noticiando gravíssimos escândalos internos na Igreja Católica, aumentando, ainda mais, essa crise de influência. Entretanto, até segunda metade do século 20, no Cariri cearense, o poderio da Igreja Católica era forte e marcante.

     O médico-historiador Irineu Pinheiro relata no seu livro “Efemérides do Cariri” (páginas 224-225) o repúdio que os católicos cratenses manifestaram – em 1945 – a uma caravana, vinda de Fortaleza, para divulgar, no Cariri, os princípios sócio-políticos do Partido Comunista Brasileiro. O Brasil vivia, naquele ano, o fim da ditadura de Getúlio Vargas, que dominara – por 15 longos anos – a então “República dos Estados Unidos do Brasil” (era este o nome oficial da nossa pátria). A abertura democrática pós-ditadura Vargas possibilitava a fundação de novos partidos políticos, dentre eles o Partido Comunista Brasileiro, inspirado na ideologia marxista.

       Bastou o segundo Bispo de Crato, Dom Francisco de Assis Pires, se pronunciar contra a realização do comício dos comunistas, previsto para a noite de noite de 9 de setembro de 1945, na Praça Siqueira Campos, para cerca de cinco mil cratenses saírem às ruas, à última hora, dando “vivas à Igreja Católica e morras ao comunismo”. O povo conduzia quatro bandeiras (uma delas era a do Brasil) e pôs em fuga os comunistas presentes em Crato.

Nova tentativa frustrada

           Em 21 de novembro de 1945 os comunistas retornaram ao Cariri e realizaram um comício na Praça de Cristo Rei. Segundo Irineu Pinheiro: “Foram vaiados os oradores pelos assistentes”. Os militantes comunistas, ante a intensidade do protesto popular buscaram refúgio no Bar Cairu, localizado na Rua João Pessoa. Nesse interim, uma grande procissão de fiéis católicos saía da Sé Catedral conduzindo a imagem histórica de Nossa Senhora da Penha, vindo atrás dela o Bispo Diocesano.  Reza a tradição que a caravana dos comunistas fortalezenses só não foi agredida pela população porque Dom Francisco de Assis Pires entrou no bar (onde os comunistas tinham se refugiado) e garantiu a integridade física deles. O Bispo Diocesano apenas aconselhou-os a irem para o hotel e embarcarem no próximo trem com destino a Fortaleza. Foi o que eles fizeram.

Juazeiro do Norte, o chão dos místicos

       Muitas pessoas com fama de santidade viveram em Juazeiro do Norte. Uma dessas foi o Padre Francisco Pinkowski, sacerdote pertencente à Ordem Salesiana, nascido na Polônia em 1882. Ainda criança foi estudar em Turim, na Itália. Lá, teve a maior alegria da sua vida: conhecer pessoalmente São João Bosco.  Ainda adolescente, Francisco Pinkowski foi enviado para Montevidéu, no Uruguai, onde se ordenou sacerdote em 1920.

      De lá foi enviado para o Brasil, para Pernambuco, onde residiu de 1921 a 1939.  Transferido, em seguida, para Fortaleza, no Ceará, exerceu várias atividades pastorais entre os anos 1940-1943. De Fortaleza veio para Juazeiro do Norte, onde viveu os anos 1944-1945. Mandaram-no oura vez a Pernambuco, em 1946. Sua saudade de Juazeiro do Norte fê-lo retornar à Terra do Padre Cícero onde viveu seus últimos anos de vida. Ali faleceu, em 15 de abril de 1979, aos 96 anos de idade. Foi sepultado, no dia seguinte, no interior da Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Ainda hoje sua sepultura é muito visitada. Fiéis dão testemunho de graças alcançadas pela intercessão daquele santo sacerdote.


      Sobre este sacerdote escreveu o escritor Mário Bem Filho: “Em Juazeiro do Norte, Padre Francisco Pinkowski, apesar da idade avançada, jamais se deixou vencer pelo cansaço. Levantava-se cedo e começava a rezar o terço e, após meditação, celebrava a Santa Missa. Posteriormente começava a atender às confissões, saindo, em seguida, sempre a pé, para prestar assistência aos enfermos pobres que habitavam a periferia de Juazeiro do Norte. Seu maior sonho era ver concluída a construção da igreja do Sagrado Coração de Jesus, o que conseguiu realizar.

Um fato extraordinário teria acontecido com o Pe. Francisco Pinkowski

     Conta-se, em Juazeiro do Norte, uma história de domínio público. Certa manhã, Pe. Francisco foi chamado para dar a extrema-unção (hoje chamam de Unção dos Enfermos) a uma moribunda que residia na Rua da Palha, então periferia daquela cidade. Saiu a pé, carregando a hóstia consagrada, estola, livro-devocionário e um recipiente com água benta.  Em lá chegando, Padre Francisco Pinkowski entrou numa pequenina palhoça, coberta de palha e chão de barro, destituída de qualquer móvel, onde pudesse colocar os objetos sagrados. Constrangido, por não querer colocar esses objetos no chão, eis que entra, na palhoça, um rapazinho de boa aparência, bem vestido e pede ao Padre Francisco para segurar os objetos, enquanto o sacerdote colocava a estola sobre os ombros. Após cumprir a tarefa o rapazinho se afastou do pequeno recinto.

       A sós com a moribunda, Padre Francisco ouviu-a em confissão, deu a comunhão e procedeu à Unção dos Enfermos. Ao sair, perguntou a algumas pessoas que estavam do lado de fora da choupana:

– Onde está aquele mocinho que segurou meus objetos? Gostaria de agradecer-lhe...

     Para sua surpresa, os moradores insistem em dizer que, na palhoça, não entrara ninguém. Padre Francisco retornou ao Colégio Salesiano um tanto intrigado com o fato. Chegando ao Colégio, entrou na antiga capela do educandário. Foi quando seus olhos se fixaram num altar e ele viu uma imagem de São Domingos Sávio. Emocionado, reconheceu naquele santo o rapazinho que o ajudara, momentos antes, no tugúrio da enferma, a quem dera assistência espiritual.

14 outubro 2018

A dança cósmica - Por: Emerson Monteiro



Os dias, passos firmes do Tempo. Há uma lua no céu. A Lua, senhora das estações. Também no íntimo das criaturas, esta presença do movimento das marés em nós mesmos. A todo segundo, os pulsares, quasares, astros em atividades no Cosmos, bem no âmago dos sentimentos, nesse andar de Deus no senso das pisadas dEle na existência dos ritmos, na melodia do espaço infinito a mergulhar nos segredos inesgotáveis. 

Dotados das lembranças que não apagarão jamais, andam os comboios à margem do rio das mutações. Eles, os testemunhos das histórias guardadas a sete chaves na terra da consciência, aventureiros da sobrevivência nesses universos paralelos da fertilidade. Dois a dois, os animais transportam a herança da Eternidade em nós. Enquanto correm as nuvens no firmamento, desliza o fio das tradições escondidas no âmago dos indivíduos.

Buscar noutras estradas a fortuna da felicidade que carregam no coração à busca da concretude, são sedentos de absoluto. Gritos de ecos que somem no vazio dos segundos, vivem as questões nascidas da ilusão. Por vezes até quem foge sem, no entanto, saber aonde. Amantes da certeza de que algo esperam nas dobras dos caminhos, sorriem enquanto guardam consigo o senso da oportunidade que virá à frente. 

Resta, pois, a menor dúvida de que alguém sofre de solidão antes de avaliar a liberdade que mora lá no centro do Sol. O poder da Criação que troca a essência no sentido da força, ela que a tudo coordena e alimenta. Viver essa plenitude da humana libertação das prisões de quanto tudo pede crescimento, e grandeza em nós. Sustentar a certeza de conhecer a luz deste ser que somos, que reclama de nossa atenção a todo instante, e nos convida a olhar nos próprios olhos, e desvendar o quanto de firmeza impera no universo daqui de dentro da luminosidade. 

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

13 outubro 2018

Para você Refletir !- Por Maria Otilia


Neste dia 15 de outubro comemoramos mais um dia do professor. E como está difícil educar nossas crianças e jovens nestes tempos de intolerância, de falta de respeito com o outro, da desvalorização da vida,das mudanças de valores, da falta de autonomia dos pais para com seus filhos.
Para que reflitamos sobre  todas estas questões, posto uma fábula que traz ensinamentos de serenidade e bom senso. Faça uma boa leitura.

                       
    O Samurai
A quem pertence um presente?

 Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta.  Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo, e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais.  Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.  No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados pelo fato de que o mestre aceitar tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: "Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?"

"Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?" - perguntou o Samurai. "A quem tentou entregá-lo" - respondeu um dos discípulos. "O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos" - disse o mestre. "Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você permitir..."

(Autor desconhecido)

PARABÉNS PARA  TODOS OS EDUCADORES !

12 outubro 2018

Ninguém é ruim por inteiro - Por: Emerson Monteiro


Não tenho amigo, não tenho inimigo. Todos são meus professores.
                                                   Emmanuel (Chico Xavier)

Dentre os tantos que conheço, há uns que, por mais que queiram ser ruim, ainda lhes sobra algo de bom que predomina. Esforços fazem, sem dúvidas, na intenção de atingir seus objetivos. Mas os danos que ocasionam sempre deixam lições, ensinos valiosos, a quem recebe, porquanto precisa criar marra, no dizer do povo, e aprender a conviver nos conflitos, vencer desafios, intempéries, sacanagens, e crescer. No mínimo exercitar o princípio da humildade, da paciência, do perdão, das boas crenças. A semelhança de quantos outros, no meio desses também nós sujeito sermos parecidos; o mundo vive cheio de bons professores que exigem da disposição dos alunos de aprender lições diárias (quem sabe?) rigorosas.

Das práticas da natureza, os meios oferecem alternativas de novos conhecimentos a todo instante. Desde simples fenômenos dos reinos existentes, somos submetidos às leis coercitivas. Cada passo representa a chance do bom aprendizado. Instrumentos de evolução, nada passa ao largo nessas oportunidades de conquistas; doutras, de decepções, contudo livros abertos ao dispor dos viventes, formigas ou tartarugas.

Destarte, sucessivas ocasiões oferecem as formas ideais do desenvolvimento. Vêm contrariedades, e com elas os instantes inigualáveis de examinar com carinho onde pegaram os caprichos individuais, a credulidade excessiva, o orgulho, e daí limpar os campos da virtude toda vez que um pouco mais. Crescer à medida dessas horas de frustração, que alimentam a força de continuar e reconquistar a nós próprios do que temos de melhor, pois fraquejar, nunca.

Os melhores professores exigem, organizam e incentivam através desses atos talvez infames, no entanto salutares, nos domínios da educação original. Nalgumas tribos das florestas, ao chegar à idade do guerreiro, aos jovens impõem condições desafiadoras, quiçá brutais, principalmente para os olhares ditos civilizados, isto no sentido de obter as respostas necessárias a sobreviver nos embates daqueles mundos primitivos. Os acadêmicos denominam esses castigos de ritos de passagem. A civilização dos urbanos também utiliza desses ritos através dos grupos sociais e dos colegas de shoppings, turmas e engarrafamentos, eles os despertadores das hordas cotidianas face às novas gerações.

(Ilustração: Ritos de passagem, filme de Chico Liberato).

11 outubro 2018

Música no ar - Por: Emerson Monteiro


Tempos esses das circunstâncias que lembram cena derradeira do filme Ran, de Akira Kurosawa, o clássico diretor do cinema japonês. Os dois clãs que atravessaram toda a história em constantes entreveros, ao término, no confronto se digladiam na batalha monumental. Em longa planície recoberta de verde vegetação acontece o momento da grande luta.

Os exércitos exaustivamente bem equipados partem um contra o outro. Guerreiros. Cavalos. Flâmulas ao vento. Armas afiadas aos moldes do período feudal no Japão. Metais. Gritos. Armaduras. Esfacelamentos. Sons de fantasia. Dores. Agressão. Temor. Terror. Marchas de entrega à destruição quais desejos de fatalidade agregados no bloco da extrema agonia.

Na ocasião da película, a fotografia, que enquadrava todo cenário dos exércitos no transe fatal, diminui suavemente a vista dos elementos e começa subir, subir para longe no alto, distanciando o quadro e ampliando a perspectiva da visão inicial. Lado a lado com esse afastamento do campo de batalha, o som principia também desaparecer até chegar a silêncio absoluto. Quase invisíveis, bem longe, minúsculos seres ainda fervilham na paisagem colorida tais pequeninos insetos num desaparecimento gradativo.

Adiante, certa feita, ao ser indagado quanto o que representava, na linguagem do filme, o distanciamento e o silêncio posteriores daquele momento, Kurosawa diria ser assim que interpretava o modo de Deus observar as criaturas humanas e suas aventuras fugazes neste chão.

...

Semelhantes estações que afastam, das jornadas pela vida, os quadros cotidianos somem da cena e ficam perdidos na dimensão dos sonhos, esquecidos, pendentes das memórias que esvoaçam, pois tudo passa. Objetos. Situações. Emoções. Lugares. Pessoas. Planos. Espécies de nuvens de céus imensos vêm e vão à velocidade dos astros, nas gravitações do firmamento, dias e dias, noites e noites. Que antes parecia meteoros descomunais viram meras luas de mundos ora inexistentes, reinos ou farsas de personagens largados ao silêncio mais absoluto dessas cenas que se sucedem.

A Rainha do Brasil – por Dom Fernando Arêas Rifan (*)

                                                                                                                                     
            No próximo dia 12, celebraremos a Rainha e Padroeira do Brasil. Estaremos, pois, em prece pedindo sua proteção e bênção para o segundo turno das eleições, no difícil momento político e social por que passamos. Que Nossa Senhora Aparecida interceda junto de Deus para que essa eleição seja correta, pacífica e reformadora.

        Que o Brasil, que nasceu católico desde a sua descoberta, cujo primeiro monumento foi um altar e uma cruz, que teve como primeira cerimônia uma Missa, que tem essa Senhora Padroeira, mostre-se digno de tais origens e de tal Patrona, em suas instituições, suas leis, seus governantes, sua política, seus legisladores, sua população e seu modo de viver, na verdadeira justiça e caridade, na ordem e no verdadeiro progresso, na harmonia e no bem comum, na lei de Deus e na coerência com os princípios da fé cristã, base da nossa identidade pátria e princípio de toda a convivência honesta, solidária e pacífica.

        Graves males ameaçam a nossa pátria: a institucionalização do aborto (“nazismo de luvas brancas”, no dizer do Papa Francisco), a implantação da ideologia de gênero, a exaltação da prática do homossexualismo, a erotização da infância e da adolescência, a desconstrução da família natural, a implantação do socialismo e do comunismo, o abandono e a exploração dos pobres e miseráveis, a insegurança, o incentivo à criminalidade, a liberação das drogas e seus males, o desprezo da religião e suas trágicas consequências, etc, enfim, a destruição da civilização cristã e dos seus valores.

        Quando o nazismo e o comunismo, regimes totalitários, adversários no campo político, mas iguais na mesma luta contra a fé cristã, ameaçavam os povos, o primeiro com uma fé pagã e o segundo com o materialismo marxista, o Papa Pio XI escreveu, em 14 de março de 1937, a encíclica “Mit Brennender Sorge”, contra o Nazismo, que com o seu “provocador neopaganismo” instituía “leis que suprimem ou dificultam a profissão e a prática da fé, em oposição ao direito natural”, e em 19 de março do mesmo ano, escreveu a encíclica “Divini Redemptoris”, contra o comunismo ateu, onde repete as mesmas condenações dos seus antecessores, chamando o comunismo de “doutrina nefanda, contrária ao próprio direito natural, a qual, uma vez admitida, levaria à subversão radical dos direitos, das coisas, das propriedades de todos e da própria sociedade humana”, “peste mortífera, que invade a medula da sociedade humana e a conduz a um perigo extremo”.

      E, referindo-se ao comunismo, Pio XI esperava que, “além de todos aqueles que se gloriam do nome de Cristo, se oponham também denodadamente todos quantos creem em Deus e o adoram, que são ainda a imensa maioria da humanidade’, apelando a eles para que também concorram “para afastar da humanidade o grande perigo que a todos ameaça”; “todos os que não querem a anarquia e o terror devem trabalhar energicamente para que os inimigos da religião não alcancem o fim que tão abertamente proclamam”. 

         (*) Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Santuário de Aparecida acolhe réplica da primeira capela dedicada à Padroeira do Brasil

O complexo do Santuário Nacional de Aparecida agora tem a réplica da primeira capela dedicada à Padroeira do Brasil.

Fonte: Agência de Notícias Gaudium Press

   Localizado no Memorial da Devoção, o novo espaço foi criado para servir de visitação de fiéis e interessados, integrando os mais de 20 cenários do Museu de Cera.

   A capela foi construída com base nos registros e relatos dos primeiros devotos, moradores da vila de pescadores que abrigou a imagem logo após o encontro no Rio Paraíba, no ano de 1717.

    Já a capela original foi construída em 1740 e, a partir dela, em 1743, aconteceu a aprovação do culto à imagem que ficou conhecida como Nossa Senhora Aparecida.

     “Ao visitar o Memorial para acompanhar a história de Nossa Senhora Aparecida no Cine Padroeira e, em seguida, passear pelo Museu de Cera, o devoto concluirá o seu tour no espaço com a réplica da Capela, uma oportunidade para reflexão, depois da experiência de viver a trajetória de devoção em meio às mais de 70 estátuas de cera do Memorial”.

10 outubro 2018

Motivos de amar a Civilização - Por: Emerson Monteiro


Alguns talvez imaginem razões de contrariedade. Ficamos longe disso, entretanto. Há motivos de sobra de otimismo neste mundo. Os ventos sempre serão favoráveis aos navios que tenham aonde chegar, no dizer de Sêneca. Olhar em frente e seguir, ainda que diante de aparentes contradições. Tudo marcha inexoravelmente (inevitavelmente) a um fim útil, isso livre de opiniões gerais adversas. Força poderosa, mais até que força poderosa, o próprio Poder, a tudo conduz. Se é assim assim deverá ser. Coincidência não existe. O acaso é mera cogitação mental. Resta, pois, aceitar de bom grado os transes pelos quais tenham que passar todo tempo, individual ou coletivamente. No centro de um furação existe a paz, vem da Lei, causa primeira do quanto persistirá.

As gerações guardam a sabedoria que significa Cultura, de pessoa a pessoa transfere o primor das consequências. O que competirá aos viventes, desenvolver a consciência e divisar o objetivo desse movimento.

Uns procuram descobrir a essência do bem-estar; outros, entretanto, insistem chocar contra os rochedos e as limitações. Esquecidos da ciência da água, esquecem o princípio universal da adaptação aos valores da realidade.

São tantas as conquistas da inteligência que nem todos os livros até agora feitos jamais comportariam tais resultados humanos da História. O que a raça humana ocasionou do uso dos recursos originais contam a favor do empenho da boa vontade dos Céus. Carece, agora, tão só trabalhar o resumo desses resultados e estabelecer a Verdade no coração. Vencer o egoísmo que precisa ser dominado e plantar o Bem no senso das criaturas; praticar o que aprendemos das fórmulas inteligentes e efetivas.

Deixamos claro o que avaliamos: Mesmo que haja o que repensar, lastro enorme de valiosos resultados indica o destino a que os humanos anseiam e decerto viverão no passar dos dias do Futuro.

(Ilustração: Foto de Emerson Monteiro).

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)

A cultura da cana de açúcar no Cariri

 Engenho típico do Cariri cearense

    Nos dias atuais, o Sul do Ceará, passa por um processo de transformação, em todos os sentidos da vida, o que levou muitas de suas práticas e atividades tradicionais ao desaparecimento. No setor da economia do Cariri, uma das atividades do passado, praticamente extinta, foi o cultivo de cana de açúcar, a qual perdurou desde o início do povoamento desta região – início do século 18 – até princípios da década 1960.

       Segundo a arquiteta e historiadora Maria Yacê Carleal Feijó de Sá (autora de um monografia de Mestrado “Os Homens que Faziam o Tupinambá Moer”, UFC, 2007), os brejos do Cariri, desde a época da distribuição das sesmarias, já passaram a ser tomados pela plantação da cana-de-açúcar, de forma que antes mesmo de 1725 já funcionavam as primeiras estruturas que fabricavam o melado e a rapadura na região. No ano de 1765, estima-se que já existiam 37 unidades fabricando mel e rapadura no Cariri. Segundo Yacê, em 1858 já existiam cerca de 300 engenhos de fabrico de rapadura no Cariri, e desses, 72 engenhos ficavam no pé de serra e no brejo do município de Barbalha.

           No Cariri, os engenhos passaram por três fases. Na primeira, no século XVIII, como a água nas nascentes eram abundantes, as moendas eram movidas pela força hídrica. A segunda fase foi a tração do boi que movia as moendas dos engenhos. Por fim, veio a fase dos engenhos de ferro. Os primeiros desse tipo foram trazidos, possivelmente, de Pernambuco.

           Mas essa atividade econômica, que gerou tanta riqueza, que fez surgir uma aristocracia ruralno Sul do Ceará, que fez o Cariri progredir, desapareceu. Hoje, em Barbalha, existem apenas cinco engenhos, que se mantêm com pequena atividade. Desses, dois fabricam somente rapadura e, os outros três, além do doce, fazem cachaça, batida e alfenim. Mas todos só trabalham por encomenda.

               Para conhecer mais sobre o assunto, existe um pequeno livro – “Engenhos de Rapadura do Cariri” – escrito pelo historiador J. de Figueiredo Filho, com uma segunda edição publicada em 2010, pelas Edições UFC, da Universidade Federal do Ceará.

Instituto Cultural do Cariri vai fundar o “Museu do Engenho de Rapadura”

      A atual direção do Instituto Cultural do Cariri-ICC está elaborando um projeto para criação do Museu do Engenho de Rapadura do Cariri. Excelente iniciativa para uma cidade onde o Poder Público Municipal fechou, há dez anos, os dois maiores museus públicos: o Museu de Artes Sinhá D’Amora e o Museu Histórico de Crato. Este último criado pelos fundadores do Instituto Cultural do Cariri.

    Explica o Presidente do ICC, o advogado Heitor Feitosa,  que a ideia de fundação do Museu do Engenho de Rapaduras do Cariri surgiu pela nostalgia da população caririense com o fim da exploração da cana de açúcar, que era o carro-chefe da economia do Sul do Ceará. Diz Heitor Feitosa que esse fim foi danoso tanto à história, como à memória do Cariri.  

65 anos da revista “A Província”


     Fundada em 1953, a revista “A Província” é a mais antiga publicação cultural da cidade de Crato. Bom lembrar que a revista “Itaytera”, órgão oficial do Instituto Cultural do Cariri, só teve seu primeiro número lançado em 1955.
     No seu próximo número, “A Província” prestará uma homenagem ao escritor F.S. Nascimento, um dos seus fundadores, recentemente falecido. Os outros dois fundadores da revista, também falecidos, foram   Florisval Matos e Humberto Cordeiro. 

     “A Província”, nos dias atuais, é fruto da teimosia e perseverança do Prof. Jurandy Temóteo, diretor e redator da revista. Jurandy vem publicando “A Província” todos os anos. Existem anos que ele chega a publicar dois números da revista, cujo lema é: "O universal pelo regional". Coerente, pois, com esse objetivo embutido, verifica-se que não precisa ser cratense para ser alcançado pelos conteúdos do periódico. Os assuntos tratados, na sua maioria, extrapolam o regional e têm essa conotação universal.

Jornalistas do Cariri: José Joaquim Teles Marrocos

    Fátima Menezes – em “Síntese Biográfica”, página 6 – escreveu que José Joaquim Teles Marrocos nasceu em Crato, no dia 26 de novembro de 1842, filho do Padre João Marrocos Teles. A respeito de sua mãe, pouco se sabe. Apenas que “era filha de escravos e residia nas proximidades de Crato”. José Marrocos era primo e amigo do Padre Cícero Romão Batista.

     Raimundo de Oliveira Borges, – no livro “O Crato Intelectual”, páginas 19/20, – escreveu que José Marrocos foi jornalista, latinista, abolicionista e uma das principais campanhas pró-abolição da escravatura na Província do Ceará. Escreveu em vários jornais do Rio de Janeiro e de Fortaleza, defendendo com destemor a extinção da escravatura. Na verdade, o professor José Joaquim Teles Marrocos foi muito mais. Foi educador e fundador de várias escolas na atual conurbação Crajubar; católico fervoroso e formador de várias gerações de caririenses. 

      Em 1908 deixou de residir em Crato e se fixou em Juazeiro do Norte. Passou a fazer parte desta última cidade. Não somente por ser um defensor ardoroso do que se convencionou chamar “O milagre da hóstia”, fenômeno verificado, diversas vezes, quando a Beata Maria de Araújo recebia a Santa Comunhão, mas por outras atividades no setor da educação e como jornalista. Foi redator do jornal “O Rebate”, publicado em Juazeiro do Norte, que defendia a emancipação da então “Vila do Joaseiro”, à época pertencente ao município de Crato.

      Ao falecer, em 14 de agosto de 1910, estava escrevendo um livro, “A Questão Religiosa de Juazeiro”, obra que nunca foi publicada. Está sepultado no Cemitério do Socorro, ao lado do túmulo do Beato José Lourenço. em Juazeiro do Norte.
Foto do velório do Prof. José Marrocos em 15 de agosto de 1910.

História: O primeiro vigário de Juazeiro do Norte


   Quando o primeiro Bispo de Crato, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, criou a Paróquia de Juazeiro do Norte – em janeiro de 1917 – designou para administrá-la um dos mais cultos e virtuosos sacerdotes da nova Diocese:  o Padre Pedro Esmeraldo da Silva. Este era considerado o maior orador sacro da Diocese de Crato.

      Nascido em Crato, em 29 de janeiro de 1876, Pedro Esmeraldo de Crato ingressou, ainda criança, no Seminário São José de Crato. Lá, fez o curso primário. Adolescente, seguiu para o Seminário de Olinda, onde fez os estudos preparatórios para o sacerdócio. Transferiu-se para o Seminário de Fortaleza, onde fez o curso de Teologia. Não tendo idade canônica para ser ordenado padre, continuou no Seminário de Fortaleza como professor. 

         Voltando a sua cidade natal foi um dos sacerdotes que reabriram o Colégio São José, o qual depois teria o nome mudado para Ginásio do Crato e, posteriormente, Colégio Diocesano do Crato. Em 1917, Mons. Esmeraldo foi nomeado o primeiro Vigário da Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte. Saiu dali para exercer o cargo de Cura da Catedral de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Anos depois retornou ao Ceará e pediu ao Bispo de Crato que o nomeasse, novamente, como Vigário de Juazeiro do Norte. Morreu nessa função, no dia 1º de outubro de 1934, de um enfarto fulminante. O povo de Juazeiro levou, a pé, o corpo do seu vigário para ser sepultado no cemitério de Crato.

Faleceu o sacerdote mais velho da Diocese de Crato

 Monsenhor Aluízio celebrou a missa durante 80 anos de sua existência

    Faleceu no último dia 5 de outubro, em Fortaleza, o decano do clero cratense. O título cabia por direito ao Monsenhor Aluízio Rocha Barreto, o qual, nesta quarta-feira, de outubro de 2018, teria completado 104 anos de idade. Ele já residia há várias décadas na capital cearense.

     Monsenhor Aluízio Rocha Barreto nasceu em Missão Velha, em 10 de outubro de 1914. Ele veio ao mundo dez dias antes da criação da Diocese de Crato, fato ocorrido em 20 de outubro de 1914, por ato do Papa Bento XV.  Por isso, Monsenhor Aluízio também festejou seu centenário de nascimento, no mesmo ano e mês que a Diocese de Crato comemorava o centenário de sua criação.

      Em fevereiro de 1934, o seminarista Aluízio Rocha Barreto já estava estudando no Seminário Provincial de Fortaleza, aonde foi ordenado sacerdote no dia 5 de dezembro de 1937.  Foi designado, dias depois, como vigário cooperador de Missão Velha, sua cidade natal. Em 1939 foi nomeado vigário do município de Farias Brito. Em 1940 e 1941 vamos encontrá-lo como professor do Colégio Diocesano de Crato.  Depois dessas atividades, Monsenhor Aluízio Rocha Barreto deixou a diocese de Crato indo exercer pastoreio na Diocese de Caicó, no Estado do Rio Grande do Norte. A partir de 1958 fixou residência em Fortaleza, aonde residiu durante 60 anos.

08 outubro 2018

As marcas do tempo - Por: Emerson Monteiro


Nem sei (e sei!) o motivo dos humanos gastarem tantas vezes lambendo as feridas e com medo das cicatrizes que a vida impõe no decorrer das horas intermitentes. Depois, se acham velhos e feios, e tal... Ninguém aceita de bom grado o pisar dos dias; ou aceitando, ficam esdrúxulos, calados, quando veem cair os dentes, as linhas das rugas, a sequidão da pele, pois os conceitos estéticos custam moeda corrente e mistura a cabeça dos racionais feitos ácido, machucam de criar calo na alma das criaturas. Ninguém que se preze gosta de olhar o espelho de passados que já foram, quatro, cinco décadas atrás em agruras e prazeres a fio, e dramas ocasionais pelas quebradas deste chão transitório.

Porém, ah! poréns dessa jornada terrena... Todavia (vamos mudar o termo) de pouco adiante recalcitrar contra o aguilhão, no dizer de Paulo de Tarso, porquanto a história nem muda de página quando quer passar adiante. Vamos nós, alimárias, tangidas pelo senhor do Tempo no rebanho dos momentos, laranjas do mesmo saco, ostras nos rochedos distantes. Ou descobre a que veio, ou há que regressar quantas vezes necessárias aos aprendizados, tempos e tempos. Velha submissão aos valores eternos, vamos premidos às moedas dos desejos, cabeças focadas no interesse individual e satisfeitos da sorte, quando muito.

Nisso, a força da sabedoria de quem na tem, viver com mínimo de sensatez perante o destino e as eras. Querer, ou confrontar, pouco importa, se importar. O padrão serve a todos, pobres ou remediados, nas hostes dos vagões espalhados nas galáxias, atores ou diretores; sujeitos ou objetos dos seriados em voga. E tempo trará de fora adentro orientações de humildade aos que abrem os olhos neste sonho exótico. Que é que aprendi até hoje dessa engrenagem de trituração de matéria em espírito?

Bem, quase só isso, dessas reflexões periódicas das perfectividades, desse amor de gente que existimos a trocar passos. Querer o mínimo de coerência no teatro das ilusões de conhecer o mundo em volta. Tocar as circunstâncias e transformar gestos em trilhas na barriga do Tempo, quais instrumentos da compreensão de tudo em movimento.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

Fatos históricos desconhecidos da população brasileira

Nossa Senhora Aparecida, Generalíssima do Exército Brasileiro

Poucos brasileiros sabem, mas Nossa Senhora Aparecida recebeu das Forças Armadas, há 50 anos, a patente de Generalíssima do Exército Brasileiro. Em sua vertente masculina — Generalíssimo — trata-se de uma das mais altas patentes militares, de caráter exclusivo masculino. O termo, que é um superlativo da palavra General, é utilizado para destacar Generais, cujos cargos foram além do normalmente permitido pelas patentes militares.

    Em 17 de abril de 1965, uma comissão de militares de Belo Horizonte encaminhou ao Reitor do Santuário de Aparecida o pedido de peregrinação nacional da imagem, em decorrência das comemorações dos 250 anos de seu encontro, a iniciar pela capital mineira Belo Horizonte. O pedido fora levado a Aparecida/SP, em pergaminho, pelo Comandante da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. O documento trazia os seguintes dizeres:

“O Povo Mineiro, interpretando o desejo de todo o Povo Brasileiro, vem, pela comissão abaixo relacionada, respeitosamente, pedir a Vossa Eminência Reverendíssima e ao D.D. Conselho Administrativo da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, que se dignem conceder licença para que a Imagem de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, seja levada em triunfante peregrinação às Capitais de todos os Estados do Brasil, sendo em Brasília aclamada Generalíssima das Gloriosas Forças Armadas Brasileiras”.

      Segue-se a assinatura do então Presidente da República, Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. Porém, o pedido de peregrinação acabou não sendo atendido. O título de Generalíssima do Exército foi protelado, e assim coube posteriormente ao então Presidente da República, Marechal Arthur da Costa e Silva, outorgar em 1967 o título. O ato aconteceu na capital espiritual do Brasil — Aparecida/SP — durante as comemorações dos 250 anos do encontro da imagem, na mesma ocasião em que foi solenemente entregue pelo legado pontifício, o Cardeal Amleto Cicognani, a Rosa de Ouro — alta condecoração pontifícia exclusiva para mulheres — oferecida pelo Papa Paulo VI em 15 de agosto de 1967.
       Passou assim a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida a ter o reconhecimento civil conferido pela patente mais alta do Exército Brasileiro, sendo-lhe prestadas as devidas reverências e honras militares.

Fonte: site da Academia Marial de Aparecida http://www.a12.com/academia/artigos/os-titulos-de-aparecida-generalissima-do-exercito

Príncipe da Família Imperial Brasileira é eleito deputado federal por São Paulo

   O novo deputado eleito dentro da onda conservadora que dominou o pleito em São Paulo é cientista político, empresário e ativista político. 

    Ele  avalia que há diversas pautas que resgatam o que ele chama de boas práticas que existiam no Brasil Império, mas não existem nesta fase republicana do Brasil. “A monarquia faz parte da identidade nacional. Quanto mais nos distanciamos dessa identidade, pior ficamos. E quanto mais próximo, melhor para todo o conjunto. Essa vontade de resgate da identidade nacional permeia vários partidos. Há mais gente entendendo que é preciso resgatar essa identidade”, afirmou Dom Luiz Philippe."

Abaixo a relação dos novos deputados federais por São Paulo  eleitos pelo PSL

Eduardo Bolsonaro (PSL)
Joice Hasselmann (PSL)
Alexandre Frota (PSL)
Luiz Philippe O. Bragança (PSL)
Junior Bozzella (PSL)
Carla Zambelli (PSL)
General Peternelli (PSL)
Abou Anni (PSL)

Janaína Paschoal é a deputada estadual mais votada da história do Brasil


Fonte: "Folha de S.Paulo" - Gabriela Sá Pessoa e Paulo Saldanha

Advogada foi autora do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma

Puxada por Jair Bolsonaro e pelo antipetismo, a professora Janaina Paschoal (PSL) alcançou, na eleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo, a maior votação da história entre candidatos para deputado no Brasil.

Com 2.031.829 votos (e 98,29% das urnas apuradas), Janina Paschoal superou o recorde histórico nas disputas para o legislativo estadual paulista, mas também obteve mais votos do que o campeão de votos para deputado federal. A marca foi alcançada neste ano por Eduardo Bolsonaro (PSL), candidato à Câmara federal por São Paulo. Ele atingiu 1.814.443 votos (com 98,29% das urnas apuradas).

​Paschoal foi autora do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e esteve cotada para ser vice de Bolsonaro. Sua votação em São Paulo foi superior ao que recebeu candidatos à presidente como Cabo Daciolo (Patriota),Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede).

A votação de Paschoal foi mais de seis vezes superior do que a maior marca já alcançada por um candidato à Assembleia paulista. Em 2014, o tucano Fernando Capez, que já era deputado, liderou a disputa com 306.268 votos.

Os votos recebidos pela deputada eleita representam 9,92% dos votos válidos. Paschoal teve quatro vezes mais votos que o segundo colocado, Arthur Mamãe Falei (DEM), que se notabilizou na internet como militante antipetista e é integrante do MBL (Movimento Brasil Livre). Arthur recebeu 470.606 votos.

O PSL, de Bolsonaro e Paschoal, ainda garantiu o quinto candidato mais bem votado. Gil Diniz, autointitulado Carteiro Reaça, obteve 210.439 votos.

Esse fenômeno deve ajudar o PSL a ter a maior bancada na Assembleia a partir do ano que vem –a sigla não tinha nenhum deputado. As cadeiras da Assembleia dependem do cálculo que leva em conta o total de votos recebidos por partidos e legendas.

A guinada à direita -- por Catarina Rochamonte (*)


    Jair Messias Bolsonaro ainda não foi eleito Presidente da República, mas sua candidatura já representa um fenômeno na política brasileira.

    Durante a campanha, a esquerda anunciou estrepitosamente que a vitória do seu demonizado adversário da direita seria o fim da democracia, mas o que vimos de ameaça à democracia saiu da faca de um fanático da esquerda, da boca de José Dirceu e das inúmeras denúncias de prováveis fraudes nas urnas eletrônicas, todas elas prejudicando o candidato do PSL.

     O reduto midiático e acadêmico de uma elite cultural meio alheia à realidade do brasileiro comum sente certa dificuldade para compreender o que se passa no Brasil e no mundo. Como assim Donald Trump foi eleito? Como assim estão a eleger o Trump brasileiro? Como assim nós intelectuais, artistas, pessoas com mais consciência política não conseguimos convencer o povo de que estavam elegendo a encarnação de Adolf Hitler? Como assim "ele" subiu nas pesquisas depois do "#EleNão"? Como assim fugiram do nosso cabresto ideológico?

     Não compreendem, esses pseudointelectuais, que se firma uma resistência à devastação moral que décadas de doutrinação de viés materialista, marxista e progressista nos legou. Não compreendem que em um País no qual boa parte da população não tem sequer saneamento básico não se leva a sério quem se exalta na defesa de banheiro trans; que em um País com saúde pública caótica só pessoas comprometidas ideologicamente se ocupam da luta pela legalização do aborto; que em um País com índices alarmantes de homicídios só políticos hipócritas pensam mais no criminoso do que na vítima; que em um País de maioria cristã não se admite facilmente que nossa moral seja escarnecida dia a dia e que se imponha goela abaixo dos pais as idiossincrasias sexuais de pedagogos vitimados pela lavagem cerebral de um sistema educacional decadente. Não compreenderam nada disso e por isso se espantaram nessas eleições.

 (*) Catarina Rochamonte Doutora em Filosofia e professora da Universidade Estadual do Ceará - Uece

05 outubro 2018

A luz do silêncio - Por: Emerson Monteiro


Isso de procurar tanto e tanto por vezes fere a paz das criaturas humanas. Saem feitos abismados à cata dos cascalhos que preencham o apetite e deparam fechados os portões da felicidade. Batem cabeça nos enigmas do Universo e aceitam que a derrota ande junto das ilusões que, no entanto, alimentam o fervor de continuar. Contudo tanto faz que seja de tal modo, insistem nos hábitos e aceitam de bom grado o desgosto qual atitude constante, teimosos aventureiros de si.

Há o contraponto nas estradas, pois impera no ventre das circunstâncias essa mostra imbatível das essências principais cotidianas, a justeza das grandezas que são todos, entes infalíveis das existências. Dentro mora de verdade a certeza de andar no rumo de encontrar lá um dia, ou talvez daqui a poucos instantes, o pouso da conquista, pois ninguém que seja o dono único da exatidão das matemáticas.

O ritmo anda solto nas mãos da realidade. O ser guarda em si o senso da liberdade, que significa o índice da plenitude. Dalguns passos das presenças bem logo ali viceja a força da harmonia de tudo de que somos testemunhas privilegiadas de nossos próprios, senhores da vontade que caracteriza a consciência de que fomos donatários. E dessa beleza indômita marchamos ao prumo da alegria e dos sons, herdeiros da Verdade.

Quanto de perfeição reside na alma das pessoas a poucas palavras da compreensão dos segredos vivos no território da amabilidade. Autores do mundo que habitamos no íntimo do mistério desta vida, cá vamos a tanger o rebanho dos pensamentos em festivais de sentimentos; adotamos meras angústias que representam a tranquilidade, porém guardamos nas sete capas do coração a conquista do dia da realização.

Canções felizes das mais doces emoções evolam do peito em momentos de enlevo que acalmam os desejos de agora e clareiam de prazer espiritual a consistência das horas queridas. Pastores das condições dessa história, abraçamos o silêncio que fala da esperança e das boas transformações no centro aonde um dia dominaremos o Infinito.

04 outubro 2018

Instituto Cultural do Cariri - ICC convida todos os sócios para as comemorações relativas aos 65 anos, hoje, 4 de outubro, às 19h.




O Instituto Cultural do Cariri - ICC em alusão às comemorações aos seus 65 anos de existência, convida a sociedade caririense a se fazer presente hoje, 4 de outubro, às 19h na sede do Instituto ( Defronte ao Parque de Exposições, em Crato ) para diversas atividades, dentre elas, um coquetel entre amigos. 

O evento faz parte de várias atividades que vêm sendo realizadas ao longo dos últimos meses. Veja toda a programação nos infográficos.

Fonte: Blog do Crato


Carta de Hélder Macário de Brito para Pedro Esmeraldo

Pedro, meu prezado amigo,
Um abraço,
 
   Li a sua carta de alguns dias e o que você diz nela, quase que bate com o que eu penso e às vezes, digo: os cratenses não têm interesse devido em criarem as suas próprias fontes de estabilidade.
     O Crato dominou por muitos anos uma vasta região, no que dizia respeito à educação, à saúde, à cultura e ao próprio comercio.  Até no setor da agropecuária poderia ainda dominar, mesmo porque realiza a tão importante exposição agropecuária que, apesar de haver perdido muito do seu valor como exposição, tornando-se apenas uma grande festa, deixa de ser do município, para ser do estado, deixando de ser realizada pelo seu ilustre fundador, senhor Pedro Felício, infelizmente já falecido, ou por pessoas daqui mesmo das “redondezas”, para ser realizada por pessoas sem o vínculo que tinha o seu grande fundador, deixando de ser a simplesmente Exposição do Crato, para ganhar o pomposo nome de “ExpoCrato”, deixou, cada vez mais, de ser a inspiração de muitos agropecuários do município que poderiam criar aqui uma grande bacia leiteira, tanto com vacas como cabras, mostrando aos interessados neste assunto as raças ideais, tanto bovinas como caprinas, para tal mister, dando opiniões para que fossem mantidas saudáveis os rebanhos, que fossem produzidos muitos queijos, ricotas, leite desnatado ou pasteurizado, muita manteiga, etc., ensinando como fazer inseminação artificial, como produzir na propriedade as mais diversas rações como ensilagem, hidroponia do milho, a extração do leite de soja e o consequente fabrico do farelo de soja, além do próprio farelo de milho, de cujas rações, misturando-se, poderiam ser feitas rações para os mais diversos animais, principalmente, os suínos que até dos seus excrementos poderia ser tirado gás utilizado em fogões e os detritos, utilizados como adubo para qualquer plantação, inclusive fruteiras como uva, morango, melão, melancia, banana, para citar apenas as que produzem mais rapidamente, mas poderia usá-lo como adubo em hortaliças de qualquer espécie e até flores, muitas flores poderiam ser plantadas.

Você há de pensar: Se Helder diz dominar tantas técnicas, como fala, porque não se dedica a fazer o que diz?
E eu lhe respondo: Não faço o que digo porque não disponho de um sítio para fazer a tudo de que falo, nem disponho de condições financeiras para adquirir, e então, mostrar a tantos cratenses que possuem uns ou mais, mas nada fazem, tudo o que sei fazer.

Ah, se eu possuísse um sitiozinho, mesmo pequeno! Eu garanto a você que tudo o que eu falo, eu faria com muito, mas com muito prazer mesmo, o que, com certeza, até mais vida me daria, portanto, eu gosto de fazer tudo e muito fiz, lá nas margens de um açude, durante secas rigorosas, no município de Campos Sales.

É sabido que, tudo o que tiver de ser feito, requer trabalho, mão-de-obra, e isso está em falta no campo, por causa do que alguns governos provocaram, mas, eu acho que, facilitando transporte, muitos desempregados nas ruas iriam ao campo desempenhar os serviços que criássemos, você não acha?
Bem, Pedro, acho que já falei demais e ficarei por aqui.
Até outro bate papo!

Helder Macário
Crato/CE, 01 de outubro de 2018

03 outubro 2018

Enquanto Crato fecha seus museus... Quixeramobim começa a restauração da casa de Antônio Conselheiro

O restauro da antiga moradia do Mártir de Canudos, em Quixeramobim, era aguardado desde 2012
Fonte: "Diário do Nordeste" -- 03.10.2018,  por Alex Pimentel
     O projeto de restauro foi elaborado pelo Departamento de Arquitetura e Engenharia do Estado do Ceará (DAE), e os serviços estão sendo fiscalizados pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Coepa) ( FOTO: ALEX PIMENTEL )

Um valioso patrimônio da história nacional, a casa onde viveu o beato Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, principal personagem da batalha mais sangrenta do sertão da Bahia, a Guerra de Canudos, está sendo restaurada. As obras no prédio tombado como patrimônio histórico do Estado, situado no Centro de Quixeramobim, foram iniciadas há pouco mais de uma semana. Deverão estar concluídas dentro de 90 dias.

O projeto de restauro foi elaborado pelo Departamento de Arquitetura e Engenharia do Estado do Ceará (DAE). Como se trata de uma edificação incorporada oficialmente no acervo estadual, os serviços estão sendo fiscalizados pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Coepa), informou a vice-presidente do Conselho, a arquiteta Márcia Sampaio.

De acordo com o arquiteto Alexandre Veras, da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult), estão sendo adotados todos os cuidados para manutenção dos traços originas do casario, incluindo as esquadrias e a coberta. Complementando a obra, um anfiteatro está sendo construído nos fundos do terreno. Terá vista para o rio Quixeramobim. Uma rampa para o acesso de cadeirantes está no projeto, acrescentou o representante técnico da Secult.

Orçados em R$ 695 mil, os serviços, descritos como reforma e adaptação da casa de Antônio Conselheiro, estão sendo realizados pela Urbis Construtora, especializada em restauro de edificações históricas como a Casa de Saberes Cego Aderaldo, no município vizinho, Quixadá, recuperada pela empresa em 2016. O processo é praticamente o mesmo, explicou o encarregado da empreiteira, Raimundo Batista Lourenço.

O restauro da antiga moradia do Mártir de Canudos era aguardado desde 2012, ressaltou a chefe de Gabinete da Prefeitura de Quixeramobim, Guida Pimenta. Como o Município possui recursos escassos, precisa contar com o amparo dos governos do Estado e Federal. Sensível com a preocupação de historiadores da cidade, com a preservação de uma das suas maiores riquezas, juntamente com a Casa de Câmara e Cadeia, hoje Câmara Municipal, a Secult atendeu o apelo e disponibilizou os recursos.

Símbolos

Os dois imóveis estão localizados próximos a outros dois símbolos da história da cidade, a Igreja Matriz de Santo Antônio, atualmente sendo restaurada pela própria paróquia, e o Casarão de José Felício; Juntando-se ao Paço Municipal, outro casarão secular, formam um dos maiores sítios históricos do Ceará em área urbana. O Memorial, dedicado ao Conselheiro e a Igreja do Cemitério Municipal complementam esse conjunto.

O Instituto do Patrimônio Histórico, Cultural e Natural de Quixeramobim (Iphanaq), através do historiador Ailton Siqueira, destacou a luta da comunidade. "Documentos, um abaixo assinado e o coletivo cultural da cidade foram utilizados em prol da causa da preservação e da valorização da história do seu povo".


02 outubro 2018

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


65 anos do Instituto Cultural do Cariri–ICC


    Iniciadas em 06 de setembro de 2018, com o lançamento do livro-póstumo de Manoel Patrício de Aquino (“Alguma Coisa”), as comemorações alusivas aos 65 anos de fundação do Instituto Cultural do Cariri–ICC, prosseguiram no dia 28, do mesmo mês, com o lançamento do livro “Dormindo à Borda do Abismo”, de José Flávio Vieira.

      As festividades prosseguirão nesta 5ª feira, 4 de outubro, com uma sessão comemorativa pelos 65 anos de fundação do ICC. Será às 19:00h. na sede da instituição com hasteamento de bandeiras, replantio de um mandacaru (árvore símbolo do ICC) e lançamento do número 47 da revista Itaytera, alusiva a 2018.

       Na mesma ocasião será oficialmente lançado o site do ICC na Internet. Este site disponibilizará, para consultas, a coleção digitalizada completa da revista “Itaytera”. Nessa sessão serão abertas as comemorações pelo centenário de nascimento dos ex-sócios Alderico de Paulo Damasceno, Pe. Antônio Vieira e José do Vale Arraes Feitosa. Um coquetel será servido aos presentes.

          No próximo dia 18 de outubro de 2018, será celebrada uma missa comemorativa aos 65 anos de fundação do Instituto Cultural do Cariri, na Catedral de Nossa Senhora da Penha. No dia 09 de novembro vindouro haverá sessão de homenagem aos fundadores e ex-presidentes do Instituto Cultural do Cariri. Será orador oficial o repórter da Rede Globo, e sócio do ICC, jornalista Francisco José de Brito. Ele é titular da Cadeira 17, que tem como patrono o jornalista João Brígido.

             Finalmente, nas datas 20 e 21 de dezembro de 2018, será realizada a 1ª Festa do Livro do Cariri–FLICA, tendo como local a Praça Siqueira Campos. Naquelas datas haverá lançamentos e venda de livros, apresentações musicais, folclóricas e danças, exposição de arte, desfile de modas e mesas redondas, dentre outras atrações. 

A presença da Igreja Católica na formação do Cariri

 Capela  de Santo Inácio de Loyola, localizada no Sítio Caldeirão, no município de Crato. Este pequeno templo foi construído pelo Beato José Lourenço

    A Igreja Católica contribuiu de forma decisiva para a formação da sociedade caririense. As cidades do sul-cearense, em sua maioria, surgiram ao redor de um templo católico. Geralmente uma capelinha construída numa pequena comunidade. Os santos faziam parte das nossas famílias nos albores do Cariry Novo. E estavam presentes na rotina do povo, tanto da zona rural, como das pequenas vilas, a partir dos anos de 1700. As relações entre Igreja Católica e as instituições governamentais foram estreitas no Sul do Ceará. 
      Tanto no tempo do Brasil-Colônia, quanto no Brasil-Império. Essa relação garantia a disciplina social da nossa sociedade. Ademais, a Igreja, por ser a religião oficial do Brasil, também executava no Cariri as tarefas administrativas que hoje são atribuições do Estado. A exemplo do registro de nascimentos, mortes e casamentos. Somente a partir do golpe militar de 15 de novembro de 1889, começou a declinar a influência do catolicismo na vida dos caririenses.

A religiosidade do povo caririense


 Igreja-Matriz de Senhora Santana, na cidade de Santana do Cariri

   O médico-historiador Irineu Pinheiro sintetizou, com rara felicidade, a principal característica do povo caririense: a religiosidade. No livro “O Cariri”, publicado em 1950, escreveu ele que essa característica foi preponderante na formação do caririense. A conferir: 

“Foi sempre muito religioso, inda hoje o é, o povo do Cariri. Vive, como todo cearense, a apelar para a misericórdia divina, no decurso de sua existência entremeada de épocas de fartura e felicidades e misérias e morte. Cite-se, aqui, um exemplo da fé inabalável da mulher sertaneja. Em quaisquer perigos, em momentos, por exemplo, de grandes chuvas acompanhadas de relâmpagos e trovões de estalo, costuma ela ajoelhar-se diante de seus humilíssimos registros de santos e rezar o rosário apressado da Virgem da Conceição”. (...) “Em toda a zona do Cariri, também nos sertões circunvizinhos, extremou-se a religiosidade popular”

A força da Igreja Católica no Cariri

         A bem dizer, a Igreja Católica foi a bússola usada para guiar as populações caririenses desde o povoamento do Sul do Ceará.  Missão Velha e Crato – as duas mais antigas povoações do Cariri – nasceram como frutos do trabalho evangelizador dos frades franciscanos capuchinhos, que aqui atuaram a partir do início do século 18, ou seja na primeira década de 1700. Passados 318 anos, a conduta dos caririenses – sua cultura, mentalidade, usos e costumes, enfim, muito do que diz respeito à prática religiosa do nosso povo – deve-se a sua relação com esses missionários franciscanos que habitaram entre nós.

        Ainda hoje nossas cidades são tituladas, e até conhecidas, pela herança da evangelização católica. A “Terra do Padre Cícero ou “A Terra da Mãe de Deus” (Juazeiro do Norte); “A Terra de Santo Antônio” (Barbalha); “A Terra de São José” (Missão Velha) ou “A Cidade de Frei Carlos” (Crato), são exemplos mais conhecidos. Mas é comum, à entrada das cidades caririenses, a existência de arcos ou monumentos dedicados aos seus padroeiros. Falar em Padroeiros, as suas festas representam, ainda hoje, grandes manifestações coletivas de fé e interação social. Algumas têm registros no nosso patrimônio histórico.

Os santos padroeiros dos municípios caririenses

 Procissão a Nossa Senhora da Penha -- Imperatriz e Padroeira da cidade de Crato -- no último dia 1º de setembro

       Festas como a de Nossa Senhora das Dores (Rainha e Padroeira de Juazeiro do Norte) e a de Santo Antônio (Padroeiro de Barbalha) obtêm repercussão nacional e são divulgadas pela grande mídia televisiva do Brasil. Mas não só estas. Repercussões menores, mas também significativas, atraem multidões para os festejos de Nossa Senhora da Penha (a “Imperatriz de Crato”, como reza a tradição mais do que bicentenária), de São Raimundo Nonato (Padroeiro de Várzea Alegre), de São José (Padroeiro de Missão Velha e Potengi). Outras festas de Padroeiros estão inseridas no calendário turístico do Cariri: Santa Teresa D’Ávila (Altaneira), Santo Antônio (Antonina do Norte, Araripe, Barro e Jardim), Nossa Senhora das Dores (Assaré e Jamacaru), São Pedro (/Caririaçu), Senhora Santana (Jati e Santana do Cariri), Nossa Senhora da Conceição (Mauriti e Porteiras), Nossa Senhora dos Milagres (Milagres), São Sebastião (Nova Olinda). Todas essas cidades realizam festejos significativos paras seus Patronos e Patronas.

A capela de São Sebastião dos Currais

   Quem percorre a estrada Barbalha-Arajara-Crato, em direção à última cidade, é surpreendido — cerca de cinco quilômetros, antes de chegar ao destino — quando avista, no lado direito, uma singela e respeitável capelinha, típica dos templos rurais do século 19. Trata-se da Capela de São Sebastião, do sítio Currais, erguida para atestar, às gerações futuras, uma grande graça concedida por Deus, à população daquela localidade, na segunda metade do século 19.

      Damos a palavra ao historiador Irineu Pinheiro que fez menção deste fato no seu livro “O Cariri”, página 245: “Em 1862 prometeu o major Felipe Teles Mendonça erigir uma capela em seu sítio Currais, a uma légua do Crato, dedicada a São Sebastião, se não morresse de cólera-morbo nenhum dos membros de sua família ou de seus moradores. Naquela época a epidemia do mal asiático abateu milhares de pessoas em todo o Ceará. Nada sofreram o major Felipe e os de sua casa e sítio. Em 12 de outubro de 1863, para cumprir o seu voto, pediu ao Bispo Dom Luiz Antônio dos Santos licença para edificar a igrejinha, licença que lhe foi dada no dia 13 do mesmo mês e ano, depois de informação favorável do vigário de Crato, Pe. Joaquim Aires do Nascimento. Mas só em 1888, após ter o segundo Bispo do Ceará, Dom Joaquim José Vieira, confirmado a graça concedida por D. Luiz, foi erguida a capelinha e benzida pelo vigário do Crato, Antônio Fernandes da Silva”. 

História: Sesquicentenário da Casa de Caridade de Crato
 Como era a Casa de Caridade de Crato até a década 1950

   No próximo ano – mais precisamente em 07 de março de 2019 – será festejado os 150 anos de inauguração da Casa de Caridade de Crato. O médico-historiador José Flávio Vieira, no seu mais recente livro (“Dormindo à Borda do Caminho – A Medicina no Cariri Cearense–1800-1900”, na página 146) fez uma retrospectiva daquela instituição, fruto do trabalho apostólico do Servo de Deus Padre José Antônio de Maria Ibiapina.

      Dentre outras informações, José Flávio publicou: “ (A Casa de Caridade de Crato) Teria uma longa e profícua atividade, permanecendo em funcionamento por quase cem anos. Na Casa de Caridade de Crato, além das funções habituais da instituição, montou-se um Gabinete de Leitura (talvez a primeira biblioteca da cidade) e que em notícia de 20 de março de 1870, na “Voz da Religião do Cariry”, possuía 45 volumes”. Número considerável para aquela recuada época.

        As instalações da Casa de Caridade de Crato também abrigaram, em caráter temporário, (a partir de 23 de dezembro de 1936), o recém-criado Hospital São Francisco de Assis de Crato, iniciativa do 2º Bispo da nossa diocese, Dom Francisco de Assis Pires.

          Apesar de o prédio ter sido descaracterizado (por reformas feitas sem preocupação de preservar o aspecto original do prédio), a Casa de Caridade de Crato se constitui num edifício que deveria ser tombado pelo Patrimônio Histórico do Ceará. Aquele imóvel perdeu, é verdade, muito da sua bonita fachada. Na década 50 do século passado foram destruídas, também, suas centenárias árvores fruteiras e outras plantas ornamentais que ficavam onde hoje estão localizados os prédios do Colégio Madre Ana Couto e da Rádio Educadora do Cariri. Entretanto, aquele conjunto arquitetônico ainda é um resquício do que foi, tempos atrás, a beleza do estilo que dominou o patrimônio imobiliário da Cidade de Frei Carlos.

Escritores do Cariri: Irineu Pinheiro

     Nascido em 6 de janeiro de 1881, em Crato, Irineu Nogueira Pinheiro é considerado um dos mais respeitados e produtivos intelectuais do Cariri. Estudou em Crato (Seminário São José), Fortaleza, Recife e no Rio de Janeiro, cidade onde concluiu o curso de medicina, na turma de 1910.

     Estudioso da História, foi “o maior pesquisador dos “fastos” regionais”, na feliz expressão do Dr. Raimundo de Oliveira Borges. Deixou vários livros publicados, dentre eles: “Um Caso de Dexiocardia”, “O Juazeiro do Padre Cícero e a Revolução de 1914”, “José Pereira Filgueiras”, “ Joaquim Pinto Madeira”, “Cidade do Crato”, “Morte do Capitão J. da Penha”, “O Cariri” e “Efemérides do Cariri”. Foi um dos fundadores e primeiro presidente do Instituto Cultural do Cariri.

      Foi Inspetor Federal do Colégio Diocesano; professor do Seminário São José; Sócio-Correspondente da Academia Cearense de Letras e do Instituto do Ceará.  Colaborou com os jornais de Fortaleza e com os periódicos de Crato (“A Região”, “Correio do Cariry” e “A Ação”). Teve intensa participação nos movimentos que trouxeram progresso para sua cidade natal, sendo fundador e primeiro presidente do Rotary Clube de Crato e Presidente do Banco do Cariry, a primeira instituição de crédito do interior cearense, fundada por Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva.

        Faleceu, em 21 de maio de 1954, na cidade de Crato, vítima de colapso cardíaco, enquanto – com a caneta à mão –  escrevia a um amigo de Fortaleza sobre o último livro que produziu: “Efemérides do Cariri”.