15 outubro 2021

João Paulo I ( O Papa Sorriso) Beatvs Brevis– por José Luís Lira (*)

 

   O dia 13 de outubro de 2021 assinalou os 104 anos do milagre do sol, em Fátima, Portugal. Foi a última aparição oficial de Nossa Senhora aos três pastorinhos: Santos Jacinta e Francisco Marto e Serva de Deus Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, a Irmã Lúcia! 

   Cento e quatro anos depois, num mesmo dia 13 de outubro, Sua Santidade o Papa Francisco autoriza a promulgação de decreto que reconhece a validade de um milagre atribuído ao Papa João Paulo I, Albino Luciani, no século, a quem já me referi em outra ocasião como o segundo Papa de 1978, o ano de três papas, todos possuindo relação com Nossa Senhora de Fátima.

   No dia da Transfiguração do Senhor de 1978, falecia, em Castel Gandolfo, o Papa Paulo VI (1963-1978). Foi ele o primeiro Pontífice a ir a Fátima e conversar com a Irmã Lúcia, vidente, em 1967. Entre 25 e 26 de agosto foi realizado o conclave, sendo eleito o Cardeal Albino Luciani, que adotou o nome João Paulo, em homenagem aos seus predecessores. 

   Consta que o Cardeal Luciani, conforme declaração de Edoardo Luciani (Berto), seu irmão, ao visitar a Irmã Lúcia, no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, recebeu dela o tratamento de “Santo Padre”, ligando-o ao mistério de Fátima. No dia 28 de setembro, 33 dias após o início do Pontificado, um dos mais breves na história da Igreja, ele faleceu, mas, deixou marcas profundas. 

   Em 16/10/1978, foi eleito o Cardeal Wojtyła, o Papa João Paulo II, detentor de um dos pontificados mais longos da Igreja. O atentado que sofreu no dia 13/05/1981, foi o terceiro segredo de Fátima. Ele beatificou os dois pastorinhos Francisco e Jacinto Marto e foi, por excelência, o Papa de Fátima!

   Os desígnios de Deus só Ele mesmo conhece. E eis que neste dia 13 de outubro de 2021, a Santa Sé comunica que o milagre atribuído ao Venerável João Paulo I foi promulgado e ele será beatificado. Eu tinha pouco mais de quatro anos quando Suas Santidades Paulo VI e João Paulo I, faleceram. Lembro-me das lágrimas pelo Papa falecido e da euforia, logo depois, com a escolha do novo Pontífice. 

   Recordo-me que nossa casa, no sítio Correios, passava por reforma e pediram que eu fosse à uma casa vizinha, em busca do que necessitavam. Ao chegar à vizinha, ela chorava porque o Papa havia falecido e eu retruquei. Já tem outro e ela me afirmou: foi esse mesmo! Ela ouvira a notícia no rádio. Adulto, encontrei-me de novo com a história do Papa João Paulo I, o “Papa sorriso”, assim conhecido, por sua alegria e docilidade.

   Antes do pontificado, no qual não saiu da Cidade Eterna, a Roma dos Papas, o Patriarca de Veneza, Cardeal Alino Luciani, esteve no Brasil. Na Diocese de Santa Maria, RS, teve por anfitrião o Bispo Dom Ivo Lorscheiter, primo de Dom Aloísio Lorscheider, arcebispo de Fortaleza. O futuro Beato João Paulo I, em novembro de 1975, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Santa Maria. Cardeal Luciani e Dom Aloísio, criado cardeal em 1976, foram amigos por toda a vida e no conclave que o elegeu Papa, ele confessou que votou em Dom Aloísio Lorscheider. Dom Ivo chegou a almoçar com o Papa, num dos dias de seu curto pontificado.

   Os três papas de 1978 e o predecessor, São João XXIII, na glória de Deus, se irmanam mais uma vez, no reconhecimento da santidade!

   Deus seja Louvado!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


12 outubro 2021

Ter fé - Por: Emerson Monteiro


Fé é isto, de ter a força de nunca desistir. Ter a raça e o pudor de enfrentar o que vier, livre do que aconteça no decorrer da resistência. Furor de coragem indômita. Pendor a exerce a função de sobrevivente dos incontáveis vendavais em meio aos escombros do inesperado. Superar a si mesmo nas condições de imaginar saídas impossíveis, nas noites mais escuras. Sustentar o ânimo, inclusive dos que estejam por perto. Fé, além da crença, na certeza plena de dominar temores e repousar na paz da consciência, instrumento de atravessar desertos e mares bravios. A mística dos deuses, de trazer sempre o amuleto de todas as luzes e de todos os santos. Confrontar o inderrogável, nas cenas brutais da película. Aceitar seguir o caminho limpo de Deus qual herói das próprias aventuras. Alma soberana dos altares medievais. Gladiador dos coliseus da virtude e amante do amor verdadeiro durante as eras remotas da Cristandade. Senhor de novos sonhos, autor das epopeias maravilhosas da realização de tudo quanto de bom existe, aonde assim esteja, no vigor das gerações.

Querer e poder, à medida do empenho das forças, na essência de si, valor maior da existência e caminho de superação dos limites humanos. Ser senhor da vontade e conduzir a Salvação pelas dobras sombrias dos instintos. Viver qual quem reconhece a que veio.

Acreditar no inacreditável, pois, mesmo face ao desespero, o gênero humano carece das convicções definitivas nos valores puros, na ciência da Natureza, nos pendores da imortalidade, da justiça, nos patamares eternos, sob o sentido absoluto da Inteligência Suprema, senhor de todas as leis. Aceitar de bom grado a mensagem dos espíritos que nos indicam reais objetivos e razão de estarmos aqui. No silêncio dessa história de tanta beleza que habita o nosso ser interior, quedarmo-nos de corações contritos aos braços da Esperança, calma que nos alimenta e evolui.

(Ilustração: O Angelus, de Jean-François Millet).

11 outubro 2021

A exatidão da Natureza - Por: Emerson Monteiro


Toda movimentação das vidas querer explicar os fenômenos e resulta na limitação dos seres humanos, ainda precisando de aprimoramento até chegar ao senso maior do Absoluto. Há muitos bons resultados, sem dúvida no transcorrer das civilizações. Porém a identificar de tudo o que significa perfeição deixa um tanto de percorrer. Nisso, as dúvidas. Os limites que pegam forte diante das horas críticas. Mesmo assim, um rastro de evolução marca o longo itinerário. Às vezes, me pego a considerar: O avião; as pessoas voam. A comunicação; quanta maravilha, às raias da beleza da Natureza. A Medicina, os materiais, as descobertas científicas, as realizações arquitetônicas, os transportes, as artes, tantos valores admiráveis das descobertas, dos sonhos às certezas.

O místico hindu Ramakrishna considera ser Deus a natureza intrínseca da Realidade, o penhor e essência das existências. Dele advêm todas as virtudes. O Tempo, o ritmo dos astros, as cores, a Luz, a Paz, a Verdade, a Justiça, todo o arcabouço dos céus, isto que aqui bem representamos, na compleição das nossas possibilidades, em um corpo de riqueza inigualável, o qual conduz ao mistério da realização do Ser.

Então, nós, viventes, ensaiamos a música da Salvação em nossos próprios passos, autores e senhores da consciência que impera no íntimo de nós mesmos. Sementes, pois, da exatidão da Natureza, somos os seus herdeiros, de tudo quanto há durante todo tempo. Estamos no foco principal da intenção divina. A distância que resta neste caminhar vem ser o que denominam Liberdade.

Tais personagens desse soberano episódio da Criação, que toquemos nossa história por meio da responsabilidade para conosco e partilhemos este poder infinito que transportamos com todos os que seguem ao nosso lado rumo ao Cristo, nos páramos da Eternidade.

08 outubro 2021

A busca incessante da realização do Ser - Por: Emerson Monteiro


São tantos esses momentos, dos quais só alguns inesquecíveis. Na alma da gente, bem ali, pulsa vivo o coração; porém, numas quantas intensidades, o que determina continuar, o que prevalece no decorrer da Eternidade. É o som vago dessas harmonias, que cresce no mais íntimo das criaturas e ecoa ao longe, pelo Universo inteiro. Lembranças de razões marcantes que permaneceram, das vivências, das emoções, que determinaram a sequência natural da sobrevivência do ser; ânsias, lamentos e sonhos que permanecem guardados desde sempre, determinações que conduziram nossos passos rumo da felicidade.

Inúmeras vezes, elas regressam na forma de recordações; tristes ou felizes; sobrenadando por dentro das pessoas quais restos dos naufrágios antigos que teremos sido. Chegam, batem os porões da percepção e pedem que sejam ouvidas, espécies animadas que persistem e crescem à medida dos próprios desejos, pois adquirem vida íntima. Nem sei de que mundos regressam, tão incólumes e faceiras. Sei, sim, que avançam e dominam o território da presença nas pessoas. Gritam, revivem, sustentam, onde estejamos, a criar espaços intermináveis entre hoje e nunca mais, longas pontes do Infinito ao Desconhecido.

Preenchem espaços no pensamento, nos bastidores dos dias, até dominar as asas da imaginação e mergulhar o firmamento da memória; vivemos, assim, submissos dessas visagens do passado que nos dominam e crescem, senhoras feiticeiras de reinos encantados, restos de filmes de antigamente.

Do pouco que ora esquecemos do poder dessas influências misteriosas, disso a gente alimenta vorazmente o que restava de significarmos. Trabalho inevitável,  urgente, das sobras desses fantasmas, daquilo reconstruímos o ser que ora somos. Arquitetamos fugir sobre o abismo das horas mortas, e tricotamos tecidos de esperança, a revelar faces novas. Alienígenas de nós mesmos, batemos muitas portas à procura do que a gente seja de verdade. Fervilhamos pântanos, sobrevoamos hemisférios, experimentamos existências, enquanto a Paz crepita em nossas entranhas, no poder maior da Consciência eterna que nos aguarda logo adiante.

Formação do Cristianismo de Eliandro Nascimento – por José Luís Lira (*)

   Desde que foi lançado, em 2020, fiquei curioso em ler o livro do colega de magistério e investigador científico, Prof. Francisco Eliandro do Nascimento, doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará. Eliandro é tão presente nos cursos de Direito, onde leciona Filosofia Jurídica, que achei que ele era formado em Direito. Além do amor pelo Direito e pela Filosofia temos alguns elos, entre os quais a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), de onde ele é egresso e onde eu leciono desde 2004, no Curso de Direito, e o maior deles: a amizade e admiração que temos por um dos maiores filósofos de nossos tempos e eu ainda tenho a honra de ostentar que fui professor dele, o Mestre – literalmente Mestre – José Cândido Fernandes. Eu tenho consciência de que mais aprendi do que ensinei ao Mestre Cândido, mas, gosto de destacar essa faceta.

   E apresentando o segundo livro de nosso autor, Eliandro Nascimento, “A Formação do Cristianismo e as Contradições das Culturas Grega, Romana e Judaica”, editado pela AIAMIS, em rápidas palavras, o Mestre Cândido aponta as bases do trabalho de Eliandro: “Com carisma, mística, espiritualidade, e compromisso, que lhe são peculiares, elaborou uma ampla e profunda pesquisa: exegética, histórica, filosófica e teológica. Produzindo assim um texto bem estruturado, organizado, documentado e bem enriquecido” e recomenda o trabalho aos interessados e estudiosos do tema, como “grande contribuição”. Inicialmente, o Mestre Eliandro nos diz seu principal objetivo neste livro: “realizar uma análise do conceito ‘Plenitude dos Tempos’ utilizado por Paulo e compreender o contexto histórico, filosófico e teológico da formação do Cristianismo”. 

   A estrutura do livro se dá em quatro capítulos principais, excluindo-se prefácio, apresentação, introdução, considerações finais, posfácio e bibliografia, esta que dá suporte ao trabalho. Assim temos uma leitura d’a Plenitude dos Tempos; a contribuição dos Gregos, com a língua grega, a filosofia grega, a presença de Alexandre, o Grande, conclui este capítulo; a contribuição dos romanos, com contexto histórico de Roma, a pax romana e a engenharia de Roma. E aqui, permito-me abrir parênteses, em que a engenharia romana contribuiu para a divulgação do cristianismo? Conforme nosso autor, “Roma havia desenvolvido, a partir da perspectiva de um mundo globalizado, um sistema de estradas nunca visto antes em nenhum momento histórico”, ressaltando ainda que eles “implementaram um ideal de lei universal”. Assim, foi por essas estradas que Paulo, p. ex., leva a mensagem cristã a pontos variados. Destaca a Via Ápia. E quantos cristãos foram martirizados nessa Via? Incontáveis. 

   Finalmente, em quarto capítulo, o autor elenca o “irmão mais velho do cristianismo”, o judaísmo, com a história dos judeus que é tão originária para o cristianismo, o monoteísmo e as sinagogas que são, também, bases para o cristianismo, visto que acreditamos num só Deus, trino, mas, um só Deus e nossos templos, nossas Igrejas. Aqui o próprio Eliandro lembra-nos que judaísmo espera um Messias e, nós, cristãos, o vemos em Jesus, o Cristo.

   Este espaço é breve e serve para recomendar a leitura deste importante trabalho e parabenizar ao autor por sua contribuição à historiografia cristã.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


05 outubro 2021

A primeira manga da estação - Por: Emerson Monteiro

Amor, o alimento dos deuses, e essa vontade forte de continuar, ainda que seja assim no decorrer do tempo a convidar os que vivem aqui. Diante das situações, viver qual jamais. Sustentar com ânimo todas as circunstâncias, perante o exercício das normas do Universo. Aquecer o coração de bons sentimentos. Gravar na memória as boas lembranças, as palavras felizes e os pensamentos de certezas mil. Seguir sabendo que, nesta escola, as lições indicam sempre nossas necessidades. Saber praticar o que elas ensinam, fieis às atitudes que a vida impõe a título de evolução. Selecionar vivências da forma que melhor possamos prosseguir e ultrapassar os obstáculos.

As palavras quais sejam os instrumentos de sustentação da alegria; construir em nós o que desejamos de tocar em frente através dos caminhos que nos levam a sonhos de esperança. Colher em nossos desejos a maneira ideal de transformar dificuldades em degraus de paz.

Enquanto isto, durante essa prática de coerência, aperfeiçoar a existência em nossas mãos de modo a receber da Natureza tudo de bom que tem a nos oferecer toda hora. Escolher o lado bom em tudo. Ver com olhos de obediência os princípios originais da Perfeição absoluta de que somos componentes e beneficiários. Ser o que ansiamos, na medida dos momentos e das oportunidades. Exercitar o silêncio da alma tal quem cria o reino da tranquilidade no território de nós mesmos.

São recados que trazem os dias luminosos às nossas mãos nos instantes que se seguem. Usufruir da criatividade à nossa disposição. Viver, pois, intensamente o direito de harmonizar os passos com o ritmo que a tudo percorrer, dentro e fora das pessoas. Essa positividade mais que possível persistirá nos frutos eternos da construção desse mecanismo perfeito de poder amar e ser felizes que somos todos nós.

01 outubro 2021

Oh Santo de Deus muito amado! – por José Luís Lira (*)

 

    São Francisco Louvado Sejais!, assim cantamos na ladainha de São Francisco de Assis. Setecentos e noventa e cinco anos nos separam de morte por quem louvou ao Senhor Deus, chamando-a “nossa irmã a Morte corporal,/ da qual homem algum pode escapar”. Conforme seus biógrafos, sentindo a morte próxima, Francisco solicitou à nobre Jacopa de' Settesoli, uma amiga romana, que trouxesse o necessário para seu sepultamento. Foi despedir-se da Irmã Clara e das irmãs, em São Damião e voltou à Porciúncula, deu instruções para ser sepultado nu, e no pôr do sol de 3 de outubro de 1226, depois de ler algumas passagens do Evangelho, faleceu rodeado de seus companheiros, nobres amigos e outras personalidades. 

   Menos de dois anos depois, o Papa Gregório IX foi a Assis para canonizá-lo, em 06/07/1228. Em 1230, foi inaugurada uma nova basílica em Assis, dedicada ao Santo, abrigando suas relíquias e o seu túmulo definitivo. 

   Dante Alighieri (1265-1321) escreveu que Francisco foi uma “luz que brilhou sobre o mundo”. Francisco foi um poeta existencial. Na juventude, como todo rapaz de sua época, aventureiro, namorador... Em 1202, alistou-se na guerra que Assis desenvolvia contra Peruggia, mas foi capturado e permaneceu preso por cerca de um ano. Em 1205, engajou-se no exército papal que lutava contra Frederico II, tornando-se Cavaleiro. Deixando o campo de batalha, voltou à sua cidade. Ali, ao passar por uma igreja em ruínas, ouviu o chamado: “Francisco, reconstrói a minha Igreja” e fez uma revolução na Santa Madre Igreja.

   O martirológio romano registra em 4 de outubro, um dia após seu encontro com Deus: “Memória de São Francisco, que, depois de uma vida despreocupada, se converteu à vida evangélica em Assis, na Úmbria, região da Itália, encontrando Jesus Cristo especialmente nos pobres e tornando-se ele mesmo pobre ao serviço dos necessitados. Reuniu em comunidade consigo os Frades Menores, pregou o amor de Deus a todos nas suas caminhadas, inclusivamente na peregrinação à Terra Santa, mostrando com as suas palavras e atitudes o desejo de seguir a Cristo, e quis morrer deitado sobre a terra nua”.

   O maior local de devoção ao Santo é sua terra, Assisi, na Peruggia, Itália, onde um dia percorri seus caminhos. No Ceará está o segundo maior santuário franciscano do mundo: Canindé. O início de tudo se deu no século XVIII, quando foi construída uma capela dedicada a São Francisco, vindo, da Itália, sua primeira imagem. A capela deu origem à bela Basílica Menor de São Francisco, da qual tive a honra de relatar o Parecer de Tombamento, no Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Ceará. 

   Em 2018, pelo Decreto Legislativo N° 020/2018, publicado no Diário Oficial do Município de Canindé, de 1°/11/2018, foi concedido o “Título Honorífico de CIDADÃO CANINDEENSE, ao PADROEIRO da Cidade, São Francisco (in memoriam)”. Não encontrei, em lugar nenhum, tributo semelhante a um santo padroeiro. O Vereador Carlos Anastácio, autor do projeto, em justificativa, relatou a biografia do Santo e destacou: “se alguém merece tal honraria de cidadania canindeense, esse é São Francisco”.

   São Francisco é irmão de todos os cristãos e de nós, cearenses, muito próximo, pela cidadania canindeense! 

     São Francisco nos abençoai!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


30 setembro 2021

O véu de Ísis - Por: Emerson Monteiro


Isso de conhecer, bater às paredes do Infinito, revelar a si próprio a caligrafia deste Chão e adquirir asas de galgar aos Céus, eis a real finalidade de tudo quanto há durante todo tempo. Desvelar o que em nós encobre tais os segredos do olhar dessa libertação. Enquanto que, antes disto, confrontamos conosco nas malhas da ignorância, vivos seres de altos sonhos, desde lá de sempre vem sendo assim, nas marcas deixadas nas cavernas e encostas de montanhas talhadas a pedra. Reviramos as cadeias da angústia, amarguramos insatisfações de desejos, vultos encapuzados que vagam nas sombras dos padecimentos. No entanto, persistimos a qualquer custo, lábios ressequidos, noites insones e vontade forte.

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véu de Ísis é uma metáfora e motivo artístico alegórico em que a Natureza é personificada como a deusa Ísis coberta por um véu ou manto, representando a inacessibilidade dos segredos da natureza. Google

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A força descomunal de tantos vilarejos das vidas antigas alimenta a sede do eterno nas almas dos humanos. Vislumbramos todo instante o poder soberano da imortalidade que carregamos conosco, pequenos, porém gigantes, amores e saudades, luzes que se acendem nas frestas dos mundos ignotos que guardamos debaixo de sete chaves no abismo do coração da gente.

Durante as vidas, pois, existe o tal véu que nos encobre o destino da real sabedoria, até quando descobriremos, igual genialidade a vencer as trevas da nossa consciência que aos poucos abre todas as portas do Sol. E vencer o deserto da dúvida, a resolver de uma vez por todas o drama desta solidão que nos envolve e grita numa aspiração de paz.

Ísis representa, com isso, o personagem mítico que administra a cortina que, tão logo aberta, distingue o mistério entre a vida e a morte, face ao enredo escuro conquanto a ser revelado no percurso das epopeias individuais do pregão dessas existências transitórias daqui do Chão.

28 setembro 2021

O senso incomum - Por: Emerson Monteiro


Tantas vezes quantas, aos olhos do Tempo, há de nascer o Sol? Das praias do infinito de nós mesmos, diante do eterno das vidas, virá o senso de compreender o Destino. A quem perguntar se não a nós próprios, nas entranhas da Consciência?!

Sei que já existem, vagando pelos céus, todas as respostas que transportam no íntimo e adormecem nas visões de todo instante. Vivem soltas nos preceitos da liberdade quais peixes no oceano das presenças. Alimentam o desejo de sobreviver, conquanto guardem consigo tudo e mais que houvesse, porém quais pequeninos seres ainda inocentes da grandeza do Amor lá de onde elas vêm vamos aqui nesse hemisfério de largas expectativas.

Somos assim tais guardiões do segredo universal, longe que seja das visões que desmancham o dia em milhares de fragmentos. Deslizam na alma dos mundos e desaparecem, no entanto sempre a testemunhar sequências dessas estações do trem imóvel da Eternidade. Seguimos soltos à busca de achar o jeito de dominar os acontecimentos, cientes das possibilidades imortais que eles transportam e que somos nós.

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À medida que andamos, descobrimos que o passado viveu mergulhado em nossas lembranças, na busca de preencher de lições o que ali vivemos. Uma ficha constante das nossas ações alimenta o que hoje significamos nalgum lugar do Universo. Qual escrevesse o livro do que precisamos ser, reajustamos nossos praticados e usufruímos o melhor do que fizermos.

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Diante de tudo, portanto, há um vazio imenso das histórias que têm de acontecer logo, em frente ao correr de cada momento, no abismo das eras que se sucedem. A chama do transcorrer nesse fio ininterrupto do tempo aos nossos pés reclama consciência do que vivemos. Mistério profundo, fluxo contínuo de necessidades que a tudo envolve sem alternativa. Enquanto isso, seguimos a passos largos rumo ao enigma que nos aguarda de braços abertos, resposta de todas as perguntas possíveis e imagináveis, no fim e recomeço.

24 setembro 2021

O silêncio de todos nós - Por: Emerson Monteiro


Isso que somos agora, loterias de movimento incessante. Em cada cabeça uma sentença. Todos, sem nenhuma exceção, aqui, neste exato momento, trazemos a interrogação e resposta de nossos dias. Valor inestimável, teremos cá de dentro a resposta dos nossos sonhos. Bem isto, o fruto de todos os dias, painéis em constante formação, eis o que o somos. Aparentemente senhores de si, no entanto um jogo de claro-escuro pela vida afora. Dois lados do mesmo grão, trabalhamos a necessidade urgente de harmonia. Colhemos a todo instante essas fagulhas desta fornalha.

É que viemos a fim de resolver de vez a equação do Destino, o que passa dentro da gente feita razão de tudo quanto há, durante todo tempo. Esses dois seres extremos em um só habitam a nossa essência na busca de paz, numa medida certa dos acertos e descobertas. Açúcar e sal, tangemos os dias vidas adiante. Desejamos o melhor, porém à medida do domínio que se faça dessas forças que assim conduzimos neste ser que significa indivíduos em aprimoramento. Simples e direto, o conhecimento sacode a tal máquina das circunstâncias e propicia os meios de respostas perante desafios que os transportamos.

Nesse tribunal da consciência, fervem anseios e verdades, contradição só aparente, porquanto desse modo deveria acontecer. Nem de longe existe a quem reclamar senão a nós próprios face aos desatinos e praticados. O resultado disso vem, sem falta, na ordem do firmamento. Se houver de quem indagar, indaguemos do silêncio que em nós vive guardado sempre.

Portanto, alunos e professores, o segredo da transformação lá um dia virá à tona, razão de tudo quanto o Tempo traz a mover as criaturas. Todo momento, pois, criamos em nós o universo de que somos motivo e artífices, na Lei maior de nosso Eu superior.  

Do seriado (inesgotável) “Coisas da República”

 Corrupção, o pior vírus da República

   Praticamente todos os Estados da República Federativa do Brasil estão sendo investigados por fraudes na aquisição de insumos para o combate à epidemia do vírus chinês, desde a compra de equipamentos como respiradores, até medicamentos e máscaras de proteção.

   A bandalheira começou quando Estados e Municípios foram dispensados de licitação, pois a urgência no combate ao mal “justificava”. Infelizmente, o Governo Federal se esqueceu de que vivíamos numa República, atualmente quase um sinônimo de corrupção.

   Segundo dados da Controladoria Geral da União (CGU), até março deste ano já haviam sido comprovadamente desviados R$ 39,1 milhões de um total de R$ 125,9 milhões investigados. Não pode haver crime mais repugnante do que aproveitar-se de uma situação de fragilidade social provocada pela pandemia para apoderar-se de recursos públicos. Pois bem, muitos políticos brasileiros chegaram até lá.

(O texto acima foi publicado no boletim “Herdeiros do Porvir”, nº 65, junho/2021)

Há 62 anos Sobral parou para se despedir de seu primeiro Bispo

Texto de José Luís Lira
Diretor do Museu Diocesano Dom José de Sobral


    Era uma sexta-feira, 25/09/1959, às 21h30min, no então Palácio Episcopal, hoje Museu Diocesano Dom José. Dom José Tupinambá da Frota, primeiro Bispo de Sobral e Conde Romano da Santa Sé, que agiu não só no aspecto religioso, mas, também, nos campos educacional, cultural, da saúde, das comunicações e assistenciais, falecia. Desaparecia o homem, consolidava-se um nome na história como o maior benfeitor de Sobral, de todos os tempos, sem exercer cargo político, sem acúmulo de nada em ordem pessoal, tão somente no exercício da sua vocação sacerdotal que se tornou episcopal.

    No livro “Genealogia Sobralense: Os Ferreira da Ponte” (Sobral: IOM, 2005, vol. IV, tomo III, páginas 1498/1499), o historiador e genealogista sobralense Assis Arruda, ressalta, citando a imprensa da época, como se vê na obra, que o “acontecimento levado ao par pelas suas emissoras locais e pelas estações de radioamadores, espalhou-se imediatamente por todos os recantos do Brasil. Também no estrangeiro, enchendo de tristeza os corações daqueles que o conheciam e enlutando a alma da Igreja Católica. Logo após a morte de Dom José, o povo sobralense, em romaria, acorreu ao Palácio, para prestar seu último tributo de pesar, ao seu querido pastor e guia espiritual. Assistiram os últimos momentos de vida do ilustre antístite o Revmo. Pe. José Palhano de Saboya, seu secretário e Prefeito Municipal de Sobral, Dom José Bezerra Coutinho [Bispo Auxiliar, residente no Palácio], que lhe administrou a extrema-unção, Dr. Guarany Mont’Alverne, seu dedicado médico, J. Wilson, enfermeiro François, Pe. Luiz Rodrigues, Irmã Estefânia, Superiora do Ginásio Sant’Ana, e a Irmã Marfisa.

     Após o seu passamento, o corpo de Dom José foi removido para o salão nobre do Palácio, e três horas depois, conforme deliberação do Conselho Diocesano, para a Capela do Menino Deus, entre choros e soluços da incalculável multidão, e lá ficou exposto à veneração pública. Durante toda a noite, centenas de pessoas desfilaram silenciosamente ante o esquife, tocando piedosamente o corpo do ilustre morto, que se achava revestido de paramentos e insígnias episcopais. Precisamente às 2 horas da madrugada do dia seguinte, o Revmo. Pe. José Palhano, seu filho espiritual, em pranto celebrou a primeira missa de corpo presente, e às 6 horas, Dom José Bezerra Coutinho celebrou a segunda, a qual foi assistida pelo clero, seminaristas, associações pias e o povo em geral. As 10 horas, realizou-se o solene cortejo fúnebre para a trasladação do corpo de Dom José, da capela do Menino Deus para a Catedral, tomando parte as Irmandades, Seminário, o clero diocesano, colégios, religiosos e uma incomputável multidão. 

      Às 17 horas, com a presença de Dom Antônio de Almeida Lustosa, Arcebispo Metropolitano [de Fortaleza], Dr. Tancredo de Alcântara, representante do Governador do Estado, sacerdotes e quase todos os vigários da Diocese, Seminário, Religiosas, Colégios, Associações Pias, destacadas autoridades, e uma grande multidão que enchia a Igreja da Sé e se espalhava pela espaçosa praça, foi celebrada por Dom José Bezerra Coutinho, a missa solene de réquiem, e em seguida teve lugar a encomendação do Corpo, sendo as cinco absolvições do Ritual Romano, ministradas pelo Sr. Arcebispo Metropolitano, por Dom José Bezerra Coutinho, e pelos Monsenhores Fontenele, José Osmar e Domingos de Araújo. Depois o corpo de Dom José foi conduzido pelo Sacerdotes para a Capela do Santíssimo, onde foi sepultado ao som do toque de silêncio, e depois a banda de música municipal entoou uma marcha fúnebre provocando uma consternação geral.

   O desenrolar da triste cerimônia foi transmitido pela Rádio Iracema de Sobral, na palavra do Revmo. Pe. Sadoc Araújo e do radialista José Maria Soares”.

   Salve, Dom José!

PERFIL

     Dom José Tupinambá da Frota, nasceu a 10 de setembro de 1882, na residência da família, situada na então Rua da Aurora, hoje Rua Domingos Olímpio, 231, em Sobral. Seus pais foram Manoel Arthur da Frota e Raimunda Artemísia Rodrigues Lima. Sua formação para o sacerdócio se deu em Salvador (BA) e em Roma, onde foi ordenado sacerdote no dia 29 de outubro de 1905, na Capela do Colégio Germânico, pelas mãos do vice-gerente de Roma, Dom José Cepetelli, o mesmo que no ano anterior ordenou o futuro Papa João XXIII, Angelo Roncalli. 

      Recebeu o grau de doutor em filosofia e em teologia, pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. De retorno ao Brasil, passou um período lecionando no Seminário Maior do Ipiranga, em São Paulo.  Em 1908 foi nomeado vigário de Sobral e, em 1916, foi designado o primeiro Bispo Diocesano da Diocese de Sobral, criada no ano anterior. Primeiro Bispo de Sobral, ordenou 98 sacerdotes. Entre suas obras se destacam: o Seminário da Betânia – Diocesano, atual sede da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), os Colégios Sobralense e Santana, o Abrigo Sagrado Coração de Jesus, o Patronato Imaculada Conceição, o Museu Diocesano que após sua morte recebeu seu nome, a Santa Casa de Misericórdia. Publicou “História de Sobral” e “Traços Biográficos de Manuel Artur da Frota”. 

      Faleceu em Sobral, no então Palácio Episcopal, atual prédio do Museu Diocesano Dom José, a 25 de setembro de 1959, depois de ser confortado com os sacramentos da Igreja, tendo seu Bispo Auxiliar, Dom José Bezerra Coutinho, administrado-lhe a extrema-unção. Seu sepultamento se deu na Catedral de Sobral.

23 setembro 2021

Coisas da Monarquia: Dos 10 países mais democráticos do mundo, 7 são Monarquias

 

   Infelizmente, ainda hoje, muitas pessoas, influenciadas pela máfia republicana (aí incluídas pessoas que atuam nas universidades públicas, na mídia pró-China Comunista, na ala da Teologia da Libertação infiltrada na Igreja Católica, os políticos “esquerdopatas”, dentre outros) colocam em extremo oposto Monarquia e Democracia.

    Na verdade, a Democracia, no sistema monárquico, é praticada em sentido pleno, e o povo é verdadeiramente representado. Pesquisa realizada pela revista inglesa “The Economist” classificou 167 países de acordo com seu Índice de Democracia (Processo Eleitoral e Pluralismo, Funcionamento de Governo, Participação Política, Cultura Política e Liberdades Civis) e entre os 10 primeiros, 7 são monarquias:

      Eis pela ordem de classificação como ficaram as nações mais democráticas que têm Rei ou Rainha como Chefe de Estado:

1º – Noruega,
3º – Suécia
4º – Nova Zelândia
5º – Canadá
7º – Dinamarca
9º – Holanda (ou Países Baixos)
10º – Austrália

      Observação: A “Mãe” o “Pai” da forma de governo republicana – França e Estados Unidos – ficaram em 24º e 25º lugares...E o Brasil? 

     Ora, a República Federativa do Brasil amargou o humilhante  49º lugar na lista. Uma vergonha!


 Fonte de Consulta: Revistas “The Economist” e “Herdeiros do Porvir”, nº 65, edição de junho de 2021.

Postado por Armando Lopes Rafael

22 setembro 2021

O reino dos super-heróis - Por: Emerson Monteiro


Nada mais que esse mundo daqui do Chão, um lugar de conchavos e desencontros, artimanhas e vaidades. Ninguém que se preze deixaria de lado o sonho de vencer alguma dessas batalhas travadas nos coliseus da ilusão. Todos, armados até os dentes, logo invadem o circo e sacodem suas lanças rumo ao desespero de si. Horas e dias, o mesmo travo amargo de ansiedades e desesperos, olhos ardendo nas filas que não acabam nunca. Roupas gastas nesse afã de vencer o inexistente, quais estranhos autores das epopeias colossais, são os nomes que sacodem nos lençóis do impossível e piões que giram sem cessar; eles, fieis servidores das nuvens que passam e desmancham cores avermelhadas no final das séries intermináveis e dos destinos inacabados.

Quiséssemos desvendar, pois, o mistério das jornadas, e nos depararíamos com o cemitério dos dinossauros lá no íntimo das matemáticas humanas. Dores, cores e gestos; versos, rimas e fados, que não acabam jamais. Tudo isso fruto da vontade imensa dessas alimárias vestidas às pressas na entrada das cenas que nunca irão terminar. Homens e máquinas, num furor sem limites, células mórbidas do mesmo corpo que escorre pelas trilhas do firmamento. Exóticos, beijam e abraçam os próprios feitos, retalhos de armaduras jogadas ao lixo da História.

Existências, pois, trazidas ao baile só a fim de interpretar que vieram de longe. Circuitos de engrenagens fantásticas, sabem e desconhecem a um só tempo o ritmo das melodias que lhes contavam as lendas, enquanto retinem espadas e moedas atiradas ao vento. Quais monarcas de tronos imaginários, ecoam seus gestos na alma das outras criaturas, no desejo frio de marcar um solo eterno de galáxias que avançam rumo ao sagrado espanto. Eles, que ignoram a que existem e, ainda assim, contêm os passos no coração do Infinito. Pisam o solo da ausência e abandonam as vestes logo que chegam aos Céus que lhes espera.

(Ilustração: Liga da Justiça, heróis da DC).

Eleições republicanas: são confiáveis?

 Do seriado (inesgotável) “Coisas da República” – por Armando Lopes Rafael

       A nota abaixo foi publicada na revista “Herdeiros do Porvir”, nº 65, junho/2021:

Urnas republicanas – Não existe nada mais antidemocrático do que a fraude eleitoral, pois a chamada vontade popular é vilipendiada invariavelmente em favor de interesses escusos, para dizer pouco. Na maioria dos países livres o voto é auditável e, portanto, passível de recontagem.

     Em nossas últimas eleições, sobretudo nas majoritárias, houve sérias dúvidas sobre os resultados. Os defensores das urnas digitais alegam que os dados são invioláveis, enquanto críticos dizem que podem ser adulterados antes, durante ou depois do pleito.

       Foi exatamente neste sentido o resultado obtido por hackers reunidos na última DEFCOM (maior conferência de hackers do planeta), em Las Vegas (EUA): em menos de duas horas quebraram o sistema de segurança de todas as urnas, incluindo a brasileira. Portanto, enquanto o voto impresso não for instituído no Brasil, pode-se dizer que vivemos em democracia autenticamente representativa?"

Do seriado (inesgotável) “Coisas da República” – por Armando Lopes Rafael

 Mídia brasileira: a mais sórdida do mundo

“Mentez, mentez, il restera toujours quelque chose”
(Menti, menti sempre ficará alguma coisa)
Voltaire

       A começar pelas redes de televisão. O saudoso Cardeal-Primaz do Brasil, Dom Lucas Moreira Neves, já dizia: “A televisão brasileira tornou-se uma escola de criminalidade e violência. Acuso-a de ser corruptora de menores, em virtude de programas da mais baixa categoria moral, pelas cenas e pelo palavreado”.

               Imagine se Dom Lucas tivesse vivido para ver os noticiários televisivos de hoje...prenhes de mentiras. Não quero, de modo algum, generalizar. Mas clama aos céus, as inverdades forjadas para manipular a opinião pública por certos veículos, voltados unicamente para acusações ao Governo Federal. Tornou-se abusivo. Ninguém lê mais as notícias sobre a política.

                Jornais como “Folha de S.Paulo”, “Estadão”, “Estado de Minas” e muitos que se publicam no país, todos com tiragens diminuindo a cada dia, vomitam – 24 horas diárias – matérias para desacreditar o Governo Federal, enquanto apresentam como “lideranças” “sadias” e “esperançosas” pessoas do naipe de Lula, Omar Aziz, Renan Calheiros, além dos parlamentares das bancadas do PT, Psol, PCdoB, et caterva... Risível!

                 A atual mídia brasileira, decadente, sem credibilidade, com seus colunistas venais e subservientes (fazem tudo para sustentar o emprego), tem a cara da banda podre desta República...


21 setembro 2021

Que temos com isso - Por: Emerson Monteiro


Quando vejo alguém sofrer dalgum dos males deste mundo, nessa hora sinto a necessidade urgente de olhar dentro mim, que eu descubra o que eu tenho a ver com o que os outros sofrem. Querer que não seja assim, que cada um fosse o dono de si, no entanto hoje ainda nem de longe posso praticar tal intenção. Se estou feliz, por que os outros também não podem estar? O que impede disto acontecer desde sempre? Há um vazio na alma da gente quando somos detentores de conforto, de paz, alegria, felicidade, e os outros nossos irmãos assim não estejam. O que fazer, então, a fim de modificar o quadro de sofrimento de tantos que padecem, nos bolsões de pobreza, nas guerras, nos hospitais, nas prisões, na ignorância, na maldade, na corrupção, fugitivos da harmonia que impera nas leis da Natureza, e de que jeito cada um de nós pode dormir acomodado, sem nada fazer que modifique esses padrões dantescos, quando haverá um momento, criado por nós, no íntimo da nossa consciência de transformar as visões desse universo em que vivemos?

Sei que temos algo a ver com isso; que, no mínimo, devemos exercitar o ensino das religiões, das filosofias positivas, dos mestres, a que possamos reverter a sequência de dores deste Chão. Que nos cabe agora mesmo algo a fazer a todo instante, seja pelos pensamentos, orações, práticas de vida, lideranças, riquezas, no sentido de iluminar a vibração dos corações e produzir frutos novos de amor e luz.

Sei, sim, que somos os seres responsáveis por tudo isso... Que podemos construir o sonho das horas felizes na dimensão onde se presenciar tanta beleza nas realizações de Deus, que nos alimenta, nos conduz diante das estradas aonde faremos novos os dias. Carecemos abrir os olhos e querer a todos o bem que queremos aos nossos irmãos, nossos filhos.

20 setembro 2021

Sem título - Por: Emerson Monteiro


Só conta a sabedoria de que o livro é portador, embora ela não esteja na essência da tinta e do papel. Antoine de Saint-Exupéry

 Dentre os livros consagrados nesta Era Contemporânea, O pequeno príncipe ainda hoje mantém lugar de honra entre tantos livros espalhados pelo mundo. Saint-Exupéry, ex-aluno da Congregação dos Maristas, na França, destacaria, com essa obra, a simplicidade dos contos infantis numa linguagem de largo poder de percepção, chegando à alma dos leitores com história inesquecível. Tanto ao nível das crianças quanto do público adulto, galgou tocar o coração dos seres humanos qual jamais antes fizera outro autor.

Conheci outros livros desse consagrado escritor, quais Voo noturno, Correio Sul (esses quanto às viagens intercontinentais dos correios ao início das missões aéreas ao longo do continente americano e da África, fonte de sua inspiração nessas obras), Terra dos homens, Piloto de guerra, Cartas ao pequeno príncipe e Cidadela.

Sempre um viajante solitário nas suas infinitas viagens, descreve como poucos as nuances da personalidade humana, refletindo seus conflitos íntimos existenciais, tendendo a interpretações filosóficas de alta reflexão e sofrimento. Isso fez valer como intensidade nas narrativas de Piloto de guerra, quando aviador militar aliado numa das bases da Segunda Grande Guerra, de onde, certo dia, partiria em uma missão de reconhecimento para não mais regressar.

Das suas produções, Cidadela seria a mais extensa, aonde pretendeu reunir maiores considerações quanto aos estudos da vida, o que, no entanto, permaneceria inédito durante sua existência.

Nas andanças pela América do Sul, nalgumas vezes pousaria em Natal, no Rio Grande do Norte, cenário em que conheceria uma das mulheres que lhe marcaram a existência. Na França, viveria intensa paixão ao lado de uma atriz de teatro, talvez o maior dos seus amores, de quem, no entanto, nunca viria a merecer igual dedicação.

Quase que na intenção de cumprir um dever de gratidão a esse escritor, responsável por parcela valiosa do gosto que tenho pela literatura, deixo aqui, nestas poucas palavras, meu rápido registro de agradecimento.

Vida interior - Por: Emerson Monteiro


Nessa busca do sentido de tudo, se chega a compreender a fluidez naquilo que avaliávamos ser pura realidade. Rastros de tempo que voam pelo abismo do passado logo viram presente ao impacto do futuro e esvaem ao clarão dos novos dias. Tais malabaristas das experiências adquiridas, os indivíduos avançam nessa fronteira do Nada, anestesiados pelas visões que projetavam na tela mental, e padecem da síndrome do desaparecimento instantâneo sem sombra de alternativas. Portanto, somos isto, sementes de um encontro marcado conosco próprios. Querer contrariá-lo eis o que restaria, por conta da sonhada liberdade, ou de nenhuma vontade de aceitar a morte como um valor definitivo.

Durante essa caminhada perene, no entanto, aparece necessidade do despertar, acordar daquilo que seria só pesadelo, desaparecimento inevitável. Daí o desejo de continuar, sobreviver a todo custo, se salvar. Desejo, ou consequência do viver em queda livre. Ainda que frágil, a vida traz em si o senso de eternidade, espaço apreendido na sombra das histórias e vivências. Ninguém que seja pretende apenas desfrutar das horas e nelas sumir nas suas entranhas de fatalidade.

Bem isto, a semente de uma vida interior, conquanto impossível prosseguir diante das peças deste cenário, que caem e somem aos nossos olhos. Persistirá força viva da imaginação e do furor da imortalidade. Querer e desenvolver isso através dos elementos da Criação, de que somos parte efetiva. Nas entrelinhas das dúvidas, ensaiamos a fome do poder, quais criaturas enigmáticas à procura da sorte. E mergulhamos nas cavernas deste ser que o somos, aventureiros da salvação.

O território aberto dos próximos acontecimentos supera, pois, nossos passos e alimenta nossas intenções de revelar a que viemos e descobrir, nas malhas da carne, o código perfeito desse mundo ignoto e rico de surpresas, o reino de toda possibilidade, quando as ilusões se apagarão à luz resplandecente das manhãs espirituais.

18 setembro 2021

Uma carta: "Impressionando os Anjos" – por José Luís Lira (*)

    Quando meu amigo Samyr Figueiredo faleceu, Você não acreditou. Ao me ver chorando, tentando me animar, Você pediu que eu ouvisse a canção religiosa “Verdades do Tempo”, de Thiago Brado. Em dado trecho da música se ouve: “Passado não volta, futuro não temos e o hoje não acabou/ Por isso ame mais, abrace mais/ Pois não sabemos quanto tempo temos pra respirar/ Fale mais, ouça mais/ Vale a pena lembrar que a vida é curta demais”. As lágrimas embaçam um pouco a vista e preciso, instantes em instantes, levantar os óculos para desumedecer os olhos...

   Há alguns dias encontrei várias fotos nossas. A Professora Graça Fonteles escreveu sua biografia para apresentar, oficialmente, seu nome para patrona da cadeira 40 da Academia Cearense de Cultura. Foram tantas lembranças e acabei indo a Fortaleza. Recordo bem do que Você falava de quando seu pai faleceu e Você ia ao cemitério só para estar lá. Acho que me impregnei desse sentimento e diante de seu túmulo, lembrei, também, de uma pergunta sua, há tempos... Estávamos num sebo no Rio de Janeiro e do nada Você perguntou: “Será que no céu tem livros?”. Eu indaguei o porquê da pergunta e Você disse que seria “muito triste a vida sem livros” e eu citei Jorge Luis Borges: “Siempre imaginé que el paraíso es una especie de biblioteca”. No retorno ao hotel, ouvi uma música que meu irmão Ticar já tinha me apresentado. Mas, hoje ela teve o real significado e a vejo nova...

    A música é “Impressionando os anjos”, de Theo Andrade e Gustavo Mioto, cantada por Mioto. É sobre uma separação pela morte. Dizem eles: “Hoje foi tudo bem, só um pouco cansativo/ Dia duro no trabalho que acabou comigo/ Tô aqui com os pés pra cima pronto pra dormir/ A saudade de você é visita frequente/ Que nem a sua tia chata que irritava a gente/ Ah, saudade da gente.../ Ah, falando nisso, terminei o livro que você pediu pra eu ler/ E só na página 70, entendi você/ Naquela parte onde diz que o amor é fogo que arde sem se ver/ Como é que tá aí?/ De você faz tempo que não ouço nada/ Fala um pouco, sua voz tá tão calada/ Sei que agora deve estar impressionando os anjos com sua risada/ Mas de você faz tempo que não ouço nada/ Fala um pouco, sua voz tá tão calada/ Aí de cima, fala alto que eu preciso ouvir/ Como é que tá aí?”

   A página citada é de Camões: “Amor é fogo que arde sem se ver,/ é ferida que dói, e não se sente;/ é um contentamento descontente,/ é dor que desatina sem doer”. Sei que diferentemente da música, Você não impressiona os anjos com sua “risada”, mas, com seus poemas, seus aconselhamentos, sua sabedoria e seu afeto que não conseguia esconder quando amava. Aqui, Sahila, a saudade é grande... Tantas coisas aconteceram. Algumas que nós até falávamos que aconteceria quando Você ou eu fôssemos e, ao mesmo tempo dizíamos, não: não será assim. Enfim, não esqueço de Você um só dia e como seria bom ouvi-la. Naquela varanda, com o vento batendo em nossas faces e Você a dizer coisas tão bonitas. É assim que a lembro...  “A saudade de Você é visita frequente... Como é que tá aí?/ De Você faz tempo que não ouço nada/ Fala um pouco, sua voz tá tão calada”... Mas, eu sei que Você está bem. Desculpe as reticências e nem me preocupei em tanto repetir “Você”... Sei que não incomodará!
    

   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


17 setembro 2021

Os riscos do imponderável - Por: Emerson Monteiro



- Quem sente o verdadeiro perigo a cada instante não teme um instante de perigo. (Rabi de Guer).
Histórias do Rabi – Martin Buber

Quais aqueles que, em sã consciência, poderão dizer que estejam plenamente seguros diante do Desconhecido em movimento? A todo o momento, em face de tudo, mergulhamos no limbo da realidade feitos peixes vindos de outros mares que sumiram nos céus. Tocamos em frente o trem da nossa história feitos meros viventes do inesperado, tateando o escuro do porvir, às vezes dotados do mínimo de certezas, no entanto apenas minúsculas partículas das horas. Fragmentos, pois, desse futuro, deslizamos os passos nessa estrada, nem sempre senhores de todos os meios de que carecemos no sentido da paz.

Foram tantas as ocasiões de juntar experiências, no entanto apenas isso sendo aquilo que daria certo se assim houvéssemos posto em prática. De faróis que iluminaram o passado, avaliamos meios de melhorar a nós mesmos, nesse processo de querer desvendar o verdadeiro motivo de estarmos aqui.

Portanto, de aprendizes a senhores demanda o Infinito. Ninguém, de pleno senso, haverá de manter o curso dos acontecimentos tão só pelo desejo de ser um sábio, pois a todo segundo vêm novas instruções da escola dos mistérios desta escalada incessante.  

A leveza desse universo de cada um significa, por isso, tempo da mais pura convicção de fragilidade das ações humanas, longe da prepotência e dos arroubos de quantos, neste deserto de extremo risco. Quando acalmar as águas turvas da insegurança, eis o equilíbrio de que necessitamos, a depender das firmezas interiores. Daí a importância de clarear a consciência e nela estabelecer a luz do conhecimento através das práticas pessoais. De tudo quanto sabemos que sejamos disto os senhores.

E dos frutos dessa fidelidade da gente com a gente virão os meios de que precisamos, no sentido da evolução individual e, consequentemente, do progresso da Humanidade de que somos parte inevitável.

16 setembro 2021

Jackson Bantim, um artista que enriquece a cultura caririzeira

Por Carlos Rafael Dias

Carlos Rafael e Jackson Bantim


É costume dizer que “santo de casa não obra milagre”. 

Definitivamente, esse provérbio não se aplica ao artista cratense (e caririzeiro) Jackson de Oliveira Bantim, também conhecido por Bola.

Fotógrafo, cineasta, artista plástico, produtor cultural, museologista, autor de letras de músicas em parceria com Cícero do Assaré, Francisco Saraiva, Luiz Fidélis, Willian Brito e Rosemberg Cariry, gravadas pelo Quinteto Violado, Cícero de Assaré, Francisco Saraiva & Herdeiros do Rei, Vicente Neto & Forró de Raiz e  Eduardo Júnior  &  filhos do Crato, dentre outros, - Jackson Bantim é a autêntica expressão de um artista militante que tem na cultura uma espécie de flâmula norteadora de rumos e prumos.

Na ativa desde o início da década de 1970 (portanto, já se vão 50 anos de vida dedicada à arte), Jackson Bantim conserva o entusiasmo de sempre. 

Não esconde, na sua pitoresca sinceridade, os desapontamentos e as angústias que os esporádicos reveses da vida causam indistintamente naqueles que fazem a opção pelo diletantismo caracterizador do amor verdadeiro à arte.

Segue em frente, de cabeça altiva e triunfante.

Suas obras sãos os louros da vitória que insiste ostentar, não por vaidade ou soberba, mas como prova da resistência tão necessária e urgente nestes tempos duros de pandemia e pandemências.

Encheria laudas e mais laudas descrevendo em minúcias as contribuições de Jackson Bantim para a nossa cultura caririzeira. 

Basta, no entanto, citar a receptividade que seu filme As sete almas santas vaqueiras vem tendo na plataforma You Tube. Já são cerca 75 mil visualizações, o que o transforma em um fenômeno de massa nesses tempos de modernidade líquida.


Jackson não sobrevive financeiramente do seu trabalho artístico. Tão pouco é um mercenário da arte. Ele trabalha há 18 anos na Universidade Regional do Cariri - URCA, e lá ajudou a fundar a Rádio Universitária 94,3, que foi um grande sonho por ele idealizado e, finalmente, realizado.

Antes, tive o privilégio de tê-lo como um profícuo e competente assessor quando fui secretário de Cultura do Crato, entre 1999 e 2000. Foi de sua lavra a condução de projetos comunitários mantidos em bairros carentes da cidade, a exemplo da Rádio Comunitária, Biblioteca e Videoteca Rabo da Gata, no Alto da Penha.

Jackson Bantim pode até não ser um santo, na acepção formal da palavra, mas é um milagre vivo que se multiplica em ações benévolas e altruístas.


Depoimentos sobre Jackson Bantim (Bola)


Ter valor é mais importante que ser famoso.

Valor é consistência, diante de tanto sucesso passageiro.

Valor é acender holofotes de dentro pra fora.

Quando alguém ou algum trabalho tem valor, isso é um verdadeiro sucesso.

Parabéns pela sua realização. E que a alegria de fazer bem feito continue a dirigir as suas produções, meu caro Bantim.

Thiago Araripe (cantor e compositor)


Eu sempre lhe considerei um expoente dos cineastas cearenses .... o problema é que as relações de poder contaminam o discernimento e o justo reconhecimento daqueles que militam na área de cinema... 

Parabéns meu amigo. Seu trabalho tem seu lugar junto aos grandes cineastas cearenses e brasileiros e não deixa a desejar em nada se comparado aos demais.

Ricardo Damasceno (professor universitário)


Parabéns, Bola.

Rosemberg Cariry (cineasta, poeta e escritor)


Pois é, meu amigo Bola... mas um dia esse reconhecimento chega...

Baden Powell (radialista)

15 setembro 2021

Fahrenheit 451 - Por: Emerson Monteiro


Desconheço o porquê de, há pouco, relembrar esse filme de François Truffaut, um clássico da década de 70, que trouxe às telas o livro homônimo de Ray Bradbury. O romance apresenta um futuro onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas antissociais e hedonistas, e o pensamento crítico é suprimido. O personagem central, Guy Montag, trabalha como "bombeiro" (o que na história significa "queimador de livro"). O número 451 é a temperatura (em graus Fahrenheit) da queima do papel, equivalente a 233 graus Celsius. Wikipédia

Motivo por demais pertinente na época de agora, quando praticamente os meios eletrônicos dominam o território das letras e imagens, e os jornais, antes detentores das mentes com suas edições impressas, veem-se na condição inesperada de circular pela rede internacional de computadores, e o livro também padece da febre fantasmagórica do anonimato dos números elétricos, dos celulares e computadores.

A que temperatura isso vem de queimar nos circuitos mentais desses aparelhinhos exóticos ninguém, por cento, possui instrumento de avaliar, nem mesmo nas urnas contemporâneas de tantas inovações. O que saber, no entanto, resta circulando pela galáxia dos lixos plásticos dessa nossa civilização de bombeiros a queimar certezas que somem no vasto universo das interrogações. Mesmo assim as editoras persistem no afã de lançar aos mercados seus lançamentos em refinadas produções gráficas.

O fetichismo do livro impresso ganhou, assim, dimensão jamais imaginada de entes exóticos e seus leitores, num tempo em que tudo permite vascular os gênios do passado em velocidade estúpida, porquanto nunca foi tão fácil usufruir das obras de todas as gerações, em questão de minutos, sejam livros, filmes, composições musicais, telas, fotografias, quais herança comum aos aficionados das artes e dos séculos a um só instante.

Ao que nos consta, porém, vivemos o frenesi dos objetos diante da carência de senso crítico, fruto de acomodação e excesso, a determinar carência do que sejam valores e atitudes. Entretanto só o desenrolar dos acontecimentos provará do avanço da ciência na alma humana.

Ernesto Piancó - Por: Emerson Monteiro


Às 10h45 do dia quente de março e eu aqui ao volante, numa quarta-feira de sol aberto, à espera do espaço providencial de voltar ao circuito do tráfego que sobe a Rua Cel. Antônio Luiz, não achando vaga, dado o fluxo intermitente, barulhento, de carros, motos e bicicletas, indo rápidos aos seus destinos. Essa artéria virou retrato do trânsito caótico citadino, nível a que se chegou em matéria de sobrecarga, na era escura do petróleo.

Naquilo de aguardar o momento certo de encaixar feito objeto, no círculo em movimento das coisas que lotam as ruas, lembrei de um personagem cratense, constante no tempo de minha infância, Ernesto Piancó, parente próximo de Dona Chiquinha, educadora emérita de boa parte dos meus estudos, na década de 60.

Seu Ernesto, homem robusto, atarrancado, gostava de andar com uma pasta preta de couro, e de conversar nas rodas de amigos, bem humorado, afeito na característica de sempre repetir em voz forte, gutural, cheia, a mesma expressão: - Ave Maria!

Figura de permanente simpatia aquele cidadão...          

Nisso continuo aguardando a hora exata de lançar o carro no burburinho das horas na roleta mecânica, lembrando dele, pessoa das tradicionais que marcaram época, nesse lugar antes pacato. Os tempos marcham céleres em qualquer canto de planeta. O progresso se oferece nas possibilidades de multiplicar fragmentos do relógio, sem que denote fácil quais os frutos imediatos que advêm disso. As pessoas correm, correm, noutros ritmos febris. Filas constantes de uns perseguindo os outros, trilhas urbanas cotidianas da civilização maquinal. Intimoratos defensores dos direitos civis, audazes parceiros da pós-modernidade, aqui perto eles passam feitos cometas, em seus trombáticos cavalos velozes de cores reluzentes...

O sol ainda mais quente aquece a pele, o cabelo, no brilho das máquinas trepidantes. Crato nada deixa a dever aos outros centros dagora. As mototaxistas vieram acrescentar melhores médias ao formigueiro populacional. Transportam passageiros com menor ocupação de solo, preços módicos e maior velocidade. Compromissos. Negócios. Responsabilidades. Época de sobreviver das inimagináveis profissões. Idades. Vocações. Saber esperar, ânimo de poucos. Paciência, qualidade rara das contingências.

Noutro momento, a cidade andava passos leves, românticos, talvez. Havia ocasião de falar em bancos de praça, parar nas esquinas e sentir o calor agradável das manhãs, sem preocupações urgentes, prementes. Os tipos populares marcavam a paisagem, naqueles dias dourados. 

Quem testemunhou manifestação da veia jocosa de Seu Ernesto foi o escritor Jurandy Temóteo: Certa vez, num tempo em que eram ainda precárias as acomodações da Praça Siqueira Campos, em Crato, estavam ele e Ernesto Piancó sentados em um dos poucos bancos que havia no logradouro. Próximo, duas jovens estabeleceram diálogo que parecia de pouco duração, no entanto se alongando a ponto de querem espaço no assento de três lugares já preenchido pelas duas pessoas que os ocupavam, Ernesto e Jurandy.

Uma das mocinhas, sem aguentar a demora dos assuntos que conversavam, aventurou a vaga que restava no banco, e insinuou:

- Seu Ernesto, o senhor poderia cruzar as pernas para que eu também sentasse?

De inopino, o personagem pitoresco revidou ao jeito do seu característico bom humor:

- Cruze a senhora, que não tem o que amassar. 

... 

Quando parece surgir a chance na correia dentada do carrossel, um pedestre corta meu barato e cruza ao meio na minha frente. Outras vezes de certeza virão, penso cá dentro.

Os pensamentos retornam a Seu Ernesto, sua pasta preta, seu vozeirão. Pasta de tipo menor, com alças de viajante, representante comercial. Ele vendia alguma coisa. Não lembro bem o quê fosse. Agora, arriscaria dar algum palpite: planos de saúde, seguros de vida, lotes de terra, publicidade... (Quem sabe?).

Enfim consigo a prenda esperada, jogar o carro no fluxo da onda, e vou junto, de novo, nessa roda viva em que transformaram os detalhes do caos generalizado. Sozinho, na quente manhã, ao som de suspiros, ergo a voz com gosto e alívio, simulando na lembrança a fala recorrente de Ernesto Piancó:

- Ave Maria! – entre as carcaças luminosas dos outros automóveis.

(Ilustração: Rua Dr. Miguel Limaverde, Crato CE).

14 setembro 2021

A consciência da Consciência - Por: Emerson Monteiro


Isto de saber que tudo em volta é mera sombra da luz que somos nós resume o significado de todas as coisas. Que somos a testemunha de nós mesmos daqui do Chão. Que ilusão e sombra representam o reflexo da luz que transportamos no nosso ser. Que a essência do que existe habita em nosso interior, na forma de consciência de Si. Que isso, de revelar a que viemos, tem por finalidade viver enquanto existimos provisoriamente no decorrer do processo das horas que se desfazem aos nossos olhos.

Transportamos vidas e vidas nessa busca incessante, o que acontece durante as vezes que aqui estamos ou estivemos nos dias pretéritos. Onde existe luz há de haver sombra, nas situações ora experimentadas, no dia-a-dia, nos sonhos, no sono, enquanto buscamos a resposta dessa longa interrogação que trazemos no íntimo. A sede da Consciência, da Luz essencial de que falamos, mora no âmbito do coração espiritual, mais do que só no coração físico. Eis o seu pouso geográfico em nosso corpo.

Todo tempo de reconhecer tais interpretações nos vem oferecido na máquina que aqui viemos exercitar, o trilho perfeito de responder ao enigma que lá um momento decifraremos e conquistaremos, ao sol do definitivo senso, a Consciência... As contradições destas horas na matéria são a escola do autoconhecimento.

Isto, pois, que seja a definição dos valores humanos face ao destino e às circunstâncias. Teto do mistério das indagações, pousaremos no Reino de uma paz soberana, esperança e glória da mais pura tranquilidade, conquista dos tronos e apreensões da História deste itinerário parcial ora vivido. Pela força do exemplo além da força das palavras, os aventureiros de mil experiências avançam dentro de si próprios, na firme convicção de vencer e chegar aos céus da tão desejada Felicidade durante quantos milênios, até o domínio da Consciência absoluta. 

(Ilustração: A luta entre o Carnaval e a Quaresma, de Pieter Bruegel, o Velho).

13 setembro 2021

O poder da palavra escrita - Por: Emerson Monteiro


Os temas dos livros falam disso, dessa capacidade que a palavra tem de levar adiante valores e influenciar gerações. Quais fermentos de épocas as mais distantes, causam revolução, modificam comportamentos e refazem a história dos povos. Avançam pelos costumes e transformam o modo de ver das civilizações. Desde sempre, os textos impressos marcam definitivamente o pensamento dos seres humanos. Tipos móveis no Oriente e a tipografia de Gutenberg, no Ocidente, sustentaram a transmissão do conhecimento, constituindo a base dos avanços desses tempos atuais.

Nisso, os livros chegam às consciências, constroem impérios e definem o jeito de viver das multidões, o que exige senso crítico de quem lê. Ainda que produzidos em série, as obras literárias ficam restritas a pequenos bolsões de leitores fieis. Dos alfabetizados, pequena quantidade alimenta a vocação pelas páginas, gastando o que aprendem tão só no uso da sobrevivência, nas leituras especializadas.

Contudo, há gama infinita de alternativas, desde estilos a gêneros, dos contos e crônicas, aos romances, ensaios, dissertações aprofundadas de assuntos, filosofias, religiões, manuais técnicos, todos ao sabor das necessidades e dos tempos. Por vezes, criam modas e dominam grandes públicos. Editoras mil produzem belas obras e bibliotecas as acumulam em gama de incontáveis autores.

Daí, as influências restam ao gosto de todo leitor. Qual dizem, o papel aguenta tudo. Isto sujeita, no entanto, a resultados nalgumas horas adversos, porquanto a dualidade dessas influências permite inocular vírus letais naqueles que leem. No que seja deste chão, corre o risco das distorções. A arte literária, ao seu tempo, não poderia deixar de sofrer tal contingência. Os livros transportam, pois, os efeitos de seus criadores, isto indiscriminadamente.

Esse poder inolvidável da palavra escrita requer, portanto, zelo de quem a utiliza, seja na emissão quanto na percepção. Os frutos deste plantio significam resultados espirituais nos aficionados das letras e podem iluminar as mentes e transformar quem melhor delas usufrua, nessa conquista de tantas realizações maravilhosas.

Madre Feitosa - Por: Emerson Monteiro


Neste dia (13 de setembro) vemos registradas atitudes de reconhecimento à Carmelita Feitosa, Madre Feitosa, pelos seus cem anos de nascimento, anjo de bondade, em ocasião propícia a que patenteemos nossa gratidão face aos tantos seres humanos que usufruíram e usufruem da oportunidade do crescimento por meio do carinho da uma inteira vocação à formação da juventude, matéria prima da realização dos ideais da Verdade, da Justiça e da Paz.

São raras essas pessoas, contudo elas existem. Realizam trabalhos de bondade e amor e deixam marcas profundas nas pessoas e nos lugares onde vivem. Demonstram a grandeza dos espíritos evoluídos durante suas existências e aprimoram a consciência de quantos puderam delas se aproximar e testemunhar da pureza das almas que possuem, nos momentos em que desfrutam dessa ágape, confirmando o poder dos assuntos espirituais. Têm brilho próprio, refletem dimensões superiores da realeza divina ainda aqui neste chão. Prudentes, coerentes, justos, exercitam a força viva do Bem nas obras que idealizam e promovem. Deixam traços da mais infinita sabedoria que contém os santos, razão principal de estarmos na condição humana, o caminho indelével da transformação dos seres perecíveis em puros espíritos, neste laboratório de salvação, o que, um dia, faremos nesta caminha da luz à busca de nossa essência, onde traçamos nossos destinos. Estrelas que iluminam o trilho de muitos através da educação, da cultura, do exercício profícuo das profissões, das religiões, das missões de liderar os demais seres humanos, sempre estarão junto dos grupos sociais, demonstração cabal do sentido maior que viemos cumprir, e que nunca estaremos sozinhos diante do Eterno.   

Assim, querida amiga e orientadora, rendo-me às graças benfazejas desta comunidade caririense em lhe querer retribuir, no mínimo possível, as virtudes que dedicou a todos que desfrutaram e desfrutam da grandeza de sua alma, chama votiva do amor de nosso Pai e Senhor da Existência.

Meu abraço e minha admiração, venho agora, manifestar, hoje e sempre, em nome da minha geração agraciada por sua rara presença de Amor e Trabalho.

11 setembro 2021

Lá onde dormem os sonhos - Por: Emerson Monteiro


Vê o tempo como uma imagem de sombras, fora dele está nossa verdadeira face.
Jalal ud-Din Rumi

Ali na raiz de tudo quanto existe, nas dobras dessas noites que fogem na luz às sombras do dia, bem ali, repousam, em seus ninhos, os sonhos. Íntimo coração das existências, há em nós estes céus do Infinito que sacodem nossas almas diante da persistência do tempo, a escada que esconde a paz das horas. Ali, dentro das lembranças do quanto de histórias deixamos guardado, o mistério trabalha na oficina dos sonhos. E crescemos pouco a pouco pela face do firmamento, elaboramos a esperança e a fé, enquanto rugem as dores dos rios nas suas cachoeiras inesgotáveis de tanta maravilha.

Sacudimos passos nas estradas poeirentas do destino, olhos fixos na felicidade, porém andarilhos de mundos até então desconhecidos. Alimentamos o fulgor de perfumes e desejos, enquanto vivem os instantes das horas dentro do tesouro desta realidade que o somos. Muitos dias, quantas luas, no desfilar dos fenômenos que se desfazem imediatamente das nossas mãos. Nem os imaginamos, e somem na trilha das ausências, numa velocidade incontrolável. Pequenos, uns quase nada, testemunhamos esses fiapos coloridos que desparecem dentro e fora da gente. Morada dos no entanto, persistimos na possibilidade dos depois inexistentes. Lúgubres de talvez, avistamos o impossível nessas fagulhas apressadas dos momentos que de nós se desprendem, nos devoram e fogem indiferentes.

Assim, borbulhas desses mares de contrições, rendemos graças ao calabouço de todos os credos, e adormecemos nos braços da vontade imprudente que significamos. Andamos, andamos, e sonhamos, no pouco que nos resta, face a face conosco e nossas apreensões. Quais escravos, pois, do tempo, num tal dia ganharemos a liberdade tão sonhada neste sonho de viver eternamente as flores da certeza no Eu da perfeição que já trazemos dentro de nós, ao sabor deste tudo que se desfará em um Nada absoluto.

(Ilustração Jalal ud-Din Rumi).

10 setembro 2021

A hora do acerto - Por: Emerson Monteiro


São as normas da Natureza às quais só resta obedecer com fidelidade. Tantos equívocos jogados na roleta da sorte e quando menos esperar o vértice do triângulo acenderá na escuridão das noites mornas e chegarão os emissários do Infinito a impor suas condições inarredáveis. Quantos mistérios ainda estão a caminho?! Horas a fio, nesse andar dos movimentos, enquanto aceitamos viver sob as mil circunstâncias do existir...

Rendição incondicional, a cada um conforme seu merecimento. As luzes do original que cercam o Universo de todo lado nem disso cabem fugir, conquanto sejamos cativos da mera contingência dos humanos. Todavia transportamos no íntimo todos os códigos e as interpretações de revelar, neste plano, os segredos de amar, autores, portanto, da própria salvação. Os mestres vêm a isso, de dizer as formas do encontro consigo próprio no âmago da Consciência, e nisto ultrapassarmos o abismo das ausências.

Nesse dizer de tantos pelas histórias deste mundo, há definições perfeitas de encontrar as portas do depois, porquanto viemos nesta disposição. Durante o tempo das nossas presenças, bem aqui, impera o ditame da transcendência, de vivenciar compreensões do que seja a suprema Lei que tudo rege, enfim.

Quem contará dos passos que daremos vida afora perante as dúvidas desse encontro com as bênçãos da Eternidade? Séculos, milênios no calendário dos destinos. Forças exponenciais dominam o instante nas trilhas dos céus. Todos, sem exceção, a tanger os sóis, nos riscos deixados a todo dia. Nós, senhores dos mesmos desafios, respostas às interrogações das doces amarguras.

Quantos filmes ainda iremos ver, quantas músicas ainda ouviremos, quantos sonhos?... Sabe-se, contudo, que existem as barreiras e as estações, os cravos e as ferraduras... Angústias e faustos... Passageiros, pois, dessa harmonia, alimentamos certezas de um dia ser feliz, almas enfileiradas aos pavios dos moinhos feitas instrumentos da realização do Ser na espontaneidade natural que nos transporta. Filhos da solidão, apenas vislumbramos o pouco do que dizem os santos e mergulhamos na individualidade, fieis autores da criação deste momento sem fim, amém.

09 setembro 2021

Estava a Mãe Dolorosa – por José Luís Lira (*)

      O martirológio romano traz-nos, em 15 de setembro, a memória de Nossa Senhora das Dores. O Stabat Mater, hino muito antigo que do latim significa “Estava a mãe”, afirma: “Estava a Mãe dolorosa/ Junto da Cruz, lacrimosa,/ Da qual pendia o seu Filho./ Banhada em pranto amoroso,/ Neste transe doloroso,/ A dor lhe rasgava o peito”. Em Lucas 2,33-35, vemos a profecia de Simeão à Maria Santíssima: “Uma espada de dor transpassará a tua alma”. 

    Muitas das pessoas que nos leem são mães. Todas tiveram a alegria da notícia de que estavam grávidas, contemplaram seus filhos no nascimento e por eles se apaixonaram e nesse momento vemos o amor imortal, aquele que transcende a qualquer amor. É muito bom às mães contemplar os momentos de alegria dos filhos, os destaques na escola, na faculdade, na vida. É muito, muitíssimo doloroso pensar que um dia haverá uma separação entre os dois. Mas, isto é a lei da vida. Maria Santíssima experimentou das alegrias, mas, também experimentou das dores. Ela guardava tudo no coração. No coração de Mãe que minha mãe diz que nunca se engana.

    Maria Santíssima acompanhou todos os passos de Jesus. E eu a imagino à distância, vendo a missão do Filho que também era Deus, o Messias esperado por seus antepassados, acontecendo. Como ela saberia, estando em Nazaré e Ele em Cafarnaum, ou em Betânia, ou na Cidade Santa de Jerusalém? Como seriam as comunicações naqueles tempos? Não sabemos...

   Ela o encontra na quarta estação da Via-Crucis. É sua quarta dor. Os admiradores de Jesus e até seus discípulos não O acompanhavam. Um destes em quem Ele muito confiava até disse que não O conhecia. É a vida. Com ela estavam sua irmã, João, o evangelista, e Maria Madalena. Eles não abandonaram o Mestre nem sua Mãe. 

   Madalena haveria de ser a que primeiro viu o ressuscitado e espalhou a boa-nova por onde andou. João, um pouco antes do momento áureo da morte de Jesus que para os que cremos não foi morte, mas, sim um retorno aos braços de Deus – que Ele nos ensinou que é AMOR –, foi chamado, junto com Maria Santíssima, pelo Mestre como se o fizesse a todos nós, a toda a humanidade e disse, olhando para sua Mãe: “Eis aí o teu filho” e olhando para João, “Eis aí tua mãe”. E o Evangelho diz que desde aquela hora João a honrou como Mãe. Esta rápida reflexão não poderia concluir o mistério que aí se encerra. Jesus-Deus demonstrando toda sua preocupação com aquela em quem habitou por nove meses, um ser especial, escolhida entre todas as mulheres para aquela missão. Se preocupa também com a humanidade, em João. E nos dá uma responsabilidade que às vezes nós não enxergamos como deveria: a de honrar sua Mãe, Maria Santíssima, como nossa mãe. 

   Aquelas dores da Mãe de Deus se transformariam. Ela sabia que seu filho era o Filho de Deus. Era o Deus-Vivo. Penso eu que, embora sem compreender humanamente, no íntimo ela sabia que tudo era parte do plano de Deus ao permitir que seu Filho, Deus com Ele, estivesse na Terra. Maria se torna nossa Mãe, ao pé da Cruz, e a crucifixão que era a mais horrenda condenação, símbolo da maior injustiça, nos possibilitou a abertura das portas do Paraíso e se tornou símbolo do cristianismo. A exemplo de Maria, é preciso ter esperança, mesmo em tempos turbulentos!

    Viva à Mãe da Esperança!

   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.