25 março 2019

As sempre novas emoções - Por: Emerson Monteiro


Meios a significar disposição de querer novas as possibilidades diante do passar das horas; escolher fórmulas recentes de tanger os dias. Isso a quem parar e resolver estruturar pensamentos de modo a colher sensações renovadoras do cotidiano que nunca se repete. Ainda que diante dos achincalhes das rotinas, permitir serem vistos acontecimentos de modo consciente e saboroso. Viver com alegria e surpreender em si mesmo métodos criativos de aceitar que seja assim o senso de existir, força poderosa, acessível a todos.

Bem isto, saborear o gesto de viver utilizando os recursos da sabedoria; adotar um jeito ativo de administrar os pensamentos e sentimentos que permita usufruir diariamente da arte que em tudo persiste, a depender tão só das atitudes dos viventes.

Numa consideração mais aprofundada, saber que entre o zero e o infinito moram todos os habitantes do Universo, e que somos eles, os autores atuais do processo vida, instrumento grandioso em nossas mãos. Tratar o tempo qual amigo de tudo quanto há, norma de lucidez suficiente a reconsiderar detalhes antes escuros sob as luzes esplendorosas de positividade e determinação. Praticar o momento sob a força de vencer prováveis obstáculos e dominar o inesperado. Sobreviver ao mistério do desaparecimento, porém dotados de possibilidade plena, amor e vontade.

...

As perguntas chegam à medida que respondemos as anteriores, e somos quais senhores do instante, uma vez que aceitemos o fator da liberdade que bate às nossas portas do modo próprio de transformar a existência em recursos de satisfação.

Por isso, dizer que o mundo é subjetivo, que lhe damos a essência na medida em que sejamos os responsáveis pelo ofício de classificar fenômenos e objetos que se nos oferecem a conhecer. Seremos, destarte, criados a fim de dar vida às vidas e os viventes. Sejamos, pois, consciências do mundo e tudo será novo sempre e agora.

Prefeitura de Teresópolis (RJ) cria a Medalha Imperatriz Teresa Cristina


A primeira cerimônia de premiação se deu no último dia 14, data do 197º aniversário natalício de Sua Majestade, Teresa Cristina, terceira Imperatriz do Brasil
Teresa Cristina Maria, terceira Imperatriz do Brasil, 
à época do seu casamento com Dom Pedro II 

 
A Prefeitura Municipal de Teresópolis, no Estado do Rio de Janeiro (ver brasão da cidade ao lado), recentemente instituiu a Medalha Imperatriz Teresa Cristina, honraria entregue pelo Executivo Municipal a indivíduos que prestarem serviços relevantes à cidade de Teresópolis,. A comenda homenageia a terceira Imperatriz do Brasil, que deu nome à cidade de Teresópolis.
   
 Nascida Princesa Real do Reino das Duas Sicílias, na Península Itálica, a Imperatriz Dona Teresa Cristina, desde seu casamento com o Imperador Dom Pedro II, celebrado em 1843, dedicou-se inteiramente a servir e amar o Brasil. Sua bondade e generosidade lhe renderam, no consenso unânime de todos os corações brasileiros, o cognome de “Mãe dos Brasileiros”. Sua Majestade faleceu a 28 de dezembro de 1889, exilada na cidade do Porto, em Portugal, logo após o golpe que instaurou a República no Brasil, lamentando-se por nunca mais poder ver sua Pátria adotiva.

 Vista parcial da cidade de Teresópolis (RJ)

23 março 2019

CARIRIENSIDADE -- por Armando Lopes Rafael


No tempo em que se ensinava a História do Cariri

   Embora hoje não conste mais da grade curricular do ensino superior, houve um tempo em que era ministrado – na extinta Faculdade de Filosofia do Crato – a disciplina “História do Cariri”. Em 1964, o professor e historiador J.de Figueiredo Filho publicou o 1º volume (de uma série de quatro livros que viria a escrever) sobre a “História do Cariri’. A obra era destinada às aulas, por ele ministradas, na Faculdade de Filosofia do Crato, cujos cursos seriam posteriormente encampados para a formação da atual Universidade Regional do Cariri (URCA). J. de Figueiredo Filho esclareceu no primeiro volume da sua obra “História do Cariri” que sua intenção ao escrever este livro: “destina-se aos meus alunos e também servirá como orientação ao ensino da história regional, nos estabelecimentos secundários, nos grupos escolares e escolas isoladas”

Quem foi J. de Figueiredo Filho

  José Alves de Figueiredo Filho (foto ao lado), farmacêutico por formação, foi também professor, escritor, historiador, memorialista, tendo nascido em Crato em 1904. Foi um dos principais intelectuais da região do Cariri cearense. Um dos fundadores do Instituto Cultural do Cariri, em 1953, uma instituição difusora da história e da cultura da região sul-cearense. 

    Com a criação da Faculdade de Filosofia de Crato, em 1960, J. de Figueiredo Filho assumiu o cargo de professor do Departamento de Geografia e História daquela escola de ensino superior, na qual ministrou as disciplinas de História do Cariri e do Ceará. Foi, ainda, membro da Academia Cearense de Letras e sócio da ANPUH (Associação Nacional de Professores Universitários de História).

A obra cultural de J. de Figueiredo Filho

   
     Em 1958 o Ministério da Agricultura do Brasil publicou o livro “Engenhos de Rapadura do Cariri”, de J.de Figueiredo Filho, um clássico na temática da produção da rapadura.Ele deixou 16 livros publicados.

     O mais conhecido é o autobiográfico: “Meu mundo é uma farmácia”. Sua vasta obra é polivalente. Estreou na literatura, em 1937, como romancista, com a obra “Renovação”, publicado pela Editora Odeon, do Rio de Janeiro, à época capital do Brasil. Na década 40 do século passado, Figueiredo Filho já escrevia – para os jornais de Fortaleza e Recife – sobre as reservas paleontológicas do Cariri.

     Ele foi a alma da fundação do Instituto Cultural do Cariri–ICC. Figueiredo Filho foi o editor, por longos anos, da revista “Itaytera”, órgão oficial do ICC. Escreveu dois livros sobre as manifestações da tradição popular no Cariri e um sobre Patativa do Assaré. Faleceu em 1973.

J. de Figueiredo Filho e o resgate da Caririensidade


    O prof. Hildebrando Maciel Alves acaba de concluir seu Mestrado – na área de História – na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Título da monografia dele: “A face historiadora de J. de Figueiredo Filho e a construção do Cariri cearense”. Hildebrando aprofundou a análise de construção do passado do Cariri, a partir dos escritos de J. de Figueiredo Filho. Este – juntamente com um grupo de notáveis carirenses – foi responsável pelo movimento da defesa intransigente da região sul do Ceará, num trabalho de valorização do torrão natal e divulgação da caririensidade.

     Essa plêiade de bons intelectuais promoveu diversas ações – nas décadas de 40 a 70 do século passado – restaurando a memória do nosso passado regional. Para tanto, escreveram livros e artigos; promoveram solenidades; reconstruíram calendários cívicos; recuperaram o panteão dos heróis caririenses; fundaram entidades culturais e o Museu Histórico de Crato, o qual, infelizmente – nos últimos anos –, vem sendo malcuidado, dada a falta de uma boa gestão por parte do Poder Público Municipal, a quem – em má hora –, o museu foi entregue. (Para ler a íntegra da monografia de Hildebrando clique: (http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/173614).

Sobre a data de nascimento do Padre Cícero 
       Este 24 de março de 2019 assinala os 175 anos de nascimento do Padre Cícero Romão Batista, na então Vila Real do Crato. Está exposto na Capela Batismal da Catedral de Crato um quadro com a Certidão de Batismo do Padre Cícero. Reproduz a fotocópia da folha 61 do Livro de Batizados de 1843 a 1845 – onde consta literalmente:

     “Cícero, filho legítimo de Joaquim Romão Batista Meraíba, e de sua mulher Joaquina Ferreira Castão. Nasceu em 23 de março de 1844 e foi batizado pelo pároco solenemente com santos óleos nesta cidade do Crato em 8 de abril do mesmo ano. Foram seus padrinhos seu avô paterno Romão José Batista e Antônia Maria de Jesus, do que para constar mandei fazer este assento em que me assino. Manuel Joaquim Aires do Nascimento”.

      Há no registro um engano. Como se sabe, o nascimento do Padre Cícero foi sempre comemorado a 24 de março. Quando de sua estada em Roma, em carta datada de 24 de março de 1898, endereçada a sua mãe, o próprio Padre Cícero escreveu: “Hoje, que faço 54 anos e véspera da anunciação da Mãe de Deus…”

Um Historiador explorou essa troca de datas
Dois bispos: Dom Edimilson Neves (de Tianguá) e Dom Gilberto Pastana (de Crato) examinam a pia de batismo, da Catedral de Crato,  na qual, provavelmente, o Pe. Cícero foi batizado

     Otacílio Anselmo, no livro “Padre Cícero Mito e Realidade” enxergou nessa troca um sinal da “vaidade doentia” do famoso sacerdote. Segundo Otacílio, feito com o intuito de vincular seu aniversário natalício ao dia 25 de março, quando a Igreja Católica festeja a Anunciação à Virgem Maria. Ora se o Pe. Cícero tivesse tido essa intenção, teria logo mudado para o dia 25, data da efeméride. Já o médico-historiador cratense Irineu Pinheiro, autor de “Efemérides do Cariri” fez constar neste livro: “Sempre sua família, seus amigos e ele próprio festejaram seu aniversário natalício no dia 24 de março…”.

     Controvérsias à parte, o registro no livro de batismo dando a data de 23, ao invés de 24 de março, pode ter sido apenas um lapso normal, bastante corriqueiro nas anotações nos Livros de Batismo de antigamente, fruto, quem sabe, de pequeno engano na anotação do vigário Manuel Joaquim Aires do Nascimento, quando da transcrição.  Sabe-se que, naqueles tempos, os registros da Igreja eram anotados manualmente. Usava-se, para tanto, canetas de bico de pena, que eram mergulhadas no tinteiro. As palavras escritas eram enxugadas com um mata-borrão. Antes de efetuarem os registros dos batizados já realizados, os padres faziam rápidas anotações em folhas de papel almaço, as quais, depois, eram transcritas no Livro de Batizados.  
       O Vigário de Crato talvez tenha se equivocado anotando “23” ao invés de 24 de março no tocante a data de nascimento de Cícero Romão Batista.

Outra controvérsia: em que casa nasceu o Padre Cícero? 

Palácio Episcopal Bom Pastor, em Crato, provável local do nascimento do Padre Cícero

    Outra divergência, entre os historiadores regionais, diz respeito a residência onde teria nascido, na cidade do Crato, o Padre Cícero Romão Batista. A primeira versão - defendida por Irineu Pinheiro - diz que o famoso sacerdote veio ao mundo numa casa, do lado do sol, existente na atual Rua Miguel Limaverde. A casa pertencia ao coronel Pedro Pinheiro Bezerra de Menezes, e posteriormente fora desmembrada em duas residências. Ambas demolidas, quando do alargamento daquela rua, no início da década 1980, na fúria insana de destruir o que restava do patrimônio arquitetônico do Crato, para dar lugar à passagem de veículos automotores.

     A outra versão defende que o Padre Cícero nasceu numa casinha, no terreno onde hoje se ergue o Palácio Episcopal, na atual Rua Dom Quintino, à época denominada de Rua das Flores. Irineu Pinheiro defendia o imóvel da Rua Miguel Limaverde, como o local do nascimento do Padre Cícero, baseado em depoimento de uma escrava da família do sacerdote, conhecida como “Teresa do Padre”, mulher humilde e bastante estimada na cidade de Juazeiro do Norte, onde gozava a fama de uma pessoa virtuosa e de credibilidade.

      Entretanto, o Padre Antônio Gomes de Araújo, contestou a versão de Irineu Pinheiro escrevendo: “Teresa do Padre, já começava a mergulhar no crepúsculo da própria memória, cuja desintegração começara”. Ou seja, a boa velhinha caminhando para os cem anos de idade, já não dominava mais a própria memória, deficiência física a que estamos sujeitos todos nós, os seres humanos, quando a velhice nos domina".

       A versão de que o Padre Cícero nasceu numa casinha simples, onde hoje é o Palácio do Bispo, tem diversos defensores. Segundo depoimento prestado, ao Padre Antônio Gomes de Araújo,  pelo cônego Climério Correia de Macedo (incluído no livro A Cidade de Frei Carlos) afirmou o cônego: “Minha tia paterna, Missias Correia de Macedo, cortou o cordão umbilical do Padre Cícero numa casa que foi substituída pelo palácio de Dom Francisco" (referia-se ao atual Palácio Episcopal construído por Dom Francisco de Assis Pires, segundo bispo da diocese do Crato). 

      E continua Padre Gomes no seu livro citado: “É corrente que, no chão em que se ergue aquele palácio, havia de fato uma casa, que foi cenário, por exemplo, da recepção do Padre Cícero quando este chegou do Seminário de Fortaleza, ordenado sacerdote, bem como das festas que envolveram a celebração de sua primeira missa. É certo que dita casa pertenceu ao major João Bispo Xavier Sobreira (...) com sua morte a dita casa passou à viúva, dona Jovita Maria da Conceição. Seus herdeiros venderam a casa a esta diocese”.

      Assim, tudo está a indicar que o Padre Cícero veio ao mundo na casinha simples, entre fruteiras, localizada no terreno onde hoje se ergue o Palácio Episcopal. Deixamos nossa sugestão para que o Governo do Ceará e a Prefeitura do Crato providenciem a colocação de uma placa, assinalando o local onde nasceu um dos mais conhecidos sacerdotes católicos do Brasil, o ilustre filho do Crato, Padre Cícero Romão Batista. É uma forma de preservar a memória histórica de Crato, tão ultrajada e descaracterizada por administradores insensíveis e de poucos conhecimentos culturais...

22 março 2019

Por dentro do sonho - Por: Emerson Monteiro


Essa porta do universo mais íntimo das criaturas, os sonhos. Olhos por vezes incompreensíveis numa longa viagem aos recônditos de si mesmo. Transes de inferno ou paraíso, somos os próprios passageiros dessas paisagens sem igual aonde nos deparamos com as camadas imensas do ser. Nisso, cruzamos as notass dessa melodia abissal, luz da consciência, raiz do presente dos deuses aos sóis. Bem igualitário, nos levam a mundos ignotos, furnas sepulcrais, pois nos sonhos conversamos face a face, ainda que aprendizes dos códigos da natureza.

Muitas histórias de revelações nascem dos sonhos. Mensagens de fontes sagradas, orientações e avisos valiosos. Diversos nas civilizações, santos e heróis praticam a arte das notícias que eles trazem dos astros e saem vitoriosos nas batalhas, vida afora. Acordes no merecimento das pessoas, chegam na hora certa; os sortilégios e presságios; anelos de salvação de crises, amarguras e dúvidas.

Há notícias constantes dos sonhos quais instrumentos de transformação dos destinos de grupos inteiros, à força dos empreendimentos e movimentações. Existem, inclusive, métodos de avaliação dos símbolos oníricos a fim de mostrar o resultado das mensagens que recebem seus autores, na leitura dos sonhos. Métodos de anotar para poder depois recordar as partes que, de comum, ficariam perdidas na memória. Existem os sonhos lúcidos, daqueles que sabem que sonham e nem por isso acordam e prosseguem nas funções e descobertas no território dos sonhos, verdadeiros pesquisadores do conteúdo interior da humana existência. Viajam por dentro dos segredos da sorte e vasculham o vale das sombras, escafandristas dessa terra de ninguém em que habita o Inconsciente, matéria prima das compreensões.

Sonhos de duas espécies, os da mente em atividade diária, os sonhos de rotina, superficiais, somatório despretensioso das emoções cotidianas; e os sonhos maiores, formados de conteúdos profundos, provenientes dos mistérios superiores. Aqueles neutralizam e descarregam excessos nervosos; enquanto estes significam respostas necessárias ao processo evolutivo dos Espíritos nas lides da evolução.

19 março 2019

Um fenômeno que pensa - Por: Emerson Monteiro


Meros estágios, pois, de uma mesma onda, assim são os humanos, movimento que pensa à medida que presencia o teor das ocorrências em constante transição, eles, fronteiras entre o tudo e o nada. Detalhes de todo inexistente, avistam na ilusão o sentido de a avaliar que existem, forma de controlar o incontrolável, que, de dentro dessa aparente realidade, resiste ao fim daquilo que nada resta, nem o nada absoluto por inteiro, muito menos o tudo.

Nesse lusco-fusco das inexistências em que sobrevive um turno, aparências em queda livre, no decorrer das situações de viver, de tal modo sequenciam o aprendizado que os levará à descoberta definitiva da razão de estar aqui. Foram (serão) frações de incontáveis sustos qual mostram na face diante dos instantes e logo ali somem de ninguém mais saber aonde desapareceram. Segundos em ação no instante das percepções, que só se desfazem no ar da imaginação impertinente.

No entanto há que contar, saber das consciências que acendem e apagam o transcorrer das vivências. Enquanto formam conceitos, concepções e registros, seriam quem que anota o tempo e o espaço, meros fatores de composição em decomposição, do gesto ao inexistir. O tempo, que some; o espaço, que se desfaz à medida do tempo que fora; e a presença dos seres que reconhecem neles tais sinais, através de sensações e emoções, a formular pensamentos e sucumbir perante a própria sorte impossível de continuar e conhecer logo depois do que acontece.

Eles, nós, fenômenos naturais da humana consciência desta inconsciência, imagens das ilusões em desfalecimento, contudo persistem no querer das percepções, enquanto as ondas agitam o mar de mil histórias, detalhes e fragmentos dos átomos e das partículas desfeitas e refeitas à medida que buscam superar o desfalecimento continuado, sucessivo.

O furor intenso dos elementos, no panorama das horas, bem significa motivos originais das idas e vindas que preenchem as existências e nutrem de sabor original as circunstâncias e os prazeres da consciência na busca de dominar o fugidio, santificar a si e os segredos do Universo.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

18 março 2019

O Tiro de Guerra do Crato realizou solenidade de matrícula e a apresentação dos novos atiradores


Valdemir Correia de Sousa é o patrono da turma de 2019.




O Tiro de Guerra do Crato (10-004) realizou a Solenidade de Matrícula e a apresentação dos novos Atiradores que estarão cumprindo o Serviço Militar Inicial no ano de 2019, na sexta-feira (15), em suas instalações. Foi uma noite de muita emoção no cumprimento dos ritos do Exército Brasileiro.


A solenidade, presidida pelo Subtenente Josenildo Batista de Araújo, Chefe de Instrução do Tiro de Guerra de Crato, também contou com a participação do prefeito e diretor do TG 10-004, Zé Ailton Brasil; de Paulo Jonathan Lins Feitosa, 1º Tenente e representante do Comandante do 3º Batalhão de Engenharia de Construção – Picos/PI; do Subtenente José Dácio Lopes; Chefe da Instrução do Tiro de Guerra 10-005 – Juazeiro do Norte: do 1º Sargento Ângelo Márcio Pereira Martins, Instrutor do Tiro de Guerra 10-005 – Juazeiro do Norte; dentre outras autoridades militares; secretários municipais; amigos e colaboradores do TG, familiares e amigos do atiradores, além da imprensa local.

O Portão das Armas foi aberto, dando início a solenidade. Em seguida, o efetivo matriculado deu entrada no pátio de formatura, marcando o ingresso dos novos atiradores no Tiro de Guerra do Crato. Os atiradores adentraram em trajes civis, depois realizaram a troca pela farda camuflada, a qual ostentarão durante o ano de instrução, materializando com este ato, a transformação de civis em militares do Exército Brasileiro.

Vários amigos e colaboradores do TG 10-004 foram homenageados durante a solenidade, reconhecendo a sua importante atuação junto à instituição, dentre eles, o empresário Valdemir Correia, também patrono da turma de 2019. Também foram homenageados Francisco e Luciano Pierre, Antônio Vicelmo e César da Coelce.

O Subtenente José Dácio Lopes fez a leitura da mensagem do Comandante do Exército brasileiro para os atiradores, destacando os principais avanços nesta nova etapa da vida desses jovens. “Serão pilares para a liderança sadia no seu retorno à sociedade. Neste curto período, dediquem-se em absorver todos os ensinamentos dos militares mais antigos e mais experientes, na busca de mais oportunidades, bem como aproveitem este ciclo pessoal para seu crescimento e fortalecimento”.

O prefeito Zé Ailton iniciou suas palavras parabenizando o trabalho do TG em Crato. Em seguida, também parabenizou o patrono da turma, Valdemir Correia. “Não teria um cratense melhor para ser o patrono desta turma. Vocês (atiradores) devem estar muito felizes por terem um grande homem à frente da turma e que tem dedicado muito esforço para o bem do município do Crato”. A Banda de Música também foi destacada pelo prefeito. “A banda alegra e embeleza nossos dias, nossos eventos”.

“Hoje, como foi dito, é um dia ímpar na vida de vocês, de alegria, porque dentre muitos jovens, vocês foram os 100 escolhidos em um processo muito criterioso. É um momento de aprimorar os aprendizados que você tiveram com os pais de vocês, na igreja ou na escola. A ética, a cidadania, o amor ao próximo, o amor ao nosso país, a união, a força, a determinação, a garra, a coragem e, acima de tudo, o patriotismo serão fortalecidos entre vocês”, finalizou o prefeito.

Na ocasião, também prestigiou a solenidade a primeira dama do município, Aldalice Pinheiro.













Fonte: Governo Municipal.
Algumas fotos da autoria de Dihelson Mendonça
Via BLOG DO CRATO


17 março 2019

As dimensões da Consciência - Por: Emerson Monteiro



Os tantos níveis da compreensão dos humanos deixam margem a classificar eles serem distribuídos em diversos graus de aceitação da mesma realidade, porquanto nem os dedos das mãos são iguais Há de quase tudo nesse universo das pessoas. Até parecem espécimes de raças estranhas e em conflito. Ora reagem pelos pés, ora pela cabeça, nos diferentes campos das experiências, desde guerreiros e pacifistas, a crápulas e santos.


Do zero ao infinito, pois, vagueiam feitos senhores do inevitável e dançam nas incertezas das noites, sujeitos da sorte e do inesperado que plantam e colhem à medida que clamam por liberdade. Vadios no mar aberto das circunstâncias, só preenchem as gerações e abusam das aparências que sustentam enquanto vivem as cotas de viver.

Tais dimensões escorrem dos lábios, semelhantes aos pendores nascidos no instinto e na inteligência, quais fossem de verdade, sendo, no entanto, meros fantoches da dúvida. - Será que estou certo? Eles são muitos, de tamanhos e cores, caprichos e pendores, vilões e mocinhos, nadas em formação, nuvens do espaço e do tempo.

...

Querer pensar em errado e certo agora significa tão só dois hemisférios da existência indivisível, lá na faixa estreita dos trilhos da Lei, encontro deles dois tarde ou cedo, quando ver-nos-emos face a face com a real fisionomia da Consciência. Dias enormes de chances que fecham, as portas apenas mostram o travo das palavras atiradas pela janela, vindas do coração da gente nas paixões. Seremos, sim, deuses que, contudo, já o somos, porém na proporção das realizações que as histórias determinam, habitantes dessas amarras que, soltas, voam pelo firmamento, bólides acesas em fórmulas esquecidas. O que parecia estágio definitivo vira, em poucas horas, traços nos céus, e nunca mais será o que antes fora.

Construção de cinema no Crato está paralisada há mais de um ano


Fonte: “Diário do Nordeste” – Por Antoônio Rodrigues, 17 de Março de 2019 

local onde seria construído o cinema

A previsão de inauguração das duas salas de cinema era para maio de 2018. O impasse quanto ao local de instalação da estrutura física afetou o cronograma das obras que segue sem prazo para conclusão 

Há mais de um ano, tapumes cercam parte do Largo da RFFSA, no Crato. Dentro dele, areia e tijolos abandonados assistem o mato tomar de conta. Lá, é onde deveriam ser erguidas duas salas de exibição pelo projeto Cinema da Cidade, da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult), em parceria com a Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Porém, as obras estão paralisadas desde março do ano passado, após recomendação contrária emitida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desde então, um novo local para sua instalação tem sido discutido.

O Crato foi uma das 10 cidades do interior cearense contempladas com a construção de um cinema. O município receberá duas salas que comportam 210 e 105 lugares em ambiente climatizado com instalações modernas. Orçada em R$ 2.169.524,00, a ordem de serviço foi assinada em outubro de 2017 e a previsão de entrega era maio do ano passado. Em contrapartida, as prefeituras municipais cederam os terrenos para a edificação do equipamento.

Inicialmente, o Mercado Central foi escolhido, mas por opção do prefeito, que pretende revitalizar o equipamento, foi descartado. Então, em audiência pública, foi escolhido o Largo da RFFSA, próxima a antiga estação ferroviária - hoje Centro Cultural Araripe.

O largo da RFFSA, onde está erguido a antiga estação ferroviária, sofreu intervenções "modernas", como as obras de urbanização e pavimentação, além da construção do Restaurante Popular e da Biblioteca Pública, ambos inaugurados em 2010. Mesmo assim, o processo da tutela pelo Iphan daquele espaço encontra-se em tramitação.

Apesar de atender algumas exigências da Secult e da Ancine - como a proximidade a centros culturais, áreas de periferia, praças, hotéis, restaurantes, pontos de transporte coletivo e fácil acesso - os técnicos do Iphan acreditam que a construção das salas no largo da RFFSA poderia comprometer a visibilidade de seu conjunto arquitetônico em suas especificidades e características, assim como sua importância histórica e econômica no contexto da cidade. A Secult acatou o parecer e decidiu suspender a obra.

Em nota, a Secult informou que a escolha do novo local que abrigará o cinema ainda está em fase de definição e análise pela Pasta e pelo Departamento de Arquitetura e Engenharia do Ceará (DAE). Contudo, o secretário de Cultura de Crato, Wilton Dedê, acredita que o Parque Pedro Felício Cavalcante, onde acontece a tradicional Expocrato, deve ser o lugar escolhido. Vamos definir em reunião".

Já sobre os entulhos, areia, tijolos e tapumes deixados há mais de um ano no largo da RFFSA, Dedê antecipa que foi feita uma licitação para a retirada do material de construção e recuperação da área. Antes disso, por conta própria, a Prefeitura de Crato fez manutenção e limpeza no espaço. "A gente quer que resolva tudo antes do primeiro semestre. A decisão do novo local está aberta ainda", completa.

Nos outros nove municípios, a Secult informou que o projeto "Cinema da Cidade" segue com suas ações normalizadas e em andamento das atividades. O projeto encontra-se licitado em todos os municípios e em análise pela Caixa Econômica Federal (CEF) e pelo DAE. Ao todo, serão 20 salas construídas em cidades com mais de 20 mil habitantes que não possuam este tipo de equipamento. Os outros municípios contemplados são: Amontada, Aquiraz, Canindé, Cedro, Crateús, Iguatu, Itaitinga, São Benedito e Tauá. O investimento é de R$ 20 mi pela Ancine e R$ 12 mi pela Estado.
O Município do Crato é a único, dentre os dez que receberão salas de cinema do projeto "Cinema da Cidade" do Governo do Estado, que está com as obras paralisadas. O atraso já dura mais de um ano.

16 março 2019

Para você Refletir! - Por Maria Otilia.


Temos percebido que esta nova geração é a “turma “do imediatismo Não existe planejamento para as suas conquistas, e quando não conseguem seus objetivos imediatos,  na maioria das vezes buscam  externar a sua raiva,  sua decepção,  agride os outros ou  a si próprio. Dai o grande número de suicídios entre jovens. Postamos um pequeno conto para fortalecer nossa reflexão. Boa Leitura.

“Existe um ditado árabe que diz: “Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras”!”

Isso porque, antigamente, as tamareiras levavam de 80 a 100 anos para produzir os primeiros frutos. Atualmente, com as técnicas de produção modernas, esse tempo é bastante reduzido, porém o ditado é antigo e sábio.

Conta-se que certa vez um senhor de idade avançada plantava tâmaras no deserto quando um jovem o abordou perguntando: “Mas por que o senhor perde tempo plantando o que não vai colher?”. O senhor virou a cabeça e, calmamente, respondeu: “Se todos pensassem como você, ninguém colheria tâmaras”. Ou seja, não importa se você vai colher, o que importa é o que você vai deixar... Cultive, construa e plante ações que não sejam apenas para você, mas que possam servir para todos e para o futuro.
Autor desconhecido


Para você Refletir ! -Por Maria Otilia


Nestes últimos dias, vivenciamos fatos lamentáveis de atentados  com grande número de vitimas fatais. Um destes foi em Suzano-SP, quando jovens invadem escola e matam muitos alunos e servidores. O outro ataque a uma Mesquita na Nova Zelandia, E ficamos nos perguntando qual a causa de tanta violência. No primeiro caso, podemos perceber que falta a efetiva vigilância dos pais em relação ao comportamento dos filhos e a segunda a forte cultura da intolerância entre os povos. Vamos refletir a partir de uma fabula sobre intolerância. Pois  esta não aceitação do outro como ele é, com suas crenças, seus valores, sua forma de pensar, até parece que agride o outro. E como pais e educadores temos o dever de trazer para dentro de nossas casas e da nossa sala de sala de aula, um repensar, a construção de uma forma diferente de ver o outro. Atitudes de respeito, de compreensão, de valorização da vida, de aceitação das diversidades. etc. Boa Leitura!
                                        O Menino que Pregava Pregos
Era uma vez um menininho que tinha um mau temperamento. O pai dele deu um saco de pregos a ele e disse que para cada vez que o menino perdesse a calma, ele deveria pregar um prego na cerca. No primeiro dia, o menino pregou 17 pregos. Nas semanas seguintes, como ele aprendeu a controlar seu temperamento, o número de pregos pregados na cerca diminuiu gradativamente… Ele descobriu que era mais fácil se segurar do que pregar aqueles pregos na cerca. Finalmente o dia chegou quando o menino não perdeu a calma mesmo. Ele então falou a seu pai sobre isto e o pai sugeriu que o menino agora tirasse da cerca, um prego por cada dia que ele não perdesse a calma. Os dias passaram e o menininho então estava finalmente pronto para dizer a seu pai que tinha retirado todos os pregos da cerca. O pai então o pegou pela mão e foram até a cerca. O pai disse: ”Você fez muito bem, meu filho, mas, veja só os buracos que restaram na cerca. A cerca nunca mais será a mesma! Quando você fala algumas coisas com raiva, elas deixam cicatrizes como esta aqui. Você pode enfiar a faca em alguém e retirá-la. Não importa quantas vezes você diz ‘desculpe-me’, a ferida ainda está lá. Um ferimento verbal é a mesma coisa que um ferimento físico.
“Convivemos e trabalhamos com as pessoas todos os dias de nossa vida”. Como tratamos estas pessoas?
Como nos relacionamos com elas?
O que esperamos delas? O que oferecemos para elas?
Quantas vezes você cumprimenta, ou agradece, ou mesmo demonstra com um gesto de carinho, a satisfação desta convivência e troca diária?
Quer ser feliz? Então, aja para isso!
Comece a mudança por você interiormente, em atitudes, que tudo ao seu redor mudará.
Pense nisso. Autor desconhecido.

Teresa Cristina: a terceira Imperatriz do Brasil, essa desconhecida --- por Armando Lopes Rafael



   Pouca gente sabe que o nome de Teresina, capital do Piauí, foi dado numa homenagem a Imperatriz Teresa Cristina. Esta, teria intermediado junto ao seu esposo, o Imperador Dom Pedro II, a ideia de mudança da então capital so Piauí, a cidade de Oeiras, localizada no alto sertão e sempre assolada por secas periódicas, para outra cidade a ser construída ao lado do Rio Poti.     Teresina é o início do nome TERESa, com o final de CristINA. Teresina foi a primeira cidade planejada que foi construída no Brasil.

   Nascida em Nápoles-Itália, em 14 de março de 1822, no berço da família Bourbon, Teresa Cristina chegou ao Brasil em 1843, com 21 anos. O casamento com D. Pedro II ocorrera por procuração, em 30 de maio daquele ano, na Real Capela Palatina, em Nápoles.


    Para que a aureola de sua esposa não fosse trocada pela coroa de espinhos, o Imperador Dom Pedro II aconselhou-a, com prudência e sabedoria, a limitar-se à sua dupla missão de esposa e mãe, e que nunca atendesse a pedidos de favores de quem quer que fosse, pois para cada pretendente servido haveria dúzias e centenas de pretensões malogradas.

    A Imperatriz Dona Teresa Cristina assim o fez. Sempre que se atreviam a importuná-la com pedidos, dizia:
– Isso é lá com o Imperador.

     Somente em 1998, quase um século depois de sua morte, é que Teresa Cristina foi homenageada pelos brasileiros – com uma exposição no Museu Imperial de Petrópolis – quando foi tratada como “A Imperatriz Silenciosa”.

***   ***   ***


     Por fim, encerrando esta croniqueta, faço minhas, as palavras de uma postagem do Face Book da Pró Monarquia (https://www.facebook.com/promonarquia/):

“A Mãe dos Brasileiros
   Nos quarenta e seis anos em que viveu entre nós, realizou a Augusta Senhora Dona Teresa Cristina, terceira Imperatriz do Brasil, o perfeito protótipo de virtudes cristãs, pelo que lhe coube o título de “Mãe dos Brasileiros”, no consenso unânime de todos os corações do nosso povo. A Imperatriz, nascida Princesa Real das Duas Sicílias e criada naquele Reino italiano, rapidamente se adaptou ao novo ambiente. Seu completo alheamento em relação à política, sua generosidade para com os necessitados, seu sorriso terno e o trato sempre amável que ganharam a admiração do povo. A Mãe dos Brasileiros foi, sem sombra de dúvida, a mulher mais popular e respeitada em todo o Império."

(Baseado em trechos do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier).

15 março 2019

A roda do destino - Por: Emerson Monteiro


Numa espécie de prisão aberta a que se submetem os humanos, ora estão em cima, ora embaixo, feitos fantoches de uma roda gigante de proporções monumentais que envolvem o Universo inteiro, e mais houvesse a envolver que fosse. Todos os seres, afinal, vivem nisto, sob as iguais condições de realizar o segredo adormecido das eras. Não nos cai único cabelo da cabeça, folha de uma árvore, sem a permissão de uma Lei... 

A isso chamam carma, ou lei do retorno, ou de causa e efeito, de reciprocidade, justiça, justiça, justiça... Em que lugar aonde fugir, esconder das peripécias e armadas este mundo interno, inexistência absoluta de saída; só o imenso, silencioso, território das atitudes a sol aberto, na manhã das histórias e dos vazios contundentes.

Quem planta o bem, colhe o bem; que faz o mal, nada tem, diz o poeta. Viver permite experimentar no bom senso os resultados que a ninguém deixam de fora, no correr das aventuras siderais. A caverna de Aladim e a busca da lâmpada maravilhosa da sorte amiga. Às apalpadelas, senhores da escuridão percorrem as paredes do inesperado, quase nunca dotados de coerência, amor, paciência.

...

Plantar, experimentar, sofrer, ter prazer, sonhar, viver, continuar, sofrer, alimentar, existir, imaginar, sentir, caminhar, semear, somar, conhecer, sofrer, conhecer, vivenciar, ensinar, aprender; círculos e movimentos espiralados em volta de si e dos demais. Vez em quando, acertar, esquecer, prosseguir, investir, expandir na consciência. Descobrir a essência que em tudo contém.

Desde as primeiras impressões, as pessoas sentiram essa possibilidade da revelação de novas descobertas na face dos mistérios. Aos poucos, crescem no desejo de identificar a justa solução dos dramas com que se deparam. Nutrem sacrifícios, vaidades, experiências, em troca das virtudes que iluminam o caminho da fortuna. Desfazem as ilusões dos apegos e abrem portas aos valores de filosofar e crer. Vem sendo assim desde o início, olhos abertos, inesperado e heróis, enquanto giram os céus noites sem fim. Olhos presos nas estrelas, vasculham as entranhas da alma na busca da felicidade... Criaturas, gerações e circunstâncias; à roda destas aventuras... Enquanto giram os céus, noites sem fim.

14 março 2019

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


1) Os Bezerra de Menezes: a saga de uma família aristocrática

  
 
 Brasão da Família Bezerra
    O jornalista e escritor Carlos de Laet, em artigo publicado no “Jornal do Brasil”, do Rio de Janeiro, edição de 15 de novembro de 1914 escreveu: “Há uma nobreza do sertão (cearense) que estuda e sabe a sua genealogia. A família Bezerra (de Menezes) é nobre, em todo o rigor da acepção. (...) Sei que a “democracia” desdenha estas cousas: – e o mais curioso é que, ridicularizando questões genealógicas, no tocante à raça humana, cuidadosamente registra as procedências ancestrais dos cavalos de corrida. Supinas congruências democráticas!”.

     Alguns membros desse clã chegaram ao Cariri cearense e aqui fizeram história, iniciada com a figura emblemática do seu mais expressivo representante– o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Este título foi outorgado a Leandro pelo Imperador Dom Pedro I, em reconhecimento à lealdade do grande caririense à causa monárquica, no episódio da Revolução Republicana Pernambucana de 1817.

       Tinha razão Carlos de Laet. Já os historiadores Daniel Walker e Renato Casimiro escreveram o livro  “A Família Bezerra de Menezes– Fundação e Desenvolvimento de Juazeiro do Norte” (ABC Editora, 2011– 319 páginas) onde conta a saga desse clã aristocrático, oriundo da península Ibérica, e que se transportou para o Brasil no início da nossa colonização.

      Alguns membros desse clã chegaram ao Cariri cearense e aqui fizeram história, iniciada com a figura emblemática do seu mais expressivo representante–o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro.

2) Presença dos Bezerra de Menezes na Monarquia e na República brasileira

     Plínio Corrêa de Oliveira  definiu muito bem o papel dessas famílias rurais nos albores do Brasil: “A Coroa portuguesa, movida pelo desejo de estimular o plantio da cana-de-açúcar – e assim consolidar a colonização e o povoamento do território, como também auferir ganhos econômicos – concedeu aos plantadores, que tivessem nas suas terras os engenhos apropriados para a produção do açúcar, algumas prerrogativas da antiga nobreza. Estes plantadores – "Senhores de Engenho" – vieram a constituir uma classe aristocrática, uma nobreza de fato".

     Descendentes do Brigadeiro Leandro, os filhos do casal  José Bezerra de Menezes e Maria Amélia – que viveu em Juazeiro no século passado – ocuparam todos os cargos políticos da República, à exceção apenas da Presidência e Vice-Presidência do Brasil. Senão vejamos: Alacoque Bezerra foi Senadora; Adauto, Humberto e Orlando (cumpriram mandatos de Deputados Federais); Adauto Bezerra foi, ainda,  Governador e Vice-Governador do Ceará; Também Humberto foi Vice-Governador do Estado; Orlando e Adauto foram ainda deputados estaduais; Humberto e Orlando foram Prefeitos de Juazeiro e Leandro foi vereador nessa cidade.

Caririenses ilustres: O Juiz de Direito intelectual


   José Flávio Bezerra Morais (foto acima)  é o Juiz de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Crato. Além da fama de uma pessoa correta ele é portador da fama de ser um bom intelectual. É autor de mais de dez livros, dentre eles: “Milagres do Cariri” (1989); “Histórias que ouvi contar” (1993); “Histórias de exemplo e de assombrações” (1997); “Nas veredas do fantástico” (2002). Sobre o Padre-Mestre Ibiapina já escreveu dois livros: o romance “A Sombra do Laço” (que está na segunda edição) e a biografia “Padre Ibiapina: histórias maravilhosas”. Atualmente está escrevendo uma obra sobre o Imperador dom Pedro II, ainda hoje considerado “O maior dos brasileiros”.



    Flávio Morais nasceu em Milagres (CE) em 1970. Já foi Juiz de Direito no Estado da Bahia (entre 2004 e 2005). Mas a saudade telúrica o fez fazer concurso para exercer idêntica função no seu estado natal. Exerce também o magistério no curso de Direito da Universidade Regional do Cariri. Por conta do que escreveu participou da 44ª Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil, em Bologna, Itália. Pertence a diversas entidades culturais, dentre elas o Instituto Cultural do Cariri. Trata-se de um intelectual de valor, além de um homem de bem a toda prova.

O Cariri é um exemplo de sucesso na produção de frutas irrigada

    A empresa agrícola Sítio Barreiras, localizada no município de Missão Velha, surgiu, em 1996, fruto da ousadia dos seus fundadores. Trata-se da pioneira em bananicultura no Cariri. Hoje, a empresa mantém centros de distribuição da sua produção em Fortaleza, Recife, Salvador, Teresina e Feira de Santana. Além do centro de produção de Missão Velha, a empresa Sítio Barreiras mantém centros, também, em Cajuapara (no Maranhão) e Ponto Novo, na Bahia.

     O Sítio Barreiras foi premiado no Great Place to Work 2014 no Ceará e, em 2015, no Ceará e também na Bahia.

Municípios do Cariri: Abaiara

 Igreja Matriz do Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, na cidade de Abaiara

      A elevação à categoria de vila, da atual cidade de Abaiara, ocorreu através do Dec.Lei nº 448, de 20 de dezembro de 1938, com o nome oficial de “Pedro Segundo”, em homenagem ao segundo Imperador do Brasil.  Naquela época a República ainda tinha certa credibilidade e o patrulhamento ideológico contra as coisas da Monarquia era mais forte do que hoje. Daí porque o nome Pedro Segundo foi substituído por “Abaiara”, que, na língua indígena, significa: “Homem Ilustre”. Dessa maneira, ainda de forma dissimulada, Abaiara continua homenageando o Imperador Dom Pedro II. Já a sua elevação à categoria de Município deu-se consoante Lei nº 3.921, de 25 de novembro de 1957, vindo a ser instalado a 25 de março de 1959. 

        Trata-se de um município pequeno, cuja economia provém das atividades agrícolas. Tem como Padroeira o Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, a única denominação de paróquia do Cariri.

Peças valiosas do patrimônio histórico-artístico-religioso do Cariri

 Imagenzinha da Mãe do Belo Amor, a primeira a ser venerada em Crato, à época da Missão do Miranda


   Existem na Catedral de Crato três imagens da Virgem Maria, as quais –ao longo da existência desta cidade – foram veneradas como Padroeira. Todas, esculpidas em madeira, encontram-se em excelente estado de conservação. A origem da atual Catedral da Diocese de Crato remonta a uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, construída, por volta de 1740,  por Frei Carlos Maria de Ferrara (frade capuchinho)  dedicada à Santíssima Trindade e, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha e a São Fidelis de Sigmaringa (Padroeira e Co padroeiro de Crato, respectivamente). Durante os 379 anos de existência de Crato, essas três imagens da Virgem Maria compartilharam do cotidiano dos fiéis católicos residentes na cidade citada.


"Imagem Histórica" de Nossa Senhora da Penha, a segunda a ser venerada

   A primeira é uma pequena estatueta, conhecida como A Mãe do Belo Amor, medindo cerca de 40 centímetros que foi venerada de 1740 – primórdios da Missão do Miranda, núcleo urbano que deu origem a Crato – até 1745, quando aqui chegou a – segunda imagem, doada pelos frades capuchinhos do Convento da Penha de Recife. Esta segunda imagem – chamada histórica – havia chegado a Recife em 1641, aprisionada que fora por corsários protestantes, na costa da Guiné – na África – e transportada para a capital do o então Brasil Holandês.
Terceira e atual imagem de Nossa Senhora da Penha, a "Imperatriz e Padroeira" dos cratenses

    A terceira (e atual) foi adquirida em 1921, pelo primeiro Bispo de Crato, Dom Quintino. No entanto essa bela escultura ficou guardada durante 17 anos, pelo fato de a população cratense não ter aceitado a substituição da segunda imagem. Introduzida no altar-mor somente em 1939, pelo segundo Bispo de Crato, Dom Francisco Pires, a atual estátua vem sendo venerada há 80 anos como “Imperatriz e Padroeira” de Crato e da Diocese.

12 março 2019

A teia dos pensamentos - Por: Emerson Monteiro


Máquinas de criar existências, eis o que somos de juntar pedaços de significados e elaborar os dias inevitáveis do horizonte; instrumentos da natureza de retrabalhar os elementos dos sentidos e dizer a nós próprios a que viemos. Conter a química dos momentos e aferventar a ração diária das horas em forma de realidades, em detrimento da grande realidade que permanece incógnita sob a pele do firmamento, enquanto a que criamos quando muito ficará restrita às memórias de quem escreve, fotografa, grava, filma, e larga às hostes do passado, deixando, nas plataformas do tempo, estações sucessivas que se vão intermitentes pela janela do comboio.

Nós, entretanto, fazemos caso do pouco que nos cabe desses valores em movimento; corremos contra a fluidez dos episódios insistentes, lições continuadas de persistência; desejos de prosseguir além das barreiras do depois; só desejo, mera soma de fatores e fragilidades; nós, cavaleiros errantes do presente, sombras que deslizam apressadas na tela dos pensamentos. Às vezes pergunto o que restará dos fragmentos nas refeições de todo dia, quando nem de ontem nos lembraremos de mais?

Bom, mas insistem os pássaros a cantar, a flores a florir, o Sol a percorrer os céus; aonde dirigiremos tanta aflição de permanecer durante a faina do constante desaparecimento? Quantas músicas, livros, filmes, histórias, esperam de nós a compreensão, sabor e felicidade? Expedicionários do destino, pois, tangemos esses rebanhos das circunstâncias e sonhamos viver eternamente diante do fugidio que, esplendoroso, passa ritmado.

Ainda assim herdeiros da beleza universal que desfrutamos, no mistério do Paraíso das existências e usufruir do poder de ser infinito sem saber, à medida que interpretarmos o enigma da Consciência seremos parceiros fieis da Criação e tocaremos a valsa do instante, senhores de Si, porém que haverão de conhecer o segredo das virtudes logo ali nas dobras do caminho. Luzes em crescimento, nisso elaboramos a finalidade que nos traz aqui e alimenta, generosa, o jardim das nossas almas, filhos diletos do Amor maior.


(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

Mundo de ficção - Emerson Monteiro


Mas, que outro se não esse daqui, palco da mais pura ficção, aonde os seres jamais morrem, e sim se encantam feitos pedras sagradas?! Eles, os alienígenas do espaço que fogem apressados quais farsas debaixo das nuvens, nas horas, e só desaparecem livres. Somem, simplesmente, astros de outras histórias que, de uma hora a outra, resolvem aceitar que autores os excluam da memória dos deuses e do capítulo seguinte, aqueles tais que antes fizeram a alegria de gerações inteiras, nos programas de auditório dos domingos à tarde, ou das tiras matutinas dos jornais, nas segundas-feiras. Surpresas desfeitas no ar, espécies de mágica de saltimbancos alucinados em feiras distantes, e nem apresentam as derradeiras cenas de despedida; só vão embora pelas portas dos fundos, e nunca mais.

São que nem peças de museus abandonados depois das guerras; elas viram sucatas de ponta de rua, largadas nas calçadas dos ferralheiros embriagados, ainda com o odor esquisito de fumo velho misturado a incenso das farras escurecidas, sombras das chuvas ao soluço do Verão. Isto que significa longas trajetórias das epopeias clássicas, heróis adormecidos e amarrados na popa dos barcos, a que nunca escutem o canto das sereias, restos de paixão e desengano.

Esses tais passageiros da agonia quando aqui descobrem, pois, que podem encantar-se nos mistérios gozosos, souvenires de antigas civilizações, saem conduzidos no bojo das naves interplanetárias. Bom saber quando descobrem o senso dessa imortalidade ainda durante o correr das luas; nisso, bem viver os acordos de paz e dormir sobre as vestes imundas de si póprios, lá longe dos temores e pesadelos. Mártires de lendas fantásticas alimentadas séculos para sempre, serão senhores de vida e morte, agora que encenam felizes diante da Eternidade. Nós, criaturas às vezes desumanas que passeiam pelas veredas da Sorte, os salvos que a isto esperam até o momento de regressar aos braços carinhosos da divina Consciência. 

(Ilustração: Foto, Emerson Monteiro).

11 março 2019

Jornalista Huberto Cabral agraciado com o Doutor Honoris Causa da URCA


O reconhecimento a uma das personalidades históricas do Crato e do Cariri ocorreu na última sexta-feira, 8, com a entrega do Título de Doutor Honoris Causa ao jornalista e cerimonialista, Huberto Cabral, considerado uma ‘enciclopédia viva’ da história regional. Aprovado por unanimidade pelo Conselho Superior da Universidade Regional do Cariri (URCA), a outorga ocorreu em solenidade presidida pelo Reitor da Instituição, José Patrício Pereira Melo.

Durante a cerimônia, Huberto Cabral também recebeu a Comenda Bárbara de Alencar, a maior do Município do Crato, entregue pelo prefeito do Município, José Airton Brasil, além dos diplomas da Câmara Municipal do Crato, Mérito Legislativo e Jornalista João Brígido dos Santos, e a Comenda Irineu Pinheiro, do Instituto Cultural do Cariri – ICC. A solenidade contou com a presença de autoridades como o vice-reitor da URCA, Francisco do Ó Lima Júnior, Bispo Diocesano, dom Gilberto Pastana, além do prefeito de Juazeiro do Norte, Arnon Bezerra, familiares, amigos e intelectuais da região, jornalistas e convidados.

O título foi sugerido pelo artista, cantor e escritor Luiz Carlos Salatiel, com reunião do Consuni presidida pelo vice-reitor da URCA. A apresentação do outorgado foi realizada pelo proponente, professor da URCA e historiador, Carlos Rafael.

A abertura e condução da solenidade foi realizada pelo jornalista Antônio Vicelmo, colega de rádio de Cabral, que destacou um pouco da trajetória do comunicador, além historiador e cronista. “O seu trabalho constituiu o resgate das efemérides históricas, políticas e educacionais do Crato e do Cariri”, afirmou.

Huberto Cabral foi lembrado em suas funções, quando esteve à frente da assessoria de comunicação da URCA, prefeitura do Crato e Diocese, entre outras atividades desenvolvidas em grande parte de forma voluntária, sem remuneração, em prol do fortalecimento e divulgação das instituições e do Cariri.




Saudações ao outorgado - As saudações ao agraciado foram realizadas pelo médico e escritor, José Flávio Vieira, integrante do Instituto Cultural do Cariri. Ele destacou a importância da preservação da história pela universidade, ao citar o relevante trabalho desenvolvido por Huberto Cabral, concedendo o título de doutor a uma das mentes mais privilegiadas nascidas ao sopé da Chapada do Araripe.

Ele pontuou que Cabral foi figura presente nos grandes acontecimentos do Crato, nos últimos 60 anos. “A URCA hoje não reverencia apenas o mais importante repórter de nossa história, o mais importante memorialista, uma testemunha viva da história dos últimos 60 anos, mas oficializou-se um grau de doutor, que já lhe tinha sido outorgado pelos intelectuais e pela população mais humilde deste vale”, disse ele.

O escritor José Flávio utilizou-se do humor refinado em seu discurso, ao destacar, no auge dos 82 anos de vida do homenageado, que o Geopark Araripe acabou de descobrir o fóssil raro de pterossauro, o Humbertossauro Cabralis, destacando a relevância do novo doutor da universidade.

O proponente do título, professor Carlos Rafael, estimulado pela solicitação do artista Luiz Carlos Salatiel, destacou na trajetória profissional, importantes momentos da história do Cariri vivenciados por Huberto Cabral, incluindo a sua relevância para a comunicação do Crato e da região do Cariri, presente na instalação dos meios de comunicação da região, incluindo a primeira rádio dos Diários Associados inaugurada no interior do Estado, a Rádio Araripe do Crato, com a presença do magnata da comunicação brasileira, o paraibano Assis Chateaubriand, dono de um dos maiores conglomerados de veículos de comunicação da história do Brasil.


Ela ainda salientou que o título, ao lado de outras honraras recebidas por Cabral, refletem o brilhantismo de sua história, devotado à causa pública e ao progresso cultural e intelectual de nossa região.

O Reitor Patrício Melo, ao conceder o título de Doutor Honoris Causa em Ciências Humanas a Huberto Cabral, relatou a aprovação por unanimidade em 21 de novembro de 2018, em reconhecimento aos seus importantes serviços prestados à comunidade caririense, ao Estado do Ceará e à URCA, nas áreas da história, comunicação e cidadania.

Surpresa e emoção - Ao destacar a surpresa de saber do título e a emoção de estar na solenidade de entrega da honraria, o outorgado agradeceu a proposição do Departamento de História. “Ao tomar conhecimento da honraria, fiquei pensando a razão e a causa desta honra”, disse ele.



O novo doutor da universidade destacou que em toda a sua vida, nunca tinha visto uma formatura tão rápida. “Entrei nesse salão de atos com muita pompa, portando apenas o meu diploma de formado na faculdade de ciências ocultas e letras apagadas da universidade da vida, e vou sair como Doutor Honoris Causa, sem vestibular. Figurando, ainda, na galeria de honra das mais importantes personalidades já agraciadas com a honrosa comenda, considerando assim a maior desta universidade”, afirmou.


Fonte: Assessoria de Imprensa da URCA.

SAUDAÇÃO FEITA PELO ESCRITOR JOSÉ FLÁVIO VIEIRA A HUBERTO CABRAL POR OCASIÃO DA ENTREGA DO TÍTULO DE “DOUTOR HONORIS CAUSA” PELA UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI- URCA, DIA 08 DE MARÇO DE 2019.

Parece que tudo passa para que recomece
desde o princípio, como se fosse novo, ou se observe
sem levar em conta algo que já existiu
e tampouco aquilo que virá, infindável.
Uma grande destruição, como se tudo se apagasse atrás de nós
a história, as lembranças, os valores existentes
e as imagens que nos governavam.
Alguém nos confidencia: rápido o passado se afasta de nós,
você vê como ele se transmuda, depois põe-se além do horizonte
e talvez nem mais exista, renuncia a tudo que é inútil,
se ainda recordações você preserva.
Mas, se a história passa
(ela própria é narrativa sobre a transitoriedade), algo permanece:
de cada conceito antigo uma ou outra raiz
e os rituais do culto de outrora límpidos em nós,
o diálogo entre nós e os filosofemas anteriores é possível.
No meio da charada contemporânea emerge o algarismo original.
.............................................................................................
Seremos capazes de devolver ao espírito cada centelha,
se agora testemunharmos que “tudo vive”:
o passado dentro do futuro, a sabedoria na loucura,
o conhecimento nas trevas,
e que tudo aquilo que na vida é rubro, vermelho escuro,
branco raiado de paixão, jamais se acinzente.
Miodrag Pávlovitch (1928-2014)
Tradução: Aleksandar Jovanovié


 Eis-nos todos, neste dia festivo, tepidamente abrigados pelos umbrais da Universidade Regional do Cariri, no doce mister de ungir, com o dignificante Título de Doutor, uma das mentes mais privilegiadas nascidas ao sopé da Chapada do Araripe. A honraria parece emergir em mão dupla, quando percebemos, com clareza, que a Academia, desde o seu nascedouro, pôs-se a imantar todo o sul cearense de ciência e sabedoria, mas, principalmente, trouxe consigo a possibilidade única e redentora de ampliar os horizontes humanos, dando instrumentos a pobres e desafortunados, apontando o único Shangrilá possível para o Brasil: A Educação. Um país ainda embebido nas distorções do Colonialismo e que, estranhamente, volta a sonhar com pesadelos que se tinham por superados:  a Escravidão, a perseguição de movimentos libertários e sociais, a chacina de minorias, a censura, a justiça com exoftalmia, o ar rarefeito e plúmbeo. A Universidade, antídoto de tantos desses males, o reverso desta moeda, sofre o garrotilho vil e previsível. Professores são achincalhados, patrulhados, submetidos a salários aviltantes, impelidos a dar ordens unidas ao invés de aulas.  O Conhecimento será sempre revolucionário, a Academia faz-se   o inimigo natural dos déspotas. E aqui estará ela sempre a apontar, alheia aos sátrapas, aos tiranos e aprendizes de verdugos que a Educação é, sim, o verdadeiro Golden Shower de que a Nação necessita.

    Tocou-me o coração, nestes dias, o poema do sérvio Miodrag Pavlovicht, quando a URCA, sem relutância e talvez temerariamente, me pôs nas mãos a difícil missão de saudar o nosso agraciado, nesta solenidade. Pus-me a refletir sobre a postura derradeira de alguns personagens da história. O que teria levado o Soldado de Pompéia a manter seu posto, inflexivelmente, mesmo percebendo a chegada inevitável da lava do Vesúvio?  Que força teria levado tranquilidade ao último índio Cariri, quando enxotado das suas terras para o litoral, e percebeu a chamada de Tupã e o fim inevitável da sua raça? Talvez ambos tenham sentido que era preciso que tudo terminasse para que logo depois tivesse seu recomeço. Ali testemunhavam a vitalidade a cercá-los e a extinção como simples continuação do mesmo ciclo, uma mera mudança vital de estação.  O pêndulo da história transita entre memória e esquecimento. Vezes os pinos de luz incidem em detalhes de um cenário, vezes em outro, ao bel prazer dos iluminadores de plantão, mas a história tem seus próprios ciclos periódicos, seus movimentos de rotação-translação. Há, no entanto, visionários, pessoas que entendem a importância inequívoca destes ciclos e fazem-se testemunhas e repórteres desta gangorra vital. Têm como profissão de fé o manter acesa esta centelha, cientes de que tudo vive, mas que é preciso, cuidadosamente -- como um lírio que se asperge toda manhã -- como disse nosso Miodrag: não deixar que se acinzente tudo que é rubro, vermelho escuro, branco raiado de paixão.

Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa
Se é para nós que cessa. Aquele arbusto
Fenece, e vai com ele
Parte da minha vida.
Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Com tudo quanto vi, se passa, passo,
Nem distingue a memória
Do que vi do que fui.

Ricardo Reis, in "Odes" 

Hoje, a Academia, em festa, abre portas e janelas para reverenciar uma destas figuras icônicas, um verdadeiro totem da Memória caririense. Huberto Cabral dedicou a maior parte dos seus pródigos oitenta e dois anos a acompanhar, registrar e catalogar as histórias oficial e privada do sul cearense. Poderia, simplesmente, ter aceitado, candidamente, o cair das folhas do outono da existência. Refestelar-se-ia na cadeira de balanço, envergando o pijama de bolinha como farda, ao chegar àquela idade tão bem definida por Mário Quintana:

“Antes, todos os caminhos iam.
Agora todos os caminhos vêm
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas”

Tomou para si, no entanto, os anseios de um outro poeta visionário, o irlandês William Buttler Yeats, no “Velejando para Bizâncio”:

“’Um velho é apenas coisa irrelevante.
Trapos sobre um bastão ele é na essência,
A menos que a alma aplauda e alegre e cante
Acima dos farrapos da existência”.

Simplesmente, Cabral buscou o galho mais alto da árvore da vida e pôs-se a entoar seu canto, enquanto o palácio ia ruindo à sua volta.   E fê-lo como uma epifania, sem esperar qualquer reconhecimento ou vantagem quer política, quer financeira. Prestou constante assessoria à maior parte das instituições públicas e privadas da cidade do Crato, nos últimos sessenta anos. Negou-se, peremptoriamente, a receber cargos e comissões. Manteve-se presidente vitalício do seu próprio partido político: PCG - Partido do Crato Grande. Cônscio da história gloriosa da Vila de Frei Carlos, continua lutando diuturnamente para que o nosso passado heroico tenha a força de iluminar e colorir o presente meio dégradé e opaco.

A casa era por aqui…
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.
Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinquenta anos.)
Tantos que a morte levou!
(E a vida… nos desenganos…)
A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa…
– Mas o menino ainda existe.

Manoel Bandeira

Cabral foi figura onipresente em todos grandes acontecimentos do Crato, nos últimos sessenta anos. Fez-se cerimonialista eterno dos nossos maiores eventos: Todas as Exposições Agropecuárias; a inauguração da Amplificadora Cratense; a fundação da Maternidade Dr. Teles e das Rádios Educadora e Araripe; a abertura do Jornal “A Ação”; a instalação do Aeroporto Nossa Senhora de Fátima e do Cine Educadora; a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora da Penha; a alternância dos bispos diocesanos, o advento do Museu Vicente Leite. Fez-se ainda um combatente no front da guerra pela implantação da Universidade Regional do Cariri, junto com as irmãs Sara e Irene. Nos incontáveis episódios de sabotagem política contra o município, esteve eternamente vigilante e pronto a pôr os tanques de guerra em campo pela defesa dos nossos pleitos. Como jornalista, tornou-se o repórter mais importante da história do Cariri e também o mais longevo, acompanhando o desenvolvimento do Futebol cratense, dos nossos carnavais mais tradicionais, das nossas festividades mais populares. Entrevistou os ex-presidentes Castello Branco, Juscelino Kubitschek, Geisel e Sarney; o Papa João Paulo II; a escritora Rachel de Queiroz; inúmeros artistas como Sérvulo Esmeraldo, Bruno Pedrosa, Orlando Silva, Gilberto Alves, Nélson Gonçalves, Gilberto Milfont, Vanderley Cardoso, Luiz Gonzaga; além de incontáveis ministros e praticamente todos os governadores cearenses nas últimas seis décadas.   Deu assessoria e consultoria  por mais de um quartel de século, de forma sempre voluntária, inclusive negando-se, terminantemente, a receber quaisquer tipos  de subsídios,  a nossas mais importantes instituições: Instituto Cultural do Cariri, Sociedade de Cultura Artística do Crato, Diocese do Crato, Câmara Legislativa, Clube de Diretores Lojistas, Crato Tênis Clube, Clubes de Serviços , Associação Comercial de Crato, Tiro de Guerra, Colégios Pequeno Príncipe e Diocesano , CEJA/Crato, CREDE 18, Rádio Educadora, Jornal “A Ação”, Rádio Araripe.

    Huberto, dizem os amigos, tem o HD do Crato, meticulosamente registra uma agenda infindável das nossas datas comemorativas. Se o Brasil foi descoberto por Pedro Álvares, o Crato também tem o seu descobridor, coincidentemente também um outro Cabral. Se devemos a Irineu Nogueira Pinheiro o registro de nossas Efemérides até 1954, o ano da sua partida para o voo celestial, a partir daí as Efemérides Cratenses estão escritas na memória prodigiosa do nosso mais importante jornalista que sequer deu-se ao trabalho de firmá-las em livro. 

No galpão guardamos as enxadas enferrujadas.
E lá elas esperam a morte, como os velhos nos asilos.

Esta foice não está mais afiada. Este ancinho
já não sabe limpar o cisco do pomar.

Mas não nos desfazemos de nada — é a nossa lei.
No depósito escuro onde repousam escorpiões
está até a chave que não abre nenhuma porta.

Ledo Ivo

     As outorgas de títulos de Doutor Honoris Causa carregam consigo o risco potencial de polêmicas próprio das Academias, onde as opiniões estão sempre em efervescência e a colisão entre elas, no fundo, consubstancia a própria essência viva da Universidade. Este clima, no entanto, não contagia este momento único, o nosso homenageado, criador de quase todas as medalhas honoríficas do município, faz-se, renitentemente, avesso a quaisquer honrarias que a ele sejam dirigidas. Ante quaisquer iniciativas no sentido de laureá-lo, Cabral fecha-se como Tatu-Bola, fica inacessível como pequi verde. Acredito, no entanto, que o dia de hoje carrega consigo o gosto do fruto de há muito desejado; paira nos cratenses uma sensação de Déjá-Vu, como se todos nós, professores, alunos, amigos, estivéssemos presenciando o momento histórico de uma crônica de há muito anunciada. A revelação de uma profecia que pressentíamos prestes a eclodir, como a pupa saltando do seu casulo. A Memória são os líquidos fios com que se tecem as frágeis paredes da fortaleza da história de um povo. O guardião deste templo, como uma criança na praia, constrói os castelos que em pouco serão lambidos pelas ondas do Tempo.

O palácio está em ruínas.../Dói ver no parque o abandono
Da fonte sem repuxo...
Ninguém ergue o olhar da estrada/ E sente saudades de si ante aquele
              lugar-outono...
Esta paisagem é um manuscrito com a frase
              mais bela cortada...
[...]
Há tão pouca gente que ame as paisagens
              que não existem!...
Saber que continuará a haver o mesmo
    mundo amanhã — como nos desalegra!...
Que o meu ouvir o teu silêncio não seja
             nuvens que atristem
O teu sorriso, anjo exilado, e o teu tédio,
             auréola negra...

Fernando Pessoa (Mensagem)

Este é o afã frustrante e desapontador do memorialista: escrever com o giz no quadro negro, enquanto a mão do tempo usa o apagador à medida que as palavras se vão sucedendo.  Vale a pena o esforço aparentemente inútil e desigual?  Ah! mas sobre a superfície do quadro ficarão rabiscos, como uma Pedra da Roseta, escritas rupestres que serão depois desvendadas pelas futuras gerações. Algumas poucas testemunhas, ainda, terão gravadas nos olhos as palavras esparsas da lousa, antes do trabalho esmaecedor das horas. Jorge Luiz Borges definiu bem esta luta inglória, no seu poema “Fragmentos de um Evangelho Apócrifo”:

“Nada se edifica sobre a pedra, tudo sobre a areia, mas nosso dever é edificar como se fosse pedra a areia...”

A Universidade Regional do Cariri, assim, hoje, não reverencia apenas o maior repórter da sua história, nosso mais importante memorialista, uma testemunha viva do Cariri nos últimos sessenta anos. Oficializa-se um grau de Doutor que já lhe tinha sido, por mérito, outorgado pelos intelectuais e pela população mais humilde deste Vale. Temos a sensação clara que o nosso Geopark Araripe acaba de descobrir um fóssil raro de um pterossauro (o Hubertossaurus cabralis) e, o mais incrível e surpreendente: ele está vivo e lépido, livre das suas pétreas amarras, pronto a alçar voo e contar a novas gerações e a outros povos a saga milenar da sua trajetória.

Onde começo, onde acabo,
se o que está fora está dentro
como num círculo cuja
periferia é o centro?
Estou disperso nas coisas,
nas pessoas, nas gavetas:
de repente encontro ali
partes de mim: risos, vértebras.
Estou desfeito nas nuvens:
vejo do alto a cidade
e em cada esquina um menino,
que sou eu mesmo, a chamar-me.
Extraviei-me no tempo.
Onde estarão meus pedaços?
Muito se foi com os amigos
que já não ouvem nem falam.
Estou disperso nos vivos,
em seu corpo, em seu olfato,
onde durmo feito aroma
ou voz que também não fala.
Ah, ser somente o presente:
esta manhã, esta sala.

Ferreira Gullar

 A casa é a mesma, parece até a   tapera da Rua das Flores que te acolheu nos primeiros bulícios, muitos anos atrás. O menino não mudou muito, é o pirralho malino de outrora, o guri de Dona Pia e seu Zé Leite, com algumas cicatrizes e alguns espólios de guerra. Talvez, por isso mesmo, nem carece de gritar “Ô de Casa! ”  As portas e janelas defenestrem-se, sem estranheza, para receber neste momento o filho pródigo, “depois de um longo e tenebroso inverno”.  
“No meio da charada contemporânea emerge o algarismo original! ”

Bem-vindo à sua casa, 
Dr. Francisco Huberto Esmeraldo Cabral!

Crato, 08/03/2019

J. Flávio Vieira