17 junho 2018

Ilusão e realidade - Por: Emerson Monteiro



Não viemos aqui para aprisionar, / Mas sim para nos entregarmos cada vez mais profundamente à liberdade e alegria./ Não viemos a este mundo extraordinário / Para nos mantermos reféns apartados do Amor.   Hafez

Maya, assim os hindus denominam a ilusão. 

Certa feita presenciei uma palestra do filósofo Huberto Rodhen, nos idos de 1978, em Salvador. Abertas as perguntas, da plateia alguém perguntou: - Se a ilusão não existe, por que nos preocuparmos com ela? De logo veio a resposta do palestrante, de que a ilusão existe, sim. Que se manifesta no mundo físico e causa suas marcas no processo das existências. Se não, o que nos permitiria conhecer a sua presença junto das cogitações humanas? No entanto, ela não tem perenidade, esvai no tempo donde viera, deixando tão só consequência e rastros pelos caminhos dos que lhe sejam vítimas.

Tal qual fogo fátuo, rebrilha nas noites da ignorância dos que carecem da Luz, a fascinar incautos, fantasiar atitudes, demonstrar possibilidades inconsistentes, arrastando consigo almas mil aos laços das fragilidades, do fastio. Nada parece tanto com a verdade quanto a mentira, dizem os sábios. Iscas de perdições, alimentam efeitos e sensações e consome incautos naquilo de mais precioso, em que aqui permanece na intenção de evoluir.

Enquanto a Realidade significa o caminho das transformações, sentido único do aprimoramento dos espíritos mediante empenho e dedicação, fruto da busca incessante da Eternidade. Deus não castiga ninguém. As pessoas saem do caminho e encontram o castigo, este sendo o instrumento de desencanto e de regresso ao sentido da realização do Ser. 

Nisso eis as leis essências da Natureza a que tudo e todos obedecem. Perante a sujeição da ilusão, há limitações temporais, ensejando meios de revelar em si a Consciência. Formas perfeitas desta evolução, nesse claro/escuro das percepções lá um dia descobrimos que o mal é a ausência do Bem. Da desilusão nascerá o vazio a preencher com a libertação das paixões ilusórias. Da escuridão virá a Luz na consciência.

15 junho 2018

Encontro Monárquico no Rio de Janeiro – por José Luís Lira (*)



  Nos dias 2 e 3 últimos, estive no Rio de Janeiro, que com todos os tropeços de má-gestão que tem passado, continua lindo! Comentei aqui na coluna que de 18 a 22/05, havia ido ao Rio para eventos da Nobre e Pontifícia Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém. Neste Encontro, representando além de mim, os colegas Cícero Moraes e Marcos Paulo Machado, fiz a entrega da imagem da reconstrução facial de Dom Pedro I a seu tetraneto Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

    O Encontro Monárquico foi palco para discussões de ideias e projetos para o Brasil. Este ano, além do encontro, tínhamos razão muito especial. Celebrar os 80 anos de Sua Alteza Imperial e Real Dom Luiz de Orleans e Bragança (Dom Luiz Gastão Maria José Pio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança), Chefe da Casa Imperial do Brasil. O tratamento ao Príncipe é Alteza Imperial, por ser ele tetraneto do fundador do Império Brasileiro Dom Pedro I, e Real por descender do Rei Luís Filipe I, da França, e do Rei Luís III, último monarca da Baviera. Se vivêssemos a forma de governo monárquica, Dom Luiz seria chefe de Estado, o Imperador do Brasil, em sistema parlamentarista, como o foi desde o início e como o será um dia.

     Instaurada a República, a Família Imperial Brasileira foi banida pelo governo que confiscou e leiloou seus bens. Em 1890, treze leilões de bens da Família Imperial foram realizados, sem contar com os que ficaram em poder do governo, como o Paço Princesa Isabel, localizado na atual Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, objeto da mais antiga ação judicial do Brasil, visto que ele fora construído com recursos do casal Princesa Isabel e Conde d’Eu. Em 1920, por decreto de 3 de setembro, o presidente Epitácio Pessoa revogou o banimento e a família pode voltar ao Brasil, mas, não a reconheceu, nem lhe devolveu os bens.

     A Constituição de 1891, primeira de 7 (sete) Constituições  que surgiram na República, enunciava que “não poderão ser admitidos como objeto de deliberação, no Congresso, projetos tendentes a abolir a forma republicano-federativa, ou a igualdade da representação dos Estados no Senado”. As seguintes, de 1934, 1946, 1967 e a Emenda nº 1 de 1969, para muitos, constituição, continham a cláusula. Quando da elaboração da atual Constituição, o herdeiro do trono brasileiro, Dom Luiz de Orleans e Bragança, escreveu a “Carta aos Srs. Membros da Assembleia Nacional Constituinte”, expondo a injustiça e o aspecto antidemocrático que se mantivesse essa Cláusula Pétrea, visto que todas as colorações receberiam anistia. Revogada a Cláusula, fruto do trabalho de D. Luiz, foi convocado, para 1993, plebiscito para decidir entre a República e a Monarquia, promessa feita pela República logo após o golpe de estado de 1889 e só cumprida 104 anos depois. A partir daí os núcleos monárquicos existentes de multiplicaram por todo o País e hoje se pode discutir esses temas livremente.

    Fui informado de matéria que desvirtuou o verdadeiro sentido do Encontro. Não a li, porque, certamente, quem a escreveu desconhece nossa história, os valores reais do Brasil.

    Resta, portanto, desejar vida longa a Dom Luiz de Orleans e Bragança e ao seu irmão, Dom Bertrand, seu representante no Rio de Janeiro.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

Um depoimento sobre Miguel Arraes -- por Barbosa Lima Sobrinho (*)

Abaixo, tópicos de uma entrevista feita com Barbosa Lima Sobrinho
Miguel Arraes de Alencar quando foi Governador de Pernambuco pela 1ª vez (1962-1964)

C.C. - E o Arrais era ligado ao PSD?
B.L. - O Arrais era mais ligado a mim do que ao PSD, porque, primeiro, ele fez concurso para o Instituto do Açúcar.

C.C. - Arrais estava na Fazenda, não?
B.L. - O Arrais foi para a Fazenda. Conheci Arrais no Instituto do Açúcar, onde colaborou comigo em várias oportunidades. Quando entrei no Instituto, ele tinha feito concurso e estava trabalhando lá. Depois, dentro das funções do seu cargo, ele foi incumbido de alguns relatórios, que li. Em administração leio muito os relatórios e faço muita questão de conhecer o funcionalismo com que estou lidando. Fui apreciando a sua inteligência e, sobretudo, o seu equilíbrio e sensatez. É um homem profundamente sensato. Daí então eu tive oportunidade, posteriormente, de fazê-lo gerente da delegacia do Instituto do Açúcar no Recife.

Ele continuou a se destacar. Depois, o Instituto foi-se desenvolvendo, e eu tive necessidade de assessores para ajudar a solucionar os problemas em que nos metemos durante a guerra: o racionamento do álcool e do açúcar. Tivemos problemas muito sérios durante o período da guerra. Então chamei Arrais para o Rio como assessor da presidência, e ele trabalhou aqui durante um período.

Esse relacionamento antigo que eu tinha com ele aumentou com a amizade da senhora dele com minha senhora. Ele era casado com Célia, filha de dona Carmem; uma moça muito inteligente, bonita e de muita segurança de ação. Ao mesmo tempo, muito amiga do Arrais; uma figura realmente extraordinária. Minha senhora tinha uma grande amizade por ela.

Quando fui para lá, eu saía do Instituto do Açúcar e, de certo modo, queria dar um testemunho do apreço ao pessoal do Instituto. Então levei o Arrais para secretário da Fazenda. Ele foi, aliás, um excelente secretário da Fazenda, homem de uma grande honestidade e de muita dignidade. Não tenho nada do que me queixar da ação dele na Secretaria da Fazenda, pois sempre correspondeu ao que eu podia desejar de um bom secretário dessa pasta: meticuloso, exato, vigilante.
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(*) Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho foi um advogado, escritor, historiador, ensaísta, jornalista e político brasileiro. Eleito deputado federal por Pernambuco para o triênio 1935-37, foi escolhido líder de sua bancada, membro da Comissão de Finanças e relator do Orçamento do Interior e Justiça. Foi presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool, de 1938 a 1945, quando tomou posse da cadeira de deputado federal por Pernambuco, na Assembleia Constituinte de 1946. Na Câmara dos Deputados, em 1946, foi membro da Comissão de Finanças e designado relator do orçamento do Ministério da Guerra. Renunciou à cadeira de deputado em 1948, para assumir, a 14 de fevereiro do mesmo ano, o cargo de governador de Pernambuco, exercendo o mandato até 31 de janeiro de 1951.Trabalhou no Jornal do Brasil a partir de abril de 1921, a princípio como noticiarista, mais tarde como redator político e, a partir de 1924, como redator principal. Escreveu, até a data de sua morte, em julho de 2000, um artigo semanal, nesse jornal. Na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), exerceu a presidência nos períodos de 1926 a 1927; 1930 a 1932; a presidência do Conselho Administrativo de 1974 a 1977; e novamente a presidência de 1978 a 2000. Foi proclamado Jornalista Emérito pelo Sindicato da categoria de São Paulo.

Crônica do fim de semana (por Armando Lopes Rafael)

A reparação que Crato fez à memória de Dom Vicente Matos


    Missa pelo centenário de nascimento de Dom Vicente Matos, na 
Sé Catedral de Nossa Senhora da Penha: ao fundo a cadeira onde, tantas vezes,
o 3º Bispo de Crato pregou a doutrina de Cristo 
     Os eventos e solenidades – feitas pela população de Crato, entre 1º e 11 e junho de 2018 – comemorativas ao centenário de nascimento de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos tiveram uma ressonância bem  maior do que se possa imaginar.

     Durante anos, no fecundo episcopado de Dom Vicente, uma minoria da população não teve o respeito devido à pessoa daquele bom pastor de almas. Dir-se-ia que nem só aqueles detratores, mas, também, sobre a boa fama de toda a Cidade de Frei Carlos, caiu o peso de um grande pecado que exigia punição, a não ser que fosse feita  uma reparação pela afronta perpetrada ao “Maior benfeitor de Crato”. 

       É grave qualquer afronta feita qualquer a sacerdote da Igreja de Cristo. Ainda que ele seja um mau sacerdote. Imagine, então, quando afrontas são feitas a um bispo, e se esse bispo for  bom – além de legítimo sucessor dos Apóstolos, prestador de relevantes serviços à Igreja Particular de Crato, mesmo sofrendo injustificável rejeição por parte de uma parcela ínfima do seu rebanho. 

        No livro “Santa Catarina de Sena, “O Diálogo” (Cap. 28. pp. 237-240, Editora Paulus, 9ª edição, São Paulo, 2005) lemos algumas revelações feitas por Deus àquela grande mística da Igreja Católica. A conferir.
   
“ Certa vez eu te manifestei essa verdade numa visão, para indicar o grande respeito que os leigos devem ter pelos ministros, bons ou maus que eles sejam, e quanto me desagrada que alguém os ofenda (...) De fato, é assim que eu quero que aconteça. Pela dignidade e autoridade confiada a meus ministros, retirei-os de qualquer sujeição aos poderes civis. A lei civil não tem poder legal para puni-los; somente o possui aquele que foi posto como senhor e ministro da lei divina. A respeito deles diz a Escritura: “Não toqueis nos meus cristos” (Sl 105, 15). Quem os punir cairá na maior infelicidade”.
“Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: “Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos”! Nem poderá alguém escusar-se, dizendo: “Eu não ofendo a santa Igreja, nem me revolto contra ela; apenas sou contra os defeitos dos maus pastores”! Tal pessoa mente sobre a própria cabeça. O egoísmo a cegou e não vê. Aliás, vê; mas finge não enxergar, para abafar a voz da consciência. Ela compreende muito bem que está perseguindo o sangue do meu Filho e não os pastores. Nestas coisas, injúria ou ato de reverência dirigem-se a mim. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já disse e repito: não quero que meus cristos sejam ofendidos. Somente eu devo puni-los, não outros”.

       Por aí se vê todo o acerto que as atuais gerações de cratenses tiveram em reparar a memória ultrajada de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, pelas irreverências, deboches e fofocas assacadas contra ele, à época que foi o Bispo de Crato. Que esta reparação mova o coração misericordioso de Jesus Cristo para que nossa cidade não venha a ser castigada pelos pesados pecados aqui cometidos contra a pessoa de um bispo bom, digno e detentor de muitas virtudes...

15 de junho: dia de Santa Germana, Padroeira das crianças vítimas de maus tratos

Santa Germana Cousin

     A sua biografia é constantemente marcada por desgraças, a partir de seu nascimento até sua morte. Não chegou a conhecer sua mãe, que faleceu pouco tempo depois de tê-la trazido ao mundo. Não tinha características físicas muito favoráveis, possuindo uma má-formação em uma das mãos e uma enfermidade crônica originada da subnutrição, a qual prejudicava sua visão e movimentos faciais. O pai não a amava e a madrasta a maltratava demasiadamente.

Devido a seu físico, não se cogitou casamento para ela. O pai sequer permitiu que frequentasse a escola do vilarejo, colocando-a exclusivamente para realizar os serviços domésticos e cuidar dos rebanhos da família. Muitas vezes dormia na estrebaria para amenizar seu sofrimento.

Só lhe era permitido sair de casa para ir à Igreja. Ninguém a acompanhava, pois, seu pai a tinha como motivo de vergonha, apesar de não ser muito notada. Muitos habitantes do vilarejo a chamavam de “Germana aleijada” ou “Germana imprópria”. Mas sua fé e capacidade de aprendizagem eram enormes e suportava tudo.

Naquela época, na França, dentro do contexto da ‘’guerra religiosa” entre católicos e calvinistas, uma trágica crise atingia a aristocracia, dividindo-a em duas partes segregadas entre si. Germana, a dedicada “pastora pobre”, como a define Henri Gheon em uma de suas biografias, frequentava assiduamente a igreja paroquial de Pibrac, o seu vilarejo-natal, recebendo lá uma forte e esmerada educação religiosa. Tornou-se uma amável pregadora da palavra de Deus e uma catequista espontânea dos mais pobres. Tentou converter seu pai e sua madrasta, mas tudo foi em vão. Vivia acompanhada, em suas campanhas de pregação, de crianças e pobres.

Suas atividades religiosas eram muito variadas: um dia ia à Missa, outro dia recitava o Rosário e o Ângelus. Faleceu silenciosamente em 15 de junho de 1601, na estrebaria que tanto frequentava.

Depois de 40 anos de sua morte, seu corpo foi exumado e ainda estava completamente incorrupto. A veneração logo foi estabelecida por força de lei canônica e o processo de canonização foi iniciado.

Em 1867, foi declarada Santa pelo Papa Pio IX. Uma Basílica foi erigida em sua homenagem na sua cidade de origem, onde ainda repousam suas relíquias. É a padroeira da Diocese de Toulouse e de várias paróquias na França. Por causa de sua aceitação a Deus e de seu sofrimento é muito venerada em toda a França.
Imagem de Santa Germana na Catedral de Toulouse

Com privatização prevista para o próximo ano, aeroporto de Juazeiro do Norte receberá 2,8 milhões de pessoas até 2049

Fonte: jornal O POVO, 15-06-2018.

    Equipamento que será concedido à iniciativa privada no início de 2019, o Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, em Juazeiro do Norte, deverá receber 2,8 milhões de passageiros em 2049, quando termina o prazo de 30 anos concessão. O número representa um acréscimo de 2,3 milhões de pessoas em relação à movimentação registrada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em 2017, que totalizou cerca de 500 mil embarques e desembarques.

    A informação é do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. A partir da concessão, como já havia sido divulgado pelo Governo Federal, a previsão é que o Aeroporto receba investimento de R$ 190,6 milhões em melhorias, incluindo a ampliação do terminal, localizado no Cariri Cearense.

     Deste total, 116,2 milhões serão para a primeira fase de expansão, cujas obras devem ocorrer de 2019 a 2025. Na segunda fase, de 2031 a 2035, serão investidos mais R$ 34,4 milhões. Até 2049, ainda estão previstos mais R$ 39,9 milhões para manter o equipamento.

    Ao todo, serão leiloados 13 aeroportos, divididos em três blocos: Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Pelo cronograma do Governo Federal, o leilão será realizado na primeira quinzena de dezembro. A expectativa é aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU) no terceiro trimestre e o edital até o fim de setembro.

     Na região Nordeste, serão concedidos seis aeroportos: Juazeiro do Norte (CE), Recife (PE), Maceió (AL), João Pessoa (PB) e Campina Grande (PB). O valor de outorga estimado para esses terminais é de R$ 3,5 bilhões, sendo o valor pago inicialmente de R$ 360,4 milhões.
Por: Raone Saraiva

Contingências - Por: Emerson Monteiro


Só dizer que está tudo escuro, caótico, é pouco, inútil. Nada, ou beirando a quase nada; pouco. Protestar, mandar mensagens derrotistas, revoltadas, de descrença, o escambau, é pouco, ou quase nada. Perder noites de sono, derramar lágrimas saudosas, deprimir, reclamar do vizinho ao vento é irrisório. Pura perda de tempo, talvez. Que chegamos perto da tal desesperança, disso ninguém tem dúvidas, sobretudo em países antes ditos emergentes; hoje, atrasados mesmo. Crise ética de sérias proporções, eis o diagnóstico deste momento.

Acontece que ninguém chegou a passeio. Sorte significa oportunidade e jamais entrega aos mares bravios da descrença. Tem que lutar, persistir, acreditar; fazer com que acontecem os sonhos do certo, desde o berço. Refazer a paisagem que encontrar. Trabalhar os instrumentos; aprimorar as agruras e utilizar a matéria prima dos milagres e produzir milagres.

Se difícil, nunca impossível. Resta a todos mostrar a cara, ou escondê-la em definitivo na areia da perdição. Usufruir o direito de existir, produzir o futuro desde o que sobrar dos escombros. A liberdade é isto, o que temos a exercer depois das limitações impostas pelos outros e pelo mundo.

Se de todo o corredor ficar estreito, as luzes apagarem, os meios rarearem, tudo fechar a balanço, e nós, os que moram dentro dos personagens que isso testemunham, o que faremos? Uma vez ser ingrato, nem de longe este motivo representa o caos na própria pessoa. Há o agir internamente. Fazer nossa parte no jogo. Ninguém possui nossa capacidade, nossa iniciativa. Se o mundo não mudar, mudemos nós, seus habitantes. Se outros querem assim, que eles o façam. A nós cabe ser diferentes, no mar de lama que restar disso lá fora.

Erguer olhos e ganhar fôlego; a Natureza não tem pressa e oferece todo dia poder infinito aos que pretendem usá-lo com garra, disposição e coragem. Os tecidos necrosados serão extirpados e a vida vem na intensidade que sustenta o Universo. As sementes nascerão cheias de vida. Que sejamos herdeiros da fiel realização do Ser diante desta Realidade em movimento.

14 junho 2018

Segredo das ruas - Por: Emerson Monteiro


Temos três histórias diferentes nesta cidade, de quando aqui cheguei ainda criança pequena, de depois adolescente e inícios da fase adulta, e de hoje, na maturidade. Costumo sair a caminhar pelos mesmos lugares dos instantes dessas horas. As casas, lojas, diagramações, agitações, e eu a percorrê-las de olhos abertos entre as mudanças, transições do calendário. Nisto, regressam as imagens e emoções dos antigamente. Incrível como entranhadas permaneceram, talvez grudadas nas paredes, calçadas, nos calçamentos, ou por dentro da gente (quem sabe?!). Cenas nítidas, claras. Horas inteiras de aflições, alegrias, emoções as mais pujantes, que compõem os quadros do ser interno que insisto em persistir.

Foram, então, tempos vivos que, intactos, continuam. Pessoas. Comércios. Ruídos. Festas. Coletividades. A urbe completa, só que agora multiplicada tantas vezes quantas vidas vividas no seu universo de memórias. Chego até esperar encontrar de novo os personagens que pontilhavam as esquinas, os bares, as praças. Lembro fisionomias, gestos, trajes; no entanto assusta não lhes rever em matéria à medida dessas lembranças tão fortes quanto as mais recentes ora lhes enriquecem.

Paro, às vezes, a contar a mim episódios presenciados, as doutrinas sociais trazidas a público naquelas ocasiões, os dramas que percorriam as fibras dos acontecimentos. Nelas, nas ruas, vivenciara as quermesses, os turnos eleitorais, as procissões, desfiles de 7 de Setembro, apreensões políticas nacionais e internacionais, shows, comícios, equívocos, tragédias e comédias comunitárias bem ali espalhadas no vento das transições dos dias que escorrem.

Largas películas a céu aberto repetem o presente quais sejam eternas, e o presente, este, sim, precisando sobreviver a qualquer custo, ao correr das gerações. Mexe comigo, nos metabolismo das ideais, esses passeios diários através dos lugares iguais e diferentes da velha cidade. As energias que voltam a se encontrar, agora nos céus da consciência, e as transporto nos caminhos, nesses passos em que mourejo.

Certa vez, li que, nas costas do Pacífico, num país da América do Sul, haviam captado sinais de televisão emitidos há mais de quinze anos, que vinham aos pedaços e desmanchavam sem qualquer razão de ser, o que estipularam permanecer circulando no éter até ninguém sabe quanto tempo. Destarte, chego a imaginar a força das emoções e das pessoas, propagada através dos corações e vivendo até quando só ninguém há de saber.

Correios do Brasil lançaram selo comemorativo sobre o Bicentenário da Aclamação de Dom João VI

     O lançamento e o segundo dentro da série: 200 anos da independência do Brasil. Abaixo o texto do edital de lançamento do selo, texto de José Theodoro Menck, Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados
    
      O dia 6 de fevereiro de 1818 foi de grandes festejos na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Dom João VI era aclamado Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, d’Aquém e d’Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.

    Mesmo com a insatisfação dos portugueses, que reclamavam a volta da família real e sentiam-se abandonados pelo monarca, Dom João VI fez questão de ser coroado na América, como ato simbólico de consolidação do Império que aqui viera fundar. Estabeleceu, assim, a inversão da relação metrópole-colônia.

    Apesar da aclamação ter se concretizado no ano de 1818, Dom João chegou ao Brasil em 1808 e logo concluiu que aqui encontraria tranquilidade, fartura e paz, sentindo-se forte e soberano para iniciar sua administração. Instalado no Palácio dos Vice-Reis, recompôs seu ministério, copiando o modelo lisboeta, e logo o pôs a funcionar.

    Primeiro e único rei proclamado na América, Dom João VI traz para a colônia o status de Reino, atraindo o foco do mundo de então para esse imenso e riquíssimo território do Brasil. O monarca promove, de imediato, uma série de atos de incisiva importância na construção do Brasil como nação, que a partir de agora estaria aberto para o mundo. 
     Muitos foram os seus feitos. 

    Ainda na Bahia, Dom João havia aberto os portos brasileiros a todas as nações amigas. Um mês depois da sua chegada, revogou o antigo decreto que impedia a existência de indústrias. Também liberou o plantio de oliveiras e amoreiras, antes proibido, e permitiu a comercialização do trigo do Rio Grande do Sul, que antes servia apenas para consumo local.

     Criou uma escola de cirurgia na Bahia e outra no Rio de Janeiro, que ganhou ainda um curso de economia. Idealizou o Jardim Botânico, onde foram iniciados estudos de aclimatação de novas plantas no país, tais como o chá e a cana caiana. Reformulou osCorreios e instituiu a Biblioteca Pública. Estabeleceu os Tribunais Superiores - cúpulas do Poder Judiciário – como a Casa de Suplicação e Mesa da Consciência e Ordens. Fundou a fábrica de pólvora, a Academia de Marinha e a Academia Militar.

        João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antônio Domingos Rafael de Bragança (Dom João VI) regressou a Portugal em 1821 e faleceu no Paço da Bemposta, em Lisboa, no dia 10 de março de 1826.

        Esta emissão é a segunda de uma série de seis, denominada “Brasil, 200 anos de Independência”, uma parceria entre a Câmara dos Deputados e os Correios que se iniciou em 2017, com o bicentenário da vinda de Dona Leopoldina. Nesta edição de 2018, comemoramos a Aclamação de Dom João VI como Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Os eventos se estenderão até 2022, com os 200 anos da Proclamação da Independência.


13 junho 2018

O mistério de Deus - Por: Emerson Monteiro


Sentara a fim de escrever, mas nem sempre a inspiração ronda por perto. Desliguei a máquina e fui ler, ações imediatas. Logo nas primeiras frases do livro, lembrei, então, dalgumas conjecturas que fizera pela manhã. Realizava balanço corriqueiro de saber até onde chegara nessa vontade dominante de conhecer as razões principais do tal processo vida. Carrego lá comigo, desde bem longe, o instinto, certa feita, qualquer dia, de revelar a mim mesmo os motivos deste tempo de existir. Qual quem sabe do prazo de resolver isso, dias contados, medidos, insisto responder a questão fundamental, ponto de honra de toda a minha história.

Dizem ser transcendente, além da física, entre o tempo e o espaço, esse lugar em que impera a Eternidade; que quem passa somos nós, não o tempo, este solo definitivo de tudo. Que a duração dos seres e objetos se desmancha constante, combustível em favor das descobertas da consciência individual.

Vejo sem maiores esforços quanto ainda careço de concentrar meu empenho na aceitação das premissas filosóficas que nascem da religiosidade, depois revertida no âmbito das religiões sociais. Sei, também, do tanto de limitações que sustentam o saber humano, raiz de erros e acertos, porém instrumento único de demonstrar os teoremas da sonhada felicidade.

Conquanto restrito, pois, aos conceitos das tradições religiosas, filosóficas, antropológicas, me nego a permanecer tão só ignorando as possibilidades infinitas das respostas que quero, porquanto sinto nisso a lógica essencial de pisar aqui. Relíquia eterna do sonho na inconsciência, trabalho feito espécie de aventureiro, errante na sorte, a mergulhar as entranhas do ser que sou e ouvir os ecos persistentes de achar a causa de tudo durante todo tempo.

Deus, centro do Universo, Pai e Criador, o cerne da revelação do quanto investigar nas cordilheiras do conhecimento, este o Justo valor das buscas, acalma meu reconhecimento nalguma partícula do ente a que dou cor, tom e movimento, exemplar da espécie e pomo de paz e compreensão; a alma do Cosmos e luz da Consciência.

Mentira tem pernas curtas: Vaticano desmente PT e diz que papa Francisco não enviou terço a Lula

Segundo a Santa Sé, advogado argentino que tentou visitar petista na prisão não é emissário do papa, mas 'ex-consultor do Pontifício Conselho Justiça e Paz'
Fonte: VEJA -- Por João Pedroso de Campos

Rosário foi entregue ao ex-presidente na tarde desta segunda-feira (Nelson Antoine/Folhapress; Reprodução/Twitter)
      O Vaticano desmentiu nesta terça-feira 12 a informação publicada pelo PT e pelas redes sociais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira 11, de que o papa Francisco enviou um terço ao petista e que o emissário do Santo Padre, o argentino Juan Gabrois, foi impedido de visitar Lula na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde ele está preso há mais de dois meses.Apresentado no site e nas redes sociais de Lula como “assessor do papa Francisco para assuntos de Justiça e Paz”, Gabrois é, na verdade, “ex-consultor do Pontifício Conselho Justiça e Paz”, conforme o Vatican News, portal de informações oficial da Santa Sé.
“O advogado argentino Juan Gabrois, fundador do Movimento dos trabalhadores excluídos e ex-consultor do Pontifício Conselho Justiça e Paz, deu uma entrevista em sua tentativa de visitar o ex-presidente Lula na prisão de Curitiba, onde está detido há mais de dois meses. Grabois disse que a visita era pessoal e não em nome do Santo Padre. Ele não teve a permissão para se encontrar com Lula”, diz nota do Vatican News.

    A Santa Sé ressalta que Juan Gabrois “nunca declarou que foi o papa a enviar o terço, mas simplesmente que se tratava de um terço que tinha sido ‘abençoado’ pelo papa”. Ainda segundo a nota de esclarecimento, “terços como esse são levados, como o Santo Padre deseja, a tantos prisioneiros do mundo sem entrar no mérito de realidades particulares”.
     Já o PT, também em sua conta na rede social, escreveu: “Papa Francisco envia rosário a Lula, mas emissário é barrado na PF”. “Funcionário do Vaticano denuncia caráter ‘estritamente político’ de decisão da PF de impedir que ele visitasse Lula e desse recado enviado pelo papa”, tuitou o partido.

12 junho 2018

Gostar de viver - Por: Emerson Monteiro


Ninguém quer voltar a desaparecer, nem os outros animais da escala evolutiva. Imaginar o que representa viver passa longe do que seja viver realmente na essência de tudo, experiência ímpar. O sensacionalismo dos tempos dagora, no entanto, abusa de mostrar quantos sofrem, quantos somem a todo momento, das formas mais esdrúxulas, friorentas, abjetas, que enriquece a tumba dos faraós da mídia. Virou vulgaridade noticiar quantos beltranos e sicranos são assassinados a cada noticiário, forma cataléptica de abandonar os irmãos nas latas de lixo dos dias que escorrem feitos fiapos perdidos.

Houve um jornal no Rio de Janeiro, Notícias Populares, de quem diziam espremesse e correria sangue. E agora, que jogam nas derradeiras páginas os extermínios, as chacinas, os desesperos das famílias que veem seus entes queridos simplesmente largados no fundo das covas, espremer o que, se quase sumiram os jornais? Mais parecem esses tempos com aqueles velhos filmes de ficção onde transformavam pessoas em proteína a título de oferecer os paraísos artificiais nas derradeiras horas de vida.

Troço grosseiro o tempo em que aportamos. Falam dos representantes do povo, de que povo, de que representantes? Uma escatologia de causa náusea, isto sim virou o panorama desses finais de era. Quais instrumentos de inconveniência, de insegurança, esfacelam corpos nos bairros infectos das periferias sem lei, sem nexo, sem dó, nem piedade. Pobres humanos que viramos cruzadas as guerras de conquista, tantos paredões de isolamento, tantas agruras e desventuras.

Sou meio adocicado muitas vezes, contudo a medida transborda e quero ser sincero aos poucos que leiam essas garatujas que jogo nos ares da existência, guardo comigo sede dos dias melhores de que ouço desde que iniciei ouvir o que prometem os oráculos de poder. Gosto de viver, de sonhar com felicidade, honestidade, harmonia, solidariedade, justiça, paz, fraternidade... Nunca desisti, nem irei desistir jamais, porquanto isso alimenta a equação dos elementos sob que habitamos diante do imprevisível. Desenvolvo largos esforços de viver e ter sabedoria, pois nenhuma razão que fuja disso cativa meus sentimentos.

(Ilustração: Pieter Brueghel o Jovem, em O pagamento dos títulos Bonhams). 

Sai a 2ª edição de um excelente livro – por Armando Lopes Rafael

    Nem tudo são notícias ruins, no atual estágio de descalabros divulgados sobre o nosso Brasil!
    Uma boa notícia: acaba de ser publicada a reedição, revista e ampliada, do clássico livro “ O Imperador no Exílio”, do Conde de Affonso Celso (1860-1938). Esta obra traz os relatos do banimento não somente da família imperial brasileira – decorrente do golpe militar que implantou a República no Brasil –  como notícias dos membros da família do Visconde de Ouro Preto, que se uniram no exílio a Dom Pedro II e a Princesa Isabel, passando por Lisboa, Paris e Versalhes.
    A edição atual traz uma pequena biografia do autor (Affonso Celso de Assis Figueiredo Junior), esmiuçando seu abolicionismo e o encontro de almas com o monarca brasileiro e sua filha-herdeira, até então desconhecidos na intimidade. Apontam-se, ainda, a campanha pelas edificações dos monumentos  de Dom  Pedro II em Petrópolis e em Fortaleza (CE), na década de 1900; a idealização do Museu Imperial no antigo palácio de verão petropolitano; a titulação vaticana de Affonso Celso Junior por obra e graça da Princesa Dona Isabel, entre outras curiosidades.
     Para quem quiser adquirir “O Imperador no exílio” use o e-mail vendas@linodigi.com.br ou pelo telefone (11) 3256-5823. Até o dia 30 de junho, a Linotipo Digital está concedendo frete gratuito!

Homenagem a quem muito fez: Avenida de Crato recebe o nome de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos -- por Patrícia Silva (*)


     Durante Sessão Solene realizada no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri, em Crato, nesta segunda- feira, dia 11 de junho, dom Vicente de Paulo Araújo Matos, recebeu, do poder público municipal, uma homenagem pelo seu centenário: a Avenida que liga o bairro Mirandão ao bairro Nossa Senhora de Fátima, terá o seu nome, de acordo com a lei nº 3.343/2018.

       A Sansão da Lei, segundo o prefeito José Ailton Brasil, visa marcar, no cotidiano dos cratenses, a memória daquele que tanto fez pelo município, com benfeitorias que refletem nos dias atuais. “Hoje só temos a agradecer a dom Vicente pelo trabalho que ele fez pelo Cariri, não só pelo Crato. Estamos colocando, na avenida que liga o bairro Mirandão ao bairro Nossa Senhora de Fátima, o nome daquele que tanto contribuiu com a nossa cidade. É uma forma de deixar a memória de dom Vicente viva e uma forma de agradecer por tudo o que ele fez por este município”, disse o prefeito explicando, ainda, que a Avenida dará um novo dinamismo a cidade, principalmente ao bairro Nossa Senhora de Fátima, tendo em vista o crescimento econômico que gira em torno das peregrinações à imagem da Mãe de Deus construída naquela localidade.O prefeito ainda destacou a contribuição da diocese de Crato, na pessoa de dom Gilberto Pastana, na idealização da avenida, pois, no projeto, uma parte da construção deve passar por terrenos pertencentes a diocese e, em nenhum momento,  o bispo colocou empecilho. Ao contrário, foi até o local onde o prefeito estava reunido com sua equipe administrativa e abriu mão das terras, tendo em vista o bem da população.

      Ainda segundo o prefeito, a obra, que é uma parceria entre o governo do Estado e o município, deve custar mais de seis milhões de reais e tem previsão de inauguração para o próximo ano.

Momento de júbilo
    Além de membros do poder público, participaram da Sessão Solene padres, religiosas e leigos da diocese de Crato que nesta noite contemplaram também a alegria em ver dom Gilberto Pastana receber o Título de Cidadão Cratense.

    Sobre a homenagem a dom Vicente com a denominação da Avenida, o bispo demonstrou grande contentamento. “A gente acolhe com muita alegria porque é um reconhecimento do poder municipal de tudo aquilo que esse bispo, esse grande pastor exerceu, influenciou e concretizou durante a sua gestão aqui nessa região e, mais particularmente, na diocese de Crato. É um reconhecimento do poder municipal que deve representar, nessa gestão, o povo que há vinte anos não vive com dom Vicente, mas essa geração que o conheceu deve amá-lo profundamente”, disse.

     Expressando alegria, o vigário geral da diocese, padre José Vicente Pinto, que esteve a frente da Comissão organizadora do centenário, disse ser justa esta homenagem, uma vez que “ele transformou o Crato em sua estrutura, realidade e mentalidade”.
(*) Patrícia Silva é jornalista

Centenário de Dom Vicente Matos: mensagem enviada por Dom Fernando Panico


O Bispo-emérito de Crato, Dom Fernando Panico, hoje residente em João Pessoa(PB), enviou a mensagem  abaixo, que foi lida na missa celebrada na Sé Catedral de Crato, no dia 11 de junho de 20128, data do aniversário de 100 anos de nascimento de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos.


"Estimado Dom Gilberto Pastana,
Caríssimos irmãos e irmãs da Diocese de Crato:

    Fisicamente ausente, meu espírito compartilha – à distância – das alegrias pelas festividades do centenário de nascimento de Dom Vicente Matos. Alegro-me, sobretudo, pelo reconhecimento feito pela atual geração a todo o bem que Dom Vicente proporcionou à população do Sul do Ceará, durante 37 anos -- ou seja, de 1955 a 1992--, quando ele foi pastor diocesano desta vasta porção territorial do centro nordestino.

    Foi com júbilo que fiquei sabendo dessa reparação, com o reconhecimento, embora tardio, do valoroso trabalho desenvolvido por Dom Vicente Matos, no Cariri. Trabalho, ao seu tempo, nem sempre valorizado como devia ter sido. Conquistas conseguidas, muitas vezes, em meio às incompreensões, às maledicências e às ingratidões. No entanto, todo trabalho que é feito para a construção do Reino de Cristo, neste vale de lágrimas, não fica sem reconhecimento.

    Fui o segundo sucessor de Dom Vicente Matos, e no tempo em que estive à frente da querida Diocese de Crato pude aquilatar a grandiosidade da obra sócio-pastoral dele. Uma obra hercúlea, onde cada passo dado por ele, cada gota de suor, cada esforço, começa agora a ser reconhecido.

    Louvado seja Deus por tudo isso!

    Temos certeza de que, no Paraíso, Dom Vicente já recebeu o reconhecimento e a consolação por todo o bem e por todo o sofrimento que padeceu. Deus não ignora nossas lágrimas. As lágrimas de tristeza serão transformadas em cantos de alegria. Deus consola aqueles que choram pelas injustiças e incompreensões. Cada lágrima que derramamos é registrada por Deus, porque ele, Pai de Misericórdia, nos ama muito e é único a nos conhecer completamente, e a compreender nossas reais intenções.

    Monsenhor Montenegro, em seu livro “Os quatro luzeiros da Diocese” conseguiu sintetizar o trabalho e ação do terceiro Bispo de Crato quando escreveu: “Dom Vicente Matos: Um grande benfeitor de Crato! O Bispo da Ação Social! O Mendigo de Deus”. É este o sentimento que também tenho na alma e que é, certamente, o sentimento de todos vocês.

     Ao celebrarmos o centenário do nascimento de Dom Vicente Matos, é mais do que justo fazer memória do serviço desinteressado deste Pastor que serviu ao seu Povo, sem esperar elogios e reconhecimentos humanos. Ao contrário, hostilizado e humilhado pelos contemporâneos, como a história costuma tratar os que incomodam, sabia que somente de Deus, e não dos homens, vem o premio da vitória, que é para sempre, como rezava o seu lema episcopal: “Ao vencedor darei o maná” (Ap 2,17). 

     Que as comemorações alusivas ao centenário de nascimento do terceiro Bispo de Crato, incentivem a fidelidade da nossa Diocese, também centenária, para buscar a vitória que Deus tem preparado aos seus servos bons, humildes e de reta intenção.

Dom Fernando Panico
Bispo Emérito de Crato"

11 junho 2018

O ritmo do tempo - Por: Emerson Monteiro


... Nas batidas do coração da gente, bem aqui dentro dessa caixa esplendorosa do ser que passa, que o tempo arrasta pelas escadas do firmamento, a deixar as marcas profundas nas carnes. Ele, o Tempo, senhor dos exércitos, máquina de transformações e vetor das glórias do mundo. Ele, a quem os gregos denominavam Cronos, que paria e devorava os próprios filhos. Nós, seus filhos diletos, sorridentes.

Quantos séculos, e vamos a tanger esse barco de cordas rumo do Infinito, à espera dos três gênios que lá certo dia salvarão o mundo. Nós, testemunhas privilegiadas da humana criação, autores dos versos que sagraram a Primavera. Menores, entretanto do tamanho exato dos sonhos largados fora, e habitantes que preenchem de cascalhos as paragens mais distantes do Universo à procura de outras espécies que talvez mostrem a cara aos céus.

Quais intrusos das noites temporais, nascemos a toda manhã, feitos almas que anseiam desvendar o enigma da libertação invés dos finais melancólicos, e alimentamos festas que jamais começaram, na alegria das gentes. Esses autores de si mesmos, contudo cientes de conhecer quase nada dos astros que nos imperam e conduzem às trilhas do desespero. Pobres ricos mortais de valia duvidosa, valentes e sórdidos, mocinhos de outras películas esmaecidas no tempo.

Saber do tanto de poder que há na sintonia desse ente, eis a que viemos e nisso deslizamos a superfície da solidão individual. Paladinos da justiça, entretanto vingativos anti-heróis de melodramas inacabados. Grosseiros amantes, outrossim galãs das óperas de antigamente, na saudade e no desejo.  Que ouvir, portanto, dessas horas e expectativas, depois de provar que conhecemos a velocidade dos movimentos da Terra e pouco fazemos a mudar as trajetórias do vento. Entregues na monotonia do escuro que envolve o conhecimento, roemos os objetos quais quem se apega e os abandona com a maior facilidade. Somem, sumimos, nas voltas do parafuso, a construir as histórias de que ele ri, e apenas jogamos seu jogo de esquecimento no velho tabuleiro das velhas contradições.

(Ilustração: Salvador Dali, em Momento suave da primeira explosão).

Pronto para torcer pelo Brasil na Copa do Mundo de Futebol -- por José Luís Lira (*)

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de 20 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

Faleceu Pe. Antônio Teodósio Nunes


Pe. Antônio Teodósio Nunes, primeiro à esquerda, de batina preta

Nasceu em Arneiroz em 7 de fevereiro de 1931 e faleceu em Crato, às 06:30h. do dia 11 de junho de 2018. Pe. Teodósio era historiador e genealogista. Era filho de Joaquim Nunes Pereira e Maria Januária de Souza.
Realizou o curso primário na sua terra natal, na Escola Mista, o curso secundário no Seminário Diocesano São José de Crato. Já os cursos de Filosofia e Teologia foram feitos entre 1951 e 1956, no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza. Foi professor da Faculdade de Filosofia do Crato e do Colégio Santa  Teresa de Jesus.

Alguns trabalhos e obras escritas por Pe. Teodósio Nunes
•    Respingando, introdução à Bíblia (1957)
•    A família Duarte Pinheiro (Itaytera, nº 16, fl. 177)
•    Em torno da Casa do Umbuzeiro (Itaytera, nº 19, fl. 180)
•    Educação, processo social e individual (Hyhyté, Faculdade de Filosofia do Crato, 1980)
•    Histórias de Ramiro, folclore (Itaytera, nº 25, 1981)
•    A família Andrade, dos Inhamuns (Revista do Instituto Genealógico do Cariri, fl. 119, 1981)
•    A família Nunes Pereira (Revista do Instituto Cultural do Cariri, fl. 17, 1982)


Algumas funções que exerceu na Diocese de Crato
•    Reitor do Seminário Diocesano São José, desde 1967.
•    Coordenador da Fundação Padre Ibiapina, desde 1976.
•    Diretor da Cáritas Diocesana, desde 1964.
•    Presidente do Instituto Genealógico do Cariri, desde 1982.

10 junho 2018

11 de junho de 2018: centenário de nascimento de Dom Vicente Matos

Dom Vicente de Paulo Araújo Matos (ao centro), no dia de sua sagração episcopal
em 11 de junho de 1955
É verdade: O tempo é o senhor da razão    – por Armando Lopes Rafael

           Quem tem mais de cinquenta anos de idade, sabe que Dom Vicente Matos, ainda hoje considerado “O maior benfeitor de Crato”, em vida recebeu muitas incompreensões e muitas ingratidões.
          Não que ele se preocupasse em ser reconhecido, ou receber louvaminhas e elogios insinceros pelo bem que fazia.
            Não, muito pelo contrário.
            Dom Vicente Matos era um homem muito inteligente. Ele sempre fez todas as suas boas ações, unicamente pelo idealismo de difundir o Reino de Jesus Cristo, de quem era fiel discípulo.
             Pessoalmente, acredito que ele – sábio como era –  tinha convicção das palavras escritas por São Paulo na 1ª Carta aos Coríntios, Capítulo 1:
“O que é fraco, na visão do mundo, Deus o escolhe para confundir os fortes”.
“O que é incapaz segundo o mundo, Deus o escolhe para confundir os sábios”.

    Durante algumas décadas alguns que se consideravam fortes e sábios desconheceram a grandiosidade da obra de Dom Vicente Matos. Mas, como diz o Eclesiastes, “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”.

       Chegou o tempo de se fazer uma reparação a Dom Vicente Matos. Mesmo porque chega um tempo em que a iniquidade não tem mais força para se sustentar; A verdade, bem diz a sabedoria popular, sempre triunfa; E a implacável justiça de Deus tarda, mas não falha.

      No corrente mês de junho de 2018, assistimos a tudo isso aqui em Crato. Durante onze dias, parcela considerável da população desta cidade fez vários atos de reparação à pessoa, à obra, à trajetória e memória de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, terceiro bispo desta diocese. “O tempo é o Senhor da razão”, diz um antigo provérbio português. E “O mundo dá muitas voltas”, diz outro velho adágio.
      E esse trabalho de resgate e reconhecimento da obra do grande bispo vai continuar até o próximo dia 8 de dezembro, quando vamos reverenciar os 20 anos da morte de Dom Vicente. Nestes últimos onze dias ele nunca esteve tão presente nesta cidade de Crato e na região do Cariri, mesmo estando fisicamente morto. O reconhecimento que está sendo feito a Dom Vicente atingiu os cinco continentes. Mesmo porque hoje temos a Internet que leva a todas as partes do mundo o som das emissoras de rádio e as postagens feitas na WEB. Deus escolheu este tempo, para que onde chegar a comunicação da Internet, chegasse também a difusão do legado de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos.
         Honra ao Mérito!

   

Em entrevista, Dom Gilberto Pastana de Oliveira conta como foi sua viagem a Roma

Fonte: Site da Diocese de Crato

     Ao desembarcar em Juazeiro do Norte nesta sexta-feira, dia 08 de junho, o bispo diocesano de Crato, dom Gilberto Pastana, trouxe na mala muita esperança. Durante toda esta semana, ele esteve em Roma, acompanhado do padre Cícero José da Silva, reitor da Basílica Nossa Senhora das Dores. Na cidade italiana, viveu cinco dias intensos, de visitas e encontros, sendo o maior deles com o Papa Francisco. A audiência aconteceu na quarta- feira, 06. Esse foi o segundo contato de dom Pastana com o Santo Padre. O primeiro foi na Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio de Janeiro, em 2013.

     Na pauta da viagem, estavam as causas da menina Benigna Cardoso e do Padre Cícero Romão Batista.A oportunidade também rendeu visita a Congregações e ao padre José Máximo Ramalho de Farias, sacerdote diocesano, que está em Roma para continuação dos estudos. Nesta reportagem especial, você pode conferir detalhes da viagem, que além de resplandecer a unidade da Igreja, traz esperança aos devotos da menina Benigna e do “Padim” Cícero Romão.

Pergunta: Qual o objetivo da ida do senhor a Roma?
Dom Pastana: Quando somos bispos novos em uma diocese temos que ter conhecimento de todo o contexto em que ela está inserida. Ao chegar a diocese de Crato, tive contato, mais de perto, com a grande religiosidade presente na vida do povo desta região, em especial no que se refere ao Padre Cícero Romão Batista e a menina Benigna Cardoso. Então essa visita a Roma, onde estivemos na Congregação para Doutrina da Fé, Congregação para o Clero e também na Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica foi muito importante para vermos como está o andamento das causas que já estavam lá e também qual a orientação que os prefeitos dessas Congregações dão a nossa diocese, na pessoa do seu bispo. Também visitei o padre José Máximo Ramalho de Farias, que estuda teologia bíblica, na universidade Gregoriana. Juntos celebramos a Eucaristia na Paróquia do Sagrado Coração, onde ele ajuda como vigário paroquial.

Pergunta: Como foi, para o senhor, o encontro com o Papa Francisco?
Dom Gilberto:
Para mim esse encontro, realizado durante a audiência da quarta-feira, foi como sempre, emocionante e muito importante, sobretudo na qualidade de bispo. Esse foi o primeiro contato da minha parte para agradecê-lo e me apresentar como bispo do Crato. Eu já o tinha encontrado, durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, aqui no Brasil, na qualidade de bispo da diocese de Imperatriz- MA, de tal modo que esse é o meu segundo encontro com o Papa Francisco.

Pergunta: O que o senhor falou para ele?
Dom Pastana:
Como um dos assuntos que nós fomos tratar na Congregação para Doutrina da Fé era a questão do processo do Padre Cícero Romão Batista, então aproveitei a oportunidade para agradecer a transferência que ele fez de minha pessoa para a diocese de Crato e dizer que essa diocese é a diocese que acolheu o Padre Cícero. Ofereci a ele uma lembrança: uma garrafa com o formato do Padre Cícero. Falei também sobre a importância do Padre Cícero não só para diocese de Crato, mas para a Igreja em todo o Nordeste. Pedi para ele que olhasse e abençoasse essa evangelização, abençoasse o trabalho deixado pelo Padre Cícero e que a gente pudesse descobrir e encontrar cada vez mais possibilidades e meios de, na Doutrina da Fé, tentar a reabilitação do Padre Cícero para que se inicie, futuramente, o processo de beatificação desse grande sacerdote do Nordeste.

Pergunta: Como o Papa reagiu?
Dom Pastana:
O papa é uma pessoa impulsionada pelo Espírito de Deus. Escutou atentamente e respondeu com um largo sorriso, conforme expressa o registro fotográfico.

Pergunta: E com relação a causa da Serva de Deus Benigna Cardoso?
Dom Pastana:
Nos encontramos com o postulador da causa e dele recebemos a positio (conjunto de documentos utilizados no processo) da nossa futura Beata Benigna Cardoso. Trouxemos conosco oito volumes dos estudos que já foram concluídos. Agora, em outubro próximo, se Deus quiser, o pedido da beatificação da menina Benigna entrará na pauta para análise da comissão dos teólogos. Entrando na pauta em outubro, quando a comissão dos teólogos fará sua reunião, e aprovando-a, quem sabe no próximo ano ela entra também na pauta dos bispos e, depois, segue para a decisão do Santo Padre, o Papa.
Pergunta: E quais foram as orientações para causa do Padre Cícero?
Dom Pastana:
O cardeal dom João Braz de Aviz (foto ao lado) nos orientou para que a gente motive mais estudos sobre as qualidades humanas, pastorais e espirituais do Padre Cícero. Eu me recordo de que uma das grandes devoções do Padre Cícero é o Sagrado Coração de Jesus, então quem sabe, um dos nossos padres ou algum teólogo, possa fazer uma tese doutoral trabalhando essa temática. A gente precisa dá mais visibilidade, também no mundo acadêmico eclesial, dessas virtudes humanas e espirituais do Padre Cícero, ou seja, precisamos publicar mais coisas dele no sentido acadêmico, teológico, eclesial e também espiritual.

Pergunta: Então o que pode ser feito e o que o Roma espera a partir dessa ação?
Resposta:
Penso que devemos fazer com que os estudantes se apaixonam mais por essa temática e por essa realidade. É preciso refletir mais, do ponto de vista teológico, as qualidades que o Padre Cícero deixou como testemunho espiritual. Nesse sentido, Roma também espera que a gente vivencie muito mais. O, agora nomeado cardeal, dom Luis Francisco Ladaria Ferrer, que é o prefeito para Congregação da Doutrina da Fé, dizia: “vamos cada vez mais acentuar, vamos rezar, vamos ministrar os sacramentos, vamos acolher bem os romeiros, vamos fortificar cada vez mais essa fé e vamos também fazer esse tipo de publicação, esse tipo de escrito que divulgue mais a vida do Padre Cícero”.

Pergunta: Vocês entregaram algo à Congregação para Doutrina da Fé?
Dom Pastana:
Levamos um álbum com registros das celebrações de todos os dias 20 de cada mês, durante esses quase dois anos que eu estou aqui. Procuramos registrar, justamente para mostrar como essa vivência espiritual em torno da figura do Padre Cícero é bastante acentuada pelos romeiros. Deixamos também para o cardeal Ladaria, uma garrafinha no formato do Padre Cícero, como a que entreguei ao Papa Francisco. Ele ficou muito impressionado com a participação dos romeiros nas celebrações.

Pergunta: Qual a impressão que o senhor teve sobre o tratamento destes assuntos no Vaticano?
Dom Pastana:
Sem dúvida a gente percebe uma sensibilização, também uma preocupação com a temática.

Pergunta: Como o senhor avalia essa viagem?
Dom Pastana:
A viagem toda foi muito boa porque foi uma viagem de apresentação, aprendizagem e conhecimento. Foi muito bom encontrar os cardeais prefeitos das diversas Congregações, como também seus secretários, alguns deles brasileiros. Isso vai facilitar, sem dúvida nenhuma, a nossa relação. E, claro, coroada com a visita ao Santo Padre, o Papa Francisco.

Saber pelo sentimento - Por: Emerson Monteiro


Existem diversas formas de apreender a Natureza em nós, pelos sentidos, donde vêm as sensações; pela mente, ou racionalidade, donde vêm os pensamentos; pela intuição, donde vêm as inspirações; e pelo coração, ou emoção, donde vêm os sentimentos. Qual diz o poeta, Amai para entendê-las! / Pois só quem ama pode ter ouvido / Capaz de ouvir e de entender estrelas. (Olavo Bilac). Nesse processo de adquirir o conhecimento, há, pois, tais alternativas. E dos sentimentos, o maior de todos é o Amor, a Luz em nós.

Escolas várias desenvolvem suas formulações e já concluem saber que somos um composto de sombra e luz. Das tantas pesquisas das individualidades, se conhece que viemos a fim de iluminar a sombra com que chegamos e precisa de claridade no sentido de revelar a natureza verdadeira do ser ciente, transcender a materialidade e revelar de si a verdadeira essência do Ser, função da existência.

Tal itinerário significa a distância entre as duas vontades, que representam o eu inferior e o Eu maior, campo esse onde perfazem os humanos a busca incessante da sonhada Felicidade. Esse intervalo das duas vontades representa o nível espiritual das criaturas. Nalguns, abismo mais profundo, transposto através nas vidas sucessivas, ou reencarnações, reencontros das existências em novos corpos. O que os místicos consideram ignorância é o fruto do desconhecimento dos valores do espírito, voltados que se prenda às ilusões daqui do chão, passageiras e perecíveis.

Afirmações, portanto, ora pertencentes à Metafísica, este conhecimento, que iluminará as trevas nos humanos, bem define o tanto a percorrer até chegar aos planos definitivos da Realidade. Nisso, desvendar os véus que encobrem o desenvolvimento à medida quando se adquire novos níveis de percepção e supera os estágios primitivos, em demanda do esclarecimento. Requer esforço, coragem de superação; vencer o medo da luz e transpor os desafios destes mundos transitórios. Aceitar de bom grado vencer a dor e conhecer os mistérios do Amor nos solos férteis do coração.

Programação desta 2ª feira – 11 de junho – no Centenário de nascimento de Dom Vicente Matos

09:00h – Programação especial da Rádio Educadora do Cariri comentando a obra de Dom Vicente
10:00h – Missa pelo Centenário de Dom Vicente, na Capela da Casa de Caridade, transmitida pela Rádio Educadora do Cariri
17:00h – Concelebração solene da Sé Catedral de Crato pelos 100 anos de Dom Vicente
18:00h – Aposição de uma placa, na Sé Catedral, comemorativa ao centenário de nascimento de Dom Vicente
19:30h – Sessão Solene da Câmara Municipal quando  será sancionada a Lei denominando de Avenida Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, a nova avenida que parte do bairro Mirandão até o monumento de Nossa Senhora de Fátima, localizada no bairro do mesmo nome.
                Outorga de Medalhas post-mortem a Dom Vicente.
Centro de Expansão Dom Vicente Matos, localizado no bairro Granjeiro.
Última obra construída por Dom Vicente, no seu profícuo governo episcopal,
 à  frente da Diocese de Crato.

09 junho 2018

Depois do fechamento de dois museus públicos...

Crato: vestígios de engenhos do Cariri podem ser reunidos em museu
O “Cratinho de Açúcar” e a terra dos “Verdes canaviais” rememoram os tempos dos engenhos de cana-de-açúcar 
 O equipamento inglês do Engenho da Lagoa Encantada foi um dos primeiros ( Fotos: Antonio Rodrigues)
Fonte: “Diário do Nordeste”, 09-06-2018 – por Antonio Rodrigues - Colaborador 

     Autores divergem quanto à chegada do primeiro engenho de cana-de-açúcar ao Cariri. Um diz que foi em 1718, no Sítio Salamanca, em Barbalha, por Antônio de Souza, bisavô de Bárbara de Alencar. Outros, acreditam que a chegada só aconteceu em 1735, no Sítio Santa Tereza, entre Barbalha e Missão Velha, tecnologia trazia pelo sergipano José Paes Landim. Independentemente disso, a economia açucareira foi importante para região, é tanto que batizou o “Cratinho de Açúcar” e também é parte da identidade barbalhense, a terra dos “Verdes canaviais”. Os engenhos se perdem no tempo e, aos poucos, na memória.

Crato poderá ganhar novo museu
Segundo Heitor Feitosa, atual presidente do  Instituto Cultural do Cariri (ICC) esta instituição elaborou um projeto para criar o Museu do Engenho do Cariri, que ficaria nos fundos de sua sede, em terreno que pertence ao Departamento Estadual de Rodovias (DER), em Crato. A planta já foi feita e apresentada à população e políticos, que demonstraram apoio ao empreendimento, com a criação de uma emenda parlamentar que garante o orçamento de sua construção. Estima-se que o valor total da obra seja de R$ 208 mil.
 “A ideia surgiu pela sensibilização com o fim da economia açucareira, que nos traz uma certa comoção e vontade de preservar. O rompimento pode ser danoso à história e à memória. Os mestre de rapadura, os cambiteiros, os metedores de fogo, essa gente está morrendo. As minúcias da produção podem desaparecer ou deixar breves vestígios”, explica o presidente do ICC, o advogado Heitor Feitosa.
A aquisição do equipamento será feita por meio de doação. Proprietários e herdeiros de antigos engenhos prometeram disponibilizar tudo, incluindo um carro de boi utilizado no século XIX. Além disso, no Casarão, terá três seções. Numa delas, um café social e uma lojinha para o ICC se manter. No meio, um salão de eventos para receber manifestações culturais. Por fim, um laboratório e acervo técnico de arqueologia colonial e pós-colonial. “Há uma carência aqui na região”, justifica Heitor. Se a verba for conquistada, a expectativa é que fique pronto entre seis meses e um ano.
 "Nos engenhos, em noite enluarada, faziam o maneiro pau. Eles não estão ligados somente à economia açucareira, mas também à nossa cultura" Heitor Feitosa - Advogado e Presidente do ICC

Pouca gente sabe: o General Pedro Labatut atuou no Cariri – por Armando Lopes Rafael

General Pedro Labatut

    O General Pedro Labatut (pronuncia-se “Lébêti) nasceu, em   1768, em Cannes, França, e faleceu, em 1849, em Salvador, na Bahia. Este militar francês participou das Guerras Napoleônicas, entre 1807 e 1814, tendo atuado na Península Ibérica. Labatut combateu também na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América, ao lado do Marquês de La Fayette.  Atuou, ainda, na Colômbia, ao lado de Simón Bolívar. Finalmente, veio para o nosso país – contratado no posto de brigadeiro pelo imperador Pedro I – dada a escassez de oficiais experientes no exército brasileiro recém-organizado e para ajudar na guerra da independência do Brasil. Aqui, Labatut ordenou o Exército Pacificador, que combateu as tropas leais a Portugal, na Província da Bahia e lutou na Revolução Farroupilha, já no período regencial.

     Em 7 de julho de 1832, a Regência nomeou-o para chefiar uma expedição ao Ceará, com o objetivo de prender Pinto Madeira e devolver a paz aos habitantes da província. Chegou Labatut ao Ceará, no dia 23 de julho, trazendo 200 homens, quase todos negros. Mas somente em 31 de agosto, veio ele ao teatro da Guerra do Pinto, iniciando sua missão pela Vila de Icó. Encontrou a revolta praticamente encerrada, graças ao empenho do presidente da província, José Mariano de Albuquerque. Em setembro, Labatut estava no Cariri, fazendo seu quartel no Sítio Correntinho, (localizado este entre Crato e Brejo Grande, segundo Gustavo Barroso, ou no município de Barbalha, propriedade de Pinto Madeira, segundo historiadores caririenses). Dali ele lançou uma proclamação aos revoltosos convidando-os à rendição, mediante promessa de clemência. Ofereceu garantias a Pinto Madeira e ao padre Antônio Manuel de Souza para estes se entregarem, o que ambos fizeram, em 12 de outubro de 1832, com a promessa de serem enviados ao Rio de Janeiro, onde teriam um julgamento imparcial. Militar experiente, Labatut logo sentiu o exagero das notícias chegadas à capital do Império sobre a Guerra do Pinto.

      Acampado no Cariri, constatou ele que Pinto Madeira, mesmo obtendo algumas vitórias, nunca ultrapassou os limites de Icó. Fortaleza, a capital da província, os portos cearenses, a rota entre Aracati e Icó nunca saíram das mãos do governador da Província e da Regência. Além do mais, Labatut não precisou derramar uma gota de sangue cearense, pois a Guerra do Pinto já havia sido vencida pelo governador da província, José Mariano. Tudo isso tranquilizou o general Labatut, pois sua missão não necessitava promover lutas e sim viabilizar o apaziguamento da população.

      Foi o que ele fez, tendo oportunidade de cumprir, com isenção, sua missão. Para evitar que os dois chefes rebeldes fossem massacrados por seus inimigos do Ceará, enviou-os a Recife, sob a guarda de um oficial de sua plena confiança. No cariri ele escreveu uma carta ao Ministro da Guerra do Brasil. O escrito constituiu-se numa defesa de Pinto Madeira. Desnecessário detalhar o quanto isso desagradou aos liberais de Crato, ao presidente da Província do Ceará, José Mariano, e ao Padre José Martiniano de Alencar, no Rio de Janeiro. Entretanto, os fatos históricos demonstram que foram cruéis tanto as forças legais como as tropas lideradas por Pinto Madeira, o caudilho do Cariri.

Obra consultada:
FIGUEIREDO FILHO, José de. História do Cariri–Volume III. Edição da Faculdade de Filosofia do Crato, 1966. pags. 34-35.
Texto e Postagem: Armando Lopes Rafael

Tríduo a Dom Vicente Matos teve início nesta 6ª feira na Sé-Catedral

   Para ajudar a comunidade a entrar num clima de oração e assim celebrar bem o centenário de seu terceiro bispo diocesano, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, um Tríduo está sendo celebrado na Sé-Catedral Nossa Senhora da Penha, em Crato, nesta 6ª feira, sábado e domingo sempre às 17h. O primeiro dia aconteceu nesta sexta (8), sob a presidência do Padre Cícero Luciano, reitor do Seminário Propedêutico.
     Realizado como memorial, estes três dias de oração, nos quais os fiéis são convidados a agradecer a vida e o testemunho de Dom Vicente, colocando-os no Altar do Senhor, antecede o dia 11 de junho, data em que ele faria cem anos.
Fonte: Site da Diocese de Crato

08 junho 2018

Observações do dia - Por: Emerson Monteiro


Nalgumas vezes, intenções e ações andam juntas, juntinhas, coladas no couro. Noutras, no entanto, que haja prudência a fim de sustentar o comando original e os resultados que restem. Quais como que duas vontades encangadas numa só, eis o panorama. Uma vontade que determine e a outra desobedece, na maior sem cerimônia, maioria das vezes, tais houvesse duplo comando, ou nenhum. A maior cara de pau de nós próprios acontece nessas horas: - Eu quero, mas não quero mais. Quero, mas não faço (Nem existe oportunidade de mudar de roupa e lá está a segunda vontade no lugar da primeira, contradição interna do sistema que formamos entre querer e fazer, choque de lideranças de causar espanto e prejuízos).

Que assim não fosse, e seríamos donos de nós mesmos. Exerceríamos a função principal de transformar situações equivocadas e reverter quadros vexatórios, tanto na vida individual quanto na coletiva. As imagens do drama humano revirariam em festa. O foco desses dois elementos nesse jogo de claro/escuro bem significa o tema da história de muitos. O freguês deseja ser feliz, contudo age no sentido contrário aos seus propósitos. Reúne com uma das mãos e desmancha com a outra, ou com as duas, no conflito das lateralidades.

Destarte, sobremaneira, somos vítimas da nossa incúria, adversários dentro de casa da personalidade e do caráter. Conhecêssemos o suficiente de sofrer menos, devido as experiências nossas e dos demais, trabalharíamos com sapiência a lei da contradição, de danos incalculáveis no transcorrer das eras. Daí dizer que a distância entre saber querer e saber agir demanda o infinito, pois a teoria na prática é outra. O mapa não ser o território, segundo consta dos estudos.

Que mudar em si, porém, a que transformar esse hábito de ser o cachimbo que põe a boca torta? Invés de duas naturezas, duas vontades, a proposta real de cura das psicologias será compreender que o primado da Consciência tem de lenitivo integrar os dois aspectos acima em única disposição interna de força, porquanto amar os vossos inimigos e amar a si (Jesus). Amai. Amor, a raiz fundamental de harmonizar aspectos que não são opositores, e sim complementares.

(Ilustração: Rembrandt, em Cristo na tempestade no Mar da Galileia).

As duas últimas fotos de Dom Vicente Matos feitas no dia em que ele se despediu de Crato (*)

   O dia era 11 de junho de 1992.
    Naquela data, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos completou 74 anos de idade. Há 37 anos residia em Crato. Primeiro como Bispo auxiliar (1955 a 1959); com a renúncia de Dom Francisco de Assis Pires passou a ser Administrador Diocesano (1959 a 1960); em 22 de janeiro de 1961 (quando foi nomeado Bispo Diocesano) até 1º de junho de 1992 (quando renunciou ao bispado por problemas de saúde) foi o 3º Bispo de Crato. Depois da renúncia, ainda permaneceu em Crato até 11 de junho do mesmo mês, preparando o transporte dos seus objetos pessoais para levá-los a Fortaleza, onde fixou residência até sua morte, ocorrida em 06 de dezembro de 1998.
      Voltemos à manhã do dia 11 de junho de 1992. No alpendre do antigo Palácio Episcopal, área voltada para o grande quintal, onde hoje se ergue a Cúria Diocesana Bom Pastor, Dom Vicente (portando a vestimenta episcopal) recebeu algumas pessoas que foram se despedir dele. Depois, subiu pela última vez as escadas que davam ao seu quarto, localizado na parte superior da casa e vestiu um terno simples para seguir viagem até Fortaleza.
        Como era do seu natural, estava calmo, tranquilo, mas emocionado. Nos quase 600 quilômetros que separam Crato de Fortaleza, ele deve ter rememorado os 37 longos anos vividos no Cariri. Onde não deu um único passo que não fosse voltado para difundir o bem e a verdade. E onde recebeu muitas calúnias e ingratidões, as quais soube ser superior e perdoar. Deus permitiu que o diabo tentasse joeirar a boa obra de Dom Vicente como se joeira o trigo.
           Inútil! O sofrimento que os algozes de Dom Vicente lhe impingiram, serviu para que o terceiro Bispo de Crato se santificasse. E como “O tempo é o Senhor da razão”, hoje mais de um milhão de pessoas que habitam a Diocese de Crato – durante os últimos 10 dias – assistiu à reparação feita à memória desse grande bispo de saudosa memória.


(*) Essas 2 fotos foram feitas pelo Prof. Paulo Tasso Teixeira Mendes.

Postado por Armando Lopes Rafael