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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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20 janeiro 2017

A sabedoria da Imperatriz Teresa Cristina



Nascida em Nápoles-Itália, em 14 de março de 1822, no berço da família Bourbon, Teresa Cristina chegou ao Brasil em 1843, com 21 anos. O casamento com D. Pedro II ocorrera por procuração, em 30 de maio daquele ano, na Real Capela Palatina, em Nápoles.
Em vida, ela foi chamada de “A mãe dos brasileiros”. Quase um século depois de sua morte, em 1998, ela foi homenageada com uma exposição no Museu Imperial de Petrópolis, e então tratada como “A imperatriz silenciosa”. Que segredo repousaria sob essa trajetória – de símbolo materno nacional a vulto enigmático – e que envolveria a figura de Dona Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II (1825-1891), a terceira imperatriz do Brasil?
 Para que a aureola de sua esposa não fosse trocada pela coroa de espinhos, o Imperador Dom Pedro II aconselhou-a, com prudência e sabedoria, a limitar-se à sua dupla missão de esposa e mãe, e que nunca atendesse a pedidos de favores de quem quer que fosse, pois para cada pretendente servido haveria dúzias e centenas de pretensões malogradas.
A Imperatriz Dona Teresa Cristina assim o fez. Sempre que se atreviam a importuná-la com pedidos, dizia:
– Isso é lá com o Imperador.
........
Uma curiosidade: O nome da capital do Piauí, Teresina, é uma homenagem a Imperatriz Teresa Cristina. Ela teria intermediado junto ao Imperador Dom Pedro II, a ideia de mudança da capital da cidade de Oeiras, localizada no alto sertão e sempre assolada por secas periódicas, para outra cidade a ser construída ao lado do Rio Poti. Teresina é o início do nome TERESa, com o final de CristINA. Teresina foi a primeira cidade planejada que foi construída no Brasil.
Teresina, capital do Piauí

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier
 (postado por Armando Lopes Rafael)
             

Os Índios Tabajaras - Por: Emerson Monteiro

Eis um fenômeno da arte musical que merece relembrar, Os Índios Tabajaras, dupla de músicos de cordas nascida em terras do Ceará, no município de Tianguá, na Serra da Ibiapaba, nos anos de 1918, filhos do cacique Ubajara, que foi pai de 34 filhos. Eles dois, Muçaperê e Herundy, receberam os nomes que significam respectivamente terceiro e quarto na língua nativa.

Em 1962, obtiveram sucesso mundial com a interpretação do clássico mexicano Maria Elena, que, durante 14 semanas, nos Estados Unidos, e 17, na Inglaterra, ficou entre os discos mais vendidos, indo à margem de 1,5 milhão de cópias. Chegaram a gravar 48 discos LP e chegaram aos 10 mais vendidos entre os sucessos norte-americanos daquela época.

Juntamente com a família, trazidos pelo tenente Hildebrando Moreira Lima, em 1933, viveram em Crato, no sul cearense, daí se deslocando pelos estados de Pernambuco, Alagoas e Bahia durante três anos; auxiliados pelo então governador baiano chegariam ao Rio de Janeiro em 1937. No caminho, conheceram violeiros e cantadores das feiras nordestinas e adquiram uma viola velha, que principiaram sozinhos a dedilhar.

Na Capital Federal, seriam registrados como Antenor e Natalício Moreira Lima, uma alusão ao militar que lhes auxiliara. No ano de 1945, se apresentariam na Rádio Cruzeiro do Sul e logo seriam contratados da emissora. Viajariam pelo Brasil com bem sucedidas apresentações, enquanto buscavam aperfeiçoar o conhecimento musical e desenvolver o talento artístico. Iniciaram desse modo a carreira exitosa que os levaria, em 1957, a outros países latino-americanos, quais Argentina, Venezuela e México, até visitar os Estados Unidos, aonde regressariam em 1960 e galgariam as paradas de sucesso.

Estudavam com afinco tanto música erudita, quanto música popular. Natalício (Nato) se dedicou à técnica do solo; Antenor voltou-se à harmonia. Incluíram no repertório obras dos compositores reconhecidos, Bach, Albeniz, Villa Lobos, etc., que, somados aos clássicos do cancioneiro das Américas, lhes dotariam de fina habilidade e rigor instrumental. Ganhariam a mais justa fama e respeitabilidade entre os nomes principais da história musical brasileira, respeitáveis representantes que foram do que há de melhor entre seus grandes intérpretes.

19 janeiro 2017

Novas histórias de Seu Lunga - Por: Emerson Monteiro

Exemplo nordestino de tolerância zero, Seu Lunga chegou ao balcão de uma oficina de motores carregando nas mãos a bomba de água da sua residência. Antes de qualquer abordagem do freguês, o funcionário acha logo de  perguntar:

- Sim, Seu Lunga, trouxe a bomba da cisterna para fazer o conserto?!

De cenho grave, o sertanejo nem deixa esfriar a indagação antecipada e retribuiu em cima da bucha:

- Não, não, nada de conserto. É que a bichinha estava se sentindo muito só e eu trouxe pra ela dar um volta na cidade.

...

Noutra ocasião, na Rodoviária de Juazeiro do Norte, já instalado em ônibus rumo a Fortaleza, quando entra cidadão apressado à busca de localizar a poltrona que adquirira, e vê lugar vazio bem ao lado de Lunga. Reconheceu o comerciante e perguntou:

- Tem alguém sentado aqui, Seu Lunga?

O tradicional personagem nem levantou a vista e revidou:

- Se tiver alguém aí eu estou ficando cego, porque não vejo ninguém nessa cadeira – e nisso fechou de vez a cara diante do recém chegado.

...

Ao chegar numa oficina mecânica na intenção de reparar algum defeito no carro e após descrever o desempenho do veículo da sua propriedade, Lunga ouviu do profissional a indagação que mexeu com os brios:

- E o desempenho do motor, seu carro tem algum barulho estranho? Ele ronca?

Nessa hora é quando lhe reviram as químicas orgânicas, respondendo com naturalidade:

- Se ele ronca eu sei, nunca ouvi, pois enquanto ele dorme na garagem eu fico lá no quarto dentro da casa, longe que nem escuto nada nada lá fora.

...

O célebre personagem do anedotário caririense encontrou amigo numa das ruas de Juazeiro, e esse que quis saber mais do seu passado mais recente:

- E aí, Lunga, por onde o senhor anda esses tempos? Dessa vez demorei a lhe rever...

- Eu? Ando só pelo chão mesmo, pois até agora não aprendi a voar, nem pretendo!

Mundo vulgar - Por: Emerson Monteiro

Onde tudo virou peça descartável e as pessoas já andam desconfiadas de que há dúvida não resolvida nas entranhas dos problemas. As instituições arrastam as patas no lodaçal das notícias diárias. Líderes, o que era bom e necessário, passaram aos investidores de bolsa quais outros quaisquer. A satisfação da existência neste chão pede transformações urgentes. Espécie de mal estar de civilização obsoleta, correr de quê e pra onde pouco importa. Cólica, preguiça de viver, parecer querer dominar a boca do estômago dessas quadras bicudas, cinzentas.

Esse humor anda nas ruas, nas largas avenidas de oito pistas, nos carros climatizados e lentos, presos aos enxames do asfalto. Nisso, as televisões controlam a massa humana de olhos fundos e bocas amargas. Assustariam mesmo os profetas que disseram que o mundo chegou a isso, emenda pior que o soneto, e muito.

Bom, mas o que interessa de verdade são as respostas siderais desse drama localizado no Planeta Azul que rola no firmamento longe de compreender a que se destina.

Querer as soluções significa pedido inevitável perante a fome desleixada dos políticos e outros donatários do poder temporal. Ninguém quer a responsabilidade que lhe cabe e buscou no contexto das massas. Clamor de indivíduos românticos isolados em grupos e ilhas, nas chamadas redes sociais, ganham corpo, contudo semelhantes a ídolos de filmes antigos. Por vezes até que aventuram sair nas praças, pintar a cara e carregar panfletos e faixas, agitar e crescer, e logo somem nos dias seguintes.

Reino da idolatria essa fase mercantil, os seres andam pelos shoppings de olhos vermelhos, assustados, explodem nos shows de rock e ocupam as academias de fisioculturismo, entretanto presos de desejos e guardados sob as nuvens que passam lá no céu à espera das chuvas.

Quem quer fazer diferente a deve mergulhar nas entranhas da Besta e reviver na pele da alma os sonhos dos lendários da luz em volta das fogueiras acesas em luas da imaginação adormecida. As máquinas venceram e, agora, somos seres livres.

Paróquia de Santana do Cariri também festejará centenário da sua criação



Autor: Assessoria de Comunicação da Diocese de Crato


Segundo as definições do Documento 100 da CNBB (Comunidade de comunidades), a paróquia deve ser compreendida como ‘comunidade de fé’, o lugar onde os fieis ouvem e praticam a vontade de Deus. A comunidade paroquial também pode ser vista como ‘casa’, lugar onde os cristãos encontram abrigo e se fortalecem na sua caminhada para a pátria definitiva.
Nessa perspectiva a comunidade de fé do município de Santana do Cariri-CE, celebrará cem anos de instituição canônica. A Paróquia Senhora Sant’Ana foi criada em 30 de Janeiro de 1917 por Dom Quintino Rodrigues, primeiro bispo da Diocese de Crato.
Delimita-se territorialmente com as paróquias dos municípios de Araripe, Potengi, Assaré, Altaneira, Nova Olinda, Crato e Exu. Com uma área de cerca de 856km quadrados, possui diversas comunidades, vinte e cinco delas com capela.
Durante o ano de 2016, diversos momentos e celebrações prepararam o primeiro centenário da paróquia. A abertura do Ano Jubilar ocorreu em 31 de Janeiro de 2016. De Fevereiro a Junho do mesmo ano houve a peregrinação com a imagem da padroeira pelas comunidades rurais. Já no dia 29 de Maio a paróquia foi consagrada ao Imaculado Coração de Maria na Coroação de Nossa Senhora. No mês de Julho, no período de 16 a 26 a comunidade celebrou a festa da padroeira em clima de jubileu. Em 24 de outubro aconteceu a 12ª Romaria da Serva de Deus Benigna Cardoso. Em Dezembro foram realizadas as celebrações de Crisma na sede e em algumas comunidades.
Concluindo as atividades do Ano Jubilar, agora em Janeiro de 2017 haverá a Semana Eucarística entre os dias 15 e 22, um tríduo nos dias 26,27,28 e no dia 29 a Celebração do Centenário às 17:00 horas no patamar da Igreja Matriz de Santana do Cariri-CE.

Origem da comunidade:
A história da Paróquia Senhora Sant’Ana remonta às origens do município de Santana do Cariri-CE. O Vale do Rio Cariús, antes habitado pelos índios Buxixés foi colonizado pela família Feitosa que aqui erigiu uma capela e disseminou a devoção a Santa Ana.
Com o transcurso dos anos o lugar recebeu o nome de Santana do Brejo Grande, um aglomerado familiar que em 1838 foi elevado à categoria de Freguesia. Entretanto, essa primeira experiência paroquial findou tragicamente após o assassinato do primeiro padre, José Galdino Teixeira, morto em 1844.

(Réplica da primeira imagem da padroeira. Foto: Reprodução)
Após o acontecimento, Santana voltou a ser capela, vinculada agora a Freguesia de Nossa Senhora das Dores de Assaré. Permaneceu nesta condição por um bom tempo. Até que em 1886, com a visita pastoral do então bispo do Ceará, Dom Joaquim José Vieira, os fieis da paróquia pediram ao bispo que a paróquia fosse restaurada, o que não aconteceu. Porém, Dom Joaquim permitiu que os Padres de Assaré, morassem a partir dessa data em Santana.
Como estava possuindo privilégios de paróquia, com a presença de sacerdotes a comunidade conseguiu construir a atual Igreja Matriz. Demoliram a antiga e já deteriorada capelinha em 1896 e começaram a construção de um imponente templo, somente concluído em 1911, após 15 anos de muito trabalho. A inauguração do relógio e a benção dos sinos da nova matriz se deu em 28 de maio de 1911.
Vendo o desenvolvimento do município de Santana do Cariri, Dom Quintino resolveu então restaurar a paróquia. A mesma foi oficialmente inaugurada em 04 de fevereiro de 1917.

20 de janeiro: Missa do centenário da Paróquia Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro, terá até casula inspirada em vestimenta litúrgica do Padre Cícero – por Patrícia Silva

O que é uma “casula”? Trata-se de uma veste litúrgica geralmente confeccionada em tecidos seda ou damasco,  utilizada pelos padres durante as celebrações das missas.
 Casula inspirada em vestimenta do padre Cícero. (Foto: Rozelia Costa)
A casula que vestirá o presidente da Missa Solene do Centenário da Paróquia Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, dom Gilberto Pastana, próxima sexta-feira, dia 20 de janeiro, foi confeccionada inspirada em uma casula do padre Cícero Romão Batista.
“Embora o padre Cícero não tenha sido o primeiro pároco da Basílica, a nossa intenção foi de trazer à tona a memória dele que teve e tem um grande marco para a criação e estruturação da paróquia, pois como a gente bem sabe Juazeiro do Norte cresceu e se desenvolveu em cima da figura, vida e devoção ao padre Cícero”, explicou o padre Antônio Romão, vigário da Basílica Nossa Senhora das Dores.
Detalhe do bordado, feito a mão. (Foto: Rozelia Costa)
Segundo o padre Antônio, devido a importância do padre Cícero para a história da paróquia, a ideia dos sacerdotes da Basílica era que o presidente da celebração utilizasse uma vestimenta usada pelo próprio padre Cícero, porém devido o estado de conservação em que elas se encontram, isso não foi viável, mas a ideia não morreu ali. Eles mandaram confeccionar uma casula estilo gótica, inspirada em uma casula que foi adquirida pelo padre Cícero em 19 de outubro de 1888 e utilizada por ele durante a missa de fundação do Apostolado da Oração de Juazeiro do Norte, o terceiro mais antigo do país.
Confeccionada durante trinta dias, em Recife, por Juraci Olímpio de Carvalho, dona do Ateliê Santa Clara e Santa Teresinha, a vestimenta inédita, feita para a celebração do centenário, possui bordado em dez tons de linha e pedrarias. Os tecidos utilizados foram o chantum, como peça principal, e o tafetá vermelho, na parte interna.
Casula original que se encontra no Memorial Padre Cícero. (Foto: Reprodução)
A casula original se encontra no acervo do Memorial Padre Cícero, de Juazeiro do Norte, e foi doada pelo monsenhor Murilo de Sá Barreto, que foi pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores durante 48 anos.

18 janeiro 2017

Vontade soberana do Poder - Por: Emerson Monteiro

Diante desse projeto onde importa cumprir a determinação soberana do Desconhecido, que demonstra a todo instante que pode suficiente a realizar aquilo que se dispõe, na face da Natureza, sim, diante disso, do cumprimento desse projeto no qual tudo e todos estamos inseridos, há que ver (revelar a si) o papel dos indivíduos que também somos nós.

Num mar de três aspectos, o Criador, o ser inteligente e o resultado negativo, ou positivo, de tais funções, renasce forte a lembrança da trilogia básica das religiões, das filosofias e da ciência. Brahma, Vishnu e Shiva. Pai, Filho e Espírito Santo. Tese, Antítese e Síntese. Próton, Elétron e Nêutron.

Aonde correr, e dá de cara consigo mesmo, face a face com o Universo infinito e lúcido amém. Escamotear de nada significaria, portanto. Mar descomunal de fenômenos e nós dentro dele a surtir os efeitos de nossos instintos, pensamentos e atitudes. Correr de onde e para onde? Só um silêncio abissal de horas incansável do processo vida responderá, e os frutos das sementes que plantamos, na resposta incessante da Lei.

Essa forma de agir e demonstrar firme a que grau transformamos experiência em realidade, flores em produtos. Tua alma, tua palma, diz o povo. E que instrumento utilizar, pois. Com qual levedura multiplicarmos os pães da sorte, com qual fermento revisitarmos os mistérios e os milagres?

Esse ser tão esdrúxulo, egocêntrico, por vezes invejoso, ganancioso, petulante, a revelar rosto no fundo das cavernas deste mundo, espelhos de tantas e bizarras condições... Qual a vontade que usar ao vender a alma que nem era sua no mercado da ambição? A vontade dos demônios, ou a vontade dos deuses? Doce amargura deixar as fornicações imprevidentes e receber o galardão das almas fiéis?!

Algo semelhante à linguagem dos profetas desvairados, entretanto refletida nas artes egoístas dos condenados às galés destes tempos sombrios dos que buscam a Salvação já prometida aos justos.

17 janeiro 2017

Roberto Pessoa no Cariri - Por: Valdemir Correia de Sousa


Sexta feira, 06 de janeiro do corrente, o Roberto  Pessoa ofereceu um  coquetel à imprensa caririense , que ocorreu na praça do giradouro, no bairro Crajubar em Juazeiro do Norte. Convidado, cheguei lá às 7:00 horas da noite, e quase não consegui estacionar o carro, tamanha era multidão. Vislumbrei na ocasião, dezenas de antigos políticos, que misturados aos novos, ocupavam a praça. Voltei 51 anos no tempo, que foi quando conheci o Roberto Pessoa, na exposição do Crato e desde este tempo, ou seja 51 anos consecutivos, nunca faltou nenhuma vez. é uma pessoa magnífica, solidária em qualquer situação, cujo prestígio atinge todo o Estado do Ceará. Para se ter uma  idéia, quando ele foi candidato a deputado federal, foi votado em 183 dos 184 municípios que compõem o estado. Eleito em duas legislaturas, ocupou por muito tempo a liderança da bancada nordestina, com o apoio de todos os partidos. 

Amigo nas horas difíceis e incertas, poderia citar aqui dezenas de atos praticados pelo mesmo, porém vou citar aqui apenas dois: Há muitos anos, eu morava em frente ao Crato Tenis Clube, no bairro pimenta. Era noite de festa, clube cheio, e o Roberto foi estacionar o carro em nossa garagem. Neste exato momento, entra no jardim um rapaz de uns 18 anos com uma mochila nas costas,  aos  prantos e  senta-se no banco, aproximei-me  e perguntei o que acontecia. Ele contou que tinha vindo para a casa de um amigo passar a exposição e não conseguiu encontrá-lo. Estava com pouco dinheiro e sofrendo uma dor horrível na virilha.  Como nossa casa ficava a 100 metros do hospital e antes que Roberto Pessoa estacionasse o carro, eu pedi para irmos até ao hospital.  Lá  chegando,  na  sala de plantão,  o  médico diagnosticou  que  o  rapaz   estava  com apendicite  supurada, e  que  se  não operasse  imediatamente,  ele poderia morrer. 

O médico  cirurgião  chegou e disse que não tinha mais condições de efetuar aquela cirurgia e que o rapaz fosse transferido  com  a máxima urgência para Fortaleza. O  rapaz, coitado, nas terras estranhas, sem conhecer ninguém, sem dinheiro, começou a chorar convulsivamente e nisto Roberto Pessoa pediu para fazer uma ligação ( naquele tempo não tinha celular ) e ligou para o piloto do seu avião que  fosse imediatamente para o aeroporto, levar um paciente para Fortaleza. O piloto disse que não podia decolar, pois o aeroporto não tinha iluminação, o que foi resolvido de pronto com  o envio de vários táxis para iluminar a pista. Levamos o rapaz, que embarcou à meia noite, Lá chegando, foi direto para a sala de cirurgia, onde foi feita a operação. Esse rapaz era  de  Aracati-CE,  e  veio para o crato passar a exposição a pedido da mãe, porque fazia 07 ( sete ) dias que o pai tinha falecido afogado no rio Jaguaribe em Aracati, sendo o rapaz filho único.

Pois bem, o rapaz foi para Fortaleza, chegou a a tempo de ser  atendido, salvou-se,  e muitos  anos depois, conversando com o Roberto Pessoa, este falou que só viu o rapaz naquela noite, e nunca mais. Sempre que vou à fortaleza, logo cedo vou  tomar  o café  da manhã  na casa  do Roberto Pessoa. É uma verdadeira romaria, gente de toda parte do ceará. Ele atende todo mundo com a maior alegria. Na última eleição, de outubro, ele venceu em Maracanaú, a terceira cidade do ceará, e a segunda em arrecadação, com um total de 73% dos votos. 

Voltando ao assunto anterior, ou seja nos benefícios que Roberto Pessoa já fez para o Ceará, incluo-me  entre  um dos que foram beneficiados. Estava eu internado no hospital São Mateus em Fortaleza há 20 dias, com uma febre contínua de 40 graus. No 21º dia, o médico que me  acompanhava mandou que me levassem para casa,  pois não tinha nada mais a ser feito por mim. Neste  mesmo dia  recebi  a famosa  unção  dos enfermos, ou seja a popular extrema unção.  Quando estavam preparando as minhas  roupas para levar para casa, chega Roberto Pessoa, às 11:00 da noite, para me levar para São Paulo, para ser atendido no hospital Sírio Libanês,  A  UTI  já  estava pronta  num  jato,  e  dr. David uip,  agendado para me atender às 8:00  horas da manhã. Graças a deus que neste  momento  crucial de minha vida, chega ao hospital  o dr. George Magalhães, que só em ver o estado em que me encontrava  diagnosticou  minha doença, chamada febre maculosa, ou seja, a febre do carrapato; Mandou  buscar  medicamentos  no hospital  de Messesjana,  e após 02 ( dois ) dias, minha febre normalizou. Nunca esqueço, porém, a presteza com que o Roberto Pessoa agiu, pois sem nada avisar, programou toda a minha remoção. Devo-lhe este imenso favor e o tenho como um dos meus melhores amigos. Fico feliz em vê-lo andando por este Ceará e sendo bem recebido em todos os lugares em que passa. Para complementar esta minha pequena homenagem ao grande líder empresarial e político, o Jornal  do Cariri, edição  do  dia  10  do corrente, dedicou 1 ( uma ) página inteira ao mesmo.
          
Por: Valdemir correia de sousa
Crato-Ceará
Editado por: Dihelson Mendonça
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O Cinema e o Crato - Por: Valdemr Correia de Sousa




Como é do conhecimento geral, o Crato foi um dos primeiros municípios do ceará a inaugurar um cinema. Há alguns anos, a praça Siqueira Campos era a top de linha da  cidade, existiam aqui 3 ( três ) cinemas: O da Rádio Educadora, o Cine Cassino e o Cine Moderno. sem citar o do SESI, que também exibia filmes para os seus associados na sua sala de projeção. 
Nessa época ainda não existia a televisão, por isso a juventude do Crato e o povo em geral, se divertiam, indo passear nas praças, onde começavam os namoros ou então, iam às matinês  da  AABB, ou então, às tertúlias do Crato Tenis Clube. A televisão chegou, e acabou-se o movimento das praças, dos clubes, e todo mundo ficou grudado  na  TV em casa, assistindo as novelas, como a primeira que foi exibida: "O direito de nascer".  ( Uma  história criada em Cuba, com o  principal personagem  Albertino  Limonta ), e haja choro. Mas o tempo é  inexorável, passa e desgasta tudo. Hoje, a pessoa não  precisa mais assistir  TV  em casa, pois pode fazê-lo num pequeno celular. E as praças  ressuscitaram, e como exemplo, temos  a  Praça  da  Sé, hoje o  principal  point do Crato, com lanchonetes, drugstore,  pizzarias, só  faltando mesmo, mesmo, mesmo, um cinema ! 

A instalação de um cinema não é difícil, faltando apenas boa vontade. A "educadora" está lá com o seu auditório com 600 cadeiras, o antigo cine moderno, transformado em teatro, todo pronto,  faltando  apenas os  equipamentos  para  projeção,  que  são  muitos  simples,  conforme afirma Bola Bantim. e a sala do SESI, sobre o qual no ano passado, iniciei uma campanha para reabertura, cuja sala de equipamentos e o auditório estão em bom estado de conservação. 

Portanto, esta turma jovem, que assumiu tudo que é moderno, façam um movimento junto às autoridades,  e vamos  voltar às nossas telas  tradicionais,  para  lembrar  o tempo  em  que passava filmes  tais  como : "E o vento levou",  "Matar ou Morrer",  "Por quem os sinos dobram"  ou "Sete homens e um destino". Sei que quem está lendo este pequeno artigo vai dizer:  Mas que cara cafona, sim, cafona sim,  Mas aqueles filmes marcaram época na minha geração, como hoje, o homem aranha bate recorde de bilheteria, que por sinal fui assistir num teatro em Nova York, paguei U$ = 240,00 dólares e sai antes de terminar. Achei uma bomba, não gostei. Mas aproveito a oportunidade  para dizer que no Ceará, em cidades de menos porte que o Crato, como é o caso de Aracati, Quixeramobim, sem falar nas maiores  como Sobral, Maracanaú, estão já com 6 ( seis ) cinemas funcionando a todo vapor. Vamos em frente, e logo, logo estaremos comprando nosso pacote de pipoca,  uma uma coca-cola de um litro, e assistindo a um filme nas casas de projeções do nosso querido Crato. Se o trem voltou, embora apenas para Juazeiro do Norte, porque o cinema também não poderá voltar ? Só tempo dirá.

Por: Valdemir correia de sousa
Crato-Ceará
Foto 1 - Dihelson Mendonça
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Aguentar sofrer - Por: Emerson Monteiro

Por si só somos a Eternidade... E pensar nisso é mera ilusão. Sustentar esses padrões de continuidade diante dos impasses de sentido nas peças que caem constantes das prateleiras da sorte, e sorrir definitivamente de olhos acesos na real felicidade, dia após dia, hora após hora de prêmios acumulados. Seguir na marcha batida dos condenados, porém soltos ao vento do prazer quais atores dos improvisos. Achar que levou a melhor durante o cerimonial da morte dos outros enquanto não chegava a própria morte, enganados de curto prazo a responder aos mesmos relatórios das casas de detenção.

Uns vestem as túnicas de sacerdotes, mestres do ritual da prestação de contas. Outros manuseiam os instrumentos de prolongar o desejo de pretensos contemplados na loteria do futuro que nunca virá vez que tudo é hoje e pronto. Mas, no fundo, bem no fundo, todos trajando os véus da ingenuidade artificial. Acreditam andar fora do sofrimento, que, no dizer de uma cigana, seja apenas aprendizado. Descobrir a porta de saída que permite sair os atores e tomarem café na praça esperando o momento de também serem executados na roleta da feira.

Se eu não aprender dessa vez não aprendo nunca mais, mas aprendo sim, porque logo na frente há um pelotão de fuzilamento aguardando a chegada dos retardatários, daqueles que se imaginam isentos de topar face a face com o drama das praças de execução. Porquanto o Universo inteiro gargalha nas nuvens da precisão dos mortais de lá desenvolver a decantada realização da paz nos corações.

Serão noites e noites de angústia, música, expectativa de tranquilidade no âmbito aberto dos sentimentos, vida longa aos seres que esperam localizar o milênio da paz na caverna dos encantos. Todos vêm e vão, vão e vêm, função espontânea das camas e muitas vidas sucessivas, à busca de cumprir o roteiro feliz da jornada em ritmo de silêncio e justiça para sempre.

(Ilustração: Pieter Bruegel, o Velho).

16 janeiro 2017

Consciência da unidade - Por: Emerson Monteiro

Quero falar nisso, da integração com o todo, fugir das divisões e dos limites que em tudo impõe distinguir os objetos. Enquanto que há integração absoluta em vigor. Os limites sendo, pois, a preocupação de dividir para reinar. Fazer de conta que sabe onde termina e recolher o que sobrar nos cofres da ambição. Limitar, o nome já vem dizendo. Inclusive a que se limita. Quando, em verdade, existe tão só integração e nada mais. Achamo-nos prisioneiros do tempo e do espaço, durante o tanto de aguentar que assim seja.

Mas persiste um conceito místico de que o momento é para sempre, eterno e puro. Um todo absoluto em tudo. Restará, no entanto, revelar a si este perceber. Mais do que uma entrega, descobrir o valor do presente que representa a principal descoberta das existências perdidas lá atrás. Conhecer a nós mesmos de dentro pra fora e agora. Trabalho de gigante, eis a porta da salvação dos incidentes de vida e morte.

É isto unidade. Adquirir o poder de dominar o instante e mergulhar de corpo e alma o mistério do instante, única comunhão na diversidade através da percepção individual. Vêm daí os nomes em que falam as escolas, as religiões. O Espírito Santo, a Realização do Ser, a descoberta do Si Mesmo, a Iluminação, a Salvação, etc. Noutro sentido, a totalização do processo vida em todas as horas.

E obter a consciência no aqui e agora, que perfazem juntos, e sem nome, a resposta às perguntas principais. O segredo mora no íntimo das criaturas. A luz rasgará as trevas da impossibilidade de conquistar a paz que projeta no desespero as ilusões. Dos redutos bem interiores da pessoa nascem os superheróis das sonhadas ficções, santos, conquistadores e líderes de continuar a experiência eterna do Ser.

Conquanto submissos, desativaremos os juízos à luz da esperança da mais recente felicidade em nós mesmos, os mocinhos da história. Noutras palavras: Não há passado, não há futuro; vivemos um eterno presente.

(Ilustração: Hieronymus Bosch).

14 janeiro 2017

Temos grandes motivos para comemorar – por Pedro Esmeraldo

  
      Em certos momentos, ficamos – às vezes – estarrecidos, devido a atentados contra a demarcação tradicional e à soberania da territorialidade do município de Crato.
      Estamos aqui para afirmar, com a seriedade e com certeza absoluta, que falta dignidade a alguns políticos, detentores de manifestações indigestas repentinas, que desejam retirar, na marra, porções da integridade territorial de Crato, em favor de município vizinho. Noutras palavras querem abocanhar o patrimônio alheio, mesmo sabendo que as fronteiras geográficas intermunicipais já foram legalizadas por lei há mais de cem anos. Mesmo assim, tentaram usurpar partes de outro município, querendo aumentar o território de outro, através de iniciativas intoleráveis, desejando ampliar a área territorial e engrandecer aquele município à custa do território inalienável do município de Crato.
    Ficamos atentos e lutamos silenciosamente, usando a filosofia do filósofo hindu Mahatma Gandhi, que pregava a paz, combatendo a violência sem violência. Na verdade, conseguimos rendo impedir o avanço dos que atentavam contra a integridade física do nosso município. Impedimos que eles arrancassem, através de ambição ilegítima, parte do nosso território.
    Mais uma vez contemplamos o óbvio, já que fomos empurrados para exercer trabalhos sérios e que concluímos com entusiasmo relevante a nossa luta a fim de combater os arranjos dos nossos adversários.
    No momento, ocorreu decisão satisfatória e gratificante, fazendo cair por terra artimanhas dos que apresentavam medidas inaceitáveis, sendo feita justiça e3 reconhecendo os direitos do nosso município.
    Por isso devemos engrandecer o exercício de defesa e equilíbrio ético e moral do nosso ilustre prefeito Ailton Brasil. Estamos aqui para dizer a verdade: graças ao empenho de Ailton Brasil, quando ainda era deputado, o desfecho foi um acordo que respeitou direitos adquiridos do povo cratense. Chegou a hora de agradecer e estimular o nosso atual prefeito, o qual, com serenidade e coragem, usando a persuasão e também com força de vontade, logrou êxito após um trabalho honesto, que tirou do marasmo legislativo os nossos representantes.  Envereda-se para o caminho da concórdia que seria a mola mestre para executar o que mais a comunidade cratense esperava: respeito a sua integridade territorial.
    Esse digno Senhor foi a figura exponencial no controle do embate nas configurações dos trabalhos que praticaram com êxito, com o intuito de tirar bom proveito na qualidade e bondade que seria útil para o cratense. Ele soube praticar o bom desempenho, que foi útil para nós, pois conseguiu livrar-nos da perplexidade com a prática da união formada entre políticos de várias áreas partidárias em desfavor do Crato. Precisamos unir com consciência e trabalho. Lembrem-se que a união faz a força. Avante, vamos tirar o Crato desse estágio de comodismo, que por certo atrai a inatividade do homem desnaturado. A frente pessoal! Não se deixe enganar, cumpra as promessas feitas na companha eleitoral.
    Agora, é tempo de agradecer ao nosso prefeito pelo esforço efetuado durante a luta contundente na Assembleia Legislativa. Mais uma vez dizemos, Obrigado Senhor!
    
         

 

13 janeiro 2017

Duas dimensões e uma só realidade - Por: Emerson Monteiro

Quanta divisão nesse mundo de tantas guerras. Pronde se vira, alguém espreita a vitória pelas armas sobre todo mundo. Ninguém quer ser do tamanho que tem. Quantos equívocos à procura da paz sonhada. Tudo, porém, fruto da mesma realidade. Uns veem de um jeito diferente do jeito que outros veem, e tome rock pauleira nos ouvidos desavisados, nas matas virgens, nos rios e mares. São os frutos do pomar da ingratidão desse bicho homem, disposto a mandar no sítio que não conhecem ainda e destruir em nome da dominação, da ganância. Nem importa o custo que acarreta, querem prevalecer.

Bom, mas pretendo nisso encontrar a outra dimensão, bem diferente dessa, no entanto presa a tais vinculações. Aqui do lado, ligada nessas vacilações dos mandachuvas, existe outro aspecto. Menos egoísta, menos agressivo. Equilibrar o barco, pedir clemência e viver a felicidade... Largar de fora o desejo só do prazer e cuidar do que seja proporcional à largura dos passos. O ego, também de dentro da pessoa humana, merece o seu lugar, contudo posto nas horas certas da virtude. Um ego virtuoso, hegemônico, feliz. Dizem os místicos que ele, o ego, é ótimo servo, entretanto péssimo senhor. Exatamente o contrário do Eu espiritual, a seu turno ótimo senhor e péssimo servo.

Esquecêssemos a cólica infeliz do prazer desordenado, e acharíamos, logo ali na primeira esquina, os motivos da esperança dos dias melhores de que falam desde o Paraíso. Víssemos o gosto de viver com sabedoria, e teríamos há tempos edificado o grande edifício da realização do Ser por meio da fraternidade e justiça social.

Será assim, então, produzir o próprio universo das luzes nascido da alma da gente. Desvendar o painel das certezas de que andaremos na estrada perfeita, à medida dos princípios e valores da boa vizinhança. Apenas estirar as mãos aonde existe realidade, e surgirá espontâneo o sonho explícito de justa proporção e amabilidade sem fim.

(Ilustração: Vicent van Gogh).

Pedro Labatut, um general francês em terras do Cariri – Por: Armando Lopes Rafael

General Pedro Labatut

O general Pedro Labatut  nasceu, em   1768, em Cannes, França,  e faleceu, em 1849, em Salvador,  na  Bahia. Este militar francês participou das Guerras Napoleônicas, entre 1807 e 1814, tendo atuado na Península Ibérica. Labatut combateu também na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América, ao lado do Marquês de La Fayette.  Atuou, ainda,  na Colômbia,  ao lado de Simón Bolívar. Finalmente, veio para o nosso país – contratado no posto de brigadeiro pelo imperador Pedro I – dada a  escassez de  oficiais experientes no exército brasileiro recém-organizado e para ajudar na guerra da independência do Brasil. Aqui, Labatut ordenou o Exército Pacificador, que  combateu as tropas leais a Portugal, na Província da  Bahia e lutou na Revolução Farroupilha, já no período regencial.

Em 7 de julho de 1832, a Regência nomeou-o para chefiar uma expedição ao Ceará,  com o objetivo de prender Pinto Madeira e devolver a paz aos habitantes da província. Chegou Labatut ao Ceará, no dia 23 de julho, trazendo 200 homens, quase todos negros. Mas somente em 31 de agosto, veio ele ao teatro da Guerra do Pinto, iniciando sua missão pela Vila de Icó. Encontrou a revolta praticamente encerrada, graças ao empenho do presidente da província, José Mariano de Albuquerque. Em setembro, Labatut já estava no Cariri, fazendo seu quartel no Sítio Correntinho, (localizado este entre Crato e Brejo Grande, segundo Gustavo Barroso, ou no município de Barbalha, propriedade de Pinto Madeira, segundo historiadores caririenses). Dali ele lançou uma  proclamação aos revoltosos convidando-os à rendição, mediante promessa de clemência. Ofereceu garantias a Pinto Madeira e ao padre Antônio Manuel de Souza para estes se entregarem, o que ambos fizeram, em 12 de outubro de 1832, com a promessa de serem enviados ao Rio de Janeiro, onde teriam um julgamento imparcial.
Pedro I
Militar experiente, Labatut logo sentiu o exagero das notícias chegadas à capital do Império sobre a Guerra do Pinto. Acampado no Cariri, constatou ele que Pinto Madeira, mesmo obtendo algumas vitórias, nunca ultrapassou os limites de Icó. A capital da província, os portos cearenses, a rota entre Aracati e Icó nunca saíram das mãos do governador da Província e da Regência. Além do mais, Labatut  não precisou derramar uma gota de sangue cearense, pois a Guerra do Pinto já havia sido vencida pelo governador da província, José Mariano. Tudo isso tranquilizou o general Labatut, pois sua missão não necessitava promover  lutas e sim viabilizar  o apaziguamento da população.
Foi o que ele fez, tendo oportunidade de cumprir, com isenção,  sua missão. Para evitar que os dois chefes rebeldes fossem massacrados por seus inimigos do Ceará, enviou-os a Recife, sob a guarda de um oficial de sua plena confiança. Em 14 de outubro, Labatut fez um equilibrado e sereno ofício ao Ministro da Guerra da Regência, do qual destacamos os tópicos abaixo:

“(...) Tenho a honrosa satisfação de ver quase concluída a comissão que a Regência do Império, em nome do Imperador, me há encarregado, sem derramar uma só gota de sangue brasileiro. Remeto a V.Excia., por intermédio do presidente de Pernambuco, o ex-coronel Joaquim Pinto Madeira e o vigário de Jardim, Antônio Manoel de Sousa que, sob condição de conservar-lhes as vidas, e remetê-los  para essa Corte, se me vieram apresentar no acampamento de Correntinho, em virtude de minha proclamação de 22 de setembro próximo passado, cuja cópia ofereço a V.Excia. Eles vieram acompanhados de muitas famílias que foram ao seu encontro nos desertos e montanhas por onde passavam. Estes dissidentes, em número de 1.590, prontamente me entregaram as armas da nação que empunhavam. Exmo.Sr., a maior parte das intrigas durante o reinado do terror, que felizmente passou, compeliu estes povos a hostilizarem-se de modo tal que geme o coração mais duro, à vista dos incêndios, mortes arbitrárias e roubos praticados até pelas tropas do presidente desta província (...)
   “Como, pois, poderão ser julgados os réus por juízes inçados da mesma opinião dos partidos que assolam a província? Por isso rogo a V.Excia. se digne de atender ao meu último oficio do Icó, em que, conhecendo cabalmente os males que acabrunham a nova comarca do Crato, eu pedia juízes íntegros, justos e sábios por não haver um só letrado, em toda ela, os de paz e ordinários são mui leigos e pertencem a um e outro partido. (...)

   “Estou pronto a executar as ordens do governo supremo, conservando-os submissos como ora se acham, em vista da brandura com que os tenho tratado, mas necessito de juízes com hei demonstrado. (...) A intriga, desgraçadamente, deu vulto a cousas em que nada ofendiam as leis. É falso, como aqui se dizia, que Joaquim Pinto Madeira proclamara e defendia a restauração e queria reproduzir aqui as cenas sanguinolentas  do S. Domingos francês (referia-se à revolta dos escravos negros no Haiti). O governo mandando juízes letrados imparciais conhecerá a fundo os verdadeiros culpados. O coronel de milícias Agostinho Tomás de Aquino e o tenente  de primeira linha Antônio Cavalcante de Albuquerque (ambos das tropas do presidente da província) cometeram horrorosos atentados contra os direitos civis, vidas e propriedades de seus concidadãos, sem escapar sexo nem idade. Seria um grande benefício para a humanidade atrozmente ofendida, e para a tranquilidade da Província, que V. Excia. os mandasse recolher à Corte e devassar as suas condutas. Fez-se guerra de bárbaros, mataram-se prisioneiros, queimaram-se casas, legumes, mobílias, roubaram-se gados, confiscaram-se os bens dos dissidentes.

“Deus guarde a V.Excia. Sr. brigadeiro Bento Barros Pereira, Ministro da Guerra – Pedro Labatut, general comandante das tropas do Ceará. Crato, 14 de outubro de 1832”.

Como se viu, a carta do general Labatut ao Ministro da Guerra do Brasil constituiu-se numa defesa de Pinto Madeira. Desnecessário detalhar o quanto isso desagradou aos liberais de Crato, ao presidente da Província do Ceará, José Mariano, e ao padre José Martiniano de Alencar, no Rio de Janeiro. Entretanto, os fatos históricos demonstram que foram cruéis tanto as forças legais como as tropas lideradas pelo caudilho do Cariri.

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael
Citações do trabalho “Pedro Labatut, um general francês em terras do Cariri”
FIGUEIREDO FILHO, José de. História do Cariri–Volume III. Edição da Faculdade de Filosofia do Crato, 1966. pags. 34-35.


12 janeiro 2017

Os segredos do caminho - Por: Emerson Monteiro

Em vista de serem indivíduos, todos têm um lugar seu. A proclamada solidão envolve tudo. Os lugares são dela preenchidos. Ainda que em grupo, o indivíduo anda só, vive só, ao crivo das próprias impressões de viagem. Trabalha, por vezes, no sentido de transformar o intransformável. Quer a todo custo alimentar o sonho de expandir o espaço aos outros espaços, ânsia incontida do desejo.

Mas o caminho, mesmo solitário, engloba todos os caminhos. A presença do ser dispõe desse poder, de expandir ao infinito a individualidade através do sentimento de pertencer ao grande todo.

E nisso o que era solidão passa a envolver o Universo inteiro em si. Esta a potencialidade do ser, energia inteligente, dotada de consciência, fator agregador de todos os sistemas em única individualidade. Eis a razão de tudo, o motivo da existência de tantas consciências, plural em missão de singular.

Desse jeito, a dor da solidão ganha sublimidade dentro da alma das criaturas e as cores regressam à origem. A claridade do amor soma os movimentos em movimento de luz e refaz a Criação na razão indivisível da Paz. Será de tal forma que estabelecerá a ordem no caos e a luz nas trevas. Desde a isolada compreensão individual nascerá o poder de aclamar a intensidade da solidão através na tranquilidade dos corações que a tudo regem.

Importa, sim, quando outros, até nos lugares mais distantes, tal agora no Oriente Médio os habitantes da Síria, que sofrem e tocam a nós mesmos de dores atrozes desse parto de sofrimento. O parto dos novos dias significa a massa enorme de experiências que machucam esse mundo por vezes hostil há de libertar o espírito santo da pureza humana e apresentar dias de harmonia e felicidade, ainda que a violência exija atitude atual e prudência.

Crato ganhou novo Santuário Diocesano: o da Mãe do Belo Amor – por Armando Lopes Rafael


A capela foi construída, em 2000,  por iniciativa do 4º Bispo Diocesano de Crato, Dom Newton Holanda Gurgel, para assinalar a passagem do século e do milênio sendo dedicada à Mãe do Belo Amor.
Em 2016, o 5º Bispo de Crato, Dom Fernando Panico, elevou-a à condição de Santuário Diocesano e a entregou à comunidade católica Filhos Amados do Céu, para concluí-la e administrá-la. Localizada no sítio Páscoa, próximo às Guaribas, na zona rural de Crato, o Santuário da Mãe do Belo Amor  recebe, todos os domingos, grande número de fiéis que vão participar da missa semanal, celebrada pelo Pe. Sebastião Monteiro. 

História da imagem venerada no Crato
A imagem da Mãe do Belo Amor, pequena escultura de madeira, medindo cerca de 40 centímetros, é venerada, desde os primórdios da Missão do Miranda – origem da cidade de Crato – que data do segundo quartel do século XVIII. Esta estátua sempre foi aureolada por muitos fatos pitorescos e lendários. Monsenhor Rubens Gondim Lóssio, escrevendo sobre esta representação da Virgem Maria, em trabalho publicado na revista Itaytera, afirmou: “Herdada dos ancestrais indígenas, existia uma pequena imagem da assim chamada Nossa Senhora do Belo Amor, de todos venerada”.
Não nos foi possível apurar as razões que levaram Monsenhor Rubens a concluir que a imagenzinha da Mãe do Belo Amor fora herdada dos indígenas, primeiros habitantes do Vale do Cariri. Entretanto, no artigo já citado, ele menciona um fato que merece transcrição. Na segunda metade do século XX, um conhecido e respeitado ancião cratense, o Sr. José da Silva Pereira, secretário do Apostolado da Oração de Crato, escreveu ao então vigário da Catedral, Monsenhor Francisco de Assis Feitosa, um documento, do qual extraímos o texto a seguir transcrito.
"Há na nossa Catedral três imagens que representam nossa padroeira, Nossa Senhora da Penha. O que vou narrar nestas linhas se refere somente à primeira, que é a menor das 3, esculpida em madeira, como as duas últimas. Trata-se de uma bela imagem que honra a arte antiga e a habilidade de quem a preparou. Segundo dizem os antigos, ela tem para mais de duzentos anos, mas nada deixa a desejar às que se fazem atualmente. Pertencendo ao número das imagens aparecidas, ela tem também a sua lenda bastante retocada de suave poesia. Conta-se que fora encontrada em poder dos índios (sem dúvida os Cariris), passando às mãos de pessoa civilizada. Aqui toma vulto a lenda que gira em torno do seu nome, pois afirmava que, repetidas vezes, ela voltara ao cimo de pedra onde os indígenas a veneravam. Este fato miraculoso deu lugar à fundação da Capela, onde hoje é a nossa Catedral, naquele mesmo sítio, tão profundamente respeitado.
Quanto à idade que lhe atribuem, provam-na os documentos referentes à fundação da povoação hoje transformada nesta importante Cidade do Crato.Para mais corroborar o misticismo que a tradição empresta à nossa querida santa, ocorre que a mesma desapareceu de nossa igreja há mais de cinqüenta anos, voltando agora aos seus penates, onde está sendo venerada por grande numero de fiéis. Os antigos deram-lhe o nome de “Belo Amor”, o que prova a piedade filial dos nossos antepassados. Respeitemos o passado, sua história, suas tradições e suas lendas, que nos falam sempre daqueles que abriram caminho a nossa vida". (LÓSSIO, 1961: 47).
Quanto ao desaparecimento da imagem da “Mãe do Belo Amor”, mencionado acima, o historiador Irineu Pinheiro esclareceu o episódio:
"Lá alguns anos, desapareceu (a imagem da Mãe do Belo Amor), mas, a 29 de abril de 1951, restituiu-a ao culto o velho sacristão Zacarias Luís Arnaud, que a retirara da Igreja, durante os anos de reconstrução e a guardara em casa, carinhosamente. Acolheu-a o povo com entusiasmo e devoção, a beijar-lhe os pés, a rogar-lhe felicidades. Vimo-la na Sé de Crato, de madeira, de uns dois palmos de altura, de olhos azuis, segurando com o braço e a mão direita o Menino Deus, de olhos também azuis, a agarrar com as duas mãos a gola do casaco de Nossa Senhora, puxando-a para si”. (PINHEIRO, 1955: 22 )

Não existem documentos sobre a origem da imagem da Mãe do Belo Amor. Também não se sabe, ao certo, se essa pequena escultura já se encontrava no Sul do Ceará, antes de 1740, ano da chegada de Frei Carlos Maria de Ferrara, para catequizar os índios Cariris, quando fundou a Missão do Miranda, embrião da cidade do Crato. Ressalte-se que, antes da chegada do frade, já tinha o Vale do Cariri certa densidade demográfica, embora não possuísse ainda nenhum aldeamento ou povoado considerável, o que só veio a se formar após 1740. Daí ser possível que a imagem da Mãe do Belo Amor já se encontrasse no Vale do Cariri, antes da vinda do fundador do Crato. Presume-se, pois, que até 1745 esta pequena imagem foi venerada na humilde capela de taipa, coberta de palha, construída por Frei Carlos, isto é, até a chegada da segunda imagem que seria venerada como Padroeira do Crato.
A restauração da imagem
Em 1º de janeiro de 2005, Dom Fernando Panico, bispo diocesano do Crato, celebrou a missa comemorativa do seu aniversário natalício, no santuário, em construção, da Mãe do Belo Amor, situado no sítio Páscoa, subida da Serra do Araripe. Em companhia do Sr. Cícero Sobreira de Sousa – cratense e membro da Associação dos Arautos do Evangelho, residente, à época, em Fortaleza, onde dirigia uma das casas daquela associação – fui assistir à Missa, celebrada no dia dedicado pela Igreja à Virgem Maria. Para minha surpresa, naquela ocasião, a estátua da Mãe do Belo Amor fora levada para o templo inconcluso, a Ela dedicado.
Tivemos a felicidade de oscular, antes da celebração do Santo Sacrifício, a sagrada imagem. Após a missa, dirigimo-nos, o Sr. Cícero e eu, para cumprimentar o ilustre aniversariante. Ali, na presença do Padre Edmilson Neves, Cura da Catedral do Crato, comentamos o desgaste que o tempo provocara na imagem, estando esta a necessitar de restauração.
Embora concordasse com esta assertiva, Dom Fernando Panico lamentou não dispor-se de um estúdio a quem confiar a empresa, certamente delicada. O Sr. Cícero atalhou que poderia verificar a possibilidade de a imagem passar por esse trabalho restaurador no ateliê artístico da Associação Internacional de Direito Pontifício Arautos do Evangelho, cuja casa-mãe fica na cidade de São Paulo, e se o bispo confiaria à associação mencionada tal tarefa. Dom Fernando Panico assentiu, de pronto, à sugestão.
Com informação positiva, em fins de fevereiro, o Sr. Cícero voltou ao Crato para cumprir a missão a que se propusera. E conduziu a imagem, devidamente acondicionada, juntamente com uma carta do Bispo do Crato ao Mons. João Scognamiglio Clá Dias – Presidente Geral da Associação Arautos do Evangelho – solicitando a restauração da estatueta. Reconheça-se, por oportuno, o senso artístico de Dom Fernando Panico, ao recomendar que se fizesse o trabalho, com o cuidado de manter as características da peça.
No dia 04 de abril de 2005, o Sr. Cícero Sobreira de Sousa devolveu novamente à guarda do Padre Edmilson Neves a imagem da Mãe do Belo Amor, já devidamente restaurada, fato que lhe valeu uma palavra escrita de total satisfação do Pároco da Catedral, na qual enfatiza o sucesso do delicado trabalho.
Dias depois, também o Sr. Bispo Diocesano escreveu outra carta ao Padre Geral dos Arautos do Evangelho, agradecendo e encomiando a tarefa. Assim, para conhecimento das gerações futuras, fica registrado que devemos à ação do Sr. Cícero Sobreira de Sousa a restauração da imagem da Mãe do Belo Amor.
(Texto e postagem de Armando Lopes Rafael)



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