11 dezembro 2018

Os pardais da Praça da Sé - Por: Emerson Monteiro


Esse logradouro reflete bem a vida em Crato, isto a considerar as dimensões da praça, a arborização privilegiada e as tradições de que é símbolo desde seus primeiros tempos. Quando os colonizadores se resolveram pelas margens do Rio Grangeiro invés das do Riacho do Miranda, onde haviam instalado a missão original quando aqui chegavam, viram nesse novo sítio o ponto ideal para desenvolver o aldeamento e fixar as raízes europeias no Cariri.

As extensões da Praça da Sé oferecem meios suficientes às grandes solenidades, aos eventos maiores do povo e das instituições. Em sua volta os proprietários construíram belas casas residenciais, a Casa da Câmara, a Cadeia Pública, grupo escolar e a Sé Catedral, destacando aos católicos o palco dos seus louvores por vezes entrecortados de acontecidos históricos, tais a declaração da primeira república nacional, lá nos idos de 03 de maio de 1817, cúmulos da Revolução Pernambucana de infaustas lembranças, em que sucumbiria o herói maior Tristão Araripe.

Nesse respiradouro típico da população do lugar eu estudei na década de 60, no Ginásio São Pio X, prédio que ora sedia a Irmandade de São Vicente de Paulo, lado nascente; via dali o imenso quadro da matriz ainda de chão batido, espaço ideal às partidas de futebol dos desocupados nos intervalos do almoço à sombra dos oitis em crescimento.

Mais adiante, em face de nela passarem as estudantes do Colégio Santa Teresa ao término das aulas, no meio-dia apareciam também os alunos do Colégio Diocesano e ocupavam os bancos e as imediações, no intuito de apreciar a beleza da juventude em desfile, num instante de descontração e enlevo.

Já na década de 70, aos finais do dia, com as árvores de copas frondosas o ano inteiro, nelas se instalavam os pardais, nuvens e nuvens deles, a chilrear em uníssono melodia ímpar e festiva, clima inigualável de propiciar os instantes fervorosos da Ave-Maria, secundados ao ritmo do metal dos sinos e dos cânticos saídos da Catedral defronte.  Cheios de emoção, presenciávamos absortos a religiosidade daquelas ocasiões, talvez enlevados no doce mistério das luzes espirituais da natureza viva.

Histórias alheias VII - Por: Emerson Monteiro


Das narrativas a propósito dalguns místicos judeus, escritas por Martin Buber no livro Histórias do Rabi, dentre outras histórias vamos encontrar um episódio sob o título Saber quando o rabi Baal Schem Tov dissera:

- Quando atinjo o mais alto degrau do saber, sei que nem uma letra dos ensinamentos está em mim, e que ainda não dei nem um só passo no serviço de Deus.

Essas palavras de Baal Schem o rabi Mosché de Kobrin as transmitia a um outro rabi, e este lhe indagou:

- Mas está no Midrasch (dos livros sagrados judaicos): “Adquiriste o saber. Que mais te falta?”

Diante daquela consideração do religioso face ao que dissera, de Kobrim lhe respondeu:

- Em verdade, é assim. Tendo adquirido o saber, saberás então o que te falta.

...

E logo em seguida, no mesmo livro, Martin Buber traz outra história de Baal Schem Tov, místico bem conceituado no Judaísmo desde séculos. Esse outro episódio tem por título Sem o Mundo Vindouro, e narra de ocasião em que o religioso, certa hora se sentindo em desânimo e qual notasse em crise sua fé, quis admitir lhe faltar merecimento de que já possuísse a felicidade em um mundo vindouro; nessa hora dissera a si mesmo, segundo conta Buber:

- Se eu amo a Deus, para que preciso de um mundo vindouro? 

...

São momentos assim de lucidez e espiritualidade que refletem o nível de compreensão de cada um diante do infinito mistério da Eternidade a nos tocar suavemente e indicar oportunidades da percepção da grandeza do Poder, tudo através da consciência em aprimoramento constante por meio dos desafios da Sabedoria. Todas as religiões possuem seus místicos, os quais sejam dignos de tocar as abas do Céu e conhecer tanto mais da beleza e da divina perfeição. 

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


Construção do Centro Cultural do Cariri será iniciado em 2019

 Prédio do antigo Seminário Apostólico da Sagrada Família, na cidade de Crato, onde será instalado o Centro Cultural do Cariri

     A Prefeitura de Crato adquiriu o imenso conjunto arquitetônico onde funcionou o Seminário Apostólico da Sagrada Família (depois serviu como Hospital Regional Manoel de Abreu), localizado no bairro Recreio. O prédio será doado ao Governo do Ceará, que o restaurará, e lá fará funcionar o Centro Cultural do Cariri, que funcionará nos moldes do Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar, de Fortaleza.
      Segundo anunciou o Governador Camilo Santana, o Centro Cultural do Cariri será uma grande arena e anfiteatro, com cinema, área de exposições, teatro, área de lazer, biblioteca, livrarias, memoriais, amplo estacionamento, dentre outros benefícios.

A Vila da Música do Belmonte

         Outro equipamento cultural de grande importância é a Vila da Música, construída pelo Governo do Ceará, no bairro Belmonte, no sopé da Chapada do Araripe, na cidade de Crato. Trata-se do primeiro equipamento cultural do gênero, construído pelo Governo do Estado, no interior cearense. Um espaço que conta com infraestrutura moderna e dedicada a atender estudantes – crianças, jovens e adultos -, distribuídos em diversos cursos de diversos instrumentos, como violino, viola, violoncelo, contrabaixo e violão.


     A Vila de Música funciona numa parceria do Governo do Ceará – através da Secretaria da Cultura – com a tradicional escola de música Sociedade Lírica de Belmonte (Solibel), fundada por Mons. Ágio Augusto Moreira na década de 1970. Esta instituição tem como temas centrais a socialização, a formação humana e o ensino musical, diretrizes estas que foram incorporadas à Vila da Música, fomentando a cidadania através da educação musical e criando oportunidades para o desenvolvimento humano, econômico e territorial sustentável.

Patrimônio histórico do Cariri: o relógio da Catedral de Crato

     O velho relógio da Catedral de Crato continua batendo as horas, 155 anos depois de inaugurado. Ele foi adquirido na fábrica Ungerer & Frères, localizada em Estrasburgo (França), e assentado, pelo artesão Vicente Ferreira da Silva, na então Matriz de Nossa Senhora da Penha, no dia 21 de janeiro de 1863. O relógio foi oficialmente entregue à população de Crato, no dia 12 de outubro daquele ano, por ocasião da primeira visita pastoral feita ao Cariri pelo primeiro bispo do Ceará, Dom Antônio Luís dos Santos.


     A iniciativa da compra desse relógio coube ao vigário colado da freguesia, Padre Manuel Joaquim Aires do Nascimento, que o adquiriu por intermédio do Dr. Marcos Antônio de Macedo. Consoante informação do historiador Irineu Pinheiro, o relógio da Matriz de Crato foi considerado, “naqueles tempos, um dos melhores do Império”.

    Decorridos 155 anos da sua instalação, o velho relógio da Sé de Crato ainda marca as horas com exatidão. Em 2003, o ex-Cura da Catedral, Monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo, escreveu à fábrica de relógios Ungerer solicitando informações sobre o equipamento adquirido para a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, no terceiro quartel do século XIX.
Acima, Theodore Ungerer, construtor do Relógio da Catedral de Crato,
Crédito: site: http://phaffans.com/wp/?tag=equation-du-temps

A carta-resposta recebida pelo Monsenhor

   Transcrevemos abaixo a correspondência recebida – e traduzida – por monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo:

“Estrasburgo, 6-11-2003

A Mons. João Bosco Cartaxo Esmeraldo
Vigário Geral da Diocese de Crato-CE

Monsenhor,
Queirais perdoar o atraso desta resposta à vossa simpática mensagem de 21 de janeiro de 2003 e vossa carta de 7 de maio ao Vigário Geral de Estrasburgo, que me chegaram, há algumas semanas, somente após três meses de ausência.

Eu sou filho caçula de Thédore Ungerer (1894-1935) construtor do relógio Astronômico de Messina (Sicília) (1933), o maior do mundo com 50 autômatos, dos quais 48 desenhados por meu pai.
Para responder à vossa questão se há ainda a fábrica em Estrasburgo, eu anexo a esta carta um texto do Sr. Yann Cablot, dos Arquivos Departamentais do Baixo Reno.

Eu concluo que a firma Ungerer, fundada em junho de 1858, cessou definitivamente sua atividade, em janeiro de 1989.

Eu encontrei talvez traços de vosso relógio, no repertório dos Grandes Livros Ungerer, nos Arquivos Departamentais (73J45 pag.91, anexo) onde se encontra um pagamento de 1.130 Fr, em 27 de abril de 1860, “para o Brasil” (talvez uma conta (parcela?).

Em nome dos meus ancestrais, eu vos agradeço, Monsenhor, por vossa mensagem cordial e por vossas bênçãos e vos dirijo minhas saudações respeitosas e cordiais.
B.Ungerer

Teríeis a gentileza de me enviar uma foto da torre da Catedral, com o relógio Ungerer, para os Arquivos Departamentais? Obrigado antecipado”.

Outras informações sobre o relógio da Catedral

    Verificando o anexo que acompanhou a carta do Sr. Bernard Ungerer ao monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo, lemos uma relação manuscrita referente a 1860, onde constam as encomendas feitas à fábrica Ungerer & Frères, naquele ano. Na relação, uma anotação registra: “avril, 27 Caisse 1 – pour Le Brésil –37– 1.130 Fr (abreviatura da moeda francesa, o Franco).”

    Donde se conclui que o atual relógio, ainda batendo as horas na Sé de Crato, foi adquirido por Dr. Marcos Antônio Macedo, em Estrasburgo, no dia 27 de abril de 1860, fato comprovado pelo cineasta Jackson Bantim, que fotografou a máquina do equipamento e lá consta o ano da fabricação: 1860. Este relógio – segundo pesquisa de Irineu Pinheiro – foi instalado na torre do lado sul da Catedral de Nossa Senhora da Penha no dia 21 de janeiro de 1863, pelo artesão Vicente Ferreira da Silva.

Escritores do Cariri: Nertan Macedo

     Nasceu em Crato a 20 de maio de 1929. Foi um dos maiores dentre os jornalistas, historiadores, poetas e escritores nascidos no Cariri. Deixando sua cidade natal, ainda jovem, fixou-se em Recife (PE), onde foi redator dos jornais “Diário de Pernambuco” e “Jornal do Commercio”. Da capital pernambucana seguiu para o Rio de Janeiro. Nesta última cidade, trabalhou em três jornais da então capital brasileira: “O Jornal”, “Tribuna da Imprensa” e “Jornal do Commercio”, do Rio.

   O escritor Raimundo de Oliveira Borges, escrevendo sobre Nertan Macedo, disse: “Era um enamorado impenitente do sertão, que nunca esqueceu, das suas paisagens, dos seus homens bravos, das mulheres bonitas, dos verdes canaviais do seu Cariri, da silhueta azul da Chapada do Araripe, das fontes cantantes que irrompiam e ainda irrompem graças a Deus do seu seio inesgotável, da Praça da Sé das suas peraltagens de menino, do seu Crato antigo, hospitaleiro e bom”.

    Nertan Macedo escreveu 27 livros, dentre eles: “Caderno de Poesia” (1949); “Aspectos do Congresso Brasileiro” (1956); “Cancioneiro de Lampião” (1959); “Rosário, Rifle e Punhal” (1960); “O Padre e a Beata” (1961); “Capitão Virgulino Ferreira Lampião” (1962); “Memorial de Vilanova” (1964); “O Clã dos Inhamuns” (1965);   “O Bacamarte dos Mourões” (1966); “Agreste Mata e Sertão”; “Da Provence ao Capibaribe”; “O Clã de Santa Quitéria” (1967); “Dois Poetas Pernambucanos” (1967);  “Floro Bartolomeu–O Caudilho dos Beatos e Cangaceiros”; “Antônio Conselheiro” (1969); “Cinco Históricas Sangrentas de Lampião e Mais Cinco Histórias Sangrentas de Lampião” 2 volumes (1970);   “Sinhô Pereira - O comandante de Lampião” (1975).

        Pertenceu ao Instituto Cultural do Cariri (ocupava a cadeira nº 17, cujo patrono é João Brígido) e a Academia Cearense de Letras. Nertan Macedo faleceu aos 60 anos, em 30 de agosto de 1989.

10 dezembro 2018

Imaginação ativa - Por: Emerson Monteiro


Outro dia falávamos da imprevisibilidade quanto aos dias futuros, nem sempre a realidade real daquilo que se espera diante das limitações de todos nós. Isso, no entanto, passível de alguns acertos, face ao que conhecemos das filosofias e artes divinatórias, do esforço dos tantos que gastam tempo a fazer elucubrações e largas considerações dos dias porvindouros; decerto arriscam vaticinar e correr o risco de cumprir papéis proféticos sem fundamento, que a isto lhes cabem as circunstâncias, os reinos onde habitam, as cortes que frequentam. Mas, grosso modo, ganham fama, preenchem o espaço entre o juízo e as gerações, acalmam as rimas dos poetas e vencem a monotonia das horas que se aproximam.

Há, contudo, noutro campo, os avatares messiânicos dos povos, que, estes, sim, chegam previstos nas escrituras sagradas e detêm a força das revelações, os quais trazem consigo a função de nortear a multidão nos séculos, carente de consciência a fim de posicionar as civilizações pelos dias seguintes. Nessas personalidades predomina o místico na forma e na prática do Absoluto. Bem mais do que apenas humanos, significam a plenitude dos seres iluminados e parceiros da Eternidade.

A distância, entretanto, desses e nós demanda infinitas transformações morais, nada que seja de todo impossível, todavia exigem renúncia através da caridade e da humildade, visando, sobremodo, vencer a matéria bruta e nos aproximar do divino aprimoramento, domar o egoísmo e o orgulho, e crescer nos passos continuados das vidas sucessivas. Eis, em suma, uma transação interior das criaturas humanas, o seguimento de transcender a matéria e galgar padrões espirituais, na busca da felicidade perene; a isto nos encontramos aqui, face a face conosco mesmos, mentores do que resta cumprir nas existências. Conquanto vivamos ainda as limitações deste chão, já dispomos do direito fundamental de reger o destino e desvendar a luz que em nós existe, razão de tocarmos adiante esta longa caminhada e construir um novo Ser que vive em nós.

CRATERA GIGANTE EM CRATO - O Drama dos moradores da Travessa Cedro





Na madrugada neste sábado, dia 08 de dezembro, uma barreira desmoronou no cruzamento da travessa Cedro com a Rua José Alves de Figueiredo, no final do Canal do Rio Grangeiro, em Crato, deixando os moradores irritados e também preocupados, já que agora que começaram as primeiras chuvas da quadra invernosa. Segundo os moradores, isto já aconteceu por diversas vezes, e as administrações municipais vêm, preenchem o local com areia e depois de algum tempo o problema retorna. Em 2011, casas foram arrastadas pelo Rio Grangeiro neste mesmo local.

Segundo o Sr. Antonio Paulino, residente das proximidades, o problema é recorrente e já aconteceu mais de cinco vezes. 
Já a Sra. Antonia Rodrigues, cuja residência ficou a apenas 1 metro do abismo, afirma que as administrações colocam apenas areia no local e não resolvem o problema, que se tornou crônico.
No início do dia, circulou um vídeo nas redes sociais, mostrando a tubulação de água arrebentada no local, que passou quase o dia inteiro a jorrar.
No final da tarde de sábado, o Demutran interditou o local, evitando que pessoas e veículos desavisados tentem passar pelo local.

Confira no vídeo.

TV Chapada do Araripe
BLOG DO CRATO





Conservadores latinos se unem contra “volta da esquerda”


Fonte:"O Estado de S.Paulo” – Mariana Haubert, enviada especial

Impedir a volta da esquerda ao poder e organizar a direita no continente latino-americano. Esse foi o tom dos discursos e painéis realizados no domingo, dia 8, durante a 1ª Cúpula Conservadora das Américas. Idealizada para ser uma reação ao Foro de São Paulo, organização que reúne entidades e partidos de esquerda desde os anos 1980, a cúpula reuniu expoentes do futuro governo Jair Bolsonaro, ideólogos conservadores e integrantes de movimentos de combate à corrupção.

Durante oito horas, convidados como o filósofo Olavo de Carvalho, os irmãos Abraham e Arthur Weintraub, o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança e o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), entre outros, se revezaram nos discursos e explanações em que o mote era traçar estratégias de enfrentamento do discurso de esquerda.
O deputado reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)
Foto: PAULO LISBOA/AGB / Estadão Conteúdo 

O mais assediado durante o evento, Eduardo Bolsonaro mal conseguia se locomover de um lugar a outro com dezenas de pedidos de selfies, favores e apresentações. Ao longo da tarde, no entanto, o assédio arrefeceu e o parlamentar conseguiu acompanhar os discursos e debates que ocorreram no auditório de um resort em Foz do Iguaçu (PR). Terminou a noite pedindo a noiva em casamento no fim do evento diante do público presente.

Apesar da organização do evento ter divulgado previamente que mais de 2 mil pessoas haviam feito as inscrições para participar, apenas cerca de 600 compareceram. Para a imprensa, Eduardo minimizou o número e disse que a cidade do extremo oeste do Paraná é de difícil acesso para moradores de outras regiões do País. Mas explicou que o local foi escolhido pelo simbolismo. Está na tríplice fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai.

A cúpula reuniu basicamente pessoas ligadas a movimentos de direita que se articulam há alguns anos e pessoas que decidiram participar por conta própria. É o caso do corretor de imóveis de Cascavel (PR) Márcio Teles e da empresária e suplente do deputado federal eleito Nelson Barbudo (PSL-MT), Gina Defanti, que decidiram arcar com os custos das viagens porque querem resgatar os valores conservadores. "Hoje vemos uma gama de pessoas perdidas, achando que ser conservador é ser errado", disse Teles.

Paula Milani, integrante do movimento Acampamento Lava Jato, de Curitiba, afirmou ver um levante da direita no Brasil e acredita que agora é hora de organizar esse movimento. "A esquerda chegou muito bem organizada, muito bem estruturada e dominou realmente. Agora, a direita está se organizando, tanto que já elegemos um presidente", disse. Paula levou com ela mais seis pessoas, todos com a camiseta do movimento.

A tônica do evento foi sintetizada por Jair Bolsonaro no domingo. Em sua conta no Twitter, o presidente eleito afirmou que "por muito tempo o pensamento conservador e os valores familiares que predominam em nossa sociedade foram marginalizados graças a um projeto de poder revolucionário tocado por lideranças de esquerda em todo o continente". E agora, de acordo com ele, é o momento de propor novos caminhos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

09 dezembro 2018

Dois irmãos e um caminho - Por: Emerson Monteiro


Dois brigam quando dois querem. Em havendo disposição de paz em um dos lados, há paciência, há perdão. Dominar esse instinto agressivo importa nos resultados de harmonia de que tanto carece este chão das almas.

Assim, nós dois que somos todos a trabalhar o afeto pomo-nos a seguir ainda feitos feras, enquanto um morde, o outro se magoa e sofre, abafa, reprime, revolta, impõe justificativas na agressividade contida, no entanto amargurada, espécie de roupa suja guardada lá dentro nos refolhos da comum inutilidade. Eles dois, nós dois, estrada afora tangemos duas feras, uma que lança farpas em cima da carne seca, no vulgar desespero de sofrer, contrapeso que arrasta de mesma carroça de sucatas que, agarradas, somos aqui no Planeta. Dois perdidos e a noite suja de Plínio Marcos do passado.

Feras largadas ao velho picadeiro das contradições, roçadeiras amoladas nas pedras toscas do desgosto, impõem contradições, amigos em forma de lados agudos, num, o sujeito da razão; no outro, as costas moídas de chicotadas e dos escravos jogados nas sarjetas. Isto em relação a quase tudo, senão tudo, burros de cargas que transportam as malas da ignorância, que buscam escola nas malhas do sofrimento.

Poderemos crescer unidos, a história contará novidades ainda longe de preencher o espaço de horas tontas, na peleja do pesadelo ilusório da divisão das classes.

Esses dois irmãos, talvez até amigos, e no caminho viverão prudentes os objetivos da ordem mundial que anseiam desde que mundo é mundo. Próximos uns dos outros, outros irmãos que seremos em um só sem distância regulamentar de conservar objetos quais proprietários definitivos, e de próprio nada temos. A matéria que transportamos apenas servirá de empréstimo da Natureza, a quem devolveremos lá certo dia, cedo ou tarde, à luz do Tempo inabalável.

Jornalista Huberto Cabral -Por: Valdemir Correia de Sousa


AO BLOG DO CRATO,


QUERIDOS LEITORES : ESTIVE AFASTADO DO CRATO DURANTE 20 ( VINTE ) DIAS, E AO CHEGAR TOMEI CONHECIMENTO QUE A URCA - OUTORGOU AO JORNALISTA HUBERTO CABRAL, O TÍTULO DE DR. HONORIS CAUSA.

NUNCA VI UMA CAUSA TÃO JUSTA. HUBERTO CABRAL, É UMA DAS PESSOAS MAIS IMPORTANTES DA NOSSA CIDADE. PESSOA SIMPLES, DEDICADA, QUE COM SEU TRABALHO E COLABORAÇÃO, ESTÁ PRESENTE EM TODOS OS EVENTOS REALIZADOS AQUI, SEJAM OFICIAIS, PARTICULARES, COMERCIAIS, ETC. SUA PRESENÇA É IMPRESCINDÍVEL. MEMBRO DE UMA FAMÍLIA DEDICADA TOTALMENTE A CULTURA, COMO SUA IRMÃ DIVANI , O MESMO É UMA VERDADEIRA ENCICLOPÉDIA HUMANA, PRESTANDO RELEVANTES SERVIÇOS A TODA COMUNIDADE.

 A HOMENAGEM FOI MUITO JUSTA, E A TEMPO DE CONTEMPLA-LO AINDA EM PLENO VIGOR DE SUA VIDA, MESMO COM A IDADE JÁ AVANÇADA . FEZ - ME LEMBRAR DE OUTRA IMPORTANTE FIGURA DE NOSSA CIDADE QUE DESEMPENHOU TUDO QUE HUBERTO CABRAL ESTÁ FAZENDO AGORA, E QUE NUNCA FOI RECONHECIDO. LINDEMBERG AQUINO, FOI JORNALISTA, MEMORIALISTA, SECRETÁRIO DE QUASE TODAS AS INSTITUIÇÕES EXISTENTES NO CRATO, COMO: ROTARY CLUB, LIONS CLUB, ASSOCIAÇÃO COMERCIAL, ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DO CRATO, TUDO QUANTO ERA SOCIEDADE EM NOSSO MEIO, LÁ ESTAVA ELE, ALEGRE, E PRESENTE AS VEZES SEM QUALQUER REMUNERAÇÃO, QUERIDO DE TODOS OS CRATENSES, E MORREU ESQUECIDO, ABONDONADO PELA SOCIEDADE, QUE TANTO AJUDOU A RELEVAR. 

TEVE UM PREFEITO DA NOSSA CIDADE QUE NÃO VOU CITAR O NOME, QUE UM DOS SEUS PRIMEIROS ATOS FOI DEMITIR LINDEMBERG DE UM EMPREGO QUE TINHA NA PREFEITURA, COM UM POLPUDO SALÁRIO MÍNIMO.

FOI LINDENBERG, E HUBERTO ASSUMIU TODA A RESPONSABILIDADE DE COMANDAR OS ATOS CÍVICOS REALIZADOS NAS NOSSAS INSTITUIÇÕES. ELE ESTÁ SEMPRE PRESENTE, E PARA ENCERRAR QUERO CITAR AQUI A CÉLEBRE FRASE : ( SE QUERES FAZER ALGO POR MIM, QUE FAÇAS AGORA, POIS QUANDO EU MORRER SÓ QUERO ORAÇÕES ). POIS BEM HUBERTO, A JUSTIÇA FOI FEITA. VOCÊ MERECEU.

VALDEMIR CORREIA DE SOUSA
Membro e articulista do Blog do Crato





07 dezembro 2018

Denúncia gravíssima em Crato - Motorista publica vídeo nas redes sociais mostrando as péssimas condições das ambulâncias do Crato



Denúncia gravíssima no CEARÁ. - Motorista publica vídeo nas redes sociais mostrando as péssimas condições das ambulâncias na cidade de Crato. 
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Um caso vem ganhando repercussão estadual e nacional:
Um motorista de ambulância da cidade de Crato-CE, denunciou através de um vídeo bombástico nas redes sociais, as péssimas condições de trabalho, em veículo que não atende às mínimas condições de higiene e de saúde.

O motorista Francisco Fransuer de Lima Filho, mais conhecido como Filho, que já foi inclusive ao Ministério Público e fez um Boletim de Ocorrência, também se diz perseguido pela atual gestão após as denúncias.

Consultado, o Secretário de Saúde de Crato, André Barreto, refuta as acusações do motorista e acrescenta que o município está adquirindo novas ambulâncias para suprir a grande demanda do município.

O repórter Diego Lima fez uma excelente entrevista com o motorista da ambulância, que manteve as declarações e garantiu que irá tomar todas as providências no sentido de garantir o seu trabalho e a sua integridade. Foi realizada também uma entrevista com o Secretário de Saúde, André Barreto. Confira nesta edição do Boletim Chapada do Araripe.

TV Chapada do Araripe
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www.facebook.com/blogcrato






05 dezembro 2018

Limites do inesperado II - Por: Emerson Monteiro


Isto de saber até onde irão as certezas que transportamos vida afora. De conhecer o que, na verdade, conhecêssemos, se é que conhecemos algo puro a propósito dos dias vindouros. Mesmo assim agimos quais donatários do absoluto futuro, quando quase nada, ou nada, dominamos dos acontecimentos posteriores. Daí a fome desesperadora de desvendar o inesperado, assenhorear-se das marcas seguintes dos nossos passos neste chão.

Na realidade, somos meros detentores do direito de existir ainda sem saber, com plenitude, o que significa existir. Espécies de alimárias dos depois, vagamos soltos pelas matas virgens sob o crivo dos elementos originais. Atores de peças que nem escrevemos, e, tantas vezes, sabemos pouco da firmeza das existências do Autor de tudo quanto há sob o Sol. Seríamos, talvez, livres aves nos céus do Invisível. Querer, pois, julgar a nós e aos outros representa atitude temerária diante da Perfeição que a tudo rege no dizer das religiões. Explorar os demais quais superiores fóssemos, eis outra providência que produz frutos amargos, porquanto o equilíbrio universal a isto determina face ao nível do exato funcionamento das esferas.

Portanto, aventureiros do acaso, balançamos nas ondas deste mar de inevitável a que fomos submetidos desde quando persistem os pensadores e os mestres à busca de explicar o inexplicável. Máscaras de si próprios trocamos os pés nos dias que restam de sobreviver ao eterno, máquinas de forjar o sentimento, e instrumentos de organização da sociedade humana.

Grandioso o desejo de interpretar os ritos da Natureza, contudo somos só meios falhos das escolas desta vida. Que lição maior de humildade sobraria além de aceitar, se não baixar a cabeça e orar com força ao desconhecido no senso do Bem, do Amor, da Paz. Nenhuma dúvida, por isso, de que alguém regressou a transmitir a sabedoria que descobrirá no tempo certo.

O chão da alma - Por: Emerson Monteiro


No piso dessa realidade interna, caminha o ser diante das trevas, sempre só, às vezes vacilante... Olha tudo querendo a todo custo esquecer o que deixara de fora lá no ontem dos rochedos. É esse o pouso das criaturas aonde queiram chegar. Deixar de lado os eus externos que, durante desencantos sucessivos, largam desejos mal contidos de liberdade, no entanto ainda presos nos tentáculos ferrenhos da ilusão, amante e vilã dos lenitivos.

Longe, um dia, todos alçarão voo e restarão laivos de saudades de nem sabe por quê perdidos foram pelos jardins do imaginário. Isto de andar aqui tem surpresas, largar ao desconhecido pedaços das ansiedades que trouxemos, contudo inconsistentes, de vencer o inevitável. Tempos enquanto o furor nos triturava a quatro dentes, feito cães famintos no terreiro da paixão.

Mas há isto, esse lugar bem dentro do amor das gentes. Nele as ondas glaciais do Infinito batem forte e correm soltas pelas praias do Destino. Outras vezes bem aqui estaremos à procura do instante eterno, vagando de olhos fundos nas dobras dessas histórias antigas que transportamos no coração.

...

Fora, longos meses de expectativa a contemplar o horizonte donde virá o Sol. Aqui, onde as almas, em frangalhos ou quietas, esperam sinais do entendimento através dos sentimentos. Nisso ninguém está sozinho apesar da enorme solidão dos trópicos das horas calmas no mar da humanidade. A braços, pois, com dificuldades naturais de quem aprende no fragor das aparentes contradições, todos são os heróis de si no chão da alma que nutre a certeza de tudo que vem ficará melhor no sentido da obrigação.

Livre das ameaças e das dores, eles já constroem as naves da salvação que lhes permitirão realizar seus sonhos em manhãs que se avizinham penhes de verdade. Há um chão na vala comum das criaturas humanas.

04 dezembro 2018

Onde localizar o memorial do Padre Antônio Vieira? – por Antônio Morais


O homem

           Pe. Antônio Batista Vieira nasceu em 14 de junho de 1919 no sítio Lagoa dos Órfãos, no sopé da Serra dos Cavalos, município de Várzea Alegre (CE). Era filho de Vicente Vieira da Costa e Senhorinha Batista de Freitas. Faleceu em 2003. Foi um dos mais importantes filhos do Ceará. Concluídos os estudos de Filosofia e Teologia foi ordenado sacerdote na cidade de Crato, em 27 de dezembro de 1942. 

             Durante muitos anos foi professor polivalente do Seminário São José e construiu a igrejinha de São Francisco, imponente prédio localizado no Barro Vermelho (hoje bairro Pinto Madeira, na cidade de Crato). Em 1964 graduou-se em Economia e Planejamento pela Universidade da Califórnia, na cidade de Los Angeles. 

               Publicou – nos jornais de Crato e Fortaleza – dezenas de centenas de artigos, onde primava pela objetividade e observação, características visíveis da sua privilegiada inteligência. Deixou, pelo menos, quinze livros publicados. Em meio às suas atividades como Vigário da cidade de Icó (CE) foi eleito deputado federal, em 1967 pelo MDB (partido de oposição ao regime militar implantado no Brasil em 1964). Teve seu mandato arbitrariamente “cassado”. Deixou Brasília e foi lecionar na cidade do Rio de Janeiro, aonde – entre 1970 e 1974 – cursou Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, licenciando-se, ainda, em Filosofia, Ciências e Letras. Foi fundador do Clube Mundial do Jumento e sócio da Associação Cearense de Imprensa.

O Memorial do Padre Antônio Vieira

              Ao falecer, o Padre Antônio Vieira deixou um grande acervo de anotações, livros, diplomas, condecorações, objetos de uso pessoal, enfim, uma riqueza de fragmentos materiais que se constituem numa narrativa da sua própria existência. Lamentavelmente, as autoridades da cidade de Várzea Alegre não tiveram sensibilidade de reunir num imóvel apropriado esse rico acervo, os quais se constituem num motivo de honra e orgulho para qualquer cidade civilizada, que teve o privilégio de incluir no rol de filhos ilustres uma pessoa do porte do Pe. Antônio Vieira. Está claro que as autoridades de Várzea Alegre desconhecem a grandeza do seu filho ilustre.  Uma figura universal.  Pois, se assim não fosse, já teriam disponibilizado um local apropriado, na sede do município, para preservar a memória do Pe. Vieira.

                 Sabemos que o acervo deixado pelo Pe. Antônio Vieira se encontra no sitio Cristo Rey, propriedade da sua família.  Consta que esses familiares pretendem transformar esse valioso patrimônio num memorial, com o objetivo de preservar a história daquele famoso sacerdote. Convenhamos que um memorial localizado na zona rural, distante vários quilômetros do centro citadino não atrairá, como deveria, a visita das pessoas, principalmente das novas gerações, a quem mais interesse usufruir desse pequeno museu.

Por que não trazer esse memorial para Crato?

                   Agora o desfecho lógico deste escrito. Pe. Antônio Vieira viveu longos anos da sua existência na cidade de Crato. Aqui foi estudante, sacerdote, diretor do jornal “A Ação” da Diocese, construiu igreja, foi professor de várias gerações tanto no Seminário São José, como nos colégios particulares de Crato. Sabemos que ele tinha muita consideração por esta cidade. Sabemos que Crato se orgulha de se auto intitular, “Capital da Cultura”, embora seja pobre no setor de memoriais/museus. Pelos serviços que  o Pe. Antônio Vieira   prestou à cidade e a Diocese de Crato, julgo que já é tempo de as forças vivas da “Cidade de Frei Carlos” iniciarem um movimento – através das suas instituições mais importantes: Prefeitura/Secretaria de Cultura/Departamento Histórico da Diocese de Crato/ Clubes de Serviços/ Fundações – para trazer para Crato o futuro memorial do Pe. Antônio Vieira. Não fariam nada mais do que  justiça a esse notável homem.

              Sabemos que em 2019, o Governador Camilo Santana iniciará a construção do Centro Cultural do Cariri, na cidade de Crato. Quem sabe uma ala daquela instituição não viria a abrigar o rico acervo deixado pelo Pe. Antônio Vieira? Com a palavra as lideranças políticas, a Prefeitura Municipal, o Instituto Cultural do Cariri, a Universidade Regional do Cariri, a secretaria de Cultura do Crato, para que iniciem, o quanto antes, um movimento a fim de sediar na “Princesa do Cariri” o Memorial Padre Antônio Vieira!

Antônio Morais

Cariri pode se tornar Patrimônio Cultural da Humanidade

Fonte: Diário do Nordeste”, por  Roberta Souza

No Cariri, não se pensa pequeno. E se a ideia vem, também não se perde muito tempo para executar. Nos últimos dois anos, por exemplo, Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande, começou a conversar com o secretário da Cultura do Estado, Fabiano Piúba, sobre a possibilidade de tornar a região Sul do Ceará um Patrimônio Cultural da Humanidade. Nesta segunda-feira (19) pela manhã, durante a abertura do Seminário Arte e Pensamento, na 20ª Mostra Sesc Cariri de Culturas, o projeto tornou-se público e os trabalhos oficiais também.

A mesa de abertura contou com a participação de dois pesquisadores portugueses: a arqueóloga Conceição Lopes (Universidade de Coimbra) e o arquiteto Tiago Mota Saraiva, além da mediação de Quindins e contribuição de Piúba. O intercâmbio de experiências além-mar serviu como panorama de fundo para a discussão regional.

Em entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares, o secretário de Cultura do Estado adiantou que o diálogo com as instituições já está acontecendo. “Estamos conversando com o Iphan sobre o Cariri como patrimônio cultural na perspectiva de território, e juntando os fios, envolvendo instituições como a URCA, a UFCA, universidades particulares, o próprio Sesc e a Fundação Casa Grande, a Secretaria de Cultura do Estado e as dos municípios, na perspectiva de que o Cariri possa ser reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural”, afirmou.

Para a portuguesa Conceição Lopes, dois passos são fundamentais nesse processo: enxergar o patrimônio como algo vivo – não apenas como memória -, e trabalhar a convergência das comunidades, mostrando para o mundo o “valor universal e as diversidades específicas da região”, tais como culinária, manifestações culturais e a própria fauna caririense.

“A gente entende que é um debate muito importante. Estamos falando de uma região que tem patrimônio cultural e natural formidáveis. Pensar em patrimônio cultural para o Cariri tem que estar associado ao patrimônio natural”, reforçou Piúba. O secretário afirmou ainda que um dos planos para a integração desses bens é um metrô de superfície que conecte Juazeiro do Norte e Crato, a partir do Aeroporto Regional do Cariri.

Ainda na tarde desta segunda-feira, os integrantes da mesa devem se reunir para discutir a construção de um dossiê que viabilize o reconhecimento da região pela Unesco. Um seminário internacional também já está previsto para acontecer em junho do ano que vem, no Cariri, com o objetivo de reforçar a ideia.

Para Alemberg, faz-se necessária uma “coroação do Cariri”. “Vamos colocar a coroa na cabeça da Chapada do Araripe”, ressaltou. Da plateia, cerca de 150 pessoas, incluindo estudantes do 1º e do 2º ano do Ensino Médio da Escola Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau, no Crato, acompanhavam o Seminário como testemunhas de um futuro-presente que eles mesmos ajudarão a construir.

Livro resgata personalidades e Associação Comercial de Juazeiro


O crescimento do segmento de cervejas artesanais no Cariri

Loja Mestre Cervejeiro em Juazeiro do Norte: 
nova opção para os apreciadores de cervejas artesanais

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apontam para um crescimento de 37,7% no número de cervejarias artesanais registradas no Brasil em 2017. Em números absolutos, os dados revelam 187 cervejarias a mais do que 2016, saltando de 493 para 679. Outra informação interessante: 8,9 mil produtos foram registrados por estes negócios em 2017. Uma média de 13 para cada marca. Esses números são indicativos do excepcional crescimento do setor, acrescido do fato de que as cervejarias artesanais e independentes, que não têm relação com grupos econômicos internacionais, estão conscientizando o consumidor sobre a degustação da bebida, além de contribuírem para a cultura gastronômica local.

O Cariri é uma das regiões onde este segmento de bebidas tem tido uma significativa alavancada, tanto no ramo da produção como do comércio. Essa nova realidade fez com que o Senac-CE levasse seu curso de sommelier de cervejas à unidade de Juazeiro do Norte, e motivou a abertura de uma franquia da rede Mestre Cervejeiro na cidade, inaugurada em julho por três jovens empreendedores: Dário Gledson, Carlos Porto e Tiago Bantim (foto à direita).

Mestre Cervejeiro é a maior rede de lojas de cervejas artesanais do Brasil, com mais de 60 unidades em operação. Em Juazeiro, funciona diariamente das 10 as 22 horas, localizada no polo gastronômico, bairro Lagoa Seca.

Duas outras iniciativas também merecem destaque: a criação do grupo Cervejeiros Cariri, que reúne apreciadores com o intuito de divulgar e fomentar a cultura cervejeira na região; e da cervejaria Kurato, que carrega a história e a cultura do Cariri desde o seu nome, inspirado na história da cidade do Crato.

Para o empresário Tiago Bantim, diante deste promissor cenário, com perspectiva de que o setor seja ainda mais incrementado, aliado a uma maior exigência do consumidor, com paladar cada vez mais depurado, - a tendência é de que haja uma maior qualificação dos produtos, com ampliação da diversidade de marcas e tipos de cervejas.

03 dezembro 2018

Universidade Regional do Cariri concede título de Doutor Honoris Causa a Huberto Cabral

 Foto: Wagner Pereira



Por Carlos Rafael Dias


O Conselho Universitário (CONSUNI) da Universidade Regional do Cariri (URCA), em reunião ordinária, ocorrida no último dia 21 de novembro, concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao memorialista e radialista Huberto Cabral. 

A proposição desta homenagem tramitou, preliminarmente, no Colegiado Departamental do Curso de História e no Conselho do Centro de Humanidades da URCA, sendo deferida com ampla margem de aprovação. 

Segundo o vice-reitor da URCA, professor Lima Júnior, que presidiu a reunião do CONSUNI em que o título foi concedido pela unanimidade dos seus membros, a reunião solene dos conselhos superiores para outorga do título será oportunamente marcada. Os muitos amigos e admiradores de Huberto Cabral prometem realizar uma significativa comemoração na vindoura solenidade.

Dados biográficos e trajetória profissional - Segundo o renomado intelectual Dr. Raimundo de Oliveira Borges (que foi diretor das três primeiras Faculdades fundadas em Crato: Filosofia, Ciências Econômicas e Direito, todas hoje componentes da Universidade Regional do Cariri–URCA) “a cidade de Crato notabiliza-se por ser uma das cidades vanguardeiras do Nordeste brasileiro, não somente pelas páginas que enriquece a sua história política, mas, e sobretudo, pela atuação de alguns de seus filhos no campo das ciências, das letras, das artes e da cultura de um modo geral”.

Dentre os filhos de Crato que se destacaram, e continuam se destacando, nessas atividades está o memorialista e radialista Huberto Cabral. Na sua trajetória profissional, Huberto Cabral exerceu inúmeros cargos, dentre eles o de Assessor de Imprensa da Prefeitura de Crato, Câmara de Vereadores e Assessor de Comunicação nos primórdios da Universidade Regional do Cariri. Ao longo da sua existência ele tem sido animador e organizador de inúmeras promoções de caráter cultural que se realizam em Crato desde o início da década 50 do século passado.

Huberto Cabral sempre participou ativamente da organização da “ExpoCrato” (Exposição Centro-Nordestina de Animais e Produtos Derivados) o maior evento econômico-social do interior nordestino. São milhares as crônicas escritas e divulgadas por ele através dos meios de comunicação, as quais – se reunidas e publicadas – constituiriam o resgate das efemérides históricas, políticas e educacionais de Crato e do Cariri.

Francisco Huberto Esmeraldo Cabral nasceu em Crato, Ceará, em 20 de dezembro de 1936, filho do casal José Leite Álvares Cabral e Pia Esmeraldo Cabral. O pai guarda parentesco com o célebre navegador português Pedro Álvares Cabral, tido pela historiografia tradicional como o “descobridor do Brasil”. Segundo Huberto Cabral, irmãos e parentes do “descobridor” se radicaram em Patos, na Paraíba, na época da expansão da pecuária pelos sertões nordestinos, e membros da família chegaram ao Cariri cearense, onde fundaram a fazenda Riachão, no atual município de Barro. 

Com três anos de idade, numa visita que sua família fez ao segundo bispo do Crato, Dom Francisco de Assis Pires, Huberto Cabral convidou aquele prelado para ser o seu padrinho de crisma. Convite aceito, o desejo daquele extrovertido garoto foi confirmado algum tempo depois, selando uma forte relação entre ele e o bispo, o que valeu a Huberto Cabral o convite para ser o secretário pessoal de dom Francisco. A influência exercida do padrinho sobre o afilhado foi tamanha que este, decidido a ser padre, ingressou no Seminário São José do Crato, onde permaneceu por oito anos, tempo de duração do chamado Seminário Menor. Mesmo não persistindo na vocação sacerdotal, os laços de Huberto Cabral com a Igreja e a Diocese do Crato permanecem fortes até hoje.

Huberto Cabral cursou “as primeiras letras” no Instituto São Luís Gonzaga, que pertencia a sua prima Cira Esmeraldo, e os antigos cursos primário e científico no Colégio Diocesano do Crato. Somados os anos que transitou entre o ensino laico e religioso, Huberto Cabral passou dezesseis anos nos bancos escolares, de 1945 a 1961.
    
68 anos dedicados à comunicação social - Ainda estudante e adolescente, Huberto Cabral iniciou carreira na área de comunicação social, que perdura até hoje, totalizando já quase sete décadas de duração. Sua estreia na profissão jornalística deu-se pelas mãos do Monsenhor Rubens Gondim Lóssio, que solicitou sua ajuda para a fundação e funcionamento do serviço de alto-falante do Seminário São José, inaugurado em 1º de dezembro de 1950, durante os festejos de comemoração do jubileu de diamante daquele casarão religioso. Também no Seminário, aconteceu o seu debut na imprensa escrita, como um dos editores d’O levita, jornal mantido pelos alunos sob o incentivo da direção daquele educandário católico que, desta forma, comprova ter sido também uma verdadeira escola de jornalismo. De O Levita, Huberto Cabral passou a escrever para o semanário A Ação, porta-voz da Diocese do Crato, fundado em 1939, na época tendo como editor-chefe o Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira, a quem Huberto Cabral sucedeu na função, permanecendo até o encerramento das atividades do jornal, em 1989.

Ao sair do Seminário, Huberto Cabral passou a atuar na Amplificadora Cratense, pioneiro serviço de transmissão por alto-falante da região do Cariri, fundada em 1937 por Júlio Saraiva Leão, então secretário de Urbanismo do Crato. A Amplificadora Cratense tinha como padrão a programação da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. 

Com a fundação da Rádio Araripe do Crato – a primeira empresa radiofônica do interior cearense –, Huberto Cabral se transferiu para aquela emissora. A Rádio Araripe fazia parte do Diários Associados, maior conglomerado de mídia da América Latina, que em seu auge contou com mais de cem jornais, emissoras de rádio e TV, revistas e agência de notícia, pertencentes a Assis Chateubriand, conhecido magnata das comunicações. Huberto Cabral permaneceu na Rádio Araripe até 1958, quando foi convidado pelo bispo do Crato, Dom Vicente de Paula Araújo Matos, para colaborar na implantação da Rádio Educadora do Cariri, na qual permanece até hoje, como redator dos noticiários da emissora e apresentador do programa dominical de música e informações culturais, Recordação Saudade. 

Apesar dos notáveis avanços obtidos na área das comunicações nas décadas de 1950 e 1960, a tecnologia disponível, em comparação aos dias atuais, era obviamente bastante incipiente. Isso, no entanto, não tirava o ímpeto e até as experimentações ousadas e inventividades pioneiras do nosso personagem enfocado. Prova disso foi o ato por ele protagonizado na captação, embora precariamente, de imagem e som de televisão pela primeira vez na região do Cariri, proeza ocorrida em 15 de agosto 1960, na praça da igreja-matriz da cidade de Milagres. As imagens captadas foram da TV Jornal do Commércio, geradas a partir de Recife, Pernambuco. Somente em 1968 é que foi instalado o serviço de micro-onda que possibilitou a repetição, para a região do Cariri, das imagens da TV Ceará Canal 2, em cadeia com as TVs Tupi de São Paulo e do Rio de Janeiro, todas pertencentes aos Diários Associados.

Outra proeza a cargo de Huberto Cabral foram as transmissões radiofônicas de longa distância, notadamente de eventos esportivos que envolviam representações caririenses em competição em outras regiões do estado do Ceará. Utilizando geradores, baterias, rádios e outras aparelhagens e utensílios, como arame galvanizado, jornais e revistas, além de gambiarras, como cercas de arame farpado e os trilhos da linha da REFFSA, - Huberto Cabral, com a ajuda de Edmundo Gonçalves, técnico da Rádio Educadora do Cariri, conseguia recuperar e interligar as linhas dos telégrafos dos Correios à “parafernália” montada para conseguir o link que possibilitava a transmissão exclusiva das partidas de futebol, realizadas em cidades próximas diretamente para o Cariri. Nenhuma outra emissora conseguia essa façanha, que virou um “segredo de estado” entre os profissionais da Rádio Educadora do Cariri.

Como repórter radiofônico, Huberto Cabral conseguiu um “furo” jornalístico de caráter nacional por ocasião da visita do Presidente da República, Marechal Castelo Branco, a Crato, em junho de 1964, logo após a instauração do regime militar, quando a cidade comemorava o bicentenário de sua fundação. Escondido no meio da mata da chapada do Araripe, onde se localizava o Aeroporto Regional Nossa Senhora de Fátima (hoje desativado), Huberto Cabral, tão logo o avião presidencial aterrissou, burlou a forte esquema de segurança e adentrou na aeronave, conseguindo, em primeiro lugar, uma mensagem gravada do “marechal-presidente”. Antecipando-se a mais de cem correspondentes dos principais jornais e emissoras de rádio e TV do país que faziam a cobertura daquela visita presidencial, a Rádio Educadora do Cariri transmitiu o sensacional “furo” jornalístico conseguido pelo seu dinâmico repórter Huberto Cabral

Outra cobertura jornalística de destaque feita por Huberto Cabral foi a inauguração do açude de Orós, em 11 de janeiro de 1961, pelo então Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira. Tal como aconteceria em 1964, com o presidente Castelo Branco, Huberto Cabral “invadiu” o avião que trouxera o presidente Juscelino Kubitschek e conseguiu entrevistá-lo em primeira mão, fazendo em seguida a transmissão da solenidade de inauguração do açude, com auxílio das “técnicas” de difusão radiofônica de longa distância que só a Rádio Educadora do Cariri possuía.
    
O “Homem-Memória” - No entanto, a contribuição de Huberto Cabral ao Crato e à região do Cariri não se limita à sua atuação no campo das comunicações. Pela sua prodigiosa memória relativa aos acontecimentos históricos regionais, notadamente aqueles em que ele próprio foi testemunha ocular, Huberto Cabral é chamado de a “enciclopédia viva de Crato”. Por isso, é sempre requisitado por profissionais da imprensa e pesquisadores universitários para conceder depoimentos que detém informações de grande relevância para a elaboração de trabalhos jornalísticos e acadêmicos. 

Os dados que detém estão, tal como num disco rígido de computador, armazenadas organizadamente em sua memória como que separadas em “pastas” de arquivo. Para cada uma delas, Huberto Cabral tem um zelo incomum, a exemplo da comemoração do centenário de elevação do Crato à categoria de cidade, ocorrida em outubro de 1953. Relata Huberto Cabral que, tão logo Décio Teles Cartaxo foi eleito prefeito do Crato, em 1950, foi procurado por ele com a sugestão de que um dos primeiros atos administrativos da nova gestão municipal fosse uma portaria nomeando uma comissão para planejar aquela importante efeméride. Sugestão aceita, a comissão, da qual Huberto Cabral era um dos integrantes, trabalhou arduamente por quase três anos para realizar aquela que, segundo Huberto Cabral, foi uma das maiores festas cívicas já realizadas no Nordeste brasileiro. Para se ter uma ideia da grandiosidade do evento, o Crato recebeu como convidados o Vice-Presidente da República, Dr. João Café Filho, representando o presidente Getúlio Vargas; o Ministro do Trabalho, João Goulart;  o General Castelo Branco, então Comandante da 10ª Região Militar; o Governador do Ceará, Raul Barbosa; o polêmico político paulista, Ademar de Barros; o então maior empresário no campo das comunicações do Brasil, Assis Chateaubriand, que trouxe consigo o mitológico cantador Cego Aderaldo, e uma gama de outras destacadas autoridades civis, militares e eclesiásticas. Nunca mais, em nenhuma outra cidade do Cariri, observou-se tantas personalidades proeminentes reunidas para prestigiar um evento local.

Testemunha ativa da história recente do Cariri - Outra relevante contribuição dada por Huberto Cabral é a prestação diletante de serviço de cerimonial de eventos públicos e privados, o que denota sua participação ativa no cotidiano da cidade do Crato e da região do Cariri, além de sua abnegada participação em movimentos que visem o benefício da coletividade. Dentre eles, podemos relacionar a implantação e instalação dos pioneiros meios de comunicação escritos e falados da região, a retomada da Exposição Centro-Nordestina de Animais e Produtos Derivados, em 1953, após nove anos de paralisação; a criação do Instituto Cultural do Cariri (ICC), também em 1953, e da revista Itaytera, cujo primeiro número circulou em  1955; a fundação da Faculdade de Filosofia do Crato, em 1959, e, posteriormente, da Universidade Regional do Cariri (URCA), em 1987, além da campanha em prol da eletrificação do Cariri, pela energia  gerada na Hidrelétrica de Paulo Afonso (BA), no ano de 1961. Sobre esta última conquista, Huberto Cabral, mesmo nos bastidores, teve uma importante e estratégica participação, que pode ser resumida em dois episódios tidos como cruciais daquela empreitada. 

Em primeiro lugar, no início da campanha, constatou-se a apatia da população por conta da descrença pelas dificuldades para que que o Cariri recebesse a energia de Paulo Afonso. Este sentimento de desânimo contagiava até os membros do recém-criado Comitê Pró-Eletrificação do Cariri. As lideranças políticas e empresariais de Fortaleza, de inquestionável força política e peso econômico, queriam que a eletrificação fosse primeiramente instalada no litoral cearense, o que era geográfica e logisticamente um contrassenso. Para entusiasmar a população, Huberto Cabral tramou uma imaginária “inauguração da turbina do Cariri”, que aconteceria na Hidrelétrica de Paulo Afonso, transmitida ao vivo por ele pelos microfones da Rádio Educadora. Essa estratégia surtiu o efeito desejado e, a partir de então, a população tornou-se uma forte aliada na campanha pró-eletrificação do Cariri. Na sequência, próximo da inauguração da energia elétrica, prevista para o dia 28 de dezembro de 1961, ocorreu um defeito em uma peça da subestação da Companhia Hidrelétrica de São Francisco – CHESF, localizada no município de Milagres, o que deixou os técnicos preocupados, já que deveria ser mandada buscar uma nova peça em São Paulo, o que atrasaria o evento tão esperado por todos. Sabedor de uma solução caseira, Huberto Cabral solicitou a peça defeituosa e um helicóptero da Companhia para resolver o problema com a urgência necessária. Mesmo sob discordância dos técnicos, ele convenceu a direção da subestação e trouxe a peça até o Crato, levando-a até a Oficina Abinadab, onde, em pouco tempo, outra peça foi confeccionada. Assim, a chegada da energia elétrica de Paulo Afonso ao Cariri foi mantida na data aprazada.  Segundo Huberto Cabral, esta peça “made in Crato” ainda hoje funciona naquela subestação.

Atualmente, próximo de completar 82 anos de existência, contrariando uma tendência natural de com o avanço da idade ocorrer um arrefecimento de ânimo, força ou disposição do ser humano ao trabalho, Huberto Cabral continua firme no seu “sacerdócio” cotidiano de prestar serviços à comunidade caririense. Serviço de boa qualidade, sem preocupação de colher louros, a não ser aqueles que venham beneficiar a todos incondicionalmente.

Por essa história de vida, totalmente devotada à causa pública e ao progresso material e intelectual de nossa região, Huberto Cabral é merecedor de todo o nosso respeito e gratidão.

02 dezembro 2018

Doidos atuais


Tal qual quem viaja numa estrada desconhecida altas horas, quase sem visão nem movimento, e acompanha os sinais rodoviários, quando, de supetão, avista nas placas da margem uma contendo enorme interrogação amarela em fundo preto; assim é o futuro, a vida. Que haverá, que mudará, que trazem as próximas horas ao silêncio das estradas apenas rompido pelo croaxar intermitente dos pneus no asfalto e sons da ventania de encontro aos vidros e flandagem do veículo.

Assim tem sido. Assim será por longos anos. Há pouco, presente em momentos noturnos das baladas desta época, observava os doidos de hoje e os comparava com os doidos de antigamente. Quanto parecem, muito, muito. Cabelos longos, barbados, olhos assustados, fugindo de outros olhos quais desconfiassem de serem vigiados, mesmas neuras dos guerreiros arcaicos daquelas outras aventuras. Acossados pela sina das noites, crianças vagam soltas nas ondas do mar das ruas, vadias sombras que as levam consigo aonde forem, nos tetos invisíveis do destino.

Velhas saudades, aventuras errantes; o inesperado à busca de tudo que restara nos cestos largados fora na porta das lojas, dos bares, becos escuros, solitários.

De novo só o apego de revelar a paz nas telas do instante; tocatas da valsa das décadas na alma da gente; fomes de amor; sede de sobreviver a todo custo. Pessoas-improviso, cigarros em punho, garrafas dançando entre as mãos impacientes; ansiedades mil deslizando nas praças e calçadas; atores de histórias impossíveis, porém idênticas à dos parceiros que o tempo levara e caprichosamente traz de volta repetidas vezes nas veredas e nos filmes. Pistas molhadas, escorregadias, parceiros próximos, cúmplices nas jornadas e leitores dos sinais à beira do abismo, quando de súbito aquela placa de interrogação do que virá logo ali adiante. Os ídolos, os ícones, emblemas que balançam nas nuvens de esperança guardadas a sete capas nos encontros deste chão..

São ritmos recentes das velhas músicas, ânsias de liberdade tornadas aos pedaços, senhoras de sonhos, e amores, e desejos. Luzes que se apagam. Luzes que se acendem.

(Ilustração: Hippies).

01 dezembro 2018

Lembrando o general Mourão Filho – Armando Lopes Rafael



O falecido general Olympio Mourão Filho não era apenas um homem inteligente e visionário. Era um profeta! Pensando nele, me vêm agora à lembrança dois provérbios: “O tempo é mesmo o Senhor da razão” (como diz a Bíblia) e “Nada como um dia atrás do outro”, como diziam nossos avós...

Esta semana, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, fez um pronunciamento no Senado da República, mostrando que a solidão do cárcere (e veja que Lula já recebeu mais de 500 visitas, desde que foi preso em abril pela Polícia Federal); os achaques da idade e o ostracismo a que foi legado, poderão leva-lo à depressão e até à morte.

E fiquei a imaginar quanta bajulação foi feita em torno da pessoa do ex-presidente Lula! Basta lembrar de que, na sua última passagem por Crato, a Universidade Regional do Cariri–URCA entregou a Lula o título de “Doutor Honoris Causa”, debaixo de muitos e relevantes protestos,  de pessoas que viam naquele “puxa-saquismo” exagerado e insincero, uma afronta aos que já tinham sido distinguidos com o mesmo  título. Naquela ocasião li, na Internet, um manifesto do Movimento Conservador do Cariri, contrário à concessão do título, o qual dizia a certa altura:

“A expressão latina doutor honoris causa, traduzida “por uma questão de honra” representa uma condecoração acadêmica destinada a alguém de notório valor público, cuja instituição dispensou os requisitos essenciais para tal reconhecimento usual: matrícula, estudo e aprovação nos exames vinculados. A palavra honra por sua vez, denota vários significados, todos eles unânimes em sua apreciação e aceitação: elevados valores morais e intelectuais. Algo condicionado a alguém virtuoso”.

Tudo isso me fez lembrar, naquela ocasião,  o livro “A verdade de um Revolucionário”, publicado em 1978, de autoria do general Olympio Mourão Filho, que escreveu: "Ponha-se na Presidência da República qualquer medíocre, louco ou semianalfabeto, e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso".

Daí porque entendemos  – e lamentamos  – o ostracismo a que  foi relegado uma pessoa, a qual, num passado próximo, recebeu todas as mesuras e homenagens imerecidas de uma nação como que anestesiada e só, anos depois, despertada de um sono pleno de pesadelos.

CARIRIENSIDADE (por Armando Rafael)


Rio de Janeiro ganhará primeiro monumento ao Padre Cícero

     Desde 28 de dezembro de 2016, Dom Fernando Panico deixou a função de Bispo Diocesano de Crato, passando, automaticamente, à condição de “Bispo-Emérito” desta diocese. Mas seu novo status, ou seja, sua condição atual, não o impediu de continuar participando de diversos eventos realizados em memória do Padre Cícero Romão Batista. No início deste mês de novembro, Dom Fernando viajou para a cidade do Rio de Janeiro, onde pregou retiro para o clero da Arquidiocese de São Sebastião da antiga capital brasileira.

     Durante o retiro, o Pároco da Paróquia de São João Batista, de Rio das Pedras (zona oeste do Rio de Janeiro), Pe. Marcos Venício, convidou Dom Fernando Panico a celebrar uma missa para os devotos do Padre Cícero, residentes naquele subúrbio carioca. Foi uma festa! Muitos fiéis já conheciam Dom Fernando por informações. Outros já o tinham visto pessoalmente. Uma surpresa aguardava Dom Fernando: a notícia de que, no próximo dia 09 de dezembro de 2018, o Cardeal Dom Orani João Tempesta celebrará missa e inaugurará a Praça Padre Cícero, em Rio das Pedras, logradouro que terá uma estátua do “Padim Ciço”, a primeira construída no Estado do Rio de Janeiro.

Manifestação católica em Rio das Pedras, subúrbio da cidade do Rio de Janeiro

Maceió festeja 148 anos da ordenação do Padre Cícero

        Esta semana Dom Fernando Panico esteve em Maceió, aonde foi a convite do Arcebispo da capital de Alagoas, Dom Antônio Muniz, para celebrar nos festejos pelos 148 anos de ordenação sacerdotal do Padre Cícero. Em Alagoas, Padre Cícero é sempre lembrado e amado pelos fiéis católicos. É comum nas procissões comemorativas às festas dos padroeiros(as) das cidades alagoanas contarem com um segundo andor (geralmente ricamente ornamentado com flores) com a imagem do Padre Cícero Romão Batista.


 O primeiro colégio para mulheres criado no Cariri

 Colégio Santa Teresa de Jesus, em Crato. Foto do início da década 50 do século passado

        A criação do Colégio Santa Teresa de Jesus resultou de um sonho, dos vários sonhos alentados e concretizados por Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro Bispo de Crato. Àquela época, as escolas secundárias funcionavam separadamente para homens e mulheres. Inexistiam as escolas mistas como é praxe, nos dias atuais. E, neste Estado, as poucas escolas de segundo grau para mulheres só funcionavam na capital cearense, distante mais de 600 km de Crato, num tempo quando não havia estradas regulares, nem facilidade de comunicação. 

       Os contatos entre o Cariri e Fortaleza eram feitos unicamente por telegramas e cartas. Por isso, no território da nova Diocese de Crato, somente as moças pertencentes às famílias bem afortunadas financeiramente podiam se deslocar para a cidade de Fortaleza, a fim de estudar. Assim, depois de criar um Ginásio para homens (atual Colégio Diocesano de Crato) e reabrir as portas do Seminário São José para formar novos padres, Dom Quintino procurou a Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, possuidora de um colégio na cidade de Fortaleza, para abrir uma filial no Cariri. As tratativas não chegaram a bom termo. Não desanimou o bispo de Crato. Uma segunda tentativa foi feita junto às Irmãs Ursulinas, que tinham uma casa em Salvador (BA). No final de 1922, a diretora das Irmãs Ursulinas escreveu a Dom Quintino mostrando a impossibilidade de enfrentar o desafio que lhe fora proposto pelo Bispo de Crato.

            Mas Dom Quintino conhecia uma senhorita, residente na cidade de Jardim, dortada de muita fé e muita disposição para enfrentar desafios. Era Anna Álvares Couto (a futura Madre Ana Couto), mais conhecida como Naninha Couto que aceitou o desafio que lhe foi proposta pelo Bispo de Crato.     
   
Surge o Colégio Santa Teresa de Jesus de Crato

 Madre Ana Couto, co-fundadora da Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus

          No dia 04 de março de 1923, às 5 horas da manhã, a população do Crato foi acordada com uma estrepitosa salva de fogos, anunciando o início das atividades de um novo colégio na antiga Vila Real do Crato. Dom Quintino havia atingido dois coelhos com uma só cajadada, pois concretizou dois dos seus mais alentados sonhos: o de criar uma congregação religiosa feminina (Filhas de Santa Teresa de Jesus) destinada a acolher jovens vocacionadas da sua diocese; e fundar – no Sul do Ceará –, o primeiro colégio para educação de mulheres. Dois pioneirismos de magnitude, considerando o fato de a Região do Cariri cearense – ainda atrasada em relação aos distantes centros evoluídos do litoral nordestino – ter passado a sediar as duas instituições acima citadas.


Dom Quintino, primeiro Bispo de Crato

Algumas alunas ilustres

          Milhares foram as alunas que passaram pelos bancos escolares do Colégio Santa Teresa de Jesus. Muitas ganharam destaque. Citá-las nos levaria a incorrer em graves omissões. No entanto, vêm-me agora à lembrança algumas ex-alunas: a atual deputada federal Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo– a maior cidade da América Latina e a sexta maior do mundo; Maria Alacoque Bezerra, nascida em Juazeiro do Norte, a primeira mulher cearense a ocupar uma cadeira no Senado da República; Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaseau, que foi Secretária de Cultura do Ceará e Reitora da Universidade Regional do Cariri e Madre Feitosa, uma das mais respeitadas educadoras do Ceará. Esta além de aluna foi também diretora daquele colégio.  

Existe potencial para criar a  “Paisagem Cultural”  no entorno da Catedral de Crato

Entorno da Catedral de Crato em 1914, ano de criação da Diocese de Crato

     Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura– UNESCO: “O patrimônio é o legado que recebemos do passado, vivemos no presente e o transmitimos às futuras gerações. Nosso patrimônio cultural é fonte insubstituível de vida e inspiração, nossa pedra de toque, nosso ponto de referência, nossa identidade”. Acrescenta ainda a UNESCO que “O patrimônio cultural é de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas”.

    Entre algumas exigências da UNESCO, para que um edifício, ou conjunto de edificações, se constituam em bens culturais, exige-se que esses bens “devem estar associados diretamente ou tangivelmente a acontecimentos ou tradições vivas, com ideias ou crenças, ou com obras artísticas ou literárias de significado excepcional”.

      Em qualquer uma dessas exigências se enquadra perfeitamente o conjunto da edificação da atual Catedral de Nossa Senhora da Penha e o seu entorno, localizado no centro da cidade de Crato.


      Pode-se agregar ainda à riqueza desse patrimônio cultural – oriundo das edificações e das atividades humanas da Catedral de Nossa Senhora da Penha – todas as manifestações populares – danças, folguedos, grupos folclóricos, apresentações cênicas, coreografias, músicas etc. – conservadas ao longo de sucessivas gerações, e ainda hoje repassadas às novas gerações –, por ocasião de comemorações e datas festivas, pois elas se constituem no Patrimônio Cultural Imaterial ou Intangível. 

      Ressalte-se, por oportuno, que essas manifestações da tradição popular – que compreendem uma gama de expressões de vida de grupos e indivíduos do município de Crato e adjacências – estão sendo objetos de catalogação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. 

        Diante de tudo acima exposto, preocupado com a destruição sistemática que vem sendo feita ao Patrimônio Arquitetônico e Cultural da cidade de Crato, imbuído da responsabilidade como Cura da Sé–Catedral de Nossa Senhora da Penha, Pe. José Vicente Pinto Alencar da Silva, estuda enfrentar o desafio de salvaguardar a paisagem cultural no entorno da Sé Catedral de Crato.