22 julho 2019

O massacre da família Távora – por Armando Lopes Rafael (*)



Gravura de 1759 mostrando o martírio da família Távora, nas proximidades da Torre de Belém

    O Rei Dom José I – bisavô do nosso Imperador Dom Pedro I –, reinou em Portugal entre 1750 e 1777. Teve como Primeiro-Ministro, o cruelíssimo e impiedoso Marquês de Pombal. Este, governou o reino com mão de ferro. Pombal alimentou, ao longo da sua vida, profunda inveja contra algumas famílias aristocráticas de Portugal. Em relação ao clã dos Távoras – mais do que inveja –, Pombal nutria por eles um sentimento de ódio. Provavelmente porque a família Távora não somente fosse riquíssima.  Ela tinha ramificações (e exercia influência) noutras casas nobiliárquicas portuguesas, a exemplo das de Aveiro, de São Vicente, de Alorna, de Atouguia e de Cadaval. Todas faziam discreta restrição ao comportamento do Marquês de Pombal.

    Os Marqueses de Távora – Leonor e Francisco de Assis – possuíam um filho, Luís Bernardo, pessoa de muito destaque em Lisboa, casado com Teresa de Távora e Lorena. Era do conhecimento geral que o Rei Dom José I mantinha um relacionamento amoroso com essa nora dos Marqueses de Távora. Estes, sofriam muito com a situação moral de Teresa de Távora e Lorena. E viviam aconselhando o filho Luís Bernardo a se separar da esposa adúltera.

      Diz o livro dos Salmos 5,3-6: “os lábios da mulher adúltera no fim das contas, deixam um sabor amargo, uma ferida feita como que por uma aguda espada de dois gumes. Os seus comportamentos conduzem à morte”. Consta nos registros históricos que, na noite de 3 de setembro de 1758, Dom José I, retornava para casa, incógnito numa carruagem, depois de um encontro com a amante. No meio do caminho, a carruagem foi interceptada por três homens que dispararam contra o Rei. Dom José I ficou apenas ligeiramente ferido no braço. Mas o Marquês de Pombal tomou a si a apuração desse atentado. Dois empregados dos Távoras foram presos e torturados até declararem que o atentado teria partido dos seus patrões.

     
    Armas da Família Távora. Encimando, um golfinho; as águas azuis representam o Rio Távora, que banha uma vila da Província de Trás-os-Montes, local de origem desta família,. O Rio Távora é afluente do Rio Douro.

    O Marquês de Pombal não divulgou o atentado de imediato. Antes disso, mandou prender a família Távora (adultos e crianças), o Duque de Aveiro, e até o Padre Jesuíta Gabriel Malagrida (confessor de Teresa de Távora e Lorena). Este sacerdote foi, posteriormente, enforcado. O Marquês de Pombal aproveitou a acusação de “regicídio” (tentativa ou assassinato de reis) para expulsar todos os Padres Jesuítas de Portugal, desejo que alimentava há muito tempo. No dia seguinte ao atentado, o filho do Marquês, Luís Bernardo e o Duque de Aveiro foram enforcados. Nas semanas seguintes a Marquesa Leonor de Távora, o seu marido Francisco de Assis, e todos os seus filhos, filhas e netos foram encarcerados. Todos acusados de “alta traição” e “regicídio”. Os bens da família Távora foram confiscados pela Coroa. A casa dos Marqueses de Távora foi destruída e o terreno onde estava edificada foi salgado, para que, naquele chão, nem vegetação nascesse.

     O processo contra os membros do clã Távora tornou-se o caso judicial mais famoso da História de Portugal. Àquela época, poucas pessoas acreditaram nas acusações feitas contra aquela família. A começar pela Princesa-herdeira do Trono (que viria a ser a futura Rainha Maria I).  Ainda hoje este é o sentimento entre os historiadores que se debruçam para pesquisar esse trágico episódio.

        Infelizmente, o plano traçado pelo Marquês de Pombal – para tentar apagar a semente   dos Távoras da face da terra – foi executado como ele planejou. No entanto, alguns Távoras conseguiram fugir para o Brasil. Enquanto isso, no dia 13 de janeiro de 1759, num local ermo, nas proximidades da torre de Belém, antecedendo à execução pública dos acusados, diversos membros da aristocracia e da alta nobreza portuguesa também foram torturados, expostos à humilhação pública e, por fim, decapitados. Os restos dos seus corpos foram queimados, com todo requinte de perversidade, e suas cinzas espalhadas no Rio Tejo.

         Morto Dom José I, em 1777, aos 62 anos, subiu ao trono sua filha, a agora Rainha Dona Maria I (avó do nosso Imperador Dom Pedro I). Ela, como um dos primeiros atos do seu reinado, mandou perdoar os Távoras e devolveu o patrimônio que havia sido desapropriado ilegalmente à família trucidada.

***
              O que aconteceu com os poucos Távoras que fugiram para O Brasil? Aqui adotaram outros sobrenomes, como “Silva” e “Fernandes”, para escapar de novas perseguições. Os descendentes desses fugitivos, residentes no Ceará, destacaram-se como homens íntegros e ocuparam funções e cargos relevantes no Brasil. Dentre eles, Juarez, Manuel e Franklin Távora (irmãos) e Virgílio Távora (sobrinho). Alcançaram eles as mais elevadas patentes no Exército Brasileiro; Juarez Távora foi candidato a Presidente da República Brasileira, em 1955; Manuel e Virgílio Távora governaram o Ceará em três ocasiões. Também foram Senadores, Deputados, Ministros de Estado. Outros membros dessa família se destacaram como jornalistas, advogados, bispos, sacerdotes...

                Atribui-se ao Monsenhor Fernandes Távora (ele foi Vigário de Crato entre 1883 a 1889) o restabelecimento do uso do sobrenome “Távora” entre os descendentes brasileiros. Consta que o Monsenhor quis cursar a Academia dos Nobres Eclesiásticos, em Roma. Dificilmente essa Academia admitia sacerdotes sem linhagem de aristocracia ou padres estrangeiros. Monsenhor Fernandes Távora viajou à Lisboa. Pesquisou e restaurou, no Brasil, o nome dessa família, o qual estava proscrito, desde 1759, em Portugal.

(Esta crônica é dedicada a três meninas nascidas no Cariri cearense: Lara, Lia e Maria, minhas netas, filhas de Carolina e Leonardo, que carregam no Registro Civil o sobrenome Távora, herdado do pai delas)
 Livro do historiador José Norton sobre a epopeia dos Távoras. A bibliografia sobre o tema é vasta

 (*) Armando Lopes Rafael é historiador, licenciado pela Universidade Regional do Cariri. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e membro-correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA). Em 2016 foi agraciado com a Comenda da Ordem Equestre de São Silvestre Papa, pelo atual Papa Francisco,  no grau de Cavaleiro.

20 julho 2019

Além da dualidade - Por: Emerson Monteiro


Bem onde existiu o amor, única e exclusivamente, poder soberano que a tudo circunscreve na leveza das espécies, era ali o início do século absoluto, na dissolução das massas ao calor das circunstâncias. Das dores do parto sobre as rochas ígneas do furor, nascera um Eu diferente do quanto havia; fora a renovação de aves e sonhos, pura transformação em esperança do que existira perante o desespero final. Aqueles que assim nutriam de vontade o ânimo das feras adormecidas, eles, esses, verão a Deus.

Passadas que foram as primeiras caravanas, novas expedições desceram do céu e abriram caminhos de receber os eleitos na Terra da Promissão. Unidos em si, acalmaram os sentidos físicos no abraço fraterno, definitivo, longe das horas só das angústias, detidas que foram nas garras das esfinges e dos dias. Destarte, longos semblantes disso vieram às praias do coração e despertaram o senso do inigualável de dentro das existências.

...

Pouco importa, pois, outros mares enquanto o dilúvio de fogo calcina as palhas atiradas aos bichos famintos de paixão; olhos fixos na paisagem lá distante, a inutilidade sumiu nos becos escuros. Isto, apenas isto, a união dos objetos no nada universal do que há vagando solto nessas histórias de destruição em andamento. Entretanto, a farsa do espelho embriaga de desejos os velhos Apolos nas noites de perdição e desamor.

Outro mundo, outros mundos, aonde seguir os parceiros da sorte, colhidos que foram nos botes das naves na festa sideral; portas delas se abrirão de par em par.

...

Aceitar, porém, de bom grado, o rosto da razão na matriz do coração, eis a fusão inextinguível de mil sóis, síntese dos seres de humana inteligência; desvendarão o mistério dos dois eus, resposta dos enigmas de que fizemos parte durante todo tempo da existência, a pisar o chão das almas e resolver as ilusões na mais extrema felicidade.

A verdadeira História do Brasil -- 1

Conheça a Bandeira Imperial Brasileira


    A Bandeira do Brasil foi criada pelo  Decreto de 18 de setembro de 1822, constando de um retângulo verde, e, nele, inscrito um losango amarelo-ouro, ficando no centro deste losango o Escudo de Armas do Brasil. A atual bandeira republicana foi apenas modificada. Tiraram as Armas do Brasil Império do modelo anterior, e, no lugar, colocaram uma esfera azul com o lema positivista “Ordem e Progresso”. Sem comentários.

    Como resultou esta belíssima Bandeira Imperial? 
    Suas cores foram escolhidas pelo Imperador Dom Pedro I: o verde, a lembrar a cor da Casa de Bragança, da qual era originário o primeiro imperador brasileiro.  Por outro lado, o verde simboliza o país da eterna primavera nas palavras de Dom Pedro I. Já o amarelo-ouro lembra a cor  da Casa de Habsburgo, de onde vinha a Imperatriz Leopoldina.

       O desenho foi criado pelo  pintor e desenhista francês Jean Baptiste Debret,  que teve grande participação na vida cultural do Brasil, no período de 1816 a 1831. Ele contou com a colaboração de  José Bonifácio de Andrade e Silva, um dos mais ilustres brasileiros e figura de realce na nossa independência de Portugal.

     Esta Bandeira Imperial assistiu ao nosso crescimento como Nação e a consolidação da unidade nacional.


(Baseado em postagem do site do Circulo Monárquico Brasileiro)

Padre Cícero, 85 anos depois! – por José Luís Lira (*)




    Há exatos 85 anos, em Juazeiro do Norte, aos 90 anos falecia o santo dos sertanejos, Padre Cícero Romão Batista. Quase cego. Proibido de celebrar ou de falar do milagre que presenciou. Obediente. Semana passada, falei sobre o Padre Cícero. O tema é inesgotável e eu lembrava leitura que havia concluído: “Padre Cícero: Santo dos Pobres, Santo da Igreja”, de Ir. Annette Dumoulin, Edições Paulinas, 2017, livro divido em três partes.


   A primeira, o Padre Cícero do ponto de vista da autora, religiosa, doutora em Ciências da Educação, nascida na Bélgica que um dia chegou a Recife, encontrou com outro santo, Dom Helder, que lhe indicara ir a Juazeiro e ali ela se encontrou com o santo Cícero Romão e sua legião de romeiros. Na segunda parte, o Padre Cícero por ele mesmo, quando a autora habilmente transforma uma carta do Padre Cícero, num diálogo com um casal de romeiros, bem esclarecedor e edificante. Na última, Padre Cícero no ponto de vista do Papa Francisco, lemos a tão esperada reconciliação da Igreja com o Padre Cícero, pois, ele nunca se afastou da Igreja, sempre a amou e obedeceu, mesmo quando a injustiça lhe doía no físico e na alma.

   O livro de Irmã Annette tem informações muito peculiares. E se aqui na terra temos amigos, penso que no céu também as amizades seguem. Todos os biógrafos do Padre Cícero falam da influência que o Padre Ibiapina (José Antonio Maria Pereira Ibiapina, advogado, professor universitário, padre, missionário e santo sobralense), exerceu sobre o Padre Cícero e vemos uma semelhança a mais entre os dois. Um dia, Padre Ibiapina foi proibido de visitar sua terra, Sobral, por um bispo da então Diocese do Ceará, depois, foi obrigado a deixar sua obra missionária no Cariri e o Padre-Mestre Ibiapina tudo deixou, em silêncio, deixando apenas um texto. Padre Cícero foi impedido de celebrar no povo que ele transformou em cidade. Sofreu, mas, nada reclamou. Buscou justiça, mas, esta só tem se apontado post-mortem.

    Outro exemplo é o de Dom Helder que sugere à autora, jovem religiosa doutora, belga a conhecer o Juazeiro. Na maturidade, eles se reencontram em Juazeiro e o Bispo Helder Câmara mostra-lhe mais um sinal da santidade do Pe. Cícero. Conta ele que jovem seminarista foi a Juazeiro vender assinatura de um jornal da Igreja que muitas vezes criticava o Padre Cícero. Não vendendo uma assinatura, este assina e recomenda que o povo assine. E o Servo de Deus Helder Câmara sai de Juazeiro com uma caderneta de assinaturas. São atitudes de santidade.

   Neste 20 de julho, lembramos também o dia do amigo, da amizade. O Padre Cícero se dirigia a todos como amiguinhos, “amiguinho”. E a data da entrada de Padre Cícero na pátria celeste, 20, é antecedida e precedida de eventos marcantes na vida do santo de Juazeiro: 21/07/1891 é a data da nomeação da primeira comissão para analisar os fatos ocorridos em Juazeiro, em 01/03/1889; o dia 22/07/1911 foi a criação do Município de Juazeiro, do qual Pe. Cícero foi o primeiro prefeito (único cargo político que ele exerceu); em 22/07/1914, ele foi eleito 1º vice-presidente do Estado do Ceará, mas, não assume nem reivindica o cargo. A 20 de julho de 1934, ele faleceu em sua casa, cercado pelos que o amavam e admiravam. Suas ultimas palavras, conforme Ir. Annette, foram: “No Céu, rezarei para cada um de vocês”.
A bênção, meu Padim!

 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

19 julho 2019

A crônica do fim-de-semana (por Armando Lopes Rafael)

A imagem sagrada da Virgem da Penha 
 Trabalhos de restauração da imagem da Padroeira em Crato, em 2006
  Desde os primórdios da Igreja Católica, imagens da Santíssima Virgem Maria, esculpidas ou pintadas, são veneradas pelos fiéis. Essas imagens exprimem um modelo perfeito de confiança em Deus. Afinal, Nossa Senhora nos foi dada pelo próprio Deus, como uma Mãe misericordiosa e  intercessora dos nossos pedidos junto ao Criador. Ininterruptamente, Maria roga por nós e nos socorre nas nossas necessidades.

        A exemplo de milhares de outras comunidades cristãs, espalhadas pelo mundo, as quais têm a Virgem Maria como padroeira, Crato também surgiu – por volta de 1740 – aureolado como fruto da devoção à Mãe do Cristo Jesus.  Um frade capuchinho, Frei Carlos Maria de Ferrara, construiu uma capelinha de taipa, coberta de palhas, e dedicou-a à Nossa Senhora da Penha. De lá para cá, e lá se vão 280 anos, três imagens da Santíssima Virgem foram veneradas como Padroeira desta cidade. Todas as três encontram-se em excelente estado de conservação.

        A atual imagem – chamada pelo povo de “Imperatriz e Padroeira de Crato e da Diocese” – está no altar central da nossa Catedral. Foi adquirida pelo primeiro bispo de Crato, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva.  Aqui, foi recepcionada, pela população da cidade, em 1921. Mons. Rubens Gondim Lóssio escreveu que ela “foi adquirida na Europa”. Entretanto, está gravado na base da estátua: “Luneta de Ouro, Rio, 1920”, comprovando que a imagem foi adquirida através da famosa loja de esculturas religiosas localizada, à época, na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.

       Sobre essa imagem, esculpida em madeira e medindo cerca de 1,80m., escreveu Monsenhor Rubens: “De tamanho bem maior que o natural, em atitude de quem aparece para defender o pastorzinho Simão, prosternado ao lado direito, enquanto o temível crocodilo se arrasta à esquerda, o vulto impressionante tem uma beleza encantadora. Trazida com dificuldades até esta Cidade Episcopal, teve a Imagem festiva recepção, em 1921, quando o povo acorreu ao seu encontro, na estrada do Buriti, onde se congregaram cerca de 32 zabumbas. Todavia, continuou ela guardada, até que, preparada a mentalidade do povo e feita a reforma da Capela-Mor (da catedral) por Dom Francisco de Assis Pires (segundo Bispo de Crato), colocaram-na no altivo e gracioso nicho de onde preside às funções do Culto e aos destinos do Crato. No dia 1º de setembro de 1938, foi-lhe dada a bênção do Ritual e, a partir de então, não tem ela cessado de conceder a todos as maiores graças e as melhores bênçãos”.

     Em 2006, devido aos trabalhos de conservação efetuados no interior da Catedral a imagem de Nossa Senhora da Penha foi retirada – pela primeira vez – do alto do nicho, no qual estava desde 1938. Esse acontecimento levou muita gente à Catedral, na manhã de uma segunda-feira, 03 de julho daquele ano. Entretanto, após a descida da imagem, uma surpresa: constatou-se a existência de várias rachaduras na escultura. Coube a restauradora italiana Maria Gabriella Federico fazer os trabalhos do restauro.

        Depois de restaurada, a imagem de Nossa Senhora da Penha voltou ao seu nicho. E lá permanece, onde escuta, todos os dias, as súplicas filiais dos seus devotos, que veem nela uma fonte inesgotável de confiança. Afinal, Ela é a Mãe de Deus e também é a nossa Mãe.     
 
Capela do Santíssimo Sacramento
Catedral de Crato   

18 julho 2019

Apresentando o novo livro do Prof. José Newton Alves de Sousa -- por Armando Lopes Rafael


(Palavras proferidas no Instituto Cultural do Cariri, em 17-07-2019)


    Se existe um livro que não precisa de apresentação, este ("Escritos reunidos ao entardecer - poesia, amor e fé", fruto das reflexões do Prof. José Newton Alves de Sousa) é um deles.
   Para recomendá-lo bastaria citar o nome do autor, um respeitado intelectual, produtor de obras alicerçadas na sua mente fértil, honesta, pervadida de elevados pensamentos, nobres e férteis, a dignificar o ser humano.

  Aliás isto já fora dito há 78 anos – em 1941 – quando o conhecido sacerdote e escritor Pe. Antônio Feitosa escreveu no prefácio de um livro do Prof.  José Newton, publicado naquele recuado ano:

      “A melhor apresentação do jovem e talentoso autor destas páginas sãos suas publicações precedentes (...) José Newton Alves de Sousa está por isto mesmo apresentado ao público”.

      Ora, se o renomado Mons. Antônio Feitosa afirmou isso, o que eu poderia acrescentar agora? E falo isso com a mais pura sinceridade. Reconhecendo meus poucos méritos quando comparados com aquele luzeiro do clero de Crato.

       Isto posto, e para justificar a minha presença aqui,   neste momento, em verdade, em verdade vos digo:  vim apenas porque não poderia recusar um pedido feito por meu amigo Paulo de Tarso, filho do Prof. José Newton, nesta missão de apresentar a última obra  do venerável mestre, pessoa  por quem nutro uma  profunda admiração.

       Admiração que não se restringe apenas às qualidades intelectuais do Prof. José Newton Alves de Sousa, pois – e acima dessas – eu coloco o primado da exemplar inteireza moral e a acentuada formação humanística do Prof. José Newton, sobejamente comprovadas ao longo de sua profícua existência.

       Admirável essa vida de quase cem anos do professor José Newton Alves de Sousa! Existência permeada por centenas de poesias, muitas delas perpetuadas em dezenas de livros, além da publicação de centenas de artigos e trabalhos, todos de rara profundidade. E o que dizer das milhares de aulas que ele proferiu?

      O Prof. José Newton Alves de Sousa é um homem simples, despojado de qualquer vaidade e sinceramente humilde. Acredito que essa sua humildade advém da sabedoria de que é possuidor. A bem dizer, a vida do professor José Newton tem sido um sermão silencioso, mostrando, em seu modo de viver, um pálido reflexo da presença de Deus entre nós. E dentre as bênçãos que o Criador espargiu na pessoa do Prof. José Newton Alves de Sousa avulta a sua produção poética, uma coletânea de beleza estética que comove, que sensibiliza, que desperta nobres sentimentos...  

       Felizmente os filhos do Prof. José Newton, dotados da necessária sensibilidade filial, souberam preservar parte da produção cultural do pai, produção que o Prof. José Newton não teve vaidade em preservar. Cuidaram, inclusive, da edição destes "Escritos reunidos ao entardecer - poesia, amor e fé”, numa homenagem ao patriarca da família pela passagem dos seus 97 anos de idade, festejados no último dia 5 de junho, na cidade de Salvador.

        As palavras escritas pelo Prof. José Newton, anos atrás, no prefácio do livro de poemas da sua primogênita, Ana Cecília, se aplicam perfeitamente a este livro ora entregue ao público. A conferir. 

“Poesia não é coisa de se guardar; antes é um fazer para doar. Sua essência é de uma interioridade tão íntima, que se teria por incomunicável, mas, é de uma irradiação tão poderosa, que não se contém no universo espiritual de quem por ela é estigmatizado”.

  Poderia citar alguma poesia deste livro para mostrar a beleza dos versos. Mas não o farei. As pessoas presentes logo terão em mãos os poemas. Mas permitam-me lembrar que há setenta anos José Newton Alves de Sousa publicou um pequeno opúsculo, editado em 1949 pela Imprensa Oficial da Bahia, com o título– “Paisagem Lírica do Cariri (Quadros da minha terra) - 1ª série”.  Naquele opúsculo, diluído em crônicas, o autor escreveu – em linguagem poética – nossos horizontes como os canaviais, as cidades, as feiras, as igrejas e os tipos populares do Cariri. Abordou ele o cenário existente, no extremo sul do Ceará, nas primeiras décadas do século passado.

   Daquele livro, dedicado primeiramente: “– Ao magnífico espírito do Dr. Álvaro Madeira” (Este, um respeitado professor que legou ao Crato o exemplo de um varão católico, apostólico, plenamente romano), pincei algumas frases, que me confirmaram o adágio “Todo poeta é um pescador de beleza”. Vejam o que escreveu o professor José Newton em 1949:

   Sobre os canaviais do Cariri: “Verde mar ondulante roçado pela música ciciante das brisas... Verde mar. Cor da esperança e da esmeralda. O Cariri é a esmeralda do Ceará”.

    Sobre sua cidade natal: “... e a princesa dorme. Crato adormecendo no lençol crepuscular do último adeus do sol além da serra... Crato como uma princesa encantada no leito esmeraldino do Cariri, reclinando-se sobre o travesseiro azul da Araripe, ao ritmo cantante das nascentes fecundas...”

   Sobre os sinos das nossas igrejas: “Os sinos de Crato têm uma harmonia própria, inconfundível. Nunca ouvi em parte alguma sons como os seus, tão musicais e cristalinos; tão recordativos e poéticos. Criei-me ouvindo-lhes as tocatas. As tocatas alegres e as tocatas tristes. Umas falavam-me da vida; outras, da morte”.

   Sobre o alto do Seminário e o alto do Barro Vermelho: “No alto do Seminário está a capela de São José. No Barro Vermelho, a de São Francisco. Para mim, ambos esses santos foram poetas. O primeiro, poeta do silêncio e do trabalho, aquele que era um poema em si, o poema que se chamou: Justiça. O segundo, poeta boêmio, da boêmia espiritual dos pobrezinhos de Cristo. São Francisco de Assis escreveu também um poema, o Poema da Alegria. Alegria filha da Pobreza. Pobreza filha do Amor”.

   Sobre as noites caririenses: “Noite-de-lua no Cariri. As serras se banham de luar. As estradas estão argentinas de luar. Os açudes são pérolas gigantescas, luzindo. Os rios são boitatás enormes, serpeando molengos. As cidades adormecem tranquilamente e a brisa traz um eco de música longínqua”.

     José Newton Alves de Sousa é um excelente poeta! Ele nos mostra aspectos que muitos não conseguem enxergar; Ele dá vazão, na sua alma, a sentimentos não percebidos pela maioria das pessoas; Ele é, enfim, um ser sensível que consegue reverberar as coisas mais simples do universo. Sempre guardei uma frase dita pelo nosso genial romancista José de Alencar, cujas origens estão também, próximas à Chapada do Araripe. Escreveu ele: "O cidadão é o poeta do direito e da justiça; o poeta é o cidadão do belo e da arte".

       José Newton Alves de Sousa é um cidadão-poeta do direito e da justiça; é também  o poeta- cidadão do belo e da arte.

16 julho 2019

Uma irreal transformação - Por: Emerson Monteiro


Do meu quarto de um dos milhões do mundo, / Que ninguém sabe quem é /
(E se soubessem quem é, o que saberiam?). Fernando Pessoa

São desses que se arvoram senhores do Universo e nem de universo nada entendem, assim seriam seres habitantes das galáxias bem semelhantes aos que vivem aqui nesse torrão natal, centro dos mundos em profusão. Contudo há que haver transformação, porquanto somos apenas e apenas o somos o que nada mais seremos um dia, cedo ou tarde. E vêm as mudanças radicais, extremo das horas que foram sem pressa de voltar. De meros instrumentos de consciência em desenvolvimento, tornamo-nos atores das próprias contradições, jogados aos mares do desespero de buscar sem achar a porta de sair fora desse território neutro da ilusão. Nisso, os tempos vagueiam com água pelos pés em volta das criaturas, numa queda livre no sentido da renovação das células da matéria. Feitos máquinas de carne, penduramos na corda dos segundos velhos trajes dos dramas que vivemos e nem de longe às vezes os compreendemos. Admitimos ser fatores de renovação das estruturas arcaicas em que nos deram de viver, e padecemos presas das arapucas da sorte, espécies de autores inveterados nas mesmas histórias dos milênios que sumiram nas eras desaparecidas.

Bom, desse anonimato das criaturas que o seremos, enquanto não descobrir as razões principais do Ser e quais as reais intenções de Quem nos criou, alimentamos, anos a fio, as feras que carregamos por dentro das entranhas; e inventamos alternativas desonrosas e honrosas, diante do silêncio das infinitudes. Criamos mil maneiras de justificar a essência que ainda nem desvendamos; rimos; corremos; voamos, durante o trajeto de um leito a outro, nas estradas do Sol dias infindos. Melhor seria dizer que trocamos de roupa, nutrimos de filamentos os pensamento e justificativas bizarras que traçáramos de mão em mão, nos baralhos do escorregadio. Com isto, o excesso de personalismo deixa-nos imaginar as transformações sem vivê-las em plena realidade, fazendo disto só miragens apagadas em desertos iluminados. 

(Ilustração: Colagem de Emerson Monteiro).

Caririensidade


Vem aí o Centro Cultural Regional do Cariri

Futuras instalações do Centro Cultural Regional do Cariri

     O Governo do Estado do Ceará é só otimismo! Estima que neste segundo semestre de 2019 esteja pronto o projeto arquitetônico do futuro Centro Cultural Regional do Cariri o qual será erguido na cidade de Crato, mais precisamente no bairro Recreio. O Antigo Seminário da Ordem Sagrada Família (conhecida popularmente como Seminário dos Padres Alemães) e onde funcionou também o Hospital Regional Manoel de Abreu foi desapropriado por R$ 4 milhões e abrigará esse novo centro. O início das obras desse Centro Cultural Regional do Cariri deverá acontecer entre o fim deste ano e o início de 2020, com inauguração prevista para os anos de 2021 ou 2022.

     O Centro Cultural Regional do Cariri atenderá a toda população do Sul do Ceará. Uma das suas finalidades é interagir com a cultura popular do Cariri e fomentar outros setores culturais da região. E lá, em meio às salas de biblioteca, auditório grande e mini auditório, memoriais, exposições diversas, etc. haverá a inserção da Chapada do Araripe com suas potencialidades ecológica, arqueológica e paleontológica com as demais manifestações da cultura caririense.

Centenário do livro “Beatos e Cangaceiros”


     Atenção membros do Instituto Cultural do Vale Caririense (ICVC) e do Instituto Cultural do Cariri (ICC) e coordenação do evento Cariri Cangaço: próximo ano comemorar-se-á o centenário da publicação do livro “Beatos e Cangaceiros” escrito pelo médico juazeirense Antônio Xavier de Oliveira, e publicado em 1920.  Não deixemos a data passar em branco. Hoje quem quiser ler esse interessante livro pode fazê-lo entrando no site abaixo, da Universidade da Flórida (EUA), já que no Brasil nunca se adotou tal providência.

http://ufdc.ufl.edu/UF00081163/00001/1x

       Tempos atrás, li num blog (de José Mendes Potiguar) o texto abaixo:
“Consta que das andanças em entrevistas diversas o autor Xavier de Oliveira, também médico cearense e cronista de costumes, convivendo com os fiéis do Padre Cícero no Juazeiro do Norte, em 1915, teve o seguinte diálogo com o Beato Vicente, lenhador de profissão:
“Quis tirar-lhe o retrato. Não o consentiu.
– Isso é coisa da “besta-fera”, disse-me.
– Mas o Padre Cícero tira, ponderei-lhe, para convencê-lo.
 – Sim, mas Cristo também andava sobre as águas e não se afogava. O meu padrinho pode até pisar em fogo e não se queimar. Mas eu é que não quero que o "Capiroto" tenha lá o meu retrato”.

Crato sediará nova unidade de conservação ambiental

    O governador Camilo Santana deverá assinar neste domingo, 21 de julho, no Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti – ExpoCrato – decreto criando mais uma unidade de conservação ambiental no Ceará: a Unidade de Conservação do Refúgio da Vida Silvestre Soldadinho do Araripe. A nova unidade ficará no município de Crato e terá cerca de 4 mil hectares, garantindo a sobrevivência da ave “Soldadinho-do-Araripe”, pássaro símbolo do Cariri, ora sob ameaça de extinção.

Coordenará a nova unidade de conservação ambiental do Ceará a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema).

Patrimônio cultural do Cariri

O jornal “Diário do Nordeste”, edição de 12-07-2019, publicou a matéria abaixo:

"Fora do circuito Crajubar, como é conhecida a junção dos nomes das três maiores cidades do Cariri – Crato, Juazeiro e Barbalha, há muito o que se descobrir na Região do Cariri. Confira três equipamentos nas áreas da cultura e ciência em Santana do Cariri, Assaré e Nova Olinda. 
 
"Museu de Paleontologia - Santana do Cariri

"Considerado uma das principais referências da área do Brasil, o Museu de Paleontologia Plácido Cidades Nuvens exibe a riqueza fossilífera da Chapada do Araripe. A parte superior abriga a exposição permanente com cerca de 300 fósseis (espécies vegetais e animais), revelando a diversidade da região pesquisada. Já o Memorial Plácido Cidade Nuvens apresenta linha do tempo que traça um paralelo entre a história do Museu desde sua fundação e trajetória profissional do professor e seu fundador.

Há, ainda, o território lúdico, no qual encontram-se esculturas inspiradas nos pterossauros e dinossauros do Cretáceo. O equipamento conta também com laboratório de paleontologia, biblioteca, lojinha e o café do museu. Aproveitando a ida à cidade, visite também o Pontal de Santa de Santa Cruz, que integra o Geoparque Araripe.

"Memorial Patativa do Assaré

     A cadeira de balanço de palhinha logo na entrada do Memorial Patativa do Assaré remete muito aos últimos anos de vida do poeta. Era sentado nela, na sala de casa, que ele recebia as visitas e declamava seus versos. O espaço foi inaugurado em 1999, três anos antes de o homenageado falecer, aos 93.

    Abriga objetos de uso pessoal, a exemplo dos óculos escuros e o chapéu, além de manuscritos, títulos e troféus. Traduzidos em vários idiomas, seus livros foram estudados na cadeira de Literatura Popular Universal na Universidade de Sorbonne (França). Com vida simples de homem do campo e sem estudos, o poeta é um dos principais representantes da arte popular do século XX no Nordeste.

    Com o poema “A Triste Partida”, musicado e gravado por Luiz Gonzaga, projetou-se nacionalmente em 1964. Outro grande sucesso, musicado pelo também cearense Raimundo Fagner, é “Vaca Estrela e Boi Fubá”, no qual a temática da seca no Nordeste, com seu povo fugindo da estiagem, é mais uma vez protagonista. Além do Memorial, é imperdível a visita a casa de taipa centenária onde o poeta viveu, na Serra de Santana, cerca de 20 minutos do Centro da cidade.

"Fundação Casa Grande – Nova Olinda

Uma casa azul, no Centro do Município, é convite à imersão da cultura e história caririenses. Ela abriga a sede da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, uma ONG criada em 1992 com atuação na área infanto-juvenil. Com participantes de até 25 anos de idade, são eles os próprios guias e gestores das diversas áreas de trabalho da Fundação, desde a DVDteca, loja de artesanato, biblioteca, gibiteca e discoteca. Na casa-museu, há um acervo de materiais arqueológicos e artefatos indígenas da região.

     O "Teatro Violeta Arraes e Engenho de Artes Cênicas" é uma das principais atrações, assim como o aconchegante Café Violeta. Destaque maior, no entanto, são os que habitam este projeto repleto de exemplos de vida. Nesse pedacinho de Brasil, há certeza de ser possível mudar a realidade de centenas de pessoas em uma das menores cidades do Cariri. Sim, e tem mais, não deixe Nova Olinda sem conhecer o Ateliê-Museu do Mestre de couro Espedito Seleiro, instalado próximo à Casa Grande.  

Um edifício histórico: a Casa-Mãe das Filhas de Santa Teresa


     Localizada no centro de Crato, a Casa-Mãe da Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus preserva a originalidade externa de quando foi construída há quase 100 anos.  Parte integrante desse conjunto arquitetônico, a capela de Santa Teresa de Jesus é conservada, até hoje, como originalmente foi inaugurada, em 31 de outubro de 1923. A capela é propriedade da Diocese de Crato, mas está, há décadas, sob custódia da Congregação das Filhas de Santa Teresa.


    O altar-mor da capelinha, esculpido em madeira de lei, em 1923 – pelo famoso artesão cratense mestre José Lucas – tem três nichos. Neles pontificam o trio carmelitano: Nossa Senhora do Carmo, Santa Teresa d’Ávila (Padroeira da capela) e São José. Essas imagens do altar foram adquiridas na Itália, por Dom Quintino (1º bispo de Crato), há 96 anos.

15 julho 2019

Antes das palavras - Por: Emerson Monteiro


Nalgumas horas, o instinto de sobreviver perpassa as falas deste Universo e produz esses pequenos formatos de som que chamamos palavras. Desejos, então, sem par, envolvem os sonhos e, num relâmpago, sentimentos compõem os pensamentos que a tudo reverte numa melodia dos significados. Fome incontida dos gestos de transformar domina o silêncio e a matéria prima das mil palavras enche de cor a paisagem deserta. Para mudar a paisagem, basta mudar o que sentes (Rumi).

Mas as palavras existem porque as pessoas existem. Elas vêm sós depois das pessoas existirem. Atravessam, pois, as pessoas e chegam ao coração, donde eles nascem e fazem o movimento dos barcos até as outras pessoas. Cruzam sete mares, descem cachoeiras, vagam no ar das montanhas, dos vales, e tocam de novo outros corações. Ah, palavras! A sede do encontro, a morada de tantas felicidades guardadas no íntimo das criaturas humanas... Pedaços de almas em movimento, de um tempo a outro, de uma cápsula de solidão a outra cápsula de solidão.

Fustigam o silêncio, quais querendo rasgar de esperança a agitação das consciências. Instigam o ritmo do tempo no seio das eras, descem pelos abismos à busca de outros amores, quando amores mais antigos desaparecem no mistério dos enigmas, enquanto a forja desses pequenos blocos de interrogações preenchem os vazios da imensidão nas pessoas inertes. Sacodem, reviram, criam, alimentam de inesperado o sacrário ainda escuro dos habitantes deste mundo.

Tais ondas sucessivas, tocam o momento e sustentam de sonhos o ânimo de tantas palavras que nascem do silêncio e se transformam em instrumento de vida, fantasmas que percorrem nuvens ao passar no céu. Houvesse apenas luz no Infinito e as palavras viveriam para sempre na alvorada, a clarear as manhãs dos deuses, e casariam, afinal, com o silêncio, diante do Destino

14 julho 2019

Cronica do domingo -- por Armando Lopes Rafael

Santo   Antônio Maria Claret

    Este santo, cujo nome completo é Antoni María Claret i Clará, foi um sacerdote católico espanhol, que depois foi Arcebispo em Cuba. Ele foi o fundador, em 1849, da Ordem dos Padres Claretianos, também conhecida como Congregação dos Filhos do Imaculado Coração de Maria.

    Na Rua da Bahia, em Belo Horizonte (atrás do hotel em que sempre me hospedo naquela cidade) ergue-se a belíssima Basílica de Nossa Senhora de Lourdes, administrada desde o seu início pelos padres claretianos.

    Lá, sempre venero a estátua de Santo Antônio, de mitra e báculo, num dos altares da basílica. Atribuem a Santo Antônio Claret várias profecias. Dentre elas, a que transcrevo abaixo, retirada de um artigo da ACI.
  
“Segundo a tradição, o Padre Claret estava percorrendo as zonas montanhosas de Santiago quando se apresentou a Virgem da Caridade para lhe predizer o futuro de Cuba, profecia que logo o sacerdote transmitiu a seus paroquianos e membros de sua congregação. A revelação da Virgem “falava de um jovem muito ousado que subiria por essas mesmas montanhas com as armas na mão, e depois de uns anos desceria triunfante com uma espessa barba, acompanhado de outros homens também barbudos e com cabelos compridos”. 

“Esses jovens trariam, pendurando de seus pescoços, medalhas da Caridade do Cobre e crucifixos que em pouco tempo deixariam de usar, para logo negar com vergonha suas crenças”. A profecia adiciona que o jovem líder “seria aclamado por todos por causa de numerosas reformas de benefício popular, iria dando procuração pouco a pouco de todo o poder, sumindo ao povo cubano sob uma férrea ditadura que duraria décadas, nos quais Cuba sofreria numerosas calamidades e penúrias. Finalmente, esse homem morreria na cama”.

     Qualquer semelhança com a ditadura de Fidel Castro não é mera coincidência...

***   ***   ***
Conselhos práticos de Santo Antônio Maria Claret:

1. Não deixes para ninguém o que tu mesmo podes fazer.
2. Não disponhas do dinheiro antes de tê-lo em mãos.
3. Não compres coisa alguma, por mais barata que seja, se não a
    necessitares.
4. Evita o orgulho, porque é pior que a fome, a sede e o frio.
5. Nunca te arrependas de ter comido pouco.
6. Se estiveres zangado, conta até 10 antes de responder, e se estiveres
    ofendido, será melhor contar até 100.
7. Pensa bem antes de dar conselho, e esteja pronto para servir.
8. Fale bem do teu amigo; e de teu inimigo não fales nem bem nem mal.
9. A resposta suave e humilde quebranta a ira; as palavras duras excitam o furor.

13 julho 2019

Monarquistas do Piauí restauram o monumento de Dom Pedro II


fonte: Facebook Pró Monarquia
    O Círculo Monárquico do Piauí recentemente atraiu a atenção da imprensa local por um motivo bastante louvável: seus membros organizaram ação de limpeza de um busto vandalizado do Imperador Dom Pedro II, na capital do Estado, Teresina, nomeada em homenagem justamente à augusta esposa do Magnânimo, a Imperatriz Dona Teresa Cristina, conhecida, ao seu tempo, como a Mãe dos Brasileiros. aliás, o nome Teresina foi dado  em homenagem a Dona Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II: TEREsa CristINA= Teresina.


   Em sua grande maioria, jovens, os monarquistas piauienses têm desenvolvido um excelente trabalho de divulgação dos ideais monárquicos e de esclarecimento da população pública acerca das inegáveis vantagens da Monarquia sobre a República, e assim contribuem para que o Brasil enfim retome as vias gloriosas que nos foram traçadas pela Divina Providência, sob as bênçãos de Deus Nosso Senhor e de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do nosso País.

   Informados do feliz ocorrido, os Príncipes Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, e Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, ficaram profundamente agradecidos pelo gesto em homenagem ao seu venerando trisavô, cuja boa obra na condução dos destinos públicos do Brasil se faz sentir até os dias atuais. Convidado recentemente a participar do I Encontro Monárquico do Piauí, ainda sem data para sua realização, o Príncipe Imperial espera ter a satisfação de poder se fazer presente.

COMENTÁRIO DE ARMANDO RAFAEL:
   Aqui em Crato temos uma importante rua, no centro da cidade, denominada “PEDRO II”. A Prefeitura deveria mandar fazer uma placa de bronze, com a denominação correta  da denominação constante da lei aprovada pela Câmara Municipal de Crato: RUA IMPERADOR DOM PEDRO II.

    Recentemente, o Governo Municipal da cidade de Lapa (no Paraná), mandou colocar no teatro daquela cidade a placa abaixo:


Crato: Colégio Pequeno Príncipe, Rádio Princesa, mercearia “O Rei da Feijoada”, etc...


     Se fosse verdade, como alguns tentam propagar, que os Reis e Imperadores deixaram péssima recordação histórica – como tiranos, sanguessugas, ociosos, caprichosos, cercados de aduladores e de concubinas, etc., etc. –, as palavras “Rei” e "Imperador" viriam, forçosamente, carregada de más conotações. Não é o que acontece. 

    Até hoje, apesar das sistemáticas campanhas republicanas para destruir a boa imagem que os Reis deixaram na memória popular brasileira, a ideia da realeza ficou indissociavelmente ligada à de excelência. Nossa Senhora da Penha é chamada de Imperatriz e Padroeira de Crato. O cantor Luiz Gonzaga (Cidadão Honorário de Crato) é chamado de "O Rei do Baião". E os concursos de "Rainhas" nas nossas escolas? Não é por outro motivo que tantas e tantas casas de comércio – sobretudo as pequenas – têm nomes como “Rei dos Parafusos”, “Rei dos Sucos”, “Rainha dos Calçados”, Rei e Rainha disto e daquilo...

   Em janeiro de 1991, quando o Professor Armando Alexandre dos Santos, conhecido monarquista brasileiro, encontrava-se em Recife, capital do Estado de Pernambuco, realizando uma conferência, um assistente, muito espirituoso, pediu a palavra e contou que, certa feita, perguntara-se a um desses “Reis” do pequeno comércio por que não passava a intitular seu estabelecimento de “O Presidente da República" (ao invés de "Rei"), ao que comerciante logo respondeu: “Não troco o nome porque, se trocasse, todo mundo iria pensar que é esculhambação.”

(Baseado em trecho do livro “Parlamentarismo, sim! Mas à brasileira, com Monarca e Poder Moderador eficaz e paternal”, do supracitado Professor Armando Alexandre dos Santos). 

Foto: Sua Alteza Real o Príncipe Dom Rafael de Orleans e Bragança (quarto colocado na linha da sucessão ao Trono Brasileiro) cumprimentando uma vendedora de frutas durante visita à cidade de Pompéu (MG), em novembro de 2016.
Postado por Armando Lopes Rafael

A benção, Padre Cícero! – por José Luís Lira (*)



    “Olha lá no alto do horto, ele tá vivo, Padre não tá morto! Viva meu Padim, viva meu Padim Ciço Romão”, creio que estas palavras de Luiz Gonzaga, estão gravadas no coração de todo romeiro do Pe. Cícero Romão Batista. 

    No dia 20, próximo sábado, celebra-se 85 anos do retorno do Pe. Cícero à Casa do Pai. Fora uma vida de santidade, em favor dos pobres e necessitados, de obediência às determinações da Igreja e resignação. Havia, também, as pessoas importantes que o admiravam e que beneficiavam suas ações. Houve a política, a incompreensão, mas, acima de tudo, havia uma alma sacerdotal que amava a Deus e ao próximo.

   É interessante que as duas pessoas que mais me influenciaram intelectualmente, tinham pensamentos diferentes sobre o Padre Cícero. Uma fora aluno do mesmo Seminário que ele, recebeu a Ordem Sacerdotal e seguiu as orientações da Igreja de então. A outra, fora alma livre. Amante da literatura, da liberdade, mulher sábia e conheceu o Pe. Cícero. O chamava de meu Padrinho e sempre o defendeu: Rachel de Queiroz. Rachel escreveu uma bela página na revista "O Cruzeiro" quando ocorreu o centenário do religioso, depois transcrita em “Cem Crônicas Escolhidas” e abordou em várias ocasiões a visita que fizera ao Santo de Juazeiro e este, querendo oferecer-lhe um regalo, pergunta à mocinha: “Minha filha, o que você quer levar de Juazeiro?”. Ela respondeu: “Um punhal, meu Padrinho, desses com cabo de ouro que só aqui em Juazeiro sabem fazer”. Quando ela estava saindo de Juazeiro, um mensageiro veio com um pacote e entregou-lhe dizendo que tinha sido o Padre Cícero que lhe mandara. Ela abriu ansiosa e encontrou um crucifixo e indagou ao mensageiro se ele não tinha mandado um punhal que era o que ela havia pedido. Ele respondeu: “Meu Padim mandou dizer que o crucifixo é o punhal do sacerdote”.

    Durante algum tempo eu não acreditei na santidade do Padre Cícero e o digo publicamente como modo de remissão. Minha amada madrinha Rachel que tinha dificuldade em crer, defendia a santidade de Cícero Romão, dizia que no dia que eu fosse a Juazeiro eu mudaria de ideia. E foi naquela cidade que ele fundou que conheci o santo de Juazeiro e aprendi a admirá-lo.

Rachel de Queiroz

    Nesta proximidade dos 85 anos de seu falecimento, concluí uma leitura muito agradável, informativa e amparada em fontes primárias sobre o Pe. Cícero. “Padre Cícero: Santo dos Pobres, Santo da Igreja”, de Ir. Annette Dumoulin, Edições Paulinas, 2017. Com Prefácio de Dom Fernando Panico, o bispo que lutou pela reconciliação da Igreja com o Padre e Posfácio do sucessor da obra de Dom Fernando, Dom Gilberto Pastana, o livro é divido em três partes.

       A primeira, o Padre Cícero do ponto de vista da autora, religiosa, doutora em Ciências da Educação, nascida na Bélgica que um dia chegou a Recife, encontrou com outro santo, Dom Helder, que lhe indicara ir a Juazeiro e ali ela se encontrou com o santo Cícero Romão e sua legião de romeiros. Na segunda parte, o Padre Cícero por ele mesmo e na última, Padre Cícero no ponto de vista do Papa Francisco. Recomendo a leitura. O livro é uma joia para os que cremos na santidade do Padre Cícero e torcemos para que as injustiças a ele cometidas sejam revistas e seu nome seja inscrito no rol dos heróis da cristandade: os santos católicos.

***
 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

11 julho 2019

Caririensidade


Cariri perde Daniel Walker
   

     Faleceu nesta quinta-feira, 11 de julho, Daniel Walker de Almeida Marques. Nascido em Juazeiro do Norte, em 6 de setembro de 1947, Daniel Walker era o terceiro dos cinco filhos do ourives José Marques da Silva (Zeca Marques) com a professora Maria Almeida Marques, ambos juazeirenses. Daniel Walker foi casado com a Professora Tereza Neuma de Macedo e Silva Marques, com que teve dois filhos.
  
    Daniel Walker foi professor, escritor, historiador, radialista, memorialista e jornalista, sendo conhecido como “O guardião da memória do Padre Cícero e do Juazeiro”. Obteve graduação em Biologia, pela Faculdade de Filosofia do Crato em 1974. Tinha três pós-graduação: Especialista em Ciências (pela UFC); Sexologia e História do Brasil (pela Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro). Em 1982 ingressou no quadro de professores da Faculdade de Filosofia do Crato, depois transformada na Universidade Regional do Cariri–URCA. Foi um dos fundadores do Instituto José Marrocos de Pesquisas e Estudos Socioculturais–IPESC, instituição daquela universidade.

     Entre livros, opúsculos e trabalhos (científicos e da História Regional) Daniel Walker escreveu e publicou cerca de 50 títulos. Foi presidente do Instituto Cultural do Vale Caririense–ICVC. Depois de sua família, Juazeiro do Norte  foi o segundo amor de sua vida. Juazeiro ficou órfão com a morte de Daniel Walker. Dificilmente surgirá outra pessoa, com as mesmas qualidades e talento de Daniel Walker, para divulgar – com amor e ufanismo – as cousas de Juazeiro do Norte.  

   O Polo cultural do Cariri na visão de Alemberg Quindins

 Alemberg Quindins, pintor, escritor, músico, socio educador, arqueólogo e criador da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri. Foto de João Paulo Marôpo

   Em declaração feita recentemente ao jornal “Diário do Nordeste”, Alemberg Quindins definiu, com maestria, a importância do Polo Cultural do Cariri. A conferir.

   “O Cariri não é um dos grandes polos culturais do Ceará. É “o” grande. Vou explicar porquê: primeiramente, porque não se trata da região Cariri, e, sim, o território da Chapada do Araripe. É uma confluência de quatro Estados: Ceará, Pernambuco, Piauí e Paraíba. Um resumo do Nordeste. A Chapada do Araripe tem uma influência nesse território desde o período cretáceo. Em torno dela, de um lado você tem Luiz Gonzaga, a Pedra do Reino, de Ariano Suassuna e a Missa do Vaqueiro, por exemplo; de outro, do lado de cá, temos Padre Cícero, Patativa do Assaré, Espedito Seleiro, toda uma cultura.

     “A Chapada é um platô central. Aqui, era o único lugar onde Lampião se ajoelhava e deixava as armas na porta. Território sagrado. Portanto, o Cariri é um oásis em pleno sertão. É o solo cultural do Ceará por conta de toda essa força que vem da geologia, da paleontologia, da cultura. É onde você entende a importância do contexto da Chapada do Araripe para o mundo. Nosso manancial é esse: a cultura. A maioria dos mestres da cultura popular estão aqui. E, da forma como acontece em solo caririense, essa reunião de tanta coisa, não vamos encontrar em nenhum outro lugar do Estado”.

Juazeiro do Norte: Agência do Banco do Nordeste poderá ser transferida para o bairro Triângulo Crajubar


Bairro Triângulo Crajubar - Juazeiro do Norte

    Impressiona o crescimento urbano de Juazeiro do Norte. O centro daquela cidade está estrangulado com o trânsito de veículos e motos. Sem falar na ausência de espaço para estacionamento de carros e na poluição sonora. Isso está levando algumas empresas a buscar relocalizar seus prédios em locais mais afastados do centro. Consta que o Banco do Nordeste também pensa em transferir sua Agência (um prédio de oito andares localizado na esquina da Rua São Pedro com Rua São Francisco) para o bairro Triângulo Crajubar (onde já se instalou a agência do Banco Santander).

90 anos da morte de Dom Quintino

    Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva tornou-se o homem mais importante do Cariri – entre 1916 e 1929– quando cumpriu sua missão como primeiro Bispo de Crato. Não só pela força e influência da Igreja Católica, àquela época, nas regiões centro-sul do Ceará. Mais do que isso: Dom Quintino tinha sob seu comando a mídia (a Diocese do Crato publicava o mais influente jornal do Cariri,) e dispunha dos três mais importantes educandários formadores dos jovens que residiam em vasta região do centro nordestino. 
   
    Sem contar que o primeiro Bispo de Crato fundou, em 1921, a primeira instituição de crédito do Sul do Ceará – o Banco do Cariri – financiadora do comércio e da lavoura da região. Dom Quintino foi o primeiro presidente daquela instituição financeira.

   O próximo dia 28 de dezembro de 2019 assinalará os 90 anos do falecimento de Dom Quintino. Ele foi o homem das grandes realizações que modificaram o cenário social-econômico-religioso do Cariri, no primeiro quartel do século passado. Em 1922, por exemplo, ele reabriu o Seminário São José de Crato destinado à formação do clero. Ao criar o Seminário Episcopal de Crato, Dom Quintino tornou-se o pioneiro do ensino superior, no interior do Ceará. 

     Naquele recuado ano o educandário da diocese cratense iniciou suas atividades como Seminário Menor e o Seminário Maior. Ou seja, com o curso preparatório e o Curso Teológico. Este último subdividido em Curso de Filosofia, feito em dois anos e Curso de Teologia, em quatro anos, findos os quais o novo sacerdote recebia a licenciatura plena.      Ele plantou, assim, a semente que viria a germinar, cinco décadas depois, na Faculdade de Filosofia do Crato. Esta, por sua vez, foi o embrião da atual Universidade Regional do Cariri – URCA. 

     Quando ocorreu a morte de Dom Quintino, em 28 de dezembro de 1929, a Cúria Diocesana não dispunha de dinheiro suficiente para seu sepultamento. Um cidadão cratense, José Gonçalves, abriu uma subscrição e saiu a percorrer residências e estabelecimentos comerciais angariando doações para o funeral do grande bispo. Graças a essa iniciativa, foram realizadas as exéquias daquele bispo que pensou em todos, menos em si, pois não dispunha de pequena quantia para fazer face as suas necessidades materiais. Bons tempos aqueles!

Novo livro do Prof. José Newton Alves de Sousa

     Na próxima quarta-feira, 17 de julho, às 18:00h., na sede do Instituto Cultural do Cariri, será lançado o mais novo livro do prof. José Newton Alves de Sousa, que tem por título "Escritos reunidos ao entardecer - poesia, amor e fé". Escritor, poeta, autêntico leigo católico, José Newton é membro-fundador da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris e da Academia Bahiana de Educação, ambas com sede em Salvador (BA). 

Quem é quem

     José Newton Alves de Sousa nasceu em Crato, em 5 de junho de 1922, sendo o segundo dos sete filhos de Jorge Lucas de Sousa e Isabel Alves de Sousa (D. Sinhá). Ainda muito jovem, com apenas 19 anos, mudou-se para a Bahia com a intenção de ser médico. Necessitando trabalhar para se manter, começou a dar aulas de português e foi então que descobriu sua verdadeira vocação: ser professor! Formou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia.  

     Adotou a Bahia como sua segunda terra natal. Ensinou em vários e renomados estabelecimentos de ensino. Já casado com Maria Ruth Barreto Alves de Sousa, fundou e dirigiu o Educandário Pio XII, contando com a parceria de sua esposa. Nesse período, chegaram os quatro primeiros filhos do casal: Ana Cecília, Roberto Jorge, Eugênio José e Luís Sávio. 

      Em 1960, retornou ao Ceará, convidado para dirigir a Faculdade de Filosofia do Crato, embrião da Universidade Regional do Cariri–URCA, da qual foi, também, fundador. Em Crato, com a esposa, fundou e dirigiu o Colégio São João Bosco. Nesta cidade nasceram mais cinco filhos: Maria Beatriz, Paulo de Tarso, Alberto Magno, José Newton Filho e Antônio Emanuel. Em 1971 retornou à Bahia, com toda a sua prole, atuando, até a aposentadoria, como professor na Universidade Federal da Bahia e na Universidade Católica do Salvador.

07 julho 2019

Mídia brasileira: o samba do crioulo doido – por Armando Lopes Rafael



      “Samba do crioulo doido” é uma música composta por Sérgio Porto (sob pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta), em 1966, na qual satirizava as besteiras que o Brasil vinha tentando impor à sua população. A música “estourou”! Foi sucesso de norte a sul. A partir daí essa expressão passou a ser utilizada, entre nós, para se referir às coisas sem sentido, a textos mirabolantes e sem nexo. Pois, no meu modesto entender, a mídia brasileira passou a ser,  nos últimos meses, outro “samba do crioulo doido”.

       Parei, há poucos instantes, para ler – na Internet – a resenha semanal dos jornais e revistas brasileiras. Coisa que não faço ultimamente. Até cancelei minha assinatura de VEJA, que mantinha desde o longínquo 1978.

        Mas voltemos à minha leitura. Alguém viu a mídia destacar um fato acontecido no último dia 2, terça-feira passada? O ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, que atuou durante os governos Lula/Dilma, prestou depoimento na CPI do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e afirmou que nas gestões do Partido dos Trabalhadores (PT) foram distribuídos para as nações amigas (leia-se: Cuba, Venezuela, Angola, Bolívia, Nicarágua, dentre outras)   R$ 500 bilhões (não escrevi errado, foram 500 BILHÕES de reais). E que desses 500 bilhões, a metade (ou seja, R$ 250 bilhões) foram desviados para propinas. Palocci ainda apontou Lula como o principal articulador do esquema de corrupção no BNDES.

          Ora, isso representa metade da meta que o governo pretende economizar (em 10 anos) com a reforma da previdência para salvar o Brasil. Com 250 bilhões de reais das propinas os governos petistas poderiam ter construído, por exemplo, 1.300 quilômetros de estradas asfaltadas, ou 8.800 postos de saúde. Naquele mesmo horário da fala de Palocci, deputados federais, chamavam, no Congresso Nacional, o honrado ministro Sérgio Moro de “ladrão” e exigiam a soltura do presidiário Lula. A mídia brasileira trabalha agora para dar a Lula o Prêmio Nobel da Paz, segundo anunciou o ex-senador Cristóvão Buarque. Depois que hackers russos, comprados a peso de ouro, invadiram os celulares de Sérgio Moro e do Procurador Deltan Dallagnol, não duvido que o prêmio seja mesmo concedido...

            Para finalizar: a Associação de Futebol Argentino (AFA), enviou longa correspondência à Conmebol (promotora da Copa América) para reclamar da derrota de dois a zero que “los hermanos” sofreram dos “crioulos” brasileiros. Na carta, os arrogantes argentinos culparam a arbitragem do jogo e até da "volta olímpica” feita pelo Presidente Bolsonaro no estádio, no intervalo do jogo, sob os aplausos da maioria da torcida presente.

           Nisso enxerga-se outra contradição da mídia. A imprensa insiste em publicar que o povo brasileiro é contra Bolsonaro. Ora, se fosse por que tantos aplausos por onde ele aparece? Lembrei-me da letra de um meloso tango argentino que diz: “quien no llora no mama” (quem não chora, não mama). Talvez seja essa também a esperança dos jornais e da revista VEJA...

06 julho 2019

O Deus Pai - Por: Emerson Monteiro


Tão simples, e ser a realidade em forma de verdade inevitável. Deus, Pai. O mais são as meras circunstâncias do poder do Infinito que a tudo perpassa numa velocidade estonteante. E luzes se sucedem pela alma inesgotável do Tempo; coerência e furor. Uma presença viva entre todas as vidas; razão das existências; e a força de amar e ser amado diante de manhãs reunidas em única e só claridade absoluta. Pai de bondade pura, que envolve e nos envolve de suavidade a presença das cores e dos seres, em profusão no solo da Natureza.

Quanta alegria e felicidade neste encontro de causas e consequências, quando, enfim, a paz veio reinar em caráter e consistência das noites e dos dias, alimento para sempre de sonhos autênticos daquilo até então adormecido sob o manto da Eternidade. Ele, aqui junto do instante, a preencher o território do Inconsciente na intensidade sublime das certezas e dos Céus.

Aceitar, pois, de pleno desejo as determinações de conciliar o instinto de Si consigo próprio e reviver no coração possibilidades guardadas nas bênçãos dos longos caminhos. Vem, agora, nesta leveza dos astros; domina o teto do Espírito e repousa o íntimo das verdades inexplicáveis, resistentes, contidas em momentos de dor e incertezas. Ente glorioso, revela o motivo dos elementos aonde só deslizava o firmamento qual a razão essencial do Universo.

Assim, fruto dos sóis das incontáveis galáxias, advém na dimensão de pensamentos e sentimentos; preenche de pureza os espaços do conhecimento e desfaz dúvidas antes resistentes, agora apenas versos antigos de saudosas canções de ninar. Mar da bondade, trono das realezas e pouso definitivo das aves em movimento, nos abraça, no demorado calor da plenitude, e alimenta de Amor o senso da divindade há muito já presente no fervor da Criação de que somos feitos.

04 julho 2019

CARIRIENSIDADE


A depredação e destruição de monumentos públicos na conurbação Crajubar

     Na Região Metropolitana do Cariri muitos monumentos públicos já foram depredados e, alguns,  até destruídos. Ora, a depredação do patrimônio público é delito passível de detenção e multa. Para incorrer nesse crime basta "pichar monumentos públicos", notadamente aqueles com valor histórico, o que eleva a pena por se transformar em “crime ambiental”.

     Nunca devemos esquecer que “Patrimônio Público” é o conjunto de bens e direitos de valor econômico, artístico, estético, histórico ou turístico, e o fato destes bens pertencerem a um ente público – a União, um Estado, um Município, uma autarquia ou uma empresa pública – ou seja serem propriedades do povo.

Nessa destruição nem Barbalha escapou


     A imagem acima é do busto do presidente norte-americano John Kennedy que ornamentava um logradouro público em Barbalha. Kennedy foi assassinado em 1962 e o busto dele foi colocado numa praça de Barbalha cinco anos após sua morte. O monumento – feito de bronze – pela escultora brasileira Maria Rothier Duarte, foi doado pelo Lions Club de Barbalha à Prefeitura daquela cidade.

    O jornal “A Ação”, àquela época publicado semanalmente pela Diocese de Crato, no número de 25 de junho de 1967 noticiou: “A homenagem de Barbalha ao estadista falecido é das mais louváveis! É um reconhecimento aos benefícios recebidos pelo município, do governo norte-americano, através do Projeto Morris Asimow, responsável pela implantação, em Barbalha, das indústrias CECASA e IBACIP que geraram, anos seguidos, impostos, emprego e renda”.

Um registro do tempo em que Barbalha era tida como uma cidade aristocrática

      Em 1969, foi promulgada, pelo Prefeito de Barbalha, a lei abaixo, oriunda da Câmara Municipal daquela cidade:

“Lei n° 577
    Denomina Praça “Presidente John Fitzgerald KENNEDY”, a Praça pública localizada entre as ruas Divino Salvador, Major Sampaio e ao lado da Igreja do Rosário, nesta cidade, como abaixo se declara:

     A Câmara Municipal de Barbalha aprovou e eu Prefeito sanciono a seguinte Lei:

Art. 1° - Fica denominada “Praça Presidente John Fitzgerald KENNEDY”, a praça pública localizada entre as ruas Divino Salvador, Major Sampaio e ao lado da Igreja do Rosário, em final de construção, nesta cidade.

Art. 2° - Revogam-se as disposições em contrário, entrando esta Lei em vigor na data de sua publicidade.
Paço da Prefeitura Municipal de Barbalha (CE), 11 de agosto de 1969.
Antônio Costa Sampaio
Prefeito Municipal”

Nesta imagem, feita em 1956, membros da família Sampaio: Antônio Gondim, no primeiro plano, e Plínio Salgado (político e intelectual que marcou a história do Brasil, na década 30 do século passado). No segundo plano, da esquerda para direita, o Dr. Pio Sampaio e Antônio Costa Sampaio, este último ex-Prefeito de Barbalha

As voltas que o mundo dá: o cenário de Barbalha nos dias atuais

      Em Barbalha, antes de ter sido retirado do seu pedestal, o busto de bronze do Presidente Kennedy já era alvo da depredação dos vândalos que hoje assolam, como uma praga do Egito, a Terra dos Verdes Canaviais...Triste!

      Na última administração do prefeito José Leite (2013–2016, reeleito pelo PT), o busto de bronze do Presidente Kennedy (obra pública, propriedade do povo barbalhense) foi retirado da Praça com a mesma denominação, localizada ao lado da Igreja do Rosário. Esse busto só não desapareceu porque o Prof. Giuseppe Sampaio, diretor do Colégio Santo Antônio, quando o viu num caminhão, sendo levado para um depósito provavelmente da Prefeitura, pediu para abrigar a histórica obra de arte nas dependências do Colégio que dirige. Lá o busto está, na sala da diretoria a lembrar os tempos áureos da Terra de Santo Antônio.

      Já as indústrias CECASA e IBACIP tiveram suas atividades encerradas. Tem mais: no lugar do monumento de John Kennedy, o ex-prefeito José Leite mandou colocar outro busto. Este último, do ex-prefeito de Juazeiro do Norte, Mauro Sampaio, era um monumento de mau gosto moldado em cimento.

       Dias depois esse último busto foi destruído na calada da noite. Outro vandalismo! Consta que até hoje não foi consertado...  A Praça Presidente Kennedy (a designação oficial permanece, pois não foi revogada) está localizada em frente à Faculdade de Medicina de Barbalha (Campus da Universidade Federal do Cariri), e ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e da Escola de Ensino Fundamental Senador Martiniano de Alencar. Um local diariamente bastante visitado por centenas de pessoas.


História: O “olhar estrangeiro” sobre o Cariri no século 19

    Em 2014, os professores Ivan da Silva Queiroz e Maria Soares da Cunha, do Departamento de Geociências da Universidade Regional do Cariri–URCA, publicaram interessante artigo – na Revista de Geografia da UFPE, volume 31, nº 3 –  com o título “Condicionantes socioambientais e culturais da formação do Crajubar, aglomerado urbano-regional do Cariri cearense”. Desse interessante artigo reproduzimos abaixo algumas informações que vão interessar aos leitores desta coluna. A conferir

     “João da Silva Feijó, George Gardner e Francisco Freire Alemão representam o que nós podemos qualificar como sendo o olhar “estrangeiro” sobre o pedaço de sertão nordestino chamado de Cariri no século XIX. Os três estudiosos passaram pelo Cariri-Araripe e deixaram importantes registros sobre esse território. João da Silva Feijó (1760 -1824) escreveu suas memórias entre 1800 a 1814, publicadas respectivamente em 1889, 1912 e 1914 pela Revista do Instituto Histórico Geográfico e Antropológico do Ceará - RIHGAC ou Revista do Instituto do Ceará – RIC”.

Expedição de Feijó

Livro sobre a expedição de Feijó
 
“João da Silva Feijó chegou ao Brasil em 1799 para cumprir o ofício de naturalista e realizar investigações filosóficas na Capitania do Ceará. Cumprindo a patente de sargento-mór das Milícias, durante sua permanência no Ceará (1799-1816), Feijó descreveu, mapeou, fez coletas de objetos ligados a História Natural, campo que o ligava a outros naturalistas da Europa. No segundo semestre de 1800, Feijó se dirigiu ao sul da capitania do Ceará, com destino as antigas lavras de ouro da Mangabeira. Por causa da seca se deslocou para a então vila do Crato, permanecendo cinco dias em terras da Serra dos Cariris Novos”.

 A epopeia de George Gardner


Livro sobre as viagens de Gardner pelo Brasil Império

     “O segundo intelectual é George Gardner (1812 - 1849), que se instalou em Crato em setembro de 1838. O escocês chegou ao Brasil em 1836 e a partir de 1837 percorreu as províncias do “norte” do extenso território brasileiro. No sul do Ceará, o estudioso chegou jovem, com 26 anos de idade, residindo durante cinco meses na cidade de Crato. Nesse período se voltou para estudos geológicos e botânicos, principalmente. A maior parte de suas anotações e as notícias de suas descobertas foram feitas no ano de 1839. Os escritos originais de Gardner foram encerrados em 1846”. Publicou seu livro, “Viagem ao interior do Brasil”, onde reúne as informações sobre as viagens nas terras do Ceará. Constam neles muitas informações e impressões das numerosas excursões realizadas nas redondezas das vilas de Crato e Barra do Jardim” (Hoje cidade de Jardim).

A Comissão Cientifica de Exploração


    “Já Freire Alemão é um prestigiado cientista do Brasil Imperial, e um dos mais importantes estudiosos da botânica. O “Diário de viagem de Francisco Freire Alemão” (volumes 1 e 2) congrega comentários, narrativas e impressões desse intelectual na ocasião em que se deslocou e permaneceu três meses na cidade do Crato em uma importante expedição científica que escolheu o Ceará como ponto de partida. O documento foi redigido entre março de 1859 e concluído em julho de 1861” (...) 

“Francisco Freire Alemão (1797-1874), se instalou no Crato em 1859 para realização de estudos em seu papel de presidente da Comissão Científica de Exploração. A povoação de Crato, criada como freguesia em 1762, elevada à vila em 21 de junho de 1764 e transformada em cidade em 1853, constitui o ponto no qual Freire Alemão se instalou entre dezembro de 1859 e março de 1860. Nesse período de sua estadia conviveu com inúmeros sujeitos da história intelectual, econômica e política do Ceará e do Cariri”.

O Crajubar dos dias atuais

    “O aglomerado urbano que se formou no extremo sul do território cearense, hoje conhecido nacionalmente como Crajubar, começou a ganhar expressão regional na década de 1960. Este arranjo urbano-regional, conforme sugere o vocábulo que o identifica, é fruto de um histórico processo de integração territorial das vizinhas cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Portanto, é a justaposição das sílabas iniciais das referidas cidades na mesma sequência acima indicada que define o aglomerado em questão” (...)  “Do “oásis” natural descrito pelos três viajantes que atravessaram o Cariri no século XIX, formou-se, atualmente, o que chamamos de “oásis urbano” em meio aos sertões centrais do Nordeste, derivado da concentração e diversificação de atividades e fluxos nos três polos regionais. Este, em grande parte, fruto da centralidade regional do Crajubar, conquistada anteriormente, mas, ampliada e consolidada a partir da emergência do fenômeno Padre Cícero Romão Batista”.

      (As notas acima foram retiradas do artigo “Condicionantes socioambientais e culturais da formação do Crajubar, aglomerado urbano-regional do Cariri cearense”, de autoria dos professores Ivan da Silva Queiroz e Maria Soares da Cunha).

 Crato no final do século XIX e inicio do século XX